A vagem imatura do feijão-de-metro constitui-se em uma boa
fonte de proteínas e outros compostos nutricionais para a população. O cozimento pode causar
perdas ou agregar compostos nutricionais e antinutricionais, que variam segundo tratamento
térmico e genótipo. Diante disto, o objetivo deste estudo é caracterizar vagens imaturas de
genótipos de feijão-de-metro em relação à qualidade nutricional, minerais, compostos bioativos e
atividade antioxidante, antes e após cozimento. Foram analisados cinco genótipos: 3943, 3966, De
Metro, BRS Lauré e BRS Raíra. As vagens foram submetidas a dois tratamentos cru e cozido a vapor.
Realizaram-se análises da composição centesimal (umidade, cinzas, proteínas, lipídios,
carboidratos e fibras alimentares), valor energético total, minerais, compostos bioativos (fenólicos
totais, flavonoides totais, taninos condensados, fitatos e vitamina C) e atividade antioxidante nos
métodos ABTS•+, DPPH• e FRAP, antes e após o cozimento. Os dados foram submetidos à análise
de variância e as médias entre os genótipos comparadas pelo teste de Tukey (p<0,5), e entre os
tratamentos (cru vs cozido) pelo teste t (p<0,05). De forma geral, houve diferença significativa
(p<0,05) entre os genótipos e entre os tratamentos (cru vs cozido) para a composição centesimal
e valor energético total. As vagens imaturas cruas e cozidas dos genótipos de feijão-de-metro
apresentaram teores elevados de umidade, proteínas, carboidratos e valor energético total; e
baixos teores de cinzas e lipídios. O cozimento aumentou os teores de umidade, lipídios e valor
energético total e diminuiu o teor de cinzas, não afetando os teores de proteínas, carboidratos e
fibras alimentares. As linhagens 3943 e 3966 apresentaram melhores valores em minerais,
proteínas, carboidratos, fibras alimentares e energia. Com boa retenção dos nutrientes após ocozimento. Na maioria dos minerais, houve diferença significativa (p<0,05) entre os genótipos e os
tratamentos (cru vs cozido), exceto para sódio, e aumento após cozimento. Os genótipos
apresentaram fonte de cobre e alto teor de selênio. A linhagens 3943 e 3966 obtiveram os maiores
teores de ferro, zinco, manganês, cobre, magnésio e fósforo, e as cultivares BRS Raíra e BRS Lauré,
os maiores teores de sódio, antes e após cocção. Observou-se diferença significativa (p<0,05) entre
os genótipos para os teores de compostos bioativos, exceto nas vagens cruas para o teor de fitatos,
antes e após o cozimento, bem como entre o tratamento cru vs cozido. O cozimento provocou
diminuição nos teores de compostos bioativos (fenólicos totais, flavonoides totais, taninos
condensados e vitamina C), exceto na cultivar BRS Lauré, onde houve aumento no teor de fitatos
e taninos condensados. Quanto à atividade antioxidante, observou-se diferença significativa
(p<0,05) entre os genótipos, em todos os métodos, antes e após o cozimento. Entre os
tratamentos, observou-se diferença significativa (p<0,05), à exceção de BRS Raíra (FRAP), 3966 e
BRS Lauré (DPPH•). Houve aumento da atividade antioxidante em ambos os métodos após
cozimento, exceto para a cultivar BRS Lauré nos métodos ABTS•+ e FRAP, onde ocorreu diminuição.
A linhagem 3966 apresentou maiores teores de compostos bioativos e atividade antioxidante antes
e após cozimento. Os genótipos 3943, 3966 e De Metro, obtiveram baixos teores de fitatos, antes
e após o cozimento. Os genótipos apresentaram ótima qualidade nutricional, elevados teores de
componentes funcionais, baixos teores de fatores antinutricionais, e alta a média atividade
antioxidante. A linhagem 3966 destacou-se, por apresentar melhor qualidade nutricional,
compostos bioativos e ação antioxidante, tornando as vagens imaturas de feijão-de-metro, um
alimento saudável com potencial para propriedade funcional e fonte de antioxidante, podendo ser
incluídos na dieta, como matéria-prima, em programas de combate à desnutrição e capacidade
para cultivares biofortificadas.