3 de Novembro de 2026 às 09:09
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.Esta dissertação analisa, à luz da teoria do capital cultural de Pierre Bourdieu e Passeron (2014) em que medida a difusão da inteligência artificial generativa produz novas formas de desigualdade educacional no Brasil. Sustenta-se que a competência crítica de uso desses sistemas, e não a tecnologia em si, constitui expressão do capital cultural incorporado, e que sua distribuição desigual tende a intensificar as desigualdades preexistentes. Propõe-se a noção de exclusão algorítmica, definida de modo relacional, como especificação conceitual diante da terceira exclusão digital, da consciência algorítmica e do capital digital. A pesquisa é qualitativa, de cunho crítico-dialético, exploratória e propositiva, e combina pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e análise de dados secundários da TIC Educação 2024, tratados por análise de conteúdo e triangulação de fontes. Os dados indicam rápida difusão do uso de inteligência artificial generativa entre estudantes do ensino médio e mediação escolar minoritária, o que cria condições para que o capital cultural de origem pese mais; por não serem desagregados por origem social, porém, não permitem comprovar a hipótese. A análise das políticas educacionais mostra avanço normativo recente, com o novo Plano Nacional de Educação e as diretrizes do Conselho Nacional de Educação, ainda pouco traduzido em formação docente, currículo e infraestrutura. Discutem-se, ainda, a colonialidade do conhecimento, a justiça cognitiva e a soberania digital. Conclui-se que a democratização da inteligência artificial na educação exige distribuir a competência crítica, e não apenas difundir a tecnologia.