• UFPI

  • COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA - MESTRADO PROFISSIONAL

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

  • EM FILOSOFIA






  • Dissertações/Teses - 2026

    CACILDA LINA BASTOS DA SILVEIRA O ensino de filosofia mediado pelos contos machadianos: uma proposta didático-filosófica a partir do pensamento de Dermeval Saviani Data: 05/10/2026

    Historicamente, os professores de filosofia têm se deparado com a desvalorização da disciplina por parte não apenas dos estudantes, como também por vários segmentos sociais. Existem diversos fatores, tanto de ordem subjetiva, quanto objetiva que ocasionam a secundarização do ensino filosófico em relação às outras áreas do conhecimento. Um dos entraves, não menos importante, é o modo como o professor pode possibilitar a apropriação do pensamento crítico em uma sala de aula para estudantes advindos de contextos econômicos, políticos, sociais e culturais tão diversos e com lacunas profundas no seu processo formativo. Compreende-se que a metodologia de ensino tradicional, com foco excessivo no professor, na transmissão de conteúdos descontextualizados e na memorização, dificulta o desenvolvimento da reflexão crítica, o que valida a ideia fossilizada e preconceituosa de que a filosofia é um conhecimento obsoleto e desconectado da realidade dos alunos, resultando na equivocada conclusão de que ela não contribui para a compreensão crítica e a transformação da realidade. O objeto de estudo desta pesquisa, realizado por meio no método materialista dialético é a metodologia do ensino de filosofia. Inicialmente investiga-se o aspecto metodológico das teorias educacionais, desvelando os seus limites no processo de apropriação do acervo material e cultural produzido pela humanidade. Em contrapartida, propõe-se o ensino de filosofia, fundamentado no pensamento de Saviani, utilizando o conto como uma forma narrativa mediadora da reflexão filosófica. Assim, defendemos que, ao adotar a metodologia da pedagogia histórico-crítica (PHC), mediada pelos contos machadianos, o professor de filosofia pode relacionar aspectos do que foi narrado com a realidade dos estudantes, problematizar o seu contexto histórico, instrumentalizá-los e instigá-los à intervenção crítica no mundo em que vivem. O estudo demonstra que, a apropriação do conhecimento filosófico por meio da PHC e da mediação pedagógica dos contos, podem contribuir significativamente para a formação crítica dos estudantes no ensino médio, o que requer do docente o domínio do conteúdo alinhado a uma metodologia que parta da realidade dos sujeitos sociais, garantindo-lhes a apropriação e a elaboração crítica do conhecimento sistematizado.


    MARCOS ANTÔNIO SILVA DE SOUSA O conceito de cidadania como horizonte no ensino de filosofia: uma interpretação crítica a partir da perspectiva gramsciana Data: 28/09/2026

    O presente trabalho pretende investigar a razão de ser do silenciamento acerca do conceito de cidadania vigente no ensino de filosofia da educação básica. Predominantemente, no ensino de filosofia, o conceito de cidadania é assumido como horizonte da educação básica. Nesta direção, há praticamente a ausência de problematização deste conceito na sociabilidade do capital, o que nos instigou a indagar: por que, de forma predominante, o ensino de filosofia isenta-se de problematizar o conceito de cidadania vigente em uma sociedade de classes? É espantoso como o supracitado conceito que, sempre foi tão caro à formação filosófica, tornou se tão usual, repetitivo e naturalizado a ponto de ser pouco problematizado. A partir disso, parece que o próprio ensino de filosofia, predominantemente, fossilizou o conceito de cidadania, assumindo uma postura antifilosófica, uma vez que se silencia diante de um conceito assumido como horizonte formativo dos estudantes. Para tanto, é necessário compreender o modo como o conceito de cidadania é abordado e desenvolvido a partir dos documentos oficiais da educação escolar brasileira, analisar como, ao longo da história do ensino de filosofia, certos autores, com suas obras, abordaram o conceito de cidadania no ensino da disciplina de filosofia e discutir, com base no conceito de filosofia da práxis, de Antônio Gramsci e no método materialista histórico, uma nova concepção de cidadania, em contraposição ao mesmo conceito circunscrito na perspectiva neoliberal, que foi naturalizado ao longo da história do ensino de filosofia. Por fim, apresenta-se como proposta de intervenção pedagógico-filosófica uma sequência didática como percurso formativo, fundamentada na filosofia da práxis, de Antonio Gramsci, que por meio da reflexão filosófica, busca promover uma compreensão crítica da realidade e da própria concepção de cidadania.


    VINICIUS VIEIRA PIMENTEL O fenômeno da angústia no ensino médio: um olhar humanista sartreano para o ensino de filosofia Data: 25/09/2026

     Esta dissertação tem como objetivo investigar quais contribuições o ensino de filosofia, numa perspectiva humanista sartreana, pode oferecer para que os estudantes lidem com o fenômeno da angústia. Como hipótese tem-se que tal ensino – na perspectiva mencionada – possibilita uma reflexão filosófica sobre o fenômeno apresentado e um enfrentamento a essa questão de caráter existencial. A hipótese acima pretende demonstrar, por meio do desenvolvimento de uma ferramenta filosófico-pedagógica denominada cartografia existencial, que um ensino humanista pode estimular o público discente a refletir sobre suas vidas, suas angústias e suas escolhas. A cartografia, enquanto roteiro terá quatro momentos conforme a seguinte sequência didática: mapeamento das angústias, elaboração de material conceitual, discussão conceitual (liberdade, responsabilidade e má-fé) com os discentes e, por fim, um roteiro de experiência aos professores de filosofia. Nas considerações finais ter-se-á uma reflexão acerca dos resultados alcançados.


    CLÁUDIA MARIA DO NASCIMENTO A reforma do ensino médio: uma análise de suas reverberações no livro didático de filosofia na perspectiva de Dermeval Saviani Data: 23/09/2026

    A recente reforma do ensino médio, instituída pela Lei n.o 13.415/2017, introduziu grandes mudanças no currículo escolar brasileiro, impactando o ensino em diversas áreas do conhecimento, inclusive na filosofia. Esta pesquisa tem como objetivo investigar as reverberações da referida reforma no livro didático de filosofia do ensino médio, adotado pela escola estadual CETI Professor Antônio dos Reis e Silva, na cidade de Boqueirão do Piauí. Norteada pelo pensamento de Dermeval Saviani, esta dissertação adota uma abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, com enfoque crítico-interpretativo, buscando compreender os efeitos impostos pelo Novo Ensino Médio ao ensino de filosofia. Os objetivos específicos da pesquisa são discutir sobre as reformas do ensino médio no Brasil; refletir sobre o Novo Ensino Médio e sua implementação no Estado do Piauí; identificar, no livro didático de filosofia, os impactos decorrentes da recém reforma do ensino médio e; propor uma ação didático-filosófica, fundamentada na Pedagogia Histórico-Crítica, com o intuito de aprimorar o ensino da área do conhecimento de filosofia. Ancorada em uma análise crítica, esta pesquisa busca contribuir para a valorização do ensino de filosofia, uma vez que pode fortalecer a formação crítica e emancipadora dos docentes e estudantes. Pelo estudo realizado, percebemos que a filosofia circunscrita aos estudos e às práticas pela lei vigente, teve seu conteúdo fragmentado em meio às outras disciplinas da área de ciências humanas e sociais aplicadas, dificultando o exercício do pensamento crítico dos estudantes, posto que o processo de ensino-aprendizagem se tornou cada vez mais de caráter imediatista, evidenciando uma tendência à secundarização da formação humana em prol de uma educação comprometida com a lógica do mercado.


    JOSÉ EVANDO DE OLIVEIRA CASTRO O ensino de filosofia no ensino médio e o pensamento complexo: contribuições de Edgar Morin para práticas pedagógicas interdisciplinares Data: 15/09/2026

    A presente pesquisa propõe-se a refletir sobre as possibilidades de articulação entre o ensino de Filosofia no Ensino Médio e o Pensamento Complexo de Edgar Morin, buscando compreender de que modo essa perspectiva poderia contribuir para práticas pedagógicas interdisciplinares e para a formação de sujeitos críticos, reflexivos e éticos. Para isso, partimos do reconhecimento de que a Filosofia, enquanto componente curricular, tem como finalidade central promover o exercício do pensamento autônomo e problematizador. Contudo, em muitos contextos, seu ensino ainda se encontra marcado pela fragmentação do conhecimento e pela desvinculação entre teoria e prática. O Pensamento Complexo de Morin oferece um horizonte epistemológico que seria capaz de superar tais limitações, ao propor uma visão integradora do saber que valoriza a incerteza, a interdependência e a multidimensionalidade da realidade. A pesquisa, de caráter bibliográfico e abordagem qualitativa, fundamenta-se em autores como Edgar Morin, Paulo Freire, Ivani Fazenda, Silvio Gallo, buscando estabelecer um diálogo entre a complexidade, interdisciplinaridade e educação emancipatória. Como produto educacional, propõe-se uma sequência didática interdisciplinar voltada ao ensino de Filosofia, pautada nos princípios morinianos e na formação integral do educando. Conclui-se que o ensino de Filosofia, quando articulado à complexidade, tem o potencial de favorecer uma aprendizagem crítica, criativa e ética, contribuindo para a construção de uma educação comprometida com a humanização e com a transformação social.


    RAIMUNDA NONATA AMORIM SILVA ENSINO DE FILOSOFIA, DO SILENCIAMENTO AO ESPLENDOR DAS VOZESFEMININAS: UMA COMPREENSÃO À LUZ DO PENSAMENTO DE HANNAH ARENDT Data: 14/08/2026

    O Ensino de Filosofia no Brasil segue o modelo da tradição de pensamento ocidental e não tem considerado as ideias de mulheres filósofas. Não é de hoje que a exclusão e o apagamento do pensamento feminino e feminista se fazem regra universal e violenta; seus pensamentos estão ausentes quando se estuda e ensina filosofia. Este estudo tem como objetivo fundamental compreender o silenciamento das vozes femininas no ensino de filosofia, e o problema diz respeito aos porquês desse processo. É um trabalho que inicialmente segue parâmetros da pesquisa teórico bibliográfica, com abordagem qualitativa e, no seu final assume ares da pesquisa ação. Ao mesmo tempo em que se analisa e interpreta criticamente o problema, vai-se buscar encontrar o trabalho filosófico das mulheres em diferentes períodos da tradição, perfurando os cânones clássicos e mapeando presenças e ausências. Esse exercício de buscas vai ser realizado em relação à tradição de modo geral, mas, também, e de modo mais específico, nos compêndios que tratam sobre o ensino de filosofia no Brasil, para se descobrir porque nas escolas os materiais didáticos e paradidáticos tornam importante apenas o pensamento de filósofos homens. O principal suporte teórico é Hannah Arendt, mas, também, contamos com pensadoras brasileiras como Juliana Pacheco, Sueli Carneiro, Yara Frateschi, Djamila Ribeiro e outras. Durante o estudo vamos propor uma Ação Didático Filosófica, ADF, que transgrida àquilo que está posto historicamente no Ensino: uma semana filosófica com o tema —política é coisa de mulher‖, explorando o pensamento de Hannah Arendt e corroborando a tese de que podemos ensinar conteúdos nas escolas da Educação Básica a partir de ideias produzidas por mulheres. Todo o estudo tem a pretensão de afirmar, na prática de Ensino de filosofia, a potência das vozes femininas na produção do conhecimento filosófico.


    FLÁVIA REGINA SILVA SOUSA A Literatura Infantil como recurso pedagógico e filosófico, no desenvolvimento de competências éticas e sociais na Educação Infantil Data: 13/07/2026

    Esta pesquisa investiga o papel da literatura infantil como recurso pedagógico e filosófico no desenvolvimento de competências éticas, sociais e reflexivas em crianças da Educação Infantil, alinhando as práticas docentes às diretrizes da educação brasileira e respeitando as etapas do desenvolvimento infantil na idade de cinco anos. Tem como objetivo compreender de que modo a linguagem literária, por meio dos contos tradicionais e histórias clássicas, ajuda nas relações entre os processos de reflexão ética e social na primeira infância, para a construção de valores, experiências de empatia e possibilidades de desenvolvimento do pensamento crítico. O estudo fundamenta-se nos conceitos de linguagem e pensamento crítico de Marilena Chauí (2000), na visão simbólica dos contos de fadas e das narrativas tradicionais infantis discutida por Nelly Novaes Coelho (2003), na importância da empatia e da identificação com personagens segundo Regina Zilberman (2003) e no desenvolvimento de competências socioemocionais conforme Michele Borba (2016), além das concepções de Jean-Jacques Rousseau (2009) e Immanuel Kant (1991) sobre a formação moral e racional do sujeito. A metodologia adotada compreende a pesquisa bibliográfica e análise teórica das narrativas selecionadas, articulando-as com as práticas educativas previstas na BNCC. Os resultados indicam que a Literatura Infantil, ao trabalhar símbolos, mitos e arquétipos, promove empatia, autorregulação e reflexão crítica, podendo funcionar como mediadora privilegiada na formação ética e social das crianças.


    BERENICE FERREIRA CORADO Pressupostos filosóficos e pedagógicos do pensamento rousseauniano: inspirações para o filosofar com crianças e adolescentes no ensino fundamental Data: 15/06/2026

    Este estudo investiga os pressupostos filosóficos e pedagógicos do pensamento de Jean-Jacques Rousseau, analisando suas possíveis contribuições para o ensino de filosofia no ensino fundamental. Considerando que Rousseau defendia uma educação pautada na liberdade, na autonomia e no respeito à natureza da criança, busca-se compreender de que forma esses princípios podem fundamentar práticas pedagógicas que incentivem o pensamento crítico e reflexivo desde os primeiros anos escolares. Embora suas obras não tratem diretamente da educação formal nos moldes contemporâneos, seu pensamento apresenta elementos que permitem repensar a inserção da filosofia no currículo da educação básica, sobretudo ao reconhecer a capacidade dos adolescentes de questionar, interpretar e construir conhecimento a partir de suas próprias experiências. Nesse sentido, além da análise teórica do pensamento rousseauniano, este trabalho apresenta uma proposta de intervenção pedagógica a ser desenvolvida na Escola Municipal Julio Borges de Macêdo, localizada no município de Riacho Frio, com 3 turmas do 6º e 3 turmas do 9º ano, bem como cerca de 30 professores, além de um coordenador e um diretor. O projeto será desenvolvido em parceria com docentes das áreas de Artes e Língua Portuguesa e consistirá na realização de oficinas filosóficas voltadas à valorização da liberdade, da criatividade e da expressão dos estudantes. Nessas oficinas, os alunos serão convidados a criar livremente, sem imposições ou julgamentos, produtos artísticos e filosóficos que culminarão em uma mostra pedagógica com estandes, apresentações teatrais e exposições, inspiradas na obra Emílio ou da Educação, de Rousseau — tanto em seu contexto original quanto em uma releitura contemporânea. A proposta visa não apenas incorporar a filosofia como prática viva e dialogada, mas também promover um ambiente escolar mais sensível ao desenvolvimento integral dos sujeitos, em consonância com os ideais rousseaunianos de formação moral e social.


    JOSÉ IVAN DE MACEDO BORGES A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO NO ENSINO DE FILOSOFIA: um estudo sobre o poder a partir do pensamento de Michel Foucault Data: 24/04/2026

    A presente pesquisa tem como objetivo geral analisar as relações de poder e hierarquia
    existentes entre professor e aluno, buscando refletir sobre o protagonismo de ambos os
    sujeitos no processo de ensino e aprendizagem, especialmente nas aulas de Filosofia. O
    estudo parte da compreensão de que o ambiente escolar é atravessado por dinâmicas de
    poder que, ao mesmo tempo em que estruturam o processo educativo, também podem ser
    espaço de resistência e emancipação. A fundamentação teórica baseia-se principalmente no
    pensamento de Michel Foucault, cujas concepções sobre disciplina, vigilância e poder-saber
    permitiram compreender a escola como dispositivo de normalização e controle social, bem
    como em Jacques Rancière, cuja obra O mestre ignorante (1987) propõe uma ruptura com a
    pedagogia tradicional ao defender a igualdade das inteligências. Trata-se de uma pesquisa
    qualitativa e de natureza bibliográfica, de abordagem genealógica foucaultiana, que busca
    analisar as práticas e discursos que constituem as relações pedagógicas e as subjetividades
    formadas no espaço escolar. Foram examinadas obras teóricas, documentos oficiais da
    educação brasileira — como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº
    9.394/1996) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018) —, além de produções
    acadêmicas que abordam o ensino da Filosofia no Brasil sob diferentes perspectivas
    históricas e metodológicas. Os resultados apontam que as relações entre professor e aluno
    ainda são marcadas por uma lógica hierárquica e disciplinar, herdada de modelos tradicionais
    de ensino. No entanto, também se observam movimentos de subversão e transformação,
    impulsionados por metodologias ativas e práticas pedagógicas que valorizam a autonomia
    intelectual do estudante e o diálogo como meio de construção do conhecimento. A pesquisa
    conclui que compreender essas relações sob a ótica foucaultiana e rancieriana é essencial
    para repensar o papel da Filosofia na escola contemporânea, não apenas como disciplina
    curricular, mas como prática crítica e emancipadora.

     


    ELIANA MACÊDO COSTA A dimensão ideológica empresarial presente na BNCC: uma análise crítica conforme a perspectiva de Terry Eagleton Data: 17/04/2026

    A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada no contexto da Reforma do Ensino Médio, consolidou-se como eixo estruturante das políticas curriculares brasileiras, sendo apresentada como instrumento de garantia do direito à aprendizagem e à formação integral. Contudo, sua elaboração e implementação ocorreram em um cenário marcado pela crescente influência de agentes empresariais na definição das políticas educacionais. Este estudo justifica-se pela necessidade de compreender criticamente a dimensão ideológica subjacente à BNCC, especialmente no que se refere à incorporação de uma racionalidade empresarial no currículo. O problema de pesquisa investiga, à luz da teoria da ideologia de Terry Eagleton, em que medida a BNCC naturaliza valores associados ao empreendedorismo, à autogestão e à responsabilização individual, impactando o ensino de Filosofia no Ensino Médio. O objetivo geral consiste em analisar a dimensão ideológica empresarial presente na BNCC. Os objetivos específicos incluem: contextualizar sua formulação política; examinar o componente curricular Projeto de Vida; e problematizar suas implicações para a formação crítica. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, de caráter teórico-crítico e documental, fundamentada na análise da BNCC, das legislações correlatas e de livros didáticos, articulada à teoria da ideologia de Eagleton e à literatura sobre empresariamento da educação. Também foi realizado o procedimento metodológico da leitura imanente (Eagleton, 1997; Frigotto, 2018), com o objetivo de fundamentar a análise e a interpretação dos dados.  Nessa direção, como produto da dissertação, foi desenvolvido um conjunto de vídeos formativos destinados a professores, com orientações pedagógicas e reflexões teóricas que dialogam com os resultados da pesquisa. Os resultados indicam que a BNCC opera como dispositivo ideológico, ao ressignificar conceitos democráticos em chave gerencial, deslocando a centralidade do conhecimento para competências adaptativas. Conclui-se que a Filosofia possui papel estratégico na problematização dessas diretrizes, contribuindo para uma formação crítica e socialmente referenciada.


    ACÁCIO RODRIGUES DA SILVA BRITO UMA ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR PARA O ENSINO DE FILOSOFIA NO NÍVEL MÉDIO COM BASE EM CONCEITOS DE MICHEL FOUCAULT Data: 31/03/2026

    Esta dissertação propõe uma abordagem interdisciplinar para o ensino de Filosofia no
    Ensino Médio, fundamentada nos conceitos de poder, saber e discurso de Michel
    Foucault, entendendo a escola como um espaço atravessado por dispositivos de
    governamentalidade e regimes de verdade. Investiga-se de que modo a Filosofia,
    articulada à História, à Sociologia, à Literatura e à Língua Portuguesa, pode deslocar-
    se do lugar de disciplina isolada para constituir-se como espaço de problematização e
    resistência às práticas educativas padronizadas. O problema central da pesquisa
    consiste em compreender como a leitura foucaultiana pode fundamentar uma proposta
    interdisciplinar capaz de superar a fragmentação do conhecimento e fortalecer a
    postura crítica dos estudantes frente à cultura de performatividade que perpassa
    currículos e avaliações externas. O objetivo geral é propor e justificar tal abordagem, e
    os objetivos específicos incluem mapear a evolução dos conceitos foucaultianos,
    analisar sua aplicação à educação, delinear estratégias interdisciplinares e apresentar
    um produto pedagógico que materialize essas concepções. O referencial teórico
    ancora-se principalmente em Michel Foucault, dialogando com Paulo Freire, Pierre
    Bourdieu, Jean-Claude Passeron, Michael Apple, Dermeval Saviani e autores que
    discutem a BNCC e a avaliação formativa, como Esteban e Luckesi. Os resultados
    esperados incluem a elaboração de uma proposta de ensino interdisciplinar da
    Filosofia que promova a autonomia intelectual, a reflexão ética e a consciência crítica
    dos estudantes, favorecendo práticas educativas emancipatórias que desestabilizem
    discursos normalizadores e consolidem a Filosofia como prática de liberdade e eixo
    articulador de uma cultura escolar crítica e democrática.


    RICARDO DE MOURA BORGES O regional como desafio filosófico na educação escolar: uma análise a partir do projeto pedagógico de Hegel Data: 31/03/2026

    Esta dissertação investiga a contribuição da filosofia de Georg Wilhelm Friedrich Hegel para a fundamentação de uma concepção de educação entendida como formação (Bildung), concebida como processo dialético de constituição do sujeito na vida ética e social. Em contraste com as tendências utilitaristas e neoliberais da educação contemporânea, que reduzem a escola à lógica da eficiência, da mensuração de resultados e da adaptação funcional ao mercado, o trabalho recupera a tradição humanista da formação integral como horizonte normativo da prática educativa. No plano teórico, desenvolve-se uma leitura hermenêutica da Fenomenologia do Espírito, enfatizando categorias centrais como negatividade, alienação, reconhecimento intersubjetivo e eticidade (Sittlichkeit). Demonstra-se que, em Hegel, a formação não ocorre por assimilação passiva de conteúdos, mas por meio da experiência, do conflito e da mediação histórica, nas quais a consciência supera suas certezas imediatas e se eleva à universalidade. A liberdade, nesse contexto, não é interioridade abstrata, mas realização concreta nas instituições e práticas da vida ética. No âmbito do mestrado profissional, a pesquisa articula essa fundamentação filosófica a um produto educacional: um minicurso formativo inspirado na concepção hegeliana de Bildung, implementado no Instituto Federal do Piauí. A experiência pedagógica privilegiou o diálogo, a problematização e a compreensão da negatividade como princípio formativo. A análise dos relatos dos participantes indica ressignificação crítica das concepções de educação, aprendizagem e erro, bem como fortalecimento da autonomia reflexiva e do reconhecimento intersubjetivo. Conclui-se que o pensamento hegeliano permanece atual e fecundo para pensar a educação como prática de humanização, liberdade concreta e formação integral do sujeito. 




    Dissertações/Teses - 2025

    IZANI LIMA ANDRADE DUARTE O que quero ser quando crescer? Um estudo sobre a relação entre o projeto de vida e a ideologia empreendedora no novo ensino médio (NEM) Data: 10/11/2025

    A presente pesquisa tem por objetivo investigar a relação entre o projeto de vida e a ideologia empreendedora no Novo Ensino Médio (NEM), no contexto de uma escola de tempo integral em Timon-MA. Para tanto, pretende-se definir o que é o projeto de vida, relacioná-lo com a ideologia empreendedora, demonstrar as implicações dessa relação para a formação dos estudantes e elaborar uma proposta de intervenção com o intuito de contribuir para a criticidade de docentes e discentes. Neste estudo, busca-se demonstrar que o Novo Ensino Médio (NEM) é resultado, sobretudo, de interesses de empresas, institutos e organizações não governamentais (ONGs) comprometidas com a ideologia empreendedora, a qual defende uma concepção subjetivista segundo a qual o êxito do estudante no ensino médio, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional, é visto como resultado de seu esforço, ousadia e competência, relegando a segundo plano o debate sobre os condicionamentos econômicos, políticos, sociais e culturais. O método adotado é o materialismo histórico-dialético, com base no pensamento do filósofo húngaro István Mészáros e de pensadores afins. Para tanto, realizou-se um levantamento de publicações sobre a reforma do ensino médio e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), visando a uma melhor compreensão do projeto de vida, que constitui o objeto de estudo desta investigação. Além disso, foi empreendido o método da leitura imanente (Lessa, 2006) no estudo de algumas obras de Mészáros (2008a; 2008b; 2011), com o objetivo de fundamentar a análise e a interpretação dos dados. Por fim, propõe-se a produção de um podcast didático-filosófico com temáticas que busquem contribuir para um maior pensamento crítico de docentes e discentes quanto ao projeto de vida e à ideologia empreendedora. Conclui-se que o estudo é relevante porque instiga a reflexão sobre os limites do projeto de vida e da ideologia empreendedora na sociabilidade do capital, em defesa por uma educação comprometida com a emancipação humana.

     

     

     


    IGOR ROOSEVELT DE OLIVEIRA CUNHA Construindo a Democracia Através da Educação: A Contribuição de John Dewey Data: 29/09/2025

    Diante das ameaças à democracia que o Brasil sofreu e vem sofrendo nos últimos
    anos, do apoio a políticas populistas e do crescimento da autocratização no mundo,
    esta dissertação busca encontrar formas de promover o pensamento democrático
    entre estudantes do ensino médio e combater o autoritarismo. Como queremos
    demonstrar, a filosofia pragmatista da educação de John Dewey, por meio do seu
    conceito de “experiência”, é capaz de fornecer as ferramentas necessárias para essa
    finalidade. O estudo parte da leitura das obras de John Dewey, principalmente,
    “Experiência e Educação” e “Democracia e Educação”, e de comentadores, a fim de
    encontrar os fundamentos filosófico-pedagógicos para a formação de indivíduos
    reflexivos, críticos e democráticos. Busca-se, por meio disso, demonstrar a
    possiblidade de desenvolver um saber reflexivo e antiautoritário entre os jovens. A
    proposta será aplicada como um piloto a alunos do terceiro ano do Ensino Médio da
    rede pública do Maranhão. Espera-se que, ao fim da execução, os alunos
    desenvolvam um senso de democracia mais amplo e uma rejeição ao autoritarismo
    político.


    MARIA ANTONIA NUNES DE SOUZA O ENSINO DE FILOSOFIA COMO ESTÉTICA DA EXISTÊNCIA: A FILOSOFIA COMO PRÁTICA DE VIDA Data: 18/09/2025

    O presente trabalho propõe uma análise sobre as possibilidades de abordagem do ensino de filosofia de modo que este se configure como instrumento com aplicabilidade na vida prática. O objetivo central é apresentar a filosofia enquanto um modo de existência, destacando seu potencial formativo para além do caráter puramente teórico. Para tal finalidade, recorre-se à noção de cuidado de si e à concepção de estética da existência desenvolvidas por Michel Foucault. Assim, abordamos a filosofia como uma prática de si – uma arte de viver – conforme delineada por Foucault, evidenciando aos discentes que a filosofia possui efetiva relevância existencial e pode orientar a constituição de uma vida autêntica.

     

     

     

      Estética da Existência. Vida Verdadeira. Michael Foucault.


    ANTONIO LEITÃO FORMAÇÃO CULTURAL COMO RESISTÊNCIA AO RACISMO E AO AUTORITARISMO EM THEODOR ADORNO: uma proposta de intervenção no ensino de Filosofia no Ensino Médio Data: 01/09/2025

    Esta pesquisa investiga o conceito de formação cultural (Bildung) como estratégia de resistência ao autoritarismo e ao racismo no ensino de Filosofia no Ensino Médio, a partir da Teoria Crítica de Theodor Adorno (1903–1969). Para este filósofo da Escola de Frankfurt, a educação deve despertar o pensamento crítico, permitindo que os indivíduos compreendam e questionem a realidade social em que estão inseridos. O estudo tem como objetivo revisar o conceito de Bildung em Adorno, evidenciando sua relevância para práticas educativas que enfrentem as estruturas de dominação presentes no contexto escolar. A pesquisa foi conduzida por meio de uma revisão sistemática da produção acadêmica brasileira (2019–2023), mapeando tendências e lacunas na discussão sobre a formação cultural como resistência. Posteriormente, realizou-se uma análise conceitual das contribuições de Adorno, ressaltando a evolução do conceito de Bildung desde o Iluminismo até a crítica à Indústria Cultural. Como desdobramento prático, elaborou-se uma proposta de intervenção pedagógica voltada à criação de um Jornal Escolar Antirracista, concebido como espaço formativo que articula a experiência crítica dos estudantes com a promoção da autonomia intelectual. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza descritiva, que integra revisão bibliográfica e desenvolvimento de um percurso didático direcionado a turmas do 2º ano do Ensino Médio. Espera-se que a intervenção proposta favoreça o desenvolvimento da consciência crítica dos estudantes frente a discursos autoritários, racistas e discriminatórias, ao mesmo tempo em que oferece aos docentes subsídios teóricos e metodológicos para consolidar práticas educativas críticas no ensino de Filosofia.


    SÔNIA MARIA DE AGUIAR CANA VÊRDE METODOLOGIA DE ENSINO DE FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO NA PERSPECTIVA DA MAIÊUTICA SOCRÁTICA Data: 29/08/2025

    A presente dissertação investiga a metodologia de ensino de Filosofia no Ensino Médio a partir da maiêutica socrática, buscando compreender como essa abordagem pode ser aplicada como ferramenta pedagógica. O problema de pesquisa consiste na seguinte questão: como utilizar a maiêutica socrática para o ensino de Filosofia? A hipótese sugerida é que, por meio dos diálogos de Platão, Aristófanes e Xenofonte, o professor possa estimular um processo dialógico com os alunos, incentivando a reflexão sobre o autoconhecimento. Dessa forma, os estudantes têm uma base sólida para desenvolver o pensamento crítico e aprofundar a compreensão sobre si mesmos, os outros, o mundo e as coisas. Inicialmente, foi realizada a leitura e análise dos textos de Xenofonte (Ditos e feitos memoráveis de Sócrates) e (Apologia de Sócrates) escrita por Platão, bem como (As Nuvens) de Aristófanes, os quais apresentam diferentes perspectivas sobre Sócrates e sua prática filosófica. A pesquisa adota uma abordagem bibliográfica, analisando textos clássicos e contemporâneos sobre o ensino de Filosofia e a prática socrática. Como produto de intervenção, será elaborada uma sequência didática que auxilie professores na aplicação da maiêutica socrática em sala de aula. Os resultados esperados incluem o aprimoramento das estratégias pedagógicas baseadas no diálogo filosófico, o fortalecimento da capacidade argumentativa dos alunos e a valorização da investigação crítica como princípio essencial na formação do pensamento filosófico no ambiente escolar.


    CLÁUBERT EDUARDO DO VALE OTÁVIO A RAZÃO PÚBLICA DE RAWLS COMO BÚSSOLA PARA A PROMOÇÃO DA LIBERDADE DE CRENÇA RELIGIOSA E FILOSÓFICA NO ESPAÇO DA ESCOLA PÚBLICA Data: 27/08/2025

    Esta dissertação tem como objetivo refletir sobre o conceito de razão pública, conforme formulado por John Rawls, e sua relação com a liberdade de crença religiosa e filosófica no espaço da escola pública brasileira. A investigação parte do seguinte problema: em que medida o conceito de razão pública, em John Rawls, permite reafirmar a liberdade de crença religiosa ou convicção filosófica na educação básica pública do Brasil? A partir dessa questão, desenvolve-se uma análise filosófica que articula os princípios da razão pública com os desafios contemporâneos enfrentados no contexto escolar, especialmente no que se refere à pluralidade de visões de mundo presentes nas salas de aula. A metodologia adotada é a hermenêutica filosófica, com foco na interpretação crítica das obras de John Rawls, especialmente aquelas voltadas à justiça como equidade e à ideia de consenso razoável em sociedades plurais. Como resultado da pesquisa, foi produzido um material didático em formato de história em quadrinhos, voltado para o ensino de Filosofia na educação básica, cujo objetivo é fomentar a reflexão entre estudantes sobre o respeito mútuo entre diferentes crenças religiosas e convicções filosóficas no ambiente escolar. As contribuições práticas deste trabalho visam à formação cidadã e ao fortalecimento de uma cultura escolar baseada na tolerância, no diálogo racional e no reconhecimento da diversidade. No campo docente, a dissertação propõe implicações significativas para a prática pedagógica do professor de Filosofia, ao oferecer subsídios teóricos e materiais para o enfrentamento de conflitos envolvendo crenças pessoais no espaço da escola pública. Do ponto de vista da atuação do filósofo na escola, defende-se que a razão pública pode funcionar como uma bússola ética e pedagógica, orientando decisões e posturas que assegurem a liberdade de consciência e a convivência democrática no espaço educacional.


    DOMINGOS BORGES DA SILVA Uma Teoria da Justiça de John Rawls: O rádio como ferramenta para promover reflexões sobre a Teoria da Justiça de Rawls no Ensino Médio Data: 13/08/2025

    Esta dissertação investiga o uso do rádio como ferramenta pedagógica para o ensino de Filosofia no Ensino Médio, tendo como base a teoria da justiça como equidade de John Rawls. Inspirada em uma abordagem qualitativa, a pesquisa  adota a metodologia da pesquisa-intervenção, sendo desenvolvida em uma scola pública com alunos do 2º ano do Ensino Médio. A intervenção consistiu na produção de podcasts filosóficos pelos próprios estudantes, abordando conceitos como véu da ignorância, posição original e princípio da diferença. A fundamentação teórica articula a proposta rawlsiana com os pressupostos pedagógicos de Paulo Freire e John Dewey, enfatizando a importância da experiência, da comunicação e do diálogo na formação crítica dos sujeitos. Os resultados demonstram que o uso do rádio favoreceu uma aprendizagem mais significativa e engajada, permitindo aos estudantes mobilizarem os conceitos filosóficos em contextos reais e desenvolverem habilidades de argumentação, escuta ética e análise crítica da realidade. Além disso, a proposta valorizou a oralidade, as culturas juvenis e a interdisciplinaridade, mostrando-se especialmente eficaz em ambientes com limitações tecnológicas. Os desafios enfrentados — como a complexidade conceitual da teoria rawlsiana e as restrições estruturais da escola — foram superados por meio de uma mediação docente sensível e criativa. Conclui-se que o rádio, enquanto meio de expressão e escuta, pode ser uma poderosa ferramenta para a construção de uma educação filosófica ética, democrática e transformadora.


    ZORAIDE ARAUJO LOUZEIRO POSSIBILIDADES E LIMITES DO PENSAMENTO DE JEAN-JACQUES ROUSSEAU PARA A EDUCAÇÃO E PARA O ENSINO DE FILOSOFIA NA CONTEMPORANEIDADE Data: 08/08/2025

    Esta pesquisa tem como objetivo compreender a relevância, os limites e as contribuições de Rousseau para a educação, a partir da obra Emílio ou Da Educação, analisando de que modo suas propostas influenciam a formação humana e os processos de ensino e aprendizagem na atualidade. Ao abordar a filosofia de Rousseau, é fundamental reconhecê-lo como um dos pensadores que mais contribuiu para articular política e educação conjuntamente, o que confere à sua obra um caráter atemporal. No presente, quando se busca uma compreensão mais consistente sobre projetos filosóficos, políticos e educacionais em inter-relação, suas ideias ainda se mostram necessárias e pertinentes. A construção de uma perspectiva educacional em Rousseau permite discutir concepções de natureza e sociedade, ao mesmo tempo, apresenta outros propósitos e ideais para o ser humano moderno, explorando as condições e os efeitos desse ousado projeto para a coletividade. Em Emílio ou Da Educação, observa-se fortemente sua tendência à filosofia naturalista. Para Rousseau, a formação do homem e sua educação deveriam respeitar a liberdade, mas uma liberdade regulada, com o objetivo de estabelecer igualdade. Assim, a educação não é vista somente como um processo de transmissão de conhecimento, mas como uma formação integral do indivíduo, unindo aspectos éticos, sociais e intelectuais. Essa concepção ainda influencia o ensino de filosofia na contemporaneidade, incentivando os alunos a refletirem sobre si mesmos e sobre seu papel no mundo de maneira crítica e consciente. Portanto, o projeto educacional de Rousseau, com foco em uma educação natural, crítica e centrada na formação do indivíduo, continua sendo uma referência importante no ensino de filosofia. Suas ideias influenciam abordagens pedagógicas que priorizam a autonomia, a reflexão crítica e o desenvolvimento integral dos estudantes. Em Emílio ou Da Educação, Rousseau propõe uma distinção clara entre a educação de meninos e meninas, refletindo tanto as diferenças naturais entre os sexos quanto as expectativas sociais e de gênero de sua época. O personagem Emílio representa o modelo ideal de educação masculina, enquanto Sofia simboliza o ideal feminino, com ênfase nas virtudes consideradas adequadas às mulheres. A distinção entre a educação masculina e feminina foi alvo de intensos debates. Rousseau acreditava que os meninos, como futuros cidadãos, deveriam receber uma formação voltada para a vida pública, a autonomia e o desenvolvimento das faculdades intelectuais e morais. Para ele, os meninos deveriam ser independentes, críticos e guiados pela própria razão, dada sua função na esfera pública e política. Este estudo trata-se de uma revisão de literatura, composta principalmente por livros e artigos de periódicos voltados à filosofia de Rousseau. O aporte teórico utilizado incluiu autores como Cerizara (1990), Corrêa (2012), Lazarini (1998), Nascimento (1998), Pissarra (2003), Starobinski (2011), Soëtard (2010), Souza (2017), Paiva (2007), Rousseau (1973), entre outros. A partir desta pesquisa, compreende-se que, na contemporaneidade, é necessário promover, em sala de aula, um ensino de filosofia livre de distinções de gênero e desigualdades.


    MARIA GORETE REIS VELOSO ENSINO DE FILOSOFIA E AUTONOMIA EM KANT: A IMPORTÂNCIA DA CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA NO PROCESSO EDUCATIVO/FILOSÓFICO Data: 05/08/2025

    O presente trabalho aborda a relação entre o ensino de filosofia e o desenvolvimento da autonomia do aluno, fundamentando-se no pensamento do filósofo Immanuel Kant. O objetivo é entender como a autonomia pode enriquecer a educação filosófica, permitindo que os estudantes pensem de forma livre e crítica.  A pesquisa surge da observação de situações no ambiente escolar e social caracterizadas pela heteronímia, que se manifesta em dificuldades como a frágil capacidade de decisão, passividade e falta de reflexão crítica. Esses problemas são frequentemente acentuando por condições sociais e econômicas desfavoráveis, que impactam diretamente o processo educativo dos alunos, especialmente aqueles de classes sociais menos favorecidas. Deste modo, investiga-se as contribuições kantianas para a educação. Uma análise sobre o entendimento do filósofo acerca do processo educacional pedagógico, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento moral e à busca pela autonomia, assim como a transformação necessária para superar a menoridade e alcançar o esclarecimento. Reforça a relevância do ensino filosófico como uma ferramenta fundamental para a formação de cidadãos críticos e autônomos, comprometidos com valores universais como dignidade humana e justiça social. O ensino de filosofia, segundo Kant, é um meio de libertação da menoridade intelectual, incentivando o uso autônomo da razão e promovendo o processo de esclarecimento. como um instrumento para a formação de cidadãos críticos e independentes, provocando reflexões sobre ética e a busca pelo entendimento, ao mesmo tempo em que promove um ambiente educacional que valorize a autonomia estudantil.


    CRISTIANO PRÓSPERO GOMES FILOSOFIA E MÚSICA NO PROCESSO PEDAGÓGICO – O SOM DO PENSAMENTO DE WALTER BENJAMIN Data: 14/07/2025

     

    A música é uma linguagem universal, capaz de despertar emoções, sensações e transmitir mensagens de forma singular e plural, integrando-se às mais diversas culturas. Sua inserção no ensino de filosofia amplia as possibilidades de reflexão sobre arte, estética, ética e cultura, além de promover o diálogo, o autoconhecimento e o desenvolvimento do pensamento crítico entre os alunos. Nesse contexto, a presente pesquisa investiga a relação entre filosofia e música no ambiente escolar, considerando a música como ferramenta pedagógica para uma formação integral. O objetivo geral é elaborar uma sequência didática para o 1º ano do Ensino Médio, explorando essa relação. Entre os objetivos específicos, destacam-se: a) discutir a importância da música para estimular a reflexão filosófica; b) analisar os efeitos da interdisciplinaridade entre filosofia e música no desenvolvimento de competências filosóficas; c) produzir uma sequência didática que relacione teoria filosófica a experiências musicais significativas. A fundamentação teórica articula diferentes perspectivas: Walter Benjamin (1975), ao refletir sobre a experiência estética e a reprodutibilidade técnica, oferece uma leitura crítica das relações entre arte, cultura e sociedade; Paulo Freire (1987), com sua concepção de educação dialógica e emancipadora, sustenta a proposta pedagógica do trabalho; Chimamanda Ngozi Adichie (2019) destaca a importância da multiplicidade de narrativas na construção do pensamento crítico e da consciência cultural; e Edgar Morin (2000) contribui com sua abordagem da complexidade e da transdisciplinaridade, fundamentais para integrar saberes e promover uma educação mais abrangente. Esses referenciais teóricos são analisados à luz dos documentos curriculares oficiais, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Assim, ao promover o diálogo entre filosofia e música na escola contemporânea, espera-se estimular nos alunos uma postura mais crítica, criativa e sensível diante dos desafios da existência humana.


    RUTH FURTADO COSTA ENSINO DE FILOSOFIA COMO PRÁTICA DA LIBERDADE A PARTIR DE BELL HOOKS: produção audiovisual como ferramenta de transgressão Data: 30/04/2025

    Esta pesquisa mobiliza questões raciais e de gênero para o ensino de filosofia a partir de bell hooks (1952 – 2021). Nessa linha, questionou-se: como mobilizar as questões étnico-raciais e de gênero no ensino de filosofia nas escolas de Ensino Médio a partir de bell hooks? A pesquisa partiu da compreensão de que as aulas de filosofia podem criar espaços e situações de aprendizagem onde educadoras e educandos são agentes engajados politicamente na transformação social. Para hooks, todo aprendizado é um esforço de desconstrução da pedagogia tradicional e reconhecimento das relações sociais, raciais e culturais na sala de aula. Nesse sentido, partindo de fundamentos teóricos críticos da colonialidade e seus sistemas de ensino, este trabalho reflete sobre a prática pedagógica na aula de Filosofia feita a partir de intervenções que transformam olhares e representações dos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de tipo descritivo tendo como instrumento de constituição de dados a produção audiovisual. Por meio de um roteiro processual, os alunos trabalharam em equipe desenvolvendo habilidades sociais ligadas ao pensamento crítico em uma comunidade pedagógica, produzindo material audiovisual sobre questões da própria realidade vivida para uma “Mostra de Curtas”. As produções audiovisuais resultaram de pesquisas sobre raça e gênero, de modo interseccional, promovendo a transformação do olhar e a sensibilidade estética e política capazes de transgredir os limites de estereótipos, levando-os a recriar suas realidades num movimento de libertação.