• UFPI

  • COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA/CCHL

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

  • EM FILOSOFIA






  • Dissertações/Teses - 2026

    RAIMUNDO PEREIRA DE SOUSA O CONCEITO DE MUNDO DA VIDA EM HUSSERL: UMA ANÁLISE A PARTIR DA KRISIS Data: 03/07/2026

    Esta pesquisa tem como objetivo principal discutir o conceito de mundo da vida (Lebenswelt)
    na fenomenologia de Husserl, especificamente na sua obra A Crise das Ciências Européias e
    a Fenomenologia Transcendental (1936). A conceituação de mundo da vida invoca, em
    Husserl, diversas possibilidades e, por isso, o problema do mundo, especialmente do mundo
    da vida, é um dos mais complicados que se delineia do ponto de vista de interpretação
    fenomenológica. Mesmo sendo o mundo da vida um tema presente permanentemente na
    filosofia de Husserl, é na Krisis que o conceito mundo da vida aparece de modo central.
    Refletiremos no primeiro momento, o conceito de mundo da vida nas conferências de Husserl
    (Paris, Viena e Praga). No segundo momento, iremos analisar o desenvolvimento do conceito
    de mundo da vida na Krisis, nas suas considerações: ontológica e transcendental. E no terceiro
    momento, refletiremos a tematização do mundo da vida e sua estrutura universal. A pesquisa
    é de cunho bibliográfico e a nossa base argumentativa será apoiada nas obras de Husserl, As
    Conferências de Paris (1929), As Conferências de Viena (1935), As Conferências de Praga
    (1935), A Crise das Ciências Européias e a Fenomenologia Transcendental (1936) e nas
    obras dos seguintes comentadores: David Carr (1974, 1987); Fausto Castilho (1974);
    Fernando Montero (1992, 1994); Dan Zahavi (2003); James Dodd (2005) e Dermot Moran
    (2012).


    FRANCIDILSO SILVA DO NASCIMENTO O PAPEL DA LINGUAGEM NO PROGRESSO CIENTÍFICO: uma abordagem linguística-epistemológica fuzzyficada da filosofia da ciência de Thomas Kuhn Data: 03/07/2026

    Essa tese propõe o estudo do papel da linguagem no progresso científico a partir de uma abordagem linguística-epistemológica fuzzyficada da filosofia da ciência de Thomas Kuhn. Essa temática centra-se na questão da imagem da ciência disseminada ao longo dos tempos pelos filosóficos racionalista, empiristas e os pertencentes ao Círculo de Viena, de uma ciência cujo estatuto é a precisão e o alcance absoluto da verdade, pois partem dos fatos observacionais, sendo o conhecimento isento de toda dúvida ou imprecisão, na busca da verdade ou da proximidade da verdade. Essa visão acompanhou a ciência até o século XIX, sendo questionada fortemente com a publicação da obra de Thomas Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas (1962), na qual a ciência se torna um empreendimento como todos os outros, sujeitos a influência da cultura, da sociologia, e de tudo que compõem a atividade da vida humana o que causa uma incomensurabilidade entre as discrições realizadas pelas ciências. Todo o trajeto percorrido pela ciência, leva-nos a seguinte indagação: considerando o peso dado a linguagem no trabalho de Thomas Kuhn e, consequentemente, a percepção da realidade, não levaria a compreender o seu papel da linguagem enquanto historicamente variável a partir da aplicação da lógica fuzzy aos seus termos? Para responder à questão, I) será apresenta como foi desenvolvido o conceito de progresso científico, enquanto sucesso alcançado pela comunidade científca; II) Explicaremos como a virada filosófica apresentada por Kuhn, tendo como pano de fundo às teorias clássicas do significado, destacando que Kuhn passou a desenvolver uma teoria geral dos Termos de Tipo; III) Desenvolver a teoria de termos de tipo de Kuhn através de uma abordagem fuzzyficada da filosofia de Thomas Kuhn.


    HÉLIO ALVES NASCIMENTO ARTE E IMAGEM: A FOTOGRAFIA NO PENSAMENTO DE VILÉM FLUSSER Data: 10/06/2026

    Esta pesquisa tem como objetivo analisar de que modo a fotografia nos ajuda a corroborar a tese do filósofo tcheco-brasileiro Vilém Flusser (1920-1991) de que há uma reaproximação entre ciência e arte na contemporaneidade. Na primeira parte da pesquisa investigamos a relação entre arte e imagem. Começamos por apresentar uma noção tradicional de arte para, em seguida analisamos como a divisão deste conceito na modernidade em duas artes, uma no sentido geral e outra em sentido estrito, tornou-se uma ideia equivocada desde o surgimento da câmera fotográfica. Arte em sentido estrito ou tradicionalrefere-se às Belas-Artes e engloba manifestações específicas como a pintura, a escultura, a música, a dança, a arquitetura, a literatura, o teatro, etc. Por outro lado, a arte em sentido amplo refere-se ao antigo conceito grego de techné, uma noção de atividade artística que não se separa da técnica, do ofício, do fazer objetivo. Após o exame destes conceitos será possível investigar como a divisão do termo techné, ocorrido na modernidade, se mostra prejudicial por descredenciar o trabalho dos artistas que lidam com técnicas oriundas da ciência. Este fato é melhor compreendido através do que Flusser denomina “a crise” na arte, o que nos leva ao próximo capítulo. Em seguida, examinamos o que é a crise na arte e como ela está relacionada a uma “crise” do objeto tradicional, representado aqui pela imagem tradicional. Imagens tradicionais são produzidas por meio de técnicas humanas, diferentemente das imagens técnicas que são produzidas por aparelhos, ou seja, por técnicas oriundas da ciência moderna. Esta discrepância nos permitirá não apenas diferenciar uma imagem da outra mas também identificar o contexto do surgimento das imagens fotográficas para enfim constatarmos a tese flusseriana da convergência entre ciência e arte na contemporaneidade. Ainda neste capítulo usamos a câmera como modelo mais simples de aparelho e a fotografia como modelo mais elementar de imagem técnica. A relação entre ambos nos leva à última parte da pesquisa, na qual corroboramos a reaproximação entre ciência e arte na contemporaneidade através da foto. Depois de analisarmos a divisão do conceito de arte e sua “crise” na modernidade poderemos, enfim, propormos uma análise da superação desta crise (ou seja, a reunificação do conceito de techné) através da prática fotográfica. Para isso comparamos a fotografia documental (imagem interpretada como exata e objetiva, conceituada pelas teorias essencialistas modernas) e a “fotografia-expressão”, termo cunhado pelo historiador André Rouillé para referir-se às fotografias que questionam a objetividade da imagem através de uma expressividade. Esta tensão entre documento e expressão será identificada nos trabalhos da fotógrafa naturalizada brasileira, Cláudia Andujar. Através de uma pesquisa do experimentalismo, recurso técnico típico da contemporaneidade e presente na obra de Andujar, constatamos uma tentativa da artista de jogar contra a funcionalidade do aparelho científico para criar arte, pois suas imagens buscam, antes de tudo, manifestar a dimensão humana da intersubjetividade. Esta análise nos permite pensar imagens que transitam entre o documento científico e a expressão, isto é, elas representam o retorno da techné integral, onde ciência e arte são quase indistinguíveis.


    SÉRGIO LUÍS BARROSO DE CARVALHO O CAMINHO DA EPISTEMOLOGIA ANTISSORTE À EPISTEMOLOGIA ANTIRRISCO NA OBRA DE DUNCAN PRITCHARD Data: 14/05/2026

    A partir da década de 1960, após a publicação de um breve artigo acadêmico por Edmund Gettier, os
    requisitos para aquisição de conhecimento voltaram a motivar calorosos debates em Epistemologia.
    Uma contundente conclusão das discussões que daí brotaram foi a afirmação de que não basta, para que
    um sujeito epistêmico tenha conhecimento, que ele tenha crença verdadeira e justificada. Isso levou à
    formação de numerosas propostas que buscam combater os vícios detectados por Gettier, geralmente
    partindo da construção de uma linha argumentativa baseada no clássico formato de “crença verdadeira
    e justificada”, mas com a inclusão de mais alguma condição. Entre tais perspectivas, dá-se destaque,
    neste trabalho, àquelas que permitem entrever a influência negativa do que pode ser descrito como
    “sorte”, ou “acidentalidade”. Um dos mais proeminentes filósofos a se dedicar a esse tema é Duncan
    Pritchard, criador da abordagem conhecida como “epistemologia antissorte”. Ele levou adiante uma
    proposta bastante similar a outras do formato “crença verdadeira e justificada mais algo”, mas partindo
    da constatação de que a interferência da sorte sobre o processo de aquisição de conhecimento foi tratada
    como uma platitude durante a maior parte da história da Filosofia. E, conforme a descrição de Pritchard,
    os célebres contraexemplos apresentados por Gettier em seu artigo são, eles mesmos, casos de sorte
    epistêmica: há neles um elemento que vincula a verdade da crença objeto a um fator inesperado. Diante
    dessa constatação, Pritchard lançou mão de um relato modal para caracterizar situações semelhantes:
    ocorre sorte epistêmica quando o sujeito de conhecimento tem crença verdadeira e justificada no mundo
    real, mas não tem na maior parte dos mundos possíveis próximos. Essa caracterização seria suficiente
    para identificar e evitar a interferência negativa da sorte epistêmica em grande parte das hipóteses
    calculáveis, mas não em todos os tipos de sorte – uma dificuldade especialmente grave diante daquilo
    que ele chamou de “sorte epistêmica reflexiva”. Anos depois do estabelecimento dessa teoria, Pritchard
    passou a defender a transição de uma epistemologia antissorte para uma epistemologia antirrisco. A
    noção de risco epistêmico, considerada por ele como mais fundamental que aquela da sorte epistêmica,
    tornou-se o novo foco das suas reflexões. Embora semelhantes, as duas noções diferem de forma
    fundamental: o próprio significado do termo “risco”, segundo Pritchard, subentende a superveniência
    de uma possibilidade indesejável para o agente epistêmico – a possibilidade de que ele não tenha
    conhecimento afinal de contas. A vantagem dessa caracterização sobre aquela da epistemologia
    antissorte estaria no maior escopo da solução de possíveis casos extraordinários – a epistemologia
    antirrisco seria capaz, segundo Pritchard, de afastar não apenas os casos em que o agente epistêmico
    falha em ter crença verdadeira e justificada no mundo real, mas também os casos em que ele sequer tem
    alguma crença. Cabe questionar, no entanto, se a caracterização oferecida por Pritchard em sua obra é
    suficiente para descrever a complexidade da noção de risco e de sua relação com a aquisição de
    conhecimento. Possíveis hipóteses de solução para esse questionamento – e que serão objeto de
    produção futura – se escoram nas interfaces entre a Filosofia e outros ramos de conhecimento, como a
    Estatística e a Probabilidade.


    MAYCON SILVA SANTOS CIÊNCIA, LINGUAGEM E TEOLOGIA: ELEMENTOS DE UMA EPISTEMOLOGIA DAS CIÊNCIAS EM JEAN LADRIÈRE Data: 06/05/2026

    Esta tese de doutorado investiga a articulação entre ciência, linguagem e teologia a partir do pensamento do filósofo belga Jean Ladrière, estabelecendo um diálogo histórico e epistemológico com as matrizes de René Descartes e Edmund Husserl. O objetivo principal é compreender como a racionalidade científica moderna, marcada por um viés operatório e formalista, pode ser reconciliada com a profundidade da experiência existencial, culminando na dimensão teológica. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem teórico-bibliográfica, estruturando-se em três eixos centrais. Primeiramente, analisa-se a separação histórica entre filosofia e ciência promovida por Descartes, com ênfase na mathesis universalis e na matematização da natureza, que reduziu a compreensão do mundo à extensão e ao movimento. Em seguida, examina-se a fenomenologia de Husserl como uma crítica rigorosa ao positivismo e à formalização excessiva da ciência, resgatando a intencionalidade da consciência e o mundo da vida (Lebenswelt) como solos originários do sentido. Por fim, o estudo aprofunda-se na filosofia de Ladrière, que supera o reducionismo ao categorizar as ciências em formais, empírico-formais e hermenêuticas. Demonstra-se que, para o autor, a linguagem atua como mediadora indispensável na construção do conhecimento, não havendo acesso direto ao real sem a estruturação simbólica de signos e conceitos. Os resultados apontam que a racionalidade é plural e que a ciência, embora autônoma e eficaz em sua operatividade, não esgota a totalidade do sentido humano. A tese conclui que a teologia, na perspectiva ladrièreana, não se opõe à razão científica, mas opera em uma esfera existencial distinta, onde a linguagem da fé — de caráter performativo e autoimplicativo — oferece um horizonte último de significância, integrando a criatividade técnica humana à acolhida do absoluto.


    THALYTA CRISTINE ARRAIS FURTADO ARAÚJO DE OLIVEIRA A DIMENSÃO POLÍTICA DO RECONHECIMENTO EM PAUL RICOEUR: O COMPROMISSO COMO FIGURA HERMENÊUTICO-FENOMENOLÓGICA Data: 27/04/2026

    Propomos uma reflexão sobre o reconhecimento e o que este promove a si, ao outro e à dimensão ético-política, visto que entendemos que essa abertura ao outro e às suas possibilidades de compreensão, nos ajudam a ter acesso e a construir o mundo no qual vivemos e alargar os modos de ser. Refletimos sobre o reconhecimento enquanto uma problemática intersubjetiva que mobiliza processos e estruturas mediadoras no campo político (das instituições e organizações sociais) e opera num horizonte que vise a convivência pacífica, numa lógica dialética do consensual-conflitual. Partimos da premissa de que o contexto contemporâneo que experimentamos está fortemente marcado não por um problema de reconhecimento, mas por sua total negação, onde cada um de nós tomado como corpo político forma um mosaico complexo em que a incompreensão se torna evidente. Por isso, encaramos o desafio de ir com e além do trabalho fenomenológico-hermenêutico de Paul Ricoeur (1991;2006a), numa perspectiva pluralista, percebendo que a responsabilidade em torno de um projeto de reconhecimento se dá não apenas em relações horizontais de pessoa a pessoa (eu-tu), mas com raízes profundas no mundo compartilhado. Propomos a figura do compromisso como um reforço sintomático da responsabilidade política e da ampliação das dimensões imaginativas e afetivas, à prova da realidade, como possibilidade de reordenamento da práxis. Encontrar em sua filosofia uma dimensão política do reconhecimento não deve ser encarado como uma redução do fenômeno a seu estrito significado político, mas ampliar e enriquecer o sentido diante de um poder de agir. É um sinal da tarefa e não de resultados diante de pessoas e relações e de um mundo, autônomo, vulnerável e responsável.


    MARCO ANTONIO CONCEIÇÃO A METAFILOSOFIA SOLIDARISTA DE RICHARD RORTY: A EFETIVIDADE DA NARRATIVA DOCUDRAMÁTICA Data: 16/04/2026

    A tese A metafilosofia solidarista de Richard Rorty: a efetividade da narrativa
    docudramática, apresenta como tema o papel efetivo do poder redescritivo do
    docudrama enquanto demanda da autocriação, presente na metafilosofia
    solidarista de Richard Rorty. A conexão da filosofia de Rorty, amparada em
    novos vocabulários que indicam as redescrições e o solidarismo, com a
    estratégia fílmica do docudrama, será abordada a partir das seguintes
    questões: Qual o sentido e significado de uma metafilosofia solidarista? Como
    as categorias rortyanas denominadas por “narrativas”, “conversação”,
    “redescrição”, “ironista liberal” e “solidariedade” corroboram com uma filosofia
    cujo vocabulário inovador privilegia a “contingência da linguagem” e propõe um
    projeto denominado por “utopia liberal”? Comparada com outras formas
    narrativas, quais as peculiaridades dos vínculos entre realidade e recriação de
    uma redescrição docudramática para agradar, convencer e comover o
    espectador? Até que ponto o docudrama, como recurso retórico de expressão
    fílmica da realidade, distinto da sofisticação teórica da linguagem técnica da
    filosofia, pode atingir os fins do solidarismo proposto pela filosofia
    neopragmatista de Richard Rorty? A partir dos problemas acima elencados,
    defendemos a seguinte tese: o docudrama cinematográfico, como forma
    narrativa baseada em fatos, acessível ao público em geral e de reconhecido
    poder persuasivo é um instrumento de redescrição capaz de contribuir para os
    fins do solidarismo conforme o pensamento de Richard Rorty. O objetivo geral
    da tese é investigar a narrativa docudramática como redescrição capaz de
    contribuir com o solidarismo almejado no projeto de “utopia liberal” proposto na
    metafilosofia de Richard Rorty. Rorty abordou em sua obra o papel estratégico
    das narrativas literárias romanescas, entretanto, não houve tempo suficiente
    em sua vida para dar continuidade ao referido projeto e abordar outras formas
    narrativas, tais como o cinema e o docudrama, que também foram citadas
    como exemplos, na obra Contingency, Irony, and Solidarity ou Contingência,
    ironia e solidariedade (1989), a obra da “virada narrativa”. Assim, a
    originalidade da presente tese consiste em adentrar a filosofia rortyana para
    compreender a estratégia docudramática como um recurso pragmático capaz
    de oferecer melhores e mais adequadas formas de falar de nós mesmos, das
    artes e do mundo. A pesquisa tem como referencial teórico as principais obras
    de Rorty, sobretudo, a sua obra seminal Philosophy and the Mirror of Nature ou
    A filosofia e o espelho da natureza (1979) e a obra Contingência, ironia e
    solidariedade (1989), além de escritos específicos da área de estudiosos sobre
    o docudrama.


    NILO LIMA SAMPAIO A existência de Riobaldo a partir do conceito de vida autêntica: confluências entre as veredas de Guimarães Rosa e o pensamento de Martin Heidegger Data: 08/04/2026
    O presente trabalho objetiva analisar filosoficamente diversos níveis e camadas pelos
    quais a linguagem se apresenta em Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa (1908-
    1967). Apoiamos nossa análise na filosofia heideggeriana, mais especificamente na sua
    segunda fase, caracterizada pela viragem para o poético (Kehre), onde a poesia passa a
    ter lugar de destaque. Nessa fase de seu pensamento, Heidegger reforça que o ser é “dar
    se como presença”, como aparição (alethéa), e a linguagem (lógos) é que possui o poder
    de trazer para a presença o não-presente, ou seja: o “ser-aparição” dar-se por força da
    linguagem e na linguagem. Ora, se a linguagem compreende todos os eventos e as
    possíveis relações entre eles, do mesmo modo que compreende a consciência que o
    homem tem de si e do mundo, interessa-nos descortinar o modo de existir que é
    presentificado em Grandes Sertão: Veredas. A linguagem que Rosa construiu para
    compor sua obra, mostra que a coerência da linguagem mantém coerência do próprio
    mundo. Porém, assumimos que o mundo não possui uma essência universalmente
    homogênea, cuja materialidade subsiste por si mesma. Antes, o mundo é um conjunto
    não-quantificável, uma sucessiva série de fenómenos que se presentificam, que vem-a
    ser, por meio da linguagem. É a partir deste escopo, que o trabalho investiga as maneiras
    como a linguagem se dá principalmente no desenrolar da saga do jagunço Riobaldo,
    procurando demonstrar que através do conceito heideggeriano de acontecimento
    apropriativo (Ereignis), há um movimento de apropriação de si como resultante do pacto
    de Riobaldo com o diabo. Notamos que esse foi um pacto com a liberdade da linguagem,
    e que tanto seu viés linguístico quanto sua busca estão evidenciados em determinados de
    Grande Sertão: Veredas, como a coragem que falta a Riobaldo; o poder simbólico e
    ontológico presente em alguns elementos, como no conceito de vereda; os relatos de
    Riobaldo sobre as travessias dos rios, e a própria concepção dele de vida como travessia.

    RUAN PEDRO GONÇALVES MORAES TECNOLOGIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: POR UMA TEORIA DAS ORGANIZAÇÕES POLÍTICO-TÉCNICAS NA FILOSOFIA DE ANDREW FEENBERG” Data: 01/04/2026

    A presente tese tem por objetivo analisar os movimentos de protestos em termos de expressão de uma forma determinada em que sujeitos coletivos se engajam criticamente no sistema técnico, tendo como objetivo a democratização da estrutura tecnocrática e reificante. Defendo que uma identificação clara dos pressupostos de formação dos coletivos e dos indivíduos com consciência política-técnica pode nos fornecer uma estrutura de compreensão imanente aos sujeitos que se organizam em resistências. Minha proposta parte da perspectiva desenvolvida por Andrew Feenberg de que movimentos, a partir de baixo, possuem a capacidade de inserir valores amplamente mais coerentes com a sociedade no sistema técnico atual. Sua conceituação de tecnologias com características bidimensionais nos fornece as bases para identificarmos essas possibilidades. Buscarei, no entanto, apontar caminhos para superar as insuficiências de Feenberg diante do problema da percepção pública e da formação dos coletivos, que retoma seu lugar no conflito entre grupos dominantes e grupos dominados e suas condições de organização no âmbito dos sistemas técnicos. Entendo que a proposta de Feenberg necessita não apenas de apontamento das possibilidades de transformação por meio de resistência, mas explicitar suas chances de efetivação como estruturas organizacionais com objetivos determinados. Nesse sentido, a compreensão da formação dos coletivos de resistência tem, por mérito, encaminhar-nos para as bases da construção dos protestos e intervenções democratizantes para identificar a necessidade das suas diversas formas e níveis na lógica de sua conformação e adequação aos fins almejados. A partir disso, podemos nos orientar racionalmente quanto a quais são as condições de possibilidade das relações coletivas que permitem que sujeitos coletivos se apercebam de suas relações políticas com a realidade e se engajem em movimentos por mudança do tecnossistema.


    FELIPE AUGUSTO ALVES SOARES A BIOTECNOLOGIA E OS HORIZONTES CONTEMPORÂNEOS DO BIOPODER Data: 30/03/2026

    Para o autor Michel Foucault, o poder se apresenta nas relações sociais, sendo ele mesmo uma relação. Ao longo da história diferentes tecnologias sociais se apropriaram do corpo, este imerso num campo de relações de poder. A partir dos séculos XVII e XVIII o filósofo observa o aparecimento de um novo arranjo nas relações de poder no ocidente, um fenômeno político da apreensão do corpo como entidade biológica, sujeito aos fenômenos de população descritos na biologia. A partir daí uma série de tecnologias de controle do corpo passam a ser implementadas, visando majorar suas potências, aumentar sua utilidade e docilidade. Entretanto, com os desenvolvimentos recentes da biotecnologia, que se apropria do organismo como máquina (como na anátomo-política do biopoder), as tecnologias sociais de controle do biopoder parecem alcançar possibilidades de assenhorar-se do corpo em escala que Foucault não testemunhou. É necessária uma investigação que tome a biotecnologia nos termos do biopoder. Este projeto de dissertação, de caráter teórico, construído a partir de pesquisa bibliográfica, pretende tematizar a possibilidade de interpretar os eventos recentes do desenvolvimento da biotecnologia como um acirramento das tecnologias do biopoder, no sentido de representar um refinamento e aprofundamento de sua agência, expondo a escala dos processos biomoleculares do corpo aos mais diversos interesses políticos e econômicos. A partir deste acirramento, pretende-se refletir acerca das possibilidades e perigos de tal cenário de intervenção, levando a indagar as novas tecnologias sociais de controle ensejadas pelo desenvolvimento da tecnologia científica, especificamente da biotecnologia moderna


    GABRIELA INACIO DE CARVALHO CASTRO PARA ALÉM DA RAZÃO: UMA ABORDAGEM DA IMAGINAÇÃO EM RICHARD RORTY Data: 20/03/2026

    A Imaginação é um tema recorrente na obra do filósofo estadunidense Richard Rorty. Ela está presente nas obras A Filosofia e o Espelho da Natureza (1994), Contingência Ironia e Solidariedade (1989), Objetivismo, Relativismo e Verdade (1995) e em diversos ensaios do filósofo. Tendo em vista a meta de desconstruir os ideais tradicionais de objetividade, verdade, universalidade e da metafísica tradicional, a imaginação pode consistir numa ferramenta fecunda, sendo importante como cumpridora do papel de proporcionar a linguagem como redescrição, a possibilidade de construção identitária e moral em cultura mais comunitária e solidária, além de contribuir com a rejeição ao realismo representacionista, tão presente na história da Filosofia. O objetivo de nossa investigação é analisar a crítica de Rorty à ideia de razão fundamentadora dos conhecimentos e das práticas para propor uma filosofia terapêutica, fundada em novas redescrições cujos temas se amparam na capacidade imaginativa humana que tem como finalidade a solidariedade, a esperança social e autocriação. A proposta de Rorty ao afirmar o paradigma neopragmático da linguagem, sugere uma concepção de filosofia em que os diversos vocabulários alternativos sejam considerados não como quebra-cabeças, mas como instrumentos que serviriam aos reais propósitos humanos. Além de explorar as visões de Rorty acerca da Imaginação, faremos um diálogo entre as suas ideias e as posições de alguns autores contemporâneos, tais como, Lionel Trilling David de Le Breton e Northrop Frye, que também contribuíram com a discussão sobre o tema. A partir desse diálogo, espera-se a produção de uma síntese que possa mostrar a partir de Rorty como ficam as coisas quando abandonamos a exigência de uma teoria unificadora da realidade e como podemos nos concentrar nas demandas da solidariedade e da autocriação. Por fim, será dado um maior enfoque ao papel que a imaginação possui para o cultivo da solidariedade. Esse recurso redescritivo é favorecido a partir da noção de empatia, sendo a imaginação fundamental para que esse estado afetivo possa emergir.


    ALUIZIO OLIVEIRA DE SOUZA Paul Ricoeur: A noção de sabedoria trágica’ Data: 13/03/2026

    Esta pesquisa apresenta como tese ‘A noção de sabedoria trágica’ a partir da filosofia de Paul Ricoeur (1913-2005), mais especificamente, segundo a transfiguração, elaborada pelo filósofo francês, da “sabedoria prática”, a qual teve seu início, na Grécia Antiga, com a filosofia de Aristóteles. A problemática da pesquisa consiste, na “pequena ética” e no conceito de sabedoria prática reelaborado por Ricoeur, nos seguintes questionamentos: i) Quais implicações remete a filosofia da noção? ii) Como se constitui os limites da sabedoria prática na perspectiva de Paul Ricoeur? iii) O que é noção de sabedoria trágica e quais são suas contribuições para a filosofia? Justifica-se que esses problemas, apresentam-se como necessários, tendo em vista a insuficiência do conceito de sabedoria prática, elaborado por Aristóteles e mesmo depois sendo reconfigurado pela reflexão filosófica de Ricoeur, ainda assim, torna-se insuficiente para a mediação dos casos trágicos. Assim, apropriando-se, fundamentalmente, da leitura e da interpretação das obras: Le conflit des interprétations. Essais d'herméneutique I (1969), Du texte à l'action. Essais d'herméneutique II (1986), Soi-même comme un autre (1990), Le juste II (2001), cabe apresentar a noção de sabedoria trágica. Portanto, a noção de sabedoria trágica, formulada nessa pesquisa, tem por objetivo mediar, indagar e refletir sobre as situações trágicas da vida humana, ou seja, busca nos momentos conflitivos, da vivência humana, estabelecer condições de reflexão para uma boa (menos agressiva e menos prejudicial) deliberação. 


    EDUARDO FELIPE SOUSA E SILVA DE ALMEIDA O MITO DO DADO DE SELLARS: NEGAÇÃO DO CONHECIMENTO IMEDIATO E IMPLICAÇÕES PRAGMATISTAS. Data: 06/03/2026

    O “Mito do Dado” é uma crítica feita pelo filósofo estadunidense Wilfrid Sellars (1912-1989) à noção de conhecimento imediato presente no cânone da epistemologia tradicional, segundo o qual, o dado (given) constitui o fundamento do conhecimento com valor epistêmico intrínseco que é apreendido diretamente pelo sujeito. Para esse filósofo, não existe algo como o conhecimento imediato através dos dados puros da experiência, tais como as manchas de cores, luzes da visão ou as ondas sonoras provenientes da audição. O "Mito do Dado", desenvolvido no texto Empirismo e Filosofia da Mente, consiste em supor que algo pode possuir um valor epistêmico mesmo sem depender de nada e independentemente do modo como venha a ser adquirido pelo sujeito. Ainda que este conhecimento seja aparentemente imediato e supostamente dado de forma pura, na verdade contém alguma forma de mediação, oriunda da linguagem e dos nossos esquemas conceituais. Sem esses instrumentos de classificação e comunicação, os dados dos sentidos seriam desprovidos de qualquer valor epistêmico. O objetivo desse trabalho é fazer uma análise do conjunto de argumentos que sustentam o “Mito do Dado” para inferir sobre a sua pertinência ou não. Com isso, busca-se, demonstrar a partir de Sellars que os dados dos sentidos não podem servir de substrato para a construção de uma teoria do conhecimento dotada das características de infalibilidade e racionalidade completamente objetivas, isolada dos esquemas conceituais e dos vieses da humanidade. Partindo do pressuposto de que a rejeição sellarsiana aos dados dos sentidos é correta, discutiremos as implicações pragmatistas que a crítica de Sellars possui, especialmente no que concerne à rejeição ao fundacionismo, aos diversos tipos de dualidade, e a consequente adoção de um holismo intelectual que rejeita todo tipo de pretensão à universalidade ou fundamento último das coisas.


    EDSON SA DOS REIS MITO E TEOLOGIA: A CONSTRUÇÃO DA FILOSOFIA POLÍTICA DE WALTER BENJAMIN. Data: 04/03/2026

    Esta tese trata da filosofia de Walter Benjamin propondo uma interpretação para o conceito de mito, bem como de sua ruptura a partir da crítica benjaminiana da realidade. A tese central é que uma das formas possíveis de ler a obra de Benjamin se dá na contraposição entre os domínios do mito e da teologia. Desta maneira, mobilizamos os primeiros escritos de Benjamin, delimitando nossa pesquisa entre os anos de 1910 à 1926 e explorando as consequências que os pensamentos dessa época tiveram sobre as futuras produções do filósofo, as da década de 30. Tendo estabelecido, acompanhamos como essa contraposição foi sendo colocada na obra e como ela culmina na necessidade revolucionária de superação do tempo mítico, pois o mito se constitui, como posto no decorrer do trabalho, como diagnóstico histórico-filosófico-político do tempo e como ele gesta negativamente a promessa de redenção. Tendo esse direcionamento em frente, procuramos mobilizar a fortuna crítica para compreensão de nossa proposta e como ela se diferencia das produções atuais. Desta feita, objetivamos demonstrar como a contradição articulada pela teologia pode fazer frente às formas míticas de existência: o tempo, o espaço e a mera vida no homem. É partir da descrição do mito onde podemos nos lançar nas sendas teológicas de Benjamin e seu judaísmo disruptivo. Nesse sentido, retomando a discussão sobre o estatuto da teologia no pensamento benjaminiano, chegamos às fontes da mística judaica e como ela se relaciona com o pensamento de nosso autor. Ademais, procuramos articular a teologia negativa como fundamento do método de crítica imanente de Walter Benjamin. Esperamos contribuir para o debate necessário de uma política revolucionária de caráter participativo intermitente no reconhecimento da dissolução das formas míticas que se apresentam como naturais. É essa última visão que procuramos destruir, para abrir o espaço de jogo necessário que aponte para uma outra política aberta e ininterrupta que concretize a felicidade no atendimento das necessidades da criação.


    GUSTAVO WELLYSSON SOUSA BRITO MEDIAÇÃO TECNOLÓGICA NO MUNDO DA VIDA: UMA ANÁLISE FILOSÓFICA A PARTIR DA PÓS-FENOMENOLOGIA DE DON IHDE Data: 27/02/2026

    A pesquisa tem por objetivo compreender os conceitos de ‘mediação’ e ‘incorporação’
    tecnológica proposto pelo filósofo da tecnologia Don Ihde. Seu método de análise ajudar-nosá
    a compreender a conexão íntima que os seres humanos têm tido com todos os meios
    técnicos presentes em suas vidas, e como estes mudam o que somos e a definição do que
    significa ser um humano. A pesquisa terá como eixo norteador os estudos de Ihde sobre a
    integração dos artefatos técnicos à ação e ao corpo humano. Buscaremos compreender a
    concepção pós-fenomenológica provida por Ihde acerca das interações cotidianas entre
    humanos e artefatos tecnológicos. A pesquisa será, portanto, conceitual, onde iremos analisar
    as questões que se encontram nos capítulos iniciais da obra Tecnologia e o mundo da vida: do
    jardim à terra (2017), especificamente no capítulo três (Mundo da Vida: práxis e percepção)
    em que Ihde apresenta seus estudos que envolvem fenomenologia clássica e filosofia da
    tecnologia, e, posteriormente, buscaremos analisar o capítulo cinco (Programa Um: A
    Fenomenologia da Técnica), que consiste na investigação desenvolvida pelo autor que revela
    como tecnologias são incorporadas ao humano e como elas afetam a forma como nos
    relacionamos com o mundo. Serão nesses capítulos que buscaremos compreender, a partir da
    argumentação de Ihde: a) como as tecnologias atuam como mediadoras entre os seres
    humanos e o mundo; b) as tecnologias não são apenas ferramentas neutras, mas moldam nossa
    percepção e relação com a realidade; c) como elas influenciam como percebemos,
    experimentamos e nos relacionamos com o ambiente ao nosso redor; d) como os seres
    humanos internalizam e se adaptam às tecnologias em suas vidas; e) como, ao longo do
    tempo, as tecnologias se tornam parte de nossa experiência cotidiana a ponto de serem
    "invisíveis" ou naturalizadas.


    DENIS OQUELI VILCHE AMADOR MOVIMIENTO DE LA ECOLOGÍA PROFUNDA DE ARNE NAES: ¿UNA ÉTICA AMBIENTAL ECOCENTRISTA O BIOCENTRISTA? Data: 10/02/2026

    La ecología profunda es un movimiento teórico y práctico que tiene como su mayor representante a Arne Naess. Esta es una perspectiva ecofilosófica que reflexiona y actúa en torno a lo que atañe la crisis ambiental desde su concepción hasta sus manifestaciones materiales. La problemática ambiental como una cuestión filosófica dentro de este movimiento se extiende a una crisis axiológica en nuestra relación con el entorno, es por eso que dentro de su plataforma encontramos ocho postulados con fines éticos. En este escrito se tiene como objetivo mostrar una lucha anti-antropocentrista en la constitución de una ética ambiental, exigiendo un abordaje ontológico del concepto mismo del ambiente. La idea de una ética ambiental no antropocéntrica nos lleva a la crítica de ontologías tradicionales especialmente aquellas que desvinculan a las entidades de una condición relacional. Como metodología elemental es necesario asumir una visión holística o integral capaz de percibir los contenidos concretos del mundo desjerarquizadamente. Ese igualitarismo biosférico nos obliga al trabajo de la resignificación del concepto de vida, a la reconstitución del yo, a la comprensión de los seres del ambiente contenidos por un valor intrínseco, y a la materialización de una sabiduría ecológica en un estilo de vida. Este recorrido va a tener como resultado la esquematización de una ética ambiental normativa personal en donde se va a evidenciar una relación derivativa entre principios, hipótesis, y normas. Esa derivación ética será el reflejo del derecho de despliegue de la diversidad de formas de vida manifestado en el principio de la autorrealización. En conclusión, este pasaje de lo ontológico a lo ético, y viceversa, no es otra cosa más que el acto identitario entre el saber, el vivir, y el hacer, es decir, una ecosofía.


    ISRAEL SIMPLICIO TORRES TÉCNICA E CRISE DOS DESEJOS: UMA ANÁLISE DO CONCEITO DE MASSIFICAÇÃO EM JOSÉ ORTEGA Y GASSET Data: 09/02/2026
    Este trabalho investiga o problema da técnica e sua relação com a sociedade de massas a
    partir da perspectiva de José Ortega y Gasset. O filósofo espanhol diagnostica uma crise
    dos desejos advinda da obsessão humana com a técnica instrumental, que nos afasta da
    busca por uma vida autêntica entendida como a realização da própria vocação e a resposta
    a um chamado interior dotado de sentido. A hipótese central discute as implicações
    dramáticas do avanço tecnológico: embora prometa liberdade e criatividade, a técnica
    também favorece a emergência do homem-massa, caracterizado pela homogeneização,
    limitação intelectual, empobrecimento espiritual e infantilização. Em obras como Meditação
    da Técnica, O Homem e os Outros e A Rebelião das Massas, Ortega y Gasset alerta para
    o perigo da desumanização quando a técnica, concebida como instrumento para a
    construção da vida, é tomada como finalidade última da existência, negligenciando-se o
    projeto vital originário. Este estudo não pretende desvalorizar a técnica, mas sublinhar sua
    íntima conexão com o destino humano e com a formação do eu, incentivando o debate
    filosófico atual acerca do seu uso, esboçando também o conceito original de
    tecnomassificação. Ao recuperar as reflexões de Ortega y Gasset sobre o que constitui uma
    vida valiosa, destaca-se a importância do ensimesmamento e da consciência da realidade
    radical da vida como forma de compreender e preservar o eu e a circunstância, sobretudo
    diante dos desafios tecnológicos das sociedades contemporâneas.

    MARCUS GABRIEL COUTINHO SILVA A EMERGÊNCIA DO DISCURSO SOBRE A PESSOA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA): UMA INVESTIGAÇÃO A PARTIR DE MICHEL FOUCAULT Data: 05/02/2026

    A presente pesquisa tem como objetivo geral investigar a emergência do discurso sobre a pessoa com Transtorno do Espectro Autista, a partir do aporte teórico de Michel Foucault. O que se pretende é delinear a constituição histórica do discurso sobre o autismo à luz das ferramentas foucaultianas de arqueologia e genealogia. A inquietação inicial surge da afirmação de Leo Kanner de que o autismo “sempre esteve aí”, o que suscita a questão sobre como eram compreendidos, identificados ou classificados sujeitos hoje considerados autistas antes da consolidação do diagnóstico psiquiátrico na década de 1940. Para enfrentar esse problema, recorre-se ao pensamento foucaultiano, que permite investigar não a origem de um fenômeno, mas as condições históricas que tornam possível sua formulação como objeto de saber e de intervenção. Assim como Foucault analisou a emergência do discurso sobre a loucura desde o final do século XV, a pesquisa propõe compreender quais práticas, saberes e relações de poder possibilitaram o surgimento do autismo como entidade nosográfica no século XX. Esse percurso envolve a revisão do papel da medicina psiquiátrica, da institucionalização moderna e da progressiva normalização das diferenças comportamentais. A formalização do autismo por Kanner, em 1943, é entendida como um momento chave, mas não isolado, dentro dessa rede discursiva. Por fim, o estudo sugere estratégias presentes em obras de autores autistas, nos levando a entender que através das autobiografias autistas são possíveis formas de insubmissão dentro da rede de saberes e poderes constituídos por uma emergência discursiva sobre o autismo. Esta pesquisa é de cunho bibliográfico e se baseia filosoficamente na obra de Michel Foucault, com importantes contribuições de autores autistas como Josenei Medeiros, Naoki Higashida e Temple Grandin.




    Dissertações/Teses - 2025

    MÁRIO SOARES DE ALENCAR “O FUNDAMENTO EPISTEMOLÓGICO DA CIÊNCIA JURÍDICA À LUZ DA FILOSOFIA FALIBILISTA DE KARL POPPER” Data: 10/12/2025

    A presente tese tem por tema a fundamentação da ciência jurídica à luz da epistemologia contemporânea, especialmente, da Filosofia falibilista de Karl Popper. De um lado, visa a um problema teórico que se refere aos limites e possibilidades de utilização da racionalidade científica no âmbito do Direito, de modo a poder atribuir verossimilhança a asserções jurídicas, conduzindo à maior objetividade do conhecimento nessa seara. De outro, mira um problema prático que diz respeito à existência de respostas corretas para questões jurídicas de ordem prática a partir de um critério racional e cientificamente válido. A pesquisa se justifica tanto pela divergência teórica sobre o tema quanto pela relevância das suas consequências para o discurso jurídico prático. Pretende-se demonstrar que a utilização do racionalismo crítico de Popper, consistente no procedimento falibilista, aliado a um critério racional para aferição de verossimilhança, conduz à superação do positivismo jurídico, na medida em que afasta a discricionariedade na interpretação do conteúdo das normas e na resposta do sistema jurídico a problemas práticos.


    ELGER MENDES DOS SANTOS BÍOS, ZOÉ E PANDEMIA: UMA CRÍTICA AO CONCEITO AGAMBENIANO DE ESTADO DE EXCEÇÃO Data: 09/12/2025
    As medidas sanitárias empregadas pelos governos durante a pandemia da Covid-
    19 podem ser consideradas como fomentadoras de um estado de exceção conforme a afirmação
    de Agamben? Essa é a pergunta que a presente pesquisa tem como objetivo tratar. Apoiado no
    pensamento filosófico político de Giorgio Agamben e em suas reflexões sobre estado de
    exceção, Biopolítca, biopoder, Bíos, zoé e pandemia, que a referente pesquisa tem como norte
    compreender os argumentos apresentados pelo filósofo no calor dos fatos ocorridos durante a
    pandemia, pois, as medidas de emergência utilizadas pelos governos durante a pandemia da
    Covid-19, segundo Agamben (2020, p. 10), são “frenéticas, irracionais e totalmente
    imotivadas”. Além do mais, mesmo diante das várias mortes ocorridas, o colapso do Sistema
    de Saúde e a crise na economia, Agamben não deixa de enxergar nas ações implementadas
    pelos governos durante o período pandêmico, traços que vão ao encontro da teoria do Estado
    de Exceção. Dessa maneira, a pesquisa visa analisar as insuficiências da teoria do Estado de
    Exceção de Agamben perante a pandemia da Covid-19 e se as mesmas solucionam toda à
    problemática apresentada pelo filósofo. Mas também, confrontar sua teoria com as críticas de
    pensadores como Yara Frateschi, Alain Badiou, Jean Luck Nancy, Yuval Harare, Roberto
    Esposito dentre outros que argumentaram contra Agamben a respeito pandemia. Utilizaremos
    as obras de Giorgio Agamben que são: Homo sacer: o poder soberano e a vida nua I (2002),
    Estado de Exceção (2004), O que resta de Auschwitz: o arquivo e a testemunha (2008), O reino
    e a gloria: uma genealogia teológica da economia e do governo (2011), O uso dos corpos (2017),
    Reflexões sobre a peste: ensaios em tempos de pandemia (2020). Como também autores que
    influenciaram seu pensamento como: Hannah Arendt, Origens do totalitarismo (1951), A
    condição humana (1958), Sobre a violência (1994); Obras de Michael Foucault, Microfísica do
    poder (1979), História da sexualidade I (1988); Obras de Carl Schmitt, Teologia política (1922),
    O conceito do político (1932); Obras de Walter Benjamin, Origem do drama barroco alemão
    (1928), Documentos de cultura, documentos de barbárie: escritos escolhidos (1986). E por
    último, autores que teceram crítica à Agamben na conjntura pandêmica como: Roberto
    Esposito, Coronavírus: um derivado perverso da globalização, Imunidade(s) na era do
    coronavíru; Yara Frateschi, Agamben sendo Agamben: o filósofo e a invenção da pandemia;
    Boa ventura, A cruel pedagogia do vírus; Yuval Harari, Notas sobre a pandemia; Badiou, Sobre
    a situação epidêmica; Jean-Luc Nancy, Um vírus demasiado Humano; Rocco Ronchi, As
    virtudes do vírus dentre outras

    CARLOS HERMERSON DOS SANTOS SILVA CONSENTIMENTO, AUTONOMIA E LIBERDADE: UMA CRÍTICA À LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS A PARTIR DO CONCEITO KANTIANO DE DIGNIDADE HUMANA Data: 30/10/2025

    As dinâmicas sociais que se estabelecem no ambiente digital suscitam problemáticas quanto à circulação e à utilização de dados pessoais por grandes corporações, impondo a necessidade de constante reavaliação do ordenamento jurídico diante da velocidade das transformações tecnológicas. Esta pesquisa analisa os conceitos de consentimento, autonomia e liberdade, oferecendo uma fundamentação filosófico-jurídica para a compreensão dos desafios éticos e normativos da proteção de dados. Para tanto, utiliza como referenciais teóricos os conceitos de autonomia e dignidade humana extraídos da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, de Immanuel Kant (2007) e seus comentadores, a Constituição Federal de 1988 e a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (2018). Trata-se de estudo bibliográfico que investiga a noção kantiana de autonomia, liberdade e dignidade humana em diálogo com a perspectiva jurídica do consentimento, a fim de refletir sobre os limites da Lei Geral de Proteção de Dados e sobre as implicações da instrumentalização do sujeito na era digital. Argumenta-se, assim, que a proteção de dados deve ser repensada a partir da centralidade da dignidade humana na filosofia kantiana, posto que as lacunas da LGPD acabam por fomentar uma instrumentalização do sujeito e centralizam um problema ético nesse modelo de sociedade digital. Kant, nesse sentido, fornece uma base sólida para o problema: recolocar a dignidade como eixo normativo contra a lógica de um sujeito tecnológico heterônomo.


    DANIELE NEVES DO NASCIMENTO “FEMINISMO, ANCESTRALIDADE E ESPIRITUALIDADE: A potência decolonial da obra de Ana Mendieta.” Data: 09/09/2025

    O presente trabalho investiga algumas obras específicas da artista da performance cubana, Ana Mendieta (1948-1985), intituladas: Body Tracks (1974); Tree of Life (1976) e as da série Silueta (1973-1980), por meio de um viés feminista e decolonial. O objetivo é demonstrar a importância e a força criadora da arte performática de Ana Mendieta, apoiada no pensamento feminista decolonial de Gloria Anzaldúa e Françoise Vergès. O legado de Ana Mendieta para a história da arte, primordialmente quando se trata da arte contemporânea, merece ser ainda contemplado em pesquisas acadêmicas de cunho feminista e dos estudos de gênero, também no âmbito da filosofia e da estética. Ana Mendieta ousou e revolucionou com sua arte visceral a arte performática, o que permite tematizar as suas obras na filosofia da arte, sobretudo para as análises do feminismo decolonial. Dentro deste contexto, é importante ressaltar que a filosofia tradicional, devido à sua herança branca, europeia e colonial, preteriu as contribuições de mulheres, negros e indígenas, algo que esse trabalho visa questionar, valorizando a produção de uma artista cubana, a partir de uma construção teórica centrada em autoras decoloniais. Portanto, para fundamentar o feminismo decolonial, utilizamos as teóricas Françoise Vergès (1952- ) e Gloria Anzaldúa (1942-2004), nomes reconhecidos nos estudos e pesquisas nessa área. O trabalho será dividido do seguinte modo: na primeira parte apresentará algumas considerações sobre o conceito de feminismo civilizatório de Françoise Vergès; na segunda parte, versará acerca dos conceitos de fronteira e consciência mestiza de Gloria Anzaldúa; na terceira parte, abordará o surgimento e conceito da performance e analisará as obras de Ana Mendieta, com apoio no conceito de feminismo civilizatório de Françoise Vergès e nos conceitos de fronteira e consciêcia mestiza de Gloria Anzaldúa.


    JOSÉ LUÍS DE BARROS GUIMARÃES UM ROMÂNTICO REVOLUCIONÁRIO DA CULTURA: EXPERIÊNCIA E FORMAÇÃO ANTICAPITALISTA NA FILOSOFIA DE WALTER BENJAMIN Data: 05/09/2025

    O objetivo central deste trabalho é desenvolver um projeto de formação cultural anticapitalista, com base em uma revisão crítica do conceito de Bildung, para que seja possível reavivar no cenário social as Utopias Políticas obliteradas pelo triunfo da sociedade moderna capitalista. O estudo parte da tese dos românticos alemães e dos marxistas humanistas de que o capitalismo, compreendido como modo de vida, deve ser superado sob todos os aspectos. O desencantamento do mundo e a dissolução das relações sociais são resultados das fantasmagorias produzidas pela modernidade. As reflexões, nesta pesquisa, alinham-se aos pressupostos teóricos e metodológicos da filosofia benjaminiana. Buscou-se interpretar hermeneuticamente o passado, gestado pela racionalidade iluminista burguesa, por meio do comprometimento ético com as narrativas dos “vencidos da história”. O estado da arte da pesquisa baseia-se na crítica à cultura capitalista desenvolvidos pela primeira geração da Teoria Crítica, em especial nos escritos benjaminianos, para o desenvolvimento da tese. A pesquisa está dividida em três capítulos, cada um centrado em uma categoria conceitual específica. No primeiro capítulo, buscou-se explorar o significado histórico do ideal de Bildung, conforme desenvolvido pelos iluministas e românticos, analisando suas potencialidades, limites, contradições bem como do seu impacto no modo de vida contemporâneo. No segundo capítulo, buscou-se apresentar a crítica benjaminiana à modernidade, dando ênfase aos processos de educação e aprendizagem dos seres humanos, com base no par conceitual experiência e vivência. O terceiro capítulo, por sua vez, procurou, a partir do conceito de Utopia Política, apresentar a crítica benjaminiana à historiografia burguesa e social-democrata, a fim de refundar, sob uma abordagem materialista da cultura, o telos pedagógico formativo da sociedade para o desenvolvimento de uma educação integral e humanizadora orientada para o socialismo.


    LUIS GOMES DA SILVA Exame: dispositivo de produção da verdade disciplinar, biopolítica e de si, em Michel Foucault” Data: 20/08/2025

    Esta pesquisa tem como objetivo apresentar uma análise do pensamento de Michel Foucault
    sobre o exame no período ético-genealógico (1970 a 1984). O problema que norteará a presente
    pesquisa é identificar o exame como dispositivo de produção da verdade disciplinar, biopolítica
    e de si. A hipótese da presente pesquisa, que pretende ser nossa tese, é que a prática do exame
    se constitui também como dispositivo de produção da verdade biopolítica, mesmo que Foucault
    não tenha feito nenhuma referência direta ao exame no contexto da sociedade de normalização.
    As investigações sobre a questão partem de vigiar e punir, que é a única obra que Foucault
    apresenta uma abordagem detalhada do exame. Porém, foram consultadas as obras do filósofo
    que têm, direta ou indiretamente, ligação com a questão do exame enquanto operador da relação
    saber e poder. Em A vontade de saber (História da sexualidade I), Foucault estabelece o ponto
    de junção entre o controle pela verdade disciplinar (do indivíduo) e o controle pela verdade de
    normalização (da população). Trata-se das disciplinas do corpo e das regulações da população,
    que Foucault classificou como técnicas de controle disciplinar, uma anátomo-política do corpo
    humano, e como técnicas reguladoras da biopolítica da população. Nas duas obras citadas acima
    Foucault faz referência direta à prática do exame, porém, nas obras consideradas biopolíticas,
    Em defesa da sociedade; Segurança, território, população; Nascimento da biopolítica, o
    filósofo não se referiu diretamente ao exame. Verificada esta situação e a exigência da produção
    da verdade para que haja governo em todo e qualquer aspecto da vida, a pesquisa visa
    demonstrar que o exame está presente na sociedade biopolítica tanto quanto na sociedade
    disciplinar. A pesquisa aborda a produção da verdade a partir das práticas do inquérito e do
    exame, destacando a prevalência da segunda sobre a primeira na produção da verdade no
    contexto disciplinar-normalizador. A prática do inquérito realiza a reconstituição de dados e
    fatos passados para produzir a verdade, característica da sociedade feudal. Mesmo que o saber
    de inquérito tenha sido importante para constituição do Estado e das ciências empíricas,
    demonstra-se que uma nova arte de governar surge no século XVIII e o inquérito perde o
    protagonismo, que passa à prática do exame. O exame, a princípio, com suas técnicas de
    vigilância, disciplina e norma constitui-se como dispositivo disciplinar dos indivíduos,
    tornando-os dóceis e úteis; posteriormente, com as mesmas técnicas de controle, o exame se
    constitui como dispositivo central na produção da verdade para controle da população. É a
    entrada da vida na história, que está vinculada ao modo como a verdade é produzida a partir de
    então, pelo exame. Trata-se da governamentalidade biopolítica, caracterizada pela prática do
    liberalismo/neoliberalismo, cujo princípio é sempre reclamar do excesso de governo. A tese
    destaca o exame produzindo a verdade no governo de si, evidenciada por Foucault ao analisar
    as técnicas e práticas de si pagãs da cultura da Antiguidade greco-romana. Mostra a ascese
    cristã adaptando o exame de consciência da ascese pagã aos seus interesses, retirando a
    autonomia dos indivíduos e impôs-lhes a renúncia de si como única via de salvação. Em
    resposta a essa situação percebe-se a articulação da Aufklärung-parresía promovida por
    Foucault.


    BRUNO ARAÚJO ALENCAR A EXPANSÃO DA ÉTICA SOLIDARISTA DE RICHARD RORTY AOS ANIMAIS NÃO HUMANOS: NARRATIVAS, REDESCRIÇÕES E UTILIDADE PARA O BEMESTAR ANIMAL Data: 07/07/2025

    A tese investiga o bem-estar ético animal a partir da produção teórica de Richard Rorty (1931- 2007), propondo a ampliação da noção de solidariedade. Adotaremos alguns vocabulários alternativos que proporcionem a aquisição de narrativas úteis ao bem-estar animal ao longo de três capítulos. No primeiro capítulo, traremos a discussão para o engodo ético no contexto pragmatista clássico, analisando como os principais pioneiros da corrente filosófica intercambiam, embora sem aprofundamento, na égide moral do debate da senciência. No entanto, inadvertidamente, esses teóricos mostram certo entusiasmo pela literatura filosófica específica. Nesse ponto, também apresentaremos interlocutores que buscam solidificar esse primeiro apontamento sobre os animais na primeira geração de pragmatistas. Já no segundo capítulo, introduziremos a filosofia neopragmática de Rorty, mas no contexto da delimitação temática, tensionando gradativamente as elocuções vocabulares para demonstrar se o filósofo constrói alicerces linguísticos para pensar redescrições contextuais. Mostro como Rorty propõe uma noção de solidariedade que envolve a tolerância e o fim da crueldade humana como algo a que devemos dedicar maior atenção a partir de narrativas literárias. Nesse ínterim, argumentaremos que a utopia solidária de Rorty contempla apenas os animais humanos, isto é, o que é familiar, tornando sua narrativa limitada e aberta a novas “estranhezas” por meio de algumas técnicas ad hoc, criadas pelo neopragmatista. Tais técnicas incluem: a narrativa, vista como o vislumbre de histórias que causam comoção e promovem mudanças políticas; a utilidade, que funciona como uma ferramenta linguística conforme a proposta de que todo texto é maleável, desde que o propósito seja útil à contingência; e a redescrição, como uma ênfase revisionista que adota vocabulários alternativos para pensar a filosofia de maneira favorável à política social. Assim, advertiremos como o legado filosófico de Rorty parece estar distante de uma discussão rica e difusa que poderia proporcionar o bem-estar dos animais não humanos por meio de narrativas edificantes que caracterizam a noção de solidariedade. No terceiro capítulo, defendo que a noção de solidariedade em Rorty precisa ser redescrita. Apropriamonos da narrative turn para mostrar como a literatura, em suas múltiplas dimensões, contribui para o despertar de sentimentos de esperança, que podem criar um ciclo de convivência interespecífico entre ambas as espécies animais, sejam elas humanas ou não humanas. Desse modo, no desfecho da tese, criei a noção de Teia Multivocal de Solidariedade, expandindo a perspectiva que Rorty tomou como sons inauditos.


    TOMÁS JOBIN COUTINHO LOPES Dos Fundamentos Normativos da Hermenêutica Filosófica de Gadamer” Data: 05/05/2025

    O presente trabalho tem como objetivo o desenvolvimento de uma tese na qual
    será defendida a existência de um caráter normativo da hermenêutica filosófica
    de Hans-Georg Gadamer. Até o momento foram desenvolvidos três capítulos.
    No primeiro capítulo, buscamos situar o problema da normatividade da teoria
    hermenêutica gadameriana através dos principais críticos do autor, dentre eles
    Emillio Betti, Karl-Otto Apel e Jürgen Habermas. No segundo capítulo, passamos
    ao delineamento do conceito de normatividade e de sua relação com a
    hermenêutica tradicional, bem como com os campos das humanidades nos
    quais estão envolvidas questões tipicamente hermenêuticas. Ainda no segundo
    capítulo, tratamos acerca dos modos de abordar o sentido normativo da
    hermenêutica filosófica de Gadamer. No terceiro capítulo, é feito um
    desenvolvimento dos conceitos iniciais da segunda parte de Verdade e Método
    em seu caráter normativo. Por fim, apresentamos a proposta de
    desenvolvimento das próximas etapas da presente tese.


    SUZANA OLIVEIRA DE ALMEIDA A IMPORTÂNCIA DA MANUTENÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO PARA A REVELAÇÃO DO QUEM NA PERSPECTIVA DE HANNAH ARENDT” Data: 25/04/2025

    A presente tese de doutoramento tem por objetivo principal pesquisar a importância da manutenção do espaço público, local de revelação do “quem”, na perspectiva de Hannah Arendt. Assim, pretendemos analisar, com base nas obras da autora, os conceitos de “quem” e “o que”, visto serem de suma importância para entendermos a relevância de sua concepção de espaço público. Desse modo, apresentaremos a figura heurística de Arendt, Rahel Varnhagen, que devido a sua condição de mulher judia, foi reduzida a um “que”. Esse fato a fez durante toda sua vida buscar assimilar-se a sociedade que a expulsara, pois a via como um ser inferior. Contudo, no fim de sua vida, Rahel percebe que mesmo assimilada, não era portadora de nenhum direito e nem de sua liberdade. Assim, empenha-se na busca de sua identidade e de seu verdadeiro “quem”. Nesse sentido, a abordaremos para exemplificarmos os conceitos arendtianos de “o que” e “quem” para, posteriormente, utilizá-los no intuito de lançar luz sobre a situação de grupos inferiorizados, como mulheres (sexo frágil), pessoas negras (raça inferior, sem alma), pessoas com deficiência (doentes) e a comunidade LGBTQIANP+ (doentes, pervertidos). Estes se encontram impedidos de participarem do espaço público e revelarem o seu “quem”. Portanto, nossa tese parte da seguinte problemática: diante das constantes ameaças à esfera pública, fomentadas por regimes de exceção ou democracias liberais, como salvaguardar a permanência do lócus de revelação de “quem” alguém é? O verdadeiro sentido da politica se imiscui com as possibilidades de manifestação de quem alguém é?. Diante disso, nossa hipótese se sustenta na ideia de que a preservação do espaço público seria o modo de garantir a experienciação da ação e do discurso plural de homens e mulheres e, assim, revelarem o seu “quem”. Dito isto, teremos como principal metodologia, a exegese das principais obras de Arendt, que tratam sobre a questão central, sobretudo em A condição humana e Rahel Varnhagen: vida de uma judia alemã na época do romantismo


    PALLOMA VALÉRIA MACEDO DE MIRANDA A crítica epistemológica de Mary Wollstonecraft ao caráter sexista da Razão Moderna: uma análise contemporânea Data: 10/03/2025

    A presente Dissertação de mestrado foi intitulada de “A crítica epistemológica de Mary Wollstonecraft ao caráter sexista da razão moderna: uma análise contemporânea”. Este estudo trata-se de uma pesquisa teórica que tem como objetivo principal, analisar a obra Reivindicação dos direitos da mulher(1792), da filósofa Mary Wollstonecraft (1759-1797)e suas críticas acerca do caráter sexista da Razão Moderna. A finalidade é compreender como este mecanismo reforçou a problemática da invisibilização da mulher no campo filosófico. Com base nessa problemática de pesquisa, a investigação visa identificar os mecanismos de produção de uma epistemologia que reforçou narrativas racionais para justificaras desigualdades de gênero; investigar os critérios utilizados para fundamentar a distinção racional entre homem e mulher e a influência sexista dos princípios morais no contexto do século XVIII e, por fim, refletir acerca da atualidade das reivindicações da filósofa, principalmente no que tange à relação entre filosofia e epistemologias feministas, sobretudo com a finalidade de destacaras reflexões sobre uma racionalidade inclusiva para superar a violência epistêmica. Como desdobramento destes objetivos, a pesquisa tomara como objeto de análise as obras: Emílio ou da Educação (1762); Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (1750); O contrato social (1762); do filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712- 1768) e Antropologia de um ponto de vista pragmático(1798); O que é o esclarecimento? (1783); Observações sobre o sentimento do belo e do sublime: ensaio sobre as doenças mentais (1764) de Immanuel Kant (1724-1804). Estes elementos teóricos podem nortear a investigação acerca da configuração sexista da razão moderna cujos pressupostos contribuíram para invisibilizar os conhecimentos filosóficos produzidos por mulheres na área da filosofia. Em resposta à filósofos como Rousseau e Kant, Mary Wollstonecraft traçou uma coerente crítica aos princípios excludentes que nortearam a razão iluminista. Além das obras citadas, também serão utilizados artigos, dissertações e teses que abrangem o tema. Em suma, através dos estudos filosóficos de Mary Wollstonecraft (2016), é possível compreender a necessidade de uma avaliação criteriosa das bases tradicionais da filosofia, para que se possa destacar o caráter excludente do cânone filosófico e, dessa maneira, ressaltar a importância de uma educação emancipatória que permita abrir espaço para conhecimentos que são constantemente silenciados, com isso, contribuir para a produção de uma filosofia que discuta uma outra forma de racionalidade cujo eixo central da reflexão seja os seres sociais em seus aspectos contingentes e existenciais e não uma concepção universalista e abstrata de homem, uma vez que na prática, estes princípios reforçaram as desigualdades de gênero e o predomínio de uma moralidade sexista.


    DANIELA SOUSA DA ROCHA Identidade e Narrativa: análise ricoeuriana em “Estive lá fora” Data: 07/03/2025

    O estudo propõe uma análise do romance Estive lá fora (2012), de Ronaldo Correia de
    Brito, sob a perspectiva da hermenêutica de Paul Ricoeur. A pesquisa investiga como as
    noções ricoeurianas Identidade e Narrativa são manifestadas na obra literária,
    explorando os conflitos do protagonista Cirilo, que transita entre valores políticos e
    religiosos durante a ditadura civil militar brasileira. O objetivo geral da pesquisa é
    desenvolver uma análise filosófica do romance de Ronaldo Correia de Brito, Estive lá
    fora (2012), a partir das noções ricoeurianos de Identidade e Narrativa. A abordagem
    hermenêutica permite interpretar não apenas o texto, mas também o processo pelo qual
    a identidade se constitui na relação entre memória, história e ficção. Ao inserir Estive lá
    fora (2012) no contexto da literatura memorialista e histórica, o estudo reforça a
    importância da literatura contemporânea na preservação da memória cultural e na
    revisão de eventos históricos. Na obra O si-mesmo como outro (2014). Ricoeur propõe
    três intenções reflexivas centrais: a mediação reflexiva sobre o sujeito por meio da
    primeira pessoa do singular; a dissociação dos significados de identidade; e a dialética
    entre mesmidade (idem) e ipseidade (ipse). Ele explora o conceito de identidade
    pessoal, relacionando-o à dimensão temporal, já trabalhada em Tempo e Narrativa
    (2010). A identidade é vista como um processo contínuo de construção, baseado na
    memória e nas interações sociais. Já em Tempo e Narrativa (2010), o filósofo propõe a
    tríplice mimese como estrutura fundamental da narrativa: mimese I (pré-configuração
    do mundo da ação), mimese II (configuração da intriga) e mimese III (refiguração pela
    recepção do leitor). A narrativa é entendida como um meio de organizar a experiência
    humana no tempo, permitindo ao sujeito compreender sua história e identidade. Ricoeur
    explora a relação entre narrativa e temporalidade, destacando a influência da tradição
    aristotélica e a importância da ficção na construção da identidade pessoal. A
    investigação confirmou a hipótese central de que a identidade do protagonista é
    moldada por múltiplas influências, destacando-se a memória familiar, os valores
    cristãos adquiridos na infância e as pressões do contexto político da ditadura militar
    brasileira.


    ÍCARO ARAÚJO TEIXEIRA HONÓRIO PROCEDIMENTO E DIFERENÇA: uma analise do conceito de inclusão no pensamento de Jüngen Habermas Data: 24/02/2025

    Esta pesquisa se dedica a investigar as dimensões morais, políticas e jurídicas do conceito de inclusão no pensamento habermasiano em seu momento mais recente, com o objetivo de expor as potencialidades ainda não exploradas no direito como medium para a superação das dinâmicas de exclusão social. Jürgen Habermas aborda os mecanismos de inclusão a partir do contato entre o projeto de reconstrução do direito e a teoria discursiva. Para ele, as normas de inclusão devem ser resultado de um reconhecimento mútuo entre os sujeitos enquanto iguais pertencentes a uma comunidade política. Inicialmente, a partir dos escritos de Habermas a respeito da ação comunicativa e da ética da discussão, a presente pesquisa tem como objetivo apresentar os elementos que a moral habermasiana dispõe para justificar as políticas de inclusão, nomeadamente a crítica ao monólogo da razão, a noção de procedimento, e a relação entre reconstrução, dever de inclusão e tolerância. Em um segundo momento, a pesquisa se debruça sobre a inclusão como problema político. Para tanto, com o escopo de analisar as potencialidades da democracia deliberativa como sistema político inclusivo às diferenças, serão abordadas questões referentes ao multiculturalismo e a noção habermasiana de luta por reconhecimento, ao conceito de “inclusão com sensibilidade às diferenças” e às aberturas normativas possibilitadas pela democracia deliberativa. Por fim, a pesquisa responde como a teoria reconstrutiva do direito enfrenta as dinâmicas de exclusão social. Para atingir esse fim, serão sintetizadas as relações entre teoria do discurso e direitos fundamentais, a noção de cooriginariedade entre direitos humanos e soberania popular e as saídas para a exclusão social mediadas pelas lutas por reconhecimento. Para tanto, a metodologia adotada foi a pesquisa teórica e crítica, por meio de revisão bibliográfica, das categorias heurísticas articuladas pelo pensamento habermasiano a partir dos anos 1980, e especialmente nos anos 1990, que possibilitam apreender a inclusão como um procedimento jurídico de reconhecimento de diferenças


    PATRÍCIA SILVEIRA PENHA ESTÉTICA COMO PROPEDÊUTICA MORAL EM KANT Data: 20/02/2025
     

    RESUMO
    A presente pesquisa propõe a tese segundo a qual a estética kantiana e o conceito de
    belo e de sublime, nos aproximam das ideias morais, pois ambas nos direcionam à ideia
    de um sentimento de respeito e a um sentimento moral, em distinção de qualquer
    sentimento meramente patológico (interesses baseados em inclinações egoístas). A
    partir de uma abordagem da moral e da estética de Kant utilizaremos como fio condutor
    as seguintes obras principais: Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785),
    Observações sobre o sentimento do belo e do sublime (1764) e a Crítica da Faculdade
    do Juízo (1790), cuja proposta é investigar de que modo o desinteresse estético pode
    despertar em nós uma propedêutica moral. Como obras secundárias, utilizaremos
    também os seguintes escritos kantianos: Crítica da Razão Pura (1781) (Estética
    Transcendental), Crítica da Razão Prática (1788), Metafísica dos Costumes (1797) e a
    Antropologia de um ponto de vista pragmático (1798), para aprofundar os conceitos que
    se relacionam com a problemática da estética e da moralidade. Inicialmente, faremos
    uma abordagem da moralidade kantiana presente na Fundamentação, com o intuito de
    observar quais são os critérios para um agir moral e livre, para posteriormente, entender
    a relação entre a estética e a moralidade na filosofia kantiana. Em segundo lugar,
    trataremos dos principais filósofos que serviram como ponto-chave para o
    desenvolvimento da teoria estética de Kant, a saber, Hume, Baumgarten e Burke.
    Assim, estabeleceremos as principais relações e divergências entre Kant e os estetas
    modernos, a fim de demonstrar que a estética kantiana nos conduz aos princípios de um
    agir moral. Sendo assim, realizaremos uma investigação filosófica dos principais
    conceitos kantianos que nos conduzem às reflexões estéticas e morais: o belo, o
    sublime, o interesse prático, o interesse patológico, o sentimento moral, o sentimento
    de respeito e o interesse intelectual pelo belo natural. A presente pesquisa se ampara
    nos estudos de relevantes pesquisadores (as) da filosofia kantiana, como por exemplo,
    Gérard Lebrun, Maria de Lourdes Borges, Jane Kneller, Eva Schaper etc., os quais
    ressaltam, brevemente, uma aproximação entre a estética kantiana e a moralidade.
    Lebrun em seu livro Sobre Kant dedica o seu último capítulo intitulado “A Razão
    Prática na Crítica do Juízo” a uma analogia entre o juízo de gosto e o juízo moral.
    Segundo Lebrun (2012), o que torna possível esta aproximação é que o juízo estético do
    belo e o juízo moral nos direcionam a ideia de um “sentimento de finalidade”. Este
    sentimento deriva de um prazer desinteressado ao contemplarmos aquilo que é belo.
    Adiante, Maria de Lourdes Borges nos convida, também, a uma convergência do
    domínio estético ao moral. Borges (2001) enfatiza que a analogia entre a moralidade e a
    estética não está ligada a uma semelhança de conteúdo, mas a uma “semelhança nas
    regras de reflexão.” Isto implica dizer que tanto o belo natural quanto a moralidade são
    universais, pois aprazem de modo imediato e desinteressado. Jane Kneller nos apresenta
    um capítulo intitulado de “Os interesses do desinteresse”, cujo livro é Kant e o poder da
    imaginação, o qual defende uma postura de que os juízos de gosto, assim como os
    juízos morais, buscam um consentimento de todos, isto é, uma exigência moral. Eva
    Schaper (2009) reconhece uma certa autonomia do juízo estético com relação ao juízo
    moral. Esta aproximação entre a estética e a moralidade se apoia na Crítica do Juízo, a
    qual mostra que o belo e o sublime conduzem à moralidade, porque eles suscitam em
    nós um estado de ânimo análogo aos juízos morais. Com isso, concluiremos que a os
    juízos estéticos do belo e do sublime são imprescindíveis para refletirmos sobre as
    questões morais, na medida em que a experiência estética nos proporciona uma
    propedêutica moral, isto é, não apenas o cultivo da liberdade, mas também, de nossa
    sensibilidade moral, ou seja, da capacidade de sermos afetados de maneira estética,
    justamente porque a experiência do belo e do sublime têm a possibilidade direcionar os
    indivíduos a uma convivência ética em sociedade.


    JELBA ERLINDA BROOKS ASENCIO PINTURA, AURA Y FIESTA: EL ARTE DE EZEQUIEL PADILLA AYESTAS ENTRE LA CRÍTICA Y LA HERMENÉUTICA Data: 10/02/2025

    La presente investigación bibliográfica tiene como objetivo principal relacionar los conceptos de aura y fiesta, provenientes de diferentes tradiciones filosóficas, siendo categorías centrales de la experiencia estética, para pensar cómo el ser humano se vincula con el arte moderno. Con este propósito, proponemos analizar una selección de pinturas expresionistas del hondureño Ezequiel Padilla Ayestas, producidas en la década de los ochentas del siglo XX en la que se sitúa la guerra fría y transición democrática. El marco filosófico para articular este estudio es principalmente a partir de los textos de Walter Benjamin y de Hans-Georg Gadamer, quienes ofrecen perspectivas complementarias para abordar la relación entre arte, experiencia y verdad. El problema central de este estudio se formula a partir de la siguiente pregunta ¿Cuál es el sentido estético-filosófico de las pinturas expresionistas de Ezequiel Padilla Ayestas en los años ochenta a partir de los conceptos aura y fiesta? Ante esta cuestión, se planteada la hipótesis de que la configuración visual expresionista de Padilla Ayestas sugiere una experiencia estética que invoca una abstracción conformativa de carácter emancipador y enmudecido. Desde esta visión, el estudio busca relacionar los enfoques filosóficos mencionados para reflexionar sobre el potencial estético y sentido de verdad que el arte puede ofrecer. El conjunto de cuadros en cuestión es: Ahuas Taras Souvenir (1985); Sin título (1986); La muerte del sacerdote (1989); El Santo entierro (1989) y; Cotidiano trascendente II (1989).


    VIGEVANDO ARAÚJO DE SOUSA O DÉFICIT DE ETICIDADE DEMOCRÁTICA NA ESFERA DO MERCADO EM HONNETH Data: 04/02/2025

    Esta tese propõe o déficit de eticidade democrática na esfera do mercado em Honneth mediante a seguinte hipótese de investigação: o déficit ocorre principalmente porque a teoria do reconhecimento de Honneth negligencia as relações de poder e se mostra insuficiente para o processo de emancipação social. Nossa defesa é de que a perspectiva de Honneth acerca do mercado não condiz e não é suficiente para incluí-la como esfera da eticidade democrática e liberdade social, pois o mercado produz assimetrias e um poder constituinte, fonte de dominação e injustiças incompatíveis com a ética. Para o alcance de nosso objetivo, inicialmente analisamos de forma geral a contribuição da teoria honnethiana do reconhecimento à teoria crítica em relação aos fundamentos da autonomia, da autorrealização e das patologias sociais, bem como falhas e contradições do pensamento do autor, tal como a ambiguidade do conceito de autonomia individual (liberdade) entendida como autorrealização. Tal ambiguidade se dá pelo fato de a teoria do reconhecimento falhar em relação ao aspecto crítico e diagnóstico da teoria crítica. Nossa defesa é de que as condições práticas e materiais das relações entre os indivíduos nunca são simétricas, produzindo o reconhecimento distorcido. De forma geral, evidenciamos a tentativa de Honneth de realizar um diagnóstico crítico emancipatório verificando algumas patologias sociais como: invisibilidade social, reificação e racionalização instrumental. Apresentamos o tema do neoliberalismo contemporâneo. A crítica ao neoliberalismo encontra-se exposta em Paradoxes of Capitalist Modernization, onde Honneth faz a distinção entre dois tipos de capitalismo, um ‘social-democrata’ e um ‘neoliberal’, bem como a consideração de que as ordens neoliberais, diferentemente das social-democratas, de acordo com Hartmann e Honneth (2006) são problemáticas do ponto de vista da teoria do reconhecimento, pois é paradoxal por criar uma situação na qual a própria tentativa de instituir normas de liberdade acaba que por impedir as condições de possibilidade para a realização da mesma. Expomos também as bases da teoria honnethiana do reconhecimento, bem como a análise da ideologia e do poder e a crítica de autores como Deranty, McNay e Thompson que apontaram limitações e falhas na teoria de Honneth. Apresentamos o tema do mercado capitalista: sistema x integração social, tomando como referência a teoria habermasiana do desacoplamento entre sistema e mundo da vida e a crítica de Honneth em relação a Habermas. Assim, foi realizada uma crítica a uma noção honnethiana de progresso moral e social no capitalismo, bem como à tentativa de Honneth de inserir o mercado capitalista na esfera de liberdade social. Tomamos como obra principal, O direito da liberdade, onde Honneth intensifica sua ênfase na normatividade das formas econômicas em oposição à crítica estrutural do capitalismo. Desse modo, Honneth tem como objetivo mostrar como as práticas morais racionais são historicamente incorporadas à realidade social. O problema do não cumprimento do projeto honnethiano de uma eticidade na dimensão do mercado acontece devido (i) ao caráter ambíguo do conceito de autonomia individual (liberdade) entendido como autorrealização; (ii) por não explicitar empiricamente o suposto sucesso da revolução neoliberal por ele defendido; e (iii) devido ao caráter problemático de desenvolvimento moral e social nas sociedades de mercado. Depreendemos, portanto, que o déficit de eticidade democrática na esfera do mercado não só revela as insuficiências do diagnóstico honnethiano, mas também corrobora a necessidade de abordagens mais radicais que integrem as críticas estruturais ao capitalismo, sem negligenciar a articulação entre reconhecimento, redistribuição e a superação das patologias sociais