• UFPI

  • COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE E COMUNIDADE

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

  • EM SAÚDE E COMUNIDADE






  • Dissertações/Teses - 2026

    FERNANDA BARBOSA DA SILVA CONHECIMENTOS, ATITUDES E PRÁTICA DE PESSOAS PRIVADAS DE LIBERDADE SOBRE INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS Data: 22/10/2026

    Introdução: Populações em situação de maior vulnerabilidade, como a população privada de liberdade (PPL), apresentam maior risco de exposição e adoecimento por infecções sexualmente transmissíveis (IST´s) em decorrência de fatores individuais, sociais e estruturais. Nesse cenário, estudos fundamentados no modelo conhecimentos, atitudes e prática (CAP) podem produzir evidências relevantes para o fortalecimento das ações de educação em saúde, prevenção, testagem e assistência às IST´s no sistema prisional. Objetivo: Analisar os conhecimentos, atitudes e prática de pessoas privadas de liberdade sobre as Infecções Sexualmente Transmissíveis. Método: Estudo transversal, analítico, do tipo inquérito sorológico de base institucional, realizado em cinco Unidades Prisionais do Piauí, em 2021. A população do estudo foi composta por 3.498 pessoas privadas de liberdade e a amostra foi de 832 detentos. Para verificar a associação entre os desfechos de interesse (CAP sobre prevenção e controle de IST´s) e as variáveis independentes (aspectos sociodemográficos) foi utilizado o teste do qui-quadrado de Pearson, ao nível de significância de 5%. As análises foram realizadas no programa Stata, versão 16.1, utilizando-se o módulo survey e respeitando-se o plano amostral complexo e a ponderação da amostra. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Piauí (Nº 4.578.002). RESULTADOS: Foram entrevistadas 857 pessoas privadas de liberdade, das quais 95,5% eram do sexo masculino. A prevalência de conhecimento adequado foi de 24,2% (IC95% 20,7; 28,2), associando-se independentemente ao sexo masculino (RPa 1,77; IC95% 1,05; 2,97), faixa etária de 30 a 73 anos (RPa 1,98; IC95% 1,55; 2,54), ensino fundamental completo ou mais (RPa 1,90; IC95% 1,54; 2,35) e possuir religião (RPa 0,69; IC95% 0,51; 0,93). As atitudes positivas foram observadas em 77,1% (IC95% 74,1; 79,9) dos participantes, associadas à raça/cor não branca (RPa 1,15; IC95% 1,01; 1,30) e ao conhecimento adequado (RPa 1,17; IC95% 1,01; 1,26). A prática adequada apresentou prevalência de 31,3% (IC95% 26,9; 36,0), associando-se inversamente à presença de companheiro(a) (RPa 0,59; IC95% 0,44; 0,79). CONCLUSÃO: Persistem lacunas sobre CAP relacionadas às IST´s entre a PPL, evidenciando a necessidade de fortalecer estratégias de educação em saúde e prevenção. Os achados reforçam a importância da ampliação da testagem, do acesso aos insumos preventivos e da assistência integral.


    ALINE XAVIER FERREIRA Necessidades formativas dos docentes da educação infantil de uma escola pública de Teresina: corpo, gestos e movimentos Data: 25/08/2026

    Introdução: A educação infantil, primeira etapa da educação básica, é fundamental para o desenvolvimento integral da criança. Entre os campos de experiência definidos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), cabe destacar o corpo, gestos e movimentos, por meio dos quais a criança vivencia experiências e descobre o mundo a partir do seu corpo, sendo essencial para o alcance de suas potencialidades. Objetivo: Analisar as necessidades formativas dos docentes que desenvolvem atividades relacionadas ao corpo, gestos e movimentos em uma escola da educação infantil no município de Teresina/Piauí. Métodos: Pesquisa qualitativa realizada com 9 docentes da educação infantil de uma escola pública municipal da cidade de Teresina/Piauí. Foram utilizados como instrumentos para produção de dados: questionários e oficinas formativas, sendo utilizado a análise de conteúdo de Bardin (2016) para análise de dados. Resultados: Foram evidenciados sete categorias temáticas: lacunas na formação, ausência do (a) professor (a) de Educação Física, foco leitura e escrita, sobrecarga docente, escola de tempo integral e falta de infraestrutura, possibilidade real e abstrata e importância do (a) professor (a) de Educação Física. As tipologias das necessidades formativas manifestadas foram as de discrepâncias ou lacunas, diagnósticas e de possibilidades. Conclusão: A pesquisa possibilitou compreender as necessidades formativas manifestadas por docentes de uma escola pública municipal da educação infantil de Teresina, o desejo da presença do (a) professor (a) de Educação Física no desenvolvimento de atividades relacionadas ao corpo, gestos e movimentos e o contexto a qual as docentes estão inseridas. Ademais, reforça a possibilidade da legislação e do currículo na educação infantil seja repensado, de forma que encontre espaço para inserção do (a) professor (a) de Educação Física nessa etapa educacional.


    IRANARY OHIO SILVA ALMEIDA Promoção de Saúde dos Docentes Escolares à Luz do Laboratório de Mudanças Data: 11/08/2026

    Introdução: O trabalho ocupa papel central na vida das pessoas, sendo um importante determinante da saúde e do bem-estar. Entre docentes, o adoecimento tem se mostrado multifatorial, envolvendo intensificação das demandas laborais, aspectos organizacionais e fatores psicossociais, frequentemente associados às doenças e agravos relacionados ao trabalho e ao sofrimento psíquico. Nesse contexto, se destacam abordagens sistêmicas e participativas, como o Laboratório de Mudanças, que favorecem a análise colaborativa e a construção compartilhada de soluções. Objetivo: Analisar colaborativamente o desenvolvimento histórico da atividade de docentes do ensino fundamental, visando à promoção da saúde no trabalho e à construção de soluções para prevenção de doenças e agravos relacionados ao trabalho. Métodos: Trata-se de um estudo de intervenção formativa, denominado Laboratório de Mudanças, de abordagem qualitativa, realizado em um Centro Estadual de Tempo Integral em Teresina-Piauí. Participaram 10 docentes ativos do ensino fundamental, de ambos os sexos, com tempo de atuação igual ou superior a três meses na escola. Foram realizadas nove sessões, com frequência semanal, com duração de uma hora, registradas em vídeo e áudio. O planejamento das sessões aconteceu com base no método da dupla estimulação e seguiu o ciclo da aprendizagem expansiva. Resultados: Durante as sessões do Laboratório de Mudanças, os participantes construíram coletivamente a linha do tempo, o círculo vicioso e o Sistema de Atividade, os quais possibilitaram compreender as transformações do trabalho docente, analisar as contradições presentes no cotidiano escolar e identificar a relação entre os problemas vivenciados, e também elaboraram propostas de soluções para superar as contradições. A atividade docente frequentemente ultrapassa o papel de ensinar, incorporando múltiplas funções que intensificam o desgaste profissional. A elevada carga horária, associada a contextos de vulnerabilidade social, violência escolar e atividades extras provenientes de órgãos externos, contribuem para o surgimento de contradições entre diferentes elementos do Sistema de Atividade e impacta diretamente a saúde dos docentes. Os relatos evidenciaram sinais de adoecimento mental, como ansiedade, cansaço e esgotamento, além de sintomas físicos, como dores osteomusculares e fadiga. Para superar estes problemas e contradições, foi proposto fortalecer o diálogo e comunicação entre gestão e professores e também maior participação da família dos alunos, melhorias de infraestrutura e de recursos de trabalho, e melhor organização das atividades docentes. Considerações Finais: O Laboratório de Mudanças contribui para a promoção de saúde não apenas por oferecer um espaço de fala, mas por possibilitar que os trabalhadores se reconheçam como sujeitos capazes de analisar, intervir e transformar sua própria atividade, ou seja, serem protagonistas do processo. A saúde emerge como resultado da ampliação da autonomia, do diálogo e da reconstrução coletiva do trabalho. Assim, as soluções criadas possibilitam a prevenção de doenças e agravos com intervenções nas condições de trabalho.


    ANA LUISA CLARO DE MOURA FATORES ASSOCIADOS AO CONSUMO DE ALIMENTOS SAUDÁVEIS E ULTRAPROCESSADOS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES: INQUÉRITO DOMICILIAR DE BASE POPULACIONAL, PIAUÍ, 2022 Data: 01/07/2026

    Introdução: A infância e adolescência são fases de crescimento e desenvolvimento em que é indispensável uma alimentação adequada e balanceada. Nos últimos anos tem se observado um processo de mudança nos hábitos alimentares por meio do elevado consumo de alimentos ultraprocessados, que são pobres em nutrientes e favoráveis ao surgimento de doenças crônicas não transmissíveis. Objetivo: Analisar os fatores associados ao consumo de alimentos saudáveis e ultraprocessados em crianças e adolescentes no estado do Piauí.  Métodos: Estudo transversal analítico, a partir de um inquérito domiciliar de base populacional (EpiCOVID-Piauí), realizado com crianças e adolescentes de 2 a 19 anos na capital (Teresina) e demais municípios do estado do Piauí. Calculou-se a prevalência do consumo regular (≥5 dias por semana) de alimentos saudáveis (in natura ou minimante processados) e de alimentos não saudáveis (ultraprocessados) segundo variáveis sociodemográficas e econômicas (localização do domicílio, sexo, idade, raça/cor da pele, renda domiciliar mensal, escolaridade máxima do domicílio e recebimento de benefício financeiro do governo). Utilizou-se regressão de Poisson para obter razões de prevalência (RP) brutas e ajustadas (RPaj), com intervalo de confiança de 95% (IC95%), considerando-se os pesos amostrais do delineamento complexo. O projeto EpiCOVID-Piauí foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí (parecer nº 4.644.991, de 12 de abril de 2021). Resultados: Participaram do estudo 362 crianças e adolescentes. Nas análises ajustadas, o consumo regular de feijão/cereais foi significativamente maior na capital (Teresina) (RPaj=1,56; IC95%1,32-1,83), o de hortaliças/frutas foi maior naqueles cuja escolaridade máxima do domicílio era ensino médio ou superior (RPaj=2,67; IC95% 1,48-4,81), com renda familiar mensal maior que dois salários-mínimos (RPaj=1,25; IC95% 1,01-1,55), e menor entre os que recebiam benefício financeiro do governo (RPaj=0,65; IC95% 0,50-0,83). O consumo de carnes foi maior na faixa etária de 10 a 19 anos (RPaj=2,28; IC95% 1,36-3,81) e com escolaridade máxima do domicílio de ensino médio ou superior (RPaj=1,80; IC95% 1,02-3,17). O consumo de laticínios (RPaj=2,29; IC95% 1,42-3,67) foi mais prevalente na capital. O consumo de ovos e alimentos ultraprocessados não foi associado às variáveis sociodemográficas e econômicas após ajustes. Conclusão: O consumo regular de alimentos saudáveis em crianças e adolescentes foi associado positivamente a residir na capital do Piauí e em domicílios com maiores níveis de escolaridade e de renda, sendo menor naqueles que recebiam benefício financeiro do governo. O consumo de ultraprocessados não apresentou associações estatísticas após ajustes. As informações geradas podem subsidiar a formação e o fortalecimento de políticas públicas e ações de promoção da alimentação saudável na infância e adolescência.


    LUDIANE RODRIGUES DIAS SILVA INFLUÊNCIA DA AUTOEFICÁCIA MATERNA EM AMAMENTAR SOBRE A TÉCNICA DE AMAMENTAÇÃO Data: 17/04/2026

    Introdução: O aleitamento materno é fundamental para a saúde materno-infantil, proporcionando benefícios nutricionais, imunológicos e psicossociais, sendo recomendado exclusivamente até seis meses de vida. Entretanto, suas taxas permanecem abaixo do preconizado, com elevada ocorrência de desmame precoce. Nesse contexto, a técnica adequada de amamentação e a autoeficácia materna destacam-se como fatores determinantes para o sucesso da amamentação. Objetivo: Avaliar a influência da autoeficácia materna em amamentar sobre a técnica de amamentação durante o puerpério imediato. Métodos: Estudo analítico, transversal e quantitativo, recorte de projeto multicêntrico, realizado com 318 puérperas em hospital de referência no Piauí. A coleta de dados ocorreu entre setembro de 2024 e agosto de 2025, por meio de entrevista estruturada e observação da técnica de amamentação. Foram empregados: formulário sociodemográfico, Breastfeeding Self-Efficacy Scale-Short Form - Versão Brasileira (BSES-SF-VB) e Bristol Breastfeeding Assessment Tool - Versão Brasileira (BBAT-VB). Utilizou-se o Statistical Package for the Social Sciences para análise descritiva e inferencial, teste de correlação de Spearman, Qui-quadrado de Pearson, cálculo da razão de chances (RC) e dos intervalos de confiança de 95% (IC95%). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí. Resultados: Participaram do estudo 318 puérperas, com idade entre 13 e 47 anos, predominantemente autodeclaradas pardas (71,4%), em união estável ou casadas (70,1%), exercendo atividades do lar (38,1%), com escolaridade intermediária (63,8%) e baixa renda familiar (56,3%). As participantes apresentaram média de 2,24 gestações e 1,91 filhos vivos; 69,2% foram submetidas à cesariana, 98,7% realizaram pré-natal, 66,4% receberam orientações sobre aleitamento materno exclusivo e 98,7% manifestaram intenção de amamentar. A maioria dos recém-nascidos foi amamentada na primeira hora de vida (76,1%) e estava em aleitamento materno exclusivo (80,2%). Foi observada elevada satisfação materna com essa prática (70,1%). Verificou-se também predominância de autoeficácia materna alta (86,8%) e de habilidade adequada na técnica de amamentação (78,9%). Melhores desempenhos ocorreram nos itens sucção (81,8%), deglutição (75,5%) e pega (61,6%), enquanto posicionamento apresentou maior frequência de habilidade moderada (55,0%). Identificou-se correlação positiva entre autoeficácia materna e técnica de amamentação (r=0,242; p<0,001). Puérperas com baixa e média autoeficácia em amamentar demonstraram maior chance de ter habilidade baixa e média considerando BBAT-VB total (RC=2,71; IC95%=1,36-5,43; p=0,004); pega (RC=3,87; IC95%=1,95-7,71; p<0,010); e deglutição (RC=2,40; IC95%=1,22-4,72; p=0,001). Observou-se correlação positiva e significativa entre os domínios técnico e de pensamento intrapessoal e os itens da técnica (p<0,050), exceto entre domínio técnico e o item deglutição. Também houve correlação positiva entre o domínio técnico (r=0,200; p<0,001) e o de pensamento intrapessoal (r=0,230; p<0,001) com o escore total do BBAT-VB. Conclusão: Há influência da autoeficácia materna em amamentar sobre a técnica de amamentação durante o puerpério imediato, sugerindo a necessidade de intervenções que ultrapassem aspectos exclusivamente técnicos, incorporando estratégias educativas individualizadas desde o pré-natal, suporte emocional, escuta qualificada e reforço positivo, com vistas ao fortalecimento da confiança materna e à melhoria da prática de amamentar.


    ANA BEATRIZ DA COSTA ALMEIDA Dinâmica Temporal e Perfil Epidemiológico da Hanseníase e da Tuberculose em Contexto de Vulnerabilidade Social: Municípios com Comunidades Remanescentes Quilombolas no Piauí, 2014-2024 Data: 26/03/2026

    Introdução: O estudo da hanseníase e da tuberculose em territórios vulnerabilizados, como Comunidades Remanescentes Quilombolas, é essencial para a Saúde Pública no Brasil, pois essas populações enfrentam maiores barreiras ao acesso a serviços de saúde, condições precárias de saneamento e maior exposição a determinantes sociais que perpetuam essas doenças.  Objetivo: analisar a tendência temporal e os fatores sociodemográficos associados à ocorrência da hanseníase e da tuberculose em municípios com comunidades remanescentes de quilombos no estado do Piauí, no período de 2014 a 2024. Métodos: estudo de análise de série temporal dos casos confirmados de hanseníase, tuberculose e da sobreposição dos dois agravos nos 46 municípios com comunidades quilombolas do Piauí, utilizando dados da Secretaria do Estado de Saúde do Piauí.  Calculou-se o coeficiente de variação da hanseníase, tuberculose e a sobreposição dos agravos por 100.000 habitantes. Calculou-se a variação percentual anual, a variação percentual anual média e intervalo de confiança de 95% do coeficiente de variação por região para cada variável utilizando a regressão Joinpoint. Resultados: A análise de tendência temporal evidenciou distintos comportamentos para a tuberculose, a hanseníase e a ocorrência conjunta dos dois agravos. A tuberculose apresentou tendência crescente ao longo de todo o período analisado. A análise dos casos de hanseníase apresentou, no período total, tendência de redução, já a análise da ocorrência conjunta de tuberculose e hanseníase indicou tendência global estável. Conclusão: À luz da epidemiologia crítica, os achados deste estudo devem ser compreendidos como expressão de determinações estruturais que organizam desigualmente a produção social da saúde e da doença no território. Do ponto de vista metodológico, recomenda-se o aprimoramento das fichas de notificação compulsória com a inclusão do marcador “quilombola” nos sistemas nacionais de informação, bem como a realização de estudos comparativos entre municípios com e sem comunidades quilombolas, incluindo análises espaciais e identificação de clusters, a fim de qualificar a compreensão das desigualdades territoriais.


    MARIA LAURA SALES DA SILVA MATOS ANÁLISE DA MORBIMORTALIDADE DA DOENÇA DE CHAGAS NO ESTADO DO MARANHÃO ENTRE 2013 E 2022 Data: 20/03/2026

    INTRODUÇÃO: A Doença de Chagas consiste em uma doença parasitária
    transmitida pelo protozoário Trypanosoma cruzi, o qual está presente nas dejeções
    liberadas pelo triatomíneo após a picada. Esta doença no Brasil, com importância
    em saúde pública, atinge majoritariamente a população mais pobre, além de que
    sem tratamento efetivo possui consequências e complicações, evoluindo da fase
    aguda para crônica. OBJETIVO: Analisar o perfil de morbimortalidade da Doença de
    Chagas no estado do Maranhão entre o período de 2013 a 2022. MÉTODOS:
    Estudo descritivo e com abordagem quantitativa. A coleta dos dados foi no
    Departamento de Informação do SUS, sendo selecionado o Sistema de Informação
    e Agravos de Notificação e Sistema de Informação de Mortalidade. empregaram-se
    testes de associação: o qui-quadrado de Pearson e o teste exato de Fisher. Adotou-
    se nível de significância de 5% (α = 0,05). RESULTADOS: Foram registrados 44
    casos de doença de chagas aguda no estado do Maranhão entre 2013 e 2022, com
    maior número de casos em 2018 (56,8%), entre faixa etária de 20 e 39 anos
    (38,6%), do sexo masculino (52,3%) embora com quantitativos absolutos
    aproximados, cor parda (54,5%), modo de provável infecção oral (77,3%) e local
    provável de infecção domiciliar (63,6%). Os registros dos 72 óbitos concentraram-se
    em indivíduos adultos de 40 a 59 anos (25,0%) e idosos de 65 a 79 anos (45,8%),
    de cor parda (65,3%), sem nenhuma escolaridade (37,5%) e estado civil casado
    (44,4%). CONCLUSÃO: Conclui-se que os dados apresentados expressam as
    desigualdades sociais, aliados a exposição e condições risco e barreira no acesso a
    medidas de saúde eficientes. O tipo de transmissão oral predominante, aliada a
    proximidade do vetor ao ser humanos e animais domésticos representa um risco
    para a reemergência da doença. Ademais, os dados de morbimortalidade
    apresentados neste estudo indicam que apesar de poucos casos notificados, a
    mortalidade permanece relevante, reforçando gravidade da doença quando não
    tratada precocemente e, principalmente, a evolução negativa, pois foram
    evidenciados anos que não houve registros de casos ou poucos notificados, porém
    com registros de óbitos.




    Dissertações/Teses - 2025

    JULIANA QUEIROZ DE FRANÇA ANCELMO Associação entre indicadores de saúde bucal, percepção de saúde e acesso aos serviços odontológicos em adolescentes com deficiência Data: 03/12/2025

    Introdução: Adolescentes com deficiência encontram barreiras específicas ao acesso odontológico, resultando em pior saúde bucal e repercussões negativas na saúde sistêmica. Dada essa realidade, torna-se essencial investigar a situação de saúde bucal desse grupo para compreender seus desafios e orientar políticas públicas. Objetivo: Analisar a associação entre a percepção de saúde, acesso aos serviços odontológicos, impacto nas atividades diárias com indicadores de saúde bucal de adolescentes com deficiência. Métodos: Estudo observacional, transversal e analítico realizado em 78 adolescentes entre 15 e 19 anos com deficiência, matriculados em três escolas de ensino técnico da rede federal nos municípios de Campo Maior e Teresina - PI. Os dados foram coletados por meio de entrevista e exame clínico bucal baseados nos instrumentos Oral Health Surveys, Basic Methods e do levantamento epidemiológico SB Brasil 2020. Foram analisados os indicadores de cárie dentária (Dentes Permanentes, Cariados, Perdidos ou Obturados – CPOD) e doença periodontal (sangramento gengival, cálculo dental e bolsas periodontais de 4-6 mm e bolsa periodontal >6mm). A análise estatística incluiu os testes Qui-quadrado de Pearson e Exato de Fisher, seguidos de regressão logística múltipla (método Forward Stepwise – Wald), com nível de significância de 95% (p<0,05). A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí, parecer nº 7.330.423. Resultados: Observou-se associação entre indicadores de saúde bucal nas atividades diárias e acesso aos serviços de saúde bucal. Dentes cariados, teve impacto: deixar de sair, se divertir, ir a festas ou passeios (0,035), deixar de dormir ou dormir mal (0,008). CPOD zero, teve associação com acesso aos serviços de saúde bucal em relação a “Qual tipo de serviço procurou?”: serviço público (0,008), serviço particular/plano de saúde (0,018).  Sangramento gengival, teve impacto em: ficar irritado ou nervoso (0,001). Cálculo dental, teve impacto em: ficar irritado ou nervoso (0,002), deixar de dormir ou dormir mal (0,020). Bolsa periodontal de 4 a -6 mm, teve impacto: ficar irritado ou nervoso (0,030). Conclusão: Conclui-se que os problemas bucais interferem na qualidade de vida dos adolescentes com deficiência, e que melhores condições de saúde bucal estão associadas ao acesso mais efetivo aos serviços odontológicos. Recomenda-se que futuras pesquisas utilizem instrumentos sensíveis às especificidades de cada tipo de deficiência, contribuindo para o aprimoramento das ações inclusivas de saúde bucal e construção de políticas públicas específicas para estes indivíduos.


    THAYANNE COELHO MOURA MACHADO COBERTURA VACINAL CONTRA O HPV EM ADOLESCENTES ESCOLARES E FATORES ASSOCIADOS Data: 12/11/2025

    Introdução: A prática da relação sexual desprotegida pode resultar na aquisição de infecções sexualmente transmissíveis, entre elas, a infecção pelo papilomavírus humano (HPV). O início das práticas sexuais, a pouca experiência e o conhecimento limitado fazem da adolescência um fator de vulnerabilidade para a infecção pelo vírus. Como política pública de combate à infecção por HPV neste público, em 2014, o Programa Nacional de Imunizações introduziu a vacinação contra o HPV na caderneta do adolescente. Uma década após a implementação, a região Nordeste e principalmente o estado do Piauí ainda enfrentam desafios para alcançar a ampla cobertura vacinal. Objetivo: Analisar a vacinação contra o HPV em adolescentes escolares e os fatores associados. Métodos: Tratou-se de um estudo transversal, analítico, que foi desenvolvido com 101 adolescentes de 15 anos de idade vinculados às escolas municipais e estaduais do município de Floriano-PI. As variáveis analisadas foram obtidas por questionário desenvolvido na plataforma Google Forms. A variável dependente desse estudo foi a cobertura vacinal dos adolescentes, enquanto as variáveis independentes, os fatores socioeconômicos e demográficos do adolescente, da mãe/responsável e da família. Foram obtidos os dados sobre a vacinação contra o HPV e os motivos relacionados à não vacinação. Realizou-se estatística descritiva e regressão logística bivariada para associar as variáveis socioeconômicas com a cobertura vacinal dos adolescentes, estimando OR ajustado e intervalo de confiança de 95%, considerando o valor de p<0,05 para significância estatística. Resultados: A taxa de cobertura da vacina contra o HPV foi de 78,22% (n=79). Entre os motivos de não vacinação, os mais frequentes foram: por decisão própria, o medo de injeção 56,25% (n=18); e das oportunidades de vacinação perdidas, a ausência de imunobiológico 72,09% (n=31). Quanto aos fatores contextuais associados à cobertura vacinal contra o HPV, a mãe que trabalha fora esteve associada ao maior risco do adolescente não se vacinar (OR= 4,09, IC95%= 1,11 – 14,98). Conclusão: A taxa de cobertura da vacina contra o HPV, entre os escolares do município de Floriano-PI, não atingiu a meta preconizada pelo Ministério da Saúde e pela OMS. Observou-se maior risco de não vacinação para os escolares cuja mãe trabalhava fora do domicílio.


    MARILIA RAMALHO OLIVEIRA Boas práticas e intervenções obstétricas durante trabalho de parto e parto em Teresina, Piauí: prevalência e fatores associados Data: 24/10/2025

    INTRODUÇÃO. O parto representa um marco singular na vida da mulher, carregado de significado pessoal e cultural. A qualidade da assistência ao parto está relacionada à integração entre cuidados clínicos e não clínicos, como suporte emocional, comunicação efetiva e respeito às preferências das mulheres. Dessa forma, a equipe deve garantir o atendimento equitativo, humanizado e baseado em evidências, assegurando a proteção dos direitos fundamentais das mulheres, recém-nascidos e famílias. OBJETIVOS. Avaliar a prevalência e fatores associados às boas práticas e às intervenções obstétricas durante assistência ao trabalho de parto e parto em Teresina, Piauí. MÉTODOS. Realizou-se estudo observacional, transversal e analítico nas maternidades públicas de Teresina. Foram avaliadas 24 recomendações da Organização Mundial da Saúde, sendo 11 classificadas como boas práticas e 13 como intervenções obstétricas. Considerou-se como desfecho o escore de Bologna, tendo como variáveis independentes dados sociodemográficos, comportamentais e obstétricos. Empregou-se o teste de qui-quadrado de Pearson/teste exato de Fisher e regressão logística múltipla, com cálculo de odds ratio ajustado (ORa) e intervalos de confiança de 95% (IC95%). RESULTADOS. Foram entrevistadas 370 puérperas. Em relação às boas práticas, a maioria das mulheres relatou presença de acompanhante (97,3%), movimentação livre (92,7%), autonomia para escolher a posição do parto (82,2%) e contato pele a pele na primeira hora (96,5%). Por outro lado, métodos não farmacológicos para alívio da dor (56,5%), ingestão de líquidos e alimentos (63,8%), uso do partograma (65,9%) e técnicas de proteção perineal (22,2%) foram menos frequentes. Quanto às intervenções obstétricas, grande parte das puérperas não realizou tricotomia (98,6%), enema (98,6%), amniotomia precoce (92,4%), manobra de Kristeller (92,4%) e episiotomia sem necessidade (92,2%). Analgesia epidural (1,3%) e uso de opióides (5,1%) tiveram baixos percentuais. Quanto ao escore de Bologna, 38,7% das puérperas obtiveram valor 5, indicando assistência efetiva e adequada durante o trabalho de parto e parto. Houve maior chance de escore de Bologna 5 para aquelas que apresentaram intercorrências na gestação (ORa = 2,68; IC95% 1,60; 4,34) e menor chance em partos assistidos por profissional enfermeira(o) (ORa = 0,41; IC95% 0,24; 0,69). CONCLUSÕES. A assistência obstétrica apresentou avanços, sobretudo na incorporação de boas práticas preconizadas. Intercorrências durante a gestação e o tipo de profissional que acompanhou o parto foram associadas com a assistência adequada e fundamentada em evidências científicas.


    INGRIDE SOUSA LINHARES Competências Essenciais para a Promoção da Saúde na graduação em saúde Data: 27/08/2025

    Introdução: A Promoção da Saúde é um processo de formação das pessoas para atuarem na melhoria e controle da sua saúde, abordando não só a saúde em si, mas os determinantes sociais, econômicos e ambientais também. Para que o profissional contemple a promoção da saúde efetivamente na sua prática é importante o desenvolvimento de competências essenciais na sua formação. Objetivo: Analisar os projetos pedagógicos de cursos de graduação em saúde das instituições de ensino superior públicas de Teresina-PI, quanto a abordagem das competências essenciais para a promoção da saúde, à luz da Matriz CompHP e da perspectiva do Materialismo Dialético. Métodos: Pesquisa documental, com análise de conteúdo dos projetos pedagógicos dos cursos de saúde das Universidades Estadual e Federal do Piauí, considerando a Matriz de Competências para a Promoção da Saúde CompHP e com análise crítica do materialismo dialético. Resultados: Os domínios de competências para a Promoção da Saúde foram identificados nos PPCs em sua maioria de forma explícita, revelando uma formação alinhada com a Promoção da saúde e com os princípios do SUS. Contudo, em alguns cursos houve ausência de alguns domínios nos tópicos analisados. Conclusão: Apesar das lacunas identificas, de um modo geral, os resultados encontrados mostram um avanço na organização pedagógica dos cursos de graduação em saúde e evidenciam a tentativa de superação do modelo de formação tecnicista e hospitalocêntrico. Os domínios de Competências propostos pelo CompHP mostram-se como um bom referencial teórico que pode nortear os documentos pedagógicos dos cursos para a plena formação em Promoção da saúde na graduação.


    SANDRO RANIEL DA SILVA ROCHA PRÁTICAS CORPORAIS E ATIVIDADES FÍSICAS NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO EM SAÚDE DO PIAUÍ: uma análise de documentos governamentais Data: 13/08/2025

    As práticas corporais e atividades físicas são reconhecidas como ações efetivas para a promoção da saúde no ambiente escolar. No Brasil, o Programa Saúde na Escola tem se consolidado como uma das principais políticas públicas para articular saúde e educação, visando a integralidade do cuidado. Neste contexto, esta pesquisa teve como objetivo analisar as práticas corporais e atividades físicas nos instrumentos de planejamento no atendimento às necessidades em promoção da saúde, com foco específico no estado do Piauí. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo documental, com delineamento descritivo-analítico. As fontes de dados incluíram o Plano Estadual de Saúde (2020-2023), a Programação Anual de Saúde (2023-2024), o Relatório Anual de Gestão (2023-2024) e os relatórios de saúde do ciclo 2022-2024 do Programa Saúde na Escola, disponíveis no Sistema de Informação em Saúde para Atenção Básica. Adicionalmente, foram analisados os Planos Municipais de Saúde de municípios (2022-2025) selecionados por conveniência em quatro macrorregiões. A análise seguiu um plano estruturado em três etapas: descrição, explicação e interpretação, articulado à técnica de análise temática. Os resultados evidenciaram lacunas significativas na formalização e no acompanhamento das ações de práticas corporais e atividades físicas nos documentos analisados. Verificou-se uma frágil definição de metas e indicadores específicos, o que dificulta o monitoramento efetivo e a avaliação de impacto. A análise revelou uma forte prevalência de uma lógica biomédica e assistencialista, que tende a medicalizar as abordagens de saúde e subestimar a perspectiva da promoção de saúde das práticas corporais em sua dimensão integral. Em conclusão, esta pesquisa ressalta a necessidade premente de aprimorar os instrumentos de planejamento em saúde, com foco na superação da visão reducionista atual. Recomenda-se enfaticamente o fortalecimento do planejamento colaborativo entre os setores de saúde e educação e a ampliação das práticas corporais e atividades físicas, pautadas nas reais necessidades de promoção da saúde identificadas nos territórios escolares, visando uma abordagem mais ampliada e transformadora.


    JULIANE MACEDO DOS SANTOS Caracterização de alimentos comercializados no ambientes escolar da rede privada de Teresina: recorte do estudo multicêntrico de Comercialização de Alimentos em Escolas Brasileiras (CAEB) Data: 14/05/2025

    Introdução: O maior consumo de Alimentos Ultraprocessados (AUP) por escolares está associado a comercialização por meio de cantinas presentes no interior ou entornos de escolas. As escolas particulares não possuem normatização para a regulamentação da comercialização de alimentos por meio de suas cantinas e podem estar mais expostas à comercialização de alimentos ultraprocessados. Portanto, para a implantação de ações concretas é necessário o conhecimento sobre a comercialização de alimentos nesse ambiente. Objetivo: Caracterizar os alimentos comercializados no ambiente escolar da rede privada do município de Teresina. Métodos: Estudo transversal analítico, realizado a partir da auditoria de 56 cantinas de escolas particulares de Teresina. A amostra foi selecionada pelo método de seleção de amostragem aleatória simples, considerando escolas de ensino fundamental e/ou médio, com mais de 50 alunos matriculados. Foi verificada a disponibilidade dos alimentos e publicidade presente nos estabelecimentos. Os alimentos foram classificados quanto ao grau de processamento segundo a nova classificação de alimentos, e realizado cálculo do Índice de Saudabilidade (IS). Foi realizada análise da associação entre porte escolar e alimentos, assim como porte escolar e publicidade de alimentos segundo grau de processamento através de regressão logística de Poisson, com suas respectivas Razões de Prevalência (RP) bruta e ajustada. Foi adotado nível de significância de 5% e a análise foi realizada com auxílio do Stata 14.0. Resultados: A maioria das cantinas apresentou gestão terceirizada (87,5%) e a presença de nutricionista (92,9%). Os principais alimentos disponíveis foram: suco natural/polpa (100%), refrigerante comum (85,7%), salgado assado com recheio ultraprocessado (57,1%) e salgado assado sem recheio ultraprocessado (48,2%). Todas as cantinas comercializaram pelo menos um alimento in natura ou minimamente processado. Houve uma maior oferta de AUP, com publicidade relacionada principalmente a esses alimentos, que apresentou o dobro de disponibilidade de alimentos in natura e preparações culinárias. Foi observada uma maior média de comercialização de AUP por escolas de grande porte (> 501 alunos), apresentando RP de comercialização de 1,53 (IC95% 1,08-2,17) mostrando associação positiva entre escolas de grande porte e uma maior disponibilidade de AUP, que foi mantida após ajustes (RP= 1,55; 1,10-2,20). Escolas de grande porte também apresentaram maior RP bruta (RP = 1,50; IC95% 1,08-2,17) e ajustada (p=0,01) de publicidade de AUP. O IS do município foi de 60,7, estando acima da média nacional. Conclusão: Os AUP compuseram o grupo com maior disponibilidade de comercialização. A disponibilidade e publicidade de AUP e preparações culinárias apresentou o dobro do valor da média para alimentos in natura e minimamente processados. Houve uma associação entre o maior porte das escolas e a maior disponibilidade de AUP, assim como a maior publicidade desses alimentos. Tal cenário traz uma preocupação pois o aumento de peso é uma realidade entre crianças e adolescentes de todo o mundo.


    WYGOR BRUNO E SILVA MORAIS CONHECIMENTOS, ATITUDES E PRÁTICA DE ADOLESCENTES SOBRE SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA: EVIDÊNCIAS DE VALIDADE DA ESTRUTURA INTERNA Data: 05/05/2025

    Introdução: A sexualidade na adolescência é um problema de saúde pública, devido à falta de informações adequadas e ao comportamento sexual dos adolescentes. A iniciação sexual precoce e a desinformação aumentam os riscos de IST e gravidez não planejada na adolescência. Assim, a educação em saúde, considerando conhecimentos, atitudes e práticas em saúde sexual e reprodutiva, é fundamental para sensibilizar os adolescentes sobre o uso do preservativo, prevenção de IST e gravidez.Objetivo: Avaliar as evidências de validade com base na estrutura interna do inquérito Conhecimentos, Atitudes e Prática de adolescentes sobre saúde sexual e reprodutiva. Metodologia: Estudo metodológico, que verificou as evidências de validade da estrutura interna do inquérito Conhecimentos, Atitudes e Prática de adolescentes sobre saúde sexual e reprodutiva e foi desenvolvido em escolas públicas na cidade de Floriano-PI, com 380 participantes. Aplicou-se questionário sobre perfil sociodemográfico, sexual e reprodutivo e estilo de vida, e o referido inquérito, construído por Barros (2024). Os dados foram digitados e analisados nos programas StatisticalPackage for the Social Sciences (versão 20.0) e Factor (versão 11.05.01). Os teste de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e esfericidade de Bartlett foram aplicados para verificar a adequação dos dados à análise fatorial. A extração de fatores foi realizada pelo método RobustUnweightedLeastSquares (ULS) com correlação policórica. O coeficiente Ômega de McDonald (ω) foi utilizado para verificar a confiabilidade dos fatores. A pesquisa foi aprovada por Comitê de Ética e Pesquisa (parecer nº 6.596.376). Resultados: Os participantes possuíam em média 17 anos de idade, eram pardos, solteiros, católicos, matriculados na rede pública estadual e que cursaram o Ensino Fundamental na rede pública municipal, nunca repetiram série do Ensino Fundamental, não trabalhavam e tinham renda familiar superior a 1,5 salário-mínimo. Viviam na zona urbana, em residências próprias, com quatro a seis pessoas e tinham a internet como principal meio para se manter informados. Pais e mães trabalhavam, sendo que o pai possuía ensino fundamental completo e as mães, ensino médio completo. Ademais, identificaram-se como heterossexuais e cisgêneros e já tiveram relação sexual. Poucos adolescentes tinham filhos, e destes a maioria possuía apenas um filho. Foram identificados dois fatores representativos dos itens, com suas respectivas variâncias explicadas: fator 1= 38,5%; fator 2= 25,3%. O fator 01 foi composto por três itens (V35, V36, V38) e englobou o domínio Prática; e o fator 02, sete itens (V3, V7, V9, V15, V25, V26, V30), relacionados ao domínio Conhecimentos e Atitudes. O modelo apresentou boa consistência interna (Omega=0,767). Os índices ORION e FDI indicaram adequada confiabilidade do inquérito CAP, composto ao final por 10 itens, com índices de ajuste aceitáveis na Análise Fatorial Exploratória (Non-Normed Fit Index=0,849; Comparative Fit Index=0,913; Goodnessof Fit Index=1,000; e AdjustedGoodnessof Fit Index=1,000). Conclusão: O inquérito Conhecimento, Atitudes e Prática de adolescentes sobre saúde sexual e reprodutiva, com 10 itens e duas dimensões (Prática; e Conhecimentos e atitudes), apresentou propriedades psicométricas satisfatórias, mostrando-se um modelo com boa evidência de validade relacionada de estrutura interna e confiabilidade.


    LÍVIA CRISTINA SILVA A relação da atividade docente e saúde mental dos professores à luz da Teoria da Atividade Histórico-Cultural Data: 28/04/2025

    Introdução: A saúde dos professores escolares é uma preocupação global, sendo reconhecido o elevado número de adoecimento, especialmente no contexto brasileiro. Embora existam dados sobre esses problemas, muitas análises são baseadas no comportamento dos trabalhadores e não compreendem os problemas de forma sistêmica, limitando a prevenção destes agravos. Assim, acredita-se que a Teoria da Atividade Histórico-Cultural (TAHC) pode oferecer uma visão sistêmica, considerando as relações complexas entre os elementos envolvidos na atividade escolar, e com isso proposição de soluções mais efetivas. Objetivo: Analisar as relações entre a atividade docente em ensino integral e a saúde mental de professores à luz da TAHC. Métodos: Estudo qualitativo com professores do ensino fundamental II de uma escola pública estadual. A coleta de dados aconteceu no período de março a junho de 2024, na qual foram realizadas observações de parte de atividades de aula, recreio, entrada e saída escolar, horário pedagógico, recepção de equipe da Gerência Regional de Educação (GRE), 16 entrevistas semiestruturadas com onze professores e outras pessoas envolvidas direta ou indiretamente com a atividade docente escolar, análise documental e diário de campo. As entrevistas foram transcritas e analisadas a partir da Teoria da Atividade Histórico-Cultural. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí, sob o parecer nº 76969424.00000.5214. Resultados: A elaboração da linha do tempo dos eventos históricos críticos do desenvolvimento da atividade docente auxiliou a compreender como se constituiu o sistema de atividade atual. Foram identificadas transformações dos elementos da atividade desde a inauguração da escola em 1993 até 2024. Destacaram-se três contradições entre os elementos do sistema de atividade dos professores: a contradição secundária entre regra (educação em tempo integral) versus os instrumentos (insuficiência de recursos humanos, materiais e infraestrutura); a contradição secundária entre objeto (formação integral e o pleno desenvolvimento dos estudantes) versus a divisão de trabalho (subdimensionamento do quadro de professores) e a contradição secundária entre a comunidade (distanciamento da rede socioassistencial) versus o objeto (formação integral e desenvolvimento pleno do aluno), que contribuem para ocorrência de quadros de fadiga e exaustão, fragilidade emocional, tristeza, ansiedade, estresse, revolta e medo, quadros pouco reconhecidos e cuidados. Além disso, sinais de quadros psicossomáticos foram recorrentes nas falas dos entrevistados. A pandemia da COVID-19 contribuiu para o aumento de agravos à saúde física e mental, relacionados à precarização do trabalho docente, sob a influência de diversos fatores como a quebra de vínculo profissional, a pressão psicológica sofrida, aumento de carga horária e as condições inadequadas de trabalho. Conclusão: A descrição e análise da atividade dos professores do ensino fundamental II a partir da TAHC possibilitou a identificação de impactos que essa atividade impõe à saúde mental desses professores e contribui para reflexão acerca de proposta de melhorias que impactem na saúde mental coletiva nesse cenário.


    IZABEL CRISTINA DA SILVA CARVALHO Associação entre a ocorrência de Infecções Sexualmente Transmissíveis e conhecimentos eprática de homens privados de liberdade Data: 27/03/2025

    INTRODUÇÃO: Apesar do avanço tecnológico e científico, as infecções sexualmente transmissíveis (IST) ainda constituem um problema de saúde pública. Mesmo diante de um fácil diagnóstico e de tratamento acessível, essas doenças são muito comuns no mundo, impactando especialmente populações vulneráveis, como as pessoas privadas de liberdade. A superlotação das prisões e comportamentos, atitudes e práticas de risco para IST, como relação sexual sexo desprotegido são muito comuns. Além disso, o contato desses indivíduos com a população em geral por meio de visitas íntimas periódicas e transferência de celas e prisões aumenta o risco de disseminação de patógenos transmissíveis, dada a percepção de invulnerabilidade e desconhecimento sobre medidas preventivas. OBJETIVO: Avaliar a associação entre a ocorrência de infecções sexualmente transmissíveis e os conhecimentos e a prática de homens privados de liberdade sobre prevenção dessas infecções. MÉTODOS: Estudo de corte transversal, analítico e de abordagem quantitativa, realizado com 771 homens privados de liberdade reclusos em cinco penitenciárias do estado do Piauí, Brasil. Foram critérios de inclusão: homens privados de liberdade presentes nas celas sorteadas para serem visitadas a cada dia de coleta de dados; e de exclusão: homens privados de liberdade que estivessem doentes no dia de coleta de dados. Foram calculadas prevalências, razões de prevalência (RP) e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%), e para verificar a associação entre as variáveis utilizou-se o Teste do Qui-quadrado de Pearson, ao nível de significância de 5%. Esta pesquisa é recorte do projeto “SOROPREVALÊNCIA DE INFECÇÃO POR SARS-CoV-2 E FATORES ASSOCIADOS EM PESSOAS PRIVADAS DE LIBERDADE”, aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa, com parecer nº 4.578.002. RESULTADOS: Apenas 80 (10,3%) homens participantes do estudo apresentaram alguma IST, sendo a sífilis a mais prevalente, 72 (9,4%). Notou-se associação estatisticamente significativa (p<0,05) entre a prevalência de IST e os conhecimentos nas seguintes variáveis: “Uma pessoa pode adquirir HIV/Aids, sífilis e hepatite B/C por meio de aperto de mão, uso de toalhas ou roupas íntimas de outra pessoa?” (p=0,020); “Uma pessoa com aparência saudável pode estar com IST?” (p= 0,025) e “Existe cura para sífilis?” (p= 0,035). No tocante as práticas houve associação estatisticamente significativa (p<0,05) entre prevalência de IST e as variáveis: “Teve relação sexual contra a sua vontade nos últimos 12 meses?” (p=0,00) e “Fez tatuagem?” (p=0,024). CONLUSÃO: Infere-se que eles compreendem e possuem conhecimento superficial acerca dos comportamentos de saúde, e na condição de privação de liberdade, foi identificado um elevado número de homens que não adotam comportamentos de saúde com regularidade nas suas experiências sexuais. Ficou evidenciada a insuficiência de informações e conhecimentos incorretos acerca de questões relacionadas a essas iniciativas, riscos e práticas de saúde pelos participantes do estudo. Tais resultados reforçam a necessidade de maiores investimentos que contemplem atividades educativas sobre prevenção de IST em unidades prisionais, bem como acerca da promoção da saúde sexual das PPL, com enfoque na aprendizagem significativa.


    ANDRÉ RODRIGUES CARVALHO Análise temporal de internações e mortalidade por doença de Chagas e relação com índices socioeconômicos no Brasil Data: 25/03/2025

    Introdução: Estudos nacionais a respeito de internações e mortalidade por doença de Chagas são escassos, reflexo da negligência à doença. Da mesma forma, embora a vulnerabilidade social tenha sido reconhecida há muito tempo como o principal fator de risco para a doença de Chagas, as evidências dos efeitos das desigualdades socioeconômicas na doença são limitadas. Objetivo: Avaliar as internações e mortalidade por doença de Chagas e a relação com índices socioeconômicos no Brasil. Métodos: Estudo ecológico misto sobre internações e mortalidade por doença de Chagas no Brasil, entre 2014 e 2023. Foram analisados dados de internações e mortalidade por doença de Chagas, correspondente ao código B57, conforme a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde em sua décima versão, provenientes do Sistema de Informação Hospitalar do SUS e do Sistema de Informação sobre Mortalidade, disponíveis na plataforma do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde. O modelo de regressão linear generalizado de Prais-Winsten foi utilizado para análise de tendência temporal e os testes de transparência de Spearman e Pearson foram utilizados para buscar correlações entre o índice de vulnerabilidade social (IVS) e o índice de desenvolvimento humano municipal (IDMH) para os anos de 2019, 2020 e 2021. Adotou-se como unidades de análise o Brasil, suas regiões e estados. Para todas as análises foi considerado nível de significância de 5%. Resultados: Entre 2014 e 2023 foram registradas 5.856 internações por doença de Chagas no Brasil, expressando uma média de 581,4 internações/ano. No mesmo período houve 42.663 óbitos com doença de Chagas como causa básica, com mortalidade média de 4.266,3 óbitos/ano.  A taxa de internação por doença de Chagas na população brasileira apresentou tendência estacionária (Variação percentual anual [VPA] 0,04; IC 95% -3,35; 3,56; p = 0,098), enquanto a taxa de mortalidade foi decrescente (VPA -2,56; IC 95% -3,56; -1,55; p < 0,01), passando de 2,20 óbitos/100.000 habitantes em 2014 para 1,72 óbitos/100.000 habitantes em 2023 e o mesmo ocorreu em todas as regiões brasileiras. Observou-se moderada correlação entre o IDHM e as taxas de mortalidade no Brasil no ano de 2021 (r 0,5003, p 0,0079) e correlações fraca e moderada, respectivamente, entre a dimensão infraestrutura urbana do IVS e as taxas de internações no Brasil no ano de 2020 (r 0,3902, p 0,0442) e 2019 (r 0,4007, p 0,0383). Conclusão: No período analisado o Brasil apresentou tendência estacionária para internações e decrescente para mortalidade por doença de Chagas. Observou-se correlação entre as internações e mortalidade com todas as dimensões do IVS e IDHM, contudo a infraestrutura urbana foi o principal subíndice do IVS relacionado à morbimortalidade por DC, com destaque também para as dimensões longevidade e renda do IDHM que apresentam correlações moderadas e fortes.


    LARYSSA LYSSIA MATILDES RODRIGUES EFEITO DE UMA CARTILHA EDUCATIVA NO CONHECIMENTO SOBRE PREVENÇÃO DA SÍNDROME METABÓLICA EM ESCOLARES Data: 10/03/2025
    Introdução: A Síndrome Metabólica (SM) é desencadeada pela agregação de marcadores de risco cardiovascular que envolve etiologiamultifatorial. Recentemente, os estudos têm demonstrado sua frequente presença entre crianças e adolescentes. Dessa forma, as ações educativas para orientação dos adolescentes devem ser intensificadas e aprimoradas, para evitar o desenvolvimento de seus fatores de risco. O uso de cartilhas educativas é uma estratégia de educação em saúde relevante para promover conhecimento sobre SM. Objetivo: Avaliar a eficácia de uma cartilha educativa no conhecimento sobre prevenção da SM em escolares. Método: Estudo quase experimental, realizado no ano de 2024 com 76 adolescentes de escolas públicas da rede municipal e estadual de Picos-PI. A intervenção foi dividida em quatro etapas: 1ª etapa: contato inicial – pré-teste, entrega e leitura da cartilha; 2ª etapa: Aplicação do pós-teste imediato; 3ª etapa: leitura da cartilha educativa durante um mês; e 4ª etapa: Pós-teste após 30 dias. A análise do efeito da intervenção educativa no conhecimento dos adolescentes sobre o tema foi verificada com o teste de Friedman, considerando 5% de nível de significância. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Piauí no parecer 6.626.756. Resultados: A média percentual de acertos do questionário de conhecimento sobre a prevenção da SM foi menor no momento pré-intervenção, com média de 12,88 (DP=2,47). Após a intervenção imediata, houve aumento na média de acertos (14,47), indicando melhoria significativa no conhecimento (p<0,001). Na avaliação realizada 30 dias após a intervenção, houve redução na média de acertos (13,95; DP=2,09) em comparação à pós-intervenção imediata, contudo, a média permaneceu superior à identificada no pré-intervenção. Os pré-adolescentes das escolas municipais apresentaram média de acertos moderadamente significativa na pós-intervenção imediata em comparação aos adolescentes  das escolas estaduais (p=0,047). Entre as demais características de perfil social, não houve diferenças estatisticamente significativas no conhecimento apresentado entre as pós-intervenções. Conclusão: constatou-se que a interveção educativa a partir da leitura da cartilha educativa possibilitou evolução significativa no conhecimento após a intervenção imediata, com leve redução na média de acertos na avaliação após 30 dias, indicando moderada retenção de conhecimento. 

    ANA PAULA DE CARVALHO SOUZA CONSTRUÇÃO E VALIDAÇÃO DE UMA HISTÓRIA EM QUADRINHOS SOBRE HANSENÍASE PARA ADOLESCENTES Data: 22/01/2025

    Introdução: A hanseníase se relaciona diretamente com as baixas condições socioeconômicas da população. O aumento na detecção de hanseníase em menores de 15 anos é um indicativo de maior endemicidade da doença. A prevalência nessa faixa etária é um reflexo da deficiência na vigilância e controle da doença, com provável falha no diagnóstico precoce, decorrente de políticas de saúde pública ainda pouco efetivas. Quando se trata da hanseníase em crianças e adolescentes, a discussão ainda é bastante limitada, são poucos os trabalhos científicos que abordam esta população. Diante disto, compreende-se a necessidade e a importância do desenvolvimento de mais estudos com estratégias de educação em saúde para esse público. Objetivo: Construir e validar uma história em quadrinhos sobre hanseníase para adolescentes. Métodos: Trata-se de uma pesquisa metodológica com abordagem quantitativa, desenvolvida a partir de três etapas, realização de uma revisão integrativa da literatura, construção de uma história em quadrinhos, validação por juízes especialistas e pelo público-alvo. A coleta de dados foi realizada com três questionários, de acordo com o foco de avaliação de cada grupo de participantes. O processo de validação envolveu o alcance de um percentual mínimo de 70% pelos juízes. Após o levantamento de todas as sugestões fornecidas pelos especialistas e adolescentes, foram realizadas as adequações necessárias para a versão final da história em quadrinhos. A pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética e pesquisa, parecer nº 6.596.382. obedecendo os preceitos éticos e legais que regulamentam pesquisas envolvendo seres humanos. Resultados: Durante o processo de validação, a média global do Índice de Validade de Conteúdo (IVC) pelos juízes especialistas da área foi de 84,56%. Na avaliação pelo público-alvo, o IVC geral atingiu 93,53%, enquanto a validação quanto a aparência pelos especialistas de outras áreas por meio do questionário Suitability Assessment of Materials (SAM), alcançou escores de 94,23%. Nas considerações gerais sobre a história em quadrinhos intitulada “Combatendo a Hanseníase”, os juízes apontaram sua relevância e sugeriram que ela poderia ser utilizado no Programa Saúde na Escola. Destacaram que o material é informativo, oferece ótimas orientações, é bem organizado e visualmente atraente, com ilustrações claras e de fácil compreensão. Conclusão: Portanto, a história em quadrinhos foi validada quanto ao conteúdo por especialistas da área e pelo público-alvo, e quanto à aparência por especialistas de outras áreas. O material demonstrou ser um instrumento válido e confiável, apto a ser utilizado na prevenção de hanseníase em adolescentes.