• UFPI

  • COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARTES, PATRIMÔNIO E MUSEOLOGIA/CMRV

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

  • ARTES, PATRIMÔNIO E MUSEOLOGIA






  • Dissertações/Teses - 2026

    STELLA CRISTINA DE CARVALHO SOUZA GARCÊS MIRANDA A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA COMO ESTRATÉGIA DE FORTALECIMENTO DAS PRÁTICAS MUSEOLÓGICAS: conexões entre universidade, comunidade e patrimônio cultural Data: 22/07/2026

    A presente pesquisa propõe uma análise crítica sobre as contribuições da extensão universitária para o fortalecimento das práticas museológicas no contexto das comunidades locais, com ênfase na valorização do patrimônio cultural e na promoção da cidadania cultural. Alinhada aos princípios da Museologia Social e à perspectiva de uma universidade comprometida com a transformação social, a investigação parte do entendimento de que as ações extensionistas constituem espaços de diálogo e construção coletiva de saberes, favorecendo a preservação das identidades comunitárias e a democratização do acesso à memória e ao patrimônio. O objetivo geral é analisar como a extensão universitária pode contribuir para o fortalecimento das práticas museológicas no contexto da valorização do patrimônio cultural e da articulação entre universidade, comunidade e território. A abordagem adotada é qualitativa e interdisciplinar, fundamentada em diferentes autores que discutem a centralidade das comunidades nos processos educativos e patrimoniais. A pesquisa será desenvolvida a partir de estudo de caso de ações de extensão vinculando-as à Museologia e, para isso, realizará a análise documental inclusive de anais de eventos dos anos de 2024 e 2025 de instituição pública de ensino superior. Os resultados esperados apontam para o reconhecimento da extensão como vetor de inovação e empoderamento social nas práticas museológicas, consolidando-se como estratégia eficaz de educação patrimonial, valorização cultural e desenvolvimento local sustentável, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a fim de promover comunidades mais inclusivas, resilientes e participativas.


    MARIA DE LOURDES NERY MENDONCA DE SOUSA COROADO DE NATAL: CIRANDA DA ESPERANÇA UMA PROPOSTA METODOLÓGICA PARA O DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO NO CONTEXTO DO ECOMUSEU SÍTIO DO FÍSICO EM SÃO LUÍS, MARANHÃO Data: 22/07/2026

    Esta dissertação analisa as relações entre território, memória, cultura e práticas comunitárias
    no Polo Coroadinho, em São Luís (MA), a partir da experiência do Ecomuseu Sítio do Físico
    e da Rede Coroado de Natal, compreendidas como expressões de protagonismo social e
    produção de conhecimento em contextos periféricos. O estudo parte de uma abordagem
    qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica, análise documental e interpretação das
    dinâmicas socioterritoriais, com base em referenciais da museologia social, educação popular,
    cartografia social e perspectivas decoloniais. A investigação evidencia que o território não se
    restringe à sua dimensão física, configurando-se como espaço vivido, atravessado por disputas
    simbólicas, processos históricos e práticas de resistência. Nesse contexto, as iniciativas
    analisadas revelam-se como dispositivos de ressignificação territorial, capazes de transformar
    narrativas marcadas pela violência em experiências de pertencimento, memória e cidadania.
    As práticas culturais, pedagógicas e comunicativas desenvolvidas no Polo Coroadinho
    demonstram que a coletividade, a solidariedade e a participação popular constituem elementos
    centrais na construção de alternativas frente às desigualdades estruturais. Como
    desdobramento da pesquisa, foi elaborado o Produto Técnico e Tecnológico (PTT) intitulado
    Uma Rede Comunitária em Ação, voltado à sistematização e visibilização das práticas
    comunitárias, com potencial de subsidiar ações educativas, culturais e políticas públicas. Os
    resultados indicam que a articulação entre memória, território e ação coletiva possibilita a
    emergência de novas formas de organização social, reafirmando a periferia como espaço de
    potência, criação e reexistência. Conclui-se que a esperança compartilhada e a ação
    comunitária constituem forças estruturantes na produção de futuros possíveis, evidenciando a
    relevância de reconhecer e fortalecer iniciativas locais como estratégias efetivas de
    transformação social.


    NATÁLIA FERREIRA DE ALBUQUERQUE MARANHÃO VIVÊNCIAS EM PERCURSOS: FERRAMENTAS DE GERENCIAMENTO DOS PROCESSOS EXPOSITIVOS DO SOBRADO DR. JOSÉ LOURENÇO Data: 09/07/2026

    A presente pesquisa objetiva a produção de um manual de gerenciamento de
    processos expositivos do Sobrado Dr. José Lourenço, equipamento público
    localizado em Fortaleza, local em que a pesquisadora trabalha, vinculado à
    Secretaria da Cultura do Ceará, gerido em parceria com Instituto Mirante. A
    pesquisa decorre da necessidade de estruturação do Programa Percursos, do
    Sobrado, que desenvolve toda sua programação em parceria com outras
    instituições, situação inédita para o equipamento. Dessa forma, investigamos os
    três anos de Programa, 2023 a 2025, a partir da pesquisa-ação, promovendo
    reuniões e encontros com escuta ativa e aplicação de questionário com os
    envolvidos no processo, integrantes de setores diversos no Sobrado. A
    metodologia foi segmentada em sete etapas, visando a clareza da importância de
    cada processo. A partir dos dados levantados, que envolvem pesquisa documental,
    vivência em campo e aplicação de questionário, sistematizamos as demandas e
    necessidades do programa expositivo do Percursos, para elaborar um fluxograma
    e, posteriormente, um manual de processos expositivos que incorporou o
    fluxograma ao seu conteúdo. Essas ferramentas foram aplicadas, testadas,
    aprimoradas pelas equipes do Sobrado que atuam diretamente com a
    programação de exposições, avaliando as ferramentas e sugerindo alterações a serem aprovadas para utilização nos processos desde a pré-produção até a pós-produção. O manual de gerenciamento de processos expositivos proporcionou redução no tempo total de produção da exposição, reduzindo as sobrecargas de trabalho, identificando pontos positivos e pontos de melhoria a serem apresentadas à diretoria da instituição para futuras mudanças no plano de trabalho. É importante, após validação e prática na utilização do documento e de suas ferramentas, que haja prazos de revisão desses materiais e formação e atualização das equipes para utilização do manual e de suas ferramentas.


    ALEXANDRE DE MORAES MELLO Cine Contracolonial - Jenipapo e Ligas - O Audiovisual como ferramenta de Envolvimento nas Escolas e Comunidades Quilombolas e Indígenas Data: 16/03/2026

    O presente trabalho estuda a maneira como as artes, principalmente o cinema, preservam e potencializam a difusão dos saberes ancestrais: seus modos de viver, manifestações religiosas e culturais, passadas de geração em geração, pelas vivências e relatos orais. Consideramos um ponto de encontro entre o olhar cinematográfico do oprimido e esses saberes, com foco no conceito de Confluência, criado por Nego Bispo que sempre defendeu a interface com a academia. Esse trabalho utiliza a série Ligas e as exibições itinerantes do Cinema Contracolonial, junto com a série Jenipapo na tentativa de transpor a mera exibição de cinemas e TVs, vivenciando com as Comunidades Quilombolas e indígenas, escolas e universidades, utilizando rodas de conversa, para debater temas como o colonialismo, racismo, intolerância religiosa a partir de uma perspectiva Contracolonial, também definida conceito criado também por Bispo. Durante esses muitos eventos, pudemos sentir a potência do audiovisual como extensão da oralidade, junto a mestres vivos, Encantados, seus descendentes onde tudo se iniciou e para onde se deve retornar sempre.




    Dissertações/Teses - 2025

    MARCOS SAMUEL CAVALCANTE BRANDÃO À DERIVA: a relação entre arte e patrimônio no litoral do Piauí Data: 09/12/2025

    O presente trabalho, desenvolvido no âmbito do Mestrado Profissional em Artes, Patrimônio e Museologia da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), investiga como artistas visuais do litoral piauiense se relacionam com o patrimônio artístico e cultural do território em que vivem e produzem, considerando modos de criação, sentidos de pertencimento, identidade cultural e desafios de visibilidade. O litoral do Piauí, formado pelos municípios de Parnaíba, Luís Correia, Ilha Grande e Cajueiro da Praia, apresenta uma expressiva diversidade ambiental e cultural, mas sofre pressões do turismo massivo, especulação imobiliária e gentrificação, ameaçando práticas e memórias comunitárias. A pesquisa fundamentou-se nos princípios da Nova Museologia (Desvallées; Mairesse, 2013; Varine, 2008; Cury, 2013) e na concepção ampliada de patrimônio cultural (UNESCO, 2006), incorporando saberes, práticas e referências simbólicas como elementos centrais de identidade. Como objetivo geral, buscou-se investigar como esses artistas constroem suas relações com o patrimônio cultural local, considerando seus modos de produção, sentidos de pertencimento, identidade cultural e os desafios de reconhecimento institucional. Especificamente, pretendeu-se compreender a construção de sentidos e significados a partir das vivências e práticas cotidianas dos artistas; desenvolver ações colaborativas que articulassem arte, território e patrimônio, resultando na exposição “À Deriva – Uma Experiência Sensorial e Imersiva” e no documentário “Artistas do Mar”; e refletir sobre as possibilidades de valorização do patrimônio artístico-cultural por meio da mediação simbólica das artes visuais. Metodologicamente, adotou-se abordagem qualitativa e pesquisa-ação (Thiollent, 2006), articulando entrevistas semiestruturadas com a realização das ações supracitadas. Foram selecionados sete artistas considerando diversidade de linguagens (pintura, escultura, grafite, artesanato), vínculos territoriais e atuação comunitária. Os resultados apontam que suas obras incorporam elementos naturais, memórias e práticas cotidianas do litoral, transformando-os em narrativas visuais que funcionam como resistência simbólica e fortalecimento identitário. As ações ampliaram a visibilidade desses criadores, fomentaram a participação comunitária e reafirmaram o papel da arte popular como instrumento legítimo de preservação e ressignificação cultural. Conclui-se que reconhecer e valorizar essas manifestações requer políticas públicas sensíveis às particularidades locais, bem como a consolidação de estratégias museológicas participativas e comunitárias. A pesquisa evidencia que a arte, quando tratada como patrimônio vivo, transcende o valor estético, atuando como mediadora de memórias, afetos e transformações sociais, fortalecendo a diversidade cultural como valor essencial.


    LUANA EUGÊNIA BRITO ALMEIDA MOVIMENTO E BEM-ESTAR - vivências, experiências e trocas de saberes no Museu da Vila no Coqueiro da Praia- Luís Correia- PI Data: 24/09/2025

    Este trabalho apresenta uma proposta interdisciplinar entre a Educação Física e a Museologia Social, desenvolvida no Museu da Vila (MUV), localizado no bairro Coqueiro da Praia, em Luís Correia-PI, no contexto do projeto Ecomuseu Delta do Parnaíba. A partir de uma pesquisa-ação participativa, buscou-se integrar práticas corporais regulares com ações de valorização da memória coletiva local, promovendo saúde física, bem-estar mental e o fortalecimento da identidade cultural da comunidade. A pesquisa teve como referência metodológica o conceito de museologia social, que entende o museu como espaço de escuta ativa, pertencimento e transformação social, e foi inspirada em experiências bem-sucedidas como o "Clube da Caminhada" (MAPRO) e o "Chá de Memórias" (Museu da Maré).As atividades implementadas envolveram sessões sistematizadas de exercícios físicos em espaço fechado e climatizado, seguidas por rodas de conversa temáticas, as chamadas "Rodas de Memória", nas quais os participantes compartilharam experiências afetivas relacionadas à vida no território. Essa abordagem possibilitou a construção de vínculos intergeracionais, a valorização de saberes tradicionais, o estímulo à autonomia e à apropriação simbólica do espaço comunitário. A análise qualitativa das treze reuniões realizadas evidenciou impactos significativos no bem-estar físico e mental dos participantes, no fortalecimento do sentimento de pertencimento e no engajamento ativo da comunidade em processos de preservação da memória e valorização cultural. Como produto técnico-científico, o projeto gerou uma cartilha de boas práticas em exercícios físicos e rodas de memória, contribuindo com o programa educativo do museu e oferecendo subsídios replicáveis para outras instituições culturais de base comunitária.


    CINTHIA RACHEL ALVES RODRIGUES COÊLHO CICLOS DE MARÉ E MEMÓRIA: a biblioteca como território de reexistência na Vila do Coqueiro (PI) Data: 17/07/2025

    Este Trabalho Final de Mestrado propõe um projeto piloto para a criação de bibliotecas em comunidades tradicionais, fundamentado teoricamente e validado empiricamente, com o intuito de oferecer uma referência metodológica para experiências similares em contextos socioculturais diversos. Como produto técnico-pedagógico do mestrado em Artes, Patrimônio e Museologia, apresenta-se uma cartilha orientadora destinada à sistematização de princípios, estratégias e práticas voltadas à implantação de bibliotecas comunitárias em territórios tradicionais, com foco na replicabilidade, no baixo custo e no alto impacto social. A proposta da cartilha surge a partir de uma atividade desenvolvida no Museu da Vila, situado na comunidade pesqueira da Vila do Coqueiro, em Luís Correia (PI), e configura-se como expressão de uma tecnologia social ancorada na escuta ativa, na coautoria e na justiça cognitiva. Fundamentada nas Epistemologias do Sul, na Biblioteconomia Crítica e na Museologia Comunitária, a pesquisa parte do entendimento de que o acesso à informação deve respeitar os modos locais de produção, mediação e circulação dos saberes, desafiando paradigmas eurocentrados e instrumentalistas que historicamente invisibilizaram comunidades periféricas e tradicionais. A abordagem metodológica adotada é qualitativa e exploratória, articulando observação participante, aplicação de questionários junto a sujeitos do território e realização de uma atividade-piloto de contação de histórias na Creche Tia Neuza. A análise dos dados revelou demandas informacionais concretas, práticas culturais vivas e o desejo coletivo de uma biblioteca concebida a partir das singularidades afetivas, ambientais e identitárias da comunidade. O estudo parte da premissa de que a biblioteca, quando construída com os sujeitos do território, pode atuar como território de reexistência — espaço de resistência simbólica, partilha de memórias e fortalecimento do pertencimento. Os resultados indicam um alto grau de receptividade por parte da comunidade: 95% dos participantes manifestaram interesse na criação da biblioteca e disposição para colaborar em suas atividades. Houve destaque para a valorização de livros impressos, jogos educativos, oficinas culturais e materiais audiovisuais, evidenciando o desejo por uma biblioteca híbrida, sensível às múltiplas formas de aprender, ensinar e recordar. Além disso, o trabalho propõe uma problematização crítica do papel do bibliotecário enquanto mediador cultural e agente de co-construção do conhecimento, para além da função técnica de gestão de acervos. A biblioteca defendida nesta pesquisa não é neutra, mas política: nasce do diálogo e floresce como resposta situada às desigualdades cognitivas e culturais. Nesse sentido, o estudo contribui para os campos da biblioteconomia social, da museologia comunitária e das políticas públicas culturais, ao propor uma prática bibliotecária insurgente, enraizada e orientada para a emancipação coletiva.