• UFPI

  • COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE - EM REDE

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

  • EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE - EM REDE






  • Dissertações/Teses - 2026

    ADRIANA GALVÃO Sustentabilidade, saber-fazer feminino e qualidade do óleo artesanal de pequi (Caryocar coriaceum wittm.) em Boa Hora/PI: da sociobiodiversidade à matriz lipídica de interesse cosmético Data: 28/08/2026

    O óleo artesanal de pequi constitui uma expressão da sociobiodiversidade ao articular conservação da espécie, conhecimentos territoriais, trabalho feminino, circulação mercantil e atributos de qualidade de uma matriz lipídica de interesse cosmético. Esta tese teve como objetivo analisar a sustentabilidade, o saber-fazer feminino e a qualidade do óleo artesanal de pequi (Caryocar coriaceum) produzido em Boa Hora, Piauí, integrando rastreamento relacional da cadeia, identificação botânica, registros georreferenciados e ambientais, sistematização do processo produtivo e caracterização laboratorial, com vistas à agregação de valor no âmbito da sociobiodiversidade e à discussão do óleo como matriz lipídica de interesse cosmético. Adotou-se abordagem interdisciplinar e multimétodo. O rastreamento relacional reuniu pesquisa documental, consulta institucional e observação de 89 pontos comerciais em Teresina. A investigação territorial compreendeu entrevistas com 12 mulheres, observação integral de um processo artesanal e registros botânicos e ambientais. O delineamento laboratorial incluiu oito amostras artesanais, uma preparação obtida em laboratório por extração com hexano (5B), de mesma origem territorial da amostra artesanal 5A, sem correspondência de lote, e uma referência comercial (DB), em conjuntos analíticos distintos. Nos mercados, 29 pontos declararam vender óleo de pequi; 17 forneceram
    referência territorial ou interestadual, mas apenas uma ligação produtiva foi verificada até Boa Hora, distinguindo origem declarada de proveniência verificada. A matéria-prima foi identificada como Caryocar coriaceum Wittm., com cinco exsicatas incorporadas ao acervo do Herbário Graziela Barroso/UFPI (TEPB 33648–33652). Os registros ambientais associaram a continuidade da atividade à permanência dos pequizeiros e ao acesso aos frutos, diante de conversão da cobertura natural, queimadas, cercamentos e variação percebida da frutificação. A organização do processo em quatro fases e 14 macroetapas técnico-operacionais evidenciou uma tecnologia empírica situada, orientada por critérios sensoriais e decisões sobre matéria-prima, água, calor, separação, coagem, envase e armazenamento. No processo acompanhado, 34,4 kg de frutos resultaram em 510 mL de óleo; o intervalo técnico entre o batimento inicial e a finalização foi de aproximadamente 8 h 20 min, enquanto a jornada observada, desde a preparação do recipiente, totalizou 11 h 46 min. Nas três condições examinadas quanto ao perfil de ácidos graxos e à fração insaponificável — 5A, 5B e DB — predominaram os ácidos oleico e palmítico, acompanhados por terpenoides, triterpenos e fitoesteróis com distribuição variável. As amostras artesanais apresentaram variação nos carotenoides, menor amplitude da atividade antioxidante e heterogeneidade nas contagens de bolores e leveduras. No ensaio celular, 5A, 5B e DB não exibiram padrão dose–resposta consistente de redução da viabilidade. Como devolutiva comunitária, foram elaborados um guia ilustrado de boas práticas, derivado das 14 macroetapas, e uma proposta de rótulo técnico-informativo. Os resultados indicam que a sustentabilidade e a qualidade do óleo se relacionam à articulação entre conservação da espécie, acesso ao território, visibilidade das produtoras, continuidade das informações de origem, saber-fazer, condições operacionais e conservação pós-processamento. A composição é compatível com o reconhecimento do óleo como matriz lipídica de interesse cosmético, sem demonstrar segurança, eficácia, conformidade regulatória ou aptidão para esse uso. Conclui-se que a agregação de valor requer governança da informação, conservação dos pequizeiros, qualificação participativa do processo e retorno às produtoras, sem descaracterizar a base territorial e artesanal da cadeia.


    MARALÍ SILVA SANTOS ICMS Ecológico como instrumento econômico de política ambiental: regulação, distribuição e incentivos às ações socioambientais no Piauí Data: 27/08/2026

    O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) Ecológico consolidou-se no Brasil como instrumento de federalismo fiscal ambiental orientado à indução de ações socioambientais nos municípios. Embora disseminado em diferentes estados brasileiros, permanecem lacunas quanto à compreensão integrada das relações entre desenho normativo, certificação ambiental, transferências fiscais, execução orçamentária e capacidades institucionais locais. Diante dessa problemática, esta pesquisa analisa o ICMS Ecológico como instrumento econômico de política ambiental, com foco em sua regulação, distribuição e nos incentivos às ações socioambientais nos municípios do Estado do Piauí, buscando compreender em que medida esses incentivos se traduzem em práticas de melhoria das condições socioambientais e contribuem para o fortalecimento da gestão municipal. Adotou-se abordagem quanti-qualitativa, de caráter explicativo, estruturada como estudo de caso múltiplo. A amostra foi definida por amostragem não probabilística do tipo intencional, considerando a constância de participação nos processos de certificação ambiental desde 2017, e incluiu os municípios de Água Branca, Altos, Campo Maior, Corrente, Oeiras, Piripiri e Teresina. A estratégia metodológica combinou análise da trajetória normativa da política, abrangendo o período de 2008 a 2025, com análise empírica dos municípios, tendo 2017 a 2025 como período de referência e recortes específicos conforme a natureza e a disponibilidade dos dados. Foram examinados os repasses do ICMS Ecológico, a execução orçamentária municipal, a relação entre despesas ambientais e transferências recebidas, além de entrevistas semiestruturadas com gestores e servidores públicos. Os resultados evidenciam que o ICMS Ecológico exerce maior influência sobre a dimensão institucional, ao estimular a formalização de estruturas administrativas, instrumentos de planejamento e práticas associadas à certificação. Contudo, os critérios estabelecidos mostram-se mais orientados à verificação da conformidade administrativa e documental do que à aferição da qualidade, continuidade e dos efeitos das ações socioambientais. Na dimensão fiscal e orçamentária, embora os repasses assumam relevância diferenciada entre os municípios, sua ampliação não se converte proporcionalmente em despesas na Função Gestão Ambiental, em razão da ausência de vinculação obrigatória e da dispersão dos gastos entre diferentes funções e subfunções. Os achados indicam, ainda, que a conversão do incentivo fiscal em práticas contínuas depende das capacidades técnico-administrativas, dos instrumentos de planejamento, da articulação intersetorial e dos arranjos de governança locais. Conclui-se que o ICMS Ecológico contribui para a organização da gestão ambiental municipal, mas não assegura, isoladamente, seu fortalecimento operacional ou a continuidade das ações socioambientais. Sua capacidade de produzir resultados está menos relacionada ao volume de recursos transferidos do que às condições institucionais, administrativas, orçamentárias e de governança que mediam sua implementação.


    SARA ZILANDA LIMA DA SILVA SISTEMA PRODUTIVO DE VAZANTEIROS E AGRICULTORES FAMILIARES EM TERESINA – PI: DIÁLOGOS COM A TEORIA DA ATIVIDADE HISTÓRICO – CULTURAL Data: 17/08/2026

    As associações rurais têm o potencial de gerar estratégias criativas e democráticas para o desenvolvimento local, promovendo a participação política e social e otimizando o uso dos recursos disponíveis localmente. Através da organização em associações rurais, os indivíduos podem catalisar mudanças sociais, políticas e econômicas. Este estudo tem como objetivo analisar e compreender o desenvolvimento do sistema de atividades focado na produção e as manifestações de contradições históricas entre os membros de uma associação de agricultores de várzea e agricultores familiares no município de Teresina. Trata-se de um estudo qualitativo baseado na Teoria da Atividade Histórico-Cultural, um quadro teórico-metodológico que sustenta a colaboração entre investigadores e participantes. O estudo foi ancorado no Laboratório de Mudança (LM), caracterizado como uma metodologia participativa que visa proporcionar transformações profundas ou incrementais superficiais no trabalho. Assim, foram realizadas 10 sessões de LM, precedidas por entrevistas semiestruturadas e pela coleta de informações gerais ou específicas por meio de diálogos em grupo ou individuais. As entrevistas, gravadas em áudio, buscaram compreender o sistema de atividades da associação. O estudo demonstra as motivações que sustentam o grupo desde 1991 nas suas atividades, mesmo diante de desafios como a falta de apoio técnico, a falta de posse das terras onde vivem e trabalham e o baixo envolvimento dos membros em ações coletivas. Foram identificados cinco padrões de expressões que remetiam a sentimentos de satisfação e prazer em persistir na lida com a terra: gostar do que faz; vínculo com a história familiar; essência do altruísmo; contato com a natureza e gratidão pela terra. Três contradições históricas foram identificadas nas atividades atuais da associação, que contribuíram para problemas como fragilidade estrutural, falta de serviços essenciais, baixo número de membros, regularização fundiária pendente e produção incipiente. A dramatização destacou-se pelo forte impacto emocional, promovendo aprendizado significativo, fortalecimento da harmonia do grupo e estímulo à agência coletiva. As encenações, criadas pelos próprios participantes, transformaram manifestações de contradições em ações concretas, resultando em mobilização imediata para resolver problemas reais. Assim, o estudo confirma o potencial da arte como ferramenta pedagógica capaz de promover protagonismo, engajamento e união, oferecendo um modelo inovador para políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural e à emancipação de comunidades historicamente excluídas e invisibilizadas.


    PATRÍCIA BARBOSA PEREIRA Expansão portuária e conflitos espaciais: as transformações socioeconômicas e ambientais no entorno do Terminal de Uso Privado Porto São Luís/MA Data: 31/07/2026

    A partir da década de 1970, o Maranhão implementou políticas desenvolvimentistas que geraram novas configurações territoriais, mas também intensificaram os conflitos ambientais, culturais e agrários. A porção norte maranhense, apesar de sua localização geográfica estratégica (próxima aos mercados norte-americano e europeu) e riqueza biótica e abiótica, integra o estado mais pobre da federação e registra alta incidência de conflitos agrários. Esta tese analisou as transformações territoriais, socioeconômicas e ambientais no Maranhão, especificamente no entorno do Terminal de Uso Privado (TUP) Porto São Luís, atualmente em contrução, e que pertence à empresa Cosan Ltda. O processo de transição empresarial do TUP Porto São Luís, da chinesa CCCC para a brasileira Cosan, fundamentou um dos debates propostos nessa pesquisa. Considerando as sólidas relações diplomáticas entre o estado do Maranhão e a China, o estudo direcionou-se inicialmente para a compreensão do terminal como um ponto estratégico selecionado para compor Nova Rota da Seda, o que abriria caminhos para uma maior adesão brasileira ao projeto geopolítico chinês. O aumento da demanda por exportações e a expansão de projetos de infraestrutura elevam os impactos negativos sobre o meio ambiente e os recursos naturais, tornando crucial a quantificação desses danos. O estudo também abordou a situação das comunidades tradicionais e quilombolas da área, que residem próximas a recursos naturais conservados, em contraste com a pressão exercidas pelos investimentos. A metodologia apoiou-se no método histórico-dialético e na teoria do Ajuste Espacial (Spatial Fix), cujos procedimentos incluíram levantamento teórico, seleção de dados, tabulação e produção de gráficos com uso de planilha eletrônica e do software de estatística BioEstat 5.0. Para a confecção dos mapas de uso e cobertura da terra, adotaram-se os dados da plataforma Mapbiomas, sendo estes processados através do software QGIS. Dados vetoriais dos planos diretores de 2006 e 2023, bem como do zoneamento de 1992, foram obtidos junto ao banco de dados da Prefeitura Municipal de São Luís. Já para a elaboração do mapa do índice composto simples, a partir dos indicadores saneamento, escolaridade e renda, foi necessária a aquisição de arquivos alfanuméricos e vetoriais do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por setor censitário, para os anos de 2010 e 2022. Os resultados indicaram que, apesar de toda a conjuntura de evidente parceria estratégica, o Brasil e o Maranhão ainda não sinalizaram efetivamente a participação na Nova Rota da Seda. A instalação de infraestruturas no estado do Maranhão sempre foi um fator decisivo para a efetivação de atividades econômicas nos mais diversos setores, em especial o primário, que é considerado o motor da economia. Diferentes momentos marcaram o crescimento da economia maranhense, com destaque para os financiamentos do governo federal, visando integrar as regiões do território brasileiro. O uso contínuo dos recursos naturais tem gerado preocupações em face às mudanças climáticas, conforme indicam os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Nesse contexto, a análise considerou as medidas propostas pelo Complexo Portuário do Maranhão que compreende toda a área portuária do Estado, dada a limitação imposta pelo estágio de implantação do TUP Porto São Luís. Verificou-se que há ações para minimizar os efeitos nocivos de suas operações, com especial foco nas diretrizes do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13. Porém, essas iniciativas apresentam ações que estão estritamente vinculadas à esfera empresarial, negligenciando as demais dimensões e âmbitos previstos pelo referido ODS. As reconfigurações territoriais tornam-se evidentes, impulsionadas tanto pelo avanço de projetos logísticos, a exemplo do TUP Porto São Luís, quanto pela fragilidade da legislação urbanística, que contribuiu para a fragmentação dos territórios tradicionais. Constatou-se que o Plano Diretor, embora concebido como um instrumento de planejamento, atuou frequentemente como um facilitador para a implantação de empreendimentos porto-industriais. As comunidades do entorno foram invisibilizadas nesse processo; em resposta, estas articulam-se pela aprovação da RESEX Tauá-Mirim, visando resguardar 12 comunidades que lutam pela garantia de seus direitos territoriais. Os indicadores sociais analisados contestaram a ideia de que a instalação de empreendimentos garante prosperidade local e melhoria na qualidade de vida. Na prática, o discurso de avanços permaneceu restrito a uma pequena parcela da população. Com isso, espera-se que haja um equílibrio entre as atividades econômicas, os recursos naturais e a população. É necessário que essas justificativas sejam cumpridas, pois, como verificado, os indicadores sociais ficam à margem desse processo de crescimento econômico. Torna-se fundamental que as políticas públicas atendam às necessidades prioritárias e que o processo seja mais acessível, permitindo que a população participe efetivamente das tomadas de decisões.

     


    LUAN VICTOR BRANDÃO DOS SANTOS CONHECIMENTO E PERCEPÇÃO DE QUILOMBOLAS PIAUIENSES SOBRE PLANTAS ALIMENTÍCIAS SILVESTRES E INSETOS VISITANTES FLORAIS FRENTE ÀS MUDANÇAS AMBIENTAIS Data: 07/07/2026

    As plantas alimentícias utilizadas por populações tradicionais são importantes componentes na manutenção e promoção da segurança alimentar em regiões vulneráveis. Atualmente, as mudanças ambientais e climáticas influenciam fortemente a disponibilidade, produção e sobrevivência dessas espécies em comunidades tradicionais. Tais efeitos estendem-se aos animais polinizadores, com um impacto notável e significativo sobre as populações de insetos. Objetivamos registrar o conhecimento e percepção dos moradores do Quilombo Custaneira/Tronco em Paquetá/PI,  acerca dos impactos das mudanças ambientais  nas espécies de plantas alimentíceas e nos insetos polinizadores, com integração dos dados bibliográficos nacionais e informações ambientais. De natureza qualiquantitativa, empregamos análises bibliográficas, lista livre, entrevistas  semiestruturadas,  dados geoespaciais e climáticos do MapBiomas e estações climáticas e pluviométricas do INMET e ANA. Quantitativamente utilizamos o Fator de Consenso de Informante, Importância Relativa e Índice de Saliência. Registraram-se o maior levantamento sobre as frutíferas alimentícias (557) e seus polinizadores (527). O polinizador mais frequente do país são abelhas de pequeno porte. Os polinizadores exóticos tendem a preferir plantas exóticas, enquanto os nativos apresentam maior versatilidade. As pesquisas etnobiológicas concentraram-se nas regiões Nordeste e Norte particularmente em comunidades rurais. Nossos preditores não foram capazes de separar grupos distintos quanto à diversidade de espécies, domínios fitogeográficos e tipo de  comunidades. As plantas alimentícias são importantes agentes na segurança alimentar e econômica no quilombo, onde registramos 98 espécies, pertencentes a 85 gêneros e 43 famílias, sendo Solanaceae (9), Cucurbitaceae (8) e Fabaceae/Anacardiaceae (6) as mais diversas. A maioria  é exótica (63,26%) cultivadas em quintais, hortas ou roças. Os frutos são os mais consumidos (55,26%), seguidos por folhas (20,39%), sementes (9,36%), raízes (5,92%), caules (4,61%) e resina/flores/pseudofrutos (0,65%). Os IR e IS destacaram Spondias tuberosa L. e  Anacardium occidentale L., como espécies centrais. O alto FCI  (0,8925) aponta  forte homogeneidade no repertório alimentar, predominantemente com espécies cultivadas, enquanto as silvestres exibem maior diversidade de uso. Detectou-se distribuição igualitária do conhecimento no quilombo. As mudanças climáticas afetam a segurança alimentar, seja pela extinção local de espécies como o Jenipapo (Genipa americana L.) e Araçá (Psidium sp), como pela manutenção dos corpos hídricos. Não houve evidência estatística de alterações no regime chuvoso na série histórica de precipitação no município (p = 0,987; R2 = 0,0056), porém a década de 2010 apresenta uma queda considerável da média hídrica, o que explica a percepção dos moradores quanto à diminuição e rarefação das chuvas. A temperatura média anual apresentou tendência de elevação, com registros mais altos a partir de 2010, coincidindo com o aumento da frequência de queimadas em Paquetá. Conclui-se que as frutíferas são as plantas mais consumidas no Brasil e em Custaneira/Tronco, o polinizador mais frequente são abelhas de pequeno a médio porte, as mudanças climáticas impactam o quilombo com redução de água disponível, extinção de espécies locais e aumento da temperatura que potencializam a insegurança alimentar no quilombo.


    ITALO EMMANOEL MESQUITA OLIVEIRA DE MOURA Gestão do Ciclo de Vida da cadeia de valor de polpa de frutas: Ecoeficiência e ACV social para a tomada de decisão estratégica Data: 29/05/2026

    O modelo de crescimento linear focado no lucro gerou crises ambientais e sociais, demandando a transição para o desenvolvimento sustentável fundamentado na circularidade. Este trabalho justifica-se pela importância estratégica do setor de polpa de frutas para o agronegócio brasileiro, especialmente no Nordeste, e pela carência de estudos que integrem ferramentas de gestão sustentável para este produto. O objetivo geral é analisar os impactos ambientais, sociais e econômicos da cadeia de valor de polpas de frutas por meio da aplicação de ferramentas de Gestão do Ciclo de Vida, visando subsidiar decisões estratégicas voltadas à sustentabilidade do setor. A pesquisa estrutura-se de forma interdependente em quatro etapas: o Capítulo I investigou a comunicação corporativa, revelando que os discursos institucionais são predominantemente orientados ao marketing, com baixo embasamento técnico e potencial de Greenwashing. Essa constatação de falta de transparência deu subsídios para o Capítulo II, que estabeleceu uma proposta metodológica ao integrar a Análise do Discurso materialista à Avaliação Social do Ciclo de Vida, criando um protocolo para converter narrativas e silêncios corporativos em evidências sociais materiais e comparáveis. Com essa ferramenta, o Capítulo III realizou a aplicação prática na cadeia produtiva de polpas congeladas, diagnosticando que 52% das categorias sociais operam abaixo do requisito básico, evidenciando que a etapa de cultivo é significativamente mais crítica socialmente do que o beneficiamento industrial. Para completar o diagnóstico do tripé da sustentabilidade, o Capítulo IV quantificou a relação ambiental-econômico por meio da Avaliação da Ecoeficiência das polpas de acerola e goiaba, identificando o uso intensivo de fertilizantes, o consumo energético na irrigação e a logística regional como os principais hotspots do ciclo de vida. Conclui-se que a aplicação integrada das ferramentas de Gestão do Ciclo de Vida, conforme realizada neste estudo, permite identificar os impactos ambientais, sociais e econômicos, bem como possíveis lacunas entre as narrativas corporativas e a realidade operacional. Assim, identificou-se que sustentabilidade socioambiental no setor ainda é tratada como ferramenta de reputação e não como pilar estratégico na tomada de decisões na cadeia de suprimentos. Como recomendações, propõe-se a aplicação da estrutura proposta no capítulo II em outras cadeias do agronegócio e a inclusão de indicadores de saúde mental e diversidade cultural, acompanhando a evolução das demandas sociais e normativas, bem como a avaliação ambiental de outros tipos de frutas tropicais importantes para a região Nordeste do Brasil.


    DANIEL LEAL SOUSA Impactos socioambientais e econômicos da implementação das miniusinas de energia solar fotovoltaica no âmbito das Parcerias Público-Privadas (PPPs) do estado do Piauí. Data: 25/05/2026

    O crescimento da demanda energética global, aliado aos impactos ambientais causados pelas
    fontes não renováveis, exige a adoção de políticas públicas voltadas à transição para fontes
    renováveis e de menor impacto. Nesse contexto, a energia solar fotovoltaica tem se destacado
    como uma alternativa estratégica, especialmente em regiões com alta incidência solar, como
    o Estado do Piauí. Essa pesquisa tem como objetivo geral: caracterizar os impactos
    socioambientais, técnicos e econômicos resultantes da implementação das miniusinas de
    energia solar fotovoltaica no âmbito das parcerias público-privadas (PPP) do Estado do Piauí.
    Para tanto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica, análise documental, coleta de dados
    secundários (faturas de energia, relatórios técnicos), visitas técnicas e aplicação de entrevistas
    semiestruturadas com representantes da gestão pública, empresas concessionárias e moradores
    das comunidades vizinhas às usinas. Os resultados demonstraram economia nos gastos com
    energia elétrica dos órgãos públicos atendidos pelas miniusinas (R$ 1.482.184,04 no período
    de março de 2024 a fevereiro de 2025). Quanto à arrecadação municipal, as usinas
    contribuíram com cerca de R$ 24.500,00 mensais por unidade em Imposto Sobre Serviços
    (ISS), o que representa um incremento relevante para municípios de pequeno e médio porte.
    A construção de laboratórios na UESPI, representa um avanço significativo para o
    fortalecimento da infraestrutura de ensino, pesquisa e extensão da instituição e contribui muito
    com a formação nessa área. No entanto, foram identificados desafios importantes:
    planejamento inicial inadequado da alocação dos créditos de geração; ausência de políticas
    públicas locais para destinação da nova arrecadação tributária; baixa percepção dos benefícios
    por parte da comunidade local; e fragilidades nos mecanismos de comunicação institucional
    e participação social. As entrevistas revelaram que 72% dos moradores entrevistados não
    percebem impactos ambientais. Com a pesquisa constata-se que o modelo de PPP adotado
    apresenta viabilidade técnica e econômica, mas precisa de ajustes estruturais para maximizar
    seus impactos sociais e ambientais. Por fim, espera-se que os resultados obtidos ao longo desta
    pesquisa possam subsidiar a formulação de políticas públicas mais eficientes e contribuir para
    o aprimoramento do modelo de Parceria Público-Privada (PPP) aplicado ao setor de energia
    renovável. Os achados apresentados oferecem subsídios técnicos, econômicos e sociais que
    podem orientar a concepção de novos projetos, viabilizando sua expansão.



    IRENE SUELEN DE ARAUJO GOMES Birdwatching como Atividade Socioeconômica e o Ecodesenvolvimento Turístico para a APA Delta do Parnaíba Data: 25/05/2026

    A humanidade e sua relação com o meio ambiente são marcadas por diferentes posturas, que vão da exploração utilitária à busca por conservação. Nesse cenário, o conhecimento local assume papel fundamental, especialmente em áreas protegidas, onde a subsistência depende diretamente da biodiversidade. A Área de Proteção Ambiental (APA) Delta do Parnaíba destaca-se por sua singularidade geomorfológica e riqueza biológica, configurando-se como potencial cenário para o desenvolvimento do birdwatching, atividade que integra conservação ambiental, turismo e geração de renda. Nesse sentido, pretende-se avaliar o potencial da APA Delta do Parnaíba para essa prática, identificando a riqueza avifaunística local e os principais pontos de observação, além de analisar a percepção dos condutores de turismo sobre a avifauna. Foram utilizadas técnicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto para mapear áreas, identificar suas fisionomias e mudanças ao longo de 28 anos (1996 a 2024), desde o início da implantação da APA até os dias atuais, utilizando o Sistema de Informação Geográfica QGIS, versão 3.22.10. Para o estudo etnoornitológico, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 20 condutores, cujas citações revelaram saberes relacionados à sensibilidade das aves frente ao turismo, às práticas de conservação e ao papel socioeconômico da atividade. A comparação entre a lista oficial de 253 espécies registradas na APA e as 81 mencionadas pelos condutores demonstra um conhecimento local significativo, ainda que parcial, sobre a biodiversidade. Os resultados indicam que o birdwatching, aliado à valorização do conhecimento local, pode se consolidar como atividade sustentável, fortalecendo a conservação da avifauna e promovendo benefícios socioeconômicos às comunidades locais. Ainda foi realizado um levantamento de trabalhos envolvendo descritores específicos sobre a avifauna, resultando no registro de 307 espécies, distribuídas em 25 ordens e 63 famílias, em sua maioria residentes e insetívoras. Esses dados embasaram a elaboração de um aplicativo móvel para apoiar a prática e ampliar o conhecimento sobre educação ambiental e engajamento comunitário, contribuindo para o ecodesenvolvimento regional. Conclui-se que ao se integrar ciência, turismo e conhecimento local, é possível a sensibilização pelo manejo participativo e a consolidação da proposta do passarinhar como instrumento de desenvolvimento sustentável na APA Delta do Parnaíba. 


    CAROLINA DE SOUSA SANTANA Modernização agrícola e saberes tradicionais sobre plantas inseticidas em comunidades rurais de Tianguá-Ce Data: 14/05/2026

    A modernização da agricultura resultou na adoção de práticas agrícolas com a finalidade de expandir a produção de alimentos. No entanto, muitas delas, como os agrotóxicos, trazem prejuízos ao ambiente e à saúde da população. Uma forma de minimizar esses danos é utilizando o conhecimento tradicional, dentre eles, o uso de plantas no controle de insetos infestantes. Entretanto, devido a necessidade de respostas rápidas, muitos agricultores têm resistência a esse tipo de manejo. Diante dessa problemática, objetivou-se verificar se a modernização agrícola interfere no uso de plantas inseticidas em assentamento de reforma agrária e em uma comunidade rural do município de Tianguá- CE. Realizou-se um levantamento bibliográfico para verificar as pesquisas que estão sendo realizadas na temática abordada, utilizado como base de dados a Scopus, Web of Science e Google Scholar, de setembro a dezembro de 2024 por meio dos descritores: “inseticidal plants” AND “traditional knowledge”, “ethnobotany” AND “bioinsecticides”, não sendo delimitado um período de busca, visando verificar a evolução dos estudos, resultando em 53 documentos. A partir da leitura desses trabalhos, observou-se um maior número de publicações no continente africano, sendo que o ano de 2018 destacou-se com um maior número de publicações. Azadirachta indica A. Juss., Nicotiana tabacun L., Eucalyptus globulus Labill. e Melia azedarach L. foram as espécies botânicas mais citadas. Em seguida, foram realizadas a aplicação de lista livre e entrevistas semiestruturadas. O Índice de Fidelidade em associação com o Ranqueamento de Ordem Prioritária, Índice de Importância Cultural e o Quiquadrado foram utilizados como ferramentas quantitativas. Dentre os 40 agricultores da comunidade São José, apenas 12 fazem uso das plantas inseticidas. No Assentamento Val Paraíso, dos 47 entrevistados, apenas 16 fazem uso dos vegetais no controle de insetos. O nim (A. indica ) foi a de maior consenso entre os agricultores da comunidade São José para o controle do pulgão, e no assentamento Val Paraíso a pimenta-de-cheiro (Capsicum chinense Jacq.) foi a de maior concordância para o mesmo inseto. Em ambas as comunidades o nim destacou-se como prioridade de ordenamento. Não houve relação entre conhecimento de plantas inseticidas e escolaridade e entre renda e uso de agrotóxicos na comunidade São José, enquanto no assentamento Val Paraíso essa relação foi significativa. A metodologia participativa foi utilizada com o objetivo de gerenciar o conhecimento tradicional, a partir da construção do Quadro do Gerenciamento do Conhecimento Tradicional. Foram identificadas as vias de transmissão do  conhecimento e os critérios de seleção de plantas inseticidas, com 42,5% dos agricultores da comunidade São José relatando que copiam a informação de amigos, sendo a via horizontal a mais utilizada. No assentamento Val Paraíso 55% dos informantes acessam o conhecimento a partir de representantes das empresas, ou seja, pela via oblíqua. Diante do exposto, conclui-se que a modernização agrícola influencia nos critérios de seleção de métodos de controle na comunidade São José e assentamento Val Paraíso.


    FRANCISCO EDUARDO DOS SANTOS SOUSA CAÇA DE ANIMAIS SILVESTRES: DOS IMPACTOS SOBRE A DIVERSIDADE FUNCIONAL AO CONHECIMENTO ETNOZOOLÓGICO Data: 30/04/2026

    A caça de animais silvestres constitui uma das principais ameaças à biodiversidade, comprometendo a diversidade funcional e os serviços ecossistêmicos, inclusive em Unidades de Conservação (UC). O objetivo geral deste estudo foi avaliar os impactos da caça sobre a diversidade funcional de espécies cinegéticas, integrando abordagens ecológicas e etnozoológicas em diferentes escalas espaciais. Foram empregados métodos complementares, incluindo uma revisão sistemática da literatura em escala nacional, levantamentos de campo por meio de transecções lineares para avaliar um gradiente de pressão de caça no Parque Nacional Serra da Capivara (PNSC), e uma abordagem etnozoológica baseada na aplicação de formulários semiestruturados a caçadores e outros atores locais (moradores, guias e agentes de fiscalização). A revisão de 21 estudos identificou 161 espécies caçadas em UC, predominantemente mamíferos, incluindo 30 espécies ameaçadas, com impactos concentrados em funções ecológicas como dispersão de sementes e controle populacional. No PNSC, os levantamentos de campo evidenciaram um gradiente de defaunação, com maior riqueza faunística em áreas internas e de difícil acesso. A abordagem etnozoológica registrou 35 espécies-alvo na região, com a pressão de caça concentrada em mamíferos como Dicotyles tajacu e Dasypus novemcinctus (Linnaeus, 1758), além de revelar que, embora as comunidades reconheçam a importância econômica do Parque, sentem-se socialmente desconectadas dele, apesar de deterem amplo conhecimento sobre a fauna local. Os resultados demonstram que a caça ilegal não apenas reduz populações, mas também compromete funções ecológicas essenciais, diminuindo a resiliência dos ecossistemas. Conclui-se que a gestão eficaz das UC exige a superação de abordagens exclusivamente repressivas, demandando a integração do conhecimento ecológico tradicional, o fortalecimento da participação comunitária e o desenvolvimento de alternativas socioeconômicas sustentáveis, de modo a conciliar a conservação da biodiversidade com a justiça social.


    GIOVANNA SANTOS DE SOUZA Entre lagoas: da análise à divulgação científica da dinâmica limnológica de lagoas costeiras do Piauí Data: 29/04/2026

    Os ecossistemas lênticos costeiros são considerados potencialmente instáveis, pois as alterações causadas por estressores naturais e antrópicos interferem com maior impacto em sua dinâmica, favorecendo seu desequilíbrio. As lagoas do Portinho, no município de Parnaíba, Sobradinho, em Luís Correia e da Santana, em Cajueiro da Praia, se destacam por serem as maiores da região costeira do Piauí. Assim, objetiva-se com este trabalho analisar temporal e espacialmente as características físicas, químicas e biológicas de ecossistemas lênticos situados na planície litorânea do estado do Piauí, utilizando as comunidades fitoplanctônica e macrófitas aquáticas, como bioindicadores, para gerar ferramentas de divulgação científica para sensibilização social em ambientes formais e não formais de ensino, a fim de auxiliar futuros programas de gestão desses ecossistemas. Como metodologia foi feita a caracterização sazonal, elaboração de mapas com delimitação da lâmina superficial das lagoas, a análise física, química e biológica da água, utilizando a comunidade fitoplanctônica como bioindicador, aplicação do índice de estado trófico (IET), o levantamento florístico das macrófitas aquáticas e a elaboração de ferramentas de divulgação científica com a produção de cartilha com jogos e atividades didáticas e um documentpario sobre as lagoas. Como resultados parciais observou-se que a dinâmica de redução e expansão da lâmina d’água superficial das lagoas do Portinho, Sobradinho e Santana sofreu consequência direta dos eventos climáticos extremos, como El Niño, que ocasionou índices pluviométricos abaixo da média histórica, principalmente no período de 2010 a 2017, e da redução gradativa dos índices de precipitação pluviométrica e modificação do ciclo sazonal da região nos últimos 50 anos. A sazonalidade e os impactos antrópicos interferem na dinâmica física, química e biológica de lagoas costeiras do Piauí, afetando o estado trófico das lagoas, bem como a diversidade de espécies do fitoplâncton. As lagoas abrigam espécies anfíbias e emergentes de macrófitas aquáticas, principalmente das famílias Cyperaceae e Fabaceae, com novos registros para o Piauí. As ferramentas de divulgação científica encontram-se em fase de elaboração, assim como dados do biovolume do fitoplâncton e a comparação da lista de espécies de macrófitas com outros ambientes costeiros da região Nordeste. Assim, ressalta-se a importância do estudo da dinâmica das lagoas do Portinho, Sobradinho e Santana, visto que as temáticas definidas no presente estudo são pouco ou ainda não foram exploradas na região.


    VANESSA FERNANDA DA SILVA SOUSA Aspectos socioeconômicos, prospectivos e ambientais do pequi (Caryocar coriaceum Wittm) no Meio-Norte do Brasil: uma análise integrada à luz das mudanças climáticas Data: 24/04/2026

    Caryocar coriaceum Wittm, conhecida popularmente como pequi, é uma espécie nativa e endêmica do Cerrado brasileiro, de ampla distribuição e grande potencial socioeconômico nos estados de ocorrência, que incluem Piauí, Ceará, Bahia, Pernambuco e Maranhão. Diante da importância da espécie, sua dificuldade de regeneração natural e riscos decorrentes da degradação do seu bioma originário, a presente pesquisa investigou o estado atual do conhecimento científico, tecnológico e socioambiental relacionado à espécie. A pesquisa fundamentou-se na análise de três estudos complementares, que abordam (1) a prospecção científica e tecnológica da espécie, (2) a percepção de coletores sobre sua importância sociocultural e (3) os desafios enfrentados na cadeia produtiva diante da perspectiva das mudanças climáticas. O primeiro artigo desenvolveu uma prospecção científica e tecnológica da espécie a partir da análise de bases de dados nacionais e internacionais (INPI, Web of Science, EPO e DII). Metodologicamente, foram quantificados artigos e patentes relativos ao C. coriaceum, com destaque para a concentração de publicações nos anos de 2011, 2015 e 2020 (n=4, cada). Apesar do número reduzido de patentes (n=7), quando comparado a outras espécies do gênero, como Caryocar brasiliense (n=57), observou-se predominância de aplicações nas áreas médica, odontológica, cosmetológica e alimentícia. O desenvolvimento tecnológico da espécie revelou-se incipiente, embora em ascensão, evidenciando a necessidade de investimentos em bioprospecção e inovação, sobretudo frente ao potencial de uso e ao endemismo da espécie no Brasil. O segundo artigo utilizou a metodologia de análise narrativa para interpretar entrevistas com 17 coletores do Maranhão, revelando o valor simbólico, econômico e afetivo do C. coriaceum para as comunidades extrativistas. As narrativas demonstraram que a coleta do fruto transcende o aspecto econômico, configurando-se como prática de pertencimento e identidade comunitária. As mudanças ambientais — em especial o desmatamento e os incêndios — foram identificadas como ameaças às práticas tradicionais, indicando a urgência da integração do conhecimento ecológico local nas estratégias de conservação, como forma de preservar tanto a biodiversidade quanto a resiliência sociocultural dessas populações. O terceiro artigo investigou a cadeia produtiva do C. coriaceum em Caxias-MA, a partir de abordagem mista com entrevistas semiestruturadas e análise pelo Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). O estudo revelou que a cadeia é sazonal e informal, com lucratividade média de 57,13%, porém vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas, como alterações no regime de chuvas e aumento das temperaturas, que impactam diretamente na frutificação. A ausência de organização coletiva e a dependência de atravessadores comprometem a sustentabilidade da atividade. A diversificação de produtos e o fortalecimento de políticas públicas são apontados como estratégias para aumentar a resiliência das comunidades extrativistas. Em conjunto, os estudos demonstram que Caryocar coriaceum Wittm. representa uma espécie de elevado valor estratégico, ainda subexplorado do ponto de vista tecnológico. A articulação entre conhecimento científico, saberes tradicionais e políticas públicas é crucial para o fortalecimento da cadeia produtiva, conservação da espécie e promoção do desenvolvimento sustentável das comunidades que dela dependem.


    RUBENILSON AMORIM MARTINS Qualidade, governança e gestão das águas: implicações nos usos e conflitos na bacia hidrográfica do rio Itapecuru, Maranhão Data: 25/03/2026

    A água é a base da vida no planeta Terra, pois proporciona as condições ambientais e biológicas para a manutenção da biodiversidade e para a sobrevivência da espécie humana, impondo as sociedades humanas uma dependência para a sobrevivência e para o desenvolvimento das atividades econômicas. Apesar da extrema dependência, da não existência de elemento que a substitua, o avanço da escassez, a insegurança hídrica e a degradação da qualidade da água, desencadeadas pela mudança na cobertura da terra, intensificação dos usos da água, poluição hídrica e mudanças climáticas, são realidades comuns e crescentes em grande parte dos países. O conhecimento da qualidade ambiental de bacias hidrográficas é fundamental para o desenvolvimento de ações e políticas eficazes de governança e gestão das águas, de modo a compatibilizar o uso e cobertura da terra com a preservação dos recursos hídricos, evitar conflitos pelo uso da água e garantir a perenidade em quantidade e com qualidade adequada para proporcionar os usos múltiplos da água. Assim, está pesquisa tem como objetivo analisar a qualidade, governança e gestão das águas e as implicações nos usos e conflitos na bacia hidrográfica do rio Itapecuru.A área de estudo compreende o alto, médio e baixo curso da bacia hidrográfica do rio Itapecuru, que está localizada na parte centro-leste do Estado do Maranhão. Para analisar a relação do uso e cobertura da terra com a qualidade da água na bacia hidrográfica do rio Itapecuru, foi feita a comparação das classes de uso e cobertura da terra, definidas a partir da confecção de mapas de uso e cobertura da terra, desenvolvidos com imagens do satélite Landsat 8 dos anos de 2003 e 2023, com os dados de qualidade de água, obtidos no Portal HidroWeb do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH) com a série histórica de 2003 a 2023. A condição de qualidade da água foi definida por meio dos Índices de Qualidade da Água -IQA-NSF e IQA-CCME e dos Índices de Estado Trófico IET-Lamparelli e TRIX, os dados de qualidade da água utilizados nos índices, foram obtidos em campanhas de coletas de amostras de água realizadas nos rios Itapecuru e Alpercatas, com periodicidade bimestral, ao longo do ano de 2023, totalizando seis campanhas, três no período chuvoso e três no período de estiagem. Os usos da água foram identificados a partir de observações in locoe análise das outorgas de uso da água ativas, e os cenários de conflitos hídricos foram identificados através do balanço hídrico e da condição de qualidade da água dos principais rios da bacia hidrográfica do rio Itapecuru. A avaliação da eficácia e eficiência da governança e gestão da água, foi realizada a partir da aplicação dos indicadores de governança da água desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE. Os resultados demonstraram relação entre alteração no uso e cobertura da terra, com perda de qualidade da água na bacia hidrográfica do rio Itapecuru, em que o trecho da bacia com menor alteração na cobertura natural da terra (alto curso) apresentou melhor qualidade da água e os trechos com maiores alterações na cobertura natural da terra (médio e baixo cursos) apresentaram maior degradação a qualidade da água. A condição de qualidade da água definida a partir dos índices de qualidade da água e dos índices de estado trófico, também ratificou esse padrão espacial da degradação da qualidade da água na bacia hidrográfica, com o alto curso apresentado menor degradação e os cursos médio e baixo maior degradação da qualidade da água. Os principais usos da água identificados com base na quantidade de outorgas emitidas foram, pecuária representando 51,19%, irrigação 18,86%, aquicultura 5,98%, indústria 5,38%, esgotamento sanitário (diluição) 3%, mineração 1,79%, abastecimento público (urbano e rural) 0,89% e lazer 0,59%. Com relação aos cenários de conflitos hídricos, verificou-se por meio do balanço hídrico, baixa probabilidade de ocorrência de conflitos pela redução da quantidade de água, por outro lado, constatou-se uma maior probabilidade de ocorrência de conflitos pela perda progressiva da qualidade da água. Os indicadores de governança da água da OCDE, mostraram a existência de muitas lacunas na governança da água na bacia hidrográfica do rio Itapecuru, especialmente ligadas ao monitoramento e avaliação de políticas da água, monitoramento, transparência, inovação da governança, equidade e proteção dos utilizadores da água, e mostrou como principais pontos fortes (eficácia e eficiência), a existência de políticas, leis e instituições envolvidas na governança da água e regulação por meio de políticas e normas. Por fim, espera-se que os resultados obtidos nesta pesquisa possam ser utilizados como uma importante ferramenta para tomada de decisão, pelas organizações ligadas a gestão da água e ordenamento territorial, gestores públicos e comitê da bacia hidrográfica, de modo a nortear o planejamento da gestão e governança da água no território da bacia hidrográfica do rio Itapecuru.


    ANTONIA ALIKAENE DE SÁ Composição florística, estrutura da vegetação e uso da terra no Vale do Canindé, semiárido do Nordeste brasileiro Data: 16/03/2026

    A Caatinga e o Cerrado constituem ecorregiões de elevada relevância ecológica no Brasil e, no semiárido nordestino, estruturam mosaicos vegetacionais complexos, especialmente em áreas de transição (ecótonos). Apesar de sua importância biológica, esses sistemas vêm sendo intensamente pressionados pela expansão agropecuária, intensificação do uso do solo e exploração de recursos naturais, resultando na redução da vegetação nativa e na perda de biodiversidade. Nesse contexto, esta tese teve como objetivo analisar, de forma integrada, a composição florística e a estrutura da vegetação, as dinâmicas de Uso e Cobertura da Terra e a efetividade da política pública do ICMS Ecológico no Território de Desenvolvimento Vale do Canindé, Piauí, buscando compreender as interações entre os componentes ecológicos, econômicos e institucionais e subsidiar estratégias de planejamento territorial sustentável. O estudo foi realizado em seis municípios representativos de áreas de Cerrado, Caatinga e ecótono Cerrado–Caatinga. Entre 2022 e 2024, foram conduzidas expedições de campo para levantamento florístico por caminhadas aleatórias e amostragem fitossociológica pelo método de pontos-quadrantes. As espécies foram coletadas em estágio reprodutivo, herborizadas e identificadas com base em chaves taxonômicas, comparação com coleções de herbários e consulta a especialistas. A classificação seguiu o sistema APG IV, com conferência nomenclatural e do status de conservação na plataforma Flora e Funga do Brasil. As mudanças no Uso e Cobertura da Terra foram avaliadas a partir de dados do MapBiomas (Coleção 2 – beta), comparando-se os anos de 2016 e 2023, e relacionadas a indicadores socioeconômicos do IBGE. A análise da efetividade do ICMS Ecológico baseou-se na documentação referente ao Selo Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), no período de 2021 a 2024, com suporte de análises estatísticas. Foram registrados 151 táxons, distribuídos em 44 famílias e 112 gêneros, com predominância de Fabaceae, Bignoniaceae, Malpighiaceae e Malvaceae. Os gêneros mais representativos foram Cordiera, Cenostigma, Mimosa e Fridericia. O município de Oeiras apresentou maior diversidade florística e incluiu a espécie rara Bredemeyera petiolata, além de novos registros para o estado do Piauí e espécies quase ameaçadas, como Handroanthus serratifolius e Amburana cearensis. A análise de similaridade indicou compartilhamento e exclusividade de espécies entre os municípios, destacando a afinidade florística entre Oeiras e São João da Varjota, bem como o caráter ecotonal de Cajazeiras do Piauí. Na análise estrutural, foram registrados 129 táxons, distribuídos em 87 gêneros e 31 famílias, sendo Fabaceae a mais representativa. As áreas de ecótono apresentaram maiores índices de diversidade, especialmente Oeiras (H’ = 3,51) e São João da Varjota (H’ = 3,06). As espécies com maior valor de importância variaram conforme a fitofisionomia, destacando-se Pityrocarpa moniliformis no Cerrado e Cenostigma nordestinum e Callisthene microphylla na Caatinga. Combretum leprosum foi a espécie mais abundante, indicando estágios sucessionais intermediários. A distribuição diamétrica em padrão “J” invertido sugere regeneração ativa, embora sob influência de perturbações antrópicas. A análise espacial evidenciou redução generalizada da vegetação nativa e expressiva expansão da agropecuária, especialmente em Tanque do Piauí (+59,82%) e São João da Varjota (+35,13%), associadas à dependência econômica do setor primário. A avaliação do ICMS Ecológico mostrou descompasso entre conformidade burocrática e efetividade ambiental, com predominância de ações de baixo custo e limitada implementação de medidas estruturais de maior impacto. Conclui-se que o Vale do Canindé abriga elevada biodiversidade, particularmente em seus ecótonos, porém encontra-se sob forte pressão antrópica, demandando políticas públicas mais robustas e estratégias integradas de conservação e gestão territorial.


    VANÊSSA COELHO DA SILVA Carbono no solo e impactos ambientais no cultivo de meloeiro sob sistema conservacionista e convencional Data: 02/03/2026

    A mudança no uso da terra para fins agrícolas é uma das principais fontes de emissão de CO2 tornando o manejo do carbono (C) edáfico essencial para a mitigação das mudanças climáticas. No semiárido, o cultivo intensivo do meloeiro sob modelos convencionais de monocultivo podem degradar os recursos naturais e potencializar impactos ambientais. Diante disso, é fundamental a integração de tecnologias sustentáveis, como o uso de misturas de plantas de cobertura e sistemas de preparo mínimo do solo. Aliada a técnicas de produção agrícola sustentáveis, o uso de modelos matemáticos e metodologias ambientais, como o modelo Rothamsted Carbon (RothC) e a Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), apresenta-se como estratégia indispensável para monitorar estoques de C e otimizar a eficiência ambiental dos sistemas produtivos.Com esse estudo, objetiva-se (1) Avaliar a dinâmica do estoque de C em diferentes camadas de solo do cultivo de melão sob diferentes composições de mistura de plantas.; (2) Modelar o estoque de carbono futuro em diferentes agroecossistemas no cultivo de meloeiro sob diferentes cenários climáticos.; (3) Avaliar a pegada ambiental da produção de meloeiro em sistemas de cultivo convencional e conservacionista, por meio da aplicação integrada da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) e do modelo Rothamsted Carbon (RothC), considerando diferentes cenários e modelos climáticos. O estudo foi conduzido no Campo Experimental Bebedouro da Embrapa Semiárido, Petrolina-PE em área cultivada com melão amarelo, cv. Gladial, foram considerados 8 ciclos de cultivo (2012-2019). O delineamento experimental foi composto por dois sistemas de manejo de solo (com e sem revolvimento), três tipos de tratamentos utilizando mistura de plantas, composta por 14 espécies com diferentes proporções de leguminosas, gramíneas e oleaginosas e quatro repetições que foram divididos em blocos casualizados.  Após 70 dias de desenvolvimento foram cortadas e depositadas no solo. Dados de temperatura e precipitação foram adquiridos dos modelos climáticos BCC CSM, MIROC5, CESM1-BGC, IPSL CM5B LR e HADGEM2-AO, seguindo os cenários climáticos RCP 4.5 e RCP 8.5. O estoque de C futuro foi estimado até o ano de 2071 usando o modelo RothC. A ACV foi empregada para mensurar e comparar os impactos ambientais de ambos os sistemas considerando o clima atual e o clima no ano de 2032, período em que o experimento completará 20 anos e o estoque de C no solo é considerado estável pelo IPCC. A análise do teor de C no solo por camada, mostrou que a profundidade 0-5 cm, o manejo sem revolvimento e o tratamento com maior proporção de gramíneas e oleaginosas apresentaram maiores teores de C no solo, quanto ao aumento do teor de C no solo foi mais expressivo a partir do 4º ano de cultivo especialmente nas camadas superficiais. Sobre o acúmulo de C futuro no solo, o tratamento com predominância de leguminosas e sem revolvimento aumentou o estoque de C no solo independentemente do cenário climático. O revolvimento do solo não favoreceu o acúmulo de C, fazendo com que nenhum dos tratamentos alcançasse o mesmo estoque que a Caatinga. No cenário RCP 4.5 o modelo MIROC5 favoreceu o maior acúmulo de C no solo; já os menores estoques de C ocorreram nos modelos CESM1-BGC e IPSL CM5B LR sob o cenário RCP 8.5.  Os maiores impactos ambientais ocorreram no sistema conservacionista devido a irrigação utilizada para o crescimento das misturas de planta, seguido das emissões de campo e uso dos fertilizantes nitrogenados. A aumento da temperatura em 1.05 e 1.2 °C nos modelos HadGEM2-AO e o CESM1-BGC pode intensificar os impactos ambientais causados pelo cultivo de meloeiro. Os resultados evidenciam que manejos convencionais podem comprometer os estoques de C no solo, ressaltando a urgência de práticas conservacionistas. A adoção do sistema sem revolvimento associado ao cultivo de misturas de plantas, especialmente durante o período chuvoso de regiões semiáridas podem ser uma estratégia para redução dos impactos ambientais causados pelos cultivos de grande impacto socioeconômico, como o meloeiro, conciliando produtividade com a conservação dos recursos naturais.


    RUANNA THAIMIRES BRANDÃO SOUZA Restinga piauiense: dinâmica do uso e cobertura do solo, fitodiversidade, fitofisionomias e avanços nos estudos etnobotânicos Data: 27/02/2026

    A restinga é um ecossistema costeiro de grande importância ecológica, econômica e sociocultural, cuja conservação exige conhecimento aprofundado sobre sua dinâmica ambiental, diversidade biológica e interação com comunidades humanas. Foram utilizadas técnicas de sensoriamento remoto para analisar as mudanças temporais no uso e cobertura do solo no município de Ilha Grande, Piauí, ao longo de 31 anos (1992-2021), com base nos dados da plataforma MapBiomas, a fim de identificar tendências, padrões de transformação e possíveis impactos ambientais decorrentes dessas mudanças na área de estudo. utilizando o Sistema de Informação Geográfica QGIS, versão 3.22.10, com o plug-in SCP (Semi-Automatic Classification Plugin) para o mapeamento das alterações na cobertura do solo. A tabulação dos dados, geração de gráficos e tabelas, e cálculo da representatividade das classes de mudanças foram realizadas no MS Excel, utilizando o plug-in Land Cover Changes. Os resultados apontam que, em 1992, a paisagem de Ilha Grande Piauí era predominantemente natural, com extensas áreas de vegetação nativa e pouca intervenção humana. Porém, entre 2002 e 2012, observou-se um aumento considerável nas áreas urbanizadas e no desenvolvimento econômico. Este fenômeno tornou-se ainda mais evidente em 2021, com a expansão urbana, instalação de empreendimentos e crescimento do turismo, resultando em impactos significativos na cobertura do solo. O levantamento florístico da restinga de Ilha Grande foi realizado entre setembro de 2022 e agosto de 2025, abrangendo diferentes formações vegetais campestres, arbustivas e florestais, em uma área aproximada de 129,7 km². O esforço amostral resultou em 409 registros de ocorrência, dos quais 281 corresponderam a coletas de campo. Foram registradas 281 espécies de fanerógamas, distribuídas em 175 gêneros e 55 famílias, com destaque para Fabaceae (55 espécies), Poaceae (25 espécies) e Cyperaceae (23 espécies). Os gêneros mais representativos foram Cyperus (14 espécies), Paspalum (8 espécies) e Ipomoea (8 espécies). Quanto às formas de crescimento, predominam espécies herbáceas (140 spp.; 50%), seguidas por arbustos (77 spp.; 28%) e árvores (30 spp.; 11%). O inventário ampliou em 60,39% o conhecimento florístico do município, registrou 12 novos táxons para o estado do Piauí, identificou 54 espécies endêmicas e revelou que 3,2% das espécies apresentam algum grau de ameaça de extinção. A organização fitofisionômica foi investigada por meio de levantamentos de campo realizados entre março de 2022 e agosto de 2025, integrados ao mapeamento por imagens multiespectrais Sentinel-2, utilizando classificação supervisionada e validação geoambiental. Foram identificadas treze classes de uso e cobertura da terra, incluindo oito fitofisionomias de restinga. A vegetação ocupou a maior parte da área de estudo, com predominância do fruticeto aberto inundável (33,0%), seguido por campos entremeados (13,38%) e formações florestais não inundáveis (12,40%). A riqueza florística foi maior nas formações campestres (157 espécies), seguida pelos fruticetos (94 espécies) e florestas (30 espécies). Os padrões espaciais revelam uma paisagem em mosaico, estruturada predominantemente por gradientes hidro-edáficos e microtopográficos, sem evidências de trajetórias sucessionais lineares, destacando a singularidade ecológica dos sistemas costeiros deltaicos em relação a outras restingas do Nordeste brasileiro. Foi realizado ainda um mapeamento dos estudos etnobotânicos sobre Restinga e Etnobotânica no Brasil, utilizando descritores “Restinga”, “Restinga AND Ethnobotany”, “Restinga AND Ethnobotany AND Brazil” nas bases de dados Portal Periódicos Capes, Web of Science e Scopus. Os artigos abordaram principalmente os usos econômicos, ecológicos e ambientais de espécies vegetais, bem como o conhecimento local sobre plantas medicinais e enfatiza a importância de estratégias para a criação de áreas protegidas de uso sustentável como forma de garantir a manutenção de conhecimento tradicional e conhecimento local associado. Conclui-se que, os estudos sobre etnobotânica em ambiente de restinga são escassos e que pesquisas futuras poderiam levar em consideração os aspectos culturais, sociais e econômicos vivenciados pelas comunidades costeiras, com maiores subsídios para ações que contribuam para a conservação de espécies vegetais e de conhecimento tradicional em áreas de restinga. Foram registradas 13 publicações, distribuídas ao longo dos anos de 2004 a 2023. Os artigos abordaram principalmente os usos econômicos, ecológicos e ambientais de espécies vegetais, bem como o conhecimento local sobre plantas medicinais e enfatiza a importância de estratégias para a criação de áreas protegidas de uso sustentável como forma de garantir a manutenção de conhecimento tradicional e conhecimento local associado. Conclui-se que, os estudos sobre etnobotânica em ambiente de restinga são escassos e que pesquisas futuras poderiam levar em consideração os aspectos culturais, sociais e econômicos vivenciados pelas comunidades costeiras, com maiores subsídios para ações que contribuam para a conservação de espécies vegetais e do conhecimento tradicional em áreas de restinga. De forma integrada, os resultados apresentados evidenciam a elevada diversidade florística, a complexidade fitofisionômica e a crescente pressão antrópica sobre a restinga de Ilha Grande, Piauí, ressaltando seu papel estratégico para a conservação da zona costeira piauiense. A presença expressiva de espécies endêmicas, novos registros estaduais e táxons ameaçados, aliada à escassez de estudos etnobotânicos, reforça a urgência de ações de preservação, monitoramento contínuo e gestão territorial integrada. O estudo fornece uma base científica sólida para subsidiar políticas públicas, estratégias de manejo sustentável, recuperação de áreas degradadas e iniciativas que conciliem desenvolvimento socioeconômico e conservação ambiental na região costeira do Piauí.


    GERALDO BARBOZA DE OLIVEIRA JUNIOR Racismo ambiental: territórios tradicionais e conflitos socioambientais Data: 25/02/2026

    Esta tese explora a relação entre racismo ambiental, conflito e justiça socioambiental em territórios tradicionais nos estados do Rio Grande do Norte e Piauí. O racismo estrutural é apresentado como o motor das desigualdades que marginalizam comunidades e as expõem à degradação ambiental, perpetuando uma necropolítica. A análise se aprofunda nos conflitos gerados pela transição energética e pelo modelo de desenvolvimento extrativista, que prioriza o lucro em detrimento dos direitos humanos e da sustentabilidade. Utiliza-se o conceito de "campo" para desvendar as disputas por recursos e poder, onde comunidades tradicionais e ativistas resistem a um desenvolvimento imposto. O ativismo socioambiental é destacado como crucial para dar visibilidade às injustiças, contestar o discurso desenvolvimentista e pressionar por políticas públicas mais protetivas. O estudo enfatiza a importância de uma abordagem justa e inclusiva para as energias renováveis e a necessidade de uma mudança profunda no modelo de desenvolvimento, que valorize a diversidade cultural e socioambiental, rompendo com práticas neocoloniais. A pesquisa revela a invisibilidade das populações tradicionais nos planos governamentais, a falta de atenção aos seus direitos e a priorização de interesses econômicos em setores como o agronegócio e o turismo. A luta pela demarcação de territórios pesqueiros e o reconhecimento legal das comunidades tradicionais pesqueiras são apresentados como atos de autoafirmação e resistência. A análise das narrativas dos pescadores artesanais do Delta do Parnaíba expõe os impactos do turismo e dos grandes empreendimentos energéticos, revelando perdas, exclusão e desterritorialização. A urgência de considerar o conhecimento tradicional e a participação dessas comunidades na formulação de políticas é defendida para construir um futuro mais justo, sustentável e equitativo, que respeite a diversidade cultural e ambiental do estado, garantindo que o desenvolvimento beneficie a todos os seus habitantes.




    Dissertações/Teses - 2025

    JULIA SANTIAGO DE MATOS MONTEIRO LIRA Impactos Ambientais do Resfriamento Residencial em Climas Tropicais Data: 28/11/2025

    Como avaliar os impactos ambientais de longo prazo do consumo de eletricidade para resfriamento em edificações, considerando simultaneamente: mudanças climáticas progressivas, evolução da matriz elétrica nacional sob diferentes cenários políticos, e variabilidade de soluções construtivas? Esta tese desenvolve e aplica uma metodologia prospectiva de Avaliação Dinâmica do Ciclo de Vida (ADCV), que integra cinco componentes principais: Simulação paramétrica automatizada (EnergyPlus™) para geração de cenários construtivos variando envoltória e padrões operacionais; Projeções climáticas por regressão linear para temperatura mensal considerando aquecimento global até 2065; Modelo híbrido de matriz elétrica para projetar diferentes configurações de fontes energéticas baseadas em tendências históricas e cenários políticos; Rede Neural Artificial (RNA) para predição de consumo energético anual alimentada por temperaturas futuras (R²=0,997); e Inventário e avaliação dinâmicos para cálculo anual do impacto ambiental. A técnica TOPSIS para Tomada de Decisão Multicritério (TDMC) foi empregada para identificar soluções construtivas que equilibram desempenho térmico e energético. Os resultados indicam que: o consumo de energia para resfriamento aumenta 14% entre 2015 e 2065 devido ao aquecimento global; habitações de interesse social brasileiras convencionais são inadequadas para climas quentes, apresentando alta variabilidade térmica; a evolução da matriz elétrica modifica substancialmente os impactos (cenários renováveis os atenuam em até 20%, enquanto a manutenção de fontes fósseis anula ganhos de eficiência); e as soluções construtivas otimizadas reduzem, simultaneamente, consumo e impactos ambientais. A contribuição original deste estudo foi o desenvolvimento de uma metodologia inovadora de ADCV, que permite quantificar como decisões de projeto tomadas hoje e políticas energéticas futuras determinam a sustentabilidade de edificações ao longo de sua vida útil. Não há edifício sustentável em matriz elétrica insustentável, pois a eficiência energética predial deve ser acompanhada de transição energética nacional coerente. Para habitações sociais brasileiras, a escolha de soluções construtivas adequadas ao clima tropical e políticas que acelerem a renovação da matriz são complementares e interdependentes.


    LIANA SIQUEIRA DO NASCIMENTO MARREIRO TOMAZ : EDUCAÇÃO AMBIENTAL E CIDADANIA NO IFPI: as formações discursivas através de percepções, práticas e adaptações no ensino superior. Data: 30/10/2025

    O presente estudo analisa criticamente os discursos e as práticas institucionais de Educação Ambiental (EA) no Instituto Federal do Piauí (IFPI), à luz da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) e da Análise de Discurso Crítica (ADC). Em um contexto de crise socio ambiental, a pesquisa busca compreender a EA não apenas como exigência normativa, mas como eixo transversal para a formação de uma cidadania crítica e transformadora. A investigação configura-se como estudo de caso exploratório, de natureza aplicada, com abordagem quali quantitativa e delineamento de métodos mistos. Foram utilizadas revisão de literatura, análise documental (PDI e PPCs), pesquisa de campo e aplicação integrada da ADC e da Análise de Conteúdo. O objetivo geral foi desvelar tensões, contradições e potenciais de reorientação crítica da EA no IFPI. Especificamente, buscou-se articular a ADC à compreensão da EA e da cidadania ambiental frente às tensões entre sustentabilidade e lógicas neoliberais; analisar a representação da EA nos documentos institucionais em confronto com a PNEA; interpretar as percepções de diretores, docentes e discentes, considerando o silêncio como gesto discursivo; e propor diretrizes para a consolidação de uma EA crítica e transformadora. Os resultados revelam um campo marcado por tensão discursiva. De um lado, documentos institucionais valorizam formalmente a EA; de outro, práticas fragmentadas e insuficientes comprometem sua efetivação. Os Diretores de Ensino reconhecem avanços, mas apontam lacunas de clareza e avaliação das políticas. Já os docentes demonstram disposição para integrar a temática, embora indiquem carências formativas, ausência de capacitação e limitações estruturais. E os discentes associam cidadania ambiental à prática profissional e à sustentabilidade coletiva, mas percebem superficialidade curricular e invisibilidade das ações institucionais. O silêncio e o não-posicionamento emergem como gestos discursivos reveladores dessas lacunas. Conclui-se que a consolidação da EA no IFPI enfrenta barreiras curriculares, estruturais e discursivas, mas também apresenta potencialidades latentes. Assim, o estudo oferece diagnóstico crítico que subsidia debates e orienta políticas, contribuindo para o fortalecimento da cidadania ambiental e para práticas educativas transformadoras no ensino superior.


    DEISY NAYANNY DE BRITO SILVA OLIVEIRA Espaços Livres e sua contribuição para a qualidade de vida no espaço urbano: Estudo em Teresina, Piauí. Data: 10/07/2025

    Os espaços livres públicos urbanos são essenciais para a obtenção da qualidade de vida humana e sustentabilidade da cidade, proporcionando, além de espaços de convivência e de lazer, áreas com vegetação, que contribuem para a redução de temperatura e para a drenagem urbana, sendo contribuindo para o equilíbrio urbano. Assim, representam espaços geossistêmicos que caracterizam e qualificam a cidade, devido às suas funções sociais, ambientais e culturais, mas que precisam estar distribuídos de forma equitativa na cidade, além de acompanhar o processo de crescimento urbano. Embora a cidade de Teresina apresente quantidade significativa de espaços livres públicos de lazer e recreação, como parques e praças, observa-se que, muitos bairros não têm espaços livres. Percebe-se, ainda, que a quantidade existente, muitas vezes, é insuficiente em relação à população, resultando em distribuição desigual. Ressalta-se, então, a necessidade de estudos para compreender como se encontra a relação entre o número de habitantes e a quantidade e qualidade dos espaços livres públicos. Desta forma, o objetivo geral foi analisar a contribuição de praças, parques e áreas vegetadas para a melhoria ambiental e social urbana, na cidade de Teresina, Piauí, com foco na sustentabilidade urbana. Como metodologia, foi realizada pesquisa bibliográfica e documental, abordando periódicos científicos, livros, teses e dissertações, além de coleta de dados e imagens de satélite, em órgãos e instituições de pesquisa, em instituições governamentais municipais e estaduais. Também, foram coletados dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e imagens de satélite do Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (INPE) e do MapBiomas, que foram analisados e processados, utilizando-se o programa livre, software QGis 3.36.2. Foi observado que, a distribuição espacial das praças e parques em Teresina ocorre de modo irregular entre as diversas regiões da cidade. Embora, tenha sido identificada a existência de políticas públicas e legislações urbanas, que apontam para a necessidade de promover equidade, acessibilidade, sustentabilidade e resiliência urbana, constatou-se que sua efetivação prática ainda é marcada por desigualdades socioespaciais históricas. Foi encontrada distribuição desigual de espaços livres públicos entre as zonas administrativas, com maior concentração no Centro, onde foi mantido certa estrutura desses espaços, devido ao seu planejamento original. Nas demais zonas, as deficiências são marcantes, principalmente nas regiões mais periféricas, em que as distribuições de praças e parques demonstram concentração em bairros mais antigos ou má distribuição, o que aprofunda desigualdades de acesso e limita a função social e ambiental desses espaços. Esse cenário reforça a importância de repensar a lógica de crescimento urbano e da criação de mais espaços livres públicos, como praças e parques, visando garantir o acesso da população a serviços ecossistêmicos, lazer e convívio social, além de contribuir para a redução de mudanças climáticas, como as ilhas de calor nas cidades. Do ponto de vista ambiental, os parques têm se mostrado elementos estratégicos na mitigação dos efeitos das ilhas de calor urbanas, sobretudo quando dotados de vegetação densa, corpos d’água e inserção em áreas ecologicamente sensíveis, como as margens dos rios Poti e Parnaíba. Ressalta-se que, os espaços livres públicos em Teresina carecem, ainda, de reconhecimento efetivo, enquanto elementos estruturantes da cidade. Acredita-se que, a superação das desigualdades socioambientais observadas depende, diretamente, da articulação entre planejamento urbano integrado, gestão democrática e compromisso político com a justiça espacial e climática. voltados para a construção de uma cidade mais justa, resiliente e sustentável.


    HANA ROSA BORGES DE OLIVEIRA Avaliação socioeconômica e ecológica das tecnologias na produção de arroz (oryza sativa) no Assentamento Canto da Cruz-município de Buriti dos Lopes, Piauí Data: 30/06/2025

    Os recursos hídricos em torno do assentamento e a utilização de maquinários agrícolas favorecem o desenvolvimento da orizicultura pelos agricultores familiares. Desse modo justificou-se o estudo de caso sobre a importância de avaliar os efeitos (positivos e negativos) quanto ao uso de tecnologia no sistema de produção do arroz, a fim de propor alternativas viáveis para melhor gerir o processo produtivo do cereal. Então questiona-se: como o uso de tecnologias tem impactado socioeconomicamente e ambientalmente o sistema de produção do arroz (Oryza Sativa) no assentamento Canto da Cruz no município de Buriti dos Lopes? Como hipótese: a introdução de máquinas no processo produtivo do arroz tem favorecido o aumento produtivo, renda, condições de trabalho e redução de água, energia e agrotóxicos. O objetivo geral é avaliar os impactos socioeconômicos e ecológicos do uso de tecnologia na produção de arroz (Oryza sativa) na propriedade familiar rural no assentamento Canto da Cruz. De modo especifico, i) descrever o histórico e características do assentamento Canto da Cruz ii) caracterizar os aspectos econômicos: produção, comercialização, consumo e renda; iii) verificar os efeitos ecológicos e socioeconômicos do uso de tecnologias na produção do arroz no assentamento. Trata-se de um estudo de caso, que se basearam em: pesquisa documental (levantamento da bibliografia conforme a temática e análises dos processos de criação e desapropriação do assentamento fornecido pelo INCRA). A pesquisa de campo, foi realizada através de visitas técnicas, entrevistas e aplicação de formulários semiestruturados com 58 chefes de famílias. Dentre as ferramentas de análise Software Ambitec Agro®, foi utilizado como ferramenta de avaliação dos dados socioeconômico e ambiental e o Microsoft Access para dados econômicos da produção do arroz. O assentamento Canto da Cruz cuja desapropriação do imóvel foi aprovada em 28 de setembro de 2005, a pedido do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, trata de atender a interesses sociais, no qual famílias desassistidas não possuíam qualquer política pública, e viviam em situação de extrema pobreza. A pesquisa apontou os impactos socioeconômicos e ecológicos nos critérios e seus efeitos positivos e negativos do uso de tecnologia adotada diante do desempenho da atividade agrícola. Os negativos: mudança do uso indireto da terra; consumo de água, consumo de insumos agrícolas; consumo de energia; geração própria, aproveitamento reuso e autonomia; emissão atmosférica, qualidade do solo; qualidade da água, conservação da biodiversidade; capital social; capacitação, qualificação e oferta de trabalho, valor da propriedade, segurança e saúde ocupacional, gestão de insumos químicos. Os efeitos positivos: mudança do uso direto da terra, qualidade do produto, qualidade do emprego e ocupação, oportunidade emancipação e recompensa equitativa, geração de renda, segurança alimentar, dedicação e perfil do responsável, condição e comercialização, disposição de resíduos, relacionamento institucional. O assentamento destacou-se por ser uma comunidade rural familiar com gestão agrícola organizada, tomam a orizicultura, um negócio coletivo próspero, pois todos associados são responsáveis ativamente de todo processo produtivo do arroz. Concluiu-se que a falta de investimentos, programas e projetos que vise transferências de tecnologias para os agricultores familiares, poderá ocasionar uma defasagem ou uma queda de produtividade futura, aumentando os custos da produção. Em relação ao meio ambiente a pesquisa mostrou que não houve redução da quantidade de agrotóxico, água e energia e poucas foram as ações voltadas para preservação dos recursos naturais.


    CARLOS HENRIQUE PEREIRA LEITE Desafios e Potencialidades da Transição Energética no Piauí: Um Olhar para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 Data: 04/06/2025

    O Estado do Piauí, com seu vasto potencial em energias renováveis, apresenta-se como um
    protagonista na transição energética brasileira. No entanto, a efetiva implementação do
    Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 7, que visa garantir o acesso à energia limpa
    e acessível para todos, ainda enfrenta desafios. Este estudo analisa os avanços e obstáculos na
    implementação das metas do ODS 7 no Piauí entre 2016 e 2023, com foco nas políticas
    públicas, cooperação internacional e infraestrutura, a fim de contribuir para a formulação de
    estratégias mais eficazes para a transição energética no estado. O tema se justifica pela
    urgência estratégica de mudança da matriz energética mundial para a descarbonização da
    economia e a necessidade de cumprimento das diretrizes do tratado multilateral do Acordo de
    Paris. A contribuição desta tese resulta, assim, em fornecer um diagnóstico específico sobre a
    execução, até o ano de 2023, das metas do ODS 7 pelo Estado do Piauí, bem como sugerir
    alternativas e recomendações para a implementação integral do tema abordado. Partiu-se,
    então, para a revisão da literatura especializada e coleta de documentos e informações sobre
    as matrizes energética e elétrica, no âmbito mundial, no Brasil, na Região Nordeste e no
    Estado do Piauí. Posteriormente, realizou-se o levantamento dos instrumentos estaduais de
    gestão durante o período compreendido entre o início da Agenda 2030 até o ano pretérito
    (2016/2023), bem como a execução das políticas públicas específicas referentes à temática.
    Os resultados parciais apontam para o cumprimento ainda fragmentado das metas específicas
    do ODS 7 pelo Estado do Piauí, destacando-se positivamente a cooperação internacional e a
    expansão da infraestrutura local, mas com potencialidade para a consecução da integralidade
    dos propósitos.


    JÉSSICA CRISTINA OLIVEIRA FROTA ESTOQUE DE CARBONO NOS SOLOS E NA VEGETAÇÃO DE MANGUE NA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) DELTA DO PARNAÍBA Data: 30/05/2025

    Os ecossistemas costeiros em especial as áreas de mangue, são considerados ambientes com grande potencial para estocagem de carbono, os conhecidos blue carbon. Com o aumento dos níveis de carbono na atmosfera, tornou-se necessário compreender a capacidade desses ecossistemas em armazenar esse carbono. Diante disso, este trabalho teve como objetivo geral mapear os estoques de carbono presente nos solos e na biomassa vegetal dos manguezais da Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba (APA DPHB) e como objetivos específicos: Realizar um levantamento fitossociológico das espécies vegetais existentes no ecossistema de mangue da APA DPHB; Estimar o estoque de carbono existente na biomassa vegetal acima do solo (AGB) das áreas de vegetação de mangue presentes na  APA DPHB; Estimar o estoque de carbono orgânico presente no solo através de dados obtidos em campo e mapear o estoque de carbono existente na biomassa vegetal e no solo a partir de dados do sensoriamento remoto associados ao uso de Machine Learning. Para isso, foram instaladas 27 parcelas de 200 m², onde através da sua delimitação foi possível coletar dados de altura e circunferência a altura do peito de cada indivíduo, considerando indivíduos mortos e vivos. A identificação da diversidade das espécies de mangue, foi realizada através do estudo fitossociológico, por meio da identificação do índice de diversidade de Shannon (H’), índice de Simpson (S’) e Equabilidade de Pielou (J). Para o cálculo da biomassa foram utilizadas equações alométricas e sua distribuição espacial foi mapeada por sensoriamento remoto, utilizando as bandas espectrais e índices de vegetação derivados de imagens dos satélites Landsat 8-9/OLI e Sentinel-2/MSI e o uso de aprendizado de máquina (AM), onde foram testados vários modelos de predição (Random forest, Xgboost, Regressão Linear Múltipla, Cubist, Earth e Support vector machine (Linear, Radial e Polinomial)). A estimativa dos estoques totais de carbono orgânico no solo (EstCOT) foi realizada através de metodologia similar à da biomassa vegetal (AGB) e levando em consideração que as amostras de solos foram coletadas nos intervalos de 0-10, 10-20, 20-30,30-50 e 50-10 cm, determinadas as concentrações de carbono através de análises, para em seguida ser calculados os EstCOT e estimados através de modelos. Com isso, para a área de estudo, foram inventariados 649 indivíduos, onde 629 são pertencentes a 5 espécies de mangue: Rhizophora mangle L.; Laguncularia racemosa (L.); Conocarpus erectus L., Avicennia germinans e Avicennia schaueriana. Os demais indivíduos são representativos de outras espécies de áreas de transição: Indigofera sp; Mauritia flexuosa L., Euterpe oleracea Mart. e Genipa americana L. totalizando 23 indivíduos, sendo a espécie R. mangle a que apresentou o maior valor de importância e valor de cobertura, maior dominância, densidade, frequência e maior número de indivíduos, seguida das espécies do gênero Avicennia spp. O maior número de indivíduos foi registrado nas primeiras classes de diâmetro (2,86 – 14,86 cm), o índice de Shannon (H’) foi de 1,27 nats.ind-1, a equabilidade de Pielou foi 0,61 e o índice de Simpson foi de 0,62. Esses valores indicaram uma baixa diversidade, porém uma certa dominância da espécie R. mangle. Essa espécie também obteve a maior quantificação de biomassa vegetal apresentando 790 Mg ha-¹ e o modelo que melhor ajustou a predição aos dados de AGB foi o XGB nos dois sensores (MSI e OLI), porém o período seco foi o que apresentou melhor ajuste, com R²= 0.93, RMSE = 66.74 Mg ha-1 e MAE de 49.42 Mg ha-1. Os EstCOT encontrados na APA variaram de 70,9Mg ha-¹ a 502,90 Mg ha-1. O modelo XGB também apresentou o melhor desempenho geral nos dois sensores (MSI e OLI) com o menor RMSE (36.45 Mg ha-1 e 36.61 Mg ha-1, respectivamente), o menor MAE (27 Mg ha-1 e 29,57 Mg ha -1) e um R² consistente de 0,88, o que nos leva a acreditar que seu uso depende da escala final que se deseja. O modelo RF também teve um ajuste considerado elevado pela literatura. Dessa forma, observou-se que os dados encontrados para a estimativa da biomassa e os estoques de carbono no solo da APA DPHB são relevantes e importantes para compreender melhor o ciclo global do carbono, a sustentabilidade dos ecossistemas de mangue, bem como disseminar o uso de ferramentas que auxiliam de forma efetiva na estimativa, podendo contribuir com uma ação contra a mudança global do clima, conforme o ODS 13 proposto na Agenda 2030. Além disso, o levantamento do sequestro de carbono nos mangues do Delta do Parnaíba é importante para o planejamento local e para o desenvolvimento de trabalhos nesta área, tendo em vista a limitação de literatura relacionadas a essa temática, pois o estudo dos estoques de carbono nos solos e vegetações de ambientes litorâneos do Brasil ainda são escassos.


    FRANCISCO ANTONIO GONÇALVES DE CARVALHO Acesso, gestão e distribuição de água em regiões semiáridas: estudo no Vale do Rio Guaribas, Piauí Data: 23/05/2025

    A água é um recurso indispensável para a sobrevivência humana, para o desenvolvimento econômico e para a sustentabilidade ambiental, desempenhando importante papel em atividades produtivas, como a agricultura e a indústria. No entanto, o semiárido nordestino, especialmente o Território do Vale do Rio Guaribas, localizado na região sudeste do estado do Piauí, enfrenta grandes desafios de disponibilidade hídrica. Essa situação é particularmente severa, caracterizada por períodos frequentes e prolongados de seca, impactando diretamente à agricultura, comprometem o abastecimento de água para consumo humano e intensificam as condições de vulnerabilidade socioeconômica da população local. O objetivo geral neste estudo foi analisar, de forma integrada, a vulnerabilidade socioambiental no território do Vale do Rio Guaribas, com ênfase nos impactos da restrição hídrica nas esferas social, econômica e ambiental. A metodologia incluiu revisão bibliográfica, focada nos aspectos da crise hídrica e nos desafios enfrentados na gestão de bacias hidrográficas no semiárido, para embasar e subsidiar as discussões. Foi realizado levantamento de dados secundários, sobre indicadores de escassez hídrica, como a disponibilidade de água e a utilização de práticas de gestão dos recursos hídricos, disponíveis em bases de dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Agência Nacional de Águas (ANA). Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com moradores de oito municípios do Vale do Rio Guaribas, incluindo Sussuapara, São João da Canabrava, São Luís do Piauí, Paquetá, Mosenhor Hipólito, Pio IX, Santo Antônio de Lisboa e Alagoinha, visando captar as percepções locais sobre o acesso à água e os desafios cotidianos enfrentados pela população. Para destacar as áreas mais afetadas pela escassez de água, foram utilizados arquivos vetoriais (Shapefiles) de malhas municipais e estaduais do IBGE e da ANA, processados no software QGIS (versão 3.32.3), com ferramentas de recorte e dissolução. Os mapas foram produzidos com base no Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas (SIRGAS 2000). Foi constatado que a distribuição de água na região é irregular, deixando muitas áreas sem acesso adequado a este recurso. Nos últimos anos, na região foram registrados volumes pluviométricos inferiores a 400 mm anuais, insuficientes para atender às demandas emergenciais de abastecimento. A escassez de água tem impactado diretamente a qualidade de vida da população e contribuído para a redução do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos municípios afetados. Observou-se, ainda, que grande parte do território apresenta baixa disponibilidade de recursos hídricos, com águas frequentemente impróprias para o consumo humano, devido à elevada salinidade e à contaminação do solo, o que caracteriza a região como vulnerável do ponto de vista hídrico. Como alternativa, a perfuração de poços intensificou-se entre 2020 e 2024, com aumento de 17% no número de unidades, totalizando 5.807 poços instalados, muitos sem licenciamento ambiental. Destes, cerca de 28% apresentam contaminação por sais minerais, forçando diversas famílias a buscar outras fontes de abastecimento para suprir suas necessidades básicas. Dessa forma, é essencial a implementação de ações integradas e sustentáveis, que assegurem o acesso equitativo à água de qualidade, promovendo a segurança hídrica para as comunidades do semiárido nordestino.


    ROBERTA GOMES DE ARAÚJO A FAUNA E AS PESSOAS SURDAS DO MEIO NORTE DO BRASIL Data: 30/04/2025

    : Estima-se que há aproximadamente 1 bilhão de pessoas com algum tipo de deficiência no mundo. No Piauí, cerca de 10,8% dos habitantes enfrentam algum tipo de limitação funcional. O território piauiense tem um elevado número de espécies animais devido à variedade vegetacional. No entanto, ainda é reduzido o número de pesquisas que envolvam pessoas com deficiência (PcD) na etnobiologia e ciências ambientais. Nesse sentido, a pesquisa destaca a necessidade de uma abordagem mais inclusiva e adaptada que considere as especificidades linguísticas e culturais das PcD, especialmente das pessoas surdas, em relação à interação com a fauna. Considerando esse panorama, o trabalho tem como objetivo compreender como ocorre a inclusão de pessoas com deficiência em pesquisas dos campos etnobiológicos e ambientais, explorando especificamente o conhecimento que pessoas surdas têm sobre a fauna. Sendo assim, realizamos uma revisão sistemática no primeiro capítulo onde mapeamos a distribuição geográfica e os temas de pesquisa envolvendo PcD. No segundo capítulo, buscamos identificar como as variáveis socioeconômicas influenciam no conhecimento faunístico das pessoas surdas, meios de aquisição e sentimentos associados. Os dados foram obtidos no período de abril a outubro de 2023 e analisados através de síntese temática e análise estatística. Identificamos que, os temas mais frequentes nas pesquisas investigadas foram ensino de ciências e biologia, seguido de educação ambiental, tendo com frequência o uso do modelo social da deficiência. Dentre as origens dos saberes relacionados aos animais, identificamos a tradição como fonte principal, seguido da mídia. No tocante aos sentimentos, observamos que as pessoas surdas tendem a ter mais sentimentos positivos pelos animais domésticos. Por fim, percebemos as lacunas existentes nas pesquisas que envolvem a etnobiologia, temáticas ambientais e PcD, além de nos apontar a necessidade de construção de material didático sobre a fauna adaptado para o ensino de pessoas surdas. 


    FABRÍCIO HIGO MONTURIL DE MORAIS Uso de sistemas de bombeamento fotovoltaico como tecnologia social em regiões semiáridas: Estudo em áreas rurais do Piauí Data: 25/04/2025

    Nas últimas décadas tem-se percebido mudanças no sistema climático da Terra, trazendo como efeito principal o surgimento de eventos extremos, como secas severas que podem levar ao processo de desertificação e à degradação dos ecossistemas. Uma das regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas é o Semiárido Brasileiro, onde tem-se verificado o aumento de estiagens e secas, trazendo insegurança hídrica, alimentar e energética para a sua população. O semiárido brasileiro é uma das regiões semiáridas mais populosas do mundo, tendo como principal ocupação a agropecuária, desenvolvida por meio da agricultura familiar e da criação de bovinos, caprinos e ovinos. Estas atividades geralmente apresentam baixo grau tecnológico e são fortemente dependentes da disponibilidade dos recursos naturais, principalmente a chuva. Outra característica marcante do semiárido brasileiro é a exclusão energética, verificada pelo baixo índice de eletrificação rural, devido às dificuldades de implantação de rede elétrica de distribuição. A falta de acesso à energia elétrica de qualidade vem prejudicando a qualidade de vida dos habitantes e atrasando o desenvolvimento agropecuário. Como forma de assegurar o progresso tecnológico, social e econômico por meio da gestão integrada e sustentável dos recursos naturais, foram propostos, a nível mundial, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Por outro lado, ações que busquem garantir a segurança hídrica, energética e alimentar, tendo em vista os desafios interpostos, como a degradação dos ecossistemas, demanda crescente, mudanças climáticas, urbanização e globalização, são expressos por meio do termo “nexo água-energia-alimentos”. Assim, destaca-se a importância de estudos sobre do uso de tecnologias que possam auxiliar na convivência com o semiárido para o acesso à água e para outras atividades, inerentes ao bemestar do ser humano. Essas tecnologias, conhecidas como tecnologias sociais, consistem em alternativas para as demandas dos indivíduos e comunidades em estado de vulnerabilidade econômica, política, jurídica e social. As recentes preocupações ambientais e de desenvolvimento sustentável renovaram o interesse no uso de bombeamento de água movido à energia solar em todo o mundo. Esta tecnologia demonstra potencial para o abastecimento de água em comunidades rurais sem acesso à energia elétrica. A região Nordeste dispõe de condições favoráveis para o uso da energia solar principalmente, nas áreas rurais, pelos elevados índices de irradiação solar. Associado a isso, verifica-se no semiárido, grande quantidade de aquíferos subterrâneos, com águas de ótima qualidade para consumo humano e outras finalidades. Dessa forma, a utilização da energia fotovoltaica poderia ser uma alternativa interessante, em termos de segurança energética, para a retirada de água dos aquíferos existentes na região. Assim, pretende-se analisar o uso da energia solar fotovoltaica enquanto tecnologia social, considerando seus impactos socioeconômicos em comunidades rurais piauienses de clima semiárido.


    JANETE BARROS DA SILVA Diversidade de macrofungos e valorização do conhecimento etnomicológico dos povos originários Guajajara do Maranhão Data: 14/03/2025

    Etnomicologia, ramo das Etnociências que pesquisa a relação dos seres humanos com os fungos, é uma ciência recente. A pesquisa etnomicológica permite uma melhor compreensão do uso de macrofungos por grupos étnicos e fornece uma imagemA pesquisa etnomicológica permite uma melhor compreensão do uso de macrofungos por grupos étnicos e fornece uma imagem mais clara da cosmovisão que as pessoas têm sobre a ecologia, uso, classificação e conservação dos macrofungos. Objetivou-se com o estudo investigar e sistematizar o conhecimento tradicional dos povos originários Guajajara sobre os macrofungos, destacando sua diversidade e percepção, apresentando revisão sistemática do tema, importância ecológica e usos tradicionais, a fim de desenvolver uma cartilha educativa que promova a conservação destes organismos nas aldeias indígenas. A pesquisa se delineou nos seguintes questionamentos: Como os fungos são percebidos no ambiente e como é transmitido o conhecimento etnomicológico entre as gerações? Há usos das espécies e como resgatar esse conhecimento para conservá-las? Duas Hipóteses foram elencadas : Os Guajajara conhecem e fazem uso dos macrofungos encontrados no ambiente e que eles transferem o conhecimento etnomicológico ao longo das gerações. As Aldeias Pé de Galinha e Três Irmãos da em Barra do Corda/MA, foram escolhidas para a realização do estudo. Como aportes metodológicos, foi utilizado na análise qualitativa, as técnicas do rapport, turnês-guiada, caderno de campo, checklist-entrevista e entrevista semiestruturada. O valor de uso, índice de diversidade de Shannon-Weiner, índice de Sørensen e Método Prisma, foram utilizados para análise quantitativa. O material coletado foi incorporado ao Herbário Graziela Barroso (TEPB) da UFPI. O Universo amostral contou com 96 indígenas, entre jovens, adultos e idosos. Os resultados revelaram que os Guajajara reconhecem e já fizeram uso de pelo menos seis espécies das documentadas. Concordaram que Auricularia tremellosa (Fr.) Pat. foi usada na alimentação dos antepassados. Na ludicidade: Calvatia rugosa (Berk. & M.A. Curtis) D.A. Reid, Geastrum hariotii Lloyd. e G. javanicum Lev. e ocasionalmente para fins medicinais citaram o Pycnoporus sanguineus (L.) Murrill e Lentinus crinitus (L.) Fr. O Valor de Uso não foi tão expressivo. A transmissão vertical foi a responsável pela dinâmica do conhecimento sobre os macrofungos. Embora o interesse pela Etnomicologia tenha avançado nos últimos anos, poucos estudos (6,6%) foram conduzidos com povos indígenas do Brasil, recuperando 15 trabalhos sobre a temática entre 2014 a 2024. As comunidades urbanas (27%) e rurais (67%) tiveram maior representatividade que as indígenas (6%). A região Nordeste foi a que obteve maior destaque nas publicações (46%). Documentou-se 42 espécies dos filos Basidiomycota e Ascomycota. A família Polyporaceae foi a melhor representada, com nove espécies catalogadas. A maioria das espécies é sapróbia (65%). O índice de Sørensen revelou alta similaridade entre as aldeias (0,41) e maior diversidade de Shannon encontrada na Aldeia Três Irmãos. Para os Guajajara, a estação chuvosa (88%) é o período que os macrofungos mais aparecem, e crescem em sua maioria nos troncos das arvores (51%). Dado o exposto, podemos assegurar que essas aldeias não possuem total aversão aos macrofungos, sendo consideradas parcialmente micofílicas. Mais estudos são necessários para a divulgação da Etnomicologia entre os povos originários, com vistas a minimizar as lacunas sobre a biodiversidade e conservação fúngica, sobretudo para o estado do Maranhão.


    HELDER ARAUJO DE CARVALHO SUSTENTABILIDADE, GESTÃO E IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS DOS RESÍDUOS VEGETAIS NAS FEIRAS LIVRES DA SERRA DA IBIAPABA: Um Estudo sob a Ótica da Política Nacional de Resíduos Sólidos Data: 14/03/2025

    A atividade agrícola no Brasil é fundamental na oferta de alimentos para a população local
    e global. Entretanto, o crescimento do setor agrícola levanta preocupações sobre os impactos
    socioambientais e a necessidade de práticas sustentáveis, como as feiras livres. Ao passo em que
    comercializam produtos perecíveis, elas contrariam a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS),
    que incentiva a redução, reutilização, reciclagem e valoração dos resíduos. Este estudo contemplou
    os municípios de Ubajara, Viçosa do Ceará e Tianguá, situados na região da Serra da Ibiapaba, estado
    do Ceará. A pesquisa visou analisar a sustentabilidade e os impactos socioambientais dos resíduos
    vegetais nessas feiras à luz da PNRS. Metodologicamente, foram realizadas análises de
    gerenciamento de resíduos urbanos, análise cienciométrica sobre publicações em resíduos orgânicos
    na Web of Science e coleta de dados com feirantes e consumidores. Os questionários contemplaram
    91 feirantes e 104 consumidores. O estudo incluiu observações sobre a dinâmica das feiras, focando
    na gestão dos resíduos vegetais. A inclusão dos consumidores na pesquisa deve-se ao papel que
    desempenham na conscientização ambiental e cobrança pelo gerenciamento adequado dos resíduos.
    Os resultados sinalizam pequenos avanços relacionados às metas da PNRS, como a falta de Planos
    Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) e a baixa adoção de práticas de
    aproveitamento dos resíduos. A disposição final inadequada, como lixões, aterros controlados e a
    incineração, ainda é uma realidade brasileira, mesmo após mais de uma década da implementação da
    PNRS. Entre as práticas adotadas de valoração dos resíduos, a reciclagem, a compostagem e a geração
    de energia a partir do biogás, mostraram-se promissoras, mas subutilizadas no país. Faltam dados
    atualizados no Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (SINIR) e
    alguns municípios não prestaram contas sobre a gestão de resíduos. Na literatura, os estudos sobre
    resíduos orgânicos de feiras livres ainda são escassos, embora haja um movimento entre os
    pesquisadores para explorar o impacto desse tipo de resíduo no meio ambiente e os benefícios após a
    adoção de práticas sustentáveis. Os achados das três feiras revelaram problemas relativos à gestão
    inadequada dos resíduos vegetais, falta de infraestrutura, descarte inadequado e falta de ações locais
    de reaproveitamento. Tais problemas decorrem, dentre outros, da presença de vetores que prejudicam
    a saúde humana e da qualidade do meio ambiente. Diante dessa realidade, houve a percepção
    equivocada dos feirantes quanto à inofensividade dos resíduos orgânicos e à carência de ações
    educativas voltadas principalmente para feirantes, mas também para os consumidores. Elas
    aumentariam a compreensão sobre os resíduos e estimulariam a cooperação dos feirantes em ações
    públicas voltadas ao reaproveitamento. Além disso, os impactos ambientais advindos dos resíduos
    presentes nas feiras reforçam a urgência de implementar práticas sustentáveis, como compostagem e
    geração de biogás, para reduzir os resíduos enviados a aterros e mitigar os efeitos ambientais nocivos
    ao espaço urbano. A avaliação dos impactos e a análise SWOT permitiram propor políticas públicas
    e gerenciais alinhadas à PNRS e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).


    STÊNIO LIMA RODRIGUES Integração do Custeio do Ciclo de Vida Ambiental nos Currículos de Graduação: Um Estudo na UFPI e UFMA Data: 13/03/2025

    A integração de conceitos de sustentabilidade nos cursos de graduação é necessária para enfrentar os desafios globais da contemporaneidade. A formação tradicional, segmentada em disciplinas, dificulta a preparação dos discentes para lidar de forma sistêmica com problemas ambientais. Por isso, é relevante abordar esses temas com um enfoque interdisciplinar nos currículos. Apesar do crescente interesse por assuntos como impactos ambientais e custos de serviços, produtos ou processos sob a perspectiva do ciclo de vida, os currículos ainda não proporcionam a formação necessária para preparar adequadamente os alunos. Assim, a abordagem de ferramentas como o Custeio do Ciclo de Vida Ambiental (CCV-A) nos cursos de graduação enfrenta desafios devido à sua natureza interdisciplinar. Integrar esse tema na formação dos discentes contribui para a promoção de uma educação de qualidade, capacitando-os para um consumo e produção mais conscientes. Este estudo, realizado nos cursos de Administração, Ciências Contábeis, Economia e Engenharia de Produção, analisa a abordagem do CCV-A, investigando estratégias de ensino e a efetividade na aprendizagem dos alunos. Os cursos foram selecionados por apresentarem maior aderência aos conteúdos do CCV-A. Foram analisadas as matrizes curriculares dos cursos de graduação da Universidade Federal do Piauí e da Universidade Federal do Maranhão, para identificar disciplinas que abordavam conteúdos relacionados à ferramenta. A pesquisa, que combinou métodos bibliográfico, documental e de campo, envolveu a análise de 133 artigos sobre o CCV-A, a análise de Projetos Pedagógicos Curriculares (PPCs) e Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), aplicação de questionários com 37 docentes e coordenadores, entrevistas com 195 estudantes e a realização de um Painel Delphi com 35 especialistas internacionais. Os resultados indicaram o potencial para a integração do CCV-A nos currículos, com conteúdos como custos, impactos ambientais e indicadores econômicos se conectando com as competências previstas nas DCNs e PPCs. Foram identificadas abordagens para o CCV-A, como o ensino transversal, a criação de disciplinas específicas, cursos de extensão, eventos e projetos extracurriculares. Um framework foi proposto e validado para auxiliar professores na integração transversal do CCV-A, articulando dimensões, eixos temáticos, conteúdos, disciplinas e diretrizes específicas. A análise da compreensão dos alunos revelou que a maioria deles conhecem os conteúdos dos CCV-A, mas apresenta dificuldades em aplicá-lo na prática, o que demonstra a necessidade de desenvolver habilidades específicas para o uso da ferramenta. Com base nos resultados, foi proposto um quadro orientativo para a aprendizagem do CCV-A, utilizando a Taxonomia de Bloom para definir níveis de competência, objetivos de aprendizagem e programas de ensino. Com o Painel realizado com especialistas foi possível validar 45 insights úteis para auxiliar docentes na abordagem do CCV-A em sala de aula. Em síntese, a pesquisa desenvolvida facilitou a compreensão e o planejamento da abordagem do CCV-A em IES. Os resultados forneceram subsídios para as instituições de ensino e professores, abordarem o tema nos cursos de graduações, contribuindo para o avanço da sustentabilidade econômica e ambiental na formação acadêmica.


    LETÍCIA SOUSA DOS SANTOS Angiospermas do Piauí, Brasil: riqueza, distribuição e conservação, Data: 12/03/2025

    Apesar de sua riqueza florística, o estado do Piauí apresenta lacunas no conhecimento sobre sua flora, o que dificulta a identificação de táxons nativos, endêmicos e ameaçados de extinção, dados essenciais para traçar estratégias de conservação e uso sustentável. Com esta tese, o nosso objetivo foi investigar a riqueza, distribuição e perspectivas de conservação de angiospermas no Piauí. A pesquisa foi baseada principalmente na compilação de informações florísticas e fitogeográficas a partir de levantamentos bibliográficos e consultas a repositórios públicos. Adicionalmente, coletamos informações etnobotânicas junto a 120 moradores da comunidade rural Goiabeira, em Passagem Franca do Piauí. As análises incluíram listas florísticas, métodos estatísticos descritivos e inferenciais, elaboração de mapas temáticos, como coropléticos, de grade quadricular e de modelagem de distribuição de espécies. Na literatura sobre a flora do Piauí, identificamos 541 publicações (382 artigos, 104 capítulos de livros, 25 dissertações e 30 teses), destacando-se a Etnobotânica como área mais explorada. Essa produção científica distribuiu-se em 150 dos 224 municípios, sendo significativamente influenciada pela presença de instituições de ensino/pesquisa e áreas protegidas. Os resultados revelaram a presença de 3.407 espécies de angiospermas no Piauí, distribuídas em 1.094 gêneros e 176 famílias, incluindo 3.000 nativas, 1.054 espécies endêmicas do Brasil e 64 ameaçadas de extinção. Nas Unidades de Conservação, foram registradas 1.521 espécies, com 443 endêmicas e 16 ameaçadas, concentrando-se nas proximidades de áreas prioritárias de conservação nos domínios da Caatinga e do Cerrado. A modelagem de Callindra ulei Harms (Fabaceae) demostrou a presença de habitas extremamente adequadas em ambos os domínios fitogeográficos sob as condições climáticas atuais. As projeções futuras indicam, entretanto, uma redução de 75,30% a 84,20% desses habitats até 2100. As informações etnobotânicas revelaram que 70 espécies de plantas são consideradas prioritárias pela comunidade Goiabeira, com a seleção sendo significativamente associada à sua utilidade, especialmente para alimentação, medicina e construção. A partir do exposto, contribuímos com avanços no conhecimento da flora de angiospermas do Piauí, direcionando pesquisas e excursões botânicas para regiões pouco exploradas.  Com a integração de diferentes abordagens, preenchemos lacunas científicas e destacamos a importância de estratégias de conservação que considerem as mudanças climáticas, o conhecimento local e o contexto socioambiental em ações de proteção da biodiversidade.


    AIANNA RIOS MAGALHÃES VÉRAS E SILVA Gestão de resíduos sólidos de serviços de saúde: processos e estratégias com a pandemia de COVID-19 Data: 11/03/2025

    O coronavírus (Sars-Cov-2) surgiu na China, em dezembro de 2019, sendo que suas primeiras evidências causaram doença respiratória em humanos (COVID-19) e, devido a sua alta taxa de transmissibilidade, disseminou-se, rapidamente, para os demais países, tornando-se uma pandemia, o que exigiu mudanças em toda a sociedade, principalmente no contexto hospitalar. Diante dessa situação, os cuidados com os resíduos, sobretudo, de ambientes hospitalares, tornaram-se mais rigorosos, fazendo com que os países focassem na busca por protocolos mais seguros de gestão e manejo dos resíduos sólidos de serviços de saúde (RSS), uma vez que uma das possíveis formas de transmissão da COVID-19 ocorre por meio dos resíduos sólidos infectados, tendo os RSS, em especial, uma elevada carga de agentes infecciosos. Diante dessa problemática, este estudo objetiva analisar os processos e estratégias utilizadas no gerenciamento dos RSS em dois hospitais de rede pública em Teresina-PI (um municipal e o outro estadual), no contexto da pandemia de COVID-19, por meio de uma pesquisa bibliográfica, seguida de uma investigação e análise dos protocolos para o gerenciamento dos RSS, anteriormente e durante a pandemia de COVID-19 nos locais estudados. Além disso, realizaram-se entrevistas e aplicaram-se questionários, junto aos responsáveis diretos por esse gerenciamento, além de efetuarem-se levantamento dos tipos e volume de resíduos sólidos gerados, buscando revelar os impactos e mudanças em cenários de crise sanitária nesses locais. Com a revisão sistemática pôde-se verificar que a pandemia alterou a quantidade dos RSS, impactando nos âmbitos social, ambiental e econômico e que estudos atuais visaram à mitigação desses impactos com a busca de soluções “verdes”, além de mudanças e/ou adaptações nas políticas de gestão dos RSS, enfatizando a importância de diretrizes que visem à conscientização pública sobre os riscos desses resíduos. Os resultados indicam que os hospitais enfrentam deficiências estruturais que comprometem a eficácia na gestão de resíduos. Ademais, observa-se uma gestão insuficiente, caracterizada por falhas em áreas como capacitação de pessoal, monitoramento e supervisão das empresas terceirizadas, entre outros aspectos críticos. Ambos os hospitais ampliaram o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e atualizaram seus Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Saúde (PGRSS), mas as práticas reais frequentemente divergem dos procedimentos documentados. A pesquisa revelou também uma significativa deficiência na formação contínua dos funcionários sobre o manejo de resíduos, evidenciando a necessidade urgente de programas de treinamento robustos para garantir a eficácia e a segurança das práticas de gerenciamento de resíduos. Por fim, ressalta-se que a eficácia na gestão de RSS em hospitais públicos depende de uma abordagem integrada que envolve treinamento contínuo, melhoria da infraestrutura, sistemas de monitoramento específicos e flexibilidade operacional. Essas ações, se adotadas de forma coesa, poderão proporcionar um ambiente mais seguro para os trabalhadores da saúde, minimizar os impactos ambientais e garantir a conformidade regulatória em todos os níveis de operação.


    VICENTE DE PAULA SOUSA JUNIOR A Caatinga em transformação: As mudanças no uso da terra, biomassa e economia causados pela mundialização do capital no Complexo de Campo Maior Data: 25/02/2025

    Este estudo investiga os impactos socioeconômicos, ambientais e territoriais da expansão agrícola e energética no Complexo Campo Maior (CMC), no Piauí, analisando como o capital globalizado transforma os territórios e redefine as dinâmicas locais. Utilizando uma abordagem metodológica interdisciplinar, o estudo combina o mapeamento de uso e cobertura da terra por meio de imagens de satélite Landsat processadas na plataforma Google Earth Engine, a estimativa de biomassa acima do solo (AGB) com base em índices de vegetação e modelagem estatística, e a análise de dados socioeconômicos e fundiários extraídos de fontes como IBGE, MapBiomas, Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF) e Cadastro Ambiental Rural (CAR). É contextualizada em diferentes recortes do período posterior à crise econômica global de 2008, que intensificou a inserção do Brasil nos fluxos de capital internacional, promovendo a expansão de monoculturas de commodities, como a soja, e o avanço de grandes empreendimentos de energia solar fotovoltaica, ambos sustentados por investimentos estrangeiros e por políticas que incentivam o uso intensivo de terras no bioma Caatinga. Os resultados revelam que a expansão agrícola tem sido marcada pelo aumento expressivo da área cultivada com grãos, especialmente soja, consolidando a fronteira agrícola no CMC e promovendo transformações significativas no uso da terra, muitas vezes em detrimento da vegetação nativa. A perda de cobertura vegetal compromete a biodiversidade local, afeta o habitat de diversas espécies e altera o ciclo do carbono, agravando os impactos das mudanças climáticas. Paralelamente, o crescimento do setor de energia solar, com a instalação de grandes usinas fotovoltaicas, também demanda extensas áreas, intensificando as pressões sobre o território. Esses processos estão associados à concentração fundiária, com indícios de irregularidades na apropriação de terras e no avanço de atividades econômicas sobre áreas de vegetação nativa da Caatinga, aumentando desigualdades socioeconômicas e conflitos fundiários. Apesar de contribuir para o crescimento econômico regional, a expansão desordenada desses empreendimentos revela uma ausência de planejamento integrado e políticas públicas capazes de equilibrar os interesses econômicos com a preservação ambiental e os benefícios sociais. Conclui-se que as transformações territoriais no CMC, impulsionadas pela mundialização do capital, têm gerado vulnerabilidades socioambientais e econômicas, ameaçando a sustentabilidade do bioma Caatinga. Nesse contexto, destaca-se a necessidade de políticas que promovam o desenvolvimento sustentável, conciliando a transição energética e o avanço agrícola com a proteção da biodiversidade, a justiça fundiária e a garantia de condições de vida dignas para as populações locais.


    OSIEL CÉSAR DA TRINDADE JÚNIOR Etnobiologia Evolutiva de plantas alimentícias tradicionais em comunidades rurais do cerrado maranhense, Brasil Data: 14/02/2025

    A Etnobiologia associa conceitos da evolução cultural humana a fim de conhecer a dinâmica das tradições locais, ao incorporar dimensões culturais, cognitivas e ecológicas. A Etnobotânica incorpora dessas bases conceituais para compreender como o saber relacionado a Plantas Alimentícias Tradicionais (PATs) é transmitido e evolui culturalmente. Objetivou-se compreender a relação entre a Etnobiologia Evolutiva (EE) e as PATs nas comunidades rurais Barra do Saco, Saco e Associação Fomento no município de Codó, Maranhão. A pesquisa é de natureza qualiquatitativa, por meio de pesquisas bibliográficas, levantamentos de dados socioeconômicos e etnobotânicos, aplicação de formulários semiestruturados, observação participante, turnês-guiadas, lista livre e conversas informais com 117 agricultores rurais, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos. Foram citadas 92 etnoespécies de PATs, pertencentes a 49 famílias e 80 gêneros, sendo 49 nativas e 43 exóticas. As famílias com maior número de espécies foram: Solanaceae (7%), Cucurbitaceae (6,5%), Arecaceae e Malvaceae (5,4%) e Fabaceae (4,35%). Dentre as PATs mais citadas pelos agricultores tem-se: vinagreira (Hibiscus sabdariffa L.), vinagreira-roxa (Hibiscus acetosella Welw. ex Hiern), coentrão-caboclo (Eryngium foetidum L.), major-gomes (Talinum paniculatum (Jacq.) Gaertn.), açaí (Euterpe oleracea Mart.) e cupuaçu (Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng.) K. Schum.). Os frutos (46%) e as folhas (32%) são os mais consumidos in natura, em sucos e refrescos, em saladas, cozidos com carnes, feijão e arroz. Os índices de Shannon (4,12) e Simpson (0,98) revelaram diversidade e riqueza de PATs nas três comunidades, havendo consenso entre as informações dos homens e das mulheres. O arroz com cuxá, prato típico da culinária maranhense, revelou que os saberes tradicionais são transmitidos entre as gerações, desde a colheita da planta até o preparo, ficando as mulheres responsáveis em repassar as informações. As pesquisas no campo da Etnobiologia Evolutiva, revelam que os saberes tradicionais são difundidos, a oralidade na transmissão cultural é típica nas comunidades, porém a teoria da construção de nichos destaca que as alterações ambientais geram pressões seletivas negativas sobre a não aceitação e desconhecimento de determinadas PATs, principalmente pelos mais jovens. Os resultados permitiram identificar novas lacunas que associam a segurança nutricional e os conhecimentos tradicionais em comunidades rurais na região do Cerrado maranhense. A resiliência que as comunidades rurais em Codó possuem em relação às práticas de manejo dos recursos alimentares, conservação da biodiversidade e sustentabilidade ambiental, lhes permitem projetar condições equilibradas para a manutenção dos conhecimentos tradicionais. A valorização dos recursos vegetais locais pode estimular a interação do homem com a natureza, além de promover a conservação das plantas alimentícias tradicionais.


    CAÍQUE RODRIGUES DE CARVALHO SOUSA Interfaces educacionais entre as Ciências Ambientais e as Ciências da Natureza e suas Tecnologias em associação com a Educação Ambiental Data: 30/01/2025

    A área de Ciências Ambientais, um campo interdisciplinar que analisa a complexa relação entre ambiente, sociedade e economia, habilita profissionais a lidar com questões socioambientais, buscando soluções e promovendo a educação ambiental (EA). O ensino de Ciências da Natureza, com seus componentes curriculares ambientais, facilita a integração da EA no processo educacional. A EA, por sua vez, é fundamental para formar cidadãos conscientes e críticos, capazes de agir em prol da sustentabilidade. Nesse contexto, objetivou-se compreender abordagens de EA em diferentes níveis do processo educacional, por meio de inter-relações e perspectivas diversas entre Ciências Ambientais e Ciências da Natureza. As Ciências Ambientais aqui trazidas corresponderam às temáticas socioambientais trabalhadas, especificamente EA, e o contexto das políticas públicas ambientais na pós-graduação. Já as Ciências da Natureza foram traduzidas especificamente nos contextos educacionais de aplicação na graduação e no ensino médio. A EA interliga as seções desta tese e foi abordada de modo (inter)disciplinar e transversal. Na pós-graduação stricto sensu em Políticas Públicas, a EA foi associada a políticas públicas ambientais, por meio de seminários e papers (miniartigos), promovendo reflexão crítica sobre temas como sustentabilidade e gestão ambiental. Na graduação em Química, a temática de água foi utilizada para explorar a EA, por meio de visita técnica e discussão mediada, sobre tratamentos de águas de piscinas e suas implicações socioambientais. Na graduação em Ciências da Natureza, a EA foi abordada de forma ampla, utilizando diversas metodologias (exposições teórico-dialogadas, indicações de leituras, resumos textuais, problematizações, debate, mapas conceituais e quadros comparativos) para explorar conceitos, abordagens e perspectivas sobre o tema. Na educação básica, por meio de revisão de literatura e pesquisa de campo, a importância da EA foi evidenciada como tema transversal, especialmente no ensino de Biologia, e a necessidade de superar desafios como a interdisciplinaridade e a utilização de materiais didáticos específicos. A Base Nacional Comum Curricular foi apontada como importante marco orientador para a implementação da EA na educação básica. Conclui-se que a EA é essencial em todos os níveis de ensino e que a diversificação de metodologias e a promoção do diálogo interdisciplinar são fundamentais para uma formação ambiental eficaz