• UFPI

  • COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA/CCHL

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

  • EM SOCIOLOGIA






  • Dissertações/Teses - 2026

    ANDRESSA RAFAELLY MENDES FRAZÃO A NOVA RACIONALIDADE NEOLIBERAL E AS POLÍTICAS EDUCACIONAIS NA EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA: uma análise do Projeto Político Pedagógico da escola CEJA Professor Lourenço Filho, em Santa Filomena–PI Data: 31/08/2026

    Esta dissertação analisa como a nova racionalidade neoliberal se manifesta nas políticas educacionais da Educação de Jovens e Adultos e como as diretrizes se evidenciam no cotidiano pedagógico da escola CEJA Professor Lourenço Filho, Santa Filomena–PI. Parte-se do pressuposto de que a racionalidade neoliberal ultrapassa a dimensão econômica e orienta diferentes esferas da vida social, alcançando as políticas educacionais, a organização do currículo escolar e a formação dos sujeitos. O objetivo geral consiste em compreender como a nova racionalidade neoliberal se manifesta nas políticas educacionais da educação brasileira e como se materializa no cotidiano escolar da escola CEJA Professor Lourenço Filho, em Santa Filomena–PI, a partir da análise de conteúdo do Projeto Político Pedagógico. Na análise, adotou-se a pesquisa qualitativa de cunho interpretativo como abordagem metodológica a fim de compreender a organização e os objetivos presentes na elaboração do projeto políticopedagógico (PPP) da Escola CEJA de Educação Profissional Professor Lourenço Filho. Para ser operacionalizada, foram efetuadas as diferentes fases da análise: 1) a préanálise; 2) a exploração do material; 3) o tratamento dos resultados, bem como a utilização das regras de presença, frequência e concorrência (Bardin, 2016). A análise evidencia elementos relacionados à flexibilização curricular, à pedagogia de competências, à formação para o mundo do trabalho, ao empreendedorismo e empregabilidade, à responsabilização individual e ao Projeto de Vida. Nesse processo, identificam-se aproximações com a constituição do sujeito empreendedor de si, conforme discutido por Dardot e Laval, bem como a performatividade discutida por Stephen Ball. As evidências demonstram que o PPP (Projeto Político Pedagógico) e a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) apresentam tensões entre a formação humana cidadã e as transformações no mundo do trabalho.


    EMANUELLE CARDOSO BAIA DE SOUZA A produção social do estupro: tramas de gênero em depoimentos e interrogatórios em processos do TJ-MA Data: 28/08/2026

    Esta pesquisa investiga a violência sexual contra as mulheres, particularmente o estupro, centrando-o como um fenômeno de poder baseado no gênero. O estudo desvela a produção social do crime ao confrontar a alarmante hegemonia masculina no polo agressor e a prevalência de violências perpetradas no núcleo familiar. Trata-se de um estudo documental baseado em uma amostragem de processos de segunda instância do ano de 2023 do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), respaldado em interrogatórios de condenados por estupros e depoimentos das vítimas. Parte-se do entendimento de que a concepção normativa do crime no Brasil aproxima-se de uma visão positivista, na qual o estupro é percebido como um fenômeno individual e patológico, em contraposição à denúncia das teorias feministas sobre as relações de poder e dominação originadas nas desigualdades de gênero. Retomam-se, assim, os estudos sociológicos de gênero e da criminologia crítica no sentido de explicar os comportamentos sexualmente violentos masculinos por meio de um contexto mobilizado por relações e negociações de poder entremeadas pela relação entre punitividade e impunidade, compreendendo o estupro como um fenômeno social permeado pelo gênero.



     


    LUANA VYTHORYA FERREIRA DE CARVALHO “DO LIMÃO FAÇA UMA LIMONADA”: Maternidade e mercado de trabalho no contexto de Teresina-PI Data: 06/07/2026

    A presente pesquisa dedica-se à problemática sociológica da relação entre a inserção e permanência das mulheres no mercado de trabalho e o papel de mãe socialmente determinado, o qual essencializa o ser mulher vinculado à maternidade resultando em implicações cotidianas das duplas e triplas jornadas. Com tal enfoque, esse estudo se justifica a partir da compreensão da importância social de desmistificar a maternidade enquanto destino único na vida das mulheres e desnaturalizar os papéis socialmente atribuídos a elas, principalmente no que diz respeito à responsabilização integral pelo cuidado. Diante disso, esta pesquisa tem como objetivo geral compreender as experiências das mulheres que tiveram de conciliar maternidade e inserção no mercado de trabalho frente ao repertório da maternidade essencializada no contexto de Teresina-PI. Para tanto, a metodologia aplicada neste estudo parte de uma abordagem qualitativa interseccional, que reconhece a importância das imbricações multidimensionais do fenômeno analisado e a diversidade de experiências das mulheres na maternidade e no mercado de trabalho. A execução se dá, assim, com a aplicação da técnica de entrevista semiestruturada, sendo selecionadas mulheres inseridas em diferentes posições sociais para alcançar a diversidade de classe na análise do fenômeno com o intuito de observar os encontros e distanciamentos entre diferentes vivências.


    BRUNA VICTÓRIA CASTELO BRANCO SILVA A produção de discursos de gênero como dispositivo de poder e seus impactos na Educação Infantil. Data: 02/07/2026

    Esta dissertação investiga como os discursos de gênero operam como dispositivos de poder na Educação Infantil brasileira, em articulação com as estruturas históricas e epistemológicas da colonialidade. A pesquisa assume abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, articulada a aproximações com a perspectiva cartográfica como postura metodológica de acompanhamento de processos, tensões e deslocamentos discursivos. O corpus analítico é composto por produções acadêmicas, documentos curriculares oficiais, em especial a Resolução CNE/CEB n.º 5/2009, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI), e as três versões da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), além de marcos normativos que atravessam o campo da Educação Infantil. O estudo mobiliza como principais referenciais teóricos as contribuições de Michel Foucault (2000; 2008) acerca de discurso, poder e dispositivo; Aníbal Quijano (2005) sobre colonialidade do poder; Walter Mignolo (2003; 2005) sobre pensamento liminar e colonialidade do saber; Joan Scott (1995) sobre gênero como categoria analítica; Judith Butler (2000; 2019) sobre performatividade e subversão de identidade; Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí (2021) sobre a invenção das categorias de gênero pelo projeto ocidental; María Lugones (2014; 2020) sobre colonialidade e gênero; e Catherine Walsh (2005; 2008) sobre interculturalidade crítica e pedagogia decolonial. A dissertação problematiza a constituição histórica dos discursos de gênero como verdades naturalizadas, evidenciando sua vinculação a uma lógica moderna-colonial, binária, cisheteronormativa e racializada. Demonstra-se que tais discursos não se configuram como fenômenos espontâneos, mas como produções históricas atravessadas por relações de poder que seguem organizando corpos, subjetividades e possibilidades de existência desde os primeiros anos de vida.


    ANA BEATRIZ DAMASCENO ALVES A voz da razão: As implicações psicossociais da resolução nº 487 do Conselho Nacional de Justiça. Data: 30/06/2026

    Em Agosto de 2023, o Conselho Nacional de Justiça emitiu a resolução de número 487, na qual as decisões judiciais deverão, a partir de agosto de 2024, entrar em consonância com a lei 10.216/01, na qual extingue instituições de caráter asilar para tratamento psiquiátrico. Tal resolução, prevê a desabilitação gradual dos HTCPs em território nacional, proibindo desde sua publicação ovas internações. Entretanto, a resolução prevê que a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) absorva os indivíduos anteriormente apenados. Neste sentido, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Residências Terapêuticas serão responsáveis pelo acompanhamento deste. A presente pesquisa tem como objetivo mapear as produções científicas acerca da implantação da resolução 487 do Conselho Nacional de Justiça no território brasileiro. Como objetivos específicos foram elencados revisar as principais contribuições teórico-conceituais acerca da loucura, da figura do louco e louco-infrator; analisar os documentos e legislações que organizaram o percurso da política antimanicomial no país e que foram condicionantes na construção da resolução 487 do CNJ e consequente mudança na configuração das realocações dos indivíduos anteriormente apenados; e realizar um estudo sobre o estado da arte de trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), dissertações e teses envolvendo a temática.


    HOSIENE ARAÚJO TEODÓSIO QUEM PARIU MANTÉM E BALANÇA: As emoções que permeiam o desafio de ser mãe durante o puerpério e a relação com a depressão pós-parto e o suicídio Data: 30/06/2026

    A presente pesquisa em nível de mestrado em Sociologia e pertencente a linha de Gênero, Sexualidade e Geração desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Sociologia PPGS – UFPI, no biênio (2024-2026), a partir do estudo de caso de mulheres/mães funcionárias da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina – PI, no período compreendido entre os anos de 2020 à 2024. O estudo busca examinar como a relação entre Maternidade, Emoções e Puerpério se constrói com um olhar voltado a questões sociais que dizem respeito a depressão e em especial a depressão pós-parto (DPP). Essa pesquisa articula campos de conhecimento referentes a Sociologia, em especial a Sociologia das Emoções, Gênero, Antropologia, Saúde Mental e Psicologia de tal modo a buscar a esclarecer como a maternidade é compreendida e vivenciada ao longo da história da humanidade e como esta é delimitada por estigmas que afetam diretamente a saúde mental das mulheres que trazem consigo um emaranhado de demandas que geram uma sobrecarga que deveria ser evitada sobretudo nesse período tão importante que é o puerpério. A pesquisa parte da compreensão de maternidade de acordo com Badinter (1985) em que o amor materno é uma ideia construída ao longo da história, influenciado por fatores sociais e psicológicos. Como objetivo geral busca-se compreender as emoções do ser mulher e tornar-se mãe para mulheres/mães funcionárias da Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina-PI, no período compreendido entre os anos de 2020 à 2024, bem como objetivos específicos a investigação se propõe a identificar o processo de ser e tornar-se mãe e como às emoções estão diretamente relacionadas com o nascer dos sentimentos dá maternidade e consequentemente com aspectos que podem levar a uma depressão pós-parto e também a ideações suicidas. Para tal usou-se como percurso metodológico uma pesquisa de campo, guiada por entrevistas semi-estruturadas e a pesquisa bibliográfica ancorada em Butler (1990, 2003) ao abordar as questões de performatividade do gênero e a crítica à normatividade, Scott (1986) que define o gênero como um elemento constitutivo das relações sociais, Louro (2004) ao pensar o gênero como uma categoria atravessada por disputas discursivas, Barros (2020) que tráz um diálogo sobre a maternidade na contemporaneidade e Iaconelli (2023) que discorre sobre questões de genêro e parentalidade. Para entender questões referentes a depressão, a saúde mental e a depressão pós-parto as referências foram Gutman (2016), Iaconelli (2023), O’hara (2025), Rodrigues (2023), Vilarinho (2017) e Witwytzy (2022) e no campo da Sociologia das Emoções houve a contribuição de Hochschild (1983, 2012) e Koury (2004, 2014 e 2019). Dessa forma percebeu-se como a função materna é atravessada pela lógica da contemporaneidade e, ao mesmo tempo foi possível compreender como o condição para a superação dos impasses que circundam a maternidade na atualidade dependem de ações sociais e politicas públicas voltas para a atenção materna em especial às questões da depressão pós-parto


    JORDÃO GONÇALVES SANTANA A SOBREMESA FOI BALA: Um estudo sobre o Crime Organizado do Piauí e o processo de miliciarização do aparato policial piauiense com base na atuação de José Viriato Correia Lima. Data: 22/06/2026

    Esta dissertação investiga os vínculos entre corrupção institucional e crime organizado no Piauí, tomando como objeto central a trajetória e a rede articulada pelo coronel reformado da Polícia Militar José Viriato Correia Lima, que entre as décadas de 1980 e 1990 operou um esquema criminoso de amplo alcance a partir de dentro do aparato estatal. O objetivo geral é compreender os liames entre corrupção institucional e milícia no Piauí e o processo de miliciarização da polícia piauiense, tendo como eixo empírico o grupo liderado por Correia Lima. A pesquisa é qualitativa e exploratória, combinando análise documental, pesquisa hemerográfica e trabalho de campo com quatro interlocutores identificados por pseudônimos: Aziz, jornalista com acesso privilegiado às elites políticas e ao acervo do período; Protegido, jornalista com memória interna das dinâmicas de silêncio editorial; Bankai, policial civil cujo relato revela a transmissão oral da memória institucional da corporação; e Rita Lee, membro de família que manteve vínculos de proximidade com Correia Lima, oferecendo acesso à dimensão doméstica e afetiva da figura estudada. As fontes documentais incluem informes da ABIN, documentos do SNI, processos judiciais e registros hemerográficos. O referencial teórico articula a sociologia da violência de Benjamin, Weber, Arendt, Bourdieu e Foucault com a literatura brasileira sobre milícias e segurança pública — Zaluar, Misse, Manso, Feltran — e com os conceitos durkheimianos de normal, patológico e função social, tratando a rede miliciana como sintoma e função de uma formação social historicamente situada. Os resultados demonstram que o grupo liderado por Correia Lima não operava como bando externo ao Estado, mas como rede miliciana formada em seu interior. O coronel e seus associados atuavam fardados, em serviço, controlando não territórios periféricos, mas a própria polícia — seu alto comando, sua cadeia de informações e seus mecanismos de silêncio. A rede articulava pistolagem, agiotagem, desmanche de veículos e contrabando de armas, com circulação interestadual e proteção política que alcançava o governo do estado e o Judiciário. Sua especificidade revela uma forma de milícia com maior imbricamento estatal do que as modalidades estudadas no eixo Rio-São Paulo — mais sofisticada em sua capacidade multiestatal e, por isso, mais difícil de nomear e enfrentar. A dissertação conclui que a miliciarização do aparato policial piauiense não foi anomalia ou desvio pontual, mas expressão de continuidades históricas entre autoritarismo, mandonismo local, patrimonialismo e criminalização do Estado. A redemocratização formal não foi suficiente para romper tais continuidades. Compreender o caso Correia Lima é condição necessária para enfrentar o legado ainda vivo desse processo — porque a sobremesa foi bala, mas a mesa já estava posta muito antes.


    DAVID DOS SANTOS LIMA Vivências quilombolas que tecem existências: um estudo do protagonismo de lideranças na dinâmica agroecológica em territórios quilombolas, Codó-MA, Brasil Data: 29/05/2026

    Esta dissertação investiga a realidade social brasileira, fundamentada em um processo histórico moderno/colonial que consolidou um modelo de desenvolvimento excludente e predatório. Esse paradigma, impulsionado pela “Modernização Conservadora” da década de 1960 e pelos princípios da  Revolução Verde, resultou na marginalização de saberes tradicionais e na concentração fundiária. Nesse cenário, o estudo foca no município de Codó, Maranhão, explorando como as lideranças quilombolas de Queimadas e de Santo Antônio dos Pretos articulam a dinâmica agroecológica como uma estratégia de existência e reprodução socioambiental frente às pressões da modernidade nos territórios. O objetivo geral da pesquisa consiste em compreender de que maneira esses líderes utilizam a agroecologia como ferramenta de resistência contra a hegemonia do modelo de desenvolvimento capitalista. Os percursos epistemológicos e metodológicos se ancoraram na perspectiva da contracolonização e no pensamento afrodiaspórico, com uma abordagem qualitativa, de natureza descritiva-interpretativa, utilizando o estudo de caso como estratégia central. Foram realizadas seis entrevistas semiestruturadas com interlocutores de ambos os territórios, sendo três de cada um, além do uso de diários de campo e registros fotográficos. Os resultados expressam que as lideranças atuam como tecelãs de saberes, onde o exercício político e a gestão do território são extensões diretas da identidade e do território quilombola. A agroecologia quilombola é identificada como uma tecnologia ancestral de resistência, embora enfrente o dilema do uso de agrotóxicos, muitas vezes adotados como uma armadilha da praticidade decorrente da escassez de mão de obra gerada pelo êxodo rural. A pesquisa ressalta a centralidade da segurança fundiária: enquanto o território de Santo Antônio dos Pretos, já titulado, apresenta maior facilidade de acesso a políticas públicas, o território de Queimadas ainda luta pela sua proteção contra o agronegócio. Além disso, o protagonismo das mulheres como o eixo sustentador da organização comunitária e da segurança alimentar é um destaque. O estudo aponta que a agroecologia quilombola se configura como uma ferramenta de autodefesa territorial e soberania política que precisa ser fortalecida.




    MACELA MARTA DA COSTA TENÓRIO NEOLIBERALISMO E PRODUTIVISMO: IMPLICAÇÕES NA VIDA DOS DOCENTES DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU NO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS DA UFPI Data: 28/05/2026

    Esta dissertação investiga os efeitos da racionalidade neoliberal sobre o trabalho docente nos programas de pós-graduação stricto sensu do Centro de Ciências Humanas e Letras da Universidade Federal do Piauí (CCHL/UFPI). Parte-se da compreensão do neoliberalismo não apenas como modelo econômico, mas uma racionalidade normativa que reconfigura instituições, práticas e subjetividades, instaurando a lógica produtivista no espaço acadêmico. Nesse contexto, o produtivismo acadêmico se manifesta na pressão por publicações constantes, na intensificação das jornadas e na naturalização da autoexploração docente, podendo comprometer a qualidade da produção intelectual e a saúde dos professores. O objetivo geral consistiu em analisar como o neoliberalismo e o produtivismo afetam a vida dos docentes da pós-graduação do CCHL/UFPI. Especificamente, buscou-se: identificar os impactos do neoliberalismo no trabalho acadêmico; compreender a percepção dos docentes quanto ao esforço, recompensa e reconhecimento institucional; examinar a existência de forças de resistência às lógicas produtivistas; e avaliar as condições oferecidas pelos programas de pós-graduação em relação às exigências de desempenho. A opção metodológica, trata-se de uma pesquisa quanti-qualitativa de caráter analítico, fundamentada em levantamento bibliográfico e documental, aplicação de questionários sociodemográficos e realização de entrevistas semiestruturadas com 05 docentes bolsistas CNPq vinculados aos programas de pós graduação de História, Letras, Filosofia e Políticas Públicas. Os dados obtidos foram tratados de forma integrada, articulando indicadores de produtividade acadêmica à análise das experiências docentes. Buscou-se ainda articular a dimensão empírica às contribuições teóricas contemporâneas. Os resultados evidenciam que o neoliberalismo atua como princípio estruturante do trabalho docente, promovendo a intensificação das atividades, a centralidade do desempenho mensurável e a internalização da lógica da performance. Tais processos produzem impactos na qualidade de vida e reforçam a ambivalência do produtivismo, simultaneamente percebido como imposição institucional e estratégia de reconhecimento. Conclui-se que essa racionalidade está reconfigurando o sentido do trabalho acadêmico, subordinando-o à lógica da mensuração. .


    MARIA XAVIER ROMEIRO NETA TAMBÉM MORRE QUEM ATIRA: facções, homicídios e governançacriminal no Piauí Data: 20/05/2026

    Esta dissertação de mestrado nasceu de mais de uma década de cobertura policial em  redações jornalísticas do Piauí, durante a qual foram registradas centenas de reportagens sobre o recrudescimento da criminalidade e a escalada de homicídios envolvendo jovens: os que matavam logo também eram assassinados. Um ciclo de vinganças que deixa um rastro de corpos subjugados (Ferreira da Silva, 2024), famílias dilaceradas e comunidades cada vez mais vulneráveis não apenas pela violência e pobreza, mas pelos estigmas que as encerram (Goffman, 1988; Misse, 2011). O trabalho analisa os homicídios ocorridos no Piauí, com foco nas cidades de Teresina e Parnaíba, e como esses crimes refletem a dinâmica das facções criminais a partir da década de 2010. O objetivo central é identificar e compreender as motivações das facções para matar e o nível de instrumentalização (Wikström e Treiber, 2009) dos assassinatos no estado, bem como examinar a governança criminal (Lessing, 2020) que emerge dessa dinâmica. As lacunas que esta pesquisa tenta preencher surgem porque as autoridades em segurança pública negaram até 2012 a presença de facções no estado, ao tempo em que passaram a atribuir a eles a autoria da quase totalidade dos crimes, por vezes a partir da criação de sujeitos hiper-reais (Baudrillard, 1991). A retórica estatal de controle territorial coexiste com a espetacularização da violência, criando o pânico que autoriza a agressividade policial e ações midiatizadas (Bauman, 2009). Essa lógica fomenta ganhos político-partidários sem, de fato, garantir paz às comunidades. A metodologia combina análise quali-quantitativa de sentenças judiciais com reportagens jornalísticas sob o método indiciário (Ginzburg, 1987), a partir de 62 casos de homicídios faccionais ocorridos de 2015 a 2024. Os processos foram obtidos junto ao Painel de Estatísticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), totalizando 280 processos lidos nas varas do Tribunal do Júri de Teresina e da Vara Criminal de Parnaíba, após criteriosa seleção. A pesquisa identificou que 22% dos processos analisados correspondiam a homicídios faccionais; contudo, esse percentual subestima o fenômeno real. Em Teresina, em média 65% dos réus em casos faccionais foram impronunciados, evidenciando severa limitação da ação investigativa e judicial. A pesquisa apresenta ainda debate teórico sobre as mortes violentas intencionais e sua característica de contágio (Girard, 2015; Manso, 2012) desde os anos 1980 e 1990 no Brasil, simultâneas ao surgimento e fortalecimento das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), e a Pax Monopolista (Biderman et al., 2019) derivada da governança criminal. Entre os achados centrais estão a divergência entre as dinâmicas homicidas de Teresina; o papel do potencial logístico das cidades no redesenho territorial do crime; a invisibilização judicial das vítimas em processos públicos; e a correlação entre o superencarceramento e o  fortalecimento, e não o enfraquecimento, das facções. A dissertação também incorpora mapas interativos dos micro contextos dos homicídios faccionais em ambas as cidades, tornando os dados acessíveis além do ambiente acadêmico. Ao confrontar as motivações catalogadas com os enquadramentos jurídicos de "motivos torpes ou fúteis", o trabalho propõe uma releitura das razões que conduzem jovens a matar e morrer, articulando os conceitos de sujeição criminal (Misse, 2010), necropolítica (Mbembe, 2018) e subjugação (Ferreira da Silva, 2024).


    MARIA LUIZA BARBOSA SOUSA Entre documentos normativos e sua operacionalização: o aborto legal na mira do bolsonarismo Data: 30/04/2026

    A presente pesquisa analisa os discursos contidos em documentos do Poder Executivo e dos Deputados Federais, entre 2019 e 2022, que impactaram na realização do aborto legal no Brasil.No contexto histórico-social brasileiro, as particularidades do procedimento de aborto legal demarcam o poder exercido por membros estatais sobre os corpos. Nesse sentido, é essencial analisar como essas instituições utilizaram documentos para gerar fissuras nas normativas que garantem o direito ao aborto legal. A pesquisa baseia-se na análise de discursos presentes nas Portarias de nº 2.282/2020, nº2.561/2020, Nota informática nº11/2020 e nas justificativas de Projetos de Leis apresentados por Deputados Federais, utilizando uma metodologia qualitativa através de análise documental, com delimitação temporal definida pelo impacto das normas no período recortado. Este estudo é relevante pela análise minuciosa de documentos federativos e seus reflexos na discussão acerca da realização do procedimento de aborto legal no Brasil. Portanto, o trabalho visa contribuir para a compreensão das relações de poder intrínsecas aos documentos oficiais e das violências perpetuadas em sistemas políticos e institucionais.


    ISADORA MARIA CARVALHO DE ARAÚJO EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA: ENTRE AS SEMÂNTICAS NORMATIVAS E AS EXPERIÊNCIAS PRÁTICAS Data: 17/03/2026

    Esta dissertação analisa a Educação Escolar Indígena no Brasil a partir das tensões entre os marcos legais que a instituem como direito diferenciado e as experiências concretas vivenciadas por povos indígenas em seus territórios, tomando como recorte empírico comunidades indígenas do estado do Piauí. Parte-se da compreensão de que essa política pública se insere em um campo mais amplo de disputas entre projetos societários distintos: de um lado, uma racionalidade desenvolvimentista, orientada por lógicas administrativas, econômicas e homogeneizadoras; de outro, projetos de vida indígenas ancorados em territorialidades próprias, cosmologias específicas e formas autônomas de produção e transmissão de conhecimento. Embora juridicamente assegurada, a Educação Escolar Indígena se materializa de forma desigual, atravessada por ambiguidades normativas, disputas ideológicas e limites estruturais que variam conforme os contextos regionais. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza descritiva e interpretativa, articulando análise documental de dispositivos legais e diretrizes oficiais, entrevistas com lideranças indígenas e atores envolvidos na implementação da política educacional, além de observação do que é vivenciado em termos de educação nos territórios investigados. Tal estratégia permite examinar em que medida a política se concretiza para além do plano normativo, evidenciando os desafios enfrentados pelas comunidades. Ao situar o Piauí no cenário nacional, o estudo problematiza os efeitos de um prolongado processo de invisibilização histórica dos povos indígenas no estado e analisa a emergência recente de movimentos de reafirmação identitária e reivindicação por direitos, entre os quais se destaca o acesso à educação escolar específica. Argumenta-se que a Educação Escolar Indígena constitui território político de disputa simbólica e material, no qual se confrontam diferentes concepções de desenvolvimento, conhecimento, território e futuro, revelando que sua consolidação depende do reconhecimento das territorialidades indígenas como fundamentos legítimos de organização social e educativa.


    LIZANDRA INÊS BOTH SOCIABILIDADES JUVENIS NA SANTA MARIA DA CODIPI: LAZERES, AFETOS E (RE)EXISTÊNCIAS. Data: 09/03/2026

    A presente dissertação tem como objetivo compreender as sociabilidades juvenis em territórios periféricos urbanos, tomando como campo empírico a região da GrandeSanta Maria da Codipi, situada na zona norte de Teresina, PI. Território periférico, marcado pelo aumento da violência, domínio de facções, cooptação de jovens para desenvolvimento de práticas ilícitas e morte violenta de jovens, dentre outros fenômenos. Realidades que se acentuaram e que se apresentam como problemas de pesquisa a ser investigado. O trabalho foi construído a partir de pesquisa empírica, na qual foram ouvidos vinte e cinco jovens com idade entre 18 a 29 anos, cujas trajetórias são atravessadas por múltiplos marcadores sociais, dentre esses classe, raça, gênero e território. São jovens que vivenciam cotidianamente condições de vulnerabilidade, mas também de (re)existência. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, ancorada no método crítico dialético, que permite compreender a juventude enquanto categoria social e histórica. A partir de referenciais em autores como Pais (2016), Leccardi (2005; 2010), Dayrell (2003, 2007), Margulis (2001), Esteves, Abramovay (2007), o estudo analisa a juventude não como uma fase biologicamente determinada, mas como condição social construída historicamente situada em uma territorialidade e marcada pelas diferenças sociais, como classe, gênero e etnia. A partir de relatos de jovens e de observações de campo, é possível identificar dimensões que marcam e se particulariza a condição juvenil na Santa Maria da Codipi, dentre essas: o trabalho precário, conhecido por eles como “bico” como formas de inserção produtiva; diversas trajetórias escolares transitadas por interrupções e desigualdades estruturais; a convivência com a violência no cotidiano do bairro, alimentada por riscos e o medo como elementos que moldam as sociabilidades de jovens; o lazer como espaço de excitação, pertencimento e, também, de exclusão; atividades em grupo que formam redes de acolhimento e de sentido. Refletimos acerca de cada uma dessas dimensões ao longo da dissertação, apoiada na noção de “trajetórias ioiô” (Pais, 2016), para evidenciar como as vivências juvenis são marcadas por avanços e recuos – idas e vindas – acertos e desarcertos, como tudo
    inerente à vida em sociedade; por inseguranças e riscos diante de um futuro cada vez mais incerto.
    Uma compreensão de os jovens da periferia não podem ser vistos apenas pela ótica da carência ou da
    marginalidade, mas como sujeito social ativo, que constrói, dentro das possibilidades postas, sonhos, sentidos, vínculos e estratégias para existir e resistir. Uma das conclusões desta dissertação é de que as sociabilidades juvenis, é atravessada por contradições e potencialidades, demandando políticas públicas que reconheçam as juventudes em sua diversidade e que garantam condições concretas de vida, dignidade e participação social.




    Dissertações/Teses - 2025

    MÁRCIA CRISTINA FERREIRA BRANDÃO AS EXPRESSÕES DAS DESIGUALDADES DE GÊNERO E RAÇA E SEUS IMPACTOS NA SAÚDE MENTAL DE MULHERES NEGRAS Data: 31/10/2025

    Esta dissertação investiga como o racismo e o sexismo afetam a saúde mental de mulheres negras no ensino superior, a partir de uma perspectiva interseccional que compreende o racismo como estruturante das relações sociais. O objetivo é analisar como essas opressões, vivenciadas cotidianamente ao longo de suas trajetórias, impactam seus projetos de vida e processos de adoecimento, afastando-se de uma concepção medicalizante e individualizante da saúde mental. A pesquisa, de natureza qualitativa, combinou análise documental e entrevistas com estudantes negras do Centro de Ciências Humanas e Letras (CCHL) da Universidade Federal do Piauí, campus Ministro Reis Velloso. A análise foi construída a partir de teóricos que discutem racismo, gênero e saúde mental. Os resultados mostram que a experiência das estudantes é permeada por diversas violências e microagressões racistas e sexistas. A descoberta mais importante da pesquisa revela um paradoxo: embora as participantes narrem inúmeros episódios de discriminação, há uma dificuldade em conectar explicitamente esse racismo vivenciado aos desgastes mentais sofridos, evidenciando, portanto, como racismo age de forma tão profunda e naturalizada na sociedade, a ponto de não ser percebido os desgastes mentais que provoca. Conclui-se que a saúde mental das mulheres negras está intrinsecamente ligada ao enfrentamento do racismo e do sexismo. A universidade, portanto, precisa implementar políticas de acolhimento e cuidado que reconheçam essa dimensão, criando espaços que permitam a nomeação e a superação dessas violências


    KELVYA ANDRADE E SOUSA ProVida: Um Recanto em Teresina – Um Olhar Sociológico sobre os Desafios das Políticas Públicas de Prevenção ao Suicídio em Teresina/PI. Data: 30/09/2025

    A presente dissertação tem como objetivo principal analisar o papel da Prefeitura
    Municipal de Teresina na implementação e atuação do ProVida na prevenção ao
    suicídio em Teresina-PI e sua relação entre os dados de atendimentos do serviço
    e os registros de óbitos por suicídio no Piauí disponibilizados pelo Sistema de
    Informação de Mortalidade (SIM/DATASUS). Os objetivos específicos são:
    Mapear a estrutura organizacional e as diretrizes institucionais do Programa
    ProVida a nível da Prefeitura de Teresina, enquanto política pública de
    prevenção ao suicídio, identificar o perfil sociodemografico das pessoas que
    cometem suicídio no Piauí, investigar, à luz da Sociologia, as ações
    desenvolvidas pelo ProVida e sua articulação com outras políticas voltadas a
    prevenção bem como, suas potencialidades e limitações da atuação institucional
    do ProVida, com base nos dados documentais disponíveis, visando contribuir
    para pesquisas futuras sobre o tema. Com a finalidade de ampliar o debate sobre
    as políticas públicas de prevenção do suicídio, na capital piauiense, esta
    pesquisa adota uma perspectiva interdisciplinar cujo referencial teórico ancorase
    em autores clássicos e contemporâneos, dentre eles destacam-se: Émile
    Durkheim (2011), para compreender o suicídio enquanto fenômeno social; Karl
    Marx (2006) para pensar a relação entre pressões sociais e suicídio,
    especialmente em contexto de desigualdade e opressão; Courtenay (2000) para
    abordar as construções de masculinidade e a relação entre gênero e saúde
    mental; Mrazek e Hogarry (2012), para compreender as fases do processo
    preventivo do suicídio. Botega(2015) para caracterizar crise suicida e a
    dificuldade do debate acadêmico acerca do suicídio. Trata-se de um estudo
    qualitativo, de natureza documental, que analisa os registros institucionais e
    dados secundários referentes a atuação do Programa ProVida, vinculado a
    Prefeitura de Teresina, no contexto das políticas públicas de prevenção ao
    suicídio. O principal resultado desta pesquisa aponta para o aumento de
    números de óbitos mesmo com a ampliação do debate sobre saúde mental e a
    implantação de políticas de prevenção. Espera-se que os resultados contribuam
    para o entendimento dos desafios e aplicabilidades enfrentadas pelas políticas
    de prevenção ao suicídio e visa oferecer subsídios para a formulação de outras
    políticas no contexto local, isto é, em Teresina-PI.


    RAYLANE MARIA DE SOUSA PEREIRA MÍDIAS DIGITAIS E A REPRODUÇÃO DO RACISMO RECREATIVO: PRODUÇÃO DE CONTEÚDO HUMORÍSTICO POR INFLUENCIADORES DIGITAIS NEGROS Data: 29/08/2025

    A pesquisa “Mídias digitais e a reprodução do racismo recreativo: produção de conteúdo humorístico por influenciadores digitais negros” parte do reconhecimento de que, embora o humor televisivo tradicional — com personagens como Vera Verão e Adelaide — já reproduzisse estereótipos negativos sobre pessoas negras, a migração dessa lógica para as redes sociais conferiu ainda mais autonomia e alcance a conteúdos que, muitas vezes, mascaram hostilidade racial sob a forma de entretenimento. Como objetivo geral, o trabalho busca compreender as estratégias comunicativas empregadas por influenciadores negros no Instagram ao produzir humor, focando nos mecanismos que reproduzem o racismo recreativo. De modo mais específico, visa: Identificar modalidades de reprodução do racismo recreativo nas mídias digitais; catalogar e discutir criticamente outros tipos de humor presentes nos discursos desses criadores; contextualizar tais estratégias com o lugar social (físico e virtual) dos sujeitos envolvidos. O estudo fundamenta-se na noção de racismo recreativo, definida como “projeto de dominação que promove relações assimétricas de poder via humor que encobre hostilidade racial” (MOREIRA, 2019). Em diálogo com as teorias do humor (superioridade, incongruência e psicanalítica) e com os conceitos de midiatização (VERÓN, 2014; HJARVARD, 2014) e racismo algorítmico (SILVA, 2019), o trabalho revela como estruturas socioculturais e tecnológicas se articulam para naturalizar práticas racistas. Optou-se por um estudo de caso múltiplo, com análise qualitativa de conteúdo categorial de material audiovisual disponível publicamente em perfis de dois influenciadores: Junior Caldeirão e Aline Bagaceira. A análise seguiu os procedimentos de Bardin (2016) — pré-análise, exploração e tratamento dos resultados — usando a ferramenta Evernote para organização, codificação, decupagem e categorização das cenas, diálogos e recursos visuais. Por fim, os principais achados apresentam a reprodução de estereótipos estéticos e comportamentais: ambos os perfis reforçam piadas sobre cabelo “ruim” ou “bagunçado” e outras características fenotípicas, reproduzindo o estigma de inferioridade associado à negritude. Discutimos a sexualização de corpos negros, certos personagens são representados de forma hipersexualizada, e as atuais discussões sobre a temática. Em contrapartida, questionamos as possibilidades de humor não racista, a pesquisa também identifica exemplos de criadores negros que priorizam narrativas de empoderamento e crítica ao racismo, apontando caminhos para um humor que dialogue com a comunidade sem deslegitimar sua experiência. O estudo conclui que, embora inseridos em contextos antirracistas e pertencentes a uma geração mais consciente, esses influenciadores transitam numa tensão permanente entre reproduzir e combater o racismo. Seu papel como agentes de representatividade é ambíguo: por um lado, ocupam espaços de visibilidade que podem fortalecer narrativas emancipadoras; por outro, acabam internalizando e propagando estereótipos, fruto de um longo processo de racialização. Essa dicotomia mostra a complexidade de produzir humor em um ambiente hipermidiatizado, onde as sutilezas do racismo recreativo se legitimam pelo riso.


    CLÉRISTON TOMAZ DA SILVA A SUBJETIVIDADE PUNITIVISTA DO PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO, UM RECORTE ANALÍTICO DO PIAUÍ. Data: 16/08/2025

    A presente dissertação analisa criticamente a atuação do Poder Judiciário brasileiro na aplicação da Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006), com ênfase no estado do Piauí, buscando evidenciar como a subjetividade punitiva dos magistrados contribui para a manutenção de um sistema penal seletivo, excludente e racializado. Embora a legislação tenha formalmente despenalizado o porte de drogas para uso pessoal e criado a figura do tráfico privilegiado, o que se observa na prática é o recrudescimento da repressão penal, especialmente contra jovens negros e periféricos. O Judiciário, ao aplicar a norma, reforça a lógica da guerra às drogas e atua como agente de legitimação da política proibicionista, contribuindo para o superencarceramento e para a reprodução de desigualdades estruturais. A pesquisa adota uma abordagem empírica de natureza quantitativa, com base em dados públicos e oficiais do CNJ, Ipea, Anuário Brasileiro de Segurança Pública e Atlas da Violência, analisando o padrão decisório dos juízes piauienses em processos por tráfico de drogas. A partir dos referenciais teóricos da biopolítica (Foucault), do estado de exceção (Agamben) e da necropolítica (Mbembe), investiga-se como o Judiciário atualiza mecanismos de controle social sob o véu da legalidade formal. A análise dos dados evidencia um padrão punitivista que recai de forma desproporcional sobre corpos racializados, revelando a atuação seletiva e ideológica da justiça criminal. A dissertação está estruturada em três capítulos. O primeiro examina criticamente a Lei nº 11.343/2006 à luz da política de guerra às drogas e suas implicações para os direitos fundamentais. O segundo discute os efeitos do neoliberalismo e da ideologia punitivista sobre o sistema de justiça, destacando a construção do inimigo penal e a seletividade institucionalizada. O terceiro capítulo apresenta a análise empírica das decisões judiciais no estado do Piauí, demonstrando como a racionalidade punitiva opera na prática, legitimando a exclusão social e racial por meio do aparato jurídico. O trabalho contribui para o debate sobre a função do Judiciário na perpetuação de desigualdades e no fortalecimento do Estado Penal.


    FABIANE FONSECA FREITAS DE ALBUQUERQUE CONTRAPÚBLICOS SUBALTERNOS NA ESFERA PÚBLICA: uma análise do julgamento do HC 165.704/DF a partir do diálogo entre Jürgen Habermas e Nancy Fraser Data: 12/08/2025

    Esta dissertação propõe uma análise da atuação dos movimentos de familiares de pessoas presas e sobreviventes do cárcere durante a audiência pública do Habeas Corpus 165.704/DF, realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021. A pesquisa investiga como os familiares de pessoas presas, organizados por frentes estaduais de desencarceramento, desafiaram as narrativas hegemônicas sobre o sistema penitenciário brasileiro durante a audiência pública. A partir do conceito de epistemicídio, a dissertação explora como o saber produzido pelos familiares e sobreviventes do cárcere é marginalizado e como sua mobilização evidencia as falhas do sistema judiciário na implementação de medidas de desencarceramento. A pergunta que orienta a pesquisa é: como a mobilização dos familiares de pessoas presas e sobreviventes do cárcere durante a audiência pública do HC 165.704/DF no Supremo Tribunal Federal desafiou a narrativa hegemônica sobre o funcionamento do sistema penitenciário brasileiro? A hipótese levantada é que a exclusão de movimentos sociais e familiares de pessoas presas na participação na audiência pública do HC 165.704/DF desvela o epistemicídio e a marginalização de suas vozes, resultando em políticas de desencarceramento que não atendem às necessidades reais da população afetada, perpetuando o estado de coisas inconstitucional do sistema penitenciário brasileiro. A pesquisa se fundamenta na criminologia crítica e nas teorias da democracia, considerando as contribuições de movimentos sociais como contrapúblicos subalternos. O estudo busca compreender como a participação desses atores sociais subverte a lógica jurídica dominante e revela as injustiças do sistema penal, propondo uma reflexão sobre a democratização do acesso ao judiciário e o impacto das vozes marginalizadas no processo de mudança social. A metodologia adotada inclui análise documental do Habeas Corpus 165.704 e das falas na audiência pública, além de entrevistas com familiares e sobreviventes. Para categorizar, utilizou-se o software Atlas T.I., que facilita a visualização e organização do material empírico coletado.


    TAINÁ DA COSTA MORAES A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NA PANDEMIA E A ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO EM TIMON – MA: UMA ANÁLISE SOCIOLÓGICA Data: 03/07/2025

    A presente pesquisa investiga as particularidades dos crimes de violência doméstica e a atuação do Ministério Público nos respectivos processos em 2020, durante a pandemia de COVID-19, especialmente no período mais intenso de isolamento, na cidade de Timon, Maranhão. Com a necessidade global de adaptação a uma nova forma de vida em sociedade, a violência doméstica e de gênero, e a resposta dos órgãos fiscalizadores, apresentaram dinâmicas e características específicas devido à pandemia. É essencial analisar como as instituições que lidam diretamente com vítimas e agressores em casos de violência doméstica atuaram, considerando a interseccionalidade nos perfis sociais das vítimas e agressores e a perspectiva da interseccionalidade na atuação do Ministério Público, como fiscalizador da lei, para reivindicar os direitos violados das mulheres durante a pandemia. A pesquisa baseia-se na análise de processos criminais protocolados durante a pandemia e em dados processuais solicitados à Ouvidoria do Tribunal de Justiça do Maranhão, utilizando uma metodologia qualitativa através de análise documental, e para fins práticos, a delimitação temporal foi realizada considerando os decretos de isolamento social publicados pelo governo do estado do Maranhão. Este estudo é relevante, considerando o contexto de Timon, que, apesar de sua proximidade com Teresina (PI), é a quarta maior cidade do Maranhão, um dos polos comerciais e culturais mais importantes do estado. Timon ainda enfrenta desafios importantes em termos de políticas públicas de segurança e apoio às vítimas de violência doméstica. Portanto, este trabalho visa contribuir para o entendimento da violência de gênero na região e das particularidades observadas, examinando a atuação do Ministério Público e como a instituição adequou seu atendimento no contexto pandêmico e como pode melhorar em um
    cenário pós-pandemia.


    KESSYANE CASTRO SANTOS MOVIMENTOS SOCIAIS NA CONSTRUÇÃO DA FORMAÇÃO DOCENTE DOS LICENCIANDOS DE CIÊNCIAS SOCIAIS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO (CAMPUS CAXIAS) Data: 27/06/2025

    A presente dissertação aborda os movimentos sociais na construção da formação docente dos licenciandos de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA Campus Caxias). Durante a formação inicial de professores oriundos do curso de licenciatura de Ciências Sociais é fundamental estudar diferentes temáticas que envolvem as relações entre indivíduo e sociedade. As diferentes disciplinas do curso contemplam um conjunto de conhecimentos e abordagens que podem influenciar a forma como os futuros docentes compreendem sua prática e identidade profissional, pensando nisso, observa-se, dentre as diversas temáticas abordadas, o quanto elas podem ser significadas ou ressignificadas a partir das experiências de vida. Desse modo, esta dissertação tem como objetivo principal: Analisar como os licenciandos do Curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Maranhão – Campus Caxias vivenciam os movimentos sociais na universidade e como essas experiências podem refletir na sua formação docente e como objetivos específicos: situar temas/abordagens sobre os Movimentos Sociais nos espaços formativos do curso de Ciências Sociais; identificar as experiências dos licenciandos sobre os movimentos sociais durante suas vivências no curso, entender como os licenciandos percebem a prática dos movimentos sociais na sua e comparar as diversas teias de conexão dos discentes em formação docente sobre os movimentos sociais que refletem a prática pedagógica. Partindo desta premissa, buscou-se fundamentar discussões teóricas em torno movimentos sociais e da formação inicial de professores a partir da perspectiva de Gohn (2000; 1994), Arroyo (2003; 2000), Nóvoa (1992), Fernandes (2019), dentre outros autores com estudos no tema. Este estudo trata-se de uma abordagem qualitativa, portanto, a pesquisa também se baseou na descrição, compreensão e explicação das interpretações dos acadêmicos do curso de Licenciatura em Ciências Sociais da Universidade Estadual do Maranhão - UEMA (Campus Caxias). Como técnica de coleta dados utilizamos a observação participante, entrevistas semiestruturadas, para a interpretação dos dados utilizamos a análise de conteúdo. A partir das entrevistas identificamos que os acadêmicos vivenciam os movimentos em diferentes aspectos, seja a partir do que o curso oferta em sua estrutura formativa tal como disciplinas e projetos científicos ou partir de mobilizações protagonizadas por eles mesmos, nesse sentido compreendem os movimentos sociais como parte da sua formação docente, todavia, compreendemos que são poucos acadêmicos verdadeiramente engajados politicamente, sobre isso o curso de Ciências Sociais da UEMA (Campus Caxias) é ausente de movimentos sociais em seu espaço formativo.


    JOANA ALICE DA SILVA MELO AS VOZES DA PALMEIRA MÃE: NARRATIVAS E LUTAS DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU NO MARANHÃO Data: 30/05/2025

    A presente pesquisa investiga o processo de autoconstrução da identidade de liderança feminina por mulheres quebradeiras de coco babaçu do município de São José dos Basílios (MA), a partir de sua constituição e engajamento no Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e na Associação de Quebradeiras de Coco Babaçu (AQCB). A investigação centraliza-se na compreensão de como a liderança coletiva emerge nesse contexto, sendo moldada pela valorização dos saberes e experiências singulares dessas mulheres, na conformação de suas identidades e na reafirmação de seu modo de vida territorialmente referenciado e sustentado pela produção do coco babaçu, essencial para a manutenção de suas práticas culturais. Por meio das narrativas e memórias das mulheres quebradeiras de coco babaçu, busca-se desvelar a construção de sua identidade, intrinsecamente ligada à palmeira do babaçu – concebida com afeto e zelo como provedora do sustento familiar e parte fundamental de suas rotinas e trajetórias históricas. O estudo também explora as experiências de quebradeiras de coco que, construíram identidades coletivas e estratégias de mobilização e resistência contra conflitos por terra, acesso e preservação de babaçuais. Metodologicamente, a pesquisa adota a História Oral como método principal. Os procedimentos de coleta de dados envolveram entrevistas semiestruturadas com oito mulheres quebradeiras de coco com idades entre 44 e 76 anos (sendo duas viúvas e as demais casadas, todas mães de 02 a 14 filhos), complementadas pela análise de um vídeo. A seleção das participantes considerou seu vínculo territorial, sua participação na luta pela terra e pelo babaçu livre, e sua atuação na liderança da associação do munícipio. A pesquisa analisa como a participação em movimentos sociais fortalece a liderança feminina e transforma relações de gênero na luta das quebradeiras de coco babaçu do Maranhão.


    BRENDA RAVENNA SOARES SILVA LOUCURA E SISTEMA PUNITIVO: UMA ANÁLISE DA GESTÃO DA LOUCURA NO ESPAÇO PRISIONAL PIAUIENSE Data: 28/05/2025

    A presente pesquisa tem como objeto de estudo a análise da política de operacionalização dos manicômios judiciários, enquanto dispositivos centrais na construção de processos sociais de sujeição, a partir da articulação entre loucura, periculosidade e poder. A investigação parte da problematização dos discursos científicos da medicina e do Judiciário que, ao longo da história, conformaram o sujeito “louco-criminoso” e legitimaram práticas de exclusão e controle. O estado do Piauí constitui o locus empírico da análise, possibilitando a observação das formas locais de gestão da loucura associada ao crime, dentro de um contexto mais amplo de institucionalização da anormalidade.
    A pesquisa percorre a genealogia do crime e da loucura, fundamentada na teoria pós-estruturalista de Michel Foucault e na criminologia crítica de Raúl Zaffaroni, em diálogo com autores contemporâneos. É nesse entrecruzamento entre saber e poder, particularmente no cenário da modernidade, que os discursos ganham força normatizadora e disciplinar. O trabalho contempla ainda a trajetória histórica da figura do “louco-criminoso”, desde sua consolidação no contexto europeu até sua transposição e adaptação ao modelo brasileiro, com foco especial no funcionamento das instituições manicomiais judiciárias no Piauí. Para tanto, recorre-se também à Sociologia das Ausências, proposta por Boaventura de Sousa Santos, como instrumento analítico para revelar silêncios e invisibilidades nos processos de produção social da loucura criminalizada.


    ROSILDA DA ROCHA VELOSO MOVIMENTO SINDICAL DOCENTE NO PIAUÍ: DISCURSO GREVISTA NA REDE DE EDUCAÇÃO PÚBLICA ESTADUAL. Data: 28/05/2025

    Esta pesquisa é sobre movimento sindical de docentes, a trajetória de lutas e conquistas dos professores da Rede Pública do Estado do Piauí, entre os anos de 2017 e 2022. A análise indica que as greves foram contra aspectos das políticas educacionais dos governos do Estado do PI, e configuram-se nas tensões e contradições entre governos e docentes. Os objetivos deste estudo são: atualizar a bibliografia sobre movimento sindical docente; analisar as greves, suas dinâmicas organizacionais e o discurso grevista no Piauí; examinar a capacidade de organização e mobilização do SINTE-PI; e estudar aspectos da relação do SINTE-PI com o Governo do Estado do Piauí. Para pensar o significado e o impacto de uma negociação trabalhista coletiva é necessário refletir sobre a natureza e o papel da greve como instrumento de reivindicação e mobilização social. Neste sentido, esta pesquisa responde as seguintes questões: o que é uma greve? E como se configura um discurso grevista? Como ocorreram as greves do movimento sindical docente do Estado do Piauí, entre 2017 e 2022? Como o governo reagiu às greves dos trabalhadores da educação nesse período? O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica Pública do Piauí se fortaleceu com as greves? Como? E, quais os resultados das greves para os trabalhadores da educação? A pesquisa utiliza abordagem metodológica qualiquantitativa, com técnica de análise documental e questionários. Os achados da pesquisa indicam que o sindicalismo docente no Estado do Piauí concentra sua luta na questão salarial e nas condições de trabalho, sendo a greve sua principal ferramenta. No período estudado os governos desconsideraram as condições dos trabalhadores e ameaçavam direitos conquistados. A defasagem salarial e resistência dos governos em negociar desencadearam as lutas do movimento sindical. A resistência à negociação mostra que a valorização salarial não foi prioridade no Estado e a postura quase inerte do governo às pautas e demandas da categoria indica uma política de achatamento salarial. Os trabalhadores solicitaram reajuste salarial conforme a porcentagem do piso nacional, valorização profissional e melhores condições de trabalho nas escolas.


    GELSON ANDRADE DE MACEDO Sentidos sobre Gênero e Sexualidade: Percepções Discentes sobre LGBTQIAPN+fobia Vivida no Ambiente Acadêmico por Discentes Data: 24/03/2025

    O objetivo deste estudo foi analisar os sentidos sobre gênero e sexualidade nas representações da LGBTQIAPN+fobia no cenário universitário. Buscamos compreender e demonstrar a forma como os/as/es entrevistados/as/es constroem, vivem e lidam com suas experiências e suas identidades quanto à sexualidade que, por sua vez, está estreitamente vinculada às percepções e avaliações realizadas pela cisheteronormatividade. Neste estudo, temos por referencial teórico autores como Butler, Beauvoir, Foucault, Pearse, Connel, Carneiro, Fanon e Nascimento. Trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo-representativo, com análise das entrevistas, contendo a introdução, primeiro capítulo e terceiro capítulo composta por aspectos teóricos, já no quarto capítulo é constituído por analises das entrevistas dos discentes da comunidade LGBTQIAPN+ da UFPI. Em seguida com as considerações finais a fim de compreender a razão do papel “social” que se atribui contemporaneamente a sexualidade e gênero, a qual é percebida modernamente como elemento de transformação da sociedade.


    LUIZ CARLOS GOMES PEREIRA JÚNIOR “CADÊ A DONA DA CASA? ” - A EXPERIÊNCIA VIVIDA POR UMA DENTISTA NEGRA NO PIAUÍ E A NATURALIZAÇÃO DA SUBALTERNIDADE DE AFROBRASILEIROS COMO ELEMENTO DO RACISMO ESTRUTURAL Data: 20/03/2025

    Este trabalho tem como objetivo principal identificar elementos de relação entre o passado escravagista brasileiro e a recorrência de casos de racismo no Brasil. Notadamente, nos debruçamos aqui no caso do racismo sofrido por uma dentista negra em Teresina-PI. Para tanto, partimos da hipótese de que as formas de discriminação enfrentadas cotidianamente por indivíduos afro-brasileiros, manifestadas de formas veladas e explícitas, aparentam estar relacionadas com os efeitos da naturalização da subalternidade e do racismo no Brasil, que por sua vez têm origem na formação social brasileira. No presente estudo também buscamos compreender a contribuição da Indústria Cultural para a manutenção do status quo dos grupos sociais dominantes atuando como reforçadora de elementos que contribuem para estratificação no imaginário social de aspectos relacionados à subjugação dos povos afro-brasileiros. A metodologia utilizada para a produção da investigação é qualitativa e utiliza-se o estudo de caso, com a coleta de dados sendo executada por meio de entrevistas semiestruturadas. O pressuposto teórico é fundamentado no pensamento dos/as seguintes autores/as: Antônio Carlos Gil, Eduardo José Manzini, Robert Kuo-zuir Yin e Janine Barbot para pensar a escolha metodológica do estudo; Sueli Carneiro, Michel Foucault, Clóvis Moura, Abdias Nascimento, Silvio Almeida, Frantz Fanon, Achille Mbembe, Lilia Schwarcz, Neusa Santos, dentre outros, quando abordam sobre temas relacionados ao racismo, decolonialidade e desigualdades raciais, entremeados pelas contribuições teóricas dos autores Adorno e Horkheimer acerca da Indústria Cultural e de Stuart Hall sobre cultura, identidade e representação. No campo das emoções, tomadas como categoria analítica das ciências sociais, realizamos diálogos profícuos com o autor Eduardo Bericat e Erving Goffman com suas proposições acerca do estigma. Os resultados desta pesquisa apontam para a confirmação da hipótese levantada, uma vez que os relatos obtidos, aliados à construção teórica convergem para tal.


    RUAN NUNES SILVA ESTRUTURAS DE SENTIMENTOS E SENTIMENTOS DE ESTRUTURA: uma leitura cultural materialista das emoções em escritos trans Data: 18/03/2025

    Tratadas inicialmente como irracionais, debilitantes e apolíticas, as emoções se tornaram categorias analíticas na sociologia a partir dos anos 1980 e mais recentemente de forma transdisciplinar com a chamada “virada afetiva” (Schaefer, 2019). A partir da compreensão de que as emoções podem registrar injustiças e desigualdades sociais por sua qualidade de “coisa social” (McCarthy, 1989), esta pesquisa se debruça sobre como as relações entre sentimentos e experiências LGTBQIAPN+ na literatura contemporânea do século XXI tematizam problemas sociais. Nesse sentido, à luz das contribuições dos Estudos Culturais em diálogo com os estudos dos afetos, objetiva-se analisar de que formas as emoções, compreendidas como sinônimos de afetos e sentimentos, são mobilizadas em obras de autorias e temáticas dissidentes à luz da crítica materialista. Com base nas pontes entre os Estudos Culturais (Cevasco, 2003; Williams, 2011) e estudo dos afetos (Cvetkovich, 2003; Ahmed, 2010; Kveller, 2022), são investigadas emoções como raiva, culpa, paralisia e atraso com ênfase em questões de classe, ideologia, agência, estrutura e gestão de si. A partir de nomeação de problemas como “hipervisibilização do invisível” e da “transnormatividade capitalizada”, os resultados parciais apontam que os escritos de autorias LGBTQIAPN+ no início do século XXI materializam as contradições sociais de experiência dissidentes, indicando que os afetos negativos ou “sentimentos feios” (Ngai, 2005) não são necessariamente paralisantes, mas sim sintomas da crise vivenciada por tais sujeitos em espaços cisheteronormativos.