• UFPI

  • COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO/CCE

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

  • EM EDUCAÇÃO






  • Dissertações/Teses - 2026

    SARA COSTA PEREIRA Atividade Orientadora deEensino (AOE) como possibilidade de formação do pensamento téorico de professores que ensinam Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental Data: 14/12/2026

    Esta pesquisa tem como objeto de estudo a Atividade Orientadora de Ensino (AOE), em particular as Situações Desencadeadoras de Aprendizagem (SDA), como princípio teórico-metodológico para a formação do pensamento teórico de professores que ensinam Matemática nos Anos Iniciais. O objetivo geral consiste analisar as possibilidades da Atividade Orientadora de Ensino (AOE), enquanto princípio teórico-metodológico, paara o desenvolvimento do pensamento teórico de professores que ensinam Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Para tanto, definiram-se os objetivos específicos: caracterizar as necessidades formativas conceituais no âmbito da atividade pedagógica dos professores de Matemática participantes da pesquisa; explicar o processo de apropriação do pensamento teórico pelos professores de Matemática, mediado pela Atividade Orientadora de Ensino (AOE), sobretudo, pelas Situações Desencadeadoras da Aprendizagem (SDA); identificar elementos que evidenciem o desenvolvimento do pensamento teórico pelos professores de matemática dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Pressupostos do Materialismo Histórico-Dialético (Marx, 2008), da Teoria Histórico-Cultural (Vigotski, 2007, 2009), da Teoria da Atividade (Leontiev, 1978, 2021), da Teoria do Ensino Desenvolvimental (Davidov, 1988) e princípios da AOE (Moura, 1996, 2004, 2016) constituíram-se na base teórico-metodológica que fundamenta esta pesquisa. Parte-se do entendimento de que o pensamento teórico não emerge espontaneamente, mas se configura na atividade humana socialmente mediada, exigindo condições objetivas de ensino que favoreçam a aprendizagem consciente e sistematizada dos conceitos científicos. Desse modo,  a atividade pedagógica deve ser compreendida como prática social intencional, orientada por necessidades e motivos que se objetivam em ações pedagógicas. A AOE, nesse sentido, desloca o foco da transmissão mecânica de conteúdos para a organização de condições que possibilitem ao professor reconstruir o percurso lógico-histórico dos conceitos matemáticos, atribuindo-lhes significados sociais e sentidos pessoais. Metodologicamente, a pesquisa apoia-se nos pressupostos do Materialismo Histórico e Dialético e do Método Genético-Explicativo de Vigotski. Quanto aos instrumentos e técnicas de produção de dados, adotamos as entrevistas reflexivas e os encontros formativos (Oficina Pedagógica). A análise dos dados foi realizada por meio do dispositivo Análise por Unidades (Vigotski, 2007) e da proposta de Episódios e Cenas (Moura, 2004, 2010). Os resultados evidenciaram que as necessidades formativas conceituais das professoras se expressavam, inicialmente, na compreensão dos conceitos matemáticos como definições e procedimentos a serem transmitidos, revelando uma organização do ensino pautada predominantemente no pensamento empírico, marcada por sua própria trajetória escolar e formativa. Conclui-se que a AOE, enquanto princípio teórico-metodológico, constitui-se em possibilidade concreta de formação do pensamento teórico de professores que ensinam Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental, desde que as ações formativas sejam intencionalmente organizadas como atividade coletiva e articuladas às necessidades da atividade pedagógica.


    MARIA DE FÁTIMA ALMEIDA DE SOUSA HISTÓRIAS DE PROFESSORAS SOBRE ALFABETIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ENTRE CONCEPÇÕES E PRÁTICAS Data: 31/08/2026

    O estudo tem como objeto de estudo a alfabetização na educação infantil. Parte da seguinte questão-problema da pesquisa: Quais as concepções e práticas de professoras da Educação Infantil, que atuam na pré-escola, em relação aos processos de alfabetização e letramento de crianças? Nesta perspectiva, o trabalho tem como objetivo geral: Analisar concepções e práticas de professoras da educação infantil referentes aos processos de alfabetização e letramento nesta primeira etapa da educação básica. Partindo da questão de pesquisa e do objetivo geral, foram delimitados como objetivos específicos: identificar usos e funções da leitura e da escrita na Educação Infantil; descrever práticas docentes de alfabetização e letramento na Educação Infantil, na pré-escola e compreender as concepções teóricas que fundamentam as práticas docentes de alfabetização e letramento na Educação Infantil. A pesquisa se justifica pela necessidade de investigarmos as especificidades inerentes às concepções e práticas docentes de professoras alfabetizadoras na educação infantil, especificamente na pré-escola, nos aspectos teórico-metodológicos e conceituais, bem como por sua relevância no âmbito da produção científica sobre a alfabetização na Educação Infantil. A pesquisa possui relevância social e científica, uma vez que, poderá contribuir para fomentar discussões e debates em torno da temática, bem como possibilitará construir subsídios teóricos e metodológicos sobre o processo de alfabetização na Educação Infantil, revelando como as concepções e as práticas de alfabetização são construídas e se corporificar no cotidiano das instituições educativas. Quanto ao percurso metodológico optamos pela pesquisa (auto)biográfica, utilizando como dispositivos de produção de narrativas a entrevista narrativa e o memorial. Em relação os aspectos teóricos da pesquisa, entendemos a Educação Infantil como uma etapa fundamental no desenvolvimento das crianças nos seus mais diversos aspectos, na qual a criança deve ser considerada um ser social, possibilitando assim a ampliação do universo cultural de cada criança, a compreensão da realidade e a interação com o mundo. Em relação à alfabetização, o estudo tem como base a concepção de alfabetização como processo da aquisição da escrita, que abrange diversos aspectos do desenvolvimento da criança em caráter progressivo, perpassando a dimensão linguística e motora do educando.


    ANTONIO MARCOS FIRMINO DA SILVA LETRAMENTO MATEMÁTICO NA ATIVIDADE PEDAGÓGICA DE PEDAGOGAS: MEDIAÇÕES DA ATIVIDADE ORIENTADORA DE ENSINO (AOE) NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Data: 28/08/2026

    A organização do ensino de Matemática continua sendo um desafio central na formação de pedagogos(as), especialmente diante da predominância de práticas mecânicas que desvinculam o conhecimento de sua essência humana. Diante dessa problemática, o presente estudo tem como objeto de investigação o letramento matemático, tendo como delimitação a AOE no contexto da atividade pedagógica de pedagogas que ensinam matemática nos anos iniciais do ensino fundamental. O objetivo geral consistiu em analisar as possibilidades de desenvolvimento do letramento matemático a partir da vivência com a AOE. Para alcançá-lo, os objetivos específicos buscaram: a) caracterizar a atividade pedagógica das docentes para reconhecer suas necessidades formativas; b) criar condições para a vivência de situações desencadeadoras de aprendizagem (SDA) mediadas pela AOE; e c) analisar as significações produzidas pelas participantes sobre as potencialidades desse princípio metodológico. A pesquisa fundamenta-se nos pressupostos da Teoria Histórico-Cultural, da Teoria da Atividade e nos princípios da AOE. Metodologicamente, trata-se de um estudo de natureza explicativa ancorado no Método Genético-Explicativo de Vygotsky, voltado à compreensão da gênese e do desenvolvimento dos fenômenos. O campo empírico compreendeu professoras da rede pública municipal de ensino da cidade de União, Piauí, licenciadas em Pedagogia e que atuavam no ensino de Matemática nos 1º e 2º anos do Ensino Fundamental, e a produção de dados ocorreu por meio de encontros formativos e entrevistas reflexivas. A análise dos dados foi realizada através da Análise em Unidades, articulada à organização em episódios, em que buscou-se compreender o fenômeno em suas múltiplas determinações. Os resultados evidenciaram que a relação das pedagogas com a Matemática foi historicamente marcada por traumas e lacunas conceituais, resultando em uma visão da disciplina como algo difícil e sem sentido pessoal. Contudo, a vivência formativa demonstrou que a AOE atua como uma mediação fundamental, permitindo ao professor reorganizar intencionalmente o ensino. Conclui-se que esse movimento converte a aprendizagem mecânica em um processo de letramento matemático humanizador, com possibilidades para promover o desenvolvimento do pensamento teórico-científico.


    PEDRO VICTOR GÓIS MACIEL PROCESSO FORMATIVO CONTINUADO, O DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL E A PROFISSIONALIDADE DE PROFESSORES DO PROGRAMA DE RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA: limites e possibilidades Data: 27/08/2026

    Esta pesquisa teve como objetivo geral, buscou-se analisar quais as concepções implicadas no processo formativo continuado e no desenvolvimento profissional a partir da profissionalidade de professores-preceptores do Programa Residência Pedagógica. Este objetivo, tentou responder: Há implicações da profissionalidade docente nas concepções de processo formativo continuado e de desenvolvimento profissional dos professores-preceptores do Programa Residência Pedagógica? Para as possíveis respostas a esse questionamento, visando o alcance do objetivo apresentado, teve-se como objetivos específico: compreender o processo de profissionalidade dos professores-preceptores do Programa Residência Pedagógica; caracterizar o processo de formação continuada e de desenvolvimento profissional dos professores-preceptores do Programa Residência Pedagógica; identificar a percepção dos professores-preceptores quanto ao seu desenvolvimento profissional e formação continuada como docentes da Educação Básica, a partir das experiências formativas vivenciadas no Programa Residência Pedagógica. A pesquisa em destaque se embasou e apresentou conceitos, finalidade e diferentes visões sobre a formação de professores no que trata da formação continuada e do desenvolvimento profissional. Tratou-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, embasando-se na perspectiva fenomenológica, utilizando o método autobiográfico, utilizando-se como fontes narrativas o Memorial de formação e uma Roda de conversa. O critério para a escolha das participantes foram as características relativamente homogêneas das participantes, num quantitativo suficiente para o surgimento dos fatos. Desse modo, foram convidadas 6 professoras da rede municipal de ensino de Teresina, que já vivenciaram a experiência de preceptores no Programa Residência Pedagógica no curso de Licenciatura em Pedagogia do Centro de Ciências da Educação – CCE, da Universidade Federal do Piauí – UFPI, no período de vigência do Programa. As ações do Programa, as relações dos licenciandos e professores, as aprendizagens e experiências, mesmo que em alguns momentos não planejadas nas orientações, somaram para a qualificação profissional pessoal e coletiva dos professores, assim como, resultaram em momentos formativos pelos contextos reais de trabalho. A partir das análises, pôde-se inferir que os professores da educação básica, na condição de preceptores, desenvolvem-se profissionalmente ao estarem auxiliando os licenciados em seus processos formativos, no registro das aprendizagens práticas, com o incentivo de pesquisa para melhor dialogar com os residentes, buscando trabalhar com cautela os planejamentos elaborados em conjunto. Com esta pesquisa, esperou-se contribuir com as discussões sobre a profissão do professor, o seu desenvolvimento profissional e sobre sua formação contínua, visto essas categorias informar o status da profissão professor e os conceitos se apresentarem num movimento de oscilações, carregadas de ideologia, intenções, sendo muitas vezes apresentados como instrumentos interpretativos na compreensão da realidade presente, o que compreende necessitar de constantes diálogos para que se mantenha viva a compreensão dos conceitos que determinam um situado momento e que é necessário para manter o status profissional do professor.


    EMANUELA AQUINO MOREIRA MENDES Prática docente contextualizada com os saberes da cultura camponesa: narrativas de professores egressos da LEdoC Data: 27/08/2026

    A proposta de pesquisa embasa-se na questão: como os(as) professores(as) egressos(as) da Licenciatura em Educação do Campo, constroem e mobilizam saberes na prática docente, nos anos finais do Ensino Fundamental, contextualizando-os com os saberes da cultura camponesa? Com base no problema de pesquisa, o objetivo principal é: analisar como os(as) professores(as) egressos(as) da Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal do Piauí, Campus de Teresina, constroem e mobilizam saberes, na prática docente, nos anos finais do Ensino Fundamental, contextualizando-os com os saberes da cultura camponesa. O aposte teórico que fundamenta este estudo apresenta-se organizado por categoria da seguinte forma: cultura (Chauí, 2000; Tardin, 2002); Educação do Campo (Arroyo, 2014; Caldart, 2004; Molina, 2010); prática docente (Franco, 2012; Freire, 1996); saberes docentes (Charlot, 2000; Saviani, 1994; Tardif, 2014); Teoria Crítica (Adorno, 2020; Giroux, 1997). No desenvolvimento desta investigação, utiliza-se a pesquisa descritiva de caráter qualitativo e, como método e técnica de investigação, a abordagem narrativa. Como dispositivos de produção de dados usou-se o grupo focal (Gatti, 2005) e o diário de aula (Zabalza, 2004), junto a 4 (quatro) professores(as) da Escola Família Agrícola de Miguel Alves, egressos da LEdoC, estabelecendo como critérios de seleção: ser egresso(a) do curso da LEdoC; atuar nos anos finais do Ensino Fundamental nas escolas do/no Campo; e disponibilizar-se a participar da pesquisa. A análise dos dados segue a técnica de análise das narrativas de vida na perspectiva de Bertaux (2010). As narrativas apontam que os interlocutores constroem e mobilizam saberes, na prática, articulando os saberes da cultura camponesa aos conhecimentos escolares, por meio da sistematização de temas específicos, trabalhados com a utilização dos instrumentos da Pedagogia da Alternância, na escola e na comunidade, em que são relacionados os conteúdos trabalhados na sala de aula à realidade da vida do(a) estudante no campo. Portanto, os(as) estudantes aplicam a teoria que acessam na escola no cotidiano familiar e no trabalho no campo, interconectando conhecimentos, valorizando os saberes locais e intervindo na própria realidade.


    JOÃO VITOR ALVES CAVALCANTE COTIDIANO ESCOLAR E VIOLÊNCIA NA ESCOLA: SIGNIFICAÇÕES PRODUZIDAS POR PROFESSORES E ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO Data: 24/08/2026

    A violência na escola é um fenômeno multifacetado e atual, atingindo especialmente as realidades das escolas públicas do Brasil. Diante desse problema, muitas tentativas de compreensões, intervenções e formulações de políticas emergem para compreender e mediar a questão da violência na escola, com destaque para as escolas públicas de ensino médio, as quais têm sido marcadas por novas determinações da violência e expressam um cotidiano escolar mediado por conflitos, desencontros, medos e inseguranças. Diante disso, a presente pesquisa, vinculada à linha Formação Humana e Processos Educativos do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Piauí, aborda a temática da violência na escola e as suas mediações constitutivas no cotidiano escolar de ensino médio. Nesse sentido, parte do seguinte problema: como se constituem as práticas de violência e seus impactos no cotidiano escolar de professores e alunos do ensino médio em escolas públicas de Teresina? Tem como objetivo geral: investigar as práticas de violência e seus impactos no cotidiano escolar de professores e alunos do ensino médio em escolas públicas de Teresina. Como objetivos específicos, apresenta: 1) Analisar os significados e os sentidos sobre a violência na escola produzidos por professores e estudantes de ensino médio; 2) Conhecer as mediações constitutivas das práticas de violências vivenciadas no cotidiano escolar do ensino médio; 3) Analisar os impactos das práticas de violência no cotidiano de professores e alunos do ensino médio. A pesquisa está fundamentada no Materialismo Histórico-Dialético e na Psicologia Histórico-Cultural. A investigação, de natureza histórico-crítica, teve como campo empírico um Centro Estadual de Educação Profissional na cidade de Teresina, e contou com a participação de uma professora e um grupo de oito estudantes de ensino médio. Quanto as técnicas empregadas para a construção dos dados empíricos, adotou-se o questionário, o diário de campo, a entrevista reflexiva e a entrevista reflexiva coletiva. O procedimento de análise de dados adotado consistiu nos Núcleos de Significação. Por meio das análises, chegou-se a seis núcleos de significação, sendo três núcleos referentes aos dados empíricos produzidos pela professora participante e três núcleos referentes aos dados empíricos produzidos pelos grupos de estudantes. Com base nestes núcleos, os resultados analisados apontam significações que reproduzem um cotidiano escolar de ensino médio marcado por múltiplas práticas de violência, dinamizadas e expressas nas relações entre os estudantes de ensino médio, os professores e os demais atores da comunidade escolar, ora no papel de agentes, ora no papel de vítimas ou testemunhas dos episódios de violências. Conclui-se que um cotidiano escolar mediado pela violência na escola tem levado à produção de necessidades formativas por parte dos professores, direcionadas para as questões relativas às relações de gênero, diversidade e inclusão com impactos nas práticas pedagógicas escolares que representam óbices ao processo de humanização dos estudantes. 


    KAROLINE MAYANA DA SILVA BORGES CARTOGRAFIA DO OLHAR: a arte corporal da comunidade surda como política de resistência, inclusão e educação em direitos humanos Data: 07/08/2026

    A comunidade surda produz modos singulares de expressão, língua e existência, especialmente por meio de práticas artísticas e corporais que atravessam o corpo, a visualidade e a língua de sinais. Em um contexto em que a inclusão muitas vezes se limita ao discurso, essas produções revelam formas de resistência, criação e afirmação identitária que desafiam perspectivas ouvintistas e deslocam fronteiras históricas de exclusão. As narrativas encenadas em Libras, tanto no teatro quanto nas novelas, constituem territórios de força política e estética, capazes de tornar visíveis experiências, afetos e modos de viver que foram por muito tempo silenciados. É nesse entrelaçamento entre educação, arte, cultura, língua e direitos humanos que esta pesquisa se inscreve. Assim, esta pesquisa de mestrado objetiva analisar as potencialidades artísticas corporais da comunidade surda, destacando suas expressões políticas de resistência, inclusão e de educação em direitos humanos. Nos objetivos específicos, busca-se mapear as artes corporais do teatro e novelas da comunidade surda de Teresina-PI, destacando suas potencialidades; perceber as expressões políticas de resistência presentes nessas produções; identificar os modos de inclusão da pessoa surda mediados pelas artes corporais; perceber pistas de uma educação em direitos humanos a partir das performances artístico-corporais dessa comunidade. Em nossa abordagem metodológica, faz-se uso da cartografia de Deleuze e Guattari (1995, 2010) e Kastrup (2009), envolvendo 7 (sete) participantes, sendo 1 (um) intérprete e 6 (seis) surdos. No processo de criação dos dados, destacaram-se as narrativas visuais, as performances em Libras, as cenas das novelas produzidas pelos participantes, bem como seus relatos de experiência por meio de entrevista com atores e professores surdos, tomados aqui como dispositivos para pensar processos de inclusão/exclusão e modos de existir que emergem no cotidiano desses sujeitos. Os resultados evidenciam que as práticas artístico-corporais constituem importantes espaços de fortalecimento da cultura surda, de afirmação da Libras e de resistência às formas históricas de exclusão. As experiências compartilhadas pelos participantes revelam marcas de violência institucional, barreiras comunicacionais e representações ouvintistas que ainda atravessam suas trajetórias, mas também demonstram a potência da arte como espaço de criação, pertencimento e produção de novas formas de existência. As novelas e o teatro em Libras configuram-se como práticas estéticas, culturais e políticas que ampliam a visibilidade da comunidade surda, fortalecem identidades coletivas e promovem reflexões sobre inclusão e direitos humanos. Conclui-se que essas produções artísticas transcendem o campo da expressão cultural, constituindo-se como dispositivos de resistência, educação em direitos humanos e transformação social, capazes de tensionar modelos normativos de inclusão e afirmar a diferença como potência política e cultural.


    ÂNGELO MATEUS ARAÚJO DE BRITO Identidade Profissional Docente: percepções das professoras dos anos iniciais do Ensino Fundamental de São João da Fronteira – PI Data: 30/06/2026

    Este estudo tem como tema o processo de construção da identidade profissional docente de professoras dos anos iniciais do Ensino Fundamental. O problema que norteou a investigação foi: como as professoras percebem a construção da identidade profissional docente pelas práticas formativas experienciadas nos anos iniciais do Ensino Fundamental? Como objetivo geral, definiu-se: compreender como as professoras percebem a construção da identidade profissional docente pelas práticas formativas experienciadas nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Como objetivos específicos, buscou-se: analisar as concepções de identidade profissional docente construídas pelas professoras nos anos iniciais do Ensino Fundamental; descrever as práticas formativas experienciadas pelas professoras na construção da identidade profissional docente nos anos iniciais do Ensino Fundamental; e caracterizar as percepções das professoras na construção da identidade profissional docente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. O aporte teórico fundamenta-se no diálogo entre a teoria da identidade como invenção de si (Kaufmann, 2004), a noção de um pensar autêntico (Heidegger, 2009, 2018), a experiência do vivido como prática formativa (Larrosa, 2019, 2025), articuladas à ideia de percepção encarnada (Merleau-Ponty, 1999) e de docência como ato perceptivo (Freire, 1996), entre outros autores. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo, ancorada na epistemologia fenomenológica (Husserl, 1989; Zilles, 1996; Zitkoski, 1994; Merleau-Ponty, 1999, Heidegger, 2009). Como procedimentos metodológicos, utilizou-se o método das narrativas para o alcance da percepção, sendo os dados obtidos por meio da entrevista narrativa, cuja análise seguiu as orientações de Schütze (2011, 2014). A pesquisa foi realizada na Unidade Escolar Mãe do Bom Conselho, pertencente à Rede Municipal de Ensino de São João da Fronteira (PI), selecionada pela singularidade histórica ligada à própria identidade e emancipação do município. Participaram do estudo seis professoras, com as quais foi aplicado um questionário misto destinado à construção do perfil biográfico profissional, contemplando dados pessoais, formação e experiência docente. Os resultados revelaram, a partir das narrativas das professoras pesquisadas, que a identidade profissional docente é uma construção subjetiva e contínua, produzida nas experiências vividas da docência. Evidenciaram, ainda, que a condução no/pelo estudo é o signo primordial que sustenta a singularidade dessa identidade, manifestando-se no modo de ser professora-cuidadosa-metodológica, tecido no entrelaçamento entre o rigor metodológico e a sensibilidade estética. As narrativas também mostraram que a docência transcende a simples transmissão de conteúdo, constituindo-se como um ato amoroso de ser estudioso/a. Os achados do estudo suscitam novas reflexões acerca da identidade profissional docente de professores/as dos anos iniciais do Ensino Fundamental, contribuindo para a valorização social desses/as profissionais. Conclui-se que a identidade profissional docente não se reduz à formação técnica ou ao exercício funcional da profissão, mas constitui um processo contínuo de invenção de si, marcado pela experiência, pela reflexão e pelo compromisso ético-político de preservar a escola como espaço-tempo de formação. Nesse movimento, o/a professor/a (re)significa o experienciado na docência em possiblidades de renovação projetiva, fazendo da prática formativa docente um ato de amor ao conhecimento, de resistência e de presentificação autêntica do sujeito no contexto educacional.


    JULIANA MACÊDO DE CARVALHO CASTELO BRANCO POLÍTICAS DE DESCENTRALIZAÇÃO FINANCEIRA NAS ESCOLAS DO CAMPO EM TERESINA/PI Data: 26/06/2026

    Este estudo discute as políticas de descentralização financeiras para escolas do campo no município de Teresina, com foco nos Programas: Programa Dinheiro Direto na Escola(PDDE), Programa Autonomia, Cooperação e Transparência das Unidades Escolares (Pactue - Seduc) e Programa Fundo Rotativo(Semec) como políticas de financiamento da educação, que visam promover as condições de permanência do aluno na escola, se constituindo como programas para garantir os recursos necessários ao funcionamento das instituições escolares, bem como, uma ação cujo objetivo versa sobre a autonomia destas. A presente investigação tem como objetivos, geral: analisar os desafios e possibilidades da descentralização dos recursos financeiros para assegurar a garantia do direito à educação a partir das condições de oferta às escolas do campo em Teresina/PI e como específicos: descrever os desafios e as possibilidades das políticas de descentralização financeira destinadas as escolas do campo, a partir do PDDE, Pactue e o Fundo Rotativo, para a oferta da educação aos estudantes do campo; compreender o papel do Conselho Escolar no planejamento, execução e fiscalização dos recursos descentralizados para as escolas do campo; identificar as ações, bem como os desafios que as escolas do campo no município de Teresina, enfrentam na gestão dos recursos financeiros descentralizados para realizá-las e analisar os documentos legais que orientam e normatizem as políticas de descentralização de recursos para as ações do PDDE, Pactue e Fundo Rotativo. Para fundamentar buscamos alicerce em: Adrião e Peroni (2007); Arretche (1996); Arroyo (2008, 2012); Barroso (1996), Bianchete (2001); Caldart (2004), Cruz et al (2004); Gonçalves et al (2020); Locatelli (2011); Mendonça (2012); Molina (2015); Novaes e Fialho (2010); Oliveira (2015); Paro (2008, 2010), bem como nos documentos legais (Brasil, 1988, 1996, 2002) dentre outros que discutem a temática. Na metodologia optamos pela abordagem qualitativa, do tipo descritiva, a pesquisa foi realizada com 04 diretoras escolares e 01 técnica de Secretaria. Para construir os dados utilizamos levantamento bibliográfico, análise documental e entrevista semiestruturada, com aporte teórico em: Minayo (2002), Richardson (2012), Sá Silva et al (2009), e Flick (2013), Gamboa (2013). Para a análise dos dados utilizamos a Técnica de Análise de Conteúdo com base em Bardin (2016). Os dados empíricos apontam que as Escolas do Campo no município de Teresina enfrentam desafios na gestão dos recursos financeiros descentralizados, que vão desde as dificuldades em convencer a comunidade escolar a participar do planejamento e execução das ações inerentes aos programas descentralizados, fortalecendo o papel dos Conselhos Escolares, passando pela autonomia das escolas que se limita ao que é estabelecido pelas legislações, ao auxílio da secretaria de educação no que se refere ao processo de prestação de contas, a responsabilização dos gestores escolares em assumir mais essa função, até a insuficiência dos recursos, visto as especificidades de cada unidade de ensino. Para além disso, os resultados revelam que, embora a gestão dos recursos financeiros descentralizados esteja imbricada de desafios, no que se refere ao planejamento, execução e fiscalização, os programas de descentralização financeiras PDDE, Pactue e Fundo Rotativo, possibilitam que as unidades de ensino adquiram bens e contratem serviços que auxiliem na manutenção das escolas e nos processos de ensino aprendizagem contribuindo para assegurar a garantia do direito à educação a partir das condições de oferta às escolas do campo no município de Teresina. Evidencia-se que a descentralização da educação, realizada na forma de desconcentração de recursos, é também uma maneira do Estado se desresponsabilizar pelos problemas que cerceiam a educação nas escolas.

     


    DULCINÉA ANGELA DA SILVA LOPES Coordenação Pedagógica em escola de tempo integral: caracterização das práticas no Ensino Fundamental na rede municipal de Teresina/PI Data: 24/06/2026

    Esta pesquisa aborda a prática da Coordenação Pedagógica em escola de Ensino Fundamental de tempo integral, trazendo o problema investigativo: como a Coordenação Pedagógica de Ensino Fundamental desenvolve a prática pedagógica em escola de tempo integral? Para responder a essa questão-problema, definiu-se como objetivo geral: compreender como a Coordenação Pedagógica de Ensino Fundamental desenvolve a prática em escola de tempo integral. E, como objetivos específicos: caracterizar as funções da prática da Coordenação Pedagógica em escola de tempo integral; identificar os desafios da prática da Coordenação Pedagógica na escola de tempo integral, indicando as estratégias utilizadas por esse segmento para enfrentá-los; descrever os sentidos das funções desempenhadas pela Coordenação no desenvolvimento da prática pedagógica em escola de tempo integral. Trata-se de um estudo de caso do tipo etnográfico em educação, na perspectiva de André (1995), realizado em uma escola de tempo integral da rede municipal de Teresina (PI). Como fonte de produção de dados, fez-se uso da observação participante, cujos registros foram realizados em diário de campo, da entrevista narrativa, da análise documental e do questionário do perfil profissional. Os referenciais teóricos utilizados foram: Cavaliere (2007, 2014) e Coelho e Hora (2013), abordando concepções de Educação Integral e Escola de Tempo Integral; Franco (2016), na compreensão sobre prática pedagógica; Saviani (2008) e Vasconcellos (2019), no viés da Coordenação Pedagógica. Quanto à pesquisa participante, usou-se Angrosino (2009) e Gil (2010), além de Gibbs (2009), pontuando o uso do diário de campo, e Schütze (2013), discorrendo sobre a Entrevista Narrativa como dispositivo de produção e análise dos dados, sob a ótica da base epistemológica de Husserl (2020). Diante do exposto, os resultados revelaram que a Coordenação Pedagógica desenvolve a prática pedagógica articulando funções que priorizam o processo de ensino e aprendizagem, numa relação de valorização do diálogo com a comunidade escolar. Nas funções realizadas, mesmo que se perceba a predominância por atividades técnicas, evidenciando o caráter pragmático e instrumental, tais atividades estão direcionadas para a garantia do processo de ensino e aprendizagem. Conclui-se que prevalece como sentido das funções exercidas a responsabilidade por fazer acontecer o processo de ensino e aprendizagem, em meio aos desafios do gerenciamento de uma multiplicidade de incumbências, da ausência de formação continuada específica, da estrutura física inapropriada da escola, da falta de recursos materiais e profissionais especializados para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que contemplem as funções e atividades da Coordenação Pedagógica na escola e no ensino em tempo integral. 


    JOSÉ ADERSINO ALVES DE MOURA FORMAR-SE PROFESSOR EM ATIVIDADE: SIGNIFICAÇÃO DA ATIVIDADE ORIENTADORA DE ENSINO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Data: 15/05/2026

    Esta pesquisa parte do entendimento de que a formação docente para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) apresenta lacunas teórico-metodológicas, escassez de experiências formativas sistematizadas e pela hegemonia de uma concepção instrumental do ensino, frequentemente orientada a práticas adaptativas em detrimento de uma perspectiva emancipadora de formação humana. Inscrito nesse cenário, o estudo problematiza: como se desenvolve a significação da Atividade Orientadora de Ensino (AOE) por licenciandos de Pedagogia durante o estágio na EJA, como mediação da formação da consciência pedagógica voltada para a formação humana? Defendemos a tese de que a significação da AOE por licenciandos de Pedagogia em estágios na EJA, ao gerar contradições na atividade pedagógica que realizam, contribui para formação de motivos da atividade de ensino potencializadora da formação de consciência pedagógica emancipadora. O objetivo consistiu em investigar como licenciandos de Pedagogia significam a AOE durante o estágio na EJA como mediação da formação da consciência pedagógica voltada para a formação humana. A investigação, vinculada à Linha de Pesquisa Formação Humana e Processos Educativos do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Piauí (PPGEd/UFPI), desenvolveu-se como pesquisa-formação de natureza onto-crítica, fundamentada no Materialismo Histórico-Dialético, na Teoria Histórico-Cultural, na Teoria da Atividade e mobilização dos princípios mediadores da Atividade Orientadora de Ensino. Materializou-se por meio de um Experimento Didático-Formativo (EDF), realizado em Curso Formativo de Extensão, com a participação de nove licenciandos do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), em estágio obrigatório na EJA, anos iniciais, classes multisseriadas, em duas escolas da rede pública municipal de Teresina-PI. Os resultados evidenciam que a AOE foi significada como mediação onto-reflexiva da formação docente, instituindo-se como instrumento de apropriação de conceitos teórico-científicos e de objetivação da formação humana. Ao universalizar-se na práxis pedagógica, possibilitou a reorientação dos motivos da atividade, a transformação dos sentidos pessoais atribuídos ao ensino e o fortalecimento da consciência pedagógica. Esse movimento expressa indícios de entrada em atividade, na qual os motivos passam a orientar-se progressivamente pelo objeto do ensino, ampliando a intencionalidade educativa e o potencial transformador do trabalho docente como expressão singular da consciência social, ainda que de modo desigual, contraditório e historicamente inacabado.

     


    MARIA ROSÍLIA DA SILVA ARAÚJO A POLÍTICA EDUCACIONAL E O DIREITO À EDUCAÇÃO NO MUNICÍPIO DE ALTOS-PI Data: 27/04/2026

    A presente pesquisa tem como objeto de estudo a Política Educacional do município de Altos–PI, orientada pelo seguinte questionamento: quais as aproximações e os distanciamentos da política educacional desenvolvida no município de Altos – PI com a efetivação do direito à educação? Definimos, como objetivo geral: analisar as aproximações e distanciamentos na política educacional de Altos com a efetivação do direito à educação. Como objetivos específicos, delineamos: conhecer a estrutura do Sistema Municipal de Educação de Altos, no que se refere às instâncias de deliberação, normatização, execução e controle social das políticas educacionais; caracterizar a oferta educacional no município em relação ao atendimento, aos mecanismos de gestão do sistema e das unidades escolares, ao financiamento, à valorização dos profissionais da educação, ao currículo e à avaliação; e analisar a sistemática de atuação da Secretaria Municipal de Educação no que diz respeito ao planejamento, à execução e à avaliação das políticas educacionais. Para as discussões deste estudo, organizamos as seguintes categorias: Política educacional e direito à educação: Hofling (2001), Cury (2002), Shiroma, Moraes e Evangelista (2004), Vieira (2007), Saviani (2013), Lord (2017), Martins (2018), Cara (2019) e Brasil (1988, 1996, 2001, 2014); descentralização e municipalização da educação: Lagares (1998), Peroni (2003), Bordignon (2009), Vieira e Farias (2007); (Sistemas Municipais de Ensino: Saviani (1999), Duarte (2002), Sarmento (2005), entre outros(as) autores(as) que versam sobre a temática. Os dados foram analisados com base na Técnica da Análise de Conteúdo de Bardin (2016). Trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório. Os dados foram analisados com base na técnica de Análise de Conteúdo de Bardin (2016). Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório. Os(as) participantes do estudo foram seis pessoas que integram a gestão educacional do município e atuam na Semed, sendo: o(a) secretário(a) de educação, o(a) presidente(a) do Conselho Municipal de Educação e quatro técnicos(as). Para a construção dos dados, utilizamos a entrevista semiestruturada. Os resultados mostram que o Sistema Municipal de Ensino se organiza por instâncias de deliberação, normatização, execução e controle social, por meio da Semed, do CME, do FME, do CACS-Fundeb e da Comae, evidenciando que o CME de Altos–PI, enquanto órgão do SME, atua de maneira esporádica no planejamento e na fiscalização das políticas educacionais. Em relação à sistemática de atuação da Secretaria de Educação, identificamos que esta se desenvolve de forma centralizada, por meio de práticas de monitoramento e com limitações no diálogo com os demais órgãos do SME. Quanto à caracterização da oferta educacional, que abrange a Educação Infantil, o Ensino Fundamental, a EJA e a Educação Especial, aponta desafios relacionados à ampliação de vagas, ao atendimento da Educação Especial e à restrição de acesso à EJA para a população. Evidenciamos, ainda, o fechamento de um número significativo de escolas do campo. No que se refere ao financiamento, verificamos que o município aplica o mínimo constitucional destinado à manutenção e ao desenvolvimento do ensino na rede municipal, contudo, ainda apresenta carência de insumos. Além disso, os dados indicam que a valorização da carreira docente enfrenta desafios e elevada predominância de profissionais admitidos por meio de contratos temporários. Embora a legislação vigente assegure o direito à educação para todos, concluímos que ainda existem distanciamentos na efetivação desse direito no município de Altos–PI, o que requer da administração pública a revisão das legislações do sistema municipal e a melhoria das condições de desenvolvimento da política educacional local.

     


    MARLIA FERREIRA RIBEIRO JUVENTUDES PENSADORAS DAS MÁSCARAS DOS MEDOS: "Visitantes" na Escola Pública Data: 06/04/2026

    RESUMO

    Esta pesquisa tem como tema o medo na escola, assim delimitado: O medo e sua influência sobre o modo como os jovens habitam a escola pública de Ensino Médio em Teresina. Dessa forma, resultou-se no seguinte problema da pesquisa: Quais os medos que atravessam os corpos das/dos jovens na escola pública de Ensino Médio e que influenciam no seu modo de habitar esse território? A pesquisa tem como objetivo geral investigar os medos que atravessam os corpos das/dos jovens no seu modo de habitar a escola pública de Ensino Médio, e como objetivos específicos: identificar os medos das/dos jovens da/na escola pública; compreender a influência dos medos no modo de habitar das/dos jovens o território escolar; e perceber os modos de resistência dessas/es jovens para superar os medos. A fundamentação teórica traz a discussão sobre juventudes, medo e território da pesquisa, com base em estudos de Groppo (2017), Hooks (2013), Mbembe (2018), Santos, Amorim e Sousa (2021), Caponi e Daré (2020), Butler (2019), Adad (2012), Bauman (2011, 2022), Safatle (2016), Goleman (1996), Pacheco (2008), Ferreira (2018), entre outros. O método utilizado é a Sociopoética, conforme Adad (2014), Gauthier (2012, 2016, 2024), por propiciar a escuta das juventudes sobre os medos que a afligem. Tendo como local da pesquisa de campo uma escola pública de ensino médio, formando um grupo-pesquisador de seis (6) jovens discentes, com idades entre dezesseis e dezessete anos, cinco (5) do sexo feminino, e 1(um) do sexo masculino, chamadas copesquisadoras. A técnica de produção de dados utilizada foi a confecção das máscaras do medo. Essa pesquisa trouxe como resultado a produção de ideias, confetos (conceitos permeados de afetos) e problemas sobre o medo na escola inseridos em 3 dimensões, o Corpo na escola: Medo-corpos-multidão-de-desconhecidos, e Medo-corpos-maior-comunidade; a relação com o outro e a identidade: Medo-Sombra-Julgamento, Medo-Professor-Fariseu-fogo, Medo-desconhecido-amigo, Medo-Confusa-duas-facetas; Temporal: Medo-Sombra-Julga-mento, Medo-Professor-Fariseu-fogo, Medo-desconhecido-amigo, Medo-Confusa-duas-facetas. Os modos como esses medos influenciam na vida das juventudes como a sensação de não ter controle sobre si mesma, se sentir a pior pessoa do mundo, ser tomada por momentos-intensidade, com sentimentos fortes, avassaladores, tristes que fazem as/os jovens acabarem com as amizades, os relacionamentos, performaram socialmente como forma de defesa. Percebi seus modos de resistência que são os aliados: amigos, namorados, pai, mãe, professoras/professores e o próprio medo. A pesquisa me mostra que o medo na escola influencia no modo como as juventudes habitam este território, e que o corpo é onde se manifesta o medo e onde se inicia a busca por segurança, e a partir de suas experiências e saberes são capazes de desenvolver modos de resistência para melhor conviver na escola.


    DILMAR RODRIGUES DA SILVA JÚNIOR DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DOCENTE E A CONSTITUIÇÃO DOS SABERES DA PRÁTICA PEDAGÓGICA ALFABETIZADORA EM CLASSES MULTISSERIADAS Data: 05/03/2026

    O desenvolvimento profissional docente pressupõe uma aprendizagem ao longo de toda a carreira, com a finalidade dos professores alinharem suas necessidades e interesses aos de seus alunos, contribuindo para a melhoria das instituições escolares. Este estudo tem como objeto: Desenvolvimento profissional de professoras alfabetizadoras de classes multisseriadas em escolas do/no campo. Estabelecendo a seguinte questão-problema: Quais as contribuições do desenvolvimento profissional na mobilização dos saberes na prática pedagógica alfabetizadora em classes multisseriadas? Como objetivo geral: Analisar as contribuições do desenvolvimento profissional na mobilização dos saberes e fazeres na prática pedagógica alfabetizadora de classes multisseriadas em escolas do/no campo. Os objetivos específicos são: a) identificar os elementos que caracterizam o desenvolvimento profissional das professoras alfabetizadoras de classes multisseriadas; b) caracterizar os saberes e fazeres da prática de professoras alfabetizadoras de classes multisseriadas que se entrelaçam com o desenvolvimento profissional; c) compreender as histórias de vida de professoras alfabetizadoras de classes multisseriadas e suas implicações no seu processo de desenvolvimento profissional. O estudo propõe a seguinte Tese: “O desenvolvimento profissional contribui para a mobilização dos saberes na prática pedagógica alfabetizadora de professoras que atuam em classes multisseriadas de escola do campo”. A tese apresenta as seguintes categorias teóricas: Classes Multisseriadas, Desenvolvimento Profissional Docente, Prática Pedagógica Alfabetizadora e Saberes Docentes. A pesquisa tem como fundamento a abordagem fenomenológica de Edmund Husserl, discutida por meio dos estudos de Lima (2014) e os pressupostos do método (auto)biográfico, conforme Delory-Momberger (2008), Ferrarotti (2010), Nóvoa (1992), Nóvoa e Fínger (2010), Passeggi (2021, 2023), entre outros. A metodologia adotada foi a pesquisa (auto)biográfica, por possibilitar o acesso às histórias de vida, formação e práticas pedagógicas das narradoras. Quanto a produção de fontes narrativas foram: as Entrevistas Narrativas (Auto)biográficas, fundamentados em Bragança (2012), Clandinin e Conelly (2011), Jovchelovitch e Bauer (2010), Schütze (1987), Souza (2008), e os Memoriais Biográficos de Formação inspirados em Bertaux (2010), Brito (2010), Josso (2002, 2006), Nóvoa (1995), Passeggi (2008), Prado e Soligo (2007), entre outros. O campo empírico contemplou cinco escolas de classes multisseriadas do contexto da educação do campo, que atendem a etapa dos Anos Iniciais Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), da rede municipal de ensino de Caxias- MA. Participaram do estudo cinco professoras alfabetizadoras. A análise das narrativas foi conduzida por meio da Análise Interpretativa e Compreensiva, conforme propõe Souza (2014). Os resultados indicam que as professoras alfabetizadoras consideram o seu desenvolvimento profissional um campo de produção de saberes, concepções, ideias e conhecimentos que sustentam os seus fazeres ao longo de sua trajetória profissional. O desenvolvimento profissional de alfabetizadoras é visto como um entrelaçamento entre história de vida, formação inicial/continuada e as formas com às quais a prática acontece no momento histórico e social da educação do campo.


    LARYSSE SEPÚLVEDA SILVA HISTÓRIA E MEMÓRIA DO GRUPO ESCOLAR AFONSO MAFRENSE EM ALTOS-PIAUÍ (1938 a 1971) Data: 27/02/2026

    Este trabalho acadêmico resulta de uma investigação na área da História da Educação, tendo como objeto de análise a história e a memória do Grupo Escolar Afonso Mafrense, localizado em Altos, estado do Piauí, no período de 1938 a 1971. O recorte temporal justifica-se pelo fato de que, em 1938, a então escola agrupada foi elevada à categoria de grupo escolar, passando a denominar-se Grupo Escolar Afonso Mafrense. Já em 1971, a reforma educacional nacional culminou na promulgação da Lei nº 5.692/71, que unificou o ensino primário e o ginásio, instituindo o 1º grau. Apresentamos como objetivo geral: analisar a história e a memória do Grupo Escolar Afonso Mafrense na sistematização do ensino público de Altos (1938 a 1971). Para alcançar o objeto proposto, elencamos os seguintes objetivos específicos: compreender o processo de implantação e consolidação do Grupo Escolar Afonso Mafrense; examinar os processos de organização e funcionamento do Grupo Escolar Afonso Mafrense; discutir os aspectos da cultura escolar existente no grupo escolar Afonso Mafrense. A pesquisa é de natureza qualitativa, fundamentada nos pressupostos teórico-metodológicos da Nova História Cultural, baseada na obra de Roger Chartier (1990). Nesse sentido, apresenta as seguintes categorias de análise e seus autores, a saber: as Instituições Educativas: Magalhães (2004); Grupos Escolares: Vidal (2006), Souza (2008), Lopes (2006), Sales (2002), Souza (2007, 2008, 2017), Faria Filho (2007), Souza e Faria Filho (2006), Queiroz (2013); Cultura Escolar: Dominique Júlia (2001), Viñao Frago e Escolano (1998); Memória: Le Goff (2003), Felix (1998); Historia Oral: Verena Alberti (2008). Além destes, destacamos outros autores que abordam temas relacionados à cidade de Altos, como: Dias (2013, 2016), Rodrigues (1991), Raulino Neto e Dias (2016). Ademais, utilizamos os relatos orais dos participantes da pesquisa, fotografias, jornais e Diário Oficial do Piauí, bem como outros documentos existentes no Arquivo Público do Estado do Piauí como fontes para consolidar a investigação. A pesquisa tanto amplia os conhecimentos sobre a educação no município de Altos no século XX quanto contribui para os estudos sobre a história da educação piauiense e brasileira. Concluímos que o Grupo Escolar Afonso Mafrense fortaleceu positivamente a educação na cidade de Altos, implantando práticas culturais significativas que foram difundidas pelos alunos em articulação com a sociedade local, cujas representações, portanto, estão presentes na memória e na história dos altoenses.


    NEIDE NAIRA PAZ LEMOS DIÁLOGOS SOBRE A PRÁTICA EDUCATIVA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: SIGNIFICAÇÕES DE PROFESSORAS Data: 27/02/2026

    Este estudo tem como objeto, a prática educativa na Educação Infantil, analisando as significações atribuídas por professoras por meio de suas narrativas. A pesquisa parte da seguinte questão-problema: A partir de narrativas de professoras, como a prática educativa é materializada na Educação Infantil? O objetivo geral consiste em analisar, a partir de narrativas de professoras, como a prática educativa é materializada na Educação Infantil. De modo específico, o estudo pretende: averiguar como professoras da Educação Infantil dão materialidade aos aspectos teóricos e metodológicos de suas práticas educativas; compreender, a partir de narrativas de professoras da Educação Infantil, suas significações sobre crianças e sobre a prática educativa; refletir sobre as interfaces entre prática educativa e autoformação, considerando narrativas de professoras da Educação Infantil. Em conformidade com os objetivos da investigação, o estudo defende a tese que a prática educativa na Educação Infantil pode se materializar como um processo discursivo, dialógico e eticamente responsivo se for apoiada em fundamentos teóricos e metodológicos que respeitem significados sociais sobre crianças, infâncias, sobre seus direitos de aprendizagem e de desenvolvimento, assim como se respeitadas a autoria e autonomia docente. No contexto do estudo, a Educação Infantil é compreendida como campo educativo e social que necessita reconhecer as crianças como sujeitos de direitos e de cultura, para assegurar que se desenvolvam de modo integral. A prática educativa é concebida como atividade intencional, relacional e situada, produzida nas interações cotidianas que se desenvolvem na Educação Infantil. Sobre Educação Infantil e prática educativa para as infâncias, a pesquisa se ancora nos estudos de Bakhtin (2001); Oliveira-Formosinho; Kramer; Kishimoto; Pinazza; Vieira; Baptista, entre outros. O estudo foi desenvolvido conforme pressupostos do método autobiográfico, tendo como dispositivos o diário da prática e os ateliês biográficos, a partir das contribuições de  Souza (2006), Delory-Momberg (2010), entre outros. A pesquisa foi realizada em uma instituição de Educação Infantil, situada no município de Teresina, Piauí, contando com a colaboração de quatro professoras que atuam na Educação Infantil. O processo analítico transcorreu por meio da análise compreensiva-interpretativa das narrativas, proposta por Souza (2006). Os resultados da investigação revelam que a prática educativa na Educação Infantil se materializa em conformidade com os princípios da pedagogia transmissiva, privilegiando o ensino mecânico da leitura e da escrita. Os resultados revelam, também, o cerceamento dos direitos das crianças, relativamente às brincadeiras e interações, à escuta, à autoria e ao desenvolvimento integral, a partir de diferentes linguagens, em face de uma prática educativa reguladora e prescritiva, voltada para resultados quantitativos de aprendizagem. As conclusões do estudo mostram a necessidade de concretização de práticas educativas, na Educação Infantil, constituídas como um processo discursivo, relacional e eticamente orientado, no qual as professoras e crianças possam autora nos processos de aprendizagem e desenvolvimento. Em síntese, as conclusões mostram, ainda, que os direitos das crianças, no que se refere ao brincar, à escuta e à mediação sensível das práticas educativas precisam ser assegurados, a fim de que a Educação Infantil cumpra se propósito de assegurar o desenvolvimento integral das crianças.


    ZILDA TIZZIANA SANTOS ARAÚJO CONHECIMENTO TECNOLÓGICO E PEDAGÓGICO DO CONTEÚDO (TPACK) E FORMAÇÃO DOCENTE EMANCIPATÓRIA: CONTRIBUIÇÕES DO CICLO EXPANSIVO DE APRENDIZAGEM Data: 27/02/2026

    A docência contemporânea enfrenta o desafio da integração tecnopedagógica sob a égide da racionalidade crítico-emancipatória. Consoante com tal desafio, está a necessidade de desenvolvimento do Conhecimento Tecnológico e Pedagógico do Conteúdo do (TPACK). Daí a relevância de que os professores possam acessar este conhecimento por meio de uma atividade formativa pautada na reflexão crítica, tomando como base o Ciclo Expansivo de Aprendizagem (Engeström, 2016). E é este o escopo desta pesquisa, a atividade formativa de professores, delimitando-se: o ciclo expansivo de aprendizagem, enquanto estratégia para o seu desenvolvimento; e o TPACK, como o seu motivo orientador. Assim, o objeto de estudo é a atividade formativa de professores, realizada a partir do ciclo expansivo de aprendizagem e assentada na referida racionalidade. Delimitando o problema da seguinte maneira: a atividade formativa, quando realizada a partir do ciclo expansivo, promove aprendizagens potencialmente expansivas e emancipatórias entorno do TPACK? O objetivo geral consistiu em analisar se a atividade formativa de professores, quando realizada a partir do ciclo expansivo, tem potencial para promover essas aprendizagens. Especificamente, objetivou: identificar como os professores significam a docência mediada por tecnologias digitais; descrever o percurso vivenciado pelos professores na atividade formativa, enfatizando as aprendizagens entorno do TPCK. Elencar as contribuições do ciclo expansivo para aprendizagens potencialmente expansivas e emancipatórias, direcionada a esse conhecimento. Metodologicamente, o estudo vincula-se a uma matriz epistemológica alicerçada na Teoria Crítica (Habermas, 2002), na Teoria da Atividade Histórico-Cultural (Vigotski, 1988; Leontiev, 1978), na Teoria da Aprendizagem Expansiva (Engeström, 1987) e na Filosofia da Práxis (Sánchez Vázquez, 1977); delineia-se como: pesquisa de natureza qualitativa (Minayo, 2001), com abordagem Etnometodológica (Coulon, 2005), do tipo pesquisa-ação crítica (Franco, 2005). O locus foi uma escola da rede pública estadual com oferta de educação profissional, situada no município de Pedro II, no Piauí. Os participantes,  selecionados com base em critérios de inclusão e exclusão, foram cinco docentes com mais de três anos de experiência na educação profissional. A produção dos dados envolveu os seguintes procedimentos: grupo focal, questionário, observação participante e o curso de formação em TPACK. Subsidiados pelos seguintes instrumentos: formulários on-line, roteiro de entrevista, diário de campo e as notas reflexivas. A análise de dados fundamenta-se na hermenêutica-dialética e na Análise de Conteúdo. Os resultados revelaram que o sistema de atividade docente encontrava-se permeado por contradições e um double bind (duplo vínculo) em razão pelas tecnologias emergentes, sobretudo a IA, que levava a ambivalências desencadeadoras da evitação e de medos docentes em relação a tais artefatos. Entretanto, o ciclo expansivo operou como motor dialético, por meio de um dilema desorientador, e levou a ressignificações amparadas na reflexão crítica, na estimulação da metacognição e na multivocalidade. Novos sentidos foram produzidos, evidenciando o seu potencial expansivo e emancipatório por despertar a práxis criadora pautada na consciência pedagógica transformada e na ética.   


    THALLYTA CASTELO BRANCO VASCONCELOS GUARDIÃS DE SABERES DO PIAUÍ: Fazeres educativos e afetos das matriarcas Dona Depa e Chica Lera Data: 27/02/2026

    A presente pesquisa de Mestrado está vinculada ao Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Piauí (PPGEd – UFPI), na linha de pesquisa de Educação, Diversidade/Diferença e Inclusão, apresentando como objeto de estudo as “Guardiãs de Saberes do Piauí: Fazeres educativos e afetos das matriarcas Dona Depa e Chica Lera”. Traz como objetivo geral: Compreender os fazeres, saberes e afetos dessas mulheres, a partir de suas narrativas matriarcais advindas da tradição oral. Especificamente, objetiva-se: Mapear mulheres guardiãs e suas histórias de vida em comunidades do Piauí, observando seus fazeres educativos, saberes e afetos; Identificar características matriarcais de Dona Depa e Chica Lera, a partir de seus fazeres, saberes e afetos, descritos em suas oralidades; Analisar nas oralidades dessas mulheres Guardiãs a relação dos processos de transmissão com o fortalecimento do sentido de pertencimento comunitário; Criar dispositivos artísticos e pedagógicos, a partir de suas oralidades, como ferramentas de reparação histórica. Para compreender as dinâmicas em que se desenrolam as existências das matriarcas, usou-se como metodologias a Cartografia (Deleuze; Guattari,1995) em confluência com a História oral (Thompson,1992) e as Oralituras de Leda Maria Martins (2003) para o processo de análise das narrativas, pois entende-se que as participantes não se configuram como objeto de pesquisa e sim como vidas em processo de construção de sua historicidade. Na técnica de produção de dados, fez-se uso do dispositivo da Contação de história com o conto “A mulher, o poço e a estrada, de autoria da pesquisadora. Nesse processo cartográfico, foi feito o mapeamento dos territórios da pesquisa o Quilombo Curral Velho, município de São João do Piauí, onde vive Dona Depa (97 anos) e a Comunidade Rural Fortaleza IV, município de Esperantina, onde vive Chica Lera (86 anos). Entende-se a pesquisa como campo rizomático, cujo corpo e território dessas mulheres matriarcas e suas comunidades, se manifestam em multiplicidade, impossibilitando visões lineares em busca de respostas e conceitos pré-determinados. Assim, as fontes da pesquisa divergem da visão eurocêntrica, superando barreiras  colonizadoras, tendo como paradigmas teóricos Hampâté Bâ (1999), Oliveira (2018), Carneiro (2023), Kilomba (2019), Bispo (2019), Fanon (2022), Santos (2010), Souza; Boakari (2013), Sodré (2002), Hooks (2017; 2023), Crenshaw (2002), González (1984), Silva (2020), Sousa (2020), Mbembe (2013), Vaz e Ramos (2021), Deleuze e Guattari (1995), Kastrup (2015) e Martins (2003), além de outros nomes que trilham a mesma perspectiva epistemológica. Ao registrar as oralidades de mulheres negras matriarcas de comunidades tradicionais piauienses, identificou-se saberes invisibilizados com os quais pode-se aprender a partir de suas trajetórias, atravessando dor e sofrimento, mas enaltecendo a potência insurgente de seus saberes, fazeres educativos e afetos. A pesquisa revela que as matriarcas Dona Depa e Chica Lera foram capazes de criar modos de viver em equilíbrio com a natureza e sua ancestralidade, em qualquer que fossem as condições existenciais, seus corpos seguem fazendo história e produzindo modos de resistência, subvertendo a lógica da colonialidade do saber, do poder, do ser. A potência dessas mulheres em suas oralidades matriarcais carrega o compartilhamento de ideias e sonhos, que o cotidiano faz enrramar pelo seio da comunidade, comovendo seus pares e fazendo nascer um sentido de pertencimento comunitário, um lugar político de expressão de suas forças de liderança matriarcal.

     


    ANA GABRIELE DE MOURA RODRIGUES ICMS EDUCAÇÃO E DIREITO A EDUCAÇÃO NO PIAUÍ Data: 27/02/2026

    O financiamento da educação no Brasil tem evoluído para além da mera alocação de recursos, incorporando mecanismos de indução de políticas públicas focados em resultados. Com a promulgação da Emenda Constitucional nº 108/2020, que tornou a política do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) Educação obrigatória, o Estado do Piauí instituiu seu modelo pela Lei nº 7.429/2020, criando o Índice de Qualidade da Educação Municipal (IQEM). Esta pesquisa analisa a relação entre os princípios e critérios do ICMS Educação e a efetivação do direito à educação no Piauí. Os objetivos específicos incluem: identificar as concepções de equidade e qualidade no marco legal; analisar o desenho do IQEM e sua dependência umbilical com o Sistema de Avaliação Educacional do Piauí (SAEPI); investigar a definição do nível socioeconômico na legislação; e avaliar a perspectiva municipal frente aos resultados de implantação. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem mista fundamentada no paradigma pragmático, articulando análise bibliográfica crítica e documental (Leis nº 7.429/20 e nº 7.540/21; Decretos nº 20.429/21, nº 21.499/22 e nº 22.732/24), além da análise estatística descritiva dos dados preliminares do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) para 2025. Os resultados revelam que o Piauí construiu um modelo técnico sofisticado, mas com uma concepção de qualidade reducionista, limitada ao desempenho em testes. Observou-se que a representatividade financeira do incentivo (10%) é modesta e insuficiente para municípios de grande porte, além de sofrer com o "uso livre" dos recursos, que não possuem vinculação obrigatória com a área pedagógica. Conclui-se que a política opera sob uma lógica de "prêmio e castigo" que pode aprofundar desigualdades caso não haja um regime de colaboração horizontal e o fortalecimento do controle social sobre os recursos distribuídos.


    SAMILLY DA SILVA SOARES FORMAÇÃO ESTÉTICO-LITERÁRIA DE PEDAGOGOS: realidade e possibilidade de formação humana Data: 27/02/2026

    Nesta pesquisa estudamos a formação estético-literária dos discentes do curso de Pedagogia da Universidade Federaldo do Piauí no que diz respeito à leitura literária. Nosso objetivo geral é: analisar as significações que os discentes do curso de Pedagogia produzem, em contexto de pesquisa formação, acerca da leitura literária e as possibilidades de formação humana; e como objetivos específicos: l) conhecer a prática de leitura literária vivenciada dos discentes do curso de Pedagogia; ll) explicar a compreensão dos discentes sobre a formação estético-literária vivenciada no curso de pedagogia e a sua formação profissional; lll) analisar as relações que medeiam a significação dos discentes acerca da leitura literária. A questão que nos norteia é: Que significações os discentes do curso de Pedagogia produzem acerca da leitura literária e qual a relação com a sua formação humana e profissional? Para responder à pergunta,  apoiamo-nos na Psicologia Histórico-Cultural (Vigotski, 2003) e nos escritos sobre arte e estética de Vigotski (2003) e Gyorgy Lukács. Os instrumentos utilizados para produção de dados foram um questionário; a realização de encontros formativos; e realizamos entrevista semiestruturada com três estudantes do curso de Pedagogia para apreender suas significações acerca da leitura literária. Os dados do questionário foram analisados por meio da  Análise de Conteúdo (Franco, 2008) e os dados produzidos nos encontros formativos e nas entrevistas foram analisados por meio da Análise dos Núcleos de Significação (Aguiar; Ozella, 2006). Os dados revelam que a formação estético literária dos discentes têm profunda relação com suas condições histórico-sociais, pois não costumam comprar livros literários, uma vez que o preço não é acessível, chegam ao Ensino Superior sem saber diferenciar a literatura de outros tipos de textos e não encontram tempo para ler. Em consequência, não conseguem ler literatura com frequência e expuseram lacunas em sua formação leitora ao longo da Educação Básica. Sua relação com a formação estética, em especial com a formação literária ao longo da vida, é uma síntese de múltiplas mediações: as escolas que frequentaram, as práticas pedagógicas dos professores que tiveram, os materiais aos quais tiveram acesso, idas à biblioteca e etc. Além disso, durante a graduação, a formação estético-literária dos discentes está ligada à conhecimentos pedagógicos, por isso, seu contato com a literatura se volta para obras que possam ser utilizadas em sala de aula com foco apenas em sua formação profissional. Na análise dos núcleos, identificamos o movimento de transformação dos participantes da pesquisa formação. Suas significações revelam que a leitura literária é uma atividade que possibilita a transformação da consciência dos leitores, se tornam mais críticos e sensíveis, e têm sua forma de ver, sentir e ser no mundo transformadas, além do impacto em sua vida profissional. O universo literário deve estar presente na vida do ser humano desde a tenra idade, é crucial que os discentes de Pedagogia, que atuam com formação humana, tenham pleno conhecimento deste universo e tenham acesso à fruição literária.

     


    BENICIO FRANCO PEREIRA FORMAÇÃO DOCENTES PARA O USO DAS TICs EM UMA ESCOLA NO MUNICÍPIO DE TIMON-MA: UM ESTUDO DE CASO Data: 27/02/2026

    Diante da dificuldade de tratar todas as questões decorrentes das inúmeras dúvidas, foco nas temáticas que considero mais relevantes para uma análise mais aprofundada. Assim, começo minha reflexão pelo papel do educador e suas interações com o tema das novas tecnologias. O que percebo em relação a essa conexão é uma sensação de desconexão. Para muitos professores, o termo "Tecnologias Educacionais" remete ao uso da televisão e dos computadores em sala de aula, sendo que este último (devido à falta de compreensão sobre seu funcionamento) frequentemente provoca apreensão. Por essa razão, sinto a necessidade de reorientar minhas considerações para, antes de tudo, esclarecer o que se entende por tecnologias, independentemente de serem recentes ou antigas. Em seguida, pretendo discutir o impacto da reconfiguração do espaço e do tempo, além de suas repercussões na prática pedagógica contemporânea. As mudanças profundas na sociedade, resultantes da ampla adoção de redes sociais, dispositivos móveis e aplicativos, estão entrelaçadas à vida social como uma nova cultura: a cultura digital. Essa abordagem inovadora altera os hábitos, especialmente no que diz respeito ao pensamento, comportamento e comunicação, mas ainda consegue conviver com as tradições estabelecidas, preservando métodos e práticas convencionais. Um exemplo dessa evolução cultural híbrida pode ser observado na comparação entre as metodologias de ensino presenciais tradicionais e aquelas que utilizam a educação a distância por meio de plataformas digitais, em todos os níveis de aprendizagem, tanto formais quanto informais. Nesse contexto, Kenski (2017), destaca uma sutil distinção entre a educação tradicional, baseada em princípios fundamentais, onde os alunos eram meros receptores de conhecimento, e um novo cenário em que eles se tornam protagonistas de sua própria educação, em um mundo repleto de mudanças e desafios constantes. A abordagem será qualitativa, de caráter exploratório, organizando-se a partir da pesquisa bibliográfica, documental e pesquisa de campo, de natureza Etnográfica e Etnometodologia tendo como procedimento de coleta de dados questionários semiestruturados para o apoio administrativo e entrevistas narrativas de professores onde narram suas experiências advindas do emprego das TICs em suas demandas docentes e uma pequena historicidade perpassando por algumas TICs escolares. Os dados serão analisados a partir das técnicas de análises de conteúdos de Bardin (2011). A sociedade vivencia mudanças marcantes que afetaram diretamente as relações interpessoais e a busca pelo saber. A disseminação da internet e das ferramentas digitais transformou nossa maneira de interagir, o que levou as instituições educacionais a precisar se adaptar a esse novo contexto. Hoje, o desafio principal não é mais a obtenção de dados, mas sim a conversão desses dados em conhecimento significativo. Com a vasta quantidade de informações acessíveis a qualquer momento e lugar, torna-se essencial a orientação dos educadores e um envolvimento mais ativo dos alunos. Pesquisadores como Levy (2011); Imbernón (2006); Pimenta (2013); Moran (2012); e Kenski (2017), favorecem a nossa reflexão sobre essa nova realidade acadêmica, que requer novas metodologias e táticas pedagógicas. Assim, esta pesquisa propõe uma análise sobre a implementação das tecnologias digitais e a necessidade da formação continuada dos docentes frente às novas demandas tecnológicas.


    ELSON SILVA SOUSA O DESENVOLVIMENTO DO CURRÍCULO NA CASA FAMILIAR RURAL VIVENDO A ESPERANÇA: OS TENSIONAMENTOS ENTRE OS DIFERENTES PROJETOS EM DISPUTA NO CAMPO Data: 27/02/2026

    O trabalho discute sobre o desenvolvimento do currículo da Casa Familiar Rural Vivendo a Esperança, no municípios de São José do Sóter - MA, buscando compreender como os tencionamentos entre os diferentes projetos em disputa no campo refletem nas práticas curriculares. A pesquisa tem como problema: como os tencionamentos entre os diferentes projetos em disputa no campo (agronegócio e agricultura camponesa) refletem nas práticas curriculares da Casa Familiar Rural Vivendo a Esperança. Neste sentido, temos como objetivo geral: compreender como os tencionamentos entre os diferentes projetos em disputa no campo (agronegócio e agricultura camponesa) refletem nas práticas curriculares da Casa Familiar Rural Vivendo a Esperança.  Os objetivos específicos são: a) Identificar os projetos político-econômicos em disputa no território camponês e suas influências sobre a educação do campo no Brasil; b) Reconhecer a pedagogia da alternância praticada na Casa Familiar Rural como práxis de diferentes alternativas de currículo na disputa entre projetos educativos no campo; c) Evidenciar as contribuições do currículo da CFRVE para a formação integral dos educandos e o desenvolvimento do meio, frente as tenssões entre a agricultura camponesa e o agronegócio; d) Apontar o diálogo entre Pedagogia da Alternância e as teorias críticas do currículo como uma alternativa ao desenvolvimento do projeto educativo da Casa Familiar Rural Vivendo a Esperança no fortalecimento da agricultura camponesa. A pesquisa fundamenta-se na abordagem qualitativa, no entanto, utilizamos as contribuições teórico-metodológica da pesquisa-ação crítica no processo de construção dos dados, desenvolvida através dos “Círculos Formativos”, inspirados nos “Circulos de Cultura” de Paulo Freite. Além disso, trabalhamos com a análise do Projeto Político Pedagógico (PPP) e o Plano de Formação/Plano de Curso. Na análise das informações utilizou-se a análise de conteúdo, selecionando os documentos, categorizando, produzindo as inferências, na composição do relatório final. As Casas Familiares Rurais (CFRs) tem consolidado práticas educativas que buscam a formação integral dos jovens camponeses e o desenvolvimento do meio, através de um currículo contextualizado no território brasileiro, com a utilização de principios políticos e pedagógicos que convergem para uma formação que integram Tempo/Escola e Tempo/Comunida; Escola, família e comunidade, com vistas ao desenvolvimento da autonomia dos educandos e o desenvolvimento do meios sócioprofissional. O projeto educativo da CFRs busca promover uma formação ampla, integral, crítica e humana, entendendo o campo como lugar de vida, de sujetios produtores de saberes e de alternativas econômicas, portanto, a escola constitui-se como lugar de acesso aos conhecimentos historicamente acumulados, bem como, pelos conhecimentos e saberes priduzidos  pela organização da classe trabalhadora camponesa. Nesse sentido, a Pedagogia Alternância se insere na luta histórica da classe trabalhadora, favorecendo a construção de uma sociedade mais justa e humana, de um campo que está em movimento, de uma escola mais democrática e de um currículo que valorise suas identidades e culturas. 


    GERLÂNDIA DA ROCHA LUZ Entre história e memória: o grupo escolar Mathias Olympio em Teresina-PI (1928-1971). Data: 26/02/2026

    O presente estudo propõe-se a analisar o processo de implantação, organização e funcionamento do Grupo Escolar Mathias Olympio na expansão do ensino primário de Teresina-PI (1928-1971). Para tanto, os objetivos específicos são: buscar compreender o contexto histórico do seu processo de implantação, entender a sua organização e o seu funcionamento, e investigar a sua cultura escolar. Em uma concepção temporal, delimita-se a partir do ano de 1928, período de fundação do Grupo Escolar Mathias Olympio e por representar um marco no processo de ampliação e expansão do modelo “grupo escolar”, até 1971, tendo em vista o advento da Lei 5692/1971, que modificou o modelo grupo escolar ao fundir o ensino primário com o primeiro ciclo do ensino secundário, transformando-o em primeiro grau. Para a realização da pesquisa foram utilizadas as seguintes fontes: escritas (mensagens de governo, correspondências, legislações educacionais), hemerográficas (jornais e revistas da época), imagéticas (fotografias da cidade, do prédio escolar) e orais (coleta de entrevistas). Para a análise desses documentos, o presente trabalho estará fundamentado nos seguintes autores: da Nova História Cultural,  Peter Burke (1992), Roger Chartier (1990); sobre o estudo das Instituições Escolares, Magalhães (2004), Nosella e Buffa (2013), Werle (2004); sobre Memória,  Maurice Halbwachs (1990),  Pierre Nora (1993);  para as percepções sobre os Grupos Escolares, Diana Vidal (2006),  Faria Filho, (1998, 2006), Fátima Souza (1998, 2019, 2006); sobre a Cultura Escolar, Dominique Julia (2001), Marcus Bencostta (2007); da História Oral, Paul Thompson (1992), Bom Meihy (1998), Verena Alberti (2008); referente ao uso das Fotografias, Borris Kossoy (2012), Peter Burke (2004), e como produções de pesquisadores locais, Amparo Ferro (1996), Itamar Brito (1996), Lopes (2001-2006), Salânia Melo (2010) e Jane Sousa (2005).

     


    ELINEIDE SOARES BRAGA PEREIRA TRAMAS E HARMONIAS NA CONSTITUIÇÃO DA IDENTIDADE PROFISSIONAL DE PROFESSORES DO CURSO DE INSTRUMENTO MUSICAL DO IFPI Data: 26/02/2026

    O presente estudo tem como tema a identidade profissional docente. Foi desenvolvida a partir da seguinte questão-problema: Como ocorre a constituição da identidade profissional de professores do Curso Técnico em Instrumento Musical do IFPI? Objetiva analisar a constituição da identidade profissional de professores do Curso Técnico em Instrumento Musical do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí/IFPI. Tem como objetivos específicos: Identificar as identidades que professores do Curso Técnico em Instrumento Musical do IFPI, atribuem a si mesmos, a partir de suas trajetórias na profissão docente; compreender como a experiência e a socialização profissionais repercutem na constituição das identidades de professores do Curso Técnico em Instrumento de Musical do IFPI; descrever as identidades profissionais que professores do Curso Técnico em Instrumento Musical do IFPI projetam para si. A pesquisa vincula-se à linha de pesquisa:  Formação de Professores e Práticas da Docência, do Programa de Pós-Graduação em Educação, da Universidade Federal do Piauí. Neste estudo a identidade é compreendida como fenômeno histórico-social, envolve movimentos, mudanças, e metamorfoses, resultantes de um processo de formação e transformação contínua dos modos de ser e estar na profissão. No desenvolvimento da pesquisa, as reflexões teóricas sobre identidade, têm como referência as contribuições de Ciampa (2005), Dubar (2005), Hall (2006), Bauman (2005), Pimenta (2005), Nóvoa (1991), entre outros.  Esses estudos afirmam que a constituição da identidade decorre da relação dialética entre indivíduo e sociedade. Compreendem a identidade como um processo em construção, que se metamorfoseia ao longo da trajetória de vida do sujeito, em cuja existência as diferentes personagens vivenciadas integram a expressão de sua subjetividade nos mais variados contextos. Em relação à identidade profissional docente, é compreendida como construção individual e social do professor em seu contexto de atuação, envolvendo os conhecimentos e as competências próprios do exercício da profissão docente. O desenvolvimento da pesquisa tem como base o método autobiográfico. A opção por esse método (utilizando a pesquisa autobiográfica) justifica-se por favorecer o desenvolvimento da reflexão, a revisitação das experiências e a autoformação como professor. O estudo teve como dispositivos de investigação a carta pedagógica e a rodas de conversa, fontes que propiciaram acesso a um vasto corpus de narrativas sobre o tema da pesquisa. A pesquisa teve como contexto empírico o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia/IFPI, campus Teresina/Central e contou com a participação de cinco professores do referido curso. As constatações da pesquisa revelam que as identidades docentes se constituem em diferentes espaços.


    GIOVANNA RIBEIRO DE SOUSA FORMAÇÃO ESTÉTICO-LITERÁRIA DE DISCENTES DE PEDAGOGIA: AS CONTRADIÇÕES DE UMA FORMAÇÃO NECESSÁRIA Data: 26/02/2026

    A presente pesquisa é um estudo acerca da formação estético-literária de alunos do curso de pedagogia da Universidade Federal do Piauí – UFPI e suas significações sobre este processo e visa analisar esse fenômeno no contexto de pesquisa formação a partir da seguinte problemática: Que formação estético-literária os estudantes do curso de Pedagogia vem desenvolvendo ao longo do seu processo formativo e, quais as possibilidades de a pesquisa formação possibilitar o desenvolvimento desse princípio formativo (ou dessa dimensão da nossa humanidade?). Para responder a essa indagação será preciso uma articulação com os escritos sobre arte, pensamento e linguagem de Lev Vigotski e seus colaboradores da Psicologia Histórico-cultural e dos apontamentos críticos da Pedagogia Histórico-Crítica. Ambos os campos teóricos como o elemento do estético-literário aqui delimitado correspondem aos fundamentos encontrados na filosofia do materialismo histórico-dialético de Marx e Engels e seus principais apropriadores. Os instrumentos utilizados para a produção de dados são um questionário, os encontros formativos e o diário. A análise dos dados advindos do Questionário foi realizada a partir da Análise de Conteúdos (Franco, 2005) e apontou para a organização de 3 categorias principais: I) Identificação quanto ao gênero e período do curso; II) A Literatura na vida dos participantes e III) A formação estético-literária na UFPI. Já a produção dos Núcleos de Significação (Aguiar e Ozzela, 2008) apontaram para 2 núcleos principais: Humanizar-se e resistir: significações acerca da formação estético-literária e Das contradições da Formação estético-literária de estudantes de Pedagogia. Os resultados do Questionário apontam que, embora a maioria dos participantes afirmem gostar de ler as demais respostas demonstram dificuldades na formação literária tanto na educação pregressa quanto na formação superior atual. Já os dados produzidos pela formação dos núcleos de significação demonstraram que a literatura não só representa uma forma privilegiada de humanização, como orienta os sujeitos para resistir às contradições impostas pela sociedade de classes, além disso possibilita um panorama mais profundo sobre as contradições histórico-sociais existentes para este tipo de formação tão necessária.


    HILTON BATISTA DA COSTA PERCURSO ESCOLAR DE ALUNOS COM BAIXO DESEMPENHO DA REDE PÚBLICA MUNICIPAL DE ENSINO DE TERESINA NO RECORTE TEMPORAL DE 2018 A 2023. Data: 26/02/2026

    As avaliações externas e padronizadas já fazem parte da rotina das escolas brasileiras, sobretudo na rede pública. Medir a aprendizagem dos alunos tornou-se prática comum, e a busca por bons resultados é constante. Nesse cenário, sistemas educacionais, escolas, professores e estudantes vêm adaptando suas práticas avaliativas para atender aos critérios e indicadores definidos pelas políticas públicas de educação. Essa adaptação busca tornar a avaliação mais eficaz e possibilitar intervenções pedagógicas que favoreçam o desenvolvimento dos alunos. Diante desse contexto, a pesquisa teve como questão central: Como se deu o percurso escolar dos alunos do 4º ano da Rede Pública Municipal de Teresina que apresentaram rendimento abaixo do básico nas avaliações padronizadas, tomando como ponto de partida o ano de 2018 e como ponto final o ano de 2023, quando deveriam ter alcançado o 9º ano? Os estudantes são classificados em quatro níveis: abaixo do básico (até 2,9 pontos), bsico (3,0 a 5,9 pontos), adequado (6,0 a 7,9 pontos) e avançado (8,0 pontos ou mais). Essa divisão torna a avaliação mais clara e auxilia no planejamento pedagógico e na definição de estratégias para melhorar a aprendizagem. O objetivo geral da pesquisa foi analisar o percurso acadêmico dos estudantes matriculados no 4º ano da Rede Municipal de Ensino de Teresina em 2018, classificados como Abaixo do Básico nas Provas Padronizadas. Os objetivos específicos foram: I)Descrever o desempenho do grupo que realizou as provas em 2023;II) Identificar os níveis de aprendizagem alcançados ao longo do período, especialmente pelos que concluíram o Ensino Fundamental em 2023;III)Calcular o percentual de alunos que se evadiram, foram reprovados ou transferidos ao final de 2023. O estudo, de caráter quantitativo, descritivo e longitudinal, utilizou dados da SEMEC/Teresina por meio do sistema MobiCorretor. A análise comparou os resultados das Provas Padronizadas aplicadas ao final de cada ano, momento em que a aprendizagem dos alunos se mostra mais evidente. A pesquisa aborda: avaliação externa e em larga escala em contexto mundial e brasileiro (Sousa, 2024; Fernandes, 2009; Brooke, Alves e Oliveira, 2015); a Prova Padronizada em Teresina, com base na legislação e na dissertação de Barbosa (2016); reflexões sobre fracasso e sucesso escolar (Lahire, 2004; Soares, 2000; Bahia, 2012); a escolarização das massas populares (Patto, 2022; Soares, 2000; Bahia, 2012); e a relevância das testagens no cenário mundial e brasileiro (Ravitch, 2011).Os resultados indicam que, com apoio pedagógico contínuo e políticas educacionais consistentes, é possível melhorar a trajetória escolar dos alunos, independentemente de sua condição socioeconômica (Lahire, 2004).


    ANA VITÓRIA DAMASCENO AMORIM IDENTIDADE PROFISSIONAL: PERCEPÇÕES DOS EGRESSOS DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UFDPar Data: 26/02/2026

    A Pedagogia como ciência que estuda o fenômeno multifacetado da educação, define e defende o pedagogo como profissional que desenvolve o trabalho pedagógico em espaços escolares e não-escolares. No entanto, a atual Resolução CNE/CP nº 4, de 29 de maio de 2024 que definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial de profissionais para a Educação Básica em nível superior, centram a identidade profissional do pedagogo na docência da Educação Infantil e Ensino Fundamental-Anos Iniciais. É nesse cenário de incerteza identitária que se insere esta pesquisa cujo objetivo geral foi analisar as percepções dos egressos do curso de pedagogia da Universidade Federal do Delta do Parnaíba-UFDPar sobre a identidade profissional. Embeleceu-se como objetivos específicos: caracterizar o percurso formativo dos egressos no curso de pedagogia da UFDPar; identificar os componentes curriculares que desenvolvem a consciência sobre a identidade profissional do pedagogo no curso de pedagogia da UFDPar; descrever o perfil do pedagogo egresso do curso de pedagogia da UFDPar. O embasamento teórico da investigação foram os autores Pimenta (1996), Hall (2006), Dubar (2006) e Freire (2010) que discutem sobre a identidade profissional; Libâneo (2010), Franco (2012), Cavalcanti, Sousa e França-Carvalho (2014) e Pimenta, Pinto e Severo (2022) que abordam sobre a pedagogia enquanto ciência e os campos de atuação profissional. A metodologia teve como base a abordagem a qualitativa (Minayo, 2001) organizada a partir da pesquisa de campo do tipo estudo de caso (Yin, 2011). O lócus da pesquisa foi a UFDPar, localizada na cidade de Parnaíba-PI. Os participantes foram  4 (quatro) egressos do curso de pedagogia desta instituição. As técnicas de de pesquisa utilizadas foram o questionário online, a entrevista semiestruturada, além da coleta de informações pela Proposta Pedagógica do Curso de Pedagogia. Os dados foram analisados a partir da técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin (1997) e interpretados pela Hermenêutica-Dialética de Habermas (2002) e Minayo, (2014). Os resultados revelam que curso de Pedagogia de UFDPar objetiva formar pedagogos para atuar em espaços escolares e não escolares. Porém, existe uma ênfase na formação do ser docente, seguindo o que é proposto pelos documentos oficiais que regulamentam esse curso. Por este motivo, apresenta apenas duas disciplinas que trabalham sobre o conteúdo identidade profissional fundamentada pela ciência da pedagogia. Em relação ao perfil dos egressos todos estão atuam em uma das áreas contempladas pela proposta pedagógica do curso. No que se refere ao significado de identidade profissional, as percepções foram diversas, mas que dialogam com a ciência da pedagogia. Os conceitos chaves apresentados pelos participantes foram: agente de transformação pessoal e profissional; saber ensinar; atuante em espaço escolares e não escolares; local que se percebe como profissional. Portanto, estes resultados contribuem para compreensão da pedagogia como campo, profissão e formação, alargando ainda o campo da epistemologia da prática profissional do pedagogo, além de direcionar na reformulação dos documentos oficiais que regulamentam essa formação no Brasil.


    JORRANIA GOMES DA SILVA O Protagonismo dos Jovens do Campo no Contexto da Pedagogia da Alternância: uma análise dos projetos educativos da Escola Família Agrícola Santa Ângela Data: 26/02/2026

    Esta dissertação, intitulada “O Protagonismo dos Jovens do Campo no Contexto da Pedagogia da Alternância: uma análise dos projetos educativos da Escola Família Agrícola Santa Ângela”, insere-se no campo da Educação do Campo e investiga a formação política e o protagonismo dos jovens camponeses. Partindo de uma perspectiva freireana, o estudo compreende a educação como ato político e dialógico, no qual os educandos devem assumir-se como sujeitos da produção do saber. Nesse contexto, as Escolas Família Agrícolas (EFAs), que utilizam a Pedagogia da Alternância como matriz metodológica, configuram-se como espaços privilegiados para essa investigação, pois organizam o currículo na alternância entre tempo-escola e tempo-comunidade, visando à valorização da cultura e dos saberes locais. O problema de pesquisa que norteia este trabalho é: como os projetos educativos desenvolvidos pela EFA Santa Ângela, no município de Pedro II/PI, promovem o protagonismo dos jovens do campo? O objetivo geral consiste em analisar de que modo os projetos educativos desenvolvidos na Escola Família Agrícola Santa Ângela (EFASA) fomentam o protagonismo dos jovens do campo. Para tanto, definiram-se os seguintes objetivos específicos: identificar as atividades na EFA que fomentam o protagonismo dos jovens; caracterizar tais práticas educativas; compreender os espaços de participação que favorecem o empoderamento dos jovens; e analisar se as práticas educativas desenvolvidas na EFA favorecem a inserção dos jovens nos movimentos sociais e processos organizativos das comunidades. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, sob o referencial crítico-dialético, realizada na Escola Família Agrícola Santa Ângela. Os procedimentos metodológicos para construção dos dados incluíram a análise documental e entrevistas semiestruturadas. Para o tratamento do material coletado, optou-se pela análise de conteúdo, conforme proposto por Bardin (1977). O estudo indicam que a Pedagogia da Alternância, ao articular de forma intencional a escola com a vida familiar e comunidade, com a inserção dos estudantes no meio socioprofissional, favorece e estímula ao protagonismo juvenil. Os resultados do trabalho demonstra que as práticas educativas da EFASA não se limitam à dimensão tradicional do ensino, mas criam condições para que os jovens se percebam como agentes de transformação de sua realidade, fortalecendo sua autonomia, criticidade e atuação nos movimentos sociais, contribuindo, assim, para a consolidação de uma educação do campo verdadeiramente emancipatória.


    JULIANA FERREIRA LIMA HORIZONTES DO LETRAMENTO LITERÁRIO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ENTRE ENCANTAMENTOS E A FORMAÇÃO HUMANA Data: 26/02/2026

    Este estudo tem como tema o letramento literário na Educação Infantil, compreendido como um processo que envolve os usos sociais da literatura, objeto cultural produzido pela humanidade, que deve fazer parte do cotidiano da criança desde a mais tenra idade, por meio de experiências e vivências significativas de diálogo e interlocução com os textos literários. A pesquisa tem como objeto de estudo o letramento literário na Educação Infantil e parte do seguinte objetivo geral: analisar as condições de ocorrências do letramento literário na Educação Infantil, especificamente na pré-escola. Os objetivos específicos estão delimitados da seguinte forma: identificar as práticas de letramento literário desenvolvidas na Educação Infantil; descrever a mediação pedagógica no que se refere aos usos do texto literário na Educação Infantil; compreender o lugar do letramento literário na Educação Infantil. O desenvolvimento do estudo sobre o letramento literário na primeira etapa da educação básica envolve os conhecimentos teóricos e práticos relativos à inserção da literatura na vida da criança da pré-escola. Quanto ao suporte teórico dialogamos com Candido (2004; 2006), Coelho (2000); Colomer (2003, 2007) Corsino (2012); Cosson (2014, 2020, 2022); Kleiman (2005); Lajolo (1984), Nunes e Kramer (2017), Soares (2004, 2020); Soares e Batista (2005); Zilberman (2003, 2006, 2012) entre outros. O estudo foi desenvolvido a partir do método (auto)biográfico, na perspectiva de investigação-formação. Esse método recorre às narrativas de vida, possibilitando a compreensão das experiências de vida pessoal e profissional, em diferentes áreas do conhecimento. Em relação à metodologia de pesquisa, a opção recaiu sobre a pesquisa (auto)biográfica, em face de valorizar as histórias de vida das pessoas, suas biografias, (auto)biografias, memórias, narrativas orais, escritas entre outros. Para a produção de narrativas, foram utilizados a entrevista narrativa e as cartas pedagógicas, dispositivos que possibilitam aos narradores a revisitarem e refletirem sobre suas histórias vivida. A pesquisa foi realizada com três professoras da rede pública municipal de Teresina-PI, que atuam na pré-escola, em turmas de primeiro e segundo período da Educação Infantil, com crianças na faixa etária de quatro e cinco anos de idade. A pesquisa foi realizada em duas instituições de Educação Infantil. A análise de conteúdo das narrativas foi desenvolvida conforme as orientações de Poirier e Clapier-Valladon (1999). Essa análise, construída a partir da interpretação dos relatos de vida, volta-se para a inter-relação entre a trajetória de vida dos sujeitos no campo individual/pessoal e no contexto sócio-histórico ao qual pertencem. Os resultados preliminares do estudo revelam que as práticas de letramento literário são utilizadas como suporte para o processo de alfabetização, por meio de atividades de identificação das letras, sílabas e palavras. As professoras fazem uso dos diferentes gêneros discursivos que circulam socialmente com a finalidade de desenvolver as habilidades de leitura e escrita, de modo que o letramento literário é colocado em segundo


    WESLLEY DA SILVA RODRIGUES OBIJUVE COMO ABRIGO DA DIVERSIDADE LGBTQIA+: CARTOGRAFIAS DO CUIDADO E PERFORMANCES NA PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO DA UFPI. Data: 26/02/2026

     

    As diversidades sexuais juvenis na universidade, em articulação com políticas de cuidado, ações afirmativas e práticas de resistência, constituem o eixo estruturante desta tese. O estudo analisa como o Observatório das Infâncias e Juventudes na Educação (OBIJUVE), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Piauí (PPGEd/UFPI), consolidou-se, em duas décadas, como território-abrigo e espaço de produção de resistências voltadas à construção de uma Educação Inclusiva e de uma ciência interseccional. Os objetivos específicos consistem em: (I) mapear o inventário das produções acadêmicas do OBIJUVE, analisando como esses corpo-textos sistematizam as diversidades sexuais, as performances e as políticas de cuidado no contexto universitário; (II) analisar a historicidade e as visualidades do grupo mediante a escavação de artefatos digitais no Instagram e Facebook, identificando como tais performances configuram o abrigo e a produção científica; e (III) problematizar as tensões e torsões entre a produção textual e as práticas de cuidado materializadas nas linguagens audiovisuais, evidenciando como esta articulação forma pesquisadoras(es) comprometidos com uma ética interseccional. Metodologicamente, a investigação ancora-se na corpo-metodologia, abordagem híbrida que articula a cartografia documental aos princípios da Sociopoética, compreendida como prática coletiva, sensível e política. O recorte temporal abrange o período de 2012 a 2026, marco de consolidação do OBIJUVE como espaço acadêmico-político. Diante do vasto acervo institucional, selecionaram-se trabalhos com centralidade nas diversidades sexuais, resultando na análise de quatro dissertações de mestrado e duas teses de doutorado, além de artefatos digitais vinculados ao Observatório. Repositório Institucional da UFPI. A produção dos dados ocorreu por meio da escavação cartográfica de corpo-textos, imagens, vídeos e narrativas digitais, compreendidos como artefatos vivos. Cada capítulo constitui uma performance analítica na qual o corpo-pesquisador se implica nos processos de afetação e escrita, recusando a neutralidade científica. Os resultados indicam que, embora a universidade permaneça como um território de violências sistêmicas e interdições aos corpos LGBTQIA+, o OBIJUVE institui-se como uma fissura ética que produz uma ciência expandida em visualidades e práticas de cuidado. Conclui-se que esta experiência coletiva amortece o impacto do descarneamento institucional e fortalece a formação de intelectuais sensíveis às interseccionalidades, comprometidos com a invenção de outros modos de existir no ensino superior.


    LUANA DO NASCIMENTO CABRAL INSTRUÇÃO PÚBLICA NA PROVÍNCIA DO PIAUÍ: organização, atuação docente e ensino primário (1859–1889) Data: 25/02/2026

    O presente estudo propõe analisar a instrução pública na província do Piauí entre 1859 e 1889. Para o recorte inicial tomamos como referência a criação da Diretoria Geral de Instrução do Piauí e o recorte final foi delimitado considerando o encerramento do período monárquico brasileiro e do modelo administrativo provincial que estabeleceu normas acerca do funcionamento e organização da instrução pública. A investigação partiu da seguinte questão: de que maneira se constituiu a instrução pública na província do Piauí no período em questão? O objetivo geral consiste em analisar aspectos da organização, atuação docente e funcionamento da instrução pública na província do Piauí no período compreendido entre 1859 e1889. Os objetivos específicos são os seguintes: 1) compreender a organização do ensino público primário na província do Piauí; 2) discutir aspectos da atuação do professor no ensino primário; 3) compreender o funcionamento do ensino primário por meio dos métodos de ensino, manuais e utensílios utilizados como recurso pedagógicos. A pesquisa caracteriza-se como histórica fundamentada nas postulações da História Cultural cujos impactos têm ressignificado o campo da história da educação, por meio da ampliação de objetos, fontes, temas e abordagens. Nessa direção, entre os autores acionados na discussão encontra-se Barros (2004), Chartier (1988), Costa Filho (2006), Faria Filho (2000), Gondra; Schueler (2008), Inácio (2003), Reis (2009), Sousa Neto (2013) entre outros. Do ponto de vista metodológico, as fontes examinadas para o desenvolvimento do trabalho foram os regimentos e os regulamentos internos da instrução pública primária da província do Piauí; resoluções, ofícios, comunicados, pareceres e relatórios da diretoria geral da instrução pública; fontes hemerográficas, relacionadas a alguns jornais que circularam durante o período da pesquisa. A investigação realizada destaca que o ensino oficial no Piauí provincial buscou estabelecer certa organização que visava definir um modelo de ensino e as formas de ingresso, atuação docente e fiscalização regulados pelo poder público. O modelo de instrução estabelecido concorria com outras formas de ensino, como o ensino particular e doméstico. Para garantir a sua efetivação, o ensino público contava com uma fiscalização promovida pela inspeção escolar que acompanhava a atuação dos professores nas escolas espalhadas pela província.


    JOSÉ GOMES DA SILVA FILHO QUANDO NOS RASGAM, FAZEMOS COSTURAS: JOVENS TRANSVESTIGÊNERES PENSADORAS DO ACOLHIMENTO NA EDUCAÇÃO SUPERIOR Data: 24/02/2026

     

    Essa pesquisa parte das implicações da pesquisadora enquanto mulher transtravesti que vive a UFPI. A investigação insere-se no Observatório das Infâncias e Juventudes na Educação/OBIJUVE, que se adiciona às investigações do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero e Cidadania/NEPEGECI, na linha de Educação, Diversidades/Diferença e Inclusão do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Piauí – UFPI. Tem como problema de pesquisa: O que pode o corpo transvestigênere com o acolhimento, enquanto resposta às violências transfóbicas, para permanecer no CCE da UFPI? Como objetivo geral buscou: investigar confetos (conceitos + afetos) elaborados por jovens transvestigêneres do Centro de Ciências da Educação/CCE da Universidade Federal do Piauí/UFPI sobre o que pode o corpo transvestigênere frente à transfobia com o acolhimento para permanecer no CCE/UFPI e como objetivos específicos: conhecer as juventudes transvestigêneres que integram o CCE da UFPI; identificar as violências transfóbicas que impedem a permanência das juventudes transvestigêneres no CCE; compreender os modos de acolhimento que auxiliam na permanência das juventudes transvestigêneres no CCE e propor formas de acolhimentos permanentes para o combate de possíveis violências transfóbicas que dificultam a permanência das juventudes transvestigêneres no CCE. O referencial teórico se ancora em pesquisas de pessoas trans, tais como em Juno Nedel (2020), para pensar o corpo trans como arquivo vivo de memórias. Em Céu Cavalcanti e colaboradores (2018), Jaqueline de Jesus (2014c; 2019); Tiffany Odara (2020), Letícia Nascimento (2021, 2023), Maria Clara Passos (2023) e Bruna Benevides (2025) para compreendermos os aspectos históricos que perscrutam as origens das violências transfóbicas, mas também de como fomos nos articulando, nacionalmente, em resposta a essas violências. Nas pesquisas de Jaqueline de Jesus (2014a; 2014b), Jota Mombaça (2017), Amara Rodovalho (2017) e Letícia Nascimento (2021) para pensarmos sobre o Transfeminismo. Além de Viviane Vergueiro (2016), Megg Oliveira (2017), Helena Vieira (2018) e Letícia Nascimento (2023) para estudarmos as juventudes transvestigêneres e a transfobia insitucionalizada na escola e, sobretudo, na universidade. Além dessas, outras pesquisas, incluindo de pessoas cisgêneras. Metodologicamente, a pesquisa é direcionada pela Sociopoética, que trata da produção coletiva, crítica e inventiva do conhecimento, tendo como diferencial a produção de confetos, conceitos permeados de afetos (Adad, 2014a; Petit, 2014; Gauthier, 2024). O grupo-pesquisador é formado pela facilitadora e cinco (05) copesquisadoras bichas jovens (Paulo, Sat, Taffyta, Jazmin e Arapuca), sendo uma com 20 anos, duas com 21 anos, uma com 27 anos e uma não informou sua idade, estudantes dos cursos de Pedagogia, Moda e Artes Visuais do CCE/UFPI, em Teresina-PI. O diário de itinerância, o qual chamo de diário dos latejos, foi utilizado para registro das vivências. A técnica, a pele transespiralar do acolher, levou à criação de dados e relatos orais do tema-gerador acolhimento no CCE. Após o estudo dos dados, identificamos como resultados os seguintes confetos e problemáticas: Na universidade existem pessoas-chequeiras, aquelas que praticam a prática-educativa-cheque, isto é, uma educação atravessada por violências transfóbicas que despotencializa as jovens transvestigêneres. As pessoas-chequeiras são amparadas pelo pacto-cisheterobrancocristão o qual é um contrato não verbalizado que envolve práticas educativas transfóbicas. Isso gera o acolhimento-Sozinha-Sozinha!? que é um não acolhimento na universidade e os motivos pelos quais não se é socialmente acolhida pelo processo com a rejeição-vermelha-roxa, que é aquela rejeição em que se está sozinha, que se diz que não se é bem-vinda e tem cores fortes das pessoas-chequeiras. As rejeições, por sua vez, produzem existência-coisa-peso-de-estar-sozinha na qual as jovens sentem o peso de estarem sozinhas por não ter ninguém e de ser sozinhas por ter muitas pessoas que não as compreendem. Para re-existirem, usam da tática-vida-que-segue, que é aquela tática criada pelo tecido-corpo-bicha, que tem de ser radical; a tática-rolê-dos-processos-concluídos em que as jovens-transvestigêneres acreditam que é bom por um fim nas coisas negativas e a tática-manter-a-calma-sozinha, a de lidar sozinha com as violências, sobretudo, manter a calma quando o nome morto - aquele nome que chamavam a pessoa transvestigênere antes de sua transição - é falado. Apesar disso, existem na universidade pessoas-acolhedoras e pessoas-aleatórias-com-cabelos-coloridos, as quais são acolhedoras e com quem as jovens podem contar, o que gera o acolhimento-bicha-com-bicha em que as jovens-transvestigêneres vão para a universidade, passam pelas violências, mas chegam na sala de aula e encontram aquela bicha que gosta demais. Esse acolhimento produz ExistênciaTrans-na-dor-e-na-delícia-de-viver-colecionando-gente, porque as jovens carregam na dor todas as coisas boas e gostam de viver em um corpo que não é nem de homem e nem de mulher e são felizes por conhecer pessoas que marcam a vida e acolhem. Dentro dessa existência, usam da tática-costura-amizade, que é aquela potência de costurar as amizades. O estudo direciona para a constituição de um corpo coletivo transvestigênere no CCE que se potencializa, re-existe e cria epistemologias espiralares de acolhimento, pois apesar dos rasgos feitos no tecido-corpo-bicha pelo Pacto-cisheterobrancocristão, as jovens refazem as costuras de si.


    MARIA DE JESUS RODRIGUES DUARTE As redes de Pesquisa em Financiamento da Educação nas Instituições Federais de Ensino Superior no Nordeste Brasileiro Data: 24/02/2026

    O crescimento da pesquisa brasileira, no âmbito acadêmico nacional e internacional, é um fenômeno social em ascensão, desde os anos 1990, inclusive no campo do financiamento da educação. O esforço para compreender o modo de produção dessas pesquisas e as relações constituídas pelos pesquisadores nesse processo remete à necessidade de estudos que mapeiem as redes de pesquisa colaborativa, visando apreender a formação e o desenvolvimento dessas redes e sua inserção no mundo acadêmico. Neste sentido, o presente estudo se orientou pela seguinte questão problematizadora: como se constituem e atuam as redes de pesquisa que produzem conhecimento sobre Financiamento da Educação no campo Política Educacional nos Programas de Pós-Graduação em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior do Nordeste brasileiro?  No intento de responder a problemática anunciada, a pesquisa tem como objetivo analisar o processo de constituição e atuação das redes de pesquisa que produzem conhecimento em Financiamento da Educação nos PPGEs das IFES da região Nordeste. Em consonância com o objetivo da investigação, o estudo parte da tese de que as redes se constituem como alianças colaborativas que envolvem diferentes instituições e pesquisadores, com diversos graus de formação, como estratégia que contribui para o aumento da produção científica do conhecimento, conquistando espaços para ascensão de temáticas emergentes dentro da área em colaboração, fortalecendo e visibilizando, assim, o campo estudado nas comunidades científicas. O referencial teórico baseia-se nas contribuições de Pierre Bourdieu sobre a noção de campo e habitus, de autores que abordam os processos instituintes e instituídos para formação de grupos e redes de pesquisa em colaboração na área da educação (Maia; Caregnato, 2008; Mocelin, 2009; Leite; Lima, 2012; Miorando; Leite, 2012; Guimarães, 2018; Mainardes, 2021a, 2022a, entre outros), bem como de estudos que discutem aspectos sobre a história e a produção do conhecimento do campo da política educacional (Gatti, 2001; Santos, 2008; Stremel, 2016, entre outros). A pesquisa, de natureza quanti-qualitativa, caracteriza-se como bibliográfica, documental e de campo, envolvendo a coleta e a sistematização de uma série de dados e documentos da Capes e registros sobre a história das instituições da comunidade científica no campo educacional;  currículos dos pesquisadores  disponibilizados na Plataforma Lattes/CNPq; e produções sobre redes e grupos de pesquisa obtidos nas plataformas digitais.  Na pesquisa de campo realizou-se 11 entrevistas semiestruturadas com os pesquisadores dos PPGEs das IFES nordestinas e os coordenadores de pesquisas nacionais parceiras desses programas. A análise das entrevistas foi conduzida por meio da Análise de Conteúdo, conforme proposta por Bardin (2016). Os resultados demonstram que a maioria dos projetos de pesquisa está alinhada às Linhas de Pesquisa de/sobre Política Educacional; que os projetos desenvolvidos em rede partem de um eixo temático específico ou subtemas que se abrem dele. Na caracterização geral do perfil acadêmico do pesquisador em financiamento da educação, verificou-se que prevalece a formação acadêmica (graduação em pedagogia, mestrado em educação e doutorado em educação) no Brasil, com uma quantidade expressiva (35%) de docentes com acesso aos centros de pesquisa no exterior (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Espanha, França, Inglaterra e Portugal) para realização de pós-doutorado.


    AISLLA MARIA DE ALMEIDA SILVA GOMES PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL: CONTRIBUTOS PARA O CURSO DE PEDAGOGIA DA UFPI NO CONTEXTO DAS POLÍTICAS DE FORMAÇÃO INICIAL Data: 13/02/2026

    O objeto de investigação do estudo é O Programa de Educação Tutorial do Curso de Pedagogia da Universidade Federal do Piauí no contexto das políticas de formação inicial. Está vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação (UFPI), na Linha de Pesquisa: Formação de Professores e Práticas da Docência e ao Núcleo de Estudos sobre Formação, Avaliação, Gestão e Currículo (NUFAGEC). Partimos da seguinte questão: Como o Programa de Educação Tutorial contribui no processo de Formação Inicial dos estudantes do Curso de Pedagogia da UFPI?  Para responder ao questionamento definimos como objetivo geral: Compreender como o Programa de Educação Tutorial contribui no processo de Formação Inicial dos estudantes do Curso de Pedagogia da UFPI e de forma específica: Conhecer os documentos que orientam o PET e os seus processo de operacionalização considerando a tríade ensino, pesquisa e extensão; Descrever as ações do PET no âmbito da UFPI considerando os desafios q demarcaram os avanços dessa política no contexto social e Analisar, a partir das narrativas dos estudantes, as contribuições do PET no processo de formação inicial tendo como suporte a teoria da atuação. Partimos do pressuposto de que a inserção de alunos em processo de formação inicial em Programa dessa natureza potencializa a construção do conhecimento e torna a aprendizagem mais dinâmica e próxima da realidade. Esta pesquisa está alicerçada nos princípios da Etnometodologia enquanto teoria do social, e na Teoria da Atuação como base metodológica para, a partir dos dispositivos observação participante, diário autobiográfico e rodas de conversa construir e analisar os dados. O campo empírico constitui-se do Programa de Educação Tutorial do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Piauí tendo como interlocutores 04 petianos. Os resultados do estudo se encaminham no sentido de evidenciar a importância do referido programa na formação inicial dos pedagogos, considerando a necessidade de maior diálogo entre as instâncias.


    DENILSON BARBOSA DOS SANTOS DIREITO À EDUCAÇÃO NO CAMPO: ANÁLISE DA POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA EM MATÕES-MA E ALTOS-PI Data: 11/02/2026

    A Educação Especial e a Educação do Campo, na sociedade brasileira, foram e continuam sendo forjadas nos contornos de um sistema econômico social produtivista mercadológico, que exige a formação/padronização de sujeitos produtivos para servir de força de trabalho, priorizando a eficiência e a produtividade em detrimento da equidade, justiça social e da inclusão social e educacional. A educação é um dos direitos de todos e dever do Estado, assegurado e proclamado na Constituição Federal Brasileira de 1988, reafirmado posteriormente, nas legislações infraconstitucionais, a exemplo da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva – PNEEPEI, em vigor desde 2008. A materialização dos direitos que são assegurados nesta política educacional para os estudantes com deficiência, transtorno global do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, na sua interface com a Educação do Campo, ainda hoje é um dos grandes desafios que precisa ser enfrentado e superado pelos Estados e municípios brasileiros. Nesse contexto, esta pesquisa procura responder ao seguinte problema: quais tensionamentos existem na operacionalização da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI) nas escolas do campo dos municípios de Matões-MA e de Altos-PI? O objetivo geral é analisar os tensionamentos existem na operacionalização da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI) nas escolas do campo dos municípios de Matões-MA e de Altos-PI. Para responder ao problema e a consecução do objetivo deste estudo, realizou-se pesquisa documental, bibliográfica e de campo de abordagem qualiquantitativa. Como fonte, foram utilizados os microdados estatísticos do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) de 2008 a 2023, considerando o intervalo temporal comparativo de 5 em 5 anos, cujo manuseio deu-se mediante o emprego do software IBM SPSS statistics 24. Aliado ao aporte documental e legislação educacional explorou-se o aporte bibliográfico para construção do referencial teórico e para subsidiar as análises e discussões dos resultados. A pesquisa de campo foi efetivada com realização de entrevistas semiestruturadas com dois secretários municipais de educação, dois coordenadores de Educação Especial, dois coordenadores de Educação do Campo, quatro gestores escolares, quatro professores de salas regulares, quatro professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e quatro pais de alunos camponeses público-alvo da Educação Especial (PAEE). Na organização, análise e interpretação dos dados, adotou-se a técnica análise de conteúdo proposta por Bardin (2011). Os resultados revelam que são inegáveis os avanços no âmbito da Educação Especial, principalmente no aumento das matrículas, contudo, isso não significa a efetivação de fato do direito à educação dos estudantes camponeses PAEE. Os direitos são expressos na legislação e nos documentos oficiais, mas são necessários investimentos no atendimento das escolas do campo, nas condições de acesso, permanência, participação e continuidade nos estudos destes camponeses, caso contrário, continuarão apenas inseridos nos espaços escolares e não incluídos. Na contemporaneidade, o acesso, a permanência, a oferta do AEE e o atendimento a outros direitos dos estudantes PAEE são insuficientes e desiguais em todos os níveis, etapas e modalidades de ensino, notadamente na sua interface com a Educação do Campo, prevalecendo a precarização do processo de inclusão escolar e a negação de direitos educacionais a esta parcela da população brasileira, maranhense, piauiense, matoense e altoense.


    MILENA VIANA MEDEIROS BARBOSA DO NASCIMENTO Desenho Universal para a Aprendizagem e Ensino Colaborativo no processo de formação de professores Data: 05/02/2026

    A forma como a inclusão vem ocorrendo ao longo dos anos, quando se considera o currículo é vista por diversos autores como um “modelo tamanho único”, ou seja, o currículo é apresentado de modo engessado e padronizado e, por isso, não atende a todas as especificidades existentes na escola. Diante disso, percebe-se a necessidade de abordagens universalistas como o Desenho Universal para a Aprendizagem e de serviços como o Ensino Colaborativo com o fim de aperfeiçoar o processo de escolarização de todos os alunos, visando promover uma educação de qualidade e equitativa. Este trabalho buscou analisar as contribuições de uma formação com foco no Ensino Colaborativo e no Desenho Universal para a Aprendizagem na consecução da inclusão escolar em escolas públicas regulares. Este estudo caracteriza-se como qualitativo, especificamente do tipo pesquisa-ação. A pesquisa foi desenvolvida com professores da rede municipal de Teresina e, dividida em três etapas. Na primeira etapa foi realizado um curso de formação sobre a temática deste estudo, do qual participaram 24 professores, destes 19 professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e cinco professoras do ensino regular, na segunda etapa nove duplas formadas pelas professoras do curso e um parceiro que trabalhava no mesmo lugar desenvolveram um plano de ensino usando os princípios do DUA  e na terceira etapa, da qual participaram nove escolas, houve a aplicação dos planos pelos professores da classe comum e especialistas. No curso foram trabalhados assuntos envolvendo o Ensino Colaborativo e o Desenho Universal para a Aprendizagem. Foram realizados 10 encontros ao todo, com duração de 3 horas cada e aconteceram de forma remota e presencial. As análises e resultados desse estudo ainda estão em desenvolvimento.




    Dissertações/Teses - 2025

    JOSÉ WILSON DE OLIVEIRA SENA NARRATIVAS DAS PRÁTICAS DE GESTÃO ESCOLAR NA PROMOÇÃO DO DESEMPENHO ESCOLAR NO ENSINO FUNDAMENTAL DA REDE MUNICIPAL DE TERESINA Data: 12/12/2025

    A presente pesquisa propôs investigar as narrativas das práticas de gestão escolar na promoção do desempenho escolar no ensino fundamental da rede pública municipal de Teresina. Assim sendo, parte-se do entendimento de que, se por um lado são conhecidos os resultados (objetivo final) de determinadas práticas da gestão escolar, por outro não são reveladas as estratégias (modo de fazer e decidir) através das quais chegou-se a determinados fins. Aqui, mais do que a linha de chegada, interessa-nos conhecer os movimentos das ações durante a trajetória, algo pouco explorado, passível de desvendamento, porque comumente se restringe apenas à equipe gestora. Partimos da seguinte questão-problema: Como acontecem as práticas de gestão escolar na promoção da aprendizagem e desempenho no ensino fundamental da rede pública municipal de Teresina? Estabeleceu-se como objetivo geral da pesquisa: Investigar as práticas de gestão escolar na promoção do desempenho escolar no ensino fundamental da rede pública municipal de Teresina. Para alcance do objetivo proposto, elegeu-se como objetivos específicos: Identificar as estratégias resultantes das práticas da gestão escolar para a aprendizagem e desempenho dos alunos; Conhecer a formação dos gestores escolares para a promoção da aprendizagem e desempenho escolar; Analisar o processo de decisões das práticas de gestão desenvolvidas no contexto escolar; Compreender os efeitos das histórias de vida dos gestores escolares em suas práticas cotidianas. Para compor o referencial teórico sobre gestão escolar, utilizamos as contribuições de Alonso (1988), Feldmann (2009), Félix (1985), Lück (2009, 2011, 2013, 2014), Libâneo (2005, 2018), Luckesi (2007), Paro (2001, 2012, 2015), Silva e Pereira (2018), Souza (2018), dentre outros. Para a fundamentação metodológica, fizemos uso dos conhecimentos de Bertaux (2010), Clandinin e Connelly (2015), Delory-Momberger (2014a, 2014b, 2016), Dominicé (2010a, 2010b), Ferrarotti (2010, 2014), Finger (2010), Josso (2004), Nóvoa (2010, 2014), Passeggi (2014), entre outros autores. Com base na proposta de Souza (2014), realizamos a análise compreensiva-interpretativa. Trata-se de uma pesquisa qualitativa narrativa de abordagem autobiográfica, desenvolvida com 16 gestores escolares da rede pública municipal de Teresina, que exercem seus cargos em escolas da zona norte, zona sul, zona leste e sudeste da capital. Para a produção de dados utilizaremos a entrevista narrativa, o memorial de formação e o protocolo de observações. Os dados empíricos serão organizados em categorias e subcategorias e analisados conforme as proposições de Souza (2014). O presente trabalho justifica-se por dois principais motivos: primeiro, pelo fato de provocar uma reflexão oportuna, nunca vazia e sempre permanente, baseada nas práticas da gestão escolar, um dos eixos responsáveis pela aprendizagem e promoção de desempenho nas escolas. Segundo, pelo entendimento de que as demandas atuais da gestão escolar reclamam dos profissionais da educação uma formação teórica consistente, além de permanente formação continuada, liderança, consciência crítica e política, visto que são numerosos os desafios para ofertar uma educação de qualidade para todos.


    KÁCIO DOS SANTOS SILVA A devolução dos Espelhos: uma tesedança como prática educativa de imagens afrodescendentes Data: 09/12/2025

    O colonialismo produziu imagens deturpadas em nossos corpos. Elas se configuram através de processos de aprendizagens que violentam e subalternizam corpos visivelmente racializados. A forma cartesiana de separar corpo e intelectualidade é um exemplo desse processo de dominação, onde comumente pessoas e culturas afrodescendentes ficam relacionadas a um aspecto mais corporal e, pessoas e culturas de descendência europeia como uma forma mais racional. Nesta dicotomia, há uma intenção colonial evidente de silenciar a intelectualidade de origem africana (negra) que, no caso desta pesquisa, propõe-se a dança como área de conflito.  Por este motivo, esta tese tem duas configurações de linguagem: uma escrita, e a outra dançada. É um experimento, onde o corpo produz o próprio conhecimento, sendo uma tese-dança. Baseando-se nestas ponderações iniciais, esta pesquisa propõe-se o seguinte objetivo: compreender como a criação e apresentação de um espetáculo de dança, produzido a partir dos referenciais desta tese, pode contribuir para produzir aprendizagens capazes de recusar imagens coloniais e estimular a formação de novas imagens que fomentem a consciência e a autoestima de pessoas negras. A metodologia desta tese tem sido desenvolvida a partir da criação coreográfica do mesmo codinome da tese: ‘a devolução dos espelhos’. A obra foi apresentada para diferentes públicos no Brasil e em Portugal, através do doutoramento sanduíche, e tem produzido dados de duas formas, primeiramente através da própria construção coreográfica com análise das imagens e conteúdo da apresentação e, segundamente, através da produção de dados dos espectadores da performance através de questionários, entrevistas e rodas de conversas revelando as aprendizagens na relação artista-pesquisador-espectador. A tese se ampara nos estudos de Fanon (2008; 1968), Kácio Silva (2023), Francilene Silva (2022), Boakari (2022), Biko (1987), Cesáire (2020), Souza (2021), Martins (2024), Carneiro (2019; 2023), hooks (2021; 2021), Evaristo (2024), Freire (2019), Moura (2019; 2020; 2021), Gilroy (1993), Mbembe (2017; 2018), Faustino e Lippold (2023), Mignolo (2013), Nascimento (2007; 2022), Bento (2022), Santos (2023) e, Lacan (1998).


    IRLANNY ARAÚJO SANTIAGO SANTOS O NOVO ENSINO MÉDIO E O ESVAZIAMENTO DA FORMAÇÃO HUMANA: REVERBERAÇÕES NAS ESCOLHAS PROFISSIONAIS DE ESTUDANTES DA ESCOLA PÚBLICA Data: 27/11/2025

    Esta pesquisa tem como centralidade as reverberações da Lei nº 13.415/17, que instituiu o Novo Ensino Médio (NEM), nas escolhas profissionais de estudantes de uma escola pública de Teresina-PI. A reforma, embora promovida pela mídia como uma inovação que traria protagonismo juvenil e liberdade de escolha, é aqui entendida como uma contrarreforma, um movimento criticado por aprofundar as desigualdades educacionais e reforçar a histórica dualidade do ensino brasileiro: um modelo voltado para a elite e outro para os jovens das classes populares. Ancorada no materialismo histórico-dialético e dialogando com autores como Marx, Lukács e Tonet, a pesquisa buscou analisar as reverberações do NEM nas escolhas profissionais de jovens estudantes. Para tanto, buscou-se analisar a estrutura curricular do NEM e as condições materiais de ensino que a escola pública oferece ao jovem no processo de formação para o trabalho; e, investigar como a flexibilização curricular do novo ensino médio reforça a formação dual e compreender as estratégias de mediação da escola em relação às escolhas profissionais dos estudantes. A metodologia incluiu aprofundamento bibliográfico-documental e pesquisa de campo, utilizando como técnicas de construção dos dados o questionário socioeconômico e grupo focal com os estudantes. Os resultados revelaram uma contradição entre o discurso oficial proferido pelo Ministério da Educação (MEC) acerca da reforma e a realidade vivenciada na escola. A promessa de protagonismo e liberdade de escolha é desmentida pela experiência concreta dos jovens, que se veem como um experimento social em meio a uma implementação caótica e precária. Eles relataram sobre a falta de estrutura, a desorganização, o esvaziamento de disciplinas essenciais e a inserção de eletivas de baixo valor formativo. A tão anunciada liberdade de escolha se mostrou uma ilusão, diante das poucas opções de itinerários e da impossibilidade de aplicá-los. Como consequência, os estudantes perceberam que o novo formato os distancia de uma formação qualificada e os coloca em desvantagem na disputa por uma vaga nas universidades públicas, direcionando-os para o mercado de trabalho de forma aligeirada e precária. Suas escolhas profissionais, por sua vez, são atravessadas pela necessidade de estabilidade financeira, um projeto de vida que entra em conflito com a formação fragilizada que recebem. A pesquisa revelou, portanto, que o NEM pode ser entendido como uma contrarreforma que intensifica a precarização, aprofunda a dualidade educacional e promove a alienação dos estudantes, que não se reconhecem como protagonistas do processo formativo. A crítica que os jovens elaboram sobre sua própria educação, no entanto, mostra que sua experiência, embora frustrante, potencializou sua consciência sobre as contradições de um projeto de classe que visa adequar a juventude à lógica do capital. Concluímos que o NEM frustra as perspectivas de futuro dos estudantes, mas, contraditoriamente, fortalece sua percepção crítica sobre os limites impostos por sua condição social, e reforça a importância de lutar por uma educação que tenha como horizonte a emancipação humana. 

     

    MARQUELE DE MOURA SANTOS NEGACIONISMO E ENSINO DE GEOGRAFIA: SIGNIFICAÇÕES DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO Data: 26/11/2025

    Esta pesquisa, vinculada à linha de Formação Humana e Processos Educativos do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Piauí (PPGED/UFPI), investiga o fenômeno Negacionismo e Ensino de Geografia: significações de estudantes do ensino médio. Parte da seguinte problemática: o que as significações de estudantes do ensino médio revelam sobre o negacionismo e suas reverberações no processo de formação humana no ensino de Geografia, no contexto do bolsonarismo? O objetivo geral é compreender as reverberações do negacionismo na formação humana de estudantes do ensino médio, a partir de suas significações sobre o ensino de Geografia. Os objetivos específicos consistem em: analisar as significações produzidas acerca do negacionismo científico; examinar a percepção dos estudantes sobre o papel da educação e do ensino de Geografia no enfrentamento do negacionismo; e identificar os limites e possibilidades do processo de formação humana a partir da escola. O estudo fundamenta-se no materialismo histórico-dialético, na psicologia histórico-cultural e na pedagogia histórico-crítica,  que compreendem a formação humana como processo histórico e a educação como atividade social que medeia a apropriação da humanidade nos seres humanos.  A pesquisa de natureza crítica teve como  campo empírico  uma escola pública estadual de Picos-PI, com participação de 12 estudantes de ensino médio: todos responderam a um questionário inicial e, destes, 10 integraram os grupos focais. Para a organização e análise dos dados, utilizou-se a técnica dos núcleos de significação. Os resultados apontam que as significações estudantis articulam condições objetivas (histórico-sociais) e condições subjetivas (vivências), revelando que a consciência sobre o negacionismo é atravessada por determinações sociais, ideológicas, políticas e afetivas. Os jovens reconhecem a educação e o ensino de Geografia como fundamentais para enfrentar o negacionismo e, mesmo diante de obstáculos concretos, emergem brechas formativas para o desenvolvimento da consciência crítica. O processo de formação humana escolar, assim, apresenta limites como condições materiais precárias e ideologias dominantes, mas também possibilidades de resistência. Conclui-se que, quando orientadas por referencias emancipatórios, as práticas pedagógicas desenvolvidas na escola,    mostram-se eficazes em socializar o saber científico, promover a formação humana e reafirmar seu potencial transformador da consciência humana.


    FERNANDO HENRIQUE RODRIGUES DA COSTA ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (ECA) E O EXERCÍCIO DO DIREITO À EDUCAÇÃO DOS ADOLESCENTES EM CONFLITO COM A LEI Data: 29/08/2025

    Com o intuito de contribuir com os estudos que buscam analisar as potências e impotências das políticas públicas e o direito à educação dos adolescentes em conflito com a lei, que em sua maioria se destacam como advindos das camadas pobres no município de Teresina-PI. Para tanto, esta pesquisa tem como objetivo investigar as potências das políticas públicas, que se materializam nas legislações em vigor, no que diz respeito ao exercício do direito à educação, bem como  as fragilidades, que aqui denominamos de  impotências na efetivação destas políticas públicas, em favor dos adolescentes em conflito com a lei no Município de Teresina, buscando ao longo do processo de investigação atender os seguintes objetivos específicos: conhecer os direitos educacionais dos adolescentes assegurados no marco legal brasileiro; identificar as políticas públicas implementadas pelo Estado do Piauí, para assegurar o direito à educação de adolescentes em conflito com a lei;  Mapear a rede de atendimento socioeducativo do Estado do Piauí, especificamente no Município de Teresina;  Identificar os órgãos que monitoram o direito à educação dos jovens em conflito com a Lei em Teresina, delineando o papel de cada um nessa tarefa. A pesquisa traz uma abordagem qualitativa, de cunho bibliográfico baseado nos teóricos Bazílio; Costa (2000); Gamboa (2013); Kramer (2006); Godinho (1999); Monteiro (2003); Rosa (2001); Volpi (2001), e documental a partir da Lei nº 8.069/90 que trata do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, da Constituição Federal (1988) e da LDB 9.394/96 – Lei de diretrizes e Bases da Educação. Enquanto técnica de análise dos dados utilizamos os procedimentos da técnica da análise do conteúdo. Foi possível verificar que não há uma politica concreta em relação ao direito dos adolescentes em conflito com a lei na garantia do seu direito a educação. Observamos a ausência de dialogo entre as instituições do poder judiciário e a secretaria de educação para garantia do referido direito.


    FRANCISCO MARCOS PEREIRA SOARES SOARES, F. M. P. Formação contínua de professores da educação infantil: entre significações autobiográficas e possibilidades de mudança da prática educativa de infância Data: 29/08/2025

    Este estudo tem como objeto a formação contínua de professores da Educação Infantil, compreendida como processo que ocorre após a formação inicial e com possibilidade de provocar mudanças das práticas educativas da infância, se for desenvolvida a partir de reflexão, da dialogicidade e como atividade situada. A pesquisa parte da seguinte questão: Como diferentes modelos de formação contínua afetam professores da Educação Infantil na partir da perspectiva de mudança em suas práticas educativas de infância? O objetivo geral consiste em analisar diferentes modelos de formação contínua e suas repercussões sobre professores da Educação Infantil, na de mudança nas práticas educativas de infância. Os objetivos específicos são: a) descrever modelos de formação contínua de professores da Educação Infantil no Brasil e em Portugal; b) identificar como professoras da Educação Infantil compreendem sua participação nesses processos formativos; c) compreender como esses modelos ampliam os conhecimentos docentes sobre pedagogias e práticas educativas da infância; e d) analisar as relações entre formação contínua e mudança nas práticas educativas. Em consonância com os objetivos da investigação, o estudo propõe a seguinte tese: a formação contínua de professores da Educação Infantil, poderá afetar as práticas educativas de com crianças, se for desenvolvida a partir da perspectiva da reflexão, da dialogidade e da atividade situada. A pesquisa tem como fundamento a teoria dialógica (Bakthin, 1997; 2010) e os pressupostos do método autobiográfico, conforme Finger e Nóvoa (1998), Souza (2006), Nóvoa e Bueno et al. (2016), Pineau (2006), e Passeggi, Souza e Vicentini (2011), entre outros. A metodologia adotada foi a pesquisa autobiográfica, por possibilitar o acesso às histórias de vida e formação dos narradores. Os dispositivos de produção das narrativas foram os memoriais autobiográficos, fundamentados em Brito (2010) e Delory-Momberger (2008), e os círculos dialógicos autobiográficos, inspirados em Freire (1996) e Bakhtin (1997, 2010). O campo empírico contemplou cinco instituições de Educação infantil, situadas em contextos sociais distintos: Uma em Coimbra (Portugal) e quatro no município de Buriti dos Montes (Piauí, Brasil). Participaram do estudo sete professoras da Educação Infantil. A análise das narrativas foi conduzida por meio da Análise Textual Discursiva, conforme proposta por Moraes e Galiazzi (2006). Os resultados preliminares do estudo indicam que as professoras, ao participarem da formação contínua, produzem significações sobre diferentes modelos formativos, construído vivências e aspirações sobre outras possibilidades de formação que possam ampliar conhecimentos sobre pedagogias e práticas educativas da infância, o que pode provocar mudanças (ou não) nessas práticas.


    MESSIAS MUNIZ DE NASSAU NETO Alternância Pedagógica nos Cursos de Licenciatura em Educação do Campo: perspectivas de acesso e permanência dos estudantes na UFPI Data: 29/08/2025

    A Alternância Pedagógica da Licenciatura em Educação do Campo privilegia o reconhecimento de diferentes tempos, espaços e saberes formativos, que se alternam entre Tempo Universidade e Tempo Comunidade dentro desse contexto, esta pesquisa tem como objetivo analisar os desafios e perspectivas da alternância pedagógica no  e permanência dos estudantes na Licenciatura em Educação do Campo da UFPI.  Este trabalho foi desenvolvido  a partir do seguinte problema: Quais os desafios e perspectivas da alternância pedagógica na garantia do acesso e permanência dos estudantes na Licenciatura em Educação do Campo, do Campus Ministro Petrônio Portella, da UFPI? A partir desta questão-problema, definimos como objetivo geral: Analisar os desafios e perspectivas da alternância pedagógica no  e permanência dos estudantes na Licenciatura em Educação do Campo, do Campus Ministro Petrônio Portella, da UFPI. A fim de alcançar os objetivos propostos, esta pesquisa foi desenvolvida com base na abordagem qualitativa, por meio da análise do Projeto Político Pedagógico do Curso, bem como, da realização das entrevistas semiestruturadas com os coordenadores, professores e estudantes do curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEDOC) UFPI. Os dados foram organizados e analisados a partir das contribuições da Análise de Conteúdo. Com base nesse estudo, constatamos que a Alternância Pedagógica adotada pela Licenciatura em Educação do Campo (LEdoC) da UFPI em Teresina configura-se como uma alternativa política e pedagógica importante capaz de criar espaços de troca de saberes e vivências que empoderam sujeitos historicamente marginalizados e garantem seu acesso ao ensino superior. Contudo, o estudo evidencia que a sua plena materialização esbarra em uma série de desafios estruturais. As principais fragilidades identificadas são a falta de preparação docente e de compreensão institucional sobre a alternância, a carência de infraestrutura física e acadêmica adequada (como salas específicas e alojamentos em condições), e a insuficiência de recursos financeiros, o que impacta diretamente o planejamento e o desenvolvimento coerente dos tempos-universidade e tempos-comunidade. Diante do exposto, consideramos que esta pesquisa contribuirá para o campo educacional, uma vez que, a Licenciatura em Educação do Campo forma educadores e educadoras para atuar como professores por área de conhecimento, na gestão das escolas do campo e de processos educativos sociais e comunitários desenvolvidos nos territórios rurais.


    JACIRA CHAVES DE SOUSA CASTRO O VIDEO POPULAR NO CONTEXTO DA PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA: AS POSSIBILIDADES DE FORMAÇÃO CRÍTICA DOS JOVENS CAMPONESES Data: 29/08/2025

    A Educação do Campo surge a partir das reivindicações dos movimentos camponeses por um modelo educacional que atendesse as necessidades das famílias que vivem no campo e pudesse desencadear uma reflexão crítica sobre a realidade camponesa, visando a transformação social. Neste contexto, o vídeo popular surge como um instrumento formativo que pode potencializar os processos educativos desenvolvidos no âmbito da Educação do Campo, já que este modelo educacional permite ao educador adequar os instrumentos formativos aos educandos e ao contexto a ser abordado. Desse modo, o processo de investigação foi desenvolvido a partir do seguinte problema da pesquisa: Em que medida o vídeo popular contribui na construção de práticas educativas voltadas à formação crítica dos jovens no contexto da Pedagogia da Alternância? A partir deste problemática, a pesquisa tem como objetivo: investigar as possíveis contribuições políticas e pedagógicas do vídeo popular na construção de práticas educativas voltadas à formação crítica dos jovens no contexto da Pedagogia da Alternância. O estudo foi desenvolvido com base na pesquisa qualitativa, com base na realização das rodas de conversa, na observação e análise documental. Os sujeitos são os alunos do 2º e 3º ano da Escola Família Agrícola do Soinho, que participaram das oficinas de Vídeo Popular por meios das Rodas de Conversas na escola. O referencial teórico baseado em autores como Molina (2012), Caldart (2000) e Lima (2022), abordando conceitos como Educação do Campo e Pedagogia da Alternância. Gomes Silva (2019) e Canova (2019), trazendo a perspectiva do Vídeo Popular como instrumento político e pedagógico na Educação do Campo. Avaliamos o Vídeo Popular emergiu como um dispositivo pedagógico importante na construção de práticas educativas voltadas à problematização da realidade do campo e da valorização das experiências e dos sabres vivenciados neste contexto, uma vez que: a) amplia a metodologia da alternância, integrando linguagens audiovisuais que registram, debatem e ressignificam as experiências dos jovens no campo e na escola; b) favorece a valorização dos conhecimentos camponeses, ao permitir que os próprios sujeitos narrem suas histórias, cultivos, lutas e tradições, fortalecendo sua identidade e autonomia; c) problematiza a realidade, ao estimular a análise crítica de questões como o agronegócio, a agroecologia, o acesso à terra e os direitos sociais, contribuindo para uma formação política engajada; e d) promove a troca de saberes, tanto entre gerações (jovens e agricultores experientes) quanto entre comunidades, criando redes de resistência e solidariedade. Neste caso, o trabalho com o Vídeos Popular nas comunidades camponeses podem potencializar a formação crítica dos jovens, na medida em que permite uma inserção crítica dos jovens nos territórios, buscando valorizar a cultura da comunidade, bem como, produzir novos conhecimentos que apontem caminhos para a transformação da realidade do campo.


    RAIMUNDO NONATO DE SOUSA NETO Entre documentos e memórias de professoras: história do Departamento de Educação da Universidade Federal do Piauí (1971-1975) Data: 28/08/2025

    A presente tese consiste no estudo sobre a história e memória do Departamento de Educação (DE) pertencente à Fundação Universidade Federal do Piauí (FUFPI), observando o processo de transição para Centro de Ciências da Educação (CCE), a atuação das professoras nas disciplinas pedagógicas no Curso de Pedagogia e em suas habilitações e nas licenciaturas de conteúdo. Como objetivo geral busca-se: Interpretar aspectos da história e memória da criação do Departamento de Educação (DE) da Fundação Universidade Federal do Piauí (FUFPI) e sua transição para Centro de Ciências da Educação (CCE), enfatizando a trajetória de mulheres professoras nesse processo. Como objetivos específicos, pretende-se: Cotejar sobre a criação da FUFPI; Analisar a criação do Departamento de Educação da FUFPI, por meio da Resolução 16/71 e do Projeto de Implantação do DE e o processo de transição do DE para Centro de Ciências da Educação com base na Resolução 10/ 75; Compreender a atuação das professoras no DE, nas Reuniões de Estruturação do Departamento de Educação por meio de atas e dos diários de classes das disciplinas pedagógicas do DE ministradas pelas professoras. Nessa perspectiva o estudo é norteado pela seguinte problemática central: Como se deu a História do Departamento de Educação e as implicações das trajetórias das professoras e sua transição para Centro de Ciências da Educação da Fundação Universidade Federal do Piauí? Metodologicamente o estudo se caracteriza como pesquisa histórica e documental, na perspectiva da história cultural segundo Burke (2021,1992), pautado nas ideias de Le Goff (2013), refletindo o conceito de documento e monumento. Também utiliza como metodologia de pesquisa as ideias e conceitos de história oral, tendo por base reflexões de Portelli (2016) e Alberti (2013), sobre a história oral como metodologia de pesquisa e de constituição de fontes para o estudo da história. Como resultados preliminares observa-se as contribuições do DE da FUFPI na formação pedagógica docente de forma inicial e continuada por meio dos convênios firmados com a Secretária da Educação do Estado do Piauí, objetivando atualizar os professores da rede pública piauiense de ensino. Destaca-se a escolha da primeira mulher professora ocupante do cargo de chefe do DE, Maria Cristina Oliveira, responsável por liderar e comandar as ações pedagógicas e demandas burocráticas do DE. Evidencia-se as atuações e contribuições, no Departamento de Educação, das professoras Juraci Mendes Soares, Maria Cecília da Costa Araújo Mendes, Maria Oliveira Lima, Maria Salete Linhares Figueredo, Maria Luiza de Aguiar Amorim, Iracema Santos Rocha da Silva e Etelvina Nunes de Castro. Ademais, o DE objetivou formar professoras/es no Curso de Pedagogia e nas habilitações em Administração Escolar, Supervisão Escolar, Orientação Educacional e Magistério de 2º Grau, para lecionarem no ensino de 1º e 2º graus e, sobretudo, em face às novas condições do desenvolvimento da Educação no estado do Piauí.


    MÁRCIA REIJANE GOMES DE MOURA Políticas Educacionais para a Educação do Campo em Teresina: Limites e Possibilidades. Data: 26/08/2025

    Este estudo analisa as políticas educacionais voltadas para a Educação do Campo em Teresina, com foco na atuação da Secretaria Municipal de Educação (SEMEC) na implementação dessas ações e no atendimento às necessidades das comunidades rurais. O objetivo geral é analisar de que maneira as ações da Secretaria Municipal de Educação de Teresina (SEMEC) contemplam os princípios da Educação do Campo e contribuem (ou não) para a garantia do direito à educação das populações camponesas. Para tanto, foram definidos os seguintes objetivos específicos: identificar as políticas de Educação do Campo desenvolvidas pela SEMEC a partir da institucionalização do sistema municipal de educação; discutir os desafios estruturais que comprometem o funcionamento das escolas do campo, como infraestrutura, transporte, materiais didáticos e descentralização de recursos; e compreender as dinâmicas entre o Estado e a sociedade civil no que se refere às demandas por Educação do Campo no município. A pesquisa investiga os processos de aproximação e distanciamento entre as diretrizes municipais e as demandas da população camponesa, destacando avanços, desafios e lacunas na efetivação do direito à educação. O estudo fundamenta-se na premissa de que a Educação do Campo requer abordagens diferenciadas e contextualizadas, respeitando as especificidades culturais, sociais e econômicas das comunidades rurais. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa e descritiva, baseada na análise de documentos e entrevistas semiestruturadas com gestores, técnicos da SEMEC e professores de escolas do campo. Os resultados indicam que, apesar da existência de políticas públicas voltadas para o setor, há uma desconexão relevante entre as normativas e a realidade das escolas do campo. Foram identificadas deficiências estruturais, como a precariedade da infraestrutura, dificuldades no transporte escolar e carências na formação continuada dos educadores. Além disso, constatou-se que a distribuição de recursos financeiros e a formulação de políticas educacionais nem sempre consideram as especificidades da Educação do Campo, resultando em desafios para sua implementação efetiva. A pesquisa também evidenciou que a participação da sociedade civil, embora relevante, encontra barreiras institucionais que limitam sua influência nas decisões educacionais. A análise crítica das políticas municipais permitiu identificar aspectos positivos, como a existência de programas voltados para a Educação do Campo, mas também revelou fragilidades na execução dessas políticas, o que compromete a garantia plena do direito à educação para os camponeses. Diante desses achados, o estudo contribui para o debate sobre a efetividade das políticas educacionais no contexto campesino e aponta a necessidade de reformulações que contemplem a realidade das escolas do campo de forma mais integrada e participativa. As conclusões reforçam a importância de investimentos estruturais, formação docente contínua e maior diálogo entre os gestores públicos e as comunidades rurais para que a Educação do Campo cumpra seu papel de inclusão e desenvolvimento social. As implicações do estudo transcendem o âmbito acadêmico, oferecendo subsídios para a formulação de políticas públicas mais adequadas e eficazes, fortalecendo a gestão educacional no município de Teresina e contribuindo para a garantia do direito à educação de qualidade no campo.

     

     


    MARIA DE LOURDES CERQUEIRA DE ALMEIDA PRÁTICAS PEDAGÓGICAS (EXITOSAS) NO ENSINO MÉDIO: ANÁLISE DAS BASES EPISTEMOLÓGICAS QUE FUNDAMENTAM O ENSINO DA MATEMÁTICA NO CETI AUGUSTINHO BRANDÃO, EM COCAL DOS ALVES-PI Data: 22/08/2025

    As práticas pedagógicas exitosas constituem-se objeto de interesse da presente pesquisa, visto que examina junto aos professores de matemática da educação básica, em uma escola que tem demonstrado grande destaque em níveis regional, nacional e internacional. Tem por tese a seguinte proposição: As práticas pedagógicas exitosas, desenvolvidas pelos professores de matemática da educação básica do CETI Augustinho Brandão, são fundamentadas em bases epistemológicas que permitem o desenvolvimento de processos transformadores quando associados ao apoio família/ comunidade. Neste sentido, estrutura-se a problemática na seguinte indagação: Como as bases epistemológicas contribuem para a construção das práticas pedagógicas exitosas de professores da área de Matemática na educação básica no CETI Augustinho Brandão? A partir de tais delineamentos, traça-se a título de objetivo geral o seguinte: Analisar as bases epistemológicas que fundamentam as práticas pedagógicas exitosas desenvolvidas por professores de matemática na educação básica no CETI Augustinho Brandão, em Cocal dos Alves-PI. E, como objetivos específicos, definimos: a) Identificar as bases epistemológicas que fundamentam as práticas pedagógicas dos professores de Matemática da educação básica; b) Descrever as práticas pedagógicas desenvolvidas nos processos de ensino e aprendizagem da matemática na educação básica; c) Caracterizar as práticas pedagógicas exitosas com suas respectivas bases epistemológicas, desenvolvidas na educação básica por professores na área da Matemática, no CETI Augustinho Brandão, em Cocal dos Alves-PI. Para guiar teoricamente este estudo, fundamentaremos a pesquisa nos seguintes eixos: a) o primeiro de base específica da área de Ciências da Educação, apoiamo-nos em Behrens (2010; 2013) Carvalhêdo e Portela (2020), Franco (2016),, Pimenta (2006) e outros;  b) o segundo eixo com sua base voltada para uma fundamentação em educação matemática, com base em D’Ambrósio (1989), Fiorentini (1995) e importantes teóricos da referida comunidade científica; c) o terceiro eixo refere-se àquele de base teórico-metodológica relacionada à construção da metodologia da pesquisa, fundamentada por autores, como Jovchelovitch e Bauer (2002), Minayo (2021) e Yin (2005) ;  entre outros. Metodologicamente se caracteriza por ser de natureza qualitativa do tipo estudo de caso. Para tal, utilizou-se como instrumentos para produção dos dados os seguintes dispositivos: a entrevista narrativa e a roda de conversa. Concluímos que as bases epistemológicas do ensino da matemática na escola investigada têm como fundamento a contextualização do conhecimento, adaptação e flexibilidade, a oferta de atividades complementares e os atendimentos em horários alternativos, a visão interdisciplinar que gera conhecimento, as interações sociais, o perfil do professor formador, a relação professor – aluno, a cooperação entre os estudantes, a relação Escola – família, a orientação do Projeto de vida, o processo de avaliação da aprendizagem (concepção formativa), a ênfase no planejamento escolar como base para a ação pedagógica, a autonomia docente, o conteúdo-forma no ensino da matemática e o material Didático-pedagógico com o uso de tecnologias e instrumentos variados possibilita não apenas uma maior interação, bem como contribui para o desenvolvimento de estratégias de ensino eficaz.

     


    LARISSA MYCHELLE DOURADO CAMPOS Pedagogia e saúde: a atuação do pedagogo em um hospital oncológico. Data: 21/08/2025

    Durante muito tempo, as atividades hospitalares se delineavam exclusivamente aos profissionais da saúde. No entanto, atualmente, considerando a garantia do direito educacional a todos, torna-se obrigatória a atuação de multiprofissionais nesse ambiente, como por exemplo a atividade do pedagogo, que tem por objetivo levar para as pessoas doentes o direito de usufruir à educação. Nesse cenário, é fundamental compreender como a atividade pedagógica ocorre no contexto hospitalar e este é o escopo desta pesquisa  que indaga em sua questão problema sobre as especificidades da prática pedagógica de pedagogos do Atendimento Escolar Hospitalar de crianças em tratamento oncológico. Assim, para tonar possível a obtenção de respostas para o questionamento foi traçado como objetivo geral, analisar a prática pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem com crianças oncológicas em processo de internação em um hospital da cidade de Teresina – PI. Especificamente objetivamos identificar o perfil formativo e profissional dos pedagogos responsáveis pelo atendimento das crianças oncológicas; caracterizar a prática pedagógica dos pedagogos no atendimento Escolar Hospitalar de crianças em tratamento oncológico; conhecer as especificidades dos processos de ensino e aprendizagem desenvolvidos no âmbito do Atendimento Escolar Hospitalar de crianças em tratamento oncológico.  A investigação foi desenvolvida alicerçada na pesquisa de abordagem qualitativa, tipo estudo de caso. As técnicas utilizadas para produção de dados foi a observação em sala de aula, o questionário e a entrevista semiestruturada com os professores. O lócus da pesquisa é um Centro de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) do Estado do Piauí, prestador de serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS) que é referência no atendimento e tratamento de 100% dos casos de câncer na infância e na adolescência que possui atendimento escolar hospitalizado e classes escolares para alunos-pacientes. O método de análise de dados se embasou nas referências da análise de conteúdo de Bardin (2011). Os resultados apontam que o profissional formado em Pedagogia é o mais indicado para atuar nesse contexto. E que embora o curso não tenha preparado as professoras para atuarem nesse contexto, a formação continuada contribui significamente nessa formação. Revelam ainda que a organização do trabalho, trabalho pedagógico é flexível e individualizado à condição física e emocional de cada escolar e que esse importante serviço de atendimento educacional nas classes hospitalares enfrenta desafios. De modo geral o estudo alarga o campo da epistemologia da prática profissional, lançando luz sobre o pedagogo como profissional responsável para garantir o direito a educação  e a aprendizagem em espaços hospitalares.

     


    WEDSON ALVES FERRAZ A POLÍTICA DE EDUCAÇÃO DO CAMPO: DESAFIOS E PERSPECTIVAS DO DIREITO À EDUCAÇÃO NO PIAUÍ Data: 21/08/2025

    Nos últimos vinte e cinco anos, o cenário educacional brasileiro passou a incorporar sujeitos coletivos historicamente marginalizados, especialmente os trabalhadores do campo, cujas lutas sociais e práticas educativas possibilitaram avanços significativos. Organizados em nível nacional através do Movimento de Educação do Campo, esses sujeitos protagonizaram conquistas importantes no campo das políticas públicas educacionais. Esta dissertação investiga os processos de aproximação e distanciamento da política de Educação do Campo implementada pela Secretaria de Estado da Educação do Piauí (SEDUC-PI), buscando compreender sua efetividade na garantia do direito à educação para os camponeses. A pesquisa tem como objetivo geral compreender os processos de aproximação/distanciamento dessa política em sua efetivação. Os objetivos específicos incluem: mapear as ações desenvolvidas pela SEDUC-PI desde sua institucionalização; identificar os interlocutores na relação sociedade civil–Estado; e analisar a incorporação das demandas da Educação do Campo na estrutura da Secretaria. O aporte teórico fundamenta-se em autores como Roseli Caldart (2001, 2009, 2023) Mônica Molina (2004, 2008, 2011, 2012), Lucineide Barros (2010), Rodrigo Camacho (2017), Célia Regina Vendramini (2015), Luiz Bezerra Neto (2016) e Miguel Arroyo (1999), que discutem criticamente a Educação do Campo em suas dimensões nacional e local. A metodologia adotada é de natureza quali-quantitativa, com uso de levantamento bibliográfico, análise documental e entrevistas semiestruturadas como técnicas de produção de dados. Os resultados apontam que, embora existam avanços institucionais, como a criação da Supervisão de Educação do Campo em 2003, ainda há descompassos significativos na incorporação das especificidades do contexto camponês nas políticas educacionais do Estado. Constataram-se falhas na valorização da pedagogia da alternância, no reconhecimento da territorialidade e na formação crítica dos sujeitos do campo. Reforça-se, ainda, o papel central dos movimentos sociais na luta por políticas públicas contextualizadas e emancipadoras. Como contribuição, a pesquisa oferece subsídios teóricos e empíricos relevantes à formulação de políticas educacionais mais justas, além de ampliar o debate acadêmico sobre a Educação do Campo no Piauí.

     

     

     

     

     

     

     

     


    FRANCISCO ALISSON DE SOUSA MARTINS A PRÁTICA EDUCATIVA DOS ITINERÁRIOS FORMATIVOS DO ENSINO MÉDIO DE NÍVEL TÉCNICO - PROFISSIONALIZANTE NA REDE ESTADUAL DE TERESINA - PIAUÍ Data: 08/08/2025

    Entender o processo educativo, bem como sua prática, torna-se uma alternativa para exemplificar soluções às demandas emergentes no campo da educação, sobretudo no ensino médio, etapada educação básica que passa por reorganizações, constantemente, mas não se consolida em sua totalidade por questões estruturais e de ordem social. Nesse viés, a presente pesquisa parte da compreensão da prática educativa dos itinerários formativos do ensino médio na educação profissional de nível técnica, a partir da reforma instituída pela Lei nº 13.415/17, que propõe a formação geral básica e os itinerários formativos como parte da carga horária total do currículo. O estudo tem como objetivo geral compreender a prática educativa desenvolvida em âmbito do itinerário de formação técnica e profissional (FTP) em uma escola de ensino médio da rede estadual de Teresina-PI e, especificamente, caracterizar a prática educativa dos professores que atuam no itinerário de FTP; identificar o perfil formativo e profissional dos professores do ensino médio que atuam no itinerário de FTP; descrever limites e possibilidades da prática educativa desenvolvida no itinerário de FTP. Metodologicamente, a pesquisa é caracterizada como qualitativa, com viés etnomedológico do tipo descritiva. Como instrumentos de produção dos dados têm-se a observação participante, questionário, entrevista, diário de campo e análise documental. A pesquisa foi desenvolvida em uma escola pública da rede estadual de ensino técnico-profissionalizante, localizada no município de Teresina-PI, tendo como participantes, professores que ministram os itinerários formativos e alunos dos diferentes cursos técnicos ofertados na instituição. Para organizar, interpretar e compreender os dados da investigação, foram utilizadas ideias referentes tanto da análise de conteúdo por meio de categorias explicitadas por Bardin (2016) e da Hermenêutica-Dialética discutida e Minayo (1998). Os resultados discorrem acerca dos elementos que constituem a prática educativa dos itinerários formativos e, mediante a análise das respostas dos professores, encontrou-se elementos como a formação continuada, estrutura física, diálogos e trocas, currículo, bases teóricas, gestão da aprendizagem, formas de avaliar, compreensão social, materiais didáticos e a cultura escolar. Por conseguinte, mostram que a configuração do ensino médio integrado ainda necessita de adequações, visto a realidade brasileira e as pesquisas recentes, as quais reafirmam tal proposição. Além disso, evidenciam uma necessidade de os professores e estudantes compreenderem o que são os itinerários formativos, sua relevância para a preparação para o mercado de trabalho, a capacitação dos professores e da comunidade escolar em geral sobre eles, formação adequada para ministrá-los e estruturação das escolas para receber esses percursos formativos. E, por fim, constata-se que muitos alunos passam por problemas socioemocionais e encontram-se indecisos sobre quais são seus projetos de vida. O estudo contribui, diretamente, para refletir sobre o ensino médio e a necessidade de que seja justo, realístico e contemplativo para cumprir seu papel de etapa da educação que representa o desenvolvimento integral, formação para o exercício da cidadania e preparação para o mundo do trabalho.

     


    AIRAN CELINA SEPÚLVEDA DOS SANTOS ROCHA DE ABREU Trabalho docente na Educação Infantil: desafios da prática educativa nas escolas do/no Campo em Altos/PI Data: 06/08/2025

    ABREU, Airan Celina Sepúlveda dos Santos Rocha de. Trabalho docente na Educação Infantil: desafios da prática educativa nas escolas do/no Campo em Altos/PI. Tese (Doutorado em Educação). 388f. Programa de Pós-Graduação em Educação. Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal do Piauí. Teresina – PI, 2025.

    RESUMO

    A Educação Infantil do Campo é a primeira etapa da Educação Básica, realizada no território camponês. Para a efetivação do trabalho docente nas escolas localizadas em territórios rurais, muitas vezes faz-se necessário desafiar as próprias condições de trabalho para o exercício da docência. A partir do problema de pesquisa: Como as professoras significam as condições de trabalho e a prática educativa nas escolas da Educação Infantil do/no Campo em Altos (PI)?  Com o objetivo geral do estudo pretende-se, compreender como são significadas pelas professoras, as condições de trabalho e a prática educativa produzidas na Educação Infantil do/no Campo em Altos (PI) e objetivos específicos, analisar as concepções de trabalho docente das professoras, relacionadas à Educação Infantil nas escolas do/no Campo; identificar as condições de trabalho docente vivenciadas pelas professoras da Educação Infantil nas escolas do/no Campo; caracterizar elementos da prática educativa das professoras da Educação Infantil decorrentes das condições de trabalho docente nas escolas do/no Campo. A partir de então, estruturou-se a Tese: As condições de trabalho docente em escolas da Educação Infantil do/no Campo apresentam limitações estruturais, materiais, pedagógicas e formativas, comprometendo parcialmente o trabalho docente desenvolvido, no entanto, a responsabilidade profissional e profissionalização das professoras corroboram significativamente na superação dessas dificuldades, potencializando o processo de ensino e aprendizagem, mesmo que o contexto nem sempre seja incluído nas práticas desenvolvidas.  A metodologia com orientação de pesquisa narrativa segundo Clandinin e Connelly (2011) e Josso (2006, 2020), narrativas, conforme Abrahão (2024), Benjamin (1994), Passegi (2021) e Ricouer (2000), como pesquisa empírica, contou com 3 interlocutoras de 3 escolas da Educação Infantil do/no Campo. Para a produção dos dados seguindo os dispositivos, Ateliês Biográficos de Projeto de Si, conforme Delory-Momberguer (2021) e observação participante com diário de campo, com orientação de Flick (2009). O embasamento teórico organizou-se a partir das categorias Trabalho docente, Nóvoa (2002), Tardif e Lessard (2005); Condições de trabalho docente do/no Campo, Behrens (2007), Caldart (2023) e Reimberg e Silva (2022); Educação Infantil do Campo, Silva e Pasuch (2010) e prática educativa, Charlot (2014) e Franco (2012, 2016), inclusive com documentações legais referentes a Educação Infantil, Educação Infantil do Campo e Educação do Campo. A análise foi orientada a partir da Análise do Discurso Crítica na perspectiva de Fairclouhg (2008, 2012). Os resultados apontam que há condições de trabalho adversas nas escolas que oferecem a Educação Infantil do/no Campo e que apesar desses tensionamentos e sobrecarga de trabalho, as professoras conseguem envolver as crianças em uma prática educativa que vislumbra o universo infantil, em um sentido amplo, mas, também considerando as especificidades do contexto. Diante do estudo, percebe-se a carência de investimento financeiro e compromisso político na formação docente e elaboração dos projetos educativos e infraestruturais. Afirma-se, os pressupostos apresentados, que a tese foi confirmada, haja visto a implicação das condições de trabalho, enquanto elementos objetivos e subjetivos, que forjam o trabalho das professoras, que diante das complexidades e tensões, recorrem à iniciativas de autorresponsabilização para atender aos compromissos docentes, nem sempre contemplando a contextualidade  na prática educativa.

     


    JAYNE RAMALHO SOUSA ATIVIDADE PEDAGÓGICA MEDIADA PELO USO DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TICs) E AS POSSIBILIDADES DE FORMAÇÃO HUMANA EM CONTEXTO PÓS-PANDÊMICO Data: 05/08/2025

     A pandemia da Covid-19 provocou mudanças repentinas e significativas no modo de viver de milhões de pessoas pelo mundo. As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) tiveram um papel primordial durante esse período, pois foi por meio delas que muitas pessoas conseguiram continuar trabalhando (Home office) e estudando (Ensino Remoto Emergencial). Na educação, a Atividade Pedagógica mediada pelas TICs, nesse decurso, é marcada por mudanças, relacionadas ao modo de ensinar e interagir com os alunos e a existência de um conjunto de conhecimentos e habilidades didáticos-pedagógicas que se colocam como novos para professores e gestores, que continuam a repercutir atualmente, no período pós-pandêmico. Dessa maneira, buscando compreender como vem sendo desenvolvida a Atividade Pedagógica mediada pelo uso das TICs no contexto pós-pandêmico, que a pesquisa tem como objetivo geral analisar a Atividade Pedagógica mediada pelo uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), evidenciando as possibilidades de formação humana em contexto pós-pandêmico nas séries iniciais do Ensino Fundamental, em escolas públicas da cidade de Teresina – Piauí. A pesquisa é fundamentada no Materialismo Histórico-Dialético (MHD), proposto por Marx e Engels, na Psicologia Histórico-Cultural, preconizada por Vigotski, Luria e Leontiev e a na Pedagogia Histórico-Crítica desenvolvida por Saviani. Os instrumentos de produção de dados adotados foram o questionário online (Google Forms), para a escolha e coleta do perfil pessoal, profissional e formação acadêmica dos possíveis participantes. Dentre os respondentes do questionário, selecionamos 02 professores que aceitaram ser participantes da pesquisa (dois professores da rede pública municipal de Teresina-PI). Com estes realizamos três entrevistas reflexivas coletivas. A análise de dados foi realizada por meio dos Núcleos de Significação propostos por (Aguiar; Aranha; Soares, 2021) e (Aguiar; Soares; Machado, 2015). Os resultados evidenciaram que a utilização das TICs na Atividade Pedagógica, dinamiza o ensino e motiva tantos os alunos quanto os professores em sala de aula, possibilitando dessa forma, a aprendizagem dos alunos e a sua formação humana. Todavia, o uso das TICs no espaço escolar apresenta vários desafios como a falta ou insuficiência desses recursos tecnológicos na escola e a falta de formação dos professores para utilizá-los, dificultando assim o seu uso pelos docentes e discentes na Atividade Pedagógica.


    RAUL FERREIRA DE MIRANDA MENDES Identidade, Desenvolvimento e Necessidades Formativas de Professores Iniciantes nos Anos Finais do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino de Timon-Ma. Data: 27/06/2025

    MENDES, Raul Ferreira de Miranda. Identidade, Desenvolvimento e Necessidades Formativas de Professores Iniciantes nos Anos Finais do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino de Timon-Ma. Tese (Doutorado em Educação). 167f. Programa de Pós-Graduação em Educação do Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal do Piauí. Teresina – PI, 2025.

     

     

    RESUMO

    Essa investigação desenvolveu-se na perspectiva de discussão sobre a construção da identidade, desenvolvimento profissional e as necessidades formativas de professores iniciantes e a significativa influência desses fatores na prática pedagógica dos professores iniciantes. Cada um desses fatores afeta diretamente a forma como os professores trabalham em sala de aula, suas relações com os alunos e como lidam com os desafios do cotidiano escolar, de maneira individual e coletiva. Esse estudo tem como questão principal: Quais são as necessidades formativas e os desafios enfrentados por professores iniciantes em relação à construção de sua identidade profissional e desenvolvimento profissional de professores iniciantes do ensino fundamental anos finais na cidade de Timon-MA? Essa indagação conduz ao objetivo geral de investigar as necessidades formativas, a construção da identidade e o desenvolvimento profissional de professores iniciantes no ensino fundamental anos finais (6º ao 9º ano) na cidade de Timon-MA. Desenvolveu-se a pesquisa sob uma perspectiva qualitativa (Flick (2008) de natureza narrativa (Bolívar, 2012; Bragança et al., 2016; Connely; Clandinin, 1995; Goodson, 2019), e do ponto de vista metodológico, partiu-se do método autobiográfico (NÓVOA; FINGER, 2010), mediante dispositivos de produção das narrativas em rodas de conversa (Moura e Lima, 2014), Memorial de formação (Araújo, Gaspar e Passeggi,2011) e questionário (Ribeiro, 2008) realizadas com oito professores que atuam nos anos finais do ensino fundamental da rede municipal de ensino de Timon. Para analisar de maneira efetiva e compreensiva o corpus, escolheu-se a proposta de análise interpretativa de Souza (2004 e 2014). Acerca do  desenvolvimento profissional e construção da identidade docente, recorreu-se a estudiosos como Nóvoa (1995), Romanowski (2003), Gauthier et al. (1998), Marcelo García (1999), entre outros. Ao tratar  das necessidades formativas, fundamenta-se em Dubar (2005), Formosinho (2009), Pimenta (1999), Nóvoa (2009), entre outros. Os resultados evidenciaram que os professores iniciantes proferiram um número elevado de críticas em relação a formação inicial e continuada. Os professores trazem consigo a preocupação em desenvolver os saberes pedagógicos, principalmente no que se refere à gestão da sala de aula, planejamento, construção de metodologias de ensino adequadas ao contexto de seus alunos e de material didático para as disciplinas que lecionam. Também relataram sobre a falta de debate em relação as dimensões sociais e emocionais nas formações. Em relação a constituição da identidade docente e suas implicações nas práticas educativas de professores. Ficou manifesto nas narrativas analisadas que a identidade profissional é derivada de valores que refletem uma combinação de características e comportamentos adquiridos ao longo da vida, geralmente por meio de interações com diversos grupos, como família, amigos e locais de trabalho. Sob a ótica das narrativas, concluímos que são diversas as necessidades formativas, que referem-se aos conhecimentos, competências e habilidades que os professores principiantes precisam adquirir ou desenvolver ao longo de suas carreiras. Essas necessidades têm um impacto direto na prática docente de várias maneiras, sobretudo sobre a gestão da sala de aula.

    Palavras-chave: Formação docente; Necessidades formativas; Identidade; Desenvolvimento profissional docente; Prática docente.


    PAULO HENRIQUE PEREIRA SOARES DA SILVA ENTRE PALCOS E PRÁTICAS EDUCATIVAS: DO PROJETO VIOLÃO NA ESCOLA À ORQUESTRA DE VIOLÕES DE TERESINA Data: 24/06/2025

    Este trabalho tem como objetivo interpretar a criação, implantação e consolidação da Orquestra de Violões de Teresina que teve sua origem como uma ação do Projeto Violão na Escola, no âmbito da prefeitura de Teresina, A pesquisa visa entender como essas iniciativas colaboram para a difusão dos saberes violonísticos em Teresina. Para alcançar esse objetivo, o estudo se concentra em: refletir sobre a origem, criação, implantação e os objetivos do projeto; analisar de que maneira a Orquestra de Violões de Teresina contribui para a difusão do repertório violonístico e a formação de plateias na cidade; e investigar as práticas pedagógicas e os métodos utilizados pelos músicos no ensino do violão, bem como os impactos sociais dessas ações. A Orquestra de Violões de Teresina, ativa desde 2008, tem como missão promover o ensino e a valorização da música piauiense através de apresentações, concertos e do ensino coletivo de violão. Esse projeto foi iniciado em 2007 pelo Projeto Violão na Escola, que foi a base para a criação da OVT. Este estudo é de natureza qualitativa, com base na perspectiva da história oral. Para isso, a fundamentação teórica e metodológica se apoia nas concepções de Félix (1998) e Luca (2020) sobre os métodos e práticas da pesquisa histórica, de Barcellar (2008) no que se refere ao uso de arquivos, de Halbwach (1990) e Thompson (1998) no que diz respeito à discussão sobre memória coletiva e História Oral, e de Monti (2015) para fundamentar as percepções sobre canções. Como resultado, é possível elucidar que, a criação e implantação da Orquestra de Violões de Teresina ocorreram de forma despretensiosa, à medida que o desenvolvimento do trabalho inicial ganhou notoriedade em alinhamento com as parcerias políticas. A formação de plateia é promovida por meio da difusão da diversidade cultural presente no repertório musical, o que contribui para a formação de diferentes tipos de público. O desenvolvimento dos alunos ocorreu por meio de práticas coletivas e apresentações, sendo avaliados de forma contínua pelo professor no processo de ensino-aprendizagem. O Projeto Violão na Escola e a Orquestra de Violões de Teresina impactaram significativamente a vida social e educacional dos ex-alunos, todos os quais seguiram carreira como artistas ou no ensino de música em diferentes instituições da cidade.


    SAMUEL JOSÉ LIMA DE CARVALHO CORPO INSCRITO: A TRAJETORIA DE JOVENS NEGROS COTISTA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO - UEMACAMPUS CAXIAS Data: 30/05/2025

    RESUMO

     

    A presente dissertação de Mestrado está vinculada ao Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Piauí (PPGEd – UFPI), na linha de pesquisa de Educação, Diversidade/Diferença e Inclusão, apresentando como objeto de estudo a trajetória de jovens negros cotistas. Parte-se do problema: Como tem sido a trajetória de jovens negros cotistas na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA – Campus Caxias), destacando as suas dificuldades, modos de enfrentamento e de subjetivação? Desse modo, é tecido o seguinte objetivo geral: Analisar a trajetória de jovens negros cotistas no ensino superior, a partir do Sistema Especial de Reserva de Vagas da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA - Campus Caxias), destacando as suas dificuldades, modos de enfrentamento e de subjetivação. Ainda, no percurso investigativo, possui os seguintes objetivos específicos: a) analisar como a Lei n° 9.295/10 vem sendo discutida e implementada na UEMA – Campus Caxias; b) compreender como ocorreu o processo de inclusão dos jovens negros cotistas na  UEMA – Campus Caxias a partir de suas experiencias; c) relacionar as dificuldades enfrentadas por jovens negros cotistas na sua trajetória no ensino superior; d) identificar os modos de enfrentamento das dificuldades por jovens negros cotistas na trajetória do Ensino Superior e seus efeitos nos processos de subjetivação. A abordagem metodológica adotada neste estudo é a Cartografia, método de pesquisa-intervenção que acompanha processos, produz subjetividades, causa efeitos no plano das forças e acessa o plano das experiências (Deleuze; Guattari, 2011); intrínseco no processo de análise documental e na criação da técnica “Caminho de Volta”, “Corpo Inscrito” e “Sombras” para produção de narrativas escritas e orais dos participantes autodeclarados negros da graduação que ingressaram na UEMA - Campus Caxias pelo Sistema Especial 1 de Reserva de Vagas. Outros instrumentos foram usados como a entrevista semiestruturada, a observação e uso do diário de itinerância. Foram referencias basilares Foucault (1995a, 1998b, 2010c, 2023d); Carneiro (2023); Vaz (2022), Vaz e Ramos (2021); Mbembe (2017a, 2018b); Hooks (2019a, 2019b, 2022c); Gomes (2017); Fanon (2020); Machado (2020); Pereira Santos (2023); Morais (2022); Dayrell (2002); Diógenes (1998); Deleuze e Guattari (2010); Larrosa (2022); Certeau (1998); Silva (2020a, 2022b); Passos, Kastrup, Escóssia (2020); Passos, Kastrup, Tedesco (2016); dentre outras leituras de suporte legal e transversal, compondo uma epistemologia de análise clínico política do corpo, racialidade, movimento negro, política de cotas raciais, micropolíticas e juventude negra. As narrativas dos jovens negros cotistas revelaram experiências de dor em suas trajetórias, evidenciando dificuldades no acesso à universidade e nos processos de inclusão no interior desse espaço de poder, dentre elas: preconceito e discriminação pela cor da pele e por serem cotistas; racismo institucional, silenciamento e currículo rígido para os estudos étnico-raciais; letramento racial escasso. A questão do ser pardo manifesta-se como um gargalo, tanto pela dificuldade de ser aceito entre seus pares negros, uma espécie de não-lugar, como na autodefinição, embora a sua presença tenha sido acentuada na política de cotas raciais; ademais, há imbricamento entre raça, gênero, classe e geração manifestando demarcadores interseccionais nas narrativas, vulnerabilizando, principalmente as mulheres cotistas. Em contrapartida, demostraram modos de enfrentamento a partir do uso de táticas que possibilitaram esses jovens negros resistirem através da afirmação identitária do ser negro, do reconhecimento de sujeito de direito e do desempenho do rendimento acadêmico.


    ALINE CARLA DE SOUSA LEITE CIPRIANO “UMA VIDA DEDICADA A EDUCAÇÃO”: TRAJETÓRIA DOCENTE DE MANOEL DOS MARTÍRIOS MOURA FÉ (1922-2005) Data: 23/05/2025

    Essa pesquisa é um estudo em História da Educação e tem como objetivo investigar a trajetória de vida docente de Manoel dos Martírios de Moura Fé, em meio as suas contribuições profissionais no contexto social e educacional que viveu. Tendo como questão: Como a ação docente de Dr. Moura Fé contribuiu com a educação de Picos-Pi na época que atuou? Para tal seguimos sua trajetória de vida identificando sua escolarização, formação superior, inserção no magistério, atuação profissional, os sentidos de ser professor em sua época, a cultura escolar e as práticas escolares desenvolvidas, além dos sentidos de arquivar-se. Isto posto, adotamos o seguinte objetivo geral: Investigar a trajetória de vida de Dr. Moura Fé através de seus aspectos pessoais, de formação e atuação docente como forma de compreender os processos sociais e educacionais do Piauí no período de uma vida (1922-2005). O recorte temporal da pesquisa fundamenta-se na concepção do gênero História de Vida, que se refere ao período de uma vida inteira, motivo pelo qual utilizamos como marcos temporais o nascimento e falecimento do pesquisado. Como objetivos específicos, adotamos: Revisitar os espaços em que nosso pesquisado atuou e viveu para compreender sua formação educacional e profissional; Analisar a cultura escolar, as instituições escolares e práticas educativas de uma época por meio da trajetória de vida deste Educador; Identificar a trajetória pessoal e profissional de Dr. Moura Fé, por meio dos vestígios de memórias do seu arquivo particular; Historiar as práticas educativas de Professor como forma de conhecer a realidade dos níveis e modalidades de ensino que atuou em Picos-PI. Para responder aos objetivos propostos foi adotada a pesquisa do tipo documental, histórica e bibliográfica. Seguimos as orientações metodológicas da Nova História Cultural, que ampliou a temática Histórias de Vida, e possibilitou os usos historiográficos dos arquivos pessoais, nossa fonte direta de pesquisa. Fez-se uso também de documentos oficiais, documentos escolares, matérias jornalísticas, fontes imaginéticas, fontes orais com os que conviveram com o pesquisado. Enquanto embasamento teórico adotamos autores como: Certeau (1982), Burke (1992), Le Goff (2013), Galvão e Lopes (2010), Cunha (2019), Vicentini e Lugli (2009), Nóvoa (2002), Bourdieu (2006), Goodson (2002), Sousa (2009), Mignot (2000; 2002; 2006), Sousa (2005), Sousa (2019) e Vieira (2005), e Àrtieres (1988). Através da análise histórica realizada nessa pesquisa nos direcionamos pela constatação da tese de que por meio da trajetória de vida de Dr. Moura Fé é possível compreendermos o processo social e educacional de uma época, os sentidos de ser professor, onde seu arquivo pessoal é meio de descortinar comportamentos e práticas educativas e sociais. Com isso, a pesquisa nos possibilitou um conhecimento sobre a cidade de Picos, evidenciando fatos e personagens históricos que marcaram a história educacional. Através da análise da Cultura Material Escolar, como quadros de formatura, convites, e documentos escolares, vislumbramos sujeitos educacionais anonimos da história, e fatos esquecidos. A tese tem sua relevância para a História da Educação e profissão docente por possibilitar reflexões neste campo, através da trajetória de um educador.


    FRANCISCA LIDIANE DE SOUSA LIMA HISTÓRIA E MEMÓRIA DA FORMAÇÃO DOCENTE PARA A EDUCAÇÃO DE SURDOS NA REDE PÚBLICA ESTADUAL EM TERESINA-PI: VIVÊNCIAS, SABERES E PRÁTICAS (1970-2002) Data: 28/04/2025

     

    RESUMO

     

    O presente trabalho tem como objetivo geral analisar a história e a memória da formação docente para a educação de surdos na rede pública estadual do Piauí, em Teresina, no período de 1970 a 2002. Sendo os objetivos específicos, verificar como a SEDUC/PI, a partir das reformas educacionais brasileiras, no período de 1970 a 2002, viabilizou formações docentes para educação de surdos; descrever por meio das narrativas dos professores/as, as vivências nos cursos de formação, sendo elas inicial e/ou continuada, na aquisição de saberes para a educação de surdos em escola e classes especiais; e identificar os avanços e desafios apresentados pelos processos formativos, que repercutiram nas práticas docentes para a escolarização de alunos surdos. O recorte temporal da pesquisa com o ano de 1970, se justifica pela abertura da Escola de Educação Especial Prof.ª Consuêlo Pinheiro, em Teresina, considerada a primeira instituição destinada ao atendimento de alunos surdos no Estado do Piauí, possibilitando o início das formações docentes para esse público. E a delimitação final, o ano de 2002, com a oficialização da Lei nº 10.436, que reconheceu a Libras como língua materna das pessoas surdas no Brasil, o que, por sua vez, levou a SEDUC/PI a viabilizar novos cursos de formação docente, diante de uma perspectiva inclusiva. Com relação ao nosso recorte espacial, tivemos como ponto de partida, a primeira escola especial de surdos e outras três instituições da rede pública estadual de ensino, ambas localizadas na cidade de Teresina, a saber: Unidade Escolar Matias Olímpio, Unidade Escolar Estado do Amazonas e a Unidade Escolar Paulo Ferraz. A partir dessa delimitação, levantamos a tese de que a formação docente para a educação de surdos, nessas escolas ocorreram, em sua maioria, de forma continuada, por iniciativas da APAE/PI e SEDUC/PI, no período de 1970 a 2002. Como referencial teórico de análise o trabalho se volta para as bases da Nova História Cultural, com Burke (1992), Pesavento (2008) e Le Goff (2005). Na história da educação especial no Brasil, com os trabalhos de Jannuzzi (2012) e Mazzotta (2011); no que se refere a educação de surdos no Brasil, destacamos Rocha (2008), Goldfeld (2002) e Soares (1999); com relação a história da educação especial no Piauí, a pesquisa de Rosado (2016) e na educação de surdos no Piauí, Gomes (2019). Nos estudos sobre memória, fundamentamos nossas análises nas obras de Halbwachs (1990), Le Goff (1994) e Bosi (1998), tendo como base metodológica a História Oral, com os trabalhos de Alberti (2013), Amado e Ferreira (2006) e Freitas (2006). Assim, realizamos entrevistas com sete professores/as que, entre os anos de 1970 e 2002, vivenciaram os processos formativos tanto fora quanto dentro do Estado do Piauí. Para subsidiar as narrativas docentes, buscamos documentos nos arquivos escolares como atas, fichas funcionais, diários, certificados, planejamentos e fotografias, além de documentos oficiais como leis, resoluções, pareceres e mensagens governamentais, bem como fontes de jornais. Os resultados da pesquisa indicam que as formações docentes para a educação de surdos na rede pública estadual de ensino, evidenciadas a partir das memórias docentes, confirmam nossa tese, uma vez que ocorreram, em sua maioria, de forma continuada, possibilitando a aquisição de diferentes saberes, práticas e vivências no processo de escolarização de pessoas surdas, no período de 1970 a 2002.

     


    ELISA BENJAMIM MAPOSSA O CURRÍCULO DAS ESCOLAS DO CAMPO: AS ESTRATÉGIAS POLÍTICO- PEDAGÓGICAS ADOTADAS NA ECOESCOLA THOMAS A KEMPIS Data: 31/03/2025

    Esta pesquisa aborda sobre o Currículo das Escolas do Campo, cujo objetivo principal é investigar as estratégias político-pedagógicas adotadas pela Ecoescola Thomas a Kempis, visando o desenvolvimento de práticas curriculares que contemplem a realidade sociocultural dos jovens do campo. De forma específica, descrevemos as atividades educativas desenvolvidas na Ecoescola voltadas à investigação da realidade do campo. Também compreendemos como os conhecimentos abordados nas diferentes disciplinas lecionadas nessa escola favorecem uma reflexão crítica sobre o território camponês. E analisamos os desafios enfrentados pelos professores no âmbito do desenvolvimento das atividades educativas voltadas a realidade da educação do campo. Essa pesquisa foi desenvolvida na Ecoescola Thomas a Kempis, localizada no território rural, do Município de Pedro II, no Estado do Piauí. Usamos a abordagem qualitativa tendo como instrumentos de construção dos dados da pesquisa a análise documental e a entrevista semiestruturada para 8 participantes, dentre eles 4 professores (as) e 4 quatro alunos (as). Elaboramos 4 eixos de análise: 1) as atividades educativas desenvolvidas na Ecoescola que dialogam com os princípios da Educação do Campo; 2) as estratégias pedagógicas adotadas na Ecoescola voltada à articulação interdisciplinar dos conhecimentos; 3) os desafios enfrentados pelos professores no desenvolvimento das atividades educativas voltadas a realidade da educação do campo; e 4) as estratégias pedagógicas que podem ser adotadas pela Ecoescola para superar os desafios relacionados ao processo de contextualização das práticas educativas. A pesquisa conclui que as atividades educativas desenvolvidas na Ecoescola Thomas a Kempis contrapõem-se ao modelo do currículo voltado a matrizes urbanocêntricas, pois trabalha com conhecimentos que dialogam com a realidade dos estudantes. A Ecoescola realiza também projetos que possibilita o desenvolvidas práticas educativas interdisciplinares, com a troca de experiências entre professores-estudantes, professores-professores, e sobretudo conta com a participação da comunidade, fortalecendo a relação dialógica entre a escola e a comunidade. Apesar da Ecoescola desenvolver atividades voltadas a realidade dos estudantes, os participantes da pesquisa foram consensuais ao afirmarem que ainda existem inúmeros desafios no que diz respeito a insuficiência de professores permanentes, a falta de livros didáticos que dialoguem com a realidade dos sujeitos do campo, a falta de equipamentos adequados para as aulas práticas na disciplina de agroecologia e a falta de transportes escolares que possibilite a realização de aulas fora da escola. 


    FRANCISCO DE PAULA SANTOS DE ARAUJO JUNIOR INDÍCIOS DA APROPRIAÇÃO DO CONCEITO DE GEOMETRIA POR LICENCIANDOS DE MATEMÁTICA, EM UM CONTEXTO DE EXPERIMENTO DIDÁTICO-FORMATIVO, MEDIADO PELA ATIVIDADE ORIENTADORA DE ENSINO Data: 31/03/2025

    Ao desenvolver a sua atividade pedagógica, o professor de matemática precisa ter clareza do papel e da função social dessa ciência, bem como da significação dos objetivos estabelecidos. Nesse sentido, o professor ao fazer uso da consciência crítica e reflexiva sobre o que pretende e que conceitos matemáticos seus alunos podem se apropriar para o desenvolvimento pois, dependendo dos objetivos e conceitos, estará formando tanto sujeitos transformadores, humanos e éticos ou, possivelmente, seres passivos, alienados, sem as condições de atuação de forma consciente e participativa na sociedade. A necessidade de desenvolver a presente tese de doutorado, de caráter investigativo, emergiu do seguinte Problema de pesquisa: Tomando como base um Experimento Didático-Formativo (ED-F), tendo como mediação a Atividade Orientadora de Ensino (AOE), quais as possibilidades de indícios da apropriação de conceitos geométricos por licenciandos do Programa Residência Pedagógica (PRP)? Na busca por respostas ao problema explicitado, delineou-se como Objetivo geral: Investigar as possibilidades de indícios da apropriação de conceitos de geometria por licenciandos do PRP em um contexto de ED-F, tendo como mediação a AOE. E, como Objetivos específicos: reconhecer as significações, que apontam o nível conceitual, desenvolvidas por licenciandos do curso de matemática, participantes do PRP - Instituto Federal do Piauí (IFPI) - Campus Corrente (CACOR), sobre as ações realizadas pelo referido Programa; identificar as necessidades formativas de licenciandos do curso de matemática, participantes do PRP, dentre as linhas temáticas propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio: números, álgebra, geometria, grandezas e medidas e probabilidades e estatística; criar as condições que possibilitem a apropriação conceitual de Geometria por licenciandos do curso de matemática, participantes do PRP; identificar as significações em nível conceitual de Geometria produzidas pelos licenciandos de Matemática, participantes do PRP, diante das ações vivenciadas no ED-F. A Perspectiva teórico-metodológica se fundamenta nas teorias histórico-críticas: Histórico-Cultural/Teoria da Atividade e Teoria do Ensino Desenvolvimental, no método ED-F e na AOE, subsidiados pelos pressupostos do Materialismo Histórico Dialético. A tese aqui defendida é a de que ações de um ED-F, na perspectiva da Teoria Histórico-Cultural, da Teoria da Atividade e da Teoria do Ensino Desenvolvimental, tendo como mediação a AOE, se apresentam como possibilidades de apropriação de conceitos matemáticos. Especificamente sobre as técnicas e instrumentos de produção de dados têm-se: a entrevista reflexiva (Batista; Ibiapina, 2016) e o próprio ED-F (Davidov, 1988). Os colaboradores/participantes da pesquisa foram licenciandos do IFPI - CACOR, os quais eram participantes do PRP. Quanto aos procedimentos de análise de dados, se adotou o Método Genético Explicativo e a proposta da unidade de análise em Vigotski (2009), complementada pela ideia de episódios (Moura, 1992; Araújo, 2020), como possibilidade de apreensão do fenômeno/objeto em investigação: indícios da apropriação de conceitos matemáticos por licenciandos de Matemática em um contexto de ED-F mediados pela AOE. Por fim, nas considerações, destacamos a importância do ED-F no processo de apropriação de conceitos geométricos e conceitos metodológicos baseados na AOE, refletindo sobre sua prática docente futura.


    ENAYDE FERNANDES SILVA O edurural e a organização da rede escolar municipal de 1º grau no Piauí (1981 - 1987) Data: 28/03/2025

     

    A ênfase na Educação Rural no final dos anos 1970 presente nos Planos Setoriais de Educação e Cultura (Brasil, 1980), implicou na formulação de uma política direcionada à Educação Rural, que resultou na criação do Programa de Expansão e Melhoria da Educação no Meio Rural do Nordeste (Edurural/NE). Este programa visava a atender às necessidades educacionais específicas das áreas rurais, especialmente em estados com maior carência estrutural, como o Piauí. O objetivo desta pesquisa é investigar as contribuições do Edurural/NE para a organização da rede escolar municipal de 1º grau rural no Piauí entre 1981 e 1987. O recorte temporal considerou o período de funcionamento do Programa no Piauí. Os objetivos específicos incluem contextualizar o cenário rural e o ensino nas áreas rurais do Piauí nesse período, identificar as ações promovidas pelo Edurural nas escolas municipais de 1º grau rural e discutir os efeitos do programa nas ações dos municípios em relação ao ensino rural de 1º grau. Queiroz (1997) aponta que o Piauí era um dos estados menos desenvolvidos educacionalmente no Nordeste, sendo o segundo com maior número de municípios atendidos pelo programa. Assim, a pesquisa busca responder à seguinte questão: quais foram as contribuições da Edurural na organização da rede escolar municipal rural no Piauí durante o período de 1981 a 1987? A justificativa reside na importância do Edurural em promover a organização dos Órgãos Municipais de Educação (OMEs), responsáveis pela administração das escolas de 1º grau na zona rural, contribuindo para a estruturação física das escolas, a distribuição de merenda escolar e o treinamento de professores, consolidando as escolas rurais como um patrimônio educativo do estado. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, utilizando a História Cultural (Chartier, 2010). São utilizados os conceitos de apropriação e representação (Chartier, 2010), currículo (Goodson, 2012) e materialidade (Magalhães, 2004). O corpus documental inclui legislações, relatórios do MEC, manuais do Edurural, livros financiados pelo programa, notícias de jornais e fotografias. O aporte teórico baseia-se em autores como Brito (1996), Barreto (1983), Cavalcante (1995), Chartier (1990; 2010), Queiroz (1997), Gonçalves (2015) e Souza (2001). Encerrado em 1987, podemos concluir que o Edurural influenciou a reorganização da rede escolar de 1° grau municipal tanto no que diz respeito  a formação de pessoal quanto ao  material, incluindo a construção de prédios escolares, sede de órgãos da administração da educação municipal e elaboração de material didático.


    MARIA DA CONCEIÇÃO DA SILVA SANTOS EXPERIÊNCIAS DE JOVENS MULHERES NEGRAS COTISTAS NA UNIVERSIDADE PÚBLICA Data: 28/03/2025

    A presente dissertação de Mestrado, intitulada “Experiências de Jovens Mulheres Negras Cotistas na Universidade Pública” parte dos afetamentos produzidos através das experiências vivenciadas com e entre jovens da periferia, especificamente  as que estão atravessadas pelos demarcadores da exclusão, como a questão étnica-racial, de gênero e classe que historicamente dificultaram o acesso ao ensino superior . Assim, o problema que norteou a pesquisa refere-se a: Quais as experiências de superação das jovens mulheres negras cotistas, estudantes e/ou egressas da universidade pública?  A pesquisa traz como objetivo geral: analisar as experiências de Jovens Mulheres Negras Cotistas da periferia, estudantes ou egressas da Universidade Federal do Piauí. Especificamente, visa: mapear as Experiências das Jovens Mulheres Negras Cotistas de Grupos de Base; identificar as dificuldades encontradas por essas jovens mulheres negras cotistas; compreender nas narrativas produzidas por elas, os modos de superação das  dificuldades ao ingressarem na universidade. A abordagem metodológica adotada neste estudo é a Cartografia como método, que confronta a visão eurocêntrica dos estudos sobre raça e gênero, ao tempo que converge com as perspectivas decolonial e contracolonial, usando técnicas de produção de dados inspiradas na cultura africana. As bases teóricas para esta produção sustenta-se nos estudos de Morais (2022), Vaz (2022; 2023), Carneiro (2023), Mbembe (2018), Gomes (2017), Machado (2020); Martins e Vitagliano (2019), Collins (2021), Dayrell (2016), Hooks (2022, 2021)), Deleuze e Guattarri (2010), Larrosa (2016), Silvia (2022); Passos, Kastrup e Tedesco, (2014), Barros e Passos (2009), dentre outras leituras de suporte legal e na transversalidade com a Educação em Direitos Humanos. As narrativas das jovens negras cotistas produzidas nas rodas e nos diários apontam como principais dificuldades a pandemia covid-19, o medo e a insegurança, a ausência de assistência estudantil como bolsas que pudessem garantir as condições de permanência na universidade e a presença do racismo na sala de aula, composta por maioria masculina. Nas superações, apresentam como pistas o apoio familiar e de amigos, o cabelo como afirmação identitária e o reconhecimento como mulher negra. A convivencia coletiva  na universidade e no grupo de jovens da periferia contribuiram com a socialização com os outros no conhecimento dos seus direitos e para um olhar mais atento para o futuro.


    ALAN FONSECA DOS SANTOS POLÍTICAS DE AVALIAÇÃO EM LARGA ESCALA: O PRÊMIO ALFA-10 NA GESTÃO DO SISTEMA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO Data: 27/03/2025

    A educação básica no Brasil tem o acompanhamento, nas últimas décadas, de políticas de avaliação em larga escala, por meio de instrumentos que objetivam identificar e monitorar o desempenho escolar dos alunos. Nessa perspectiva, o objetivo desta pesquisa é analisar as implicações presentes na gestão do sistema e das unidades escolares de Bom Jesus, com base na premiação Prêmio Alfa-10, condicionada pelas avaliações externas do Saepi, buscando ao longo do processo de investigação conhecer as políticas adotadas pelo município de Bom Jesus no contexto das avaliações em larga escala; caracterizar a forma de adoção da  avaliação em larga escala pela secretaria de educação e pelas  escolas de Bom Jesus-PI em seu planejamento e identificar a existência de  política de responsabilização escolar na rede municipal de educação de Bom Jesus-PI, tendo em vista o Prêmio Alfa-10, condicionada pelas avaliações externas do Saepi. Partiu-se de uma abordagem qualitativa, considerando-se os contextos da realidade do município. Como  procedimentos de coleta de dados, lançou-se mão de pesquisa bibliográfica, com aporte nos teóricos Dias Sobrinho (2003), Fernandes e Gremaud (2009), Freitas (2017), Freire (1987), Luckesi (2011), Oliveira (2016) e Saviani (1988), entre outros que versam sobre avaliação em larga escala e as implicações desta na gestão municipal; pesquisa documental, ancorada nos documentos orientadores das políticas de avaliação em larga escala no contexto educacional brasileiro e, mais especificamente, na rede municipal de Bom Jesus-PI, tomando como base no marco legal:  Lei n° 7.453, de 8 de janeiro de 2021, que trata do Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa  (PAIC) e do Prêmio ALFA-10; Decreto nº 20.429, de 23 de dezembro de 2021, que trata dos índices percentuais destinados à distribuição do ICMS/Educação; Lei 14.654/2023 - Plano Municipal de Educação (PME) do município de Bom Jesus-PI; Projeto de Lei n° 005/23 - criação de gratificação de desempenho no ensino para os servidores da Semec de Bom Jesus-PI; Projeto de Lei n° 006/23 - gratificação pelo exercício de atividade educacional a servidores da educação do município de Bom Jesus-PI; Edital nº 08/2023 - regras de avaliação de desempenho e gratificação no ensino da Semec de Bom Jesus-PI e a Lei n.º 507/10 - Plano de Carreira dos Professores do Município (PCRM) do município de Bom Jesus-PI. Adicionalmente, foi uma pesquisa de campo com aplicação de questionários e entrevista semiestruturada junto aos professores, gestores escolares e técnicos da Semec, bem como observação realizadas durante os planejamentos efetuados pela Semec e nas escolas investigadas. No tocante à análise dos dados, utilizou-se a técnica da análise do conteúdo, por meio de procedimentos sistemáticos, diante das falas dos participantes. Os resultados sugerem que as avaliações externas do Saepi estão acontecendo, gerando dados e premiações, no entanto, os resultados e as premiações em sua totalidade não estão sendo utilizados como mecanismo de melhoria contínua do ensino em todas as escolas do município, tendo em vista que as premiações do prêmio Prêmio Alfa-10 não garantem essa melhoria, encontrando ainda várias deficiências.


    WANDERSON WILLIAM FIDALGO DE SOUSA OS "CORRES" COMO AÇÃO AFIRMATIVA - JOVENS COTISTAS PENSADORAS/ES DA PERMANÊNCIA NA UFPI Data: 27/03/2025

    RESUMO

     

    Esta pesquisa é produzida pela poética das mãos sujas de argila e pelas pontas dos dedos, tendo como tema-gerador: a permanência de jovens cotistas. A pesquisa está inserida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Piauí - UFPI, na linha de pesquisa Educação, Diversidade/Diferença e Inclusão e ao Núcleo de Estudos e Pesquisas em “Educação, Gênero e Cidadania” - NEPEGECI e ao Observatório das Juventudes e Violências na Escola - OBJUVE. O problema da pesquisa é: Como jovens cotistas do Curso de Pedagogia, UFPI, Campus de Teresina/PI criam meios para sua permanência na universidade. Temos como objetivo geral: Analisar os modos de permanência dos/as jovens cotistas do Curso de Pedagogia, UFPI, Campus de Teresina/PI e os seguintes objetivos específicos: Identificar os conceitos de permanência produzidos por jovens cotistas do Curso de Pedagogia, UFPI, Campus de Teresina/PI e Elencar os problemas e as táticas criadas pelos/as jovens cotistas do Curso de Pedagogia, UFPI, campus de Teresina/PI para sua permanência. O referencial teórico é fundamentado em: Adad (2014); Gauthier (2012; 2010); Petit (2014; 2019); Carneiro (2023); Evaristo (2020); Gomes (2017); Jesus (2021); Kilomba (2019); Martins (2021); Vaz (2022) dentre outros/as. A metodologia utilizada foi a Sociopoética e seus princípios, a saber: formação do grupo-pesquisador, valorização das culturas dominadas e de resistência, utilização do corpo como episteme de conhecimento, técnicas artísticas na produção dos dados e a responsabilidade ética na pesquisa (Adad, 2014). Na pesquisa o diário de itinerância foi utilizado pelo grupo-pesquisador de forma coletiva como escrita-viva a partir das experiências dos/as copesquisadores/as nas oficinas. Na oficina de produção de dados utilizamos a técnica artística “Mutante” e a partir da cartografia do pensamento do grupo-pesquisador identificamos suas percepções antes de atravessar o portal (metáfora utilizada na produção dos dados, isto é, portal como elemento de teletransporte ao lugar universidade). Dessa forma, inicialmente a universidade é percebida com um lugar bonito e ao mesmo tempo assustador, um sonho imposto, como um castelo gigante, com muros altos, com obstáculos difíceis para chegar, como mundo novo, a promessa da realização dos sonhos e um lugar de não pertencimento. No entrelugar antes e durante identificamos que é um caminho sombrio, cheio de pedras, sentimento de incapacidade, de ser pouca e pequena para estar na universidade quando se mora na periferia, o sentir-se deslocado/a, intimidado/a, amedrontado/a, acuado/a e sozinho/a porque é diferente, sentimento de culpa por não saber quem é naquele espaço. Depois do portal temos a potencialização e a efetivação da permanência, seja pelo aprender e ajudar quem tem dificuldade, pelo reconhecimento de si, pelo autoconhecimento, pela exposição e expansão de si e pela confiança. Em vista disso, os/as copesquisadores/as, ao produzirem conhecimento, também criam novas formas de problematizar a permanência na universidade.


    SABRINA CIRQUEIRA DE SOUSA A LUTA POR MORADIA EM TERESINA E OS PROCESSOS EDUCATIVOS À LUZ DA FORMAÇÃO HUMANA: UMA PRÁTICA DA ORGANIZAÇÃO POPULAR-OPA Data: 27/03/2025

    Esta pesquisa versa sobre os processos educativos desenvolvidos no movimento popular – OPA, um movimentos sociais que desenvolve um trabalho voltado para a garantia de moradia. Nossa discussão aborda elementos referentes à luta por moradia, à formação humana a partir dos movimentos populares e, por fim, às práticas da OPA em Teresina. Podemos afirmar que nosso interesse pelo tema se deu pela necessidade de garantia da moradia, e também pelo que representa o processo de resistência, que vai contra o sistema capitalista, pois possibilita práticas e ações conscientes no sentido da construção de uma nova sociedade. É possível identificar inúmeras práticas educativas envolvidas no processo de luta e resistência. Perante ao exposto, levantamos o seguinte problema: De que forma se desenvolvem os processos educativos na luta por moradia em Teresina? E como objetivo geral buscamos compreender os processos educativos que permeiam a luta por moradia no âmbito do movimento Organização Popular - OPA. Para chegarmos a esse objetivo, é necessária uma investigação que identifique a historicidade e intencionalidade até chegarmos à prática. Como objetivos específicos elencou-se: entender a origem e o contexto atual da luta por moradia; conhecer o processo de resistência e seu potencial educativo na luta por moradia construído pela OPA; apresentar as contribuições e os limites dos processos educativos para a formação humana no contexto da luta por moradia em Teresina por meio da OPA. A fundamentação teórico-metodológica está ancorada no Materialismo Histórico-Dialético, sobretudo nas contribuições de Marx e Engels (2004), Lukács (2018), Mészaros (2008), dentre outros. Inicialmente buscamos investigar o maior número possível de material produzido sobre esta temática e identificamos a partir disso, a necessidade de se discutir sobre a educação dentro dos movimentos populares. Em seguida, procuramos apresentar a distinção entre a educação capitalista e a educação que visa a superação dessa sociedade e as contribuições dos movimentos dentro da segunda proposta. A pesquisa assume o caráter de Pesquisa Militante, já que a pesquisadora está inserida no movimento da Organização Popular, dessa forma, traz contribuições como pesquisadora e militante. Como instrumentos para a produção de dados foram utilizados a aplicação de questionário com outros militantes que fazem parte da coordenação nacional da OPA, além do processo de observação e análise documental. Os dados foram analisados conforme Santos (2017), partindo da identificação para a prévia ideação dos processos educativos, assim como as posições teleológicas identificadas. A investigação feita, nos revelou que em Teresina, a luta por moradia é histórica, está presente desde o início do próprio estado em que a cidade se encontra. Nesse cenário nasce a OPA em Teresina, com o intuito de fazer o caminho contrário, por meio da consciência de classe trabalhadora em suas atividades. Conseguimos identificar inúmeros processos formativos desenvolvidos que contribuem diretamente na tomada de consciência da classe trabalhadora e na formação individual e coletiva. Da mesma forma, o tema carrega contribuições para a Organização popular-OPA, visto que os processos educativos numa perspectiva revolucionária precisam ter claros seus propósitos, além de analisar e avaliar seus possíveis erros e acertos, dando maior qualidade e clareza ao trabalho desenvolvido no sentido de uma educação de caráter emancipatório.


    JULIE ANE DE ARAÚJO LEMOS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS NO PIAUÍ: DISTANCIAMENTOS E APROXIMAÇÕES ENTRE FORMAÇÃO HUMANA, RESSOCIALIZAÇÃO E CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA NA FUNABEM Data: 26/03/2025

    No chão da cotidianidade, entendida a partir dos pressupostos de Lukács (2018), crianças e adolescentes pobres são responsabilizados por suas condições materiais de existência e tidos como potenciais perturbadores da ordem e da paz garantida pelo Estado (LEMOS, 2022). É no contexto desse discurso alienado e alienante que o capital firma seu discurso meritocrático e seus demais recursos de gestão da pobreza (SANTOS, 2019). Dentro desta temática, atemo-nos aos adolescentes em conflito com a lei e no interior dessa totalidade, adolescentes em conflito com a Lei são, também, alvos de ações socioeducativas que visam, na aparência, ressocializá-los, reintegrá-los à sociedade. A partir disso, propomo-nos a investigar a Fundação do Bem-Estar do Menor e elencamos como pergunta de pesquisa a seguinte questão: Quais os distanciamentos e aproximações entre a proposta educativa da FUNABEM e a formação humana na perspectiva do Materialismo Histórico e Dialético? Como objetivo geral nos propomos a investigar os aspectos que aproximam e distanciam a proposta educativa da Funabem dos preceitos da formação humana. Como objetivos específicos pretendemos caracterizar a história das medidas socioeducativas no Brasil e no Piauí; analisar a legislação que regulamentava a FUNABEM; identificar as contradições na legislação que regulamentam a FUNABEM. Para alcançarmos os objetivos propostos, nos embasamos teoricamente no método materialista histórico-dialético (TONET, 2013), e propusemo-nos a investigar baseados na ontologia marxista, a partir do método dialético como proposto por Marx, compreendendo que esta é a abordagem que melhor se adequa à natureza deste trabalho. Realizou-se uma investigação de natureza documental, buscando interpretar alguns documentos que ampararam a FUNABEM, bem como suas respectivas determinações, além da Revista Brasil Jovem, responsável por veicular notícias específicas sobre a Fundação, e jornais disponíveis no Arquivo Público do Piauí das décadas de 1960, 1970 e 1980. Como resultado, concluímos que este período marcado pela Ditaduta Civil-Militar, instituída sob um discurso extremista e violento contra uma suposta ameaça comunista, desenvolveu ações social de caráter autoritário. A promessa das ações financiadas pela FUNABEM no estado do Piauí estão respaldadas na ideia de recuperação moral do “menor” e na melhoria da qualidade de vida da família, que posteriormente foi atendida pelos projetos. No entanto, os projetos desenvolvidos embasavam-se na pedagogia do trabalho, que submetia os indivíduos pobres e ditos vadios ao trabalho manual, visando adequá-los ao sistema de produção capitalista. Crianças e adolescentes, após cumprirem sua disciplina em instituições industriais ou em trabalhos agrícolas, saíam ainda analfabetos, sem as qualificações necessárias para constituírem o grupo de trabalhadores ideais que a indústria capitalista buscava, sendo mais uma vez marginalizadas e, agora, conformados com sua situação. Portanto, a Educação Social foi utilizada como instrumentos do Estado para garantir a manutenção da pobreza em níveis toleráveis, apresentando-se como uma de suas ações conciliatórias e, ao mesmo tempo, repressoras, a fim de que muitos permaneçam em situação de escassez das condições materiais de subsistência, constituindo a massa explorada que serve de base para o enriquecimento desmedido de uma pequena parcela da sociedade. 


    PALOMA VANESSA DO NASCIMENTO SILVA SESINHO NO PIAUÍ: "A REVISTA DA CRIANÇA INTELIGENTE" COMO PROPOSTA EDUCATIVA DO SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA - SESI (1947-1960) Data: 24/03/2025

    O presente trabalho se propõe a analisar os aspectos educativos da revista Sesinho no período de 1947 a 1960 e sua circulação no estado do Piauí. O periódico surgiu como instrumento educativo do Serviço Social da Indústria SESI e teve especialmente como público alvo, o infantil. O recorte utilizado tem início no ano de 1947 com a primeira publicação da revista Sesinho no mês de dezembro, e como recorte final o ano de 1960 com a conclusão da continuidade na produção dos periódicos que eram publicados mensalmente. Visto que, sua circulação teve amplitude de forma nacional e também chegou ao território piauiense, pretende-se contribuir com estudos acerca do periódico delimitado no estado do Piauí. Nesse sentido, surgiram os seguintes questionamentos acerca da revista em questão: Quais propostas de formação educacional estavam em circulação na revista Sesinho que viriam a influenciar a formação da criança no período de 1947 a 1960? Como a revista foi organizada? De que forma ocorreu o processo de circulação da revista no Piauí? Qual relação da revista com o contexto histórico vivenciado? Destacando os problemas e os recortes necessários, definimos nossos objetivos propostos a fim de serem contemplados neste trabalho. Foi estabelecido como objetivo geral analisar os aspectos educativos da revista Sesinho de 1947 à 1960 e sua circulação no Piauí. E especificamente, entender os propósitos de criação da revista, discutir as propostas de formação da revista e compreender sua organização e o contexto de circulação no Piauí. Esta pesquisa é bibliográfica, documental e predominantemente hemerográfica. Para o seu desenvolvimento, utilizou-se como fonte base as edições da revista Sesinho. Além disso, a localização de variadas notícias no arquivo público do Piauí acerca da revista Sesinho na impresa possibilitou a utilização de jornais nesta investigação. O aporte teórico baseou-se em autores como: Barros (2023), Brites (2004), Burke (1992), Chartier (1995), Ferro (2010), Luca (2015), Martins (2008), Passone (2021), Queiroz (2008), Shelbauer e Araújo (2007),   Sousa (2020), Vilanova (2024) entre outros. Os estudos realizados destacam que a revista Sesinho foi uma revista com perfil próprio que surgiu, agiu e interagiu com o cotidiano brasileiro e o Piauiense, perpassando períodos de grandes transformações sociais, econômicas, políticas, industriais e tecnológicas. Ganhou grande alcance de amplitude nacional e internacional na formação do público leitor, ocupando espaço em muitas instituições e fora dela, apresentando aspectos educativos de formação da criança brasileira.


    HORTÊNCIA ALMEIDA MEDEIROS DA ROCHA HISTÓRIA E MEMÓRIA DO GRUPO ESCOLAR FENELON CASTELO BRANCO (1928-1971) Data: 21/03/2025

    O presente estudo tem como foco a história e memória do Grupo Escolar Fenelon Castelo Branco, instituição criada em 1928 na cidade de União-PI com o intuito de modernizar a instrução primária, aumentar o número de letrados e educar os alunos e a comunidade unionense nos moldes patrióticos e progressistas do período. Como objetivo geral buscou-se analisar o processo de implantação, organização e funcionamento do Grupo Escolar Fenelon Castelo Branco e sua atuação na consolidação do ensino primário de União (PI) no período de 1928 a 1971.O recorte temporal desta pesquisa corresponde do ano de 1928, ano de criação do grupo, ao ano de 1971, ano em que o ensino primário e ensino secundário passam a juntos corresponder como ensino primário segundo a legislação educacional. Por ser uma pesquisa de cunho histórico, usamos de diferentes fontes para analisar os processos, a história e a memória da instituição escolar alçada como objeto de estudo. Dentre as fontes consultadas para o métier historiográfico destacamos: as fontes escritas do arcevo escolar do grupo escolar; fontes orais extraídas de testemunhos orais coletados por meio de entrevistas; fontes iconográficas; fontes oficiais como portarias, circulares e ofícios; fontes hemerográficas, com destaque para matérias e notícias extraídas de jornais da época e do Diário Oficial do Piauí. Por ser uma pesquisa de natureza qualitativa do tipo histórica, elegemos como embasamento teórico-metodológico a História Cultural, tendo em vista que para a melhor análise e interpretação se fez necessário um suporte que nos permitisse ver as simbologias e representações dos fatos e contextos históricos. Adotamos como suporte teórico: Magalhães (2004), Lopes (2001), Ferro (1996), Costa Filho (2006), Chartier (1990), Certeau (2000), Neves (2017), Souza (2004), Sousa (2009), dentre outros. Foi percebido que a criação do Grupo Escolar Fenelon Castelo Branco fez parte do processo de expansão dos grupos escolares pelo interior do Piauí, e a sua organização e funcionamento refletiam o modo como a educação estava sendo organizada e os ideais e anseios de governantes e educadores do período. As memórias da/e sobre a instituição, interpretadas por meio das fontes, expôs como o Grupo Escolar Fenelon Castelo Branco representava para a população unionense como uma escola popular e moderna. Esta instituição marcou a memória individual e coletiva de gerações de unionenses e modernizou a instrução primária da cidade, tornando-se a mais importante escola da cidade na primeira metade do século XX. Através do estudo do referido grupo escolar foi possível interpretar como a educação primária do período se desenvolveu na cidade de União, como os alunos e a comunidade foi impactada e como ela era representada e simbolizada em meios aos processos sociais e históricos.


    GISLENE DANIELLE DE CARVALHO ENTRE AULAS, TEXTOS E PERFORMANCES MUSICAIS: Ações e Produções do Maestro Emmanuel Coêlho Maciel no Piauí (1976-2015) Data: 21/03/2025

    A pesquisa teve como objetivo analisar as ações e produções do Maestro Emmanuel Coêlho Maciel no Piauí. Buscou-se responder como o maestro se tornou conhecido e qual foi o papel de suas produções intelectuais, pedagógicas e artísticas na educação musical e na cultura do estado. A investigação examinou a integração, promovida por Emmanuel, de técnicas eruditas com o folclore brasileiro no ensino do violino e do canto coral, além de sua atuação como professor universitário, músico e regente de grupos musicais. O recorte temporal de 1976 a 2015 correspondeu ao período em que residiu e atuou no estado até seu falecimento. A metodologia mobilizada abarcou a pesquisa documental (documentos pessoais, publicações e registros audiovisuais), e a análise de fontes orais e escritas, biográficas e autobiográficas. Realizaram-se entrevistas semiestruturadas com familiares, colegas de trabalho, alunos e músicos que conviveram com Emmanuel. O estudo apoiou-se nos fundamentos da História Cultural de Peter Burke (2005) e Roger Chartier (2002); na teoria e metodologia da história de José D’Assunção Barros (2021); na História da Educação de António Nóvoa (1999, 2013); na Micro-História e Paradigma Indiciário de Carlo Ginzburg (1989, 2006); na História Oral de Paul Thompson (2009) e Verena Alberti (2008); na Memória e Narrativa de Paul Ricœur (2007) e Le Goff (2003); nos estudos sobre Intelectuais de Antônio Gramsci (1982), Sérgio Miceli (2001) e Jean-François Sirinelli (2003); e nos conceitos de trajetória, ilusão biográfica, capital social, cultural e poder simbólico de Pierre Bourdieu (2006, 2007a, 2007b). Defende-se a tese de que, por meio de sua produção intelectual, artística e pedagógica, Emmanuel Coêlho Maciel decidiu mobilizar-se como professor, maestro, compositor, pesquisador, escritor e instrumentista na busca pelo aprimoramento da educação musical no estado do Piauí, ao estabelecer conexões entre seu capital cultural, construído a partir do estudo da música, e a cultura folclórica brasileira. Assumiu o propósito de transformar realidades – tanto a própria quanto a de seus semelhantes – por intermédio da arte, nas funções que desempenhou, ao utilizar o capital cultural como ferramenta. Os resultados indicaram que Emmanuel desenvolveu um trabalho no âmbito da educação musical no Piauí que teve como destaque a criação do curso de Licenciatura Plena em Música e a instituição da Orquestra de Teresina.


    ALISSON EMANUEL SILVA Psicologas/os afrodescendentes atuando na sociedade racista brasileira: motivações para escolha profissional Data: 10/03/2025

    Nesta pesquisa partiu-se da problemática acerca dos elementos formativos que motivaram alguns profissionais da psicologia, afrodescendentes, que apesar das suas realidades curriculares nas quais em sua maioria, o debate da questão racial permaneceu silenciado (em alguns casos, totalmente ausente) ainda assim, desenvolveram o interesse por atuar perante essa realidade nos seus respectivos campos de atuação profissional. Diante disso, este estudo teve como objetivo geral compreender nas experiências autorrelatadas, fatores que levaram alguns psicólogos a atuarem profissionalmente diante das questões raciais numa sociedade declaradamente racista como a brasileira no contexto nordestino a partir das perspectivas destes mesmos. Seguido dos objetivos específicos de 1. identificar, caracterizando- discutindo-problematizando, quais concepções que os psicólogos colaboradores deste estudo possuem acerca das questões raciais; 2. caracterizar quais fatores (fenômenos) no âmbito das experiências despertaram nesses colaboradores o interesse de abordar a temática racial na sua atuação profissional, 3. relacionar as experiências (pessoais, familiares, universitárias e profissionais) de contato e exposição com discussões acerca da temática racial com o desenvolvimento do interesse em atuar profissionalmente contra o racismo brasileiro e 4. Descrever a partir dos relatos dos psicólogos e psicólogas colaboradores, os desafios enfrentados no que tange as suas atuações profissionais diante do problema racial brasileiro. Para isso, realizou-se um estudo qualitativo onde as etapas de acesso, construção e organização dos dados fizeram-se de maneira totalmente virtual, onde se utilizou a entrevista narrativa com profissionais afrodescendentes residentes nos estados do Maranhão, Piauí e Bahia. A escolha desses estados justifica-se por fazerem parte da região Nordeste que segundo dados do IBGE (2022), a população afrodescendente ultrapassa os 75%. Os resultados sugerem que o contato com grupos de estudo que debatem a temática racial, movimentos sociais e com ideias de intelectuais afrodescendentes possibilitaram que os colaboradores desenvolvessem uma concepção ampliada das questões raciais o que corroborou para os motivarem em transformar as suas experiências formativas em possibilidades de intervenção. A partir da análise dos dados, defende-se a tese de que, a existência de espaços ativos de discussão sobre as questões raciais, que levem em conta as experiências e as realidades sociais dos indivíduos, quando somadas a presença de figuras intelectuais de identificação representativa, promoveu nestes participantes a possibilidade de se engajarem em um processo educativo, cujo desdobramento está no desenvolvimento de uma consciência de pertença grupal e que, juntamente com a possibilidade de ação, agiram como fator motivador para a materialização de ações efetivas a favor do seu grupo de pertencimento racial.


    NÚBIA SUELY CANEJO SAMPAIO Circularidades de saberes nas práticas do professor-artista Afrânio Pessoa Data: 28/02/2025

    Por mais de vinte anos, entre 1979 e 2000, Afrânio Pessoa Castelo Branco foi professor da Universidade Federal do Piauí, no curso de Licenciatura Plena em Educação Artística, substituído em 2008, pela Licenciatura em Artes Visuais. Sua formação, acadêmica, contudo, não ocorreu no campo da docência, e sim, por meio do Bacharelado em Pintura realizado na Escola Nacional de Belas Artes, finalizado com mérito, através do prêmio Medalha de Ouro. Apesar de parecer contraditório, um artista atuar como professor de uma licenciatura, neste contexto isso não é verdade, pois Afrânio Pessoa ministrou disciplinas específicas do seu campo de formação, como Pintura e Composição. Essa conjuntura favoreceu para que ele desenvolvesse, simultaneamente, duas atuações profissionais: a docência e a artística. Como professor, promoveu o ensino de pintura sob diretrizes de técnicas artísticas inovadoras, cujas  metodologias fugiam dos padrões tradicionais da época, particularmente para o Piauí. Como artista, não foi diferente, introduziu o Expressionismo e as outras vanguardas no Estado, produziu diversos painéis para edifícios públicos, sempre abordando a cultura popular piauiense, em suas variadas expressões, e, conquistou reconhecimento da crítica, tendo participado de diversas exposições nacionais e internacionais, individual e coletivamente. Assim, na confluência bem-sucedida dessas duas trajetórias profissionais de Afrânio Pessoa, temos a constituição do professor-artista, cujas práticas articulam dois importantes campos – o dos saberes da docência e o dos saberes artísticos. Estes saberes foram reverberados nas práticas dos seus ex-discentes. Diante deste contexto, a pesquisa apresenta a seguinte questão: Como as circularidades de saberes se manifestam nas práticas de ex-discentes do professor-artista Afrânio Pessoa? Assim, tem como objetivo compreender como as circularidades de saberes se manifestam nas práticas de ex-discentes do professor-artista Afrânio Pessoa. O desenho metodológico é fundamentado na abordagem qualitativa, sob o viés da pesquisa narrativa. O estudo foi desenvolvido através da combinação de três instrumentos: entrevista narrativa, que resultou nas narrativas orais; obras pictóricas, que originaram as narrativas visuais; e, documentos. Os procedimentos de análise das narrativas orais e visuais ocorreram a partir de uma adaptação que se aproxima do modelo de análise temática da entrevista narrativa, sendo a categorização, decorrente das unidades temáticas e construídas com base nos Territórios da Arte & Cultura. Os resultados apontam que as circularidades de saberes se manifestam na prática docente, quando da adoção de metodologias de ensino inspiradas no professor Afrânio Pessoa; na prática artística, pela adoção estilística e estética das produções afranianas. As circularidades promovidas pelas práticas do professor-artista Afrânio Pessoa impactaram diferentes gerações, influenciando a constituição de professores, artistas e professores-artistas no Piauí.


    NAIRA LOPES MOURA NARRATIVAS DOS PROFESSORES DA COMUNIDADE SALINAS: RELAÇÕES ENTRE FORMAÇÃO CONTINUADA, PRÁTICA EDUCATIVA E QUILOMBO Data: 26/02/2025

    A definição das políticas de educação escolar quilombola pela legislação educacional brasileira, inclusive no que tange à formação de professores, motivou o estudo cujo objeto é a formação continuada e a prática educativa de professores da educação básica na escola da Comunidade Quilombola Salinas. A tese proposta é de que a formação continuada dos professores considera o contexto quilombola, colaborando com a prática educativa na escola da Comunidade Salinas para o desenvolvimento de uma comunidade formativa. Traz como questão-problema: quais relações se estabelecem entre formação continuada, prática educativa e quilombo na escola da Comunidade Salinas para o desenvolvimento de uma comunidade formativa? Com o objetivo geral de compreender as inter-relações estabelecidas entre formação continuada, prática educativa e quilombo na escola da Comunidade Salinas para o desenvolvimento de uma comunidade formativa, especificamente, busca-se: descrever o processo de formação continuada dos professores que atuam na escola da Comunidade Salinas, caracterizar as práticas educativas desenvolvidas na escola da Comunidade Salinas, relacionar em quais aspectos a formação continuada dos professores e a prática educativa desenvolvida na escola da Comunidade Salinas considera o contexto quilombola e identificar os desafios da formação continuada e da prática educativa no contexto escolar quilombola para o desenvolvimento de uma comunidade formativa. Para a compreensão do objeto de estudo, fundamenta-se nos estudos de Zabala (1998), Imbernón (2010), Tardif (2007), Pimenta (2002), Freire (1996), entre outros. Quanto à metodologia, trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, do tipo narrativa, utilizando como dispositivos de produção de dados a entrevista narrativa e as rodas de conversas. Os participantes foram 10 professores e 04 gestores da escola da Comunidade Quilombola Salinas, localizada no município de Campinas do Piauí - PI. Os dados produzidos por meio das rodas de conversa e das entrevistas narrativas foram organizados em Unidades Temáticas de Análises e analisados, com base em Souza (2014). Os resultados apontam a necessidade de práticas educativas que dialoguem com as demandas culturais, sociais e históricas da comunidade Salinas. Além disso, o estudo oferece subsídios práticos e teóricos para o fortalecimento de uma educação mais representativa e conectada às necessidades das comunidades quilombolas.


    FRANCISLENE SANTOS CASTRO O custo aluno e a qualidade dos Centros de Educação de Jovens e Adultos da Rede Estadual de Ensino em Teresina (PI) Data: 07/02/2025

    O presente estudo teve por objetivo analisar os limites e as possibilidades da implementação de um custo aluno/ano nos Centros de Educação de Jovens e Adultos (Cejas) que garanta uma oferta educacional em condições de qualidade na rede estadual de ensino do Piauí. Especificamente pretendeu caracterizar as condições de atendimento dos Cejas no que tange a infraestrutura, equipamentos e docentes; compreender a opinião dos estudantes e professores sobre as condições de oferta do Cejas; identificar os insumos que estudantes e professores consideram como imprescindíveis para a garantia da oferta de uma educação de qualidade nos Cejas; calcular o custo por aluno/ano dos Cejas no município de Teresina; e estimar o custo aluno/ano qualidade dos Cejas a partir dos insumos do Custo Aluno-Qualidade Inicial (CAQi). A abordagem da pesquisa foi de cunho quantoqualitativa, caracterizada como estudo de caso, tendo por base o levantamento, sistematização e análise de dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, do Portal da Transparência do Estado do Piauí, da Secretaria Estadual de Educação do Piauí (Seduc) e dos Cejas; a catalogação e análise de documentos oficiais e da literatura relativos à política de financiamento da EJA, custos educacionais e ao direito e à qualidade da educação em âmbito nacional e local; aplicação de questionários com professores e alunos dos Cejas. A pesquisa teve como principais referências Marx (1983), Lukcás (2018 e 1979), Di Pierro (2000), Costa e Machado (2017), Barcelos (2018), Tonet (2015), Tanno (2020), Pinto (2021), Carreira e Pinto (2007), Castro (2020), Dourado et al (2016), Alves (2012), Cardoso (2018), Souza, Alves e Moraes (2021). Os resultados dão conta de que as condições de oferta dos Cejas, no que tange a infraestrutura física de funcionamento, são básicas e pouco adequadas em relação à acessibilidade, embora os participantes as compreendam como apropriadas, mesmo diante da ausência ou insuficiência de equipamentos e materiais didáticos importantes à oferta educacional em condições de qualidade. Em média, 95% dos professores têm curso superior, o que é destacado pelos participantes como um dos insumos imprescindíveis para a garantia da oferta de uma educação de qualidade nos Cejas. No que se refere ao custo por aluno/ano dos Cejas investigados, o insumo de maior peso foi a folha de pagamento, com 91,5%; o Ceja que apresentou o maior custo aluno/ano foi o com menor número de matrícula, embora isso não tenha sido uma regra; o custo aluno/aluno médio dos Cejas superou o valor aluno/ano para EJA praticado pelo Fundeb em 30% e inferior ao CAQ estimado pelo Simulador do Custo-Aluno Qualidade (Simcaq). Conclui-se que são necessários maiores aportes financeiros para assegurar um custo por aluno que garanta o direito à EJA em condições de qualidade. 


    IRLA MILENA DE CASTRO SILVA CORAL DOS VAQUEIROS DE UNIÃO: Patrimônio Vivo, Educativo e Cultural do Piauí Data: 28/01/2025

    Este estudo objetiva refletir sobre a criação e consolidação do Coral dos Vaqueiros de União no cenário cultural piauiense. Sob a perspectiva da História da Educação, a pesquisa busca responder à seguinte questão: como configurou-se a trajetória do Coral dos Vaqueiros de União até seu reconhecimento como Patrimônio Vivo no Piauí? Para tanto, os objetivos específicos englobam compreender a relação dos vaqueiros com a cidade de União e a cultura nordestina; conhecer o processo de formação musical dos sujeitos envolvidos (cantores e mediadores culturais) e os desafios enfrentados pelo grupo até seu reconhecimento como Patrimônio Vivo do Piauí; e analisar o repertório executado pelo Coral dos Vaqueiros de União. A delimitação temporal da pesquisa abrange o período entre 1987, ano de fundação do coral, e 2022, quando recebeu o título de Patrimônio Vivo. A análise fundamenta-se na História Cultural, com referência a Chartier (1990), Burke (1992, 2008) e Le Goff (2003). No que tange aos lugares de memória, recorreu-se a Nora (1993), e o conceito de memória coletiva foi embasado em Halbwachs (1990). Amaral (2006) contribuiu com reflexões sobre pertencimento, Gutman (1999), Lipet (2009), e Kimmel (1998) sobre masculinidades e, no campo da mediação cultural, adotaram-se os conceitos de Gomes e Hansen (2016) e Mignot (2017), em especial sobre viagens. Para atingir os objetivos, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com quatro vaqueiros participantes do coral, cujas informações foram analisadas em conjunto com outros documentos, como recortes de jornais, fotografias, atas de reuniões da Associação de Vaqueiros de União, programas de apresentações e um DVD do Coral dos Vaqueiros. Analisou-se também o repertório do grupo e as redes de sociabilidade dos coristas. A análise histórica revela que, desde sua fundação, o coral buscou valorizar a identidade cultural do vaqueiro, preservar memórias e tradições para manter vivo seu legado. Em suas práticas musicais, o Coral dos Vaqueiros de União enquanto atividade grupal e coletiva, ofereceu um espaço onde os indivíduos puderam se unir em torno de interesses e objetivos comuns: a preservação e valorização da cultura vaqueira. Sem se distanciar da forma como os vaqueiros aprendem o aboio, o coral aprendia as canções do seu repertório por meio da escuta e imitação. Dessa maneira, esses cantores já estavam com o ouvido preparado, e sua percepção musical ativa contribuiu para o processo de aprendizado. Ainda se entende que sem formalizar o conceito, os sertanejos, ao transmitir seus costumes, tradições e histórias, delinearam o que hoje se denomina educação patrimonial. Assim, cada integrante, ao seu tempo, apropriou-se de seu papel na história cultural da cidade, tecendo, com suas referências, a trajetória dos vaqueiros e a própria história de União-PI.


    RODRIGO ALVES DE MELO Trajetória da pianista, maestrina e educadora musical Maria Yêda Caddah: viagens e sonhos por horizontes pedagógicos e musicais Data: 27/01/2025

    A presente pesquisa tem como foco a história de vida, trajetória acadêmica, artística e profissional de Maria Yêda Caddah, pianista e professora de música piauiense que migrou para o Rio de Janeiro no final da primeira metade do século XX. Destacou-se nos estudos do seu instrumento e tornou-se docente na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O objetivo principal é conhecer os sonhos, memórias e a trajetória acadêmica e profissional da artista, abrangendo o período que migrou para o Rio de Janeiro, em 1948, até seu retorno a Teresina em 1997. Especificamente, busca-se conhecer a formação inicial e as primeiras experiências musicais de Maria Yêda no Piauí; analisar os desafios na formação musical, premiações acadêmicas no Rio de Janeiro e suas redes de sociabilidade protagonizada por mulheres; bem como, compreender sua trajetória como docente dos diferentes níveis da educação e formação musical. A fundamentação teórica mobilizada abarca a História Cultural na perspectiva de Burke (2005), os estudos sobre a condição da mulher no Brasil de Priore (2004) e Rodrigues (2011), as discussões sobre história e memória de Félix (1998) e Catroga (2001), os estudos sobre intelectuais e redes de sociabilidade de Sirinelli (1986), e os conceitos de arquivamento da própria vida de Artiéres (1998), além dos estudos sobre história de vida de professores, conforme Sousa (2009). A metodologia baseia-se nas categorizações do Campo da História de Barros (2004), na história oral de Meihy (2006) e nas entrevistas como ferramenta da história oral de Alberti (2013). Os resultados indicam que Maria Yêda ampliou significativamente sua formação acadêmica e atuação artística e profissional ao buscar com seus esforços novos conhecimentos no Rio de Janeiro, enfrentando e superando desafios ao contar com o apoio de uma família estruturada, com uma rede de sociabilidade de mulheres em uma sociedade dominada por homens e, festa maneira destacou-se como uma jovem mulher nordestina na então capital do Brasil.