• UFPI

  • COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA/CCHL

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

  • EM GEOGRAFIA






  • Dissertações/Teses - 2026

    JOSE ANDRE ALVES LIMA A FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DE GEOGRAFIA: ENTRE PROPOSTAS FORMATIVAS E SABERES CONSTRUIDOS NA PRÁTICA PEDAGÓGICA NO ENSINO FUNDAMENTAL Data: 08/09/2026

    A formação continuada dos professores de Geografia constitui um processo relevante para o desenvolvimento profissional docente, possibilitando a construção e a ressignificação de conhecimentos e saberes em diálogo com as experiências vivenciadas no cotidiano escolar. Nesse contexto, esta pesquisa teve como objetivo geral compreender o papel da formação continuada dos professores de Geografia do Ensino Fundamental na articulação entre as propostas formativas e os saberes construídos na prática pedagógica. A investigação foi desenvolvida na Rede Municipal de Ensino de Castelo do Piauí, em duas escolas localizadas nas zonas urbana e rural, tendo como participantes três professores de Geografia que atuam nos Anos Finais do Ensino Fundamental. No que concerne ao aporte teórico do trabalho, dentre outros autores, destacam-se: Imbernón (2011), Libâneo (2018), Pontuschka (2007), Freire (1991, 1993, 1996), Castellar (1999, 2010), Cavalcanti (2006), Santos (2002), (Callai, 2013), Bourdieu (1994), Sacristán (1999) e Nóvoa (2009) e Shulman (1986, 1987, 2005b, 2014, 2015, 2016. Em termos metodológicos, a abordagem do trabalho se baseará na pesquisa qualitativa (Alves-Mazotti, 1999; Chizzotti, 2006; Richardson, 2012, dentre outros). De abordagem qualitativa, foram utilizadas como técnicas de pesquisa a revisão bibliográfica, a entrevista narrativa, o questionário e o grupo focal. Os dados foram analisados por meio da Análise de Conteúdo, considerando as etapas de pré-análise, exploração do material, categorização ou codificação, tratamento dos resultados, inferências e interpretação. Os resultados evidenciaram que as trajetórias formativas dos três professores que participaram da pesquisa foram constituídas em diferentes contextos, envolvendo experiências da educação básica, formação inicial, disciplinas pedagógicas, estágio supervisionado e exercício da profissão docente. As práticas pedagógicas demonstraram que os saberes foram construídos e ressignificados ao longo da vida profissional, expressos no planejamento, na contextualização dos conteúdos, nas metodologias, na relação com os estudantes, no uso do livro didático e na avaliação. Em relação às práticas formativas, evidenciou-se que os saberes docentes são constituídos nos espaços institucionalizados de formação e nas trajetórias pessoais, acadêmicas e profissionais. Os professores compreendem a formação continuada como espaço de construção e compartilhamento de conhecimentos e experiências, destacando a ampliação dos conhecimentos, a utilização de diferentes metodologias e recursos didáticos e a aproximação dos conteúdos geográficos com o cotidiano dos estudantes. Entretanto, a incorporação dos conhecimentos discutidos nas formações ainda encontra desafios no contexto das escolas. Conclui-se que a formação continuada assume relevância quando dialoga com os saberes constituídos pelos professores, suas necessidades profissionais e as realidades escolares, articulando propostas formativas, experiências profissionais e prática docente.


    ROSA MARIA DA CONCEIÇÃO DOS SANTOS Formação continuada de professores de geografia na Educação do Campo nos anos finais do Ensino Fundamental no Município de Barras/PI Data: 02/09/2026

    Esta pesquisa discute a Educação do Campo a partir da formação continuada de professores de Geografia que atuam nos anos finais do Ensino Fundamental nas escolas do campo do município de Barras/PI. Parte-se da compreensão de que a formação docente constitui dimensão central para a materialização de práticas pedagógicas comprometidas com os princípios da Educação do Campo, especialmente no que se refere à valorização do território, dos saberes locais, das memórias, das culturas e dos modos de vida dos povos camponeses. Diante disso, o estudo tem como objetivo geral compreender a formação continuada de professores de Geografia na Educação do Campo no município de Barras/PI. De modo específico, busca identificar as políticas e ações municipais de formação continuada destinadas a esses docentes; analisar como essa formação se relaciona com as questões e contradições da Educação do Campo no município; compreender de que modo ela se articula com os saberes e territorialidades do campo; e examinar os sentidos atribuídos pelos professores à formação continuada em sua prática pedagógica. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de inspiração narrativa e (auto)biográfica, realizada com professores de Geografia que atuam em escolas do campo do município investigado. Como instrumento de produção de dados, utilizamos as Cartas Pedagógicas, por possibilitarem a expressão das experiências, das memórias, das percepções e dos desafios vividos pelos docentes em seu cotidiano profissional. A análise dos dados foi realizada com base na Análise de Conteúdo, conforme Bardin (2009). Os resultados evidenciam que a formação continuada, quando ofertada de forma descontextualizada e desvinculada das especificidades do campo, apresenta limites para responder às demandas concretas da docência em Geografia nas escolas rurais. As narrativas docentes revelam contradições relacionadas à precariedade das políticas públicas, às condições de trabalho, ao currículo urbanocêntrico, à ausência de materiais contextualizados e à fragilidade de ações formativas voltadas à realidade da população rural. Ao mesmo tempo, indicam a potência dos saberes da experiência, do vínculo com o território e da escuta das comunidades como elementos fundamentais para a construção de práticas pedagógicas mais comprometidas com a Educação do Campo. Concluímos que a formação continuada de professores de Geografia, para atender às necessidades das escolas do campo, precisa ser pensada em articulação com o território, com os sujeitos do campo e com um projeto de educação emancipador.


    FRANCISCA EDUARDA ABREU SANTOS RECURSO DIDÁTICO DE BAIXO CUSTO PARA O DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA NA GEOGRAFIA ESCOLAR: UM ESTUDO NO MUNICÍPIO DE UNIÃO-PI Data: 31/08/2026

    O ensino de Geografia possibilita aos estudantes um conhecimento imprescindível sobre o mundo em que vivem, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades analíticas acerca da realidade social e ambiental. Por isso, é fundamental que o professor utilize meios que facilitem o processo de ensino-aprendizagem dos estudantes, por exemplo, fazendo adaptações no uso de recursos didáticos para a realidade em que a escola está inserida. A presente investigação teve como objetivo geral analisar as potencialidades do uso de recursos didáticos de baixo custo no ensino de Geografia em escolas públicas da zona rural, visando promover uma aprendizagem significativa conectada à realidade dos estudantes e adaptada a contextos com limitações de infraestrutura. Para obter o propósito principal desta pesquisa, foram definidos os seguintes objetivos específicos: i) caracterizar uma escola pública da zona rural do município de União-PI, destacando, na infraestrutura, os elementos físicos e recursos materiais;  ii) verificar o uso de recursos didáticos na prática dos professores de geografia da escola selecionada; iii) elaborar uma Unidade de Ensino Potencialmente Significativa, em parceria com o professor de Geografia utilizando recursos de baixo custo como alternativa criativa diante das limitações estruturais. O referencial teórico desta pesquisa está alicerçado em diferentes autores e conceitos que sustentam as reflexões sobre o ensino de Geografia, a aprendizagem significativa, os recursos didáticos de baixo custo, a mediação docente e as especificidades do contexto escolar rural. Para o ensino de geografia, utilizou-se as ideias de Cavalcanti (2008); Callai (2005); Passini (2010); Diniz e Compiani (2017); Rabelo e Borba (2019); Borges e Alencar (2014); Straforini (2018). Para a aprendizagem significativa recorreu-se a: Paixão e Ferro (2015); Ausubel (2003); Moreira e Masini (2001); Zabala (1998); Sousa (2021); Façanha, Viana e Portela (2022); Souza, Pereira e Moura (2018); Santos e Silva (2024); Monteiro, Castilho e Souza (2019). Para o conhecimento e compreensão das escolas de zonas rural, recorreu-se a: Alves e Barros (2022); Santos e Araújo (2023); Cruz, Moura e Esperidião (2024); Silva e Lopes (2024); Bezerra Neto (2015); Portugal e Souza (2016); Bavaresco (2021); Lima (2021); Rodrigues, Lima e Viana (2017). Para recursos didáticos de baixo custo analisamos as ideias de: Silva (2015); Melo e Sant’Ana (2013); Lunarti (2020); Ramos (2012); Lopes (2011); Quirino (2011); Sala e Nascimento (2025); Fernandes et al. (2018); Araujo, Sousa e Viana (2024); Silva (2020); Freitas, Viana e Andrade (2022); Silva (2011); Campelo (2019). Para a discussão sobre mediação docente e conhecimentos prévios, fundamentamo-nos nos aportes teóricos de Souza, Almeida e Amaral (2019), Cavalcanti (2006) e Castellar (2007). Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa do tipo intervenção pedagógica, com abordagem quanti-qualitativa. A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de questionários para o professor e alunos. O campo de estudo desta pesquisa tem como recorte espacial o município de União, situado no estado do Piauí, a aproximadamente 55 km de distância da capital, Teresina. Este município está localizado na mesorregião Centro-Norte do estado, pertencente à microrregião de Teresina, na Região Nordeste do Brasil. A pesquisa foi realizada em escola na situada na localidade Mussum há 20 km da zona urbana de União. Para a análise dos dados obtidos por meio dos questionários, foi utilizada a análise estatística de frequência, aliada à análise categorial de conteúdo, conforme descrita por Bardin (1977). Como resultado esperado, a pesquisa busca demonstrar que o uso de recursos didáticos de baixo custo, aliado à mediação docente e ao reconhecimento dos saberes prévios dos alunos, é possível tornar o ensino de Geografia mais significativo e contextualizado. Além disso, pretende-se oferecer contribuições teóricas e práticas para educadores da zona rural, fortalecendo a qualidade da educação pública e seu papel na transformação social.


    MARIANE BATISTA MESSIAS As paisagens do Piauí no processo de ensino-aprendizagem de Geografia no ensino fundamental: sequência didática com recursos imagéticos Data: 31/08/2026

    A Geografia Escolar, quando desenvolvida a partir da realidade local do aluno, pode proporcionar um processo de ensino-aprendizagem que auxilia os estudantes a compreenderem, de forma dinâmica e crítica, as particularidades que compõem seu cotidiano vivido. Nessa perspectiva, este trabalho foi desenvolvido em uma turma do 7º ano do Ensino Fundamental de uma escola da cidade de Floriano (PI), com o objetivo de analisar o processo de ensino-aprendizagem de Geografia, por meio de representações imagéticas da paisagem, no estudo de conteúdos significativos do espaço geográfico do Piauí. Além disso, buscou-se responder ao seguinte problema de pesquisa: o estudo do espaço geográfico do Piauí, por meio de representações imagéticas da paisagem, contribui para tornar o processo de ensino-aprendizagem de Geografia mais atrativo e significativo para os alunos do 7º ano do Ensino Fundamental? Quanto ao referencial teórico, a pesquisa busca aporte em autores representativos da Geografia Escolar, como Cavalcanti (2005), Callai (2018) e Castellar (2016), bem como em autores da Geografia que abordam a temática da categoria paisagem, como Santos (1997), Claval (2004) e Sauer (1998). Nos aspectos metodológicos, adotou-se uma abordagem qualitativa. Em termos de procedimentos técnicos, utilizou-se a pesquisa bibliográfica, com levantamento acerca dos principais temas deste trabalho, a saber: ensino de Geografia, Geografia do Piauí, recursos imagéticos, paisagem e paisagens do Piauí. Além disso, foram desenvolvidos procedimentos de pesquisa de campo e pesquisa-ação com os partícipes do trabalho, coletando-se informações por meio de questionários, entrevistas semiestruturadas, desenhos e comentários informativos construídos pelos alunos durante a aplicação da sequência didática. Dessa forma, foi aplicada, em colaboração com a docente regente, uma sequência didática sobre as paisagens do Piauí, com o auxílio de imagens fixas e em movimento, sendo selecionadas algumas imagens representativas de aspectos econômicos, socioambientais e culturais, de acordo com as macrorregiões e os Territórios de Desenvolvimento do Piauí. Os resultados evidenciaram que o conhecimento dos alunos em relação às paisagens do Piauí foi potencializado por meio do desenvolvimento da sequência didática com imagens fixas e em movimento. A avaliação da aplicação da sequência didática indicou que houve melhor aprendizagem dos conteúdos abordados, o que permite afirmar que as imagens se constituíram um recurso potente para incrementar o aprendizado dos estudantes nas aulas de Geografia, durante o estudo da realidade local e regional desses discentes, contribuindo para entender melhor as particularidades sociais, econômicas, culturais e ambientais desses espaços de maneira multiescalar.


    NOÉ DA SILVA CARVALHO ALÉM DA TERRA PROMETIDA: REFLEXÕES SOBRE A ESTAGNAÇÃO SOCIOECONÔMICA NO ASSENTAMENTO BONFIM – BARRAS/PI, À LUZ DO CONCEITO DE REFORMA AGRÁRIA Data: 31/08/2026

    Esta dissertação analisa a questão socioeconômica do assentamento Bonfim, localizado no município de Barras, no estado do Piauí, à luz do conceito de reforma agrária, buscando compreender os fatores que explicam o processo de estagnação observado na comunidade. Parte-se do entendimento de que o Brasil apresenta uma das estruturas fundiárias mais concentradas do mundo, resultado de um processo histórico marcado pela exclusão social e pela permanência do poder nas mãos das elites agrárias. Nesse contexto, embora a reforma agrária tenha sido implementada como política pública voltada à redistribuição de terras e à promoção da justiça social, muitos assentamentos não alcançaram os objetivos esperados, como autonomia produtiva, desenvolvimento econômico e melhoria das condições de vida. Diante dessa realidade, o objetivo geral da pesquisa foi analisar os fatores estruturais, institucionais e organizacionais internos que contribuíram para o processo de estagnação socioeconômica do assentamento Bonfim, em Barras-PI, à luz do conceito de reforma agrária. Como objetivos específicos, buscou-se compreender a formação da estrutura fundiária brasileira e seus conflitos históricos, investigar os fatores responsáveis pela baixa dinâmica econômica do assentamento e examinar as condições de vida dos assentados, com ênfase na produção familiar e no acesso às políticas públicas. A pesquisa apresenta relevância em diferentes dimensões. No campo acadêmico, contribui para o fortalecimento dos estudos sobre reforma agrária e desenvolvimento rural, especialmente em contextos locais ainda pouco explorados. No aspecto social, evidencia a realidade vivenciada pelas famílias assentadas, dando visibilidade às dificuldades enfrentadas no cotidiano. Já no âmbito pessoal, o estudo está diretamente relacionado à trajetória do autor, que possui vivência no local, o que contribui para uma análise mais sensível e aprofundada da problemática. Metodologicamente, a pesquisa adotou uma abordagem quali-quantitativa, de caráter descritivo e explicativo e de natureza aplicada, fundamentada em autores como Oliveira (1999; 2006), Stédile (1997), Morissawa (2001) e Scolese (2005), que auxiliam na compreensão da formação da estrutura fundiária e da reforma agrária no Brasil. Também foram utilizados referenciais metodológicos de Prodanov e Freitas (2013) e Gil (2008), que orientaram os procedimentos da investigação científica. Foram realizados levantamentos bibliográficos e documentais, além de pesquisa de campo com aplicação de questionários aos 39 chefes de família do assentamento, entrevistas semiestruturadas, observação direta e registros fotográficos. Utilizaram-se ainda técnicas de geoprocessamento com o software QGIS, permitindo a análise espacial da área estudada. Os resultados indicam que o assentamento Bonfim enfrenta sérias limitações estruturais, como a ausência de assistência técnica, a inexistência de projetos produtivos, a desarticulação interna entre os assentados e a expressiva presença de programas de transferência de renda na composição dos rendimentos familiares. Observou-se também a desativação da área agrícola e o distanciamento das atividades rurais. Conclui-se que a reforma agrária, quando não acompanhada por políticas públicas contínuas e eficazes, tende à estagnação, demonstrando que a simples distribuição de terras não é suficiente para promover transformações sociais significativas no meio rural.

     

     


    LIANA ELVAS CASTELO BRANCO ROCHA Condomínios horizontais residenciais fechados e o espaço urbano de Teresina-PI Data: 28/08/2026

    Este trabalho analisa a relação entre os condomínios horizontais residenciais fechados (CHRFs) e o espaço urbano de Teresina, com foco nos impactos físicos e morfológicos gerados por esse tipo de empreendimento. A pesquisa parte da análise de como os CHRFs influenciam a configuração urbana e a dinâmica da cidade. O objetivo geral é analisar a relação entre os CHRFs e o espaço urbano de Teresina a partir da dinâmica e da morfologia urbana considerando os padrões de localização e os impactos físicos.  É necessário também identificar os CHRFs; estudar a dinâmica e a morfologia urbanas teresinenses; analisar características que geram padrões de localização dos CHRFs; e diagnosticar os impactos físicos espaciais na cidade a partir da sua resiliência.  A metodologia envolveu levantamento bibliográfico, análise documental, visitas de campo, observações da dinâmica espacial e aplicação de técnicas de análise qualitativa, quantitativa e sintaxe espacial. Foram selecionadas tipologias representativas de CHRFs de pequeno, médio e grande porte. A fundamentação teórica aborda o surgimento e a expansão dos condomínios fechados, seus padrões normativos e o estudo do espaço urbano. Os resultados indicam que os CHRFs contribuem para a fragmentação do espaço urbano, dificultam a conectividade e acentuam processos de segregação socioespacial, apesar de promoverem boas condições internas para seus moradores. Conclui-se que, embora inseridos no contexto urbano, esses empreendimentos tendem a se estruturar como enclaves, com impactos significativos sobre a morfologia da cidade, o uso do solo e a percepção do espaço urbano, exigindo do planejamento urbano local abordagens mais integradoras e inclusivas.


    BEATRIZ RODRIGUES LUSTOSA POTENCIAL GEOTURÍSTICO DO MUNICÍPIO DE TANQUE DO PIAUÍ: INVENTÁRIO, AVALIAÇÃO E PROMOÇÃO Data: 27/08/2026

    A geodiversidade constitui uma dimensão fundamental do patrimônio natural, reunindo elementos e processos abióticos que apresentam valores científicos, educativos, culturais e turísticos. O reconhecimento desses elementos, especialmente em territórios ainda pouco investigados sob essa perspectiva, pode contribuir para sua valorização e conservação, bem como para o desenvolvimento de práticas geoturísticas articuladas às características locais. Nesse contexto, esta pesquisa teve como objetivo principal inventariar e avaliar locais de interesse geológico, geomorfológico e hidrológico que constituem o geopatrimônio do município de Tanque do Piauí, buscando identificar elementos de interesse educativo e turístico, avaliar qualitativa e quantitativamente os locais selecionados e realizar sua caracterização geotécnica. A realização do estudo fundamentou-se na necessidade de ampliar o conhecimento acerca da geodiversidade e do geoturismo no estado do Piauí, sobretudo em áreas interioranas ainda pouco contempladas por pesquisas dessa natureza, considerando também as possibilidades de valorização territorial e de contribuição para o planejamento e o desenvolvimento local. A escolha de Tanque do Piauí como área de estudo relaciona-se, ainda, ao vínculo da pesquisadora com o município, reforçando seu compromisso com a produção de conhecimento voltada à valorização do território e capaz de proporcionar retorno à realidade local. Metodologicamente, a pesquisa compreendeu revisão bibliográfica e documental, levantamento e análise de dados geoambientais e atividades de campo. O inventário dos locais de interesse foi realizado por meio do método Ad Hoc, seguido pela caracterização geotécnica dos pontos selecionados. Para a avaliação qualitativa e quantitativa, foram utilizadas, de forma complementar, a plataforma GEOSSIT, do Serviço Geológico do Brasil, e a metodologia de Ziemann e Figueiró (2017), permitindo analisar a relevância dos locais, suas potencialidades para o geoturismo e aspectos relacionados ao risco de degradação. Os resultados evidenciaram a presença de sítios da geodiversidade com características e potencialidades distintas, associados a elementos geológicos, geomorfológicos, hidrológicos, paisagísticos e culturais, com possibilidades de utilização científica, educativa e geoturística. As avaliações demonstraram, ainda, que as condições favoráveis ao geoturismo não estão relacionadas somente à atratividade dos locais, sendo influenciadas também por aspectos como acessibilidade, infraestrutura, uso, conservação e vulnerabilidade. A aplicação conjunta das metodologias possibilitou uma compreensão mais abrangente dos locais inventariados, evidenciando diferentes formas de valorização da geodiversidade e a necessidade de considerar os riscos associados ao seu uso. Conclui-se que o geopatrimônio identificado em Tanque do Piauí apresenta possibilidades de valorização científica, educativa e geoturística, cuja utilização deve estar associada ao planejamento e à geoconservação, de modo a contribuir para o conhecimento, a conservação e a valorização do patrimônio natural e cultural do município.


    SABRINA REIS DE ALMEIDA Territórios em transfigurações: a cadeia produtiva da soja e as transformações da estrutura fundiária no “cerrado piauiense” (2006-2023) Data: 21/08/2026

    O Brasil se destaca, atualmente, na cadeia produtiva de soja para exportação e, dessa forma, a aquisição de terras para suprir a crescente demanda por commodities impacta diretamente na estrutura fundiária das regiões produtivas de grãos no país. Neste contexto, a fronteira agrícola MATOPIBA foi instituída pelo Governo Federal, em 2015, integrando porções de quatro estados do Cerrado brasileiro — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, selecionada como uma nova fronteira agrícola para a expansão geográfica das atividades agrícolas. Diante disso, a presente pesquisa tem o objetivo geral de investigar como a cadeia produtiva da soja, na parcela do “cerrado piauiense” incorporado ao MATOPIBA, participa do processo de redesenho da estrutura fundiária, em específico, nos municípios de Santa Filomena e Baixa Grande do Ribeiro no período de 2006 a 2023. Em termos metodológicos, três eixos norteiam a pesquisa: o primeiro deles caracteriza a cadeia produtiva da soja no Piauí, incorporada à fronteira agrícola MATOPIBA a partir de bases de dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE e do Comércio Exterior do Brasil - Comex Stat; o segundo eixo busca compreender como a territorialização da soja impacta na estrutura fundiária dos municípios de Santa Filomena e Baixa Grande do Ribeiro, a partir de dados do Sistema Nacional de Cadastro Rural – SNCR e do Censo Agropecuário de 2006 e 2017; e, por fim, o terceiro eixo desdobra o segundo com a representação da estrutura fundiária do recorte proposto anteriormente através de procedimentos técnicos de geoprocessamento com base nos dados da plataforma do Atlas da Agropecuária Brasileira, considerando o período de 2006 a 2023 que contempla os Censos Agropecuários de 2006 e 2017, dados de uso e cobertura do solo a partir da plataforma MapBiomas, bem como os Decretos Federais de 2016 e 2023 que oficializaram o território do MATOPIBA como fronteira agrícola. 


    BRUNO DOS SANTOS NASCIMENTO A Palestina na arte sequencial: geopolítica, invasão e resistência na HQ de Joe Sacco Data: 12/08/2026

    Esta dissertação analisa as representações constituídas sobre a Palestina baseada no que diz respeito as estratégicas geopolíticas, a invasão israelense e as dinâmicas de resistências presentes na história em quadrinhos Palestina, de Joe Sacco. Parte-se da compreensão de que os conflitos contemporâneos ultrapassam disputas estritamente territoriais e militares, manifestando-se também no campo das representações e narrativas, cabendo aos estudos da geografia política e da geopolítica utilizar essas representações como fontes de pesquisa. O estudo adota abordagem qualitativa, fundamentada na análise de conteúdo proposta por Bardin ( 2011 ), articulada à interpretação da linguagem visual da arte sequencial. Inicialmente, contextualiza-se historicamente o conflito israelo-palestino e discute-se os principais agentes geopolíticos envolvidos, bem como os fundamentos teóricos da geopolítica crítica e do território como categoria de poder e representação. Em seguida, investigam-se as potencialidades analíticas dos quadrinhos documentais como fonte de interpretação geopolítica. A análise da obra evidencia que a narrativa gráfica de Joe Sacco constrói uma contra-narrativa geopolítica ao deslocar o foco dos discursos institucionais para as experiências cotidianas da população palestina, revelando a fragmentação territorial, o controle da mobilidade, a vigilância dos corpos e as práticas de resistências coletiva e cotidiana. Conclui-se que os quadrinhos constituem fontes relevantes para a análise geográfica e geopolítica, ampliando possibilidades metodológicas e interpretativas no campo da geografia contemporânea.


    RAVEL VIANA COSTA SEGREGAÇÃO E ACESSO À MOBILIDADE URBANA NO RESIDENCIAL COCAIS EM TIMON - MARANHÃO Data: 11/08/2026

    A lógica fragmentária de produção espacial apresenta desafios para a vida urbana nas cidades, especialmente no âmbito da mobilidade espacial cotidiana, que integra a rotina diária de grande parte dos citadinos brasileiros. Dentre os processos espaciais de (re)produção do espaço urbano, a segregação socioespacial tem sido, ao longo dos anos, alvo de debates e discussões na comunidade acadêmica, cujas primeiras proposições surgiram na primeira metade do século XX, de forma limitada, pela Escola de Chicago, sob a ótica da Ecologia Humana. Sabe-se que os efeitos desse processo espacial repercutem principalmente na precarização da vida urbana nas dimensões da acessibilidade e da mobilidade urbanas, comprometendo o direito de acesso à cidade, o que se notou nesta pesquisa que analisa o processo de segregação socioespacial na zona Oeste da cidade de Timon (MA), entre os anos de 2009 e 2026. A referência empírica da pesquisa foram dois conjuntos habitacionais da Faixa 1 do Programa Minha Casa Minha Vida, os residenciais Cocais I e II, na cidade de Timon, localizada no estado do Maranhão. A pesquisa utilizou como procedimentos metodológicos: 1) levantamento bibliográfico e documental; 2) trabalho de campo; 3) análise cartográfica. Os resultados evidenciam os contrastes espaciais no âmbito da mobilidade urbana entre essas espacialidades e as centrais. A separação espacial dos conjuntos habitacionais, aliada à concentração das atividades urbanas em áreas centrais e específicas de Timon, configura uma negação do direito à cidade, especialmente no que se refere à acessibilidade e à mobilidade urbanas. A redução drástica do número de ônibus em Timon, especialmente nos residenciais, entre 2025 e 2026, a partir do novo consórcio gerenciado pela prefeitura municipal, intensifica os contrastes socioespaciais, o que gera impactos significativos para o cotidiano dos citadinos e afeta os trabalhadores (formais e informais) e estudantes. Desse modo, esta pesquisa busca contribuir com os estudos sobre o processo de segregação em cidades brasileiras e reforça a necessidade de políticas públicas que ampliem não apenas o direito à moradia, mas, sobretudo, à acessibilidade e à mobilidade urbanas.



    ANDRÉ VÍTOR MORAES ALMEIDA PSEUDOCIÊNCIAS NO CONTEXTO ESCOLAR: A RELAÇÃO ENTRE NEGACIONISMOS CIENTÍFICOS E O ENSINO DE GEOGRAFIA Data: 07/08/2026

    Esta pesquisa analisa a presença e a influência das pseudociências e do negacionismo científico no contexto escolar, com enfoque nos desafios impostos ao ensino de Geografia. A partir de uma abordagem qualitativa e revisão bibliográfica, o estudo investiga como falsas narrativas emergem, circulam e afetam a formação crítica dos estudantes na atual sociedade hiperinformacional. O trabalho aprofunda o problema da demarcação entre ciência e pseudociência por meio da Filosofia da Ciência e de aportes da Psicologia Cognitiva, explicitando os vieses e os mecanismos digitais que sustentam a desinformação. No âmbito educacional, examinam-se as particularidades da Geografia escolar, o impacto do recente desmonte curricular no Ensino Médio e os reflexos dessa fragilização na vulnerabilidade epistêmica dos jovens. A pesquisa sistematiza oito movimentos negacionistas e pseudocientíficos que incidem diretamente nos conteúdos e práticas docentes: antiambientalismo, negacionismo climático, terraplanismo, globalismo, uso da pandemia como arma geopolítica, design inteligente, teorias da Terra Jovem e astrologia. Os resultados evidenciam que o enfrentamento do pensamento anticientífico exige do educador domínio epistemológico e sensibilidade pedagógica para desconstruir crenças ancoradas em identidades ideológicas. Conclui-se que o fortalecimento da disciplina e a abordagem explícita da Natureza da Ciência figuram como instrumentos indispensáveis para o enfrentamento do pensamento anticientífico na escola e para a valorização da Geografia na formação cidadã.


    ANTONIA RAFAELA OLIVEIRA VANDERLEI Dinâmicas econômicas e práticas espaciais: circuito inferior da economia urbana nas cidades de Barras e Esperantina no Piauí Data: 03/07/2026

    A presente dissertação investiga as dinâmicas econômicas e práticas espaciais associadas ao circuito inferior da economia urbana nas cidades de Barras e Esperantina, localizadas no Território dos Cocais, estado do Piauí. Fundamentado na teoria dos dois circuitos da economia urbana de Milton Santos, o estudo objetiva analisar como essas dinâmicas e práticas implicam na produção e apropriação do espaço urbano. Especificamente, busca-se caracterizar os segmentos desse circuito nas centralidades locais, compreender as estratégias socioespaciais de trabalhadores e empreendedores e comparar as especificidades e similitudes entre os dois municípios. Adota-se uma abordagem qualitativa, com ênfase em levantamento bibliográfico, pesquisa documental e trabalho de campo, com aplicação de entrevistas semiestruturadas e observações sistematizadas. A análise evidencia que o circuito inferior não configura um setor arcaico ou mera estratégia de sobrevivência, mas um organismo resiliente que incorpora vetores de modernização e redes socioeconômicas que reconfiguram os centros urbanos. Os resultados apontam que, enquanto Barras se destaca como polo de serviços médicos, Esperantina atua como centro de compras regional, revelando uma complementaridade territorial baseada na inteligência popular e em fluxos informais de mercadorias. Conclui se que, apesar dos conflitos decorrentes da pressão burocrática estatal e da dependência dos recursos públicos, a apropriação plural do espaço e a forte capacidade adaptativa desses agentes são fundamentais para a vitalidade econômica e para a sustentação de uma economia regional pulsante à margem das grandes estruturas globais.


    VANESSA INÁCIO DE CARVALHO RIBEIRO RESILIÊNCIA CLIMÁTICA À INUNDAÇÃO E EXPANSÃO URBANA NA SUB-BACIA HIDROGRÁFICA PD03, TERESINA-PI Data: 26/02/2026

    O processo de urbanização tem impactado significativamente as condições ambientais, alterando sobretudo as funções dos ecossistemas, a dinâmica hidrológica urbana e os padrões climáticos locais. A ausência e/ou deficiência de planejamento urbano adequado acentua ameaças ambientais, sociais, econômicas e culturais, especialmente diante dos efeitos das mudanças climáticas. A redução da cobertura vegetal das cidades, por exemplo, implica nas condições de alta temperatura e intensifica as problemáticas ambientais em períodos chuvosos, especialmente os processos de inundação urbana, alagamentos e enchentes. Dessa forma, o estudo teve como objetivo geral, analisar os impactos da expansão urbana na resiliência climática à inundação na sub-bacia hidrográfica Poti Direita 03, em Teresina-PI. A pesquisa fez uso do método dedutivo, partindo de referenciais teóricos gerais sobre resiliência climática à inundação, urbanização e bacias hidrográficas urbanas, aplicados à análise específica da sub-bacia hidrográfica Poti Direita 03. Adotou-se uma abordagem quali-quantitativa, integrando análises numéricas e espaciais a interpretações da dinâmica ambiental e urbana da área de estudo. Como procedimentos metodológicos partiu-se de: levantamento bibliográfico, bibliométrico, documental, cartográfico e pesquisa de campo. Além disso, desenvolveu-se o Índice de Resiliência Climática à Inundação (IRCI) e Índice Integrado de Resiliência Climática e Suscetibilidade à Inundação (IRSI), e apropriou-se da metodologia do Índice de Suscetibilidade à Inundação (ISI) para determinação das áreas que variam de muito baixa a muito alta resiliência e suscetibilidade a inundação na sub-bacia hidrográfica PD03. Quanto aos resultados da pesquisa, ressalta-se que cruzamento dos índices, IRCI e ISI, para a geração do IRSI, indicou que as áreas suscetíveis às inundações coincidem com aquelas que apresentam menor resiliência climática. Essas áreas são marcadas por apresentar maior impermeabilização do solo e maior concentração urbana que intensificam os eventos de inundações, além da falha do sistema de drenagem urbana que contribui para a ocorrência de alagamentos no período chuvoso. Com relação as áreas de muito baixa, baixa e média suscetibilidade à inundação, correspondem às áreas com maior capacidade de resiliência climática, por apresentar maior cobertura vegetal e melhor estado de conservação ambiental, fatores que favorecem a infiltração da água no solo, a regulação do escoamento superficial e atenuação dos impactos das inundações. No entanto, são áreas que também requerem atenção, a fim de que suas condições ambientais sejam conservadas, evitando que, futuramente, se tornem áreas críticas quanto à suscetibilidade à inundação. Portanto, a redução do risco de inundações está diretamente associada ao fortalecimento da resiliência climática da sub-bacia, uma vez que reduz a vulnerabilidade da população local frente aos eventos climáticos extremos. Assim, quanto menor o risco de inundação, maior a capacidade de resistir, se adaptar e restabelecer um novo equilíbrio após a ocorrência desses eventos. Portanto, ressalta-se que a sub-bacia hidrográfica PD03 requer atenção e monitoramento contínuos, bem como a antecipação de estudos e ações preventivas.


    KENNEDY JOSÉ ALVES DA SILVA IMPACTOS DAS AÇÕES ANTRÓPICAS E CLIMÁTICAS NA SUB-BACIA DO RIO LONGÁ REVELADOS NA PAISAGEM DA CIDADE DE BARRAS (PI) Data: 26/02/2026

    A presente dissertação tem como objeto de estudo a sub-bacia do Rio Longá, no município de Barras (PI), a aproximadamente 120 km da capital Teresina. A área investigada é marcada por intensos processos de ocupação urbana e uso do solo, que têm provocado alterações significativas na paisagem e intensificado os impactos ambientais locais. Nesse contexto, a pesquisa justifica-se pela necessidade de compreender os efeitos das ações antrópicas sobre a dinâmica socioambiental da sub-bacia, contribuindo para a formulação de estratégias voltadas à conservação ambiental e à gestão territorial sustentável. O estudo fundamenta-se em referenciais da Geografia e das Ciências Ambientais que abordam a relação sociedade–natureza, a produção do espaço e a gestão de bacias hidrográficas. Destacam-se contribuições de Santos (2008), Dardel (1990), Tuan (2018) e Tucci (2008), além de estudos regionais desenvolvidos por Araújo (2008, 2009), Andrade (2007), Carneiro e Façanha (2015), que subsidiam a contextualização socioambiental da área de estudo. Complementam essa base dados e diretrizes institucionais do IBGE (2022), INMET (2023) e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, utilizados como suporte à análise ambiental e territorial. O objetivo geral da pesquisa consiste em analisar os impactos das ações antrópicas associadas ao uso e à ocupação do solo na sub-bacia do Rio Longá, no município de Barras (PI), identificando áreas ambientalmente vulneráveis e propondo diretrizes voltadas à conservação ambiental e à gestão territorial sustentável. De forma específica, buscou-se: caracterizar os aspectos físicos, ambientais e o uso e ocupação do solo na sub-bacia do Rio Longá, com base em dados cartográficos e institucionais; registrar e analisar os impactos ambientais decorrentes das ações antrópicas, com ênfase nos processos de desmatamento e em suas consequências sobre o clima local; e interpretar, a partir das falas dos moradores ribeirinhos e de representantes do poder público, como as transformações ambientais são vivenciadas no cotidiano local, propondo estratégias de adaptação e mitigação dos impactos socioambientais identificados. A metodologia adotada combinou revisão bibliográfica, análise de bases de dados secundários e o uso de geotecnologias, com destaque para os softwares QGIS e ArcGIS e a cartografia temática, apoiada por imagens de satélite e fotografias aéreas, empregadas na elaboração de mapas temáticos multitemporais. Foram realizadas visitas de campo e entrevistas semiestruturadas com 60 moradores, correspondendo a aproximadamente 10% da população da área de estudo, além de representantes de instituições públicas. Os dados foram sistematizados de forma qualitativa e quantitativa, buscando identificar padrões de impacto e articulações entre uso do solo, dinâmica socioambiental e gestão territorial. Os resultados evidenciaram que práticas como o desmatamento, o descarte inadequado de resíduos sólidos, as ocupações irregulares e a agricultura nas proximidades dos corpos hídricos configuram-se como os principais vetores de degradação ambiental na sub-bacia. As entrevistas revelaram o reconhecimento crescente, por parte da população local, dos prejuízos ambientais e da urgência na adoção de medidas de controle, recuperação e conservação ambiental. Como contribuição técnica e educacional, foi elaborado um portfólio digital interativo, composto por mapas georreferenciados e registros fotográficos, disponibilizado por QR Code, com o propósito de subsidiar políticas públicas, o planejamento territorial e ações de educação ambiental no município de Barras (PI).


    FRANCISCO OTAVIO MASCARENHAS DE MENEZES A CARTOGRAFIA NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: LIVRO DIDÁTICO E PERSPECTIVA DOCENTE Data: 25/02/2026

     

    Esta dissertação investigou a exploração do potencial cartográfico nos livros didáticos de Geografia destinados aos anos finais do Ensino Fundamental, com o objetivo de compreender em que medida os mapas foram utilizados como recursos didáticos capazes de promover o desenvolvimento do pensamento geográfico. A pesquisa articulou a análise teórica, normativa, empírica e propositiva, estruturada em quatro capítulos complementares. Inicialmente, realizou-se um mapeamento do estado do conhecimento da cartografia escolar no Brasil, em busca de evidenciar a sua consolidação como campo científico e didático, bem como os debates contemporâneos que problematizam o uso tecnicista dos mapas e defendem sua compreensão como linguagem social e instrumento crítico de leitura do espaço. Em seguida, analisou-se a contribuição dos documentos normativos e do livro didático na organização do ensino de Geografia, com destaque para a Constituição Federal, a LDB, os PCN, a BNCC e o PNLD. Essa etapa evidenciou avanços na valorização da cartografia escolar, mas, também contradições decorrentes da centralização curricular, da padronização dos materiais e da dependência do livro didático como mediador do currículo. No terceiro capítulo, desenvolveu-se uma análise qualitativa e quantitativa de duas coleções de livros didáticos de Geografia: uma vinculada ao PNLD e outra utilizada na rede privada em foram examinados a presença, a distribuição e a função didática dos mapas, bem como sua associação a outros elementos gráficos e aos tipos de atividades propostas. Os resultados indicaram que, majoritariamente, os mapas são utilizados como recursos ilustrativos ou de apoio visual, com limitada exploração crítica e baixo estímulo ao raciocínio espacial complexo. O quarto capítulo apresentou uma proposta didática voltada à ressignificação do uso dos mapas, com fundamento na taxonomia de raciocínio espacial (entrada, processamento e saída). Foram elaboradas atividades que transformaram os mapas em instrumentos de análise, síntese e produção cartográfica, no sentido de favorecer o desenvolvimento da autonomia intelectual e da leitura crítica do espaço geográfico pelos estudantes. Como contribuição, a dissertação oferece subsídios teóricos, analíticos e metodológicos para a renovação da cartografia escolar, e reafirma o seu papel como linguagem fundamental da Geografia e como recurso científico e didático para a formação de sujeitos críticos, capazes de interpretar e intervir na realidade socioespacial.


    ÍTALO JOSÉ PEREIRA SOBRAL SUSTENTABILIDADE ENERGÉTICA URBANA: A GERAÇÃO DE ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA NO ESPAÇO URBANO EM TERESINA, PI, BRASIL Data: 25/02/2026

    A energia, em suas mais diversas formas, sempre representou um elemento fundamental para o desenvolvimento da humanidade. Com o advento da sociedade capitalista pós-industrial, a demanda energética aumentou de maneira significativa, o que, consequentemente, desencadeou uma série de impactos ambientais, entre os quais se destaca a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, em virtude da dependência da indústria em relação às chamadas fontes de energia não renováveis, como o petróleo e seus derivados. Diante desses impactos, emergiu a necessidade de repensar o modelo de produção capitalista, o que culminou na realização da Conferência de Estocolmo, em 1972, marco histórico no debate ambiental internacional, a partir da qual se consolidou o conceito de sustentabilidade. No tocante à produção e à geração de energia, a sustentabilidade se materializa por meio do uso de fontes renováveis, caracterizadas por sua maior abundância e por causarem menores impactos ao meio ambiente. Nesse sentido, o presente trabalho teve como objetivo geral analisar a(s) forma(s), função(ões), estrutura(s) e processo(s) associados à transição energética no espaço urbano de Teresina. Os objetivos específicos foram: i) relatar o processo histórico da sustentabilidade, destacando a evolução da matriz elétrica com ênfase nas fontes de energia renovável; ii) descrever o histórico da geração de energia no Brasil, Piauí e Teresina a luz da sustentabilidade, identificando os principais agentes envolvidos e os processos espaciais decorrentes de sua atuação; iii) espacializar a geração de energia solar fotovoltaica por meio da Geração Distribuída (GD) no perímetro urbano de Teresina, no período de 2012 a 2024; iv) discorrer as formas e os processos espaciais produzidos pela difusão da energia solar fotovoltaica na cidade de Teresina. Adotou-se o método dialético, cujo roteiro metodológico pautou-se na revisão bibliográfica e documental; na elaboração de gráficos, tabelas e mapas; e, por fim, na realização de trabalho de campo. Os resultados indicam que a expansão da Geração Distribuída (GD) solar fotovoltaica em Teresina consolidou-se como componente relevante da dinâmica energética urbana. A análise espacial revelou forte concentração das Unidades de Geração Distribuída Fotovoltaica (GDFV) em bairros de maior poder aquisitivo, evidenciando que a difusão da tecnologia está diretamente associada à capacidade de investimento. Dessa forma, a energia solar não altera a lógica territorial preexistente, mas se sobrepõe a ela, reproduzindo desigualdades socioespaciais. Nas áreas de menor renda, a presença da GD é limitada e geralmente vinculada a iniciativas pontuais, reforçando o caráter seletivo da transição energética. Embora amplamente difundida no discurso, a sustentabilidade energética urbana materializa-se sob predominância de racionalidades de mercado. Observou-se também a consolidação de um mercado especializado em sistemas fotovoltaicos, configurando novo segmento da economia urbana e introduzindo objetos técnicos à paisagem da cidade. À luz das categorias de forma, função, estrutura e processo, verificou-se que as UFVs já integram o tecido urbano, exercendo funções econômicas e estratégicas, como redução de custos e valorização imobiliária. Contudo, a estrutura urbana atua como filtro seletivo da difusão tecnológica, concentrando instalações em áreas mais capitalizadas. Conclui-se que a sustentabilidade energética urbana em Teresina, embora represente avanço técnico e ambiental, difunde-se de modo desigual, exigindo políticas públicas mais inclusivas para promover maior equidade no acesso às energias renováveis.


    MATEUS ROCHA DOS SANTOS DINÂMICA SOCIOESPACIAL: AS TRANSFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS IMPULSIONADAS PELO TURISMO NA FORMAÇÃO DE TERRITÓRIOS NO LITORAL PIAUIENSE Data: 24/02/2026

    O estudo analisa a dinâmica socioespacial e econômica do litoral piauiense, com foco nos municípios de Luís Correia e Cajueiro da Praia, a partir das transformações geográficas impulsionadas pelo turismo. Desta forma, o estudo se destaca pela interação entre natureza e sociedade e analisa os impactos provocados pelo turismo, que, apesar de contribuem para a geração de emprego e renda, também acarretam impactos ambientais, socioculturais e, principalmente e traz uma (re)configuração territorial local. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem sistêmica e integrada, articulando pressupostos da geografia física, humana e do turismo. Neste sentido, o estudo teve como objetivo; analisar a dinâmica espacial sob a ótica das práticas cotidianas e econômicas, buscando sistematizar as dinâmicas territoriais, como também, categorizar os elementos naturais e socioculturais e identificar as alterações nos territórios decorrentes da expansão do turismo. A análise SWOT foi utilizada como instrumento inicial de interpretação territorial, possibilitando integrar os elementos constituintes do espaço geográfico, identificar áreas com potencial turístico e compreender as ações antrópicas sobre os espaços naturais. A sistemática do foram em etapas complementares, que incluíram levantamento bibliográfico e documental, análise integrada dos dados de campo e elaboração de produtos cartográficos, permitindo uma leitura espacializada dos processos de transformação do espaço geográfico e territorial. Os resultados apontam para a necessidade de estratégias de planejamento e gestão sustentáveis, capazes de articular o poder público, o setor privado e as comunidades locais, de modo a equilibrar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e a valorização das territorialidades locais. Diante das análises obtidas e da compreensão do território estudado, constatou-se que os impactos da ação do turismo sobre a área de estudo estão atrelados ao surgimento e ao desenvolvimento territorial, especialmente no que se refere aos aspectos socioeconômicos, bem como às mudanças na paisagem. Portanto, concluiu-se que, as transformações ocorrem por meio da apropriação de elementos naturais, que passam a ser sobrepostos por novas formas de uso, além da geração de conflitos sociais e ambientais, evidenciando o desordenamento da atividade turística e as mudanças nos aspectos naturais e socioculturais promovidas pelo turismo.


    FRANCISCO WELTON MACHADO O ensino de Geografia em uma escola técnica no contexto do novo ensino médio: um estudo de caso no centro estadual de tempo integral - CETI Leonardo das Dores, Esperantina/PI Data: 10/02/2026

    Esteve em curso uma reforma do Ensino Médio brasileiro que objetivou reorganizar o currículo dessa etapa por área de conhecimento e não mais por disciplinas. O componente curricular Geografia foi diretamente afetado, fazendo parte agora da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. A escolha do tema desta pesquisa está intrinsecamente ligada às minhas vivências e atuação nessa etapa da educação básica e neste contexto foi proposto uma reflexão crítica em função das inquietações: De que maneira o processo de ensino aprendizagem em Geografia foi impactado pela reforma do Novo Ensino Médio na cidade de Esperantina/Piauí? Além disso, de que forma ocorreu a abordagem interdisciplinar da Geografia com os demais componentes curriculares? Quais os desafios na elaboração dos novos currículos, adaptações dos livros didáticos, a formação continuada e a prática dos professores de Geografia nas escolas públicas de Esperantina/PI por meio da implantação novo Ensino Médio? Destarte, este estudo teve como objetivo central analisar o documento normativo, ou seja, a Base Nacional Comum Curricular e os desafios da implementação do Novo Ensino Médio no município de Esperantina/PI no processo de ensino-aprendizagem em Geografia. Os objetivos específicos foram: compreender a estrutura curricular proposta pela BNCC referente ao ensino de Geografia no Novo Ensino Médio; identificar a situação da Geografia escolar no contexto do Novo Ensino Médio, no tocante a carga horária, livro didático e a organização de conteúdo e verificar os impactos da reforma no Novo Ensino Médio no processo de ensino-aprendizagem em Geografia e sua implantação no estado do Piauí. No que concerne à dimensão teórica, o trabalho tomou como aporte estudos críticos que discutem os pressupostos, princípios norteadores e o caráter da reforma e implantação do novo ensino médio no Brasil nos últimos anos, associados a proposição de um novo desenho para o Novo Ensino Médio como Frigotto (2018), Ciavatta (2019), bem como de autores que investigam o assunto da ótica da Geografia: Ferreti (2018), Ascenção (2023). Em termos metodológicos, o trabalho adotou o modelo qualitativo de pesquisa, ancorada em estudos bibliográficos, documentais e empíricos (Gil, 2019; Minayo, 2013 ). Para viabilizar o estudo foram selecionados procedimentos que nos parecem pertinentes para a abordagem do objeto de pesquisa, mais precisamente a pesquisa bibliográfica, a análise documental, a observação e a entrevista semiestruturada, tendo como referência autores tais como Freitas e Prodanov (2009). Portanto, a partir do recorte estabelecido nesta pesquisa notou-se que o ensino de Geografia no Novo Ensino Médio na escola pesquisada, enfrentou dificuldades na adequação da nova proposta curricular, onde os sujeitos apontaram para uma necessidade de formações mais robustas sobre a temática, ampliando assim discussões a respeito do novo ensino médio, ademais verificou-se muitas incertezas no início da implantação, o que impactou de forma negativa no ensino de geografia.


    ANTONIA MARIA RODRIGUES DE SOUSA O papel da avaliação para o ensino-aprendizagem da Geografia: um estudo na cidade de Luzilândia/Piauí Data: 10/02/2026

    Esta pesquisa buscou compreender se a avaliação cumpre seu papel no processo de ensino-aprendizagem da Geografia em uma escola de Ensino Médio da Rede Pública Estadual do Piauí. É por meio da avaliação que se pode mensurar se as estratégias teórico-metodológicas adotadas facilitam a compreensão dos conceitos fundamentais para a construção do conhecimento. A avaliação também é utilizada para fornecer dados ao Estado e, nesta perspectiva sistêmica, muitos governos vêm implantando sistemáticas de avaliação em suas redes de ensino, que, por sua vez, estão unificando parâmetros no processo de avaliação das escolas, o que implica na conduta dos professores. Isso impõe uma limitação nas práticas avaliativas e pode interferir no processo de ensino-aprendizagem. Nesse contexto, esta pesquisa teve como objetivo geral: compreender como a avaliação contribui para o processo de ensino-aprendizagem da Geografia escolar em uma escola de Ensino Médio na cidade de Luzilândia/Piauí; sendo seus objetivos específicos: constatar concepções e perspectivas quanto ao ensino da Geografia e a avaliação; analisar a sistemática de avaliação da SEDUC/PI e as implicações das avaliações externas no ensino-aprendizagem da Geografia em uma escola de Ensino Médio na cidade de Luzilândia/Piauí; e discutir as contribuições da avaliação para as aprendizagens da Geografia em uma escola de Ensino Médio na cidade de Luzilândia/Piauí. Como procedimentos metodológicos adotou-se a abordagem qualitativa de cunho exploratório e o estudo de caso. Valeu-se da pesquisa bibliográfica e documental a partir de autores como Luckesi (2011a, 2011b, 2021, 2023), Cavalcanti (2012, 2022, 2024) e Rabelo (2010, 2011, 2025), entre outros que versam sobre o Ensino da Geografia, a avaliação da aprendizagem e a avaliação das aprendizagens em Geografia; e documentos oficiais que normatizam a educação nacional e no estado do Piauí. Realizou-se o estudo de caso por meio de pesquisa de campo, tendo como sujeitos a coordenação pedagógica, o professor de Geografia e uma amostra de estudantes das três séries do Ensino Médio da escola campo da pesquisa. Utilizaram-se como técnicas, a observação não participante, entrevistas semiestruturadas e estruturadas, com o emprego de questionário e roteiros de observação e entrevistas, além do uso de smartphone para o registro das falas. Como resultados, foram constatados avanços significativos quanto às concepções de avaliação formativa, inclusive no Ensino da Geografia. Entretanto, na prática, percebeu-se resquícios de um ensino tradicional, uma avaliação focada em parâmetros estatísticos que preponderam para a aferição da nota, sendo as avaliações externas que determinam a dinâmica da escola e da sala de aula. A pesquisa apontou significativas divergências entre as concepções teóricas que sustentam os documentos e a aferição da realidade. Revelou, de forma explícita, a necessidade de mudança de paradigma na avaliação da aprendizagem da Geografia e na escola, de modo geral, para que se possa pensar em uma formação integral do educando. Em suma, os achados, além de proporcionarem reflexões, evidenciaram caminhos para a efetivação da avaliação das aprendizagens da Geografia.



    LEONARDO JOSÉ DA SILVA COSTA REDESENHANDO O TERRITÓRIO: PLANOS DE REGIONALIZAÇÕES DO PIAUÍ EM TEMPOS DE AUTORITARISMO (1964 A 1985) Data: 04/02/2026

    O conceito de região consolida-se como um dos pilares fundamentais da ciência
    geográfica, presente desde a estruturação do pensamento geográfico até os debates
    contemporâneos. Na atualidade, a região manifesta-se como uma unidade geográfica
    operacional, tornando-se instrumento essencial para o planejamento territorial por
    meio das regionalizações. No contexto brasileiro, a partir da segunda metade do
    século XX, as regionalizações consolidaram-se como instrumento recorrente do
    planejamento estatal, processo que se intensificou após o Golpe Militar de 1964,
    quando o regime autoritário passou a utilizar as divisões regionais como ferramenta
    de gestão territorial e de promoção de seu projeto desenvolvimentista, tanto em escala
    nacional quanto nas unidades da federação. Diante dessa perspectiva, este estudo
    teve como problemática questionar como as regionalizações aplicadas no Piauí,
    durante o regime militar, enquanto possíveis percussoras desse processo,
    favoreceram o planejamento territorial, bem como identificar o que cada plano de
    regionalização propôs em nível local, considerando a necessidade de articulação
    entre as regiões estaduais, historicamente desarticuladas. Além disso, questiona-se
    como o planejamento territorial aplicado no Piauí, por meio dos planos de
    regionalização, permite abordar os conceitos de região e regionalização a partir da
    influência dos estudos desenvolvidos no campo da Geografia. Considerando a
    relevância dos estudos sobre região e regionalização no território piauiense, o objetivo
    geral consistiu em analisar os planos oficiais de regionalização elaborados pelo IBGE
    e pelo Governo do Estado do Piauí, aplicados como estratégias desenvolvimentistas
    no contexto local durante o período da ditadura militar (1964-1985).
    Metodologicamente, a pesquisa caracterizou-se como de caráter descritivo com
    abordagem qualitativa, utilizando-se de pesquisa bibliográfica e documental, tendo
    como principal base de análise os planos de regionalização produzidos pelo IBGE e
    pela Fundação CEPRO no regime militar. Os resultados indicam que os planos de
    regionalização do Piauí, de 1975 e 1976, apresentavam um duplo objetivo: por um
    lado, compreender a estrutura territorial local a partir da dinâmica cidade-região, por
    outro, implementar ações voltadas à promoção de uma maior integração territorial,
    sobretudo nos espaços do sul piauiense, estruturados na rede urbana estadual por
    meio de um processo político-histórico que produziu e consolidou fortes assimetrias
    regionais. Desse modo, a regionalização, operacionalizada principalmente no âmbito
    das ações do governo estadual, mostrou-se relevante para a compreensão do quadro
    regional piauiense, a partir da identificação do papel exercido pelos centros e
    subcentros regionais. Conclui-se, portanto, que a região, enquanto conceito
    operacionalizado pela regionalização, evidencia sua contribuição para o planejamento
    público, ao adentrar as instâncias territoriais e estabelecer caminhos para a promoção
    da integração territorial no Piauí, possibilitando perspectivas para a construção de um
    desenvolvimento socioeconômico mais equilibrado.


    PEDRO VICTOR MATOS LOPES GAMIFICAÇÃO NO ENSINO DE GEOGRAFIA ESCOLAR: POSSIBILIDADES E EXPERIMENTAÇÕES EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE TERESINA/PI Data: 30/01/2026

    Esta dissertação investigou a gamificação como uma estratégia metodológica potente no ensino de Geografia escolar, com foco na promoção de uma aprendizagem significativa, alinhada à realidade dos jovens estudantes. Nesse sentido, o objetivo geral da pesquisa é analisar o uso da gamificação como estratégia metodológica no ensino de Geografia, investigando sua aplicabilidade no Centro Estadual de Tempo Integral João Henrique de Almeida Sousa e explorando o potencial dos jogos (analógicos e digitais), como recursos didáticos alinhados aos objetos de conhecimento do livro didático e às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Entre os objetivos específicos, destacam-se: i) discutir sobre a prática docente em uma sociedade em transformação; ii) discorrer sobre a utilização da gamificação como estratégia metodológica no ensino de Geografia, no Centro Estadual de Tempo Integral João Henrique de Almeida Sousa; iii) caracterizar os principais jogos (analógicos e digitais) e sua aplicabilidade no ensino de Geografia escolar; iv) apontar as possibilidades didáticas dos mais diversos jogos nas aulas de Geografia escolar, direcionados pelos conteúdos contidos no livro didático, norteados pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A relevância da pesquisa se justifica em diferentes dimensões. No campo acadêmico, ela contribui para o fortalecimento dos estudos sobre metodologias inovadoras no ensino de Geografia, ampliando as discussões sobre os impactos da gamificação na construção do conhecimento. No aspecto social, oferece uma alternativa pedagógica viável e conectada à realidade dos alunos, utilizando recursos que fazem parte de seu cotidiano. Já do ponto de vista pessoal, a pesquisa se fundamenta na trajetória acadêmica do pesquisador, nas reflexões construídas ao longo da formação, bem como na participação em programas de monitoria, congressos e demais eventos científicos. Quanto ao desenvolvimento metodológico, a pesquisa baseou-se em levantamento bibliográfico e documental sobre temas como gamificação, ensino de Geografia, formação docente, recursos didáticos não convencionais, aprendizagem significativa e sequências didáticas. Adicionalmente, realizou-se um estudo documental com base no Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola, na BNCC, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), entre outros marcos legais da educação básica. A abordagem adotada foi qualitativa, buscando compreender as práticas pedagógicas desenvolvidas nas aulas de Geografia da escola investigada. Além disso, utilizou-se a pesquisa-ação, com a elaboração e aplicação de sequências didáticas que envolvem o uso de jogos. Como resultados, constatou-se que o uso da gamificação contribui significativamente para estimular a participação dos alunos, aumentar o engajamento, promover um ambiente de aprendizagem mais confortável e, sobretudo, potencializar os processos de ensino-aprendizagem. Conclui-se que a gamificação, ao estar diretamente associada à cultura digital contemporânea, configura-se como uma estratégia pedagógica potente, capaz de dialogar com os interesses e as necessidades dos estudantes.


    EDSON OSTERNE DA SILVA SANTOS REÁLIAS DE MICROMONÓLITOS DE PERFIS DE SOLOS COMO RECURSO DIDÁTICO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE GEOGRAFIA: UMA ABORDAGEM APLICADA ÀS TEMÁTICAS FÍSICO-NATURAIS Data: 09/01/2026

    O uso de recursos didáticos voltados para o ensino de solos é fundamental por várias razões, especialmente em função das lacunas que podem existir na formação inicial de professores de Geografia. Nesta pesquisa aborda-se o uso de reália de micromonólitos de perfis de solos como recurso didático no ensino de Geografia, sobretudo voltado para as temáticas físico-naturais. Nesse contexto, as reálias são recursos didáticos que podem ser usadas na mediação do ensino de Geografia na educação básica, especialmente quando acompanhadas da formação docente adequada. Desse modo, o objetivo geral desta pesquisa foi analisar o uso de micromonólitos de perfis de solos como recurso didático para professores em formação de Geografia. Especificamente, objetivou-se: Caracterizar os aspectos fisiográficos de Alvorada do Gurguéia, incluindo geologia, relevo, solos, recursos hídricos, clima e vegetação no contexto do ensino de Geografia; Coletar e elaborar micromonólitos representativos dos perfis de solos na Fazenda Experimental Alvorada do Gurguéia - FEAG/UFPI como recursos didáticos; Verificar as características morfológicas dos perfis de solos representativos coletados na área de estudo; Avaliar a efetividade dos micromonólitos enquanto recurso didático (reália), por meio da comparação do desempenho dos discentes em questionários aplicados após a realização de oficinas no ensino superior. Assim, foi feita a descrição de perfis de solos e a amostragem dos mesmos para a pesquisa. Os procedimentos metodológicos incluem pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo na Fazenda Experimental Alvorada do Gurguéia - FEAG/UFPI, na área de MATOPIBA, além da aplicação de oficinas pedagógicas na Universidades Federal do Piauí - UFPI e na Universidade Estadual do Piauí - UESPI, em junho de 2025. Realizou-se registros fotográficos das áreas de coleta e dos momentos de aplicação das oficinas. As atividades envolveram exercícios práticos de coleta e descrição de solos utilizando micromonólitos, aulas expositivas e diálogos sobre Pedologia, além da aplicação de questionários com perguntas estruturadas e semiestruturadas para avaliar as percepções dos discentes sobre o ensino de Geografia. As informações foram apresentadas nos formatos de figuras, quadros, tabelas e gráficos. Os resultados das atividades realizadas em Alvorada do Gurguéia revelaram a influência dos condicionantes físico-naturais na formação de uma paisagem Ecótono entre Cerrado e Caatinga, evidenciada pela diversidade de solos e processos pedogenéticos. A coleta de perfis de solo e a elaboração de micromonólitos facilitaram a compreensão prática dos atributos do solo, enquanto as oficinas na UFPI e UESPI promoveram a conexão entre teoria e prática, engajando os discentes de forma ativa. Os questionários destacaram a importância das aulas práticas e da contextualização local para a formação de uma sensibilização para a conscientização ambiental, enfatizando a necessidade de metodologias participativas. Complementarmente, os resultados das oficinas mostraram um aumento na participação dos sujeitos por meio da diversidade de recursos didáticos, especialmente ao conectar os conteúdos com a realidade local. Isso resultou em um desenvolvimento da consciência ambiental em relação aos recursos naturais abordados, levando também à formulação de sugestões para futuras atividades. Portanto, a pesquisa da dissertação visa expandir o uso de reálias no ensino superior, a qual o estudo destaca a interação de variáveis ambientais da paisagem de Alvorada do Gurguéia, desde fatores como geologia, relevo, solo, recursos hídricos, clima e vegetação que influenciam a dinâmica de suas partes. Embora, o uso de recursos didáticos de amostras da natureza como reália seja limitado entre pesquisadores, as oficinas demonstraram ser um importante processo pedagógico.




    Dissertações/Teses - 2025

    WALLYSON DE SOUSA ALVARENGA ANÁLISE DA VULNERABILIDADE AMBIENTAL DA BACIA DO RIO MARATAOAN, PIAUÍ, BRASIL, SOB A PERSPECTIVA GEOSSISTÊMICA. Data: 22/12/2025

    A bacia hidrográfica constitui um território onde ocorrem diversos fenômenos e processos naturais, além de abrigar inúmeras atividades antrópicas, podendo também conter sítios urbanos de variadas dimensões. Ao se considerar, ainda, a dinâmica do fluxo de energia e matéria que caracteriza esses sistemas, a bacia hidrográfica se releva um território propício aos estudos ambientais, bem como para o planejamento e ordenamento territorial. Desta forma, o presente trabalho tem como objetivo analisar os componentes espaciais presentes na bacia hidrográfica do rio Marataoan (BHRM) e suas inter-relações na formação da paisagem e nas características socioespaciais da área, com vistas à análise da vulnerabilidade ambiental. A metodologia empregada contou como levantamento bibliográfico sobre os temas relacionados à vulnerabilidade ambiental, geossistemas, além de consultas a artigos e manuais que contribuíram para a compreensão da dinâmica de uma bacia hidrográfica em seus aspectos bióticos e abióticos. Também foram realizados levantamentos e produções cartográficas dos componentes ambientais que permitiram a análise de vulnerabilidade ambiental da área de estudo. Além da realização de trabalhos de campo com o objetivo de conferir a precisão dos mapeamentos e produzir registros fotográficos de pontos estratégicos do território da bacia. Como resultados pôde-se constatar, considerando os aspectos abióticos, que a bacia dispõe de um relevo predominantemente plano, com pequenas elevações localizadas nas bordas do alto curso. Há pouca variação nas classes de solo e formações geológicas; regime de chuva bem definido, e com maior volume ao norte da bacia. Apresenta vegetação com aspecto típico do bioma cerrado, como variadas características fisionômicas explicadas pela influência do relevo, solo e geologia. O conhecimento produzindo permitiu a compartimentação da bacia hidrográfica em nove unidades de paisagem resultantes da análise em conjunto dos elementos que a compõe, sintetizando aspectos marcantes da interação biótica e abiótica na composição da área em estudo. Quanto a vulnerabilidade a natural da BHRM, foi constatada que a classe de “baixa” ocupa 8,04% da área de estudo, “média” 26,96%, “alta” 34,35%, e “muito alta” 30,65%. Para a vulnerabilidade ambiental no espaço da bacia foi verificado que há uma distribuição equilibrada das áreas ocupadas pelas as classes de “baixa” (23,38%), “média” (15,15%), “alta” (30,34%) e “muito alta” (31,13%). Os resultados produzidos permitiram constatar uma grande diversidade geográfica presente na bacia do rio Marataoan, expressas através de paisagem variadas e que só puderam ser explicadas através da análise integrada, e servirão de suporte para produção de conhecimentos relevantes para o planejamento e o ordenamento do território.


    ILEANA FERRAZ NUNES LUGAR DE CRIANÇA NO PLANEJAMENTO URBANO: PLANO DE BAIRRO AMIGÁVEL E GUIA DE OFICINAS PARTICIPATIVAS Data: 24/09/2025

    Este trabalho investiga o processo de criação dos Bairros Amigáveis à Primeira Infância (BAPI) como estratégia de planejamento urbano em Teresina-PI, buscando compreender de que forma a cidade pode incorporar princípios da cidade educadora e do urbanismo voltado à infância. O estudo parte da problemática da exclusão das crianças nos processos decisórios e na configuração dos espaços urbanos, evidenciando a necessidade de práticas que assegurem sua inclusão como sujeitos de direito e cidadãos ativos desde os primeiros anos de vida. O objetivo central consistiu em compreender como os BAPI podem orientar políticas públicas e instrumentos de gestão urbana, articulando valores de cidadania, educação e bem-estar infantil ao ordenamento territorial. Os objetivos específicos compreenderam identificar os princípios do planejamento urbano para uma cidade educadora, analisar o desenvolvimento do Plano de BAPI em Teresina e discutir a relevância das diretrizes propostas para a promoção da cidadania infantil. A pesquisa adotou abordagem teórico-metodológica qualitativa, com revisão bibliográfica e documental, análise de experiências nacionais e internacionais e estudo do Plano de BAPI elaborado para Teresina. Os resultados indicam que, embora o plano configure importante avanço ao inserir a primeira infância na pauta do planejamento urbano, ainda se trata de uma construção em estágio inicial, marcada pela necessidade de maior articulação intersetorial, institucionalização das diretrizes e fortalecimento da participação social. A análise revelou que a perspectiva da cidade educadora amplia a compreensão sobre o papel do espaço urbano como promotor de cidadania e desenvolvimento integral, permitindo integrar educação, mobilidade, lazer, saúde e segurança em um projeto de cidade inclusiva. Constatou-se, ainda, que a adaptação do guia prático da Urban95 ao contexto local representa contribuição significativa, ao mesmo tempo em que evidencia desafios relacionados à implementação, monitoramento e continuidade das ações. Conclui-se que a pesquisa reforça a importância da inserção da infância como eixo estruturante no planejamento urbano, contribuindo para o debate acadêmico e para a formulação de políticas públicas que reconheçam as crianças como protagonistas da vida urbana.


    FABÍOLA ALVES FONSECA FOCOS DE QUEIMADA E POLUIÇÃO DO AR EM TERESINA, PIAUÍ. Data: 04/09/2025

    As queimadas em ambientes urbanos representam um processo de urbanização acelerado e desigual com consequência direta sobre a poluição do ar, onde, combinados à  temperatura do ar, direção e velocidade dos ventos, umidade relativa do ar, precipitação pluviométrica e dinâmica urbana, indicarão sua capacidade de interferência na qualidade do ar. Diante do aumento dos registros de focos de queimada para a cidade de Teresina (PI) e da insuficiência de dados relacionados ao monitoramento da qualidade da ar, essa pesquisa propôs como objetivo geral: analisar a interferência do aumento dos focos de queimada na concentração de MP2,5 e as condições para dispersão de poluentes atmosféricos ao longo dos últimos 23 anos, em Teresina (PI). Com base nisso, traçou-se os seguintes objetivos específicos: a) analisar a distribuição espacial e temporal dos focos de queimada no período de 2000 a 2023; b) identificar semelhanças e diferenças com as áreas de concentração de MP2,5, realizando a descrição das características urbanas; e c) avaliar a influência das condições meteorológicas na dispersão de MP2,5 considerando a temperatura do ar, precipitação, umidade relativa do ar e velocidade dos ventos. A pesquisa, baseada em dados secundários extraídos de sites oficiais, se utilizou de imagens de satélites do banco de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE e das coleções do Google Earth Engine – GEE, para distribuição dos focos de queimada e concentrações de MP2,5; e de dados meteorológicos do Banco de Dados Meteorológicos do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET, para avaliação das condições de dispersão. Os resultados obtidos indicaram uma interferência fraca dos focos de queimada na concentração de MP2,5, em função da velocidade dos ventos e da vegetação disponível, que atuaram diluindo e dispersando os poluentes atmosféricos. Assim, a pesquisa contribuiu para o conhecimento da poluição do ar gerada pelos focos de queimadas na cidade de Teresina e sua influência sobre a qualidade do ar.

     

     


    MARIA ANTONIÊTA DE OLIVEIRA COSTA A Educação Ambiental no ensino de Geografia: Construindo Saberes e Práticas com alunos do Ensino Fundamental Data: 30/08/2025

    A Educação Ambiental (EA) apresenta-se como um elemento fundamental na formação cidadã, promovendo o pensamento crítico frente às transformações do mundo contemporâneo. Inserida no contexto a EA permite a integração entre teoria e prática, incentivando a reflexão sobre os impactos do atual modelo econômico e suas implicações socioambientais. Diante da observação das dificuldades e desinteresse da inclusão efetiva de temas ambientais nos diversos componentes do currículo escolar e mais especificamente na Geografia, justifica-se o desenvolvimento desta pesquisa diante da necessidade de se contribuir para desenvolver a consciência ambiental de jovens escolares, visando prepará-los para enfrentar os desafios ecológicos futuros, utilizando-se das problemáticas existentes em seu meio e de metodologias diversas, tornando as aulas mais atrativas e dinâmicas. Neste cenário, a presente pesquisa buscou responder a seguinte questão: os problemas ambientais do espaço de vivência de alunos dos anos finais do ensino fundamental podem ser objeto de um trabalho organizado de EA no ensino de Geografia, considerando aspectos que articulem teoria e prática?  Para responder a esse questionamento, estipulou-se como objetivo geral: analisar problemas ambientais do espaço de vivência de alunos do 9º ano do ensino fundamental à luz de um estudo de Educação Ambiental no ensino de Geografia efetuado por meio da aplicação de um plano de ação de EA no município de São Raimundo Nonato - PI. Nesse sentido, foram definidos os seguintes objetivos específicos: planejar junto com o professor de Geografia, atividades de EA, no município selecionado, utilizando diferentes procedimentos e recursos didáticos; conhecer áreas relevantes para o estudo da Educação Ambiental no município pesquisado a partir dos interesses dos alunos; promover a compreensão do conceito de lugar e paisagem no contexto do espaço pesquisado durante o estudo de EA; e executar ações de EA em áreas previamente escolhidas para o estudo, tendo como base um plano de ação. A pesquisa, de abordagem qualitativa, utiliza procedimentos da etnografia, instrumentos como questionários e o emprego da técnica de análise do conteúdo para análise das experiências documentadas. Participaram do estudo o professor, a coordenadora e alunos do 9º ano da escola pesquisada. Os resultados indicam que a proposta de EA integrada ao ensino de Geografia é eficaz para despertar o interesse dos estudantes e promover o engajamento em ações educativas voltadas para a sustentabilidade ambiental. As atividades realizadas, favoreceram a ressignificação do espaço vivido e estimularam a construção de uma consciência ambiental crítica, donde se conclui que os problemas locais podem ser usados para o trabalho com EA. Portanto, a implementação do plano de ação em EA possibilitou a expansão do conhecimento dos alunos acerca de questões ambientais e estimulou a participação ativa da comunidade escolar na busca de identificação de soluções para tais questões. Considera-se que iniciativas dessa natureza, quando integradas de maneira contínua ao currículo, e articuladas entre diferentes disciplinas, possuem potencial de transformar a relação dos jovens com o ambiente, dotando-os de uma compreensão crítica mais ampla sobre as relações de causalidade envolvidas na problemática ambiental. Assim, o projeto se apresenta como um exemplo viável e replicável para outras instituições que desejem se unir educação, cidadania e sustentabilidade, contribuindo para a formação de uma geração mais crítica, engajada e responsável pela vida do planeta.

    Palavras-chave: Educação Ambiental; Ensino de Geografia; Pesquisa-Ação; Cidadania.

     

     


    FABIANA MOREIRA DOS SANTOS Lagoas urbanas e produção do espaço na zona norte de Teresina/PI: impactos ambientais, transformações territoriais e educação ambiental Data: 28/08/2025

    O estudo foi a uma pesquisa de mestrado vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Geografia - (PPGGEO), da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e investigou a relação entre a produção do espaço urbano e a transformação das lagoas urbanas localizadas na zona norte, situada na área que envolve o Parque Ambiental Lagoas do Norte - (PALN) em Teresina/PI. O estudo teve como objetivo geral realizar uma caracterização socioambiental do Parque Ambiental Lagoas do Norte no período de 2001 a 2020. Os objetivos específicos consistiram em diagnosticar os aspectos fisiográficos da área estudada; analisar o Plano Diretor, o Plano de Drenagem Urbana e o projeto do PALN, com destaque para os impactos socioambientais positivos e negativos para a população residente; investigar as práticas de educação ambiental formal e não informal desenvolvidas no entorno do parque e seu alcance e efetividade; e por fim, propor estratégias e medidas mitigadoras baseadas na educação ambiental crítica para promover o desenvolvimento sustentável das lagoas urbanas e a sensibilização das comunidades locais. Nos procedimentos metodológicos utilizou-se: abordagem qualitativa de natureza exploratória e descritiva, técnicas de coleta e análise dos dados e produção cartográfica. Ao longo desta discussão, constatou-se que o distanciamento entre a teoria contida nas políticas públicas e a prática das ações executadas é um dos principais entraves para a efetiva recuperação e preservação dessas áreas. Assim, os resultados obtidos reforçam a necessidade de uma abordagem integrada, que reconheça as lagoas não apenas como elementos paisagísticos, mas como componentes vitais para o equilíbrio ambiental urbano e para a qualidade de vida das comunidades. Diante das análises realizadas, observa-se que as lagoas urbanas da zona norte de Teresina/PI, sofreram um processo de reconfiguração marcado por intervenções pontuais, descontinuidades das políticas públicas e ausência de planejamento ambiental integrado. As diretrizes institucionais, embora previstas em documentos como o PDOT e o Manual de Drenagem, não se traduziram em ações sistemáticas de preservação ou em práticas de governança ambiental eficaz. Conclui-se que a superação desse modelo excludente depende da construção de um novo paradigma de planejamento urbano. Que seja participativo, ecológico e formativo, em que a educação ambiental ocupe papel central. Essa mudança requer não apenas infraestrutura, mas também a valorização dos ecossistemas e o empoderamento urbano das comunidades. A análise da situação atual revelou que, apesar dos avanços estruturais promovidos pelo projeto, ainda há lacunas na articulação entre a gestão pública e a população local, principalmente no que diz respeito à geração de emprego e renda e à efetiva participação social. Além disso, observou-se a permanência de problemas ambientais, como a poluição das lagoas, o desmatamento ciliar, o acúmulo de resíduos sólidos e a utilização inadequada dos recursos naturais da área. A pesquisa reafirma a importância de compreender o território como espaço de conflito, memória e resistência em que a sustentabilidade não pode ser dissociada da justiça ambiental.

     


    LEANDRO DOS SANTOS OLIVEIRA O ENSINO DE CIDADES PEQUENAS E O USO DA REALIDADE VIRTUAL COM GOOGLE CARDBOARD GLASSES, NO COMPONENTE CURRICULAR GEOGRAFIA Data: 28/08/2025

    As cidades pequenas brasileiras são frequentemente caracterizadas por infraestrutura limitada, papéis urbanos pouco expressivos e carência de serviços essenciais. No entanto, possuem singularidades e dinâmicas próprias que as tornam fundamentais para a compreensão do espaço urbano nacional. Apesar disso, o ensino sobre cidades pequenas na Geografia escolar ainda é marcado por ausências e estigmas, sendo comum a valorização exclusiva das cidades grandes e metrópoles. Nesse cenário, esta pesquisa parte da necessidade de integrar as cidades pequenas ao ensino de Geografia por meio de propostas pedagógicas significativas e que façam uso de ferramentas tecnológicas, tal como a Realidade Virtual (RV), considerada tecnologia multissensorial baseada em sistemas multimídia, capaz de criar ambientes imersivos e interativos que favorecem o aprendizado de conteúdos relativos a cidade, ensinados no componente curricular geografia. A proposta se concretizou através do uso do Google Cardboard Glasses plataforma acessível de RV criada em 2014 que, por meio do uso de smartphones e óculos de papelão, ofereceu experiências imersivas de baixo custo, viáveis mesmo em contextos escolares com infraestrutura limitada e com pouco ou nenhum acesso a internet. Diante disso, a questão norteadora desta pesquisa é: quais são as contribuições didático-pedagógicas do uso da realidade virtual com Google Cardboard Glasses para o ensino de conteúdos geográficos sobre cidades pequenas no 9º ano do ensino fundamental? Com o intuito de responder a essa problemática, o objetivo geral do estudo é analisar as contribuições didático-pedagógicas do uso da RV para o ensino de conteúdos geográficos sobre cidades pequenas. Os objetivos específicos são: (i) conhecer o potencial didático da RV no ensino de Geografia, com ênfase no uso do Google Cardboard Glasses; (ii) identificar os conceitos de cidade e cidade pequena a partir da literatura geográfica; (iii) aplicar uma oficina didática sobre cidades pequenas, articulando o uso da RV aos conteúdos da BNCC e aos princípios do raciocínio geográfico; e (iv) apontar os indícios de aprendizagem observados durante a oficina didática. A pesquisa foi desenvolvida por meio de uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e com delineamento em estudo de caso, envolvendo uma turma com 30 estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental da Unidade Escolar Mariinha Andrade e Silva, localizada na cidade de Nossa Senhora de Nazaré – PI. A oficina foi composta por três etapas: introdução conceitual, confecção colaborativa dos óculos e exploração de vídeos e fotos em 360°, seguida por roda de conversa orientada. as informações foram registrados por meio de observações e diário de campo e analisadas segundo a técnica de Análise de Conteúdo (Bardin, 2011), à luz da teoria histórico-cultural de Vygotsky (2000). Os resultados demonstraram que a RV potencializa o interesse e a participação discente, contribui para a valorização do território vivido e amplia a compreensão das cidades pequenas, promovendo aprendizagens significativas e contextualizadas. A tecnologia, quando mediada pedagogicamente, revelou-se uma ferramenta potente para aproximar o ensino de Geografia da realidade dos estudantes e fortalecer a articulação entre o espaço vivido e os conteúdos escolares.


    VERLANDO MARQUES DA SILVA USO DE HIDROGEL EM SOLOS NA AGRICULTURA URBANA: PESQUISA EXPERIMENTAL EM TERESINA-PI Data: 19/08/2025

    O presente trabalho investiga o uso de hidrogel natural, produzido a partir da goma de mandioca, como tecnologia de retenção hídrica aplicada à agricultura urbana em Teresina-PI, região inserida no semiárido brasileiro. Diante da crescente urbanização e da intensificação da agricultura em espaços intraurbanos, especialmente em hortas comunitárias, como é o caso da Horta Comunitária Dirceu Arcoverde II, torna-se necessário o desenvolvimento de alternativas que otimizem o uso da água e minimizem os impactos ambientais decorrentes da irrigação intensiva. A pesquisa teve como objetivo geral analisar o desenvolvimento agronômico da alface (Lactuca sativa L.), cultivar Elba, cultivada em solos urbanos sob diferentes doses de hidrogel, considerando variações na frequência de irrigação e sob condições de déficit hídrico, visando a avaliação dos efeitos dessas variáveis na eficiência do uso da água e no desempenho da cultura. Os objetivos específicos incluíram: a) verificar o desenvolvimento de mudas de alface em vasos, considerando diferentes quantidades de hidrogel no solo e variações na frequência de irrigação, comparando com o plantio sem hidrogel; b) avaliar a sobrevivência da alface submetida ao déficit hídrico com aplicação de hidrogel comparando aos sistemas tradicionais sem hidrogel e, c) apontar as potencialidades e limitações do uso do hidrogel na agricultura urbana, especificamente nas hortas comunitárias da região Sudeste de Teresina, com foco no cultivo da alface. Na realização dos experimentos foi utilizado o Delineamento Inteiramente Casualizados (DIC) em vasos utilizando solo arenoso coletado na Horta Comunitária Dirceu Arcoverde II, com aplicação de doses de 0 g, 8 g, 16 g e 24 g de hidrogel, submetidas a intervalos de irrigação diária, a cada dois dias e a cada três dias para o primeiro teste. No segundo teste utilizou-se as mesmas quantidades de hidrogel submetendo as plantas ao déficit hídrico. As análises estatísticas foram realizadas por meio de ANOVA, teste de Tukey  e análise de regressão OLS. Os resultados indicaram que, durante o primeiro teste experimental, os tratamentos de hidrogel não apresentaram efeitos significativos sobre o desenvolvimento da alface, no entanto o intervalo de irrigação a cada dois dias foi o mais eficiente. No teste de sobrevivência ao déficit hídrico, a dose de 16 g de hidrogel destacou-se por prolongar significativamente a vida das mudas, enquanto doses superiores não apresentaram ganhos adicionais e indicaram possível excesso de umidade. Conclui-se que o hidrogel natural representa uma alternativa viável para melhorar a eficiência hídrica em solos urbanos de baixa retenção, especialmente em períodos de escassez hídrica. Sua aplicação deve considerar as características edafoclimáticas locais, o manejo adequado da irrigação e as exigências fisiológicas da cultura. A pesquisa reforça a importância de tecnologias sustentáveis no fortalecimento da agricultura urbana e aponta para a necessidade de novos estudos que explorem o uso do hidrogel em diferentes culturas e condições ambientais.


    HUDSON MESQUITA DE SOUSA A CARTOGRAFIA TÁTIL NA ESCOLA REGULAR: MAPEANDO CAMINHOS INCLUSIVOS NO ENSINO DE GEOGRAFIA FÍSICA Data: 30/07/2025

    A Geografia, pela especificidade de seu objeto de estudo (as interações entre sociedade e natureza), está aberta a diferentes linguagens e recursos para motivar o aluno no processo de construção do saber geográfico. Nesse contexto, cabe refletir sobre o potencial das representações cartográficas como instrumentos facilitadores do processo de ensino e de aprendizagem de conteúdos da Geografia Física para o Público–Alvo da Educação Especial (PAEE), especialmente os estudantes com deficiência visual, que enfrentam mais obstáculos na compreensão de conhecimentos geográficos que utilizam representações como instrumento de visualização do espaço geográfico, como por exemplo, interpretar recursos visuais, que são uma parte fundamental do ensino da Geografia em uma perspectiva inclusiva. Diante desse panorama, o estudo buscou responder à seguinte problemática: Até que ponto o uso da Cartografia Tátil no ensino de Geografia Física pode promover a inclusão de estudantes com deficiência visual na escola regular? analisar o uso de modelos táteis no ensino de Geografia Física como estratégia didática de inclusão de alunos com deficiência visual (cegueira ou baixa visão) nos Anos Finais do Ensino Fundamental de escolas da rede pública de Teresina-PI. De modo específico objetivou: a) conhecer a visão de professores e alunos acerca da inclusão de estudantes com deficiência visual na escola regular; b) apreender as percepções de professores(as) e estudantes com deficiência visual da rede pública estadual de Teresina sobre o uso de modelos táteis no ensino de Geografia Física como estratégia didática de inclusão de alunos(as) cegos ou com baixa visão dos Anos Finais do Ensino Fundamental da escola regular; c) caracterizar as práticas docentes desenvolvidas no ensino de Geografia Física para a inclusão de alunos com deficiência visual na escola regular d) identificar os principais desafios enfrentados na escola regular para trabalhar os conteúdos de Geografia Física com estudantes com deficiência visual; e) propor ações de intervenção pedagógica de caráter colaborativo na confecção de produtos táteis como estratégia didática inclusiva de estudantes com deficiência visual na escola regular. O referencial teórico-metodológico foi embasado principalmente nos estudos de Aranha (2006); Diniz (2007); Simielli (1992); Cavalcanti (2013). Jannuzzi (2012); Mazzotta (2005); Vigostki (1997); Castellar (2006); Nascimento (2019); Nogueira (2016); Mercado e Fumes (2017); Bloom (2017); Loch (2008); Gil (2008); Cook (2020); Sampaio, Sampaio e Almeida (2020); Zucherato, Juliasz e Freitas (2012), entre outros. Os dados da pesquisa qualitativa descritiva do tipo estudo de campo foram produzidos em dois Centros Estaduais de Tempo Integral (CETI) localizados na zona urbana de Teresina, no segundo semestre de 2024, por meio de questionário eletrônico (Google Forms) e observação, envolveu quatro colaboradores (2 alunos com deficiência visual e 2 professores de Geografia). Os dados foram analisados com base na técnica da Análise de Conteúdo (AC) de Bardin (2016), a partir de quatro categorias temáticas: Concepções sobre a inclusão de estudantes com deficiência visual na escola regular, Percepções sobre o uso da Cartografia Tátil, Desafios enfrentados no estudo dos conteúdos de Geografia Física e Práticas docentes para a inclusão de alunos com deficiência visual. Os resultados evidenciam que professores e alunos reconhecem a importância da Cartografia Tátil no ensino da Geografia Física de modo a promover a inclusão de estudantes com deficiência visual na escola regular, contudo enfrentam dificuldades no uso de modelos táteis para trabalhar os conteúdos geográficos com estudantes com deficiência visual.


    MARA CRISTINA DE LIRA OLIVEIRA MOVIMENTO PENDULAR ENTRE CIDADES NA RIDE GRANDE TERESINA Data: 19/05/2025

    A mobilidade populacional no Brasil, impulsionada pela aceleração do processo de urbanização, tem ganhado maior visibilidade nos aglomerados urbanos do país. Essa nova configuração urbana dá origem a uma reorganização espacial marcada pelo tempo de permanência do indivíduo fora de sua residência e pelas distâncias agora percorridas, fenômeno conhecido como migração pendular. Essa forma de deslocamento se caracteriza principalmente pelo retorno do indivíduo ao local de origem ao final do dia ou após a conclusão da atividade que motivou sua saída. A intensidade desses movimentos pendulares, especialmente no contexto brasileiro, revela uma dinâmica significativa nas Regiões Metropolitanas (RMs) e nas Regiões Integradas de Desenvolvimento (RIDEs). Nesse sentido, esta pesquisa propõe uma análise dos processos de migração pendular ocorridos nos municípios de Altos e José de Freitas com destino à cidade de Teresina (PI), motivados por interesses educacionais e de trabalho. Busca-se ainda compreender as relações e interações estabelecidas no âmbito da RIDE Grande Teresina, no recorte temporal compreendido entre os anos de 2013 a 2023. Assim, a investigação parte da seguinte indagação: como se configura o processo de migração pendular a partir das cidades de Altos e José de Freitas com destino a Teresina (centralidade da RIDE Grande Teresina), a partir de motivações educacionais e laborais? O objetivo geral da pesquisa é analisar o processo de migração pendular dos referidos municípios com destino à cidade-polo da RIDE, Teresina, a partir dos deslocamentos motivados por trabalho e educação. Trata-se de uma pesquisa de abordagem quali-quantitativa, baseada nos métodos histórico, observacional e comparativo, além de levantamento documental, bibliográfico, de campo e eletrônico. Foram aplicados questionários junto a usuários do transporte público, realizadas entrevistas com representantes das secretarias municipais de administração dos municípios de origem e com comerciantes locais. A discussão teórica fundamenta-se em autores como Bercker (2015), Carvalho (2002), Lima (1997), Gomes (2000) e Cunha (2000). Becker (1997), por exemplo, aponta que as migrações pendulares surgem nas metrópoles em função do trabalho e/ou estudo, assim como os deslocamentos intraurbanos, refletindo mudanças nas relações entre os indivíduos e o espaço urbano. Ao longo do tempo, o avanço do capitalismo tem acentuado ainda mais essas dinâmicas de mobilidade. A presença de uma estrutura administrativa e governamental consolidada em Teresina colabora para reforçar sua centralidade na região, a qual é evidenciada pelos fluxos migratórios, especialmente os pendulares, com destaque para os municípios de Altos e José de Freitas. Conclui-se que a migração pendular oriunda dessas cidades em direção a Teresina é marcada por desafios estruturais, sociais e econômicos que impactam diretamente o cotidiano de trabalhadores e estudantes. Apesar da relevância desses deslocamentos diários para a integração funcional da Região Integrada de Desenvolvimento, os sujeitos envolvidos ainda enfrentam condições adversas.


    OSVALDO LUIS BARBOSA COSTA UNIDADE DE ENSINO POTENCIALMENTE SIGNIFICATIVA: UTILIZANDO MAPAS CONCEITUAIS PARA O ENSINO DOS CONTEÚDOS DE CIDADE NA GEOGRAFIA ESCOLAR Data: 28/02/2025

    O processo de ensino-aprendizagem envolve a seleção de conteúdos, objetivos e   métodos de aprendizagem para desenvolver o aprendizado dos estudantes. A disciplina de Geografia, inserida na área de ciências humanas, busca o desenvolvimento desse processo visando à compreensão do seu objeto de estudo que é o espaço geográfico. Desse modo, a utilização de unidades de ensino potencialmente significativas, definidas como sequências de ensino fundamentadas na Teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel, e tendo como estratégia os mapas conceituais podem representar uma forma vigorosa de promover a aprendizagem significativa de conteúdos geográficos. Ao empregar mapas conceituais, os educadores podem auxiliar os aprendizes a visualizar e organizar conceitos, relações e hierarquias de informações de forma clara e concisa. Isso facilita a compreensão dos conteúdos, permitindo que os estudantes construam conexões entre os diferentes temas abordados em sala de aula. Neste sentido, a presente pesquisa tem como objetivo geral analisar o uso do mapa conceitual para aprendizagem significativa a partir da apreensão do conceito de cidade organizado em uma unidade de ensino potencialmente significativa e voltada para o 9º ano do ensino fundamental na cidade de Altos–PI. Como objetivos específicos destacamos: I) identificar os conhecimentos prévios dos estudantes acerca do conceito de cidade; II) elaborar e aplicar, em conjunto com o professor de Geografia do 9º ano, uma unidade de ensino potencialmente significativa; III) verificar a potencialidade de uso do mapa conceitual como estratégia didática na aplicação da unidade didática potencialmente significativa. Para tanto, buscou-se construir um referencial teórico a partir dos seguintes segmentos: A presença da Geografia Escolar na Educação Básica fundamentando-se nas ideias de Cavalcanti (2008), Castellar (2009), Callai (2000) e BNCC (Brasil, 2018). No segmento que aborda sobre a Aprendizagem Significativa, abordou-se a teoria desenvolvida por David Ausubel (1968), com contribuições de Joseph Novak (1968), intitulada Teoria da Aprendizagem Significativa. No Brasil, consultamos, principalmente, o autor Moreira (2010; 2015); dentre outros. Para o terceiro segmento abordou-se a temática dos mapas conceituais e da unidade de ensino potencialmente significativa, com os teóricos: Novak (2009); Moreira (2010; 2012); Moraes (2017); Sposito (2010) entre outros. O levantamento bibliográfico realizado foi importante para a delimitação do objeto de estudo, bem como o recorte espacial desta pesquisa. Com relação aos procedimentos técnicos de coleta e análise dos dados a pesquisa foi realizada mediante uma abordagem qualitativa, caracterizando-se por uma pesquisa exploratória. Ainda em relação aos objetivos propostos, o presente estudo apresentou caráter descritivo e explicativo. Partindo do que se almejava alcançar, a investigação foi realizada mediante uma pesquisa empírica, com ênfase em uma pesquisa-ação. Nesse trabalho em específico, tratamos da pesquisa ação do tipo pedagógica e crítico colaborativa. Como técnica de coleta de dados, aplicou-se questionário, bem como observações sistemáticas. Os resultados obtidos com o uso da unidade de ensino potencialmente significativa foram bastante promissores. A análise dos dados demonstrou que o uso de mapas conceituais contribuiu significativamente para a organização do conhecimento dos alunos, facilitando a construção de uma visão integrada sobre o conceito de cidade e o desenvolvimento de cidadãos críticos e conscientes de seu papel na sociedade.  Contudo, a pesquisa também revelou alguns desafios como a familiaridade dos alunos com o uso de mapas conceituais que foi um obstáculo inicial, exigindo um tempo considerável de adaptação para que eles compreendessem o propósito e a estrutura dessa ferramenta. Em síntese, esta pesquisa permitiu confirmar a potencialidade do mapa conceitual como estratégia didática eficaz no ensino de conteúdos de Geografia, sobretudo na abordagem de temas complexos como o conceito de cidade. A aplicação prática da unidade de ensino evidenciou que, ao serem instigados a organizar, associar e compreender o conceito de cidade significativamente, os alunos desenvolveram uma visão mais crítica e reflexiva sobre o espaço urbano e suas dinâmicas.


    GUSTAVO GEOVANE MARTINS DA SILVA OS JOGOS DIGITAIS NAS AULAS DE GEOGRAFIA COMO RECURSO DIDÁTICO NÃO CONVENCIONAL NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Data: 24/02/2025

    Em busca de contribuições significativas para o ensino de Geografia, especialmente no que diz respeito à utilização de jogos digitais como recurso didático, esta pesquisa tem como objetivo geral analisar o uso de jogos digitais como recurso didático não convencional para auxiliar na aprendizagem do ensino geográfico, em uma escola pública de teresina-pi, tendo as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) como um meio estratégico para sua viabilidade em sala de aula. Os objetivos específicos são: a) verificar tipos de dispositivos TDICs para a implementação do uso dos jogos digitais como estratégias de ensino nas aulas de Geografia; b) discutir as possíveis aplicabilidades dos jogos digitais no contexto das orientações da BNCC e do uso das TDICs no ensino de conteúdos geográficos; c) apontar diferentes jogos digitais a serem usados no ensino de conteúdos de Geografia ministrados no 7º ano do fundamental na escola básica; d) propor sequências didáticas que versam sobre o uso do recurso didático não convencional jogos digitais com professores e estudantes da escola básica; e) aplicar os jogos digitais selecionados em uma turma do 7º ano do ensino fundamental em uma escola pública de teresina-pi. Visando alcançar os objetivos delineados para este estudo, optou-se por uma abordagem qualitativa, especificamente adotando a metodologia de tipo pesquisa-ação. As etapas foram conduzidas através da coleta de fontes e procedimentos, visando a produção de informações pertinentes ao tema em questão. Inicialmente, a fundamentação teórica está sendo embasada em obras de renomados autores, tais como Morais et al. (2018), Castellar e Vilhena (2010), Vasconcellos (1995), Ramos, Knaul e Rocha (2020), Pelizzari et al. (2002), Santana, Fortes e Porto (2016), Stinghen (2016), Kishimoto (2001), Silva (2011), Fiscarelli (2007), Kenski (2003), Monteiro (2000), Moreira e Masini (1982), Luchese (1999; 2011), dentre outros. Quanto ao referencial teórico-metodológico, são consideradas as contribuições de autores como Marconi e Lakatos (2017), Ludke e André (2013) e Prodanov (2013). Com os autores e participantes da pesquisa foi possível promover discussões aprofundadas sobre as possibilidades e caminhos para a utilização dos jogos digitais no ensino, viabilizados pelo emprego das TDIC e adaptando-se ao contexto da BNCC. O debate enfatizou o potencial desses recursos para favorecer uma aprendizagem significativa, contribuindo para a construção de um ambiente propício ao desenvolvimento do conhecimento.Os jogos digitais são explorados de forma crítica pois propõem ao  estudante realizar uma reflexão acerca do conteúdo ensinado, explorando simulações com base na realidade, e propondo a resolução de problemas, como também a interação em ambientes lúdicos. No entanto, para viabilizar o uso dessa ferramenta didática em sala de aula, foi necessário atender a uma série de critérios que abrangem, desde a organização e planejamento, até a disponibilidade de equipamentos adequados. Destarte, a pesquisa foi desenvolvida com estudantes do 7º ano do ensino fundamental, com a colaboração do(a) professor(a) da turma e da equipe gestora da escola, situada na cidade de Teresina-PI. Constatou-se que os jogos digitais são de grande relevância no processo de ensino e aprendizagem, e que existe a necessidade de se estudar novos recursos educacionais que sejam condizentes às tendências e transformações de uma sociedade moderna, cada vez mais imersa nas tecnologias. Dessa forma, pode-se considerar de suma importância o uso de diferentes linguagens em sala de aula visando uma aprendizagem significativa.


    GABRIEL CUNHA LINHARES FAGUNDES DIAGNÓSTICO GEOECOLÓGICO DA CIDADE DE TERESINA, PIAUÍ: AS PAISAGENS QUE VIVEM OS TERESINENSES Data: 20/02/2025

    A realização deste trabalho parte de buscar responder, sob uma perspectiva geográfica, como são as paisagens da cidade de Teresina, produzindo e reunindo conhecimentos úteis sobre o seu território e capazes de contribuir para o planejamento ambiental. O objetivo geral desta pesquisa é analisar a paisagem da cidade de Teresina sob uma perspectiva geossistêmica, revelando sua diversidade e compreendendo suas principais características geoecológicas. Os objetivos específicos desta pesquisa são: i) caracterizar os componentes geoambientais; ii) identificar e cartografar as unidades de paisagens geoecológicas, estrutura e funcionamento; iii) identificar os estados da paisagem com vista a determinar níveis de estabilidade e de degradação; iv) realizar um diagnóstico com proposições de zoneamento ambiental. Associado aos objetivos, a metodologia da pesquisa utiliza como base os fundamentos do enfoque geossistêmico da Geoecologia das Paisagens. Os resultados do trabalho inferem os levantamentos de dados acerca da estrutura da paisagem: geologia, litologias superficiais, relevo, hidrografia, clima, vegetação, uso e ocupação e aspectos urbanos. As discussões constatam as principais unidades de paisagens representativas da cidade Teresina, a citar: colinas amplas e urbanizadas com vegetação secundária suprimida (50,9%), complexos de morrotes e vales com vegetação secundária resistente (16,2%), planícies urbanas interfluviais com vegetação secundária suprimida (8,0%), planície fluvial do Parnaíba (6,6%), planície fluvial do Poti (5,3%), terras baixas de planícies fluviolacustres do Parnaíba (3,8%), terras baixas de planícies fluviolacustres do Poti (1,6%) e vales urbanos  com mata de galeria (7,6%). O trabalho descreve as principais características composicionais e funcionais de cada unidade de paisagem e oferece um conjunto de produtos cartográficos sobre a área de estudo, dos quais destacam-se: mapa dos tipos de relevo da cidade de Teresina, mapa de unidades de paisagens geoecológicas, perfil geoecológico da paisagem da cidade, mapas de estado e nível de degradação da paisagem, mapa de problemas ambientais e mapa de zoneamento, além de outros mapas básicos da área de estudo. Conforme o mapeamento geomorfológico e as discussões realizadas ao longo da pesquisa, os principais tipos de relevo identificados na área de estudo foram: colinas, morrotes, planície fluvial, planície fluviolacustre, bancos de areia e vales; a partir da cartografia do perfil geoecológico da cidade de Teresina representou-se sua diversidade paisagística e o funcionamento dos principais geofluxos hidrológicos e gravitacionais; o mapa de estado e nível de degradação das paisagens inferiu quais são os geoecossistemas mais críticos da área de estudo atualmente, sendo eles: os sistemas de vales, a planície fluvial e fluviolacustre do Parnaíba e os geoecossistemas associados a colinas da Região Sul e Região Norte da cidade; o mapa de problemas ambientais inferiu os principais processos geoecológicos degradantes da paisagem da cidade de Teresina e seus efeitos ou impactos; e por fim, o mapa de zoneamento sugeriu um modelo de sistema de medidas para a paisagem da cidade de Teresina, discutindo três zonas principais: zona de proteção ambiental; zona de atenção ambiental e zona urbana consolidada, uma das principais proposições realizadas a partir deste mapa, é a sugestão de considerar as APP’s dos riachos urbanos no zoneamento ambiental da cidade, destacando-as, dada a importância da dinâmica natural que estes apresentam e os problemas comumente associados a ocupações de suas áreas.


    ALDA CRISTINA DE ANANIAS ARAUJO EXPLORANDO A CLIMATOLOGIA COM GEOTECNOLOGIAS NO ENSINO DE GEOGRAFIA Data: 07/02/2025

    A pesquisa visa analisar a aplicação das tecnologias digitais nas aulas de geografia, especificamente relacionadas aos conteúdos de clima da Terra. Mais especificamente: I) Verificar nas aulas dos professores de geografia do ensino básico o uso das tecnologias digitais ligadas aos conteúdos de clima da Terra; II) Apresentar sugestões de práticas didático-pedagógicas com os programas Google Earth e Windy para os conteúdos de clima da Terra. Justifica-se a escolha deste tema pelo fato deste poder impulsionar o conhecimento sobre a aplicação das geotecnologias na educação, contribuindo para o desenvolvimento de teorias, modelos e práticas pedagógicas relacionadas a essas tecnologias.  No âmbito da Geografia Escolar, pode fornecer uma base para o planejamento de atividades de ensino relacionadas ao clima através das geotecnologias. Os professores também se beneficiarão ao ter acesso às sugestões de metodologias de ensino centradas na construção do conhecimento pelos alunos, que se tornarão participantes ativos nesse processo. A escolha do estudo do clima como foco de investigação geográfica é justificada pela sua influência sobre todos os outros aspectos físico-naturais do planeta. A escolha dos programas Google Earth e Windy baseou-se em sua facilidade de acesso, gratuidade e na ampla gama de possibilidades exploratórias oferecidas em relação às informações geográficas. Ambos os programas permitiram visualizar e interagir com informações geográficas de maneira dinâmica. Metodologicamente, no trabalho foi empregada a abordagem qualitativa. Como instrumentos de pesquisa, fez-se presente a busca bibliográfica, a qual foi aplicada por meio da leitura de artigos, teses, livros e dissertações mais proeminentes sobre o tema geotecnologias, ensino de Geografia e climatologia. Para a coleta de dados, a técnica utilizada foi a entrevista, que foi realizada para obter informações dos professores entrevistados. As entrevistas com 10 professores de Geografia do Ensino Básico revelaram diversos desafios enfrentados no contexto da docência, especialmente em relação ao uso de tecnologias digitais nas práticas pedagógicas. Embora os professores reconheçam a importância de integrar essas ferramentas nas aulas, enfrentam obstáculos como o tempo limitado destinado à disciplina, a escassez de recursos tecnológicos nas escolas, a falta de suporte institucional para enriquecer as aulas e a pouca formação voltada para o uso eficaz das tecnologias digitais no ensino, entre outros. Com relação as propostas elaboradas com as geotecnologias Google Earth e Windy, o primeiro pode auxiliar no ensino dos temas de Ilhas de Calor, Aquecimento Global e Zonas Climáticas. Já o Windy permitiu explorar questões como o tempo atmosférico, circulação da atmosfera e elementos e fatores climáticos. Contudo, ressaltou-se que essas ferramentas são recursos adicionais e, sozinhas, não garantem o aprendizado completo do componente físico natural clima. Para integrá-las, é importante começar com aulas bem planejadas, usando o livro didático para introduzir os conceitos e, depois, aplicar as geotecnologias como um complemento para reforçar o aprendizado


    JAELSON SILVA LOPES ENTRE CORES E PAISAGENS: A CONTRIBUIÇÃO DA GEODIVERSIDADE E DO GEOPATRIMÔNIO PARA O MUNICÍPIO DE BOQUEIRÃO DO PIAUÍ, BRASIL Data: 07/02/2025

    A discussão em torno das problemáticas ambientais torna-se evidente no decurso do século XX, sob a premente necessidade de abordar práticas tangíveis de enfrentamento à crise ambiental e de propostas em vistas à promoção do desenvolvimento sustentável e proteção da natureza. No entanto, reitera-se que os esforços iniciais, embora consideráveis, priorizaram a proteção da biodiversidade. Foi apenas na década de 1990, em específico, na Conferência de Malvern sobre “Conservação Geológica e Paisagística”, realizada no Reino Unido, em 1993, que emergiram as discussões sobre geodiversidade. Tais discussões assentavam-se na necessidade de debates e produções científicas sobre os elementos abióticos da Terra. Trata-se, portanto, de um termo que tem ganhado força no cenário nacional e internacional, chave essencial para compreender o passado. Nesse sentido, embora o estado do Piauí apresente produções relevantes no cenário regional e nacional, os estudos ainda não abrangem todo o território do estado. Há a ausência, também, de trabalhos que busquem relacionar as discussões sobre geodiversidade e geopatrimônio ao contexto da educação formal e informal (geoeducação), geodiversidade e cultura (geocutura) geodiversidade e turismo (geoturismo) e, mais ainda, a divulgação e popularização da geodiversidade a públicos diversos. Posto isso, tem-se a seguinte questão: “Como a geodiversidade e o geopatrimônio podem contribuir para a promoção da geoconservação, geoturismo e geoeducação no município de Boqueirão do Piauí, Brasil?” Para tanto, no sentido de preencher a lacuna evidenciada, o objetivo precípuo deste projeto é de analisar o potencial da geodiversidade e do geopatrimônio de Boqueirão do Piauí, tendo em vista subsidiar a geoconservação e a geoeducação. Para isso, realizou-se levantamento bibliográfico, coleta de dados secundários, tais como: documentos e relatórios técnicos em órgãos oficiais, seguidos de: i) pré-inventário, composto pelas etapas de definição da área de estudo e campos preliminares realizados nos dias 25 de agosto, 2 de setembro, 8 de novembro, 7 de dezembro e 20 de dezembro de 2023, efetivado em parceria com moradores locais conhecedores da região; ii) inventário dos Locais de Interesse da Geodiversidade; iii) avaliação dos Locais de Interesse da Geodiversidade: realização da avaliação qualitativa (Araújo et al. 2024); iv) avaliação quantitativa dos Locais de Interesse da Geodiversidade inventariados (GEOSSIT - Serviço Geológico do Brasil e método de avaliação geoeducacional - GEOAM); v) valorização e divulgação dos geossítios: etapa que contempla a seleção dos geossítios a serem valorizados/divulgados, o planejamento e a efetivação de ações de conservação e popularização do geopatrimônio. A partir dos resultados, aponta-se a relação da população boqueirãoense com os elementos abióticos, em particular com o rio Longá e riacho Fundo. Por conseguinte, a partir inventário realizado, foi possível identificar 12 Locais de Interesse da Geodiversidade, sendo eles: Barragens do Longá, Complexo Riacho Fundo 1 (Afloramentos do Riacho Fundo e Queda D’água do Riacho Fundo), Complexo Longá 1 (Pedra do Urubu e Paredões do Longá), Pedra da Passagem, Piscinas Naturais 1, Cânion do Funil, Pedra Arco do Triunfo, Cânion Quebra Vara, Piscinas Naturais 2, Ponte de Pedras Balsas do Longá, Mini Cânion Balsas do Longá, Complexo Riacho Fundo 2 (Pilões de Pedra e Passagem Velha). Tais locais, posteriormente foram submetidos à avaliação quantitativa, que, para a metodologia do GEOSSIT, resultou na inferência de três geossítios, a saber: Barragens do Longá, Cânion do Funil e Cânion Quebra Vara e oito sítios da geodiversidade de relevância nacional, a citar: Complexo Riacho Fundo 1, Complexo Longá 1, Pedra da Passagem, Piscinas Naturais 1, Piscinas Naturais 2, Ponte de Pedra Balsas do Longá, Mini Cânion Balsas do Longá e complexo Riacho Fundo 2 e apenas um sítio da geodiversidade com relevância regional/local - Pedra Arco do Triunfo. A partir da aplicação da metodologia GEOAM, inferiu-se que todos os locais apresentam baixa potencialidade para atividades educativas, sobretudo, pelo fato de os critérios considerarem aspectos relacionados à infraestrutura, instalações para visitantes, manutenção do local, segurança e proteção, disponibilidade de pessoal capacitado, articulação entre atividades ambientais e culturais, envolvimento das comunidades locais e ausência de gestão dos geossítios. Assim, no intuito de promover e difundir o geopatrimônio boqueirãoense, foi desenvolvido uma rota geoeducativa e elaborado uma cartilha informativa e de divulgação do geopatrimônio. À vista disso, considera-se que esta pesquisa é o ponta pé inicial para o incentivo à valorização, conservação e promoção do geopatrimônio de Boqueirão do Piauí, considerando os valores apresentados e o potencial para o desenvolvimento econômico sob perspectivas sustentáveis. Dessa forma, salienta-se que ações conjuntas e esforços entre universidades, comunidade local e gestão municipal é fundamental para a gestão e efetivação de práticas que considerem a realidade do município e que possibilitem a integração dos componentes abióticos, bióticos e culturais. Por conseguinte, entende-se que, embora não seja uma tarefa simples, a sua concretização poderá oportunizar notáveis retornos ao município e à comunidade boqueirãoense


    MARIA DA PAZ DA CRUZ VITORIO DE OLIVEIRA ESTRATÉGIAS DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA ABIÓTICA APLICADAS AO PATRIMÔNIO NATURAL DOS MUNICÍPIOS DE ALTO LONGÁ E BENEDITINOS, PIAUÍ, BRASIL Data: 07/02/2025

    O componente abiótico é constituído pelos recursos geológicos, geomorfológicos, hidrológicos, pedológicos, além das paisagens, dos processos e fenômenos associados, onde por meio destes temos a sustentação de toda forma de vida. Esses elementos constituem a diversidade abiótica e/ou geodiversidade. O Estado do Piauí caracteriza-se pelos seus aspectos ambientais diversos, conferindo a esse Estado uma diversidade biótica e abiótica diferenciada. Mesmo diante da riqueza de recursos vivos e não-vivos, estudos relativos à geodiversidade embora existentes ainda são escassos no Piauí, comparados aos pertencentes a biodiversidade e, mesmo, a sua presença significativa na pauta de discussões ambientais da atualidade. Desse modo, esses fatos bem como a pequena divulgação e conhecimento social quanto a importância da geodiversidade no cenário piauiense justificam a realização da presente pesquisa. Com o objetivo de divulgar e valorizar a geodiversidade e o geopatrimônio piauiense destacamos como área de estudo os municípios de Alto Longá e Beneditinos – Piauí, pertencentes respectivamente às microrregiões de Campo Maior e de Teresina. Diante disso, o objetivo geral dessa pesquisa é analisar a geodiversidade dos municípios de Alto Longá e Beneditinos – Piauí, como instrumento de apoio a conservação da natureza abiótica e a implantação de atividades geoeducativas e de geoturismo. Em vista de maior aprofundamento da pesquisa e alcance do objetivo geral, foram traçados os seguintes objetivos específicos: A) Inventariar e quantificar os Locais de Interesse da Geodiversidade (LIG’s) dos municípios de Alto Longá e Beneditinos – Piauí; B) Elaborar rotas geoeducativas e geoturística considerando o geopatrimônio inventariado de valor superlativo, bem como as condições de acesso; e C) Confeccionar e propor uma cartilha educativa/informativa direcionada aos alunos do 6º ano do ensino fundamental das escolas da área de estudo como estratégia de valorização e divulgação do geopatrimônio avaliado dos municípios de Alto Longá e Beneditinos – Piauí. Nesse ínterim, o presente trabalho reúne como procedimentos metodológicos: A) Revisão bibliográfica e documental; B) Técnicas de Geoprocessamento; C) Inventariação segundo metodologia adaptada de Araújo et al. (2024); D) Quantificação conforme Plataforma GEOSSIT, E) Análise de dados e F) Elaboração e proposição de estratégias de valorização e divulgação do geopatrimônio analisado. Foram inventariados e quantificados 23 sítios geológicos (geossítios - G e Sítios da Geodiversidade – SG), dos quais foram selecionados 9 geossítios e  6 Sítios da Geodiversidade para promoção e divulgação, considerando seus valores científico, educativo, turístico e condições de acesso, nomeadamente: Geossítio Complexo Açude Taboquinha, Geossítio Morro do Miranda, SG Morro do Mirante, Geossítio Toca do Ladino, Geossítio Cachoeira da Graciosa, Geossítio Cachoeira do Curralinhos, Geossítio Complexo Olho d’água São Benedito e Geossítio Cânion do Riachão (Beneditinos); Geossítio Cachoeira da Campeira, Geossítio Nascentes do Rio Longá, SG Nascentes do Rio Gameleira, SG Complexo Morros do Longá, SG Morro do Zumbi, SG Cachoeira do Pico e SG Riacho Frei Pedro (Alto Longá). No intuito de promover a valorização e divulgação desses sítios, foram elaborados produtos, sendo eles: duas rotas geoeducativas, uma rota geoturística e ainda uma cartilha informativa. A avaliação revelou a importância dos geossítios e SG nos sentidos científico, cultural, educativo e turístico, logo destacando seus potenciais científico, didático e turístico. De modo eficiente e constante, espera-se que a aplicação das proposições possa contribuir para o crescimento econômico sustentável das comunidades do em torno dos locais inventariados, por meio do geoturismo, assim como colaborar para o entendimento por parte da sociedade acerca do papel social da geodiversidade e consequentemente sua conservação, com as práticas de geoeducação.


    MARCOS GOMES DE SOUSA Tecnologias na educação básica de Teresina/PI: desafios do ensino de Geografia em uma escola pública na pós-pandemia da Covid-19 Data: 06/02/2025

    Esta dissertação analisou os desafios e as possibilidades do uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) no ensino de Geografia em uma escola pública de Teresina/PI, durante a pandemia e no período pós-pandemia da COVID-19. Embora as ferramentas digitais tenham se apresentado como aliadas importantes para a comunidade escolar, a dependência delas revela uma ressignificação complexa do uso das TDIC na Educação Básica durante a pandemia como a efetividade e a qualidade do aprendizado em um cenário tão abruptamente alterado. A escolha do tema desta pesquisa está intrinsecamente ligada às experiências vivenciadas pelo pesquisador como residente no Programa Residência Pedagógica (PRP) da Universidade Federal do Piauí (UFPI) no CETI Governador Dirceu Mendes Arcoverde, durante a pandemia de COVID-19. Propôs-se uma reflexão crítica em função das inquietações: I) Como se desenvolveram as aulas de Geografia no Colégio da Polícia Militar do Piauí durante e pós a pandemia de COVID-19?; II) Quais Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) foram utilizadas pelos professores de Geografia nas modalidades de Ensino Remoto Emergencial (ERE) e Ensino Híbrido (EH)?; e III) Quais foram os desafios enfrentados nas aulas de Geografia durante e após a pandemia de COVID-19 sob a perspectiva da prática docente?. Este estudo procurou compreender as repercussões das tecnologias no ensino de Geografia nas escolas públicas durante e após a pandemia de COVID-19, e contribuir para reflexões que possam aprimorar o processo de mediação nas aulas. Os objetivos específicos consistiram em: a) discutir a formação docente em relação à integração das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) no ensino de Geografia na Educação Básica; b) descrever as políticas públicas educacionais relacionadas às tecnologias e suas influências na prática docente de Geografia; e c) identificar os desafios enfrentados por professores e alunos na utilização de tecnologias na rede estadual de ensino durante e após a pandemia, com foco nas aulas de Geografia em Teresina/PI. A metodologia constou de levantamentos bibliográficos e documentais e atividade de campo na escola. As obras lidas foram Almeida (2009), Almeida (2008), Bastos (2022), Callai (2011), Cavalcanti (2012), Coscarelli (2017), Levy (1999), entre outros. A pesquisa apresentou uma abordagem quanti-qualitativa quanto ao uso das TDIC no ensino de Geografia. Como resultado observou-se que os professores retomaram as práticas pedagógicas que já dominavam antes da pandemia, com pouco emprego das TDIC. Esse cenário estava relacionado ao fato de haver pouca integração das tecnologias digitais nos currículos, mesmo com toda ressignificação durante a pandemia. De acordo com os Professores, dentre as ferramentas utilizadas destacaram-se o Google Classroom para a organização dos materiais didáticos dos alunos, mapas interativos, questionários automatizados via Google Forms e aulas complementares com vídeos extraídos do Youtube. Essa integração permitiu aos docentes planejar de forma mais eficiente tanto os materiais didáticos quanto os registros avaliativos. Concluiu-se que mesmo com a intensificação do uso de tecnologias digitais devido à COVID-19, os professores passaram a utilizar poucos recursos digitais nas aulas de Geografia após o fim da pandemia.


    KELLY PEREIRA RODRIGUES DOS SANTOS DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA E ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DA HANSENÍASE NO MUNICÍPIO DE CAXIAS, ESTADO DO MARANHÃO Data: 30/01/2025

    A hanseníase, também conhecida como lepra, é uma doença crônica infectocontagiosa de evolução lenta causada pelo Mycobacterium leprae, afeta principalmente a pele, nervos periféricos e mucosas, sendo classificada em quatro formas clínicas: Indeterminada, Tuberculoide, Dimorfa e Virchowiana. Por ser uma das doenças tropicais mais negligenciadas que tem um grande risco de gerar deformidades e incapacidades físicas permanentes, assim trazendo muito prejuízo na qualidade de vida dos acometidos pela doença, é considerada um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. De acordo com os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação - SINAN do Ministério da Saúde - MS no estado do Maranhão a taxa de detecção de casos novos de hanseníase com grau 2 de incapacidade física foi de 35,2 casos/1 milhão de habitantes em 2011 e de 15,7/1 milhão de habitantes em 2020, com tendência da detecção de casos novos no estado considerada estacionária. O município de Caxias, localizado na região leste maranhense, é considerada uma das principais cidades do estado com o maior número de casos novos notificados da doença. Neste contexto, o estudo objetivou analisar a distribuição geográfica e os aspectos epidemiológicos da hanseníase no município de Caxias/MA no período de 2012 e 2022. Este estudo caracteriza-se pela realização de uma investigação ecológica e descritivo, com dados extraídos do SINAN, Coordenação de Vigilância Epidemiológica Municipal e bases cartográficas do mapa cadastral da cidade para elaboração de mapas e análise dos dados, utilizando Sistema de Informação Geográfica – SIG com o software Qgis. Nesse recorte temporal foram registrados um total 1.285 casos, destes 87,90% correspondem a forma de entrada com predominância de casos novos, 55,20% correspondem ao sexo masculino, 66,70% se autodeclaram pardos, 20,70% com Ensino Fundamental incompleto e 88,80% residem em áreas urbanas. Na análise de regressão multinomial, ser do sexo masculino, raça parta e preta têm uma maior probabilidade de serem classificados com a doença, e residir na zona rural têm uma probabilidade significativamente maior de serem identificados como "Não classificado”. Nos aspectos geográficos destacou que, a expansão urbana do municipio contribui na disseminação da doença para diversas zonas devido ao movimento migratório, gerando novas áreas endêmicas devido a urbanização desordenada, com população de baixa renda e aglomerada em  casebres suscetíveis, principalmente em áreas de encostas com retirada de cobertura vegetal e presença de lixo, tornando-se áreas de vulnerabilidade para o desenvolvimento e permanência da hanseníase no espaço geográfico. Conclui-se que a concentração desses casos foi na zona urbana de forma heterogênea, bairros com aspectos históricos da doença localizados próximo as encostas do Morro do Alecrim e às margens do rio Itapecuru, assim como bairros recém ocupados na periferia da cidade decorrente da expansão urbana. O uso de um Sistema de Informação Geográfica – SIG com elaboração de mapas, serviu de base para a direcionamento de campanhas para diagnóstico e controle dos casos, especialmente para áreas endêmicas, objetivando contribuir com o plano de Estratégia Nacional para o Enfrentamento da Hanseníase no município através de ações de controle, fator importante para a redução de custos nos serviços de saúde.


    ADRIANA OLIVEIRA SILVA FLORESTA PETRIFICADA DE ALTOS (PI): AVALIAÇÃO E PROPOSTA DE VALORIZAÇÃO E DIVULGAÇÃO DO GEOPATRIMÔNIO Data: 27/01/2025

    Os estudos sobre geodiversidade são desenvolvidos com o objetivo de enfatizar a importância e a conservação dos seus elementos, o que se manifesta através de diversas estratégias geoconservacionistas, começando pela inventariação e a quantificação. Entre os elementos da geodiversidade, incluem-se as florestas petrificadas, que são vestígios que permitem a reconstituição de paleoambientes, constituindo testemunho da história e das evoluções ocorridas no Planeta ao longo do tempo. As florestas petrificadas têm sido estudadas e, comumente, convertidas em áreas protegidas, o que demonstra a importância e preocupação com sua relevância como patrimônios. Ao contrário de outros locais do mundo, a Floresta Petrificada de Altos (PI), ainda se encontra sem proteção legal e reconhecimento como um Geopatrimônio, estando assim, exposta à degradação e interferências que podem ocasionar perdas irreparáveis, tanto pela dinâmica natural do ambiente, como por interferências antrópicas. Esta ausência de medidas legais de proteção contrasta com uma rica diversidade de elementos da geodiversidade, e potenciais que precisam ser desenvolvidos a partir de estratégias geoconservacionistas. Desta forma, o objetivo geral da pesquisa visa avaliar a Floresta Petrificada de Altos, Piauí, com foco no desenvolvimento de políticas e propostas de valorização e divulgação do geopatrimônio. Quanto aos específicos, objetiva-se: selecionar “PaleoPontos” na Floresta Petrificada de Altos (PI); realizar avaliação qualiquantitativa para fins científicos, educativos, turísticos e de gestão dos “PaleoPontos”; identificar quais estratégias geoconservacionistas podem ser desenvolvidas na Floresta Petrificada de Altos (PI) considerando a realidade local; apresentar ações para o reconhecimento e estruturação da área, e atividades voltadas para a sociedade, com foco no contexto escolar do município e na comunidade local. A presente pesquisa é de cunho qualitativo e quantitativo, classificando-se como descritiva, exploratória e explicativa. Para alcançar os objetivos realizou-se pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e pesquisa de campo, tendo como complemento o estudo cartográfico da área, de modo a auxíliar na compreensão do contexto e produção dos mapas temáticos. Para a inventariação e quantificação do geossítio, adotou-se como metodologia a proposta do GEOSSIT, da CPRM. A seleção dos “PaleoPontos” se deu por meio da definição de critérios relativos aos potenciais científico, educativo, turístico e uso/gestão da área, que podem ser trabalhados junto à sociedade com foco na geoconservação. Os resultados alcançados demontram que a área possui significativo potencial científico, educativo e turístico, assim, o Geossítio Floresta Petrificada de Altos se configura como um geossítio de relevância nacional. Entre as propostas para valorização e divulgação, sugere-se placas informativas para cada um dos PaleoPontos selecionados como representativos do Geossítio, produção de geoprodutos e souvenirs, um georroteiro como recurso a ser utilizado em visitas e atividades de campo e a criação de uma página no Instagram.