• UFPI

  • COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA DO BRASIL/CCHL

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

  • EM HISTÓRIA DO BRASIL






  • Dissertações/Teses - 2026

    MARIA MANUELA DE SOUSA ROCHA A CRUZ ENTRE A JUSTIÇA E A MISERICÓRDIA: ANÁLISE DOS PROCESSOS INQUISITORIAIS DO FREI ALBERTO DE S. THOMAZ E JOSÉ MARTINS, NA BAHIA SETECENTISTA Data: 09/10/2026

    O cerne deste trabalho encontra-se na averiguação de dois processos da Inquisição Portuguesa, dirigidos aos réus: Frei Alberto de Santo Thomaz (1713), e ao preto livre José Martins (1745-1756), ambas as documentações disponíveis de maneira online na ANTT – Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Além disso, utiliza-se, de maneira secundária, das Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia (1707), acessível no site do Senado Federal, bem como o Regimento do Santo Ofício (1640). Enveredando pelas páginas dessa documentação a fim de perceber o desenrolar dos dois processos investigados, que possuem como ponto de partida as práticas religiosas exercidas, no contexto da Bahia setecentista, por onde vagavam portando e/ou movimentando bolsas de mandinga. De modo que, propõe-se observar mediante a micro-história o desenrolar de suas narrativas, compreendendo a construção de culpa e inocência desses sujeitos. Com esse intuito, percorre-se as diversas singularidades dos processos, entre narrativas de denúncia e confissões. Além de observar o hibridismo religioso que atravessa esses casos, expressado nos diferentes graus de catolicismos que coabitam com as bolsas. Ao ponderar sobre os processos, considera-se a premissa do lugar social de cada réu, a narrativa dos atos cometidos, o interesse e a interpretação cristã que guia todas as alegações dos processos. De forma que, culmina na classificação desses sujeitos com distintas acusações: crendice e superstição ao Frei Alberto de S. Thomaz, e ao liberto José Martins, os crimes de sacrilégio e feitiçaria, acarretando respectivamente na constatação de inocência a um e na condenação ao outro. Para refletir sobre a temática, recorre-se a autores como Serge Gruzinski (2003), Stuart B Schwartz (2009), Carlo Ginzburg (1991), Michel de Certeau (1994), Luiz Mott (2010), Vanicléia Silva Santos (2008), dentre outros. Buscando assim, realizar um estudo reflexivo à contrapelo das determinações inquisitoriais para compreender a teia de crenças que constituem as identidades religiosas dos réus, bem como, identificar o aparato discursivo que molda suas acusações e o próprio emaranhado inquisitorial que determina suas sentenças.


    MARIO DE SOUSA OLIVEIRA UM FILHO DA GENTRIFICAÇÃO: O PROCESSO DE MODERNIZAÇÃO AUTORITÁRIA NO CONJUNTO HABITACIONAL DIRCEU ARCOVERDE (TERESINA, 1976-1983) Data: 29/08/2026

    A presente pesquisa estuda o Conjunto Habitacional Dirceu Arcoverde, entre os anos de 1976 e 1983, como produto do deslocamento forçado de moradores pobres das áreas centrais e nobres de Teresina. Por meio de uma analise documental e hemerografica, buscamos compreender o processo de Modernização autoritária no bairro, analisando a maneira como o Estado, a imprensa e o capital privado atuaram na remoção e na fixação periférica das famílias e das estratégias de legitimação de um processo de genteificação empregadas durante a ditadura civil-militar. Para apoio bibliográfico, podem ser destacados os escritos acerca da cidade e da segregação socioespacial em David Harvey (1980), Ermínia Maricato (2012) e Raquel Rolnik (2015); a análise do discurso em Patrick Charaudeau (2010 e 2016), que trabalhamos a partir de dentro do discurso, e a sociologia dos campos em Pierre Bourdieu (1981), que trabalhamos a partir de fora, examinando as condições sociais de produção da opinião pública; Robert Darnton (1990), Renèe Zicman (1985) e Heloísa Cruz e Maria Peixoto (2007) para as discussões sobre o uso de jornais como fontes. Os estudos que pesquisam Teresina, como Alcides Nascimento (2010), Antonio Façanha 2003), Claudia Fontineles (2009), e mais especificamente os estudos em que se discute a formação do Conjunto Habitacional Dirceu Arcoverde, por meio dos escritos de Cláudia Fontineles e Marcelo de Sousa Neto (2017), Elisnauro Barros (2012), Mário Oliveira (2022) e Mariane Silva (2013). Partimos do entendimento de que as transformações nesse território não foram fruto apenas de melhorias específicas na infraestrutura ou de ações isoladas, mas de um conjunto articulado de intervenções estatais, discursivas e privadas que remodelaram o espaço urbano na cidade. Portanto a produção desse espaço em Teresina nas décadas de 1970 e 1980 não foi um processo caótico, resultante de omissões ou falhas administrativas; foi um processo deliberado, conduzido por agentes do Estado e privados que tinham clareza sobre quais populações deveriam ocupar quais territórios, e que utilizaram instrumentos variados, desde os planos diretores e as políticas habitacionais até os discursos inaugurais e a propaganda das construtoras, para garantir que essa divisão se consolidasse. O Conjunto Habitacional Dirceu Arcoverde não foi construído apesar da segregação, foi construído para ela.


    GUSTAVO CLEON MARQUES NASCIMENTO NOS TRAÇOS SENSÍVEIS DA PAISAGEM E DA ESCRITA: FRANCISCO DE ASSIS IGLÉSIAS, AS VIAGENS CIENTÍFICAS E CIDADES PIAUIENSES, NO INÍCIO DO SÉCULO XX Data: 20/08/2026

    Esta dissertação analisa a atuação intelectual de Francisco de Assis Iglésias, discutindo como o autor se insere no panorama das expedições científicas e dos memorialistas que, entre 1910 e 1938, percorreram o sertão brasileiro e representaram as paisagens piauienses. Entre esses viajantes, destacam-se Euclides da Cunha (1902), Arthur Neiva e Belisário Penna (1916), Agenor Miranda (1941), Paulo Thedim Barreto (1937) e Luiz Saia (1937), situando Iglésias nesse conjunto de intelectuais que atuaram nas primeiras décadas do século XX. Dessa forma, alguns objetivos específicos são pertinentes para a pesquisa, como: discutir os traços autobiográficos e memorialísticos do autor em suas obras, tecendo os (des)encontros entre literatura e história; refletir sobre as interconexões entre o tecido urbano, o espaço rural e a relação com a saúde; problematizar questões culturais de estranhamentos e preservadas pelos intelectuais. Metodologicamente, adota-se uma abordagem analítico-interpretativa, centrada na trajetória de Iglésias como cientista memorialista e viajante do Meio Norte. Para tanto, são analisadas diversas produções do autor, como Caatingas e Chapadões e Memórias de um agrônomo, suas colaborações na Revista Florestal, bem como fontes oficiais enviadas à Câmara Legislativa, como as mensagens de Miguel de Paiva Rosa e Eurípedes Clementino de Aguiar. Ademais, a pesquisa incentiva uma perspectiva relacional entre Iglésias e outros viajantes e cientistas memorialistas da mesma época, como Spix & Martius, Arthur Neiva, Belisário Penna e Paul Walle, com o objetivo de destacar as particularidades de seu olhar e sua contribuição para o movimento memorialista no sertão. A pesquisa é fundamentada por um diálogo com autores dos campos da História, Literatura e Memória, como Jacques Le Goff (2014), Hannah Arendt (2010), Marc Bloch (1997), Pierre Nora (1993), Pierre Bourdieu (2006), Peter Burke (1992), Giovanni Levi (2006), Raymond Williams (1989), Ítalo Calvino (2003), Maurice Blanchot (2011), Durval Muniz (2018), Roger Chartier (2009) e Michel de Certeau (2011). Paralelamente, privilegia leituras historiográficas sobre Iglésias e o sertão, destacando os trabalhos de Filipe Oliveira da Silva (2016), Pedro Pio Fontineles Filho (2023), Joseanne Marinho (2019), Gustavo Cleon (2022), Sandra Pesavento (2007), Danielle Filgueiras (2018), Lejeune (2015), Marcos Bagno (1999), Carlos Dória (2015) e Marina Lages (2016), cuja pesquisa sobre literatura de viagem no Piauí amplia o entendimento da produção memorialística do período. Além dos relatos mencionados anteriormente, são considerados os diários de viagem de Spix & Martius (1823), George Gardner (1846) e Gustavo Dodt (1912), que oferecem descrições técnicas das paisagens urbanas de cidades piauienses como Teresina, Parnaíba, Uruçuí e Floriano. Os resultados parciais indicam que o engenheiro agrônomo fazia parte de um grande movimento civilizatório, no qual instituições financiavam a vinda desses intelectuais para mapear, civilizar e “docilizar” o Meio-Norte brasileiro. Sua trajetória preserva a memória desses cenários percorridos com subjetividade, constituindo objeto rico para a História, com uma narrativa romanceada que transcende o teor técnico e guia os caminhos para localizá-lo em meio às representações memorialistas vivenciadas pelos viajantes na Primeira República brasileira.


    ANA KAROLINE DE FREITAS NERY A EXPERIÊNCIA FARMACÊUTICA NO PIAUÍ ( 1860-1953) Data: 08/05/2026

    Este trabalho aborda a atuação de farmacêuticos frente à instalação de farmácias e laboratórios, na produção e venda de medicamentos, no Piauí, entre as décadas de 1860 – 1953. Destaca-se como esses profissionais se estabeleceram no mercado da cura, através de uma formação científica e expandiram a sua atuação, para além da prática dos boticários e das boticas. Apontam-se a concentração de farmácias e o exercício de farmacêuticos, a partir de 1860 e a ampliação adquirida ao longo da primeira metade do século XX, considerando a relação com a sociedade através da oferta, produção, venda de medicamentos e cuidados aos doentes. Reflete-se, sobre as alianças e disputas entre farmacêuticos e outros praticantes de cura. Destaca-se ainda, o exercício farmacêutico no Piauí, através da incorporação de uma produção em caráter laboratorial farmacêutico, que se fez presente, desde fins do século XIX, através da atividade de um piauiense frente ao Laboratório Flora Brasileira, no Rio de Janeiro, aplicando os saberes e os insumos da flora medicinal do Piauí em seus preparados e vendendo-os no Brasil e no exterior. Assim como, através das produções do Laboratório Farmacêutico Sobral, instalado no sul do estado, na primeira metade do século XX, que expandiu a manipulação e venda de remédios iniciada na farmácia Sobral. Para desenvolver este trabalho, o corpus documental foi constituído de uma variedade de fontes: Jornais, Almanaques, Códices de Saúde, Mensagens e Relatórios de governo, Atas, Relatórios e Livros de Receituário, Livros de Fórmulas de Medicamentos, Livros de Conferências e Regulamentos Farmacêuticos, Livro de Manual Prático de Farmácia, Livros de Memórias e Biografias, Diplomas farmacêuticos e Fotografias.


    JOSÉ DE ARIMATEA ISAIAS FERREIRA ENTRE A ESTAGNAÇÃO E O PROGRESSO: O IMAGINÁRIO DO DESENVOLVIMENTO A PARTIR DA IMPLANTAÇÃO DE PROJETOS FERROVIÁRIOS NO NORTE DO PIAUÍ, NO INÍCIO DO SÉCULO XX (1910-1940) Data: 30/04/2026

    Os projetos ferroviários no interior do Piauí foram fatores determinantes para o surgimento de um imaginário progressista de desenvolvimento econômico, urbano e social na região de Piripiri-Pi, no início do século XX. Neste cenário foi possível perceber como discursos com ideais de progresso, principalmente governamentais, foram recebidos e absorvidos nos centros urbanos do norte piauiense. Assim, esse trabalho tem como objetivo geral analisar como a promessa da construção de um sistema de transportes ferroviários, coordenados pelo governo federal, influenciou na formação de um imaginário desenvolvimentista no interior do estado, a partir do anúncio de suas obras. Para construção desta pesquisa foi de suma importância a análise dos discursos governamentais acerca dos benefícios das ferrovias, da simbologia modernista atrelada ao trem e da percepção dos projetos ferroviários piauienses dentro de um contexto nacional, com suas dificuldades e atrasos. Por fim, a relação entre expectativas criadas e resultados alcançados dentro de um espaço temporal que compreende a delimitação deste estudo, compreendido entre a década de 1910, quando os projetos ferroviários piauienses se tornam ações concretas e a década de 1940, quando os trabalhos de implantação de trilhos são paralisados após sua chegada à cidade de Piripiri. Para tanto, o estudo recorreu predominantemente à utilização das formulações desenvolvidas sobre história, cidade e modernização nas obras de Antônio Paulo Rezende (1993), Maria Stela Bresciani (2009), Francisco Hardman (2005), Alcides Nascimento (2015), Cláudia Fontineles (2015), sobre transportes e ferrovias nas obras de Márcio Silveira (2007), Dilma Paula (2000), Ana Lúcia Lanna (1996), Josemir Melo (2008) e Douglas Tenório (1996). Na construção do contexto piauiense recorremos a R.N. Santana (1995), Teresina Queiroz (2006), Felipe Mendes (2003) entre outros. Contribuíram como suporte de pesquisa: mensagens governamentais, jornais, atas, decretos, telegramas, mapas, relatórios, fotografias, almanaque, relatórios e demais documentos consultados nos acervos do Arquivo Público do Piauí, da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional e do Ministério dos Transportes. A sociedade piripiriense, assim como outros municípios do norte piauiense, criou expectativas em relação à chegada da ferrovia em seu território, almejando uma modernização que viria nos trilhos.

     

     


    NATÁLIA MARIA DA CONCEIÇÃO OLIVEIRA Entre a disciplina e a pastoral: seminários interdiocesanos e formação presbiteral na Igreja Católica do Piauí (1906–1983) Data: 16/04/2026

    Esta tese investiga a criação e o funcionamento da Igreja Católica no Piauí a partir dos Seminários Interdiocesanos, em Teresina, nos anos de 1906 a 1983, compreendendo a constituição desses espaços e as interferências na Igreja e na sociedade da época. Argumenta-se que a criação desses seminários não constitui mera resposta à escassez de sacerdotes, mas expressa, em cada momento histórico, uma estratégia institucional de formação de um clero disciplinado, moralmente rigoroso e alinhado às diretrizes romanas. O marco temporal deve-se à data da inauguração do primeiro seminário do Piauí, após a criação e instalação da Diocese do Piauí; e o ano de 1983, período em que os bispos piauienses implantaram um novo seminário interdiocesano devido à necessidade de sacerdotes nas sete dioceses do Piauí. Diante da criação e instalação da Diocese do Piauí, Dom Joaquim Antônio de Almeida, primeiro bispo, inaugurou um Seminário Episcopal e o Colégio São Francisco de Sales (Colégio Diocesano). Essa ação era necessária no contexto de separação entre a Igreja e o Estado devido ao fim do padroado e das querelas entre liberais e eclesiásticos. O segundo, Seminário Maior Interdiocesano Sagrado Coração de Jesus, surge diante da escassez de sacerdotes e da impossibilidade de enviar jovens para casas formativas em outros estados. Postula-se que ambas as instituições compartilham o objetivo estratégico de formar um clero disciplinado, moralmente rigoroso e alinhado às diretrizes romanas, capaz de consolidar a autoridade episcopal nas paróquias. Do ponto de vista metodológico, combina fontes primárias eclesiásticas, com destaque para livros tombos, atas, documentos normativos da CNBB e do CELAM, registros da imprensa; e entrevistas realizadas por meio da História Oral temática com bispos, sacerdotes e funcionários diretamente envolvidos nas instituições analisadas. Os aportes teóricos centrais são a noção de recepção como prática interpretativa, a partir de Michel de Certeau, e a análise da disciplina como tecnologia de poder, a partir de Michel Foucault, articulados com a historiografia eclesiástica brasileira contemporânea. Utiliza-se, ainda, como apoios teóricos Jacques Le Goff, Roger Chartier, Dilermando Vieira, Henrique Matos, Marcelo Neto, Juarez Silva, Paulo Libório e Fonseca Neto.


    IARAH GABRIELLY DE SOUSA LYRA RECRIANDO A TERRA EM “VAZIOS” URBANOS: implantação e r(existências) no projeto de hortas comunitárias da região sudeste de Teresina Data: 13/04/2026

    A presente pesquisa analisa as tramas político-sociais que envolvem as hortas comunitárias do bairro Itararé, localizadas na região Sudeste da capital Teresina (PI), entre 1987 e 2000. O recorte tem como marco inicial o ano de 1987, quando ocorreu a implantação oficial do projeto enquanto política pública municipal. Como recorte final, estabelece-se o ano de 2000, período em que se observam reconfigurações institucionais e o reconhecimento internacional da experiência, evidenciado pela visita de representantes vinculados ao sistema da Organização das Nações Unidas. O objetivo geral da pesquisa é compreender como os horticultores, por meio das hortas comunitárias, sustentaram e ressignificaram a agricultura urbana, constituindo-a simultaneamente como estratégia de combate à insegurança alimentar e como experiência de organização popular no espaço urbano, em meio ao cenário político nacional e local e às articulações institucionais envolvidas nesse processo. A pesquisa fundamenta-se teoricamente nas contribuições de Henri Lefebvre (2001), David Harvey (2014) e Cláudia Fontineles e Marcelo de Sousa Neto (2017) sobre a cidade, Raymond Williams (1989) acerca da relação campo-cidade e Edward Palmer Thompson (1998; 2002) sobre trabalho e experiência. Dialoga também com Juliana Monteiro (2005) e Joana Aires da Silva (2014), acerca das hortas comunitárias de Teresina, nas perspectivas econômica e geográfica, além da análise e discussão sobre agricultura urbana por meio da revista Urban Agriculture and Food Systems Magazine. Metodologicamente, o estudo utiliza fontes diversas, como fontes hemerográficas, especialmente o jornal O Dia, fundamentando-se nas contribuições de Sônia Maria de Meneses Silva (2011) e Tania Regina de Luca (2008), além do uso de fotografias, mapas, documentos oficiais, contratos entre a Prefeitura Municipal de Teresina e a CHESF sobre a cessão dos terrenos e o aporte financeiro, manuais do horticultor e folhetins, bem como entrevistas orais com horticultores presentes nas hortas desde os anos iniciais do projeto, mobilizando autores como Michael Pollak (1989), acerca da memória, e a metodologia da História Oral, a partir de Verena Alberti (2005) e Paul Thompson (1998). Dessa maneira, compreende-se que a agricultura urbana já se fazia presente na cidade de Teresina por meio do cultivo de subsistência de moradores que migraram do campo em busca de melhores condições de vida e que, posteriormente, com a implantação do projeto, consolidou-se para além do caráter institucional e assistencial como experiência de organização popular sustentada pela atuação e permanência dos horticultores no espaço urbano, articulando produção alimentar, práticas cooperativas, táticas e construção de cidadania, em meio ao contexto da redemocratização do país.


    MATHEUS LIMA SILVA AQUÉM DA HUMANIDADE: intelectuais, raça e os alicerces da desigualdade racial no Piauí (1870-1930) Data: 08/04/2026

    Com o objetivo de abordar as interpretações da realidade por parte dos intelectuais
    piauienses a partir de um novo viés, o presente trabalho questiona o lugar da raça na
    formação desses intelectuais e na construção das leituras de mundo pela cultura letrada, no
    período que compreende o fim do século XIX e o início do século XX. Partindo da criação e
    da popularização de teorias raciais nos oitocentos, analisa-se a maneira pela qual as
    diferenças físicas, climáticas e geográficas – tendo como base o padrão europeu e norteamericano
    – tornaram-se objeto de estudo das ciências, as quais utilizavam uma abordagem
    fortemente tributária das ciências naturais. Nesse sentido, a teoria da evolução das espécies
    tornou-se central para o discurso cientificista que rapidamente foi apropriado por inúmeras
    teorias racialistas, as quais obtiveram grande prestígio, inclusive no Brasil. Nesse contexto, o
    discurso racial servia como instrumento de interpretação social e era usado como
    justificativa para as desigualdades entre grupos, transformando-se num debate que
    atravessava o ambiente acadêmico e as páginas dos jornais. Seja através de teóricos
    consagrados ou da vulgarização científica, os sujeitos racializados tornavam-se alvo de
    análises, ataques e piadas, contribuindo significativamente para a estigmatização de grupos,
    especialmente os negros. Nesse universo racista, a racialização de sujeitos era utilizada como
    arma de difamação e inferiorização, inclusive entre membros da elite piauiense, que
    julgavam uns aos outros por supostos graus de proximidade com a base da pirâmide racial
    brasileira. Para essa investigação, foram analisados jornais piauienses, em busca de discursos
    raciais; crônicas e romances de literatos locais; textos historiográficos e produções textuais
    geradas em meio a embates políticos e morais. Além disso, foram utilizadas obras essenciais
    da historiografia brasileira de autores como Teresinha Queiroz, Wlamyra Albuquerque,
    Roberto Ventura e Lilia Moritz Schwarcz. O trabalho também dialoga com teóricos fora do
    eixo ocidental, incorporando conceitos de autores como Frantz Fanon, Achille Mbembe e
    Sueli Carneiro.


    ISAAC GONÇALVES SOUZA QUEM QUER SABER DE UM POETA NA IDADE DO ROCK: JUVENTUDE E POESIA EM SÃO LUÍS NA DÉCADA DE 1980 Data: 06/04/2026

    Na cidade de São Luís, capital do Maranhão, na década de 1980, grupos de jovens inventaram modos de existência usando a poesia como matéria e ferramenta para a produção do tempo e do espaço — esta tese é a narrativa desse acontecimento e das condições históricas no interior das quais ele irrompeu. Considera-se que o início dos anos 1980 coincidiu com uma desintegração das noções até então mais ou menos estáveis de tempo e espaço e que isso foi uma “condição de possibilidade” para a jovem poesia daquela década. Tomam-se como argumentos empíricos duas “ondas” de juventudes ludovicenses que se propuseram a ocupar o espaço público e a cena cultural–editorial. A primeira, o grupo do Guarnicê, começou no rádio e depois fez uma publicação alternativa; a segunda, a Akademia dos Párias, mais jovem e anárquica, que também publicou uma revista, mas que valorizava sobretudo a ocupação da cidade como estética da existência. A narrativa demonstra que as juventudes ludovicenses dos anos 1980 eram herdeiras de noções de juventude urbanas herdadas dos anos 1960 e 1970 transmitidas por diversos veios, como a música tropicalista, rock ‘n’ roll, poesia marginal, imprensa alternativa, rebeliões comportamentais e movimentos organizados. Teoricamente, dialoga-se com a filosofia da diferença e com o pensamento da descontinuidade a partir, principal, mas não exclusivamente, de Deleuze e Foucault e problematizam-se conceitos centrais ao ofício do historiador, como tempo, espaço, documento, subjetividade e corpo. Erige-se o conceito de “corpo-pária” como uma transfiguração do “corpo-transbunde-libertário” (Castelo Branco, 2005) situado no ambiente de São Luís como uma média das sensibilidades da juventude sob o signo da Akademia dos Párias. Toma-se o discurso poético de Celso Borges sobre São Luís no livro O futuro tem o coração antigo (2013) como demonstração de que esse corpo-pária institui uma espacialidade e uma temporalidade próprias que ultrapassam o recorte do tempo-calendário e do espaço geométrico — tempo e espaço intensos feitos de sensibilidade, memória, intenção e arte.


    JOÃO VICTOR DA COSTA RIOS PIAUÍ SOB ÁGUIAS E ARMAS: IMPRENSA, NACIONALISMO E RESISTÊNCIA NA MIRA DOS SERVIÇOS DE INTELIGÊNCIA (1953-1967) Data: 01/04/2026

    Este trabalho, situado no campo da História Política, investiga as relações entre imprensa, poder e autoritarismo no contexto da Guerra Fria, tomando o Piauí como centro de análise. A problemática consiste em explicar de que modo a imprensa piauiense se configurou de forma ambivalente, ao mesmo tempo em que atuou como arena de disputa política e ideológica, articulando discursos e projetos nacionalistas, tornou-se alvo de monitoramento, censura e repressão por estruturas de inteligência e por dispositivos autoritários, sobretudo após o golpe de 1964. O objetivo central é analisar como se constituiu esse papel ambivalente da imprensa entre 1953 e 1967. O recorte inicia-se em 1953, quando Teresina (PI) passa a aparecer de maneira identificável em arquivos desclassificados da Central Intelligence Agency (CIA), indicando registros de interesse e monitoramento anteriores à Aliança para o Progresso. O recorte encerra-se em 1967, por corresponder ao término da primeira fase da ditadura civil-militar, momento de consolidação de práticas de vigilância e reorganização do controle de informação, permitindo observar efeitos iniciais da ditadura de 1964 sobre a imprensa. No campo teórico, a pesquisa dialoga com Domingos (2009) no debate sobre nacionalismo, Sousa (2015) no estudo das Ligas Camponesas no Piauí, Capelato (1998) na compreensão da imprensa como arena de disputa ideológica e Certeau (2009) nas reflexões sobre estratégias de poder e táticas de resistência. Considerando a imprensa como campo social construído por homens e mulheres, Cardoso (2003) e Gobbi (2023) ajudam a situar a participação feminina na sociedade piauiense e na comunicação. O conceito de Governo Invisível, formulado por Wise e Ross (1965), orienta a leitura das denúncias envolvendo interesses estadunidenses, enquanto Loureiro (2020), Roett (1972), Araújo (2025) e Oliveira (2020) contribuem para contextualizar as dinâmicas interamericanas. Na metodologia, adota-se análise qualitativa, com crítica documental e cruzamento de fontes, articulando documentos desclassificados norte-americanos disponíveis na Brown Digital Repository e no CIA FOIA Electronic Reading Room, além de documentação do Serviço Nacional de Informações, inquéritos policiais-militares e periódicos como O Dia, O Semanário (RJ)  Estado do Piauí e Jornal do Comércio. Entre os resultados, destaca-se o protagonismo de O Semanário e do Jornal do Comércio na difusão do nacionalismo reformista e na defesa da soberania no Piauí, em articulação envolvendo homens e mulheres. Em perspectiva internacional, a pesquisa evidencia o Piauí como espaço de interesse e monitoramento estadunidense, aspecto reforçado pelas denúncias do jornalista Jocelyn Brasil sobre bases secretas e exploração de minérios em solo piauiense. Por fim, demonstra-se que, apesar da censura e da vigilância intensificadas em 1963-1964, jornalistas piauienses construíram práticas de resistência e ações pragmáticas tanto na democracia quanto na ditadura, com destaque para a comunicação radiofônica e para o cotidiano das redações.

     

     

     


    JOSÉ HILÁRIO NETO Título: “A marcha do revide vai ter arte e cultura”: o rap como ferramenta de expressão das condições juvenis em Teresina (2016-2018) Data: 01/04/2026

    A presente pesquisa propõe-se a analisar como o gênero musical rap, uma das formas de manifestação da cultura Hip-Hop, foi utilizado como ferramenta de expressão por jovens periféricos, entre os anos de 2016 e 2018, na cidade de Teresina. O recorte tem como marco inicial o ano de 2016, quando ocorre o agravamento de políticas neoliberais que afetam diretamente essas populações, como a implementação do “teto de gastos” (PEC 55/241), a Reforma Trabalhista (lei 13.467/2017) e a Reforma do Ensino Médio (lei 13.415/2017). O recorte final tem como referência o ano de 2018, período em que se observam novas reconfigurações políticas e institucionais no país, que intensificam cada vez mais as condições de subalternidade. O objetivo geral da pesquisa se concentra em compreender em que medida o contexto social vivenciado por essa população influenciou o uso da arte como instrumento para construir e expressar suas narrativas cotidianas e denunciar arbitrariedades cometidas pelo Estado, seja em nível regional ou Federal. Observamos que esse foi um período que representou uma ameaça a direitos recém conquistados, desde a educação até a inserção no mercado formal de trabalho, o que fica evidente a partir dos dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Metodologicamente, realizou-se o levantamento da bibliografia sobre a cultura Hip-Hop e o rap no Brasil, bem como de textos que discutissem as políticas habitacionais relacionadas à formação das periferias, de onde provém a maioria desses sujeitos. Além disso, utilizou-se fontes hemerográficas disponíveis em portais online (como Portal GP1 e Cidadeverde.com), onde encontramos com maior recorrência notícias sobre a cultura e letras de canções de rap que se relacionavam com o contexto analisado. A investigação também se amparou na perspectiva da análise sociológica da cultura, definida por Raymond Williams (2000), considerada a mais adequada devido ao vínculo estreito entre os artistas e suas obras. Nesse sentido, as obras analisadas servem como fio condutor entre as experiências desses rappers, marcadas pelos seus espaços e condições socioeconômicas. Desse modo, apesar das diferenças que carregam, as composições apresentam esses sujeitos como politicamente engajados. Mesmo inserida no campo da história do tempo presente – apoiamo-nos nas conceituações de François Bédarida (2006), François Jean-Pierre Rioux (1999), Agnès Chaveau e Philippe Tétart (1999) –, a pesquisa analisa como a vida desses jovens foi marcada por cenários construídos ao longo da história brasileira, fazendo-os experimentar a marginalização através da precarização da cidadania, saúde, educação e da violência urbana, cenário apresentado nas obras de Roberto Camargos (2015), Ricardo Teperman (2015), Antônia Jesuíta Lima (2003), Antônio Leandro Silva (2016), Lila Cristina Xavier Luz (2007) e outros. Dessa forma, compreende-se que o gênero musical rap serviu de importante manifestação cultural para denunciar as mazelas sociais sofridas nas periferias da cidade, através dos olhares de quem vivencia diretamente essas transformações em seu cotidiano e sofre seus impactos, inseridos em um cenário contemporâneo de fortes tensões sociais, políticas e de insegurança.

     


    CÁSSIO DE SOUSA BORGES Terra, Posse e Conflito na Província do Piauí (1850–1889) Data: 31/03/2026

    Esta pesquisa analisa a organização fundiária e os conflitos ocorridos no espaço rural da Província do Piauí na segunda metade do século XIX, no contexto da tentativa de regularização territorial desencadeada pela Lei de Terras de 1850 e por seu Regulamento de 1854. Embora essa legislação tenha buscado estabelecer um marco jurídico capaz de conferir estabilidade à estrutura agrária do Império do Brasil, a não efetivação das medições e demarcações das terras devolutas e das posses particulares produziu um cenário prolongado de insegurança jurídica. Nesse contexto, fronteiras imprecisas, terras indivisas e usos comuns intensificaram disputas entre posseiros, herdeiros de antigas sesmarias, trabalhadores livres pobres e outros agentes sociais, dando origem a conflitos que alcançaram repercussão pública por meio da violência, da judicialização e da atuação do aparato policial e judicial. A pesquisa demonstra que, no Piauí, a terra apresentava baixo valor mercantil, mas elevada centralidade social e existencial, estando frequentemente associada ao acesso a recursos vitais, especialmente a água. Assim, disputas em torno de cercas, limites territoriais, caminhos e fontes hídricas revelam não apenas embates econômicos, mas conflitos envolvendo costumes, sociabilidades e estratégias de sobrevivência no mundo rural. Metodologicamente, o estudo articula a análise serial dos Registros Paroquiais de Terras (1854–1860) e dos Registros Estaduais de Terras (1898– 1908), disponíveis no Acervo Digital do INTERPI, com a leitura crítica de processos judiciais de segunda instância preservados no Arquivo Público do Estado do Maranhão, Relatórios de Presidentes da Província do Piauí e fontes hemerográficas da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Ao adotar a perspectiva da História Social e da História do Processo Jurídico, a tese evidencia que os conflitos fundiários não constituíram eventos isolados, mas elementos estruturantes da experiência agrária piauiense oitocentista. Por fim, ao dialogar com a atualidade fundiária do Piauí, a pesquisa demonstra que as permanências históricas da insegurança jurídica, da sobreposição de posses e da centralidade dos recursos naturais, continuam a influenciar os desafios contemporâneos da governança da terra.


    HELEN ADRIELY SOBREIRA DE SOUSA OS CAMINHOS DO EXÍLIO: trajetórias de piauienses exilados durante a ditadura militar (1964-1985) Data: 30/03/2026

    A ditadura militar brasileira (1964-1985) estruturou um complexo aparato repressivo de controle político e neutralização de dissidências, operado por órgãos de segurança e informação que institucionalizaram o Terrorismo de Estado. No Piauí, esse cenário manifestou-se por meio de vigilância ostensiva, perseguição e criminalização de indivíduos rotulados como subversivos pela polícia política. Esta pesquisa, portanto, investiga as trajetórias de sujeitos piauienses que, diante do acirramento da violência política nas décadas de 1960 e 1970, foram compelidos ao exílio como estratégia de sobrevivência pessoal. O objetivo central é analisar os caminhos do exílio – as saídas, as chegadas e os retornos – compreendendo-o como um processo decorrente das práticas de Terrorismo de Estado. Para tanto, a pesquisa perpassa diversos recortes espaciais, articulando as dinâmicas políticas locais às pressões do cenário nacional e às vivências transnacionais enfrentadas pelos sujeitos no exterior ou em outras regiões do país. Metodologicamente, a pesquisa, apoia-se em um corpus documental diversificado: e os Inquéritos Policiais Militares (nº 16, 184, 340, 349 e 705); os jornais O Dia e O Estado do Piauí; livros de memória (biografias) e depoimentos orais que conferem subjetividade ao trauma, fundamentais para compreender a lógica punitiva do regime. O arcabouço teórico fundamenta-se nos debates sobre Terrorismo de Estado, repressão política, ditadura militar e estado de exceção, mobilizando as contribuições de Maria Helena Moreira Alves (2005), Enrique Serra Padrós (2005), Nilson Borges (2003), Rodrigo Patto Sá Motta (2021) e Denise Rollemberg (1999), articulando-se também com as reflexões de Giorgio Agamben (2004) acerca do estado de exceção como dispositivo jurídico-político que suspende garantias legais e legitima práticas de violência estatal. O trabalho dialoga ainda com as discussões sobre memória, testemunho e violência de Estado, presentes em Márcio Seligmann-Silva (2003), Michel Pollak (1989) e Beatriz Sarlo (1997). 


    ÈVERTON DE SOUSA FOTOGRAMAS MALDITOS: José Mojica Marins e as tensões entre Cinema Marginal e Cinema Novo no Brasil (1950-1980) Data: 27/03/2026

    O presente trabalho analisa de que maneira a trajetória de José Mojica Marins permite identificar fases distintas do cinema brasileiro, centrando-se nas tensões entre o Cinema Novo e o Cinema Marginal. A partir da filmografia dirigida por Mojica, da leitura da recepção crítica e da circulação em circuitos alternativos, o estudo investiga como suas obras, tanto as que incorporam o personagem Zé do Caixão quanto aquelas que dele se afastam, estabelecem diálogos e confrontos com as correntes estéticas dominantes, evidenciando as disputas em torno do valor cultural do cinema produzido às margens. Ao articular análise fílmica, exame de críticas contemporâneas e pesquisa em materiais de exibição, demonstra-se que a afirmação de Mojica na história do horror brasileiro resulta não apenas da singularidade dos filmes, mas também das mediações críticas e das práticas de exibição que reconfiguraram sua posição no campo cinematográfico. O trabalho propõe, assim, uma leitura plural das experiências fílmicas nacionais, que acolhe multiplicidades temporais e espaciais e problematiza a tendência a reduzir a produção marginal a categorias hegemônicas.


    JOSÉ CLECIONARTON TEIXEIRA QUANDO O ANALFABETISMO VIRA NOTÍCIA: denúncia e representações midiáticas em Alagoinha do Piauí (2013–2016) Data: 27/03/2026

    O trabalho analisa as construções discursivas em torno do analfabetismo no município de Alagoinha do Piauí, entre os anos de 2013 e 2016, nas reportagens televisivas exibidas pelos programas Repórter Record Investigação (Rede Record) e Profissão Repórter (Rede Globo). Foca a análise no uso de recursos verbo-visuais de cunho sensacionalista na abordagem dos índices de analfabetismo da referida cidade e das denúncias de corrupção na execução do Programa Brasil Alfabetizado em nível municipal. O estudo fundamenta-se em diferentestipos de fontes: audiovisuais (as duas reportagens televisivas já mencionadas); hemerográficas (jornais online); orais (moradores da cidade de Alagoinha do Piauí); e escritas (dados do IBGE [2010], relatórios e diários de classe referentes à execução do Programa Brasil Alfabetizado no município em estudo). A análise das fontes e das chaves conceituais presentes neste trabalho dialogam com as reflexões teóricas de Durval Muniz de Albuquerque Júnior (2010), para discutir a ideia de Nordeste; José Cristian Góes (2014) e Ana Luiza Lugão (2010), para discutir sensacionalismo; Eduardo Vinicius de Sales Alves (2014), para discutir estereótipos; Michel de Certeau (1998), para discutir estratégias, táticas e práticas; e, Angela Maria Alonso (2023) para discutir as Jornadas de Junho e o antipetismo. Como referencial teórico-metodológico para a análise das reportagens televisivas e dos sites jornalísticos, dialoga com José d’Assunção Barros (2022; 2023) e, para examinar os relatos orais, à luz da História Oral, conversa com Verena Alberti (2011). O estudo apontou a ocorrência de fraudes na execução do Programa Brasil Alfabetizado em Alagoinha do Piauí e o caráter sensacionalista presente nas construções discursivas das narrativas transmitidas em rede nacional. Foi realizada uma contextualização do período em que as reportagens foram exibidas, a fim de analisar de que modo a denúncia em torno do programa pode ter contribuído para tensionar o cenário político local, ao mesmo tempo em que se articulava a um contexto mais amplo, marcado, a partir de 2013, pelo fortalecimento do antipetismo no Brasil e pela crescente deslegitimação de políticas associadas ao Partido dos Trabalhadores, processo que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.  


    JULIO CESAR ALVES PEREIRA NUNES A TRAJETÓRIA DE DELSO MENDES DA FONSECA NO BRASIL REPUBLICANO: ENTRE O MILITAR, O TÉCNICO E O POLÍTICO Data: 27/03/2026

    Esta tese analisa a trajetória biográfica de Delso Mendes da Fonseca (1899-1984), militar de carreira e figura central do tenentismo, investigando a intersecção entre as esferas militar, técnica e política no Brasil Republicano, entre as décadas de 1920 e 1960. Partindo da premissa de que a trajetória individual é um observatório privilegiado dos processos de modernização do Estado brasileiro, o trabalho problematiza de que modo o sujeito, atuando sob a identidade de “militar técnico”, reconfigurou-se como agente político em momentos de crise institucional e ruptura. A cidade do Rio de Janeiro é examinada como espaço precípuo e laboratório dessas intervenções, onde a racionalidade tecnocrática e o projeto de modernização urbana serviram como mecanismos de legitimação estatal e de superação do "atraso" da Primeira República. O aporte teórico fundamenta-se nos campos da biografia histórica e da história social, utilizando as contribuições de Pierre Bourdieu para discutir a relação entre a trajetória do indivíduo e as estruturas do campo social, bem como as reflexões de Norbert Elias sobre a constituição do indivíduo no complexo estrutural. Metodologicamente, a pesquisa se debruça sobre a História Oral, baseando-se na entrevista concedida por Delso Mendes da Fonseca ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea (CPDOC-FGV), documento que dialoga com outras fontes primárias: relatórios institucionais, fontes hemerográficas, fé de ofício e correspondências. A tese desvela a transição do "tenente heroico" — protagonista dos levantes de 1922 e 1924 — para o "engenheiro-administrador" na Secretaria de Obras do Distrito Federal durante a Era Vargas, onde a técnica passou a ser articulada como uma missão cívica e terapêutica para a nação. Ao mesmo tempo, o estudo mapeia as tensões desse militar no pós-guerra, inserido nas novas dinâmicas da Escola Superior de Guerra e nos episódios críticos de 1954 e 1955, demonstrando como a tecnocracia militar não foi um bloco monolítico, mas uma vertente que transitou entre o projeto de modernização desenvolvimentista e as disputas de poder que culminaram na tutela militar sobre a política civil.


    LARA KALLYNE DE SOUSA CANDIDO PRESENÇAS HISTÓRICAS E SILÊNCIOS NARRATIVOS: A HETEROGENEIDADE SOCIAL NA INDEPENDÊNCIA DO PIAUÍ, CEARÁ, E MARANHÃO (1822-1823) Data: 27/03/2026

    Este trabalho tem como objetivo central investigar o processo independentista. Ressaltar sua complexidade, pois esse conjunto de acontecimentos, não foi formado apenas por batalhas físicas, ele também alcançou o campo das ideias, das mentalidades. Pretendemos ainda destacar a participação de personagens populares, sujeitos esses que por muitos anos, não foram mencionados na historiografia. Visamos também compreender sua omissão nas narrativas das batalhas pela independência no Piauí e Maranhão, mapear suas participações no decorrer delas e destacar a importância dessas batalhas e desses personagens. Além disso tratamos da formação dos exércitos independentistas. É importante salientar que no período trabalhado a questão do nacionalismo ainda não estava formada no país. Intentamos demostrar como a separação política de Portugal foi de suma importância, para a gestação, formação e desenvolvimento da consciência nacional. A fim de alcançar os resultados propostos, utilizaremos como metodologia o método histórico, no qual faremos uma leitura a contrapelo das fontes que são desde obras bibliográficas de notáveis historiadores dedicados à pesquisa sobre a independência, como Wilson Brandão (2006), Monsenhor Chaves (2006), Vieira da Silva (1972), Abdias Neves (1974) e Odilon Nunes (2007). E também ofícios das câmaras de províncias piauienses; o jornal O conciliador, periódico do Maranhão e a Revista trimensal do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro.


    PAULO NETO SOUZA ARAÚJO O VAMPIRO, O CARCARÁ E O SUPER-HERÓI: contracultura, piauiensidade e experimentalismos estéticos na obra de Arnaldo Albuquerque (década de 1970) Data: 26/03/2026

    Este trabalho objetiva analisar a configuração de uma cultura juvenil marginal em Teresina ao longo da década de 1970, tendo como principal vetor a obra do jovem artista Arnaldo Albuquerque. Analisamos Arnaldo Albuquerque e seus contemporâneos como sujeitos-signos de uma época marcada pela contracultura, pelo desenvolvimento de experimentalismos estéticos e por linguagens consideradas marginais na capital piauiense. Nessa conjuntura, mapeamos duas gerações diferentes de jovens artistas e escritores, a Geração Gramma e a Geração Mimeógrafo, e buscamos compreender suas similitudes e suas diferenças, entre si e no interior destas. De maneira mais evidente, percebe-se na obra de Arnaldo Albuquerque e seus contemporâneos tensões entre uma identidade cultural regional, pensada por estes jovens como a tradição e um marco definidor de suas existências, e uma identidade cultural global, de massa e moderna, que muitas vezes é vista como invasora e disseminadora de práticas homogeneizantes e alienantes. Tudo isso em meio à movimentos artísticos que construíam novas formas de pensar a cultura brasileira e nordestina. Para isso utilizamos como principais fontes os jornais, livros e revistas alternativos e os filmes experimentais em super-8 desenvolvidos nesse espectro e que contaram com a participação de Arnaldo Albuquerque, além de suas charges para jornais de grande circulação e ainda sua revista em quadrinhos Humor Sangrento, a primeira do Piauí. Também é dada atenção especial para entrevistas de participantes dessas gerações, a maioria feita sob a teoria e método da História Oral, e como suas memórias influenciam e são influenciadas por narrativas construídas a posteriori sobre esse contexto. O trabalho é mediado principalmente pelas discussões a partir de campos como juventudes, identidades intervalares, contracultura, artes experimentais e geração. A pesquisa toma como autores fundamentais nomes como Stuart Hall (2006), Homi Bhabha (1998), Michel Foucault (2006), Félix Guattari e Sueli Rolnik (1996), Michel de Certeau (1998), Leon Kaminski (2022) Edwar Castelo Branco (2005) e Fábio Leonardo Brito (2016).


    DINORAH FRANÇA LOPES Natureza e circulação de saberes em tempos de Reformismo Ilustrado: a quina-quina do Piauí (1763- 1806) Data: 25/03/2026

    O trabalho analisa a circulação de saberes e produtos da quina-quina do Piauí nas diretrizes do Reformismo Ilustrado. Especificamente, explicamos como a exploração desta árvore representou (1) um projeto de inventariação da natureza inspirado no Reformismo Ilustrado. Somado a isso, (2) a dinâmica atlântica e global das trocas de informação e materiais na qual a capitania do Piauí estava inserida. Finalmente, (3) um encontro de saberes indígenas, africanos e europeus nos domínios portugueses. Nossas fontes foram produzidas entre os anos de 1763 e 1806 e pertencem ao contexto iluminista, fazendo, pois, parte de um processo mais amplo do que suas datações indicam. Tais documentos incluem cartas de autoridades coloniais, algumas digitalizadas pelo Projeto Resgate e disponíveis no Arquivo Histórico Ultramarino, outras preservadas no acervo físico do Arquivo Público do Piauí; além de duas quinografias disponibilizadas digitalmente pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin; e um ensaio produzido pelos viajantes Vicente Jorge Dias Cabral e o padre Joaquim José Pereira. Outros documentos presentes na pesquisa têm importância secundária e foram usados como instrumentos para a compreensão das fontes principais. A construção desta dissertação está alicerçada pela leitura de textos relacionados à História das Ciências e à História Ambiental. No debate, houve espaço para produções sobre meio ambiente, imperialismo, ciências, viajantes e filosofia natural, como as obras de Fernand Braudel (2001), Kapil Raj (2015), Andrea Wulf (2016) e Ailton Krenak (2019). Conceitos como o de “Imperialismo Ecológico”, de Alfred Crosby (2011), foram base para a reflexão. Mesmo com papel secundário, outros conceitos fizeram parte de nosso filtro de análise. Por fim, serviram de inspiração para esta dissertação aspectos teórico-metodológicos empregados por Alba Moya Torres (1994), Danielle Sanches Almeida (2017), Gabriela Berthou de Almeida (2020), Gutiele Gonçalves dos Santos (2022), Janayne de Moura Ferreira (2021), Mairton Celestino da Silva (2016) e Vera Regina Beltrão Marques (1998).


    LARISSA MACIEL SILVA TECIDOS DE PODER: OS UNIFORMES DO EXÉRCITO BRASILEIRO E AS INFLUÊNCIAS ES- TRANGEIRAS ENTRE 1908-1951 Data: 25/03/2026

    Esta pesquisa analisa a indumentária militar brasileira, suas insígnias e seu papel no fortalecimento identitário do exército brasileiro entre 1908 e 1951. A investigação se estrutura em torno das seguintes questões: Quem foram os responsáveis pelo design dos uniformes? Quais padrões estéticos e funcionais (alemão, francês e norte- americano) influenciaram os uniformes do Exército Brasileiro? Como os uniformes contribuíram para a percep- ção pública do Exército? O referencial teórico baseia-se em Bourdieu (1989), Lipovetsky (2009), Hobsbawm (2022) e Castro (2021) para o entendimento das noções de poder simbólico, moda, representação, nacionalismo, guerra, Exército Brasileiro, respectivamente. A metodologia adota uma abordagem historiográfica qualitativa, enfatizando as fontes documentais, iconográficas e orais. Por fim, a relevância da pesquisa justifica-se pela aná- lise dos uniformes do Exército Brasileiro como construção de identidade e representação do poder visual e dos valores da instituição.


    LUCAS CLEMENTINO FEITOSA PINHEIRO “Mandae socorros para estes desvalidos, matae-lhes a fome, cobri-lhes a nudez”: Os Impactos da Grande Seca de 1877-1879 na Província do Piauí Data: 24/03/2026

    A dissertação “Mandae socorros para estes desvalidos, matae-lhes a fome, cobri-lhes a nudez”: Os Impactos da Grande Seca de 1877-1879 na Província do Piauí”, analisa os impactos sociais, econômicos e políticos da grande seca que atingiu o Nordeste brasileiro, com foco na província do Piauí. O estudo investiga como a estiagem provocou migrações em massa, agravou a pobreza urbana e intensificou tensões entre a elite local e os trabalhadores livres e migrantes. A pesquisa examina a atuação da Comissão de Socorros Públicos, responsável pela administração dos auxílios emergenciais. Embora criada com finalidade assistencial, a Comissão operou em meio à insuficiência de recursos, denúncias de desvios e práticas vinculadas à chamada “indústria da seca”. O trabalho foi utilizado como instrumento disciplinador, inserindo migrantes em obras públicas e núcleos coloniais sob forte controle estatal. O estudo também analisa a construção de estereótipos que classificavam os retirantes como “vadios” e “desordeiros”, legitimando políticas de vigilância e exploração da força de trabalho. Paralelamente, destaca as estratégias de resistência e sobrevivência desses sujeitos históricos, frequentemente marginalizados por parte da historiografia tradicional .Metodologicamente, fundamenta-se na análise de fontes primárias procurando nas entrelinhas — relatórios oficiais, documentos administrativos e periódicos — articuladas ao paradigma indiciário de Ginzburg e aos pressupostos da micro-história e a história social do Thompson. Dialoga ainda com as interpretações sobre seca e poder desenvolvidas por Araújo, Domingos Neto, Borges, Silva, Monteiro, especialmente no que se refere aos trabalhadores livres, às relações de poder e à dinâmica social do Piauí oitocentista, entre outros autores locais que se debruçam sobre o Piauí oitocentista. Conclui-se que a seca de 1877-1879 deve ser compreendida não apenas como fenômeno climático, mas também como fenômeno social e político, evidenciando continuidades históricas de exploração, desigualdade e exclusão no Brasil.


    DANIEL DE SÁ AGUIAR Adoecimento e morte na Ibiapaba oitocentista: transcender, decompor e contaminar. Data: 24/03/2026

    Esta tese investiga a cultura da morte sob a perspectiva secular e religiosa na Ibiapaba na segunda metade do século XIX (1850-1890), por entendermos que é neste período que os discursos científicos passam a ter ações mais efetiva através de ações estatais em meio a séculos de olhar espiritual sobre os corpos, seja dos indígenas que ocuparam a Ibiapaba ou da igreja católica que foi se firmando com seus ritos. O desenvolvimento da pesquisa busca compreender tanto os processos de manutenção quanto as novas formas de ocidentalização e ordenação do mundo material e espiritual, a partir dos discursos e práticas religiosas e científicas estabelecidos na região. Destacam-se, nesse contexto os olhares naturalistas e deterministas da comissão científica liderada por Freire Alemão, bem como da passagem de Antônio Bezerra de Menezes pela região. Os discursos e ações de “civilidade” e higiene que orientavam as incipientes políticas públicas de saúde com a criação de leis, órgãos, proibição de enterramentos em igrejas e construção de cemitérios públicos. A partir deste momento os corpos não eram vistos apenas pelo aspecto da transcendência, da salvação, da assombração, da magia, mas como propagadores de doenças através da teoria miasmática.  No entanto, a população manteve fortemente o costume de recorrer aos rituais católicos como forma de garantir o que acreditavam na boa morte, isto é, evitar a continuação de um sofrimento terreno na outra vida e por meio de missas, sacramentos, vestimenta mortuária além de ter caráter espiritual a sociedade queria também representar hierarquias sociais terrenas, dado o poder de ostentação fúnebre. As irmandades e igreja católica oficial nem sempre atuavam de maneira harmônica na administração do cemitério e dos rituais fúnebres dos ibiapabanos, mostrando que a morte tinha uma dimensão material que gerava disputas de poder. A documentação pesquisada para perceber e evidenciar estas relações foram diários de viagens, relatórios, jornais, legislação, arquivos paroquiais, estatutos.


    LUMA PINHEIRO DIAS ESCRITORA, EDUCADORA E VIAJANTE: a trajetória intelectual de Nísia Floresta e as possibilidades de ser mulher nos Oitocentos Data: 13/03/2026

    Este trabalho parte da análise da trajetória intelectual de Nísia Floresta Brasileira Augusta para discutir as possibilidades de existência feminina nos Oitocentos, considerando três aspectos de sua vivência: a escrita, a educação e as viagens que realizou por diferentes províncias do Brasil e pela Europa. Nascida Dionísia Gonçalves Pinto, em Papari, Rio Grande do Norte, em 1810, atuou como educadora e escritora em um período caracterizado pela acentuação das diferenças entre os sexos e pela reafirmação da domesticidade feminina. Concentrando seus esforços na defesa do direito das mulheres à educação, prescreveu modelos ideais de filha, esposa e mãe por meio da escrita, tornando-as capazes de promover, junto aos homens, o progresso da humanidade. Em 1838, fundou o Colégio Augusto, no Rio de Janeiro, voltado para a educação de meninas. Publicou dezenas de títulos, com traduções para o francês, o italiano e o inglês. Faleceu em Rouen, em 1885. Considerada precursora do feminismo no Brasil, Nísia Floresta constitui exemplo entre outras mulheres que se destacaram no universo da escrita e ousaram questionar os padrões de diferenciação sexual de seu tempo. Assim, interessa conhecer sua atuação como educadora, escritora e viajante, uma vez que viveu aproximadamente 28 anos na Europa, período em que conheceu outras culturas, diversos intelectuais e expandiu seus argumentos em prol da educação feminina, contra a escravidão e a perseguição aos indígenas. Entre os intelectuais mencionados em seus escritos, Mary Wollstonecraft e Augusto Comte foram escolhidos para discutir não somente a influência de terceiros na formulação de seu projeto, mas também sua inserção nos debates que circulavam nos espaços letrados europeus. Para isso, recorreu-se a fontes bibliográficas e hemerográficas, bem como à obra de Nísia Floresta, composta por livros, artigos em jornais, manuais morais para meninas, poemas e relatos de viagem, entre outros. Como inspiração teórico-metodológica, destacam-se Roger Chartier, Joan Scott, Teresinha Queiroz, Nicolau Sevcenko, Bonnie G. Scott e outros.


    JULIO EDUARDO SOARES DE SÁ ALVARENGA OS EMBATES DA MONARQUIA DESNUDA: a Dacar Produções e as pornochanchadas em tempos de Ditadura Civil-Militar brasileira (1975-1985) Data: 06/03/2026

    A presente tese analisa a produção, circulação e consumo de pornochanchadas e outros filmes eróticopornográficos vinculados à imagem do cineasta David Cardoso, à sua empresa Dacar Produções Cinematográficas e à região da Boca do Lixo (São Paulo), entre 1975 e 1985, no contexto da Ditadura CivilMilitar brasileira. Nesse período, marcado por momentos de enfraquecimento e recrudescimento da censura às diversões públicas, a pornochanchada se consolidou enquanto gênero fílmico. Assim, a pesquisa investiga o cinema erótico como fenômeno cultural, político e econômico, inserido nas disputas em torno da moralidade, da sexualidade e dos usos do corpo no espaço público. Argumenta-se que essas produções se relacionam às transformações comportamentais entre as décadas de 1960 e 1980, vinculadas à Revolução Sexual, tensionando hierarquias geracionais e normas relativas a gênero, classe e raça, enquanto negociavam permanentemente com o aparato censório do Estado. A censura é analisada não apenas como mecanismo repressivo, mas como instância que elabora múltiplos discursos a respeito dos elementos que se pretendia vetar, demonstrando a constituição de uma rede dinâmica de relações de poder. Além disso, a ação censória também poderia ser contestada e burlada por meio de táticas desenvolvidas por indivíduos que buscavam pôr em circulação ou consumir as obras eróticas e pornográficas. Verifica-se também que o termo pornochanchada foi cunhado como forma de depreciar segmentos da produção nacional, classificados por parte da historiografia e da crítica cinematográfica como obras inferiores, sendo posteriormente apropriado por profissionais do cinema que reivindicavam para si o título de rei ou rainha da pornochanchada, em disputas discursivas nas quais esses indivíduos almejavam centralidade nos debates sobre o gênero e repercussão midiática. Sustenta-se que a expansão dessas produções integrou um movimento mais amplo de massificação do consumo de imagens sexualizadas, em som e movimento, e de redefinição das sociabilidades urbanas. No desenvolvimento da pesquisa, foram utilizadas como fontes históricas filmes, cartazes, periódicos, documentos da censura e da fiscalização estatal, entrevistas, legislações e críticas cinematográficas.


    SÉRGIO LUIS SIMEÃO SILVA Título: “Celebrar, Refletir e Praticar”: perspectivas históricas, sociais e políticas nas comunidades eclesiais de base no sertão do Centro-Sul do Piauí, nas décadas de 1970 e 1980. Data: 04/03/2026

    No presente estudo procurou-se entender como as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Igreja Católica desenvolveram suas ações na Grande Região de Picos nas décadas de 1970 e 1980, analisando seu processo de constituição como um movimento social eclesial diferente do Catolicismo Popular Tradicional. Dessa forma, a presente Tese procurou demonstrar que a Grande Região de Picos, no Centro-Sul piauiense, no período em destaque, se constituiu em importante locus de atuação das CEBs que, nas suas ações políticas, utilizando uma linguagem religiosa desenvolvida pela “opção pelos pobres” da Teologia da Libertação, ressignificaram a eclesiologia católica tradicional dessa região. Assim, estando sua particularidade identitária relacionada ao seu ambiente, esse movimento social se diferenciou de outros no Piauí pela sua luta em defesa das comunidades sertanejas pobres, antagonizando com o desenvolvimentismo estatal da época, dando um sentido político-religioso à desigualdade social e às secas. Metodologicamente, além da bibliografia sobre movimentos sociais (Gohn, 2000), as pesquisas foram realizadas em fontes orais, hemerográficas e documentais como as atas de encontros, de reuniões e assembleias das CEBs, monografias e dissertações de pesquisadores piauienses. As fontes orais foram constituídas por 21 entrevistas realizadas com militantes nos acampamentos e assentamentos de reforma agrária e da Grande Região de Picos entre 2006 e 2024. Sobre os estudos do Piauí, recorremos, principalmente, às obras publicadas pela Fundação Centro de Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí (CEPRO), por ter sido esta, historicamente, campo frutífero de ideias de economistas, geógrafos, historiadores e sociólogos piauienses. As discussões historiográficas que envolvem o político e o cultural se apoiam em Marc Bloch (2002), Rene Remond (2003); E. P. Thompson (1981; 1997; 1998; 2011) e Michel de Certeau (1998; 2000; 2021). As análises desse estudo foram realizadas procurando criar um quadro social, político e econômico da realidade social do Piauí destacando essa região piauiense nas décadas de 1970 e 1980, colocando em relevo a seca, as migrações, as lutas sociais e inserindo as CEBs como produto social desse contexto.


    RAKELL MILENA OSÓRIO SILVA ENTRE AÇÕES EMERGENCIAIS E INICIATIVAS ASSISTENCIAIS À SAÚDE: comissões públicas, caridade e filantropia na Colônia São Pedro de Alcântara e na cidade de Floriano-PI (1877-1930) Data: 10/02/2026

    A presente pesquisa investiga as instituições de saúde da antiga Colônia São Pedro de Alcântara, posteriormente elevada à categoria de cidade sob o nome de Floriano-PI, no contexto das ações assistenciais, bem como das iniciativas caritativas e filantrópicas, que ampararam a localidade entre os anos de 1877 e 1930. A população enfrentava diversas enfermidades, que exigiam cuidados específicos, como atendimento médico e acesso a medicamentos adequados, ou então recorriam as artes de cura. A ausência desses recursos contribuía significativamente para o agravamento das doenças e o aumento da mortalidade, revelando a precariedade das condições de vida e saúde no estado do Piauí. Diante desse cenário, torna-se fundamental considerar não apenas os médicos diplomados, que ainda estavam em processo de consolidação profissional, mas também os praticantes de cura não licenciados, como parteiras, curandeiros, benzedeiras e práticos, cuja atuação era amplamente legitimada pelas comunidades locais. A pesquisa se baseia em um levantamento bibliográfico com abordagem teórica, historiográfica e metodológica, fundamentada em autores como Joseanne Marinho (2021; 2020; 2018), Josefina Demes (2002), Ana Karoline Nery (2024; 2021), Djalma Nunes Filho (2005), Teodoro Sobral Neto (1997) e Gilberto Hochman (2012). As fontes primárias analisadas compreendem documentos sobre a Colônia São Pedro de Alcântara e a cidade de Floriano, como os registros das Comissões de Socorro e dos serviços prestados por médicos vinculados ao Partido Público (1877–1880), laudos e inspeções médicas (1874–1888), além de arquivos oriundos da Prefeitura, da Câmara e do Conselho Municipal (1870–1930). Também foram consultados documentos da Delegacia, do Quartel, da Guarda Nacional e das Obras Públicas (1860–1940), e analisados também jornais como Floriano, Diario do Piauhy, O Piauhy, O Popular e A Imprensa. Dessa forma, ao analisar as práticas de cuidado e os dispositivos institucionais de saúde na região da Colônia São Pedro de Alcântara, posteriormente Floriano, entre os anos de 1877 e 1930, foi possível compreender como a assistência foi sendo construída de maneira desigual, marcada tanto pela atuação do Estado, pelas iniciativas da sociedade civil e religiosa, como também pelos agentes, seja a partir das artes de cura ou por meio dos profissionais formados e licenciados. A pesquisa, portanto, contribuiu para refletir sobre e sobre as estratégias coletivas de enfrentamento das enfermidades.


    LUIZ SÉRGIO SILVEIRA MARINHO “PROSSEGUE A LUTA NA PALESTINA”: a cobertura da Questão Palestina no jornal Correio da Manhã (RJ, 1947-1948). Data: 06/02/2026

    A presente pesquisa propõe-se a analisar o noticiário de assuntos internacionais veiculado no jornal Correio da Manhã (RJ), periódico da grande imprensa fluminense, acerca da Questão Palestina, no recorte temporal que vai de fevereiro de 1947 a maio de 1948, portanto às vésperas da Primeira Guerra Árabe-Israelense (1948–1949), primeiro conflito militar de grandes proporções ocorrido entre palestinos e judeus. Objetiva-se compreender de que maneira a versão narrada por esse jornal, de circulação nacional, dialoga com a construção de representações sobre o conflito, à luz da relação entre História e representações proposta por Roger Chartier (2002). Além disso, busca-se refletir sobre o caráter do noticiário internacional enquanto instância de produção ideológica, mobilizando as categorias gramscianas de ideologia, aparelho privado de hegemonia e intelectualidade orgânica, considerando tanto o periódico enquanto ente institucional quanto seus produtores diretos, os jornalistas. A pesquisa estrutura-se de modo a discutir as particularidades da fonte, em diálogo com autores como José D’Assunção Barros (2023) e Sônia Maria de Meneses Silva (2011), ao mesmo tempo em que se debruça sobre as representações construídas acerca dos momentos-chave da escalada de tensões na Palestina, que conduziram ao conflito armado. Dessa forma, a investigação insere-se no campo teórico-metodológico dos estudos de História e Imprensa no Brasil, beneficiando-se das contribuições de De Luca (2008), Figueiredo (1998), Barros (2023) e Ribeiro (2000; 2003).


    JOÃO VITOR DE CARVALHO MELO CÂMERAS NA CIDADE SITIADA: tensões sociais no Cine-Clube Teresinense. Data: 12/01/2026

    O trabalho toma o Cine-Clube Teresinense, instituição de sociabilidades juvenis, consumo e produção de filmes na capital piauiense, como espaço de tensionamento entre diversas culturas cinematográficas que se manifestava entre jovens durante os anos de 1971 e 1987. O período recortado para o estudo, além de remeter ao tempo da Ditadura Militar no Brasil, também compreende a eclosão de um conjunto de manifestações estético-políticas no país, as quais encontravam ressonância nas experiências do cineclubismo em Teresina. De modo específico, a análise se volta para os modos com os quais se operacionalizavam a produção e o compartilhamento de subjetividades entre os membros do Cine-Clube, notadamente os jovens vinculados ao grupo Mel de Abelha, os cineastas que participavam das produções idealizadas por José Wilson de Oliveira e os produtores independentes Raulino Neto e Vitorino Neto. A fim de alcançar os resultados propostos, essa pesquisa utilizará dos filmes produzidos, sobretudo, em bitola super-8 mm, cuja realização se dava pelas mãos de membros e ex-membros da instituição em destaque no trabalho, além de documentos e produções escritas empreendidas pelos cineclubistas no recorte proposto, operacionalizadas a partir de uma bibliografia composta por Castelo Branco (2005), Brito (2015), Lima (2006), Rocha (2011), Silva (2018), dentre outros pertinentes a esta pesquisa.




    Dissertações/Teses - 2025

    ANDRÉ LUIS DE CARVALHO COELHO PELAS LINHAS DO “IMBECIL COLETIVO”: Olavo de Carvalho e o extremismo político no Brasil (1996-2018) Data: 22/12/2025

    A passagem dos anos 2000 para 2010 foi o palco de desenvolvimento do movimento conservador contemporâneo no Brasil, implicando não somente na projeção de novos protagonistas políticos, mas também na circulação de novas ideias, conceitos, propostas e narrativas políticas. Nesse sentido, nosso estudo tem por objetivo demonstrar que as origens desse movimento podem ser estudadas, parcialmente, através da perspectiva da história social das ideias. Tomamos por fonte central de nosso trabalho o livro O Imbecil Coletivo, originalmente publicado em 1996, por Olavo de Carvalho, e reeditado sucessivamente até o ano de 2018, data de sua publicação mais recente. Entendemos que este livro cristalizou temas e questões que, décadas após sua escrita, se tornaram eixos centrais dentro do movimento conservador – que torna seu estudo uma etapa necessária na investigação histórica do Brasil contemporâneo.


    JOEL MARCOS BRASIL DE SOUSA BATISTA “PIAUÍ CAMINHA A PASSOS LARGOS COM O PROGRESSO”: ANÁLISE DAS REPRESENTAÇÕES DO PIAUÍ NAS PÁGINAS DO ESTADÃO E O GLOBO (1964-1975) Data: 05/12/2025

    O trabalho analisa as representações discursivas produzidas e difundidas pelos jornais Estadão e O Globo a respeito da atuação da ditadura militar no Estado do Piauí, em específico referente a política e ao desenvolvimento econômico. Como objetivos específicos, verificamos de que maneira as elites políticas piauienses aderiram e acomodaram-se a nova ordem imposta pelo regime militar. Investigamos como os jornais Estadão e O Globo representaram a violência e a repressão no Piauí após o golpe de 1964 e o crescimento de políticos piauienses no cenário nacional como Petrônio Portella Nunes. Por fim, enfatizamos a construção da imagem do “Piauí Novo” em desenvolvimento, promovida pelos governadores estaduais em consonância com o “Brasil Potência” defendida pelo regime militar. A metodologia do trabalho foi de natureza: hemerográfica, bibliográfica, qualitativa e análise do discurso. Foram utilizados como principais fontes e objeto de pesquisa os jornais Estadão e O Globo. Como fontes auxiliares usamos os jornais piauienses Estado do Piauí, O Dia e O Estado. O recorte temporal escolhido foi de 1964-1975, correspondendo a primeira década da ditadura militar. Tivemos como principais teóricos os seguintes pesquisadores: José D’Assunção Barros (2023), Maria Helena Holim Capelato (2015), Michel de Certeau (1998), Michel Foucault (1996) Michel Pollak (1989), Sandra Pesavento (2003), Serge Berstein (1998), Rodrigo Patto Sá Motta (2018 e 2021), Roger Chartier (2002) e Tania Regina Luca (2008). Utilizamos como historiografia os trabalhos dos historiadores: Carlos Fico (2024), Cláudia Cristina da Silva Fontineles (2015), Daniel Aarão Reis Filho (2014), Francisco Leandro de Araújo Castro (2022), Marylu Alves de Oliveira (2020), Maria do Amparo Carvalho (2006), Marcos Napolitano (2020), e Rodrigo Patto Sá Motta (2021).


    SAMUEL JORGE BARRETO Entre narrativas e memórias: Fidié como fonte histórica e sujeito de si Data: 31/08/2025

    A pesquisa teve como objetivo propor uma análise crítica ao redor da figura de João José da Cunha Fidié, militar português atuante no processo de independência do Piauí. Investigou-se as representações historiográficas do Major enquanto governador das Armas do Piauí, que levaram à construção de uma memória coletiva que o posiciona como antagonista e símbolo da dominação portuguesa, da mesma forma, foi observada sua própria narrativa enquanto agente histórico. O estudo parte da discussão sobre a não-neutralidade na escrita da história, observando como as interpretações acerca da Batalha do Jenipapo foram moldadas por contextos políticos e ideológicos, sobretudo nas produções historiográficas brasileiras do século XIX e da Primeira República. Foi feita uma investigação aos trabalhos de Abdias Neves (1907), Hermínio de Brito Conde (1926), Odilon Nunes (1966), Wilson de Andrade Brandão (1971) e Monsenhor Chaves (1993), com ênfase na forma como esses autores posicionaram Fidié em suas narrativas, refletindo sobre seus lugares de fala e os projetos de identidade que atravessaram suas interpretações. Além disso, a pesquisa se dedica à trajetória do próprio Fidié, investigando sua atuação no campo político e militar, bem como seus feitos no Brasil, através de documentos oficiais que produziu nesse contexto. Por fim, foi feita uma análise, por meio da escrita de si, do livro Varia Fortuna d’um Soldado Português (1850), escrito pelo Major Fidié, observando suas memórias e documentos anexados. Como auxílio teórico recorre-se a autores como Ângela de Castro Gomes (2004), Maurice Halbwachs (1990), Michael Pollak (1992), Jacques Le Goff, (2005) e Roger Chartier (1990), que permitem compreender as diferentes formas de elaboração e disputa da memória em torno de Fidié. Assim, o trabalho contribui para o debate historiográfico sobre a independência no Piauí, destacando a complexidade das representações sobre um personagem central, cuja imagem foi disputada entre narrativas regionais, projetos nacionais e sua própria vontade.


    ANA GEÓRGIA BEZERRA O cenário político de Alagoinha do Piauí: da eleição municipal de 2008 à cassação do prefeito eleito Data: 29/08/2025

    O trabalho analisa o cenário político de Alagoinha do Piauí entre a eleição municipal de 2008 e a cassação do prefeito e vice-prefeito eleitos naquele pleito, bem como seus desdobramentos subsequentes. A problemática da pesquisa concentra-se em compreender a construção política do município, identificar habitus eleitorais que marcaram a eleição de 2008, examinar o processo de cassação e investigar os rearranjos e a redistribuição de capital político decorrentes do período de instabilidade. As fontes utilizadas na análise foram: relatos orais de oito alagoinhenses, uma crônica publicada no Jornal do Planalto (1999); matérias veiculadas no jornal O Dia e nos portais de notícias GPI, 180graus, Riachaonet, Tribuna, Cidadeverde e O tempo (2009-2012); imagens de eventos políticos e decisões da Justiça Eleitoral acerca da cassação. O referencial teórico-metodológico fundamenta-se em Pierre Bourdieu (1989, 2004, 2008, 2011), Serge Berstein (1998), René Rémond (2003), Francisco Farias (2024), Verena Alberti (2008, 2013), José D’Assunção Barros (2023) e Peter Burke (2004). A pesquisa apontou que a construção política de Alagoinha do Piauí, após a emancipação, foi marcada pela consolidação de dois grupos que passaram a disputar capital político e o controle da administração municipal. Na eleição de 2008, ambos foram representados por médicos com expressivo capital simbólico, que lançaram mão de diversas estratégias para garantir vantagem na disputa eleitoral, incluindo indícios de negociação de votos. O pleito foi vencido pelo grupo petista, liderado por Clodoaldo Rocha (PT), que derrotou Pedro Otacílio (PSB), representante do grupo do primeiro prefeito do município. O mandato, contudo, foi interrompido por um processo de cassação que resultou em eleição suplementar e provocou rearranjos no campo político local, culminando na aliança entre os dois grupos para disputar juntos a eleição de 2012.


    MARIA HELENA ALVES FERREIRA O herói vaqueiro: análise da cultura do vaqueiro em Elesbão Veloso nos anos 1980 a 2024 Data: 29/08/2025

    O presente trabalho tem por interesse compreender as mudanças e as permanências da culturae da tradição do vaqueiro em Elesbão Veloso (PI) nos anos de 1980 a 2023 através dos fragmentos de memória. O vaqueiro foi uma figura fulcral para a construção social, política e econômica do Piauí. As fazendas de gado estabelecidas no século XVII nos sertões de dentro, eram propriedades localizadas distantes das cidades litorâneas, de modo que muitas vezes ficavam sob os cuidados dos vaqueiros, a partir de acordos financeiros com os donos que residiam em outras áreas. Esses trabalhadores, dentro da realidade sertaneja, possuíam alguma possibilidade de ascensão social marcada pela escravidão do período colonial. No correr dos séculos, a cultura dos vaqueiros se modificou gradualmente, na esteira das mudanças sociais, políticas e econômicas. Nas décadas finais do século XX, o vaqueiro experimentou acelerada metamorfose em sua realidade cotidiana, muito em razão de avanços tecnológicos que impactaram os transportes, as comunicações e o mundo do trabalho em geral. Com o objetivo de abranger o vaqueiro no contexto elesbonense e o impacto das tecnologias em seu trabalho ecultura no século XXI, o referencial teórico tem como base os conceitos de Memória (Halbwachs,1990; Pollak, 1992), de cultura (Chartier, 2002), de identidades culturais (Hall, 2011) e tradição (Hobsbawm, 2022). A metodologia da pesquisa é a História Oral, tendocomo referência Freitas (2006). Lançando-se mão de fontes orais, bem como dos jornais, sites,documentos, dados estatísticos e obras literárias, percebe-se a dinâmica cotidiana desses indivíduos, em interação com a realidade na qual estão inseridos, bem como as tarefas cotidianas que afetam os seus sentimentos e os seus corpos e o funcionamento da fé como elemento anímico.


    RAFAELA MARTINS SILVA (N)AÇÃO E REGIÃO: DESDOBRAMENTOS DO PROJETO POLÍTICO SANITÁRIO NACIONAL NO PIAUÍ (1910 – 1941) Data: 31/07/2025

    O objetivo deste trabalho é analisar o modelo híbrido operado no campo da saúde pública piauiense entre 1910 e 1941. Parti do princípio de que o projeto político sanitário brasileiro, engendrado a partir da década de 1910, ressoou no Piauí e imprimiu mudanças no formato do atendimento na saúde local. Até então, o Hospital Santa Casa de Misericórdia de Teresina promovia a assistência pública de saúde no Estado através de provimentos oriundos de doações caritativas e de subsídios estaduais. Porém, o início do século XX demarca um processo de conformação “tecno-assistencial” no campo da saúde pública, que foi viabilizado no Piauí por meio dos esforços advindos da sociedade civil, do Estado e da União. Este processo consistiu em um direcionamento de ações coletivas no campo da saúde piauiense e atuou de modo interseccionado entre 1920, período da criação dos Postos Sanitários, e 1941, quando a Santa Casa de Misericórdia fechou as portas e pôs fim ao formato misto em questão. Deste modo, a implantação dos Postos de Saneamento locais assinalou a interferência do poder federal nos estados brasileiros e buscou uma dimensão coletiva no campo da medicina, bem como, uma perspectiva centralizadora do ponto de vista político. Em termos práticos, o Departamento Nacional de Saúde Pública e o Serviço de Saneamento e Profilaxia Rural foram os resultados institucionais do Movimento Sanitarista oriundo da década de 1910 no Brasil e começaram a atuar a partir de 1920. O movimento sanitarista tomou fôlego a partir das viagens científicas executadas pelo Instituto Oswaldo Cruz, que, posteriormente, resultaram na divulgação do mapeamento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Em tom de denúncia, diagnosticaram as condições das populações do interior do país, onde o analfabetismo, a falta de assistência médica e as doenças endêmicas constituíram a fórmula para justificar a debilidade dos habitantes dos lugares visitados pelos cientistas. O alerta apontava especificamente para a situação insalubre e improdutiva, as quais, segundo os excursionistas, favorecia a proliferação de doenças - sífilis, tuberculose, leishmaniose, impaludismo, entre outras. No Piauí, os desdobramentos práticos desta movimentação surgiram a partir da instalação dos Postos de Saneamento estaduais e, posteriormente da implantação do Serviço de Saneamento Rural no Estado, em 1924. Assim, a análise central deste trabalho consiste no esforço de compreender como este processo contribuiu para formação de um novo modelo de organização sanitária na saúde pública piauiense através da criação dos Postos Sanitários e do Serviço de Saneamento e Profilaxia Rural. Para tanto, foram analisados relatórios médicos e de governos locais, legislação nacional e estadual, jornais, memórias e teses médicas.


    GIZELI DA CONCEIÇÃO LIMA A DEMOCRACIA E A REPÚBLICA NOS MANUAIS DE HISTÓRIA UNIVERSAL DO SEGUNDO REINADO E DA PRIMEIRA REPÚBLICA: Percursos do ensino de História Antiga nas escolas secundarias brasileiras. Data: 24/06/2025

    A pesquisa a ser desenvolvida nessa tese de doutorado buscará produzir uma reflexão mais aprofundada sobre o estudo dos usos do passado clássico na contemporaneidade. A proposta consiste em investigar as implicações ideológicas da história antiga escolar mais precisamente as concepções de ‘democracia’ e ‘república’ nos compêndios de História Universal de Justiniano José da Rocha (1860), Pedro Parley (1869), Victor Duruy (1865), Padre Raphael M. Galanti S. J (1907) e de Rocha Pombo (1900), dedicados aos conteúdos de História Antiga, tendo em vista a relevância dos estudos clássicos para formação humanística pretendida pelas escolas secundárias. A escolha desses compêndios tem como principal justificativa a circulação dessas obras em território nacional no período que compreende a segunda metade do Império brasileiro e a primeira república momento em que ocorreram reformas educacionais importantes para o país que demonstram a proposta de uma instituição de nível secundário como algo imprescindível, urgente e necessário tendo como modelo o ensino da corte. Para entendermos melhor esse processo, destacamos como recorte temporal o marco inicial de nosso estudo com a reforma de Couto Ferraz promulgada em 1954 e prosseguiremos estudando até a lei brasileira de ensino Rivadávia Correia em 1911/1912. A metodologia para a realização desta proposta de investigação será a análise dos discursos presentes/ausentes em nossas fontes, a partir do modelo oferecido por Michel Pêcheux, nosso principal referencial teórico. Além disso, Os autores Gregolin (2006), Orlandi (2004,2007), Picanço (2006) que comungam da mesma metodologia de análise Pêcheux de nos ajudarão também a compreender os artifícios retóricos presentes em nossas fontes.

     


    KELYEL FORTES DE RESENDE MELO Vigiar, Punir e Gozar: masculinidades, “pederastia” e Ditadura Civil-Militar (1960 - 1970 Data: 05/06/2025

    As décadas de 1960 e 1970 protagonizaram um intenso embate entre as representações de masculinidades viris em setores da sociedade civil e a intervenção do Estado de Exceção na ordem sexual, com a elaboração de mecanismos legais para a censura, para a investigação e para a correção da subversão moral. Objetiva-se investigar como a atuação dos órgãos da Ditadura Civil-Militar articularam noções de masculinidades à uma subversão, ao mesmo tempo em que a cultura de massa disseminou uma maior produção contracultural atravessada por códigos disruptivos da categoria sexo-gênero-desejo, compartilhando uma efervescência marcada pela erosão do pudor. O argumento é que o período autoritário atravessou o Estado Ditatorial e favoreceu condições para o exercício de um contra-poder equivalente a onda de seu próprio autoritarismo, algo que não se extingue com a transição para o período democrático. Portanto, os homens que participaram da repressão, da censura e da tortura sexual, operaram com práticas sádicas de poder contra a Revolução Sexual, ao mesmo tempo que atuaram como exercício catalizador de práticas semelhantes às práticas da subcultura homoerótica fetichistas e sadomasoquista no mercado sexual. Nesse ponto, o fim do Estado Ditatorial compreende também pensar a Democracia como um regime de governo participativo e inclusivo, tributário da reconfiguração de pactos contrassexuais, na medida em que se propõe a formar um sistema contra o espelho narcísico das masculinidades viris, compreendendo as fissuras desses padrões como um convite a pensar a pluralidades das relações em um sistema aberto à diferenças formas de ser-estar-sentir no mundo.


    IGO FERREIRA DE SOUSA O futebol piauiense sob nova direção: Sociedade Esportiva de Picos e 4 de Julho Esporte Clube no cenário do futebol piauiense (1991 -1998). Data: 03/04/2025

    O presente trabalho tem como objetivo principal analisar a Sociedade Esportiva de Picos e 4 de Julho Esporte Clube no cenário do futebol piauiense de 1991 a 1998. O futebol se tornou ao longo das primeiras décadas do século XX um dos principais elementos de representação da sociedade brasileira, especialmente quando se trata das imagens dos clubes de futebol, de início, amadores, posteriormente profissionais. Nessa esteira, destacamos nesta pesquisa as figuras das equipes SEP e 4 de Julho no contexto futebolístico piauiense durante boa parte da década de 1990. Buscamos analisar que a questão financeira não foi o principal motivo que levou esses dois times a se destacarem nos gramados piauienses, mas sim por meio de suas organizações administrativas. Explicamos mediante as fontes analisadas, que a crise técnica que River e Flamengo (PI) vivenciavam nesse período não era em decorrência da falta de investimento do poder público municipal, mas, por causa principalmente da desorganização administrativa. A SEP e o 4 de Julho por meio de suas respectivas conquistas dentro e fora de campo funcionaram como objetos de representação no seio dos torcedores nas cidades de Picos e Piripiri. Diante desse panorama, essas agremiações passaram a minar o brio dos clubes mais vitoriosos de Teresina, RAC e ECF. No decorrer do período que abarca esta pesquisa, afirmamos que esses dois times teresinenses foram jogados para escanteio no futebol piauiense. Dialogamos com Hilário Franco Júnior (2007), Marcos Guterman (2014), Roger Chartier (2002), Severino Filho (2021). A metodologia utilizada neste trabalho foi realizar uma análise crítica nas fontes, com o objetivo de compreender o cenário futebolístico que os objetos estavam inseridos. As fontes utilizadas nesta pesquisa foram os jornais O Dia, Tribuna de Picos, Jornal Meio Norte, Jornal Folha de São Paulo; Diário Oficial de Teresina; Revista Placar, Jornal dos Sports.


    HIGOR RAFAEL DE SOUSA AGUIAR “FIZERAM EXATAMENTE O QUÊ?”: história, humor e política nas eleições municipais de 2012 em Teresina Data: 02/04/2025

    Este trabalho realiza um estudo histórico sobre a participação de humoristas e o uso do humor nas propagandas eleitorais das eleições municipais de Teresina, capital do Piauí, em 2012. Para isso, são analisadas peças publicitárias políticas que contaram com a atuação dos comediantes piauienses João Cláudio Moreno, Amauri Jucá e Dirceu Andrade, além dos discursos gerados em torno de suas atuações. As propagandas protagonizadas pelos humoristas tornaram-se um ponto de confronto entre as campanhas das duas coligações que chegaram ao segundo turno, nas quais os candidatos buscavam reforçar a necessidade de sua vitória enquanto desqualificavam a gestão do adversário. A contratação desses humoristas também gerou debates sobre um suposto esvaziamento de propostas e a superficialidade nas propagandas eleitorais. A análise baseia-se em vídeos dos programas eleitorais disponíveis na plataforma YouTube; nos cadernos de política dos jornais O Dia e Meio Norte, que cobriram o processo eleitoral; em matérias de portais digitais, como CidadeVerde.com, 180 Graus e G1; e em publicações na rede social Twitter, onde eleitores e opositores se manifestaram sobre essas propagandas. Além disso, são utilizados dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), referentes às eleições de 2012, e informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que permitem traçar o perfil de Teresina no período analisado e relacioná-lo ao tema em questão. A construção desta análise fundamenta-se em autores como René Rémond (2003), que defende a importância de estudar as eleições como um fenômeno digno de atenção em si, para além de suas consequências ou modificações ensejadas; Terry Eagleton (2020), que enxerga o riso não apenas como uma reação fisiológica, mas como um fenômeno atravessado pela cultura; Bernard Manin (1995), que destaca as transformações na dinâmica eleitoral provocadas pelas tecnologias de informação; e Cláudia Fontineles (2009), ao refletir sobre estratégias de evocação e associação da imagem a lugares inscritos na geografia como forma de combater o esquecimento, essencial para compreender as propagandas eleitorais protagonizadas por comediantes que buscavam atribuir a seu candidato a autoria de intervenções urbanas dignas de “aplausos”. O trabalho também incorpora as reflexões de Maria Capelato (1988), que aborda a História da Imprensa no Brasil como uma via para compreender a História Política do país. Nesse sentido, dialoga-se com os campos da História Política, História Cultural e História e Mídia, entendendo a história como uma ciência pluridisciplinar, que rejeita qualquer forma de isolamento.

     


    GUSTAVO SILVA DE MOURA “UMA TRAMA EXPOSTA SOBRE A MESA”: PERCURSOS E EXPERIÊNCIAS DO ROCK E SEUS PERSONAGENS NA SOCIEDADE E CULTURA DO LITORAL DO PIAUÍ NAS DÉCADAS DE 1980 E 1990 Data: 31/03/2025

    Este trabalho objetiva investigar os percursos e experiências das práticas musicais rock e de
    seus personagens no litoral do Piauí nas décadas de 1980 e 1990, analisando as formas de
    produção e difusão do rock autoral local e espaços e ações ligadas à música na região. A partir
    disso, objetiva-se esquadrinhar os percursos de divulgação das ideias e sonoridades
    relacionadas ao rock, compreendendo as relações e tensões entre o local, nacional e global na
    região. Ademais, buscou-se analisar as práticas musicais vinculadas ao rock no litoral do

    Piauí, considerando as tensões na cultura e sociedade local. Como base teórica, a tese ampara-
    se no campo da História Social da Cultura, representada nos trabalhos desenvolvidos pelo

    historiador Edward Palmer Thompson (2012, 1998, 1981) e seu conceito de experiência, o

    teórico Raymond Williams (2008, 2007, 2011, 2015) e seu conceito de cultura e a micro-
    história de bases sociais com os historiadores Giovanni Levi (1998, 2020, 1992) e Edoardo

    Grendi (2009, 1998) no entendimento das práticas dos indivíduos como influenciados pelo
    contexto social e cultural como parte de um processo contínuo de tensões e mudanças. As
    fontes utilizadas no decorrer do trabalho serão analisadas sob o prisma conceitual e
    metodológico baseados no campo da História e Música, pelo viés da historiadora Tânia Garcia
    (2013, 2021) e dos historiadores Marcos Napolitano (2005, 2007) e Juan Pablo Gonzalez
    (2016, 2013); no campo da História Oral, a base será os historiadores Alessandro Portelli
    (2003, 2010) e Ricardo Santhiago (2013, 2016) e a historiadora Lucília Delgado (2003); no
    campo da História e Imagem, a base será a historiadora Ana Mauad (2008) e o filósofo e
    historiador da arte Georges Didi-Huberman (2012a, 2012b) e no campo da História e
    Imprensa, as historiadoras Maria Helena Capelato (2015, 2014) e Tânia de Luca (2008). O
    itinerário será analisado a partir do corpus documental composto pelos periódicos Folha do
    Litoral, Norte do Piauí, A Libertação, Jornal Inovação e Almanaque da Parnaíba; produção
    fonográfica representadas pelas coletâneas Parnaíba – 150 anos (1994) e Porto das Barcas
    (1996); fotografias, cartazes, banners e entrevistas com indivíduos envolvidos com a música
    rock da temporalidade proposta. Nesse sentido, essa tese em História do Brasil tem em vista
    compreender como o rock autoral do litoral piauiense se inseriu e se configurou diante do
    contexto sociocultural da região, evidenciando o diálogo entre a cena musical e as forças
    políticas, econômicas, culturais e sociais nas décadas de 1980 e 1990. Essa abordagem
    permitiu analisar a aproximação da música rock e seus personagens com a sociedade e a
    cultura, destacando os trajetos e experiências na segunda metade do século XX. Os contextos,
    lugares e suportes foram importantes para a construção e consolidação da cena rock no litoral
    do Piauí, que se estabeleceu na década de 1990 como parte da cultura local, considerada pelo
    poder público municipal e estadual como estratégica para suas ações turísticas e culturais.
    Trata-se de uma temática que tem sido pouco abordada nos estudos de pós-graduação da área
    de História quando se referem à música no Nordeste brasileiro e inédita sobre o litoral
    piauiense.


    EDUARDO ALBUQUERQUE RODRIGUES DE CASTRO DINIZ : A INFLUÊNCIA DA ESCOLA DO RECIFE SOB A LIDERANÇA DE TOBIAS BARRETO NA FORMAÇÃO DOS BACHARÉIS PIAUIENSES E NA ESTRUTURAÇÃO DA FACULDADE DE DIREITO DO PIAUÍ Data: 31/03/2025

    A presente pesquisa se propõe a estudar o processo de gestação da Escola do Recife, formada por um conglomerado de intelectuais que, sob a liderança intelectual de Tobias Barreto, estabeleceu matrizes de formação de jovens bacharéis com grande impacto sobre a intelectualidade piauiense e influência na estruturação da Faculdade de Direito do Piauí, abrangendo as décadas de 70 e 80 do século XIX. A investigação ancora-se em autores como Teresinha Queiroz, Antônio Paim, Paulo Mercadante, Hermes Lima, Sylvio Romero e Nelson Saldanha para analisar as identidades em torno do sujeito central, valendo-se de Higino Cunha, Clodoaldo Freitas e João Maurício Adeodato, para discutir as análises e críticas de Tobias Barreto sobre as diversas áreas do saber jurídico, destacando as novos pensamentos jurídicos por ele debatidos antes e depois de se tornar professor da Faculdade de Direito do Recife, bem como as ideias inovadoras em torno da liberdade, igualdade, cientificidade e laicidade estatal, e que foram essenciais para evidenciar o movimento acadêmico que mudou a forma de pensar juridicamente no país e influenciou gerações de bacharéis em Direito, inclusive os que voltaram ou vieram exercer suas atividades profissionais no Piauí. Afirma-se que a Faculdade de Direito piauiense sofreu influência da Escola do Recife, sendo essa a problemática que se pretende pesquisar, ou seja, até que ponto houve realmente essa importância. Neste caso, as manifestações desses juristas em âmbito local também são aqui reveladas, para identificar como o aprendizado inspirado em Tobias Barreto e desenvolvido durante a Escola do Recife e sua permanência durante décadas foi mantido em suas atuações intelectuais, e ainda na idealização e constituição da Faculdade de Direito do Piauí sob inspiração desse movimento. Assim, foram estudados os bacharéis egressos do curso jurídico recifense e que participaram da fundação do curso piauiense, como forma de perceber como as ideias inovadoras vivenciadas no bacharelado e com aqueles que protagonizaram a inquietação do pensamento inovador ocorrido nas fases de desenvolvimento da Escola do Recife. Assim, a análise das convicções dos egressos ficou restrita apenas aos bacharéis que estudaram na Faculdade de Direito do Recife, no período de permanência da agitação em torno das novas ideias, não sendo considerados os fundadores que não estudaram na Faculdade de Direito de Recife ou que fizeram seus cursos em Pernambuco, mas em momento anterior ou posterior ao movimento. As interlocuções desta tese serão com Tobias Barreto, Sylvio Romero, os pensadores que apresentaram as ideias novas de sustentação da Escola e aqueles que foram nutridos por esses pensamentos e vieram para o Piauí e imbuídos nessas concepções organizaram uma Faculdade de Direito. Noutro viés, foram analisadas as estruturas curriculares dos dois cursos citados, fazendo uma comparação entre as Faculdades, levando em consideração a legislação de regência da matéria em cada época, ou seja, as alterações nas cadeiras do curso em Recife e as disciplinas que foram adotadas no curso em Teresina. As fontes utilizadas são prioritariamente biográficas, bibliográficas, hemerográficas e autos judiciais, documentos que possibilitaram identificar a transmissão de saberes ocorrida na academia e os resultados decorrentes do contato dos interlocutores estudados com o seu local de atuação, que inspirou a fundação do curso jurídico no Piauí


    LUCIANE AZEVEDO CHAVES O PROJETO SERTANEJO NO CEARÁ: O HOMEM DO CAMPO NO NÚCLEO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO CEARENSE DE SOBRAL, 1976 A 1983 Data: 31/03/2025

             Esta tese tem como objetivo analisar a implementação do Projeto Sertanejo no Estado do Ceará, especificamente no Núcleo de Sobral, no período entre 1976 a 1983. Procuramos entender a relação desse Programa com o homem do campo, bem como quem foram aqueles que se beneficiaram a partir dos critérios de seletividade. São analisadas as políticas de irrigação executadas pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), atentando para a política desenvolvimentista do Estado durante a década de 1970 e que pretendia modernizar o campo através do Programa Sertanejo. Através das memórias e histórias dos sertanejos procuramos entender também a relação do homem com a natureza, especificamente aqueles que não possuíam ou eram pequenos proprietários de terras. Para o desenvolvimento da pesquisa foram analisados os jornais Tribuna do Ceará, Correio do Ceará disponíveis na Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel e Correio da Semana, pertencente a Cúria Diocesana de Sobral bem como, documentos do DNOCS como livros de Tomos e relatórios. Também são analisados os documentos digitais como as atas do Conselho deliberativo da Sudene e, por fim, as entrevistas realizadas com agricultores dos distritos sobralenses de Aracatiaçu e Taperuaba e o livro Terra do Sol de Gustavo Barroso. Na perspectiva da história social inglesa dialogamos com Eduard Palmer Thompson, procurando entender os costumes dos grupos de agricultores do Núcleo do Projeto Sertanejo em Sobral. O diálogo com Albuquerque Junior (1999, p.74) nos proporciona uma reflexão sobre a construção da memória hegemônica acerca do Nordeste, atentando também para o que chama de “políticas compensatórias dos governos”. Diante disso, buscamos compreender a implantação desse projeto para o homem do campo e isso engloba pequenos produtores e agricultores sem terras que representavam um dos grupos no qual o programa deveria beneficiar.


    BÁRBARA BRUMA ROCHA DO NASCIMENTO “CON ELLOS ANDUVE”: CONEXÕES TRANSNACIONAIS CULTURAIS E RESISTÊNCIA POLÍTICA A PARTIR DA REVISTA CHILENA LA BICICLETA (1978- 1987) Data: 28/03/2025

    Esta pesquisa investiga as conexões transnacionais entre Brasil e Chile, tomando como
    objeto de análise a revista cultural La Bicicleta, publicada em Santiago do Chile entre
    1978 e 1987. Criada por um grupo de jovens chilenos, a revista emergiu como um veículo
    de difusão da produção artística e cultural durante a ditadura militar de Augusto Pinochet
    (1973-1990), caracterizando-se como um meio de comunicação alternativo que resistiu
    às estratégias repressivas do regime. O destaque da revista como fonte desta investigação
    reside em sua capacidade de construir uma rede de colaboradores que transcendia as
    fronteiras chilenas, envolvendo artistas, intelectuais e exilados chilenos, além de
    estabelecer diálogos com produções culturais de outros países latino-americanos,
    especialmente o Brasil, a partir da década de 1980. Esse intercâmbio de ideias,
    informações e experiências configurou uma experiência transnacional, marcada por
    conexões e solidariedades em um contexto de regimes autoritários compartilhados.A
    abordagem transnacional orienta esta análise, com foco nas interações culturais e
    artísticas que se desenvolveram em meio às ditaduras militares na América Latina.
    Inicialmente, o estudo examina os vínculos entre os golpes militares no Cone Sul,
    destacando o envolvimento do Brasil no apoio ao golpe chileno de 1973 e na queda do
    governo socialista de Salvador Allende. Esse cenário foi marcado pelo fluxo de exilados
    brasileiros para o Chile após o golpe de 1964 no Brasil, o que reforçou as conexões entre
    os dois países. Em um segundo momento, a pesquisa analisa como, a partir de 1978, a
    juventude chilena reorganizou-se e buscou formas de resistência cultural, impulsionada
    por uma aparente abertura política decorrente da pressão internacional sobre o regime de
    Pinochet. Nesse contexto, surgiram publicações alternativas, como La Bicicleta,
    vinculada aos talleres culturales e à Agrupación Cultural Universitaria, que ampliaram
    o debate sobre a produção cultural latino-americana, incluindo o Brasil como referência
    frequente. A proposta de criação de um cancioneiro latino-americano, presente nas
    páginas da revista, exemplifica essa articulação transnacional.Para o desenvolvimento da
    pesquisa, são mobilizadas referências teóricas e metodológicas de autores como Idelber
    Avelar, Samantha Viz Quadrat, Rodrigo Patto Sá Motta, Maria Helena Capelato, Tania
    Regina de Luca, Maria Ligia Prado Coelho, Bárbara Weinstein, Patricia Clavin, Víctor
    Muñoz Tamayo, Beatriz Sarlo e Karen Donoso Fritz, entre outros. Priorizam-se
    contribuições de pesquisadores latino-americanos, cujos trabalhos oferecem subsídios
    fundamentais para a compreensão das dinâmicas culturais e políticas em contextos
    ditatoriais. A análise proposta busca, assim, elucidar como a arte e a cultura serviram
    como ferramentas de resistência e construção de redes transnacionais em um período
    marcado pela repressão e pela busca de solidariedade entre países sob regimes
    autoritários.


    DANIELLE FILGUEIRAS SANTOS PARA ALÉM DO “LINSOGEIRO ESTADO SANITÁRIO”: a atuação do governo provincial no combate às epidemias e endemias em Teresina, PI (1852-1889) Data: 28/03/2025

    A proposta dessa dissertação é analisar as ações médico-sanitárias empreendidas pelo governo provincial para contenção dos principais episódios de doenças epidêmicas e endêmicas em Teresina, entre 1852 e 1889. No decorrer desse período, os teresinenses enfrentaram surtos de doenças devido à insalubridade dos espaços urbanos. Visando contornar a situação, a higiene tornou-se central nas ações empreendidas pelos médicos, poderes públicos e atuação benemerente, pois a falta dela era vista como um grande obstáculo não só para a garantia da saúde, mas também para a modernização de Teresina. Dentre as patologias que mais afetavam os teresinenses, destacavam-se as enfermidades gastrointestinais e infectocontagiosas, como a varíola, o impaludismo e os variados tipos de febres, bem como outras moléstias, que eram favorecidas pelas condições de insalubridade. Algumas dessas doenças foram atribuídas à presença de miasmas que emanavam de corpos fluidos, pois sendo uma cidade-beira, Teresina possuía diversos cursos d’água situados em suas proximidades, além dos rios Parnaíba e Poti. A assistência médica aos moradores da capital era prestada majoritariamente pela caridade privada, através da Santa Casa de Misericórdia, que também recebia pessoas de outras cidades e províncias, sendo que os poderes públicos agiam nos casos emergenciais. Para a realização da pesquisa, foi empreendido o estudo bibliográfico de caráter teórico, historiográfico e metodológico de autores como Joseanne Marinho (2018), Antonio de Melo Filho (2000), Ana Karoline Nery (2021), Dilene do Nascimento (2004), Maria Clélia Costa (2014) e Jaques Le Goff (1985). As principais fontes primárias coletadas consistem em relatórios governamentais, ofícios da Coleção Saúde Pública, matérias de jornais A Imprensa, O Echo Liberal, O Expectador e O Propagador. Diante disso, pode-se apontar que a capital do Piauí foi estabelecida sob a premissa da higiene e da salubridade, refletindo os ideais médicos e urbanísticos do século XIX. No entanto, as práticas realizadas frequentemente contrastavam com esses princípios. Teresina sofria com a incidência de moléstias como as febres, dentre elas o impaludismo e a febre amarela, a varíola, o sarampo, as doenças gastrointestinais, além de ameaças do cólera, pois, os desafios decorrentes da falta de assistência hospitalar, de infraestrutura, saneamento básico e de recursos financeiros, muitas vezes dificultavam ações regulares em torno da saúde.


    FRANCISCO DE ASSIS OLIVEIRA SILVA A CONSTRUÇÃO DO ESTADO IMPERIAL BRASILEIRO E A PROVÍNCIA DO PIAUÍ: A crise do Antigo Regime, o Constitucionalismo e a Confederação do Equador, 1820-1825. Data: 28/03/2025

    O processo histórico de construção e afirmação do estado imperial brasileiro perpassou, ao longo dos anos, uma série de divergências políticas e embates provinciais que abrangem desde as lutas pela independência do Brasil até a primeira metade do século XIX. A tese que aqui se apresenta visa analisar a contribuição do Piauí na formação e afirmação do estado imperial brasileiro, nos anos de 1823-1825, compreendendo o constitucionalismo como ponto chave das dissensões internas. Buscou-se analisar como as elites locais articulam-se no poder nos primeiros anos pós-emancipação política e participam da consolidação do estado. As fontes primárias utilizadas foram ofícios e correspondências de Manuel de Sousa Martins, então presidente temporário da província do Piauí, com a Corte situada no Rio de Janeiro. Buscou-se ainda no periódico maranhense o Conciliador do Maranhão, compreender o ideário político de um dos principais expoentes do constitucionalismo no Piauí, o juiz de fora João Candido de Deus e Silva. Utilizaram-se ainda documentos relacionados à Confederação do Equador na província piauiense, disponíveis nas obras de Ulysses Brandão e Abdias Neves, além da Constituição de 1824 e algumas leis e decisões do Império do Brasil, analisados à luz da historiografia. A partir da crise do Antigo Regime, das lutas pela independência no Piauí e do movimento da Confederação do Equador, construiu-se um debate em torno das divergências e rupturas políticas, dentro da província piauiense. Nesse intuito, inquiriram-se as ações e atitudes do presidente temporário Manuel de Sousa Martins, procurando entender como elas colaboraram para o fortalecimento do estado imperial brasileiro.


    ITALO DE ANDRADE LOPES A participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial: as representações no Jornal Gazeta- PI (1939-1945). Data: 28/03/2025

    O objetivo desta dissertação é analisar as representações da Segunda Guerra Mundial construídas pelo Jornal Gazeta do Piauí e pelas correspondências trocadas pelas embaixadas durante o conflito, com ênfase na participação do Brasil na guerra. A pesquisa foca, em particular, nas negociações políticas que nortearam a inserção do país no conflito, no processo de engrandecimento do exército brasileiro, e as mobilizações no processo de formação de forças expedicionárias brasileiras no período de 1939-1945. A pesquisa também permite o uso de outras fontes em seu processo de construção, como relatórios ministeriais, cartas, memorandos, telegramas. Para a realização desta pesquisa torna-se necessário um estudo teórico e metodológico que buscar dialogar com autores como Johny Santana de Araújo (2015) Gerson Moura (2012) Eric Hobsbawn (1995) Frank McCANN (1995), Von Clausewitz (2017), entre outros de bibliografia complementar.


    HEITOR MATOS DA SILVA ARMAÇÕES ILIMITADAS DA IMAGEM EM MOVIMENTO: um surf no cinema brasileiro a propósito de Antonio Calmon Data: 27/03/2025
     Este trabalho pretende analisar historicamente, a pretexto do cineasta, roteirista e autor de novelas Antônio Calmon e de seus contemporâneos, a produção de sentidos sobre o cinema brasileiro, entre as décadas de 1960 e 1990. Esses debates demarcaram tradições e inovações sobre a cultura brasileira, tomando a noção de moderno como referência nesse contexto. Analisaremos, por meio de filmes do período e entrevistas temáticas, os cânones do cinema brasileiro, para mapear os lugares de produção e as posições dos agentes no campo cinematográfico, enfatizando principalmente a produção fílmica voltada para o consumo dos anos 70. Entendemos que os cânones cinematográficos são insuficientes para abarcar cineastas e produções cuja historicidade atravessa diversos momentos da História da cultura brasileira. Do ponto de vista conceitual, o trabalho dialoga com autores como Michel Foulcault, Homi Bhabha, Gilles Deleuze, Jorge Larrosa, dentre outros. 

    MAIRA DELMONDES DE MATOS IMPRENSA EM TEMPOS DE GUERRA: O DISCURSO POLÍTICO DE A IMPRENSA DURANTE A GUERRA DO PARAGUAI (1865-1870) Data: 27/03/2025

    Considerado o maior conflito bélico da América do Sul por envolver o Paraguai e a Tríplice
    Aliança, a Guerra do Paraguai foi intensamente noticiada pela imprensa brasileira, que
    exerceu um papel fundamental ao transmitir as repercussões dos campos de batalha e
    difundir o discurso oficial. Ao longo do conflito jornais de diferentes províncias foram
    utilizados como uma arma na disputa pelo poder, visando à consolidação do Brasil enquanto
    Estado-Nação unificado. Desse modo, a presente dissertação pretende analisar o
    desdobramento da cobertura da Guerra do Paraguai na província do Piauí, com foco nas
    páginas do periódico político A Imprensa, órgão do Partido Liberal fundado por Deolindo
    Mendes da Silva Moura em 1865, que permaneceu em circulação até 1889. Objetivamos
    analisar o espaço dedicado pela A Imprensa à Guerra do Paraguai, destacando suas conexões
    com a imprensa nacional na abordagem do conflito. Para isso, foram selecionadas matérias
    publicadas entre 1865 e 1870, considerando a relação entre suas narrativas e o contexto
    político e social da época. Dada a relação entre a imprensa e a política no século XIX, e o
    contexto da Guerra do Paraguai,
    este estudo utiliza como referencial teórico e metodológico os trabalhos de Sousa (2008),
    Sodré (1996), Araújo (2015) e Doratioto (2002).


    KÁTIA DE ARAÚJO SILVA COMBATER A OCIOSIDADE COM O TRABALHO: as ações governamentais de combate a seca no norte do Piauí (1877-1879) Data: 26/03/2025

    O trabalho analisa as dificuldades enfrentadas pela classe pobre, mediante o cenário da seca de 1877-1879 no norte do Piauí, e as práticas do governo provincial para inseri-la no trabalho regular, por meio das ações da Comissão de Socorros. Examina os discursos construídos pelas elites piauienses sobre a seca e a população livre e pobre, os quais buscavam apresentar estes sujeitos como indolentes e preguiçosos. Desse modo, buscamos entender como os migrantes reagem a esse sistema de dominação, ou seja, as estratégias de sobrevivência e resistência usadas por estes sujeitos. Fundamenta-se em fontes hemerográficas – os jornais piauienses “A imprensa: Periódico Político (PI)” e o “A Época: Órgão Conservador (PI)”, coletados na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro –, em outros documentos escritos, como manuscritos da Comissão de Socorros Públicos, Ofícios dos contratantes de núcleos e os Relatórios de inspeção dos núcleos coloniais, encontrados no Arquivo Público do Estado do Piauí e, na historiografia nacional sobre o tema da seca, com Araújo (1991), Monteiro (2016), Gonçalves (2022) e Silva (2023). As discussões teóricas seguem as reflexões de Thompson (1987), Barros (2023), Eni Orlandi (1999), Revel (1998).


    MARIA DE JESUS DAIANE RUFINO LEAL As múltiplas faces do jornalismo de Torquato Neto: o “anjo torto” da tropicália implicado na história do Brasil contemporâneo Data: 21/03/2025

    Torquato Neto foi, ao longo das últimas cinco décadas, convertido em um vistoso sujeito histórico, referenciando teses, dissertações e monografias em diferentes áreas. De modo geral e com apenas algumas exceções este sujeito tem sido igualado a si mesmo, sendo sinônimo do anjo torto da tropicália. A presente tese parte deste pressuposto para o problematizar historicamente. O principal objetivo do estudo é demonstrar que o jornalismo de Torquato Neto, especificamente, abriu um espaço renovado para a atuação jornalística no Brasil, na medida em que foi com ele, no início da segunda metade do século XX, que as redações dos jornais começaram a enxergar a reportagem como um espaço de atuação literária, o que contribuiu para refundar as bases do texto jornalístico. Ao mesmo tempo, na condição de articulista e redator de colunas em importantes jornais brasileiros, Torquato Neto encontrou no jornalismo o instrumento ideal para discutir a própria identidade nacional. Mas, como a tese procurou demonstrar, não sendo idêntico a si mesmo, o sujeito histórico se constitui na contradição. Com Torquato Neto também foi assim. Do ponto de vista empírico o trabalho operou com pesquisa bibliográfica, mas também com documentos hemerográficos, a maioria disponível a consulta no Acervo Torquato Neto, em Teresina, no Piauí. Foram, também, consultados documentos audiovisuais. Do ponto de vista teórico o trabalho se beneficiou de referências conceituais obtidas junto a autores tais como Foucault, Larrosa, Hall e Certeau, dentre outros. Com o benefício desta teoria foi possível propor que a linguagem é um lugar de acontecimento da história, o que converte o jornalismo – e mormente o jornalismo cultural – numa significativa fonte histórica.


    ALMERITO FRANCISCO OLIVEIRA DA SILVA MARIA DA INGLATERRA: Trajetóra e representações de uma “Rainha” piauiense (1974-2020) Data: 13/03/2025

    O presente trabalho é resultado de uma investigação acerca da trajetória artística e das representações culturais em torno da cantora popular piauiense Maria da Inglaterra, destacada como uma das figuras mais emblemáticas da cultura do Piauí. O estudo tem como objetivo principal analisar sua inserção no cenário artístico de Teresina, levando em conta as condições socioeconômicas e os desafios que moldaram sua carreira, bem como as redes de sociabilidade que contribuíram para sua ascensão no panorama cultural local. A dissertação adota uma abordagem biográfica, estruturada cronologicamente entre ao anos de 1970 ao de 2020. Além de examinar suas criações musicais e seu papel como representante da arte popular piauiense, o estudo investiga como sua memória foi construída, tanto por ela própria quanto pela sociedade, e de que maneira sua trajetória reflete e contribui para a identidade cultural regional. A pesquisa é multidisciplinar, embasada em uma vasta bibliografia que inclui livros, artigos científicos e obras literárias, além de fontes hemerográficas do Arquivo Público do Piauí e da Hemeroteca da Biblioteca Digital Nacional, de onde foram extraídas notícias, crônicas, entrevistas e fotografias. Também foram analisadas entrevistas audiovisuais, concedidas a diversos programas de TV e disponíveis no YouTube. A fundamentação teórica se apoia nos conceitos de biografia, memória, cultura, redes de sociabilidade e história das representações, com base respectivamente em autores como Pierre Bourdieu (2009), François Dosse (2009), Michel Pollak (1989), Michel de Certeau (2010), Peter Burke (2005), Jean-François Sirinelli (2003) e Roger Chartier (1990). Como resultado, o trabalho fortalece as histórias de artistas e figuras populares que, muitas vezes marginalizadas ou esquecidas, desempenham um papel essencial na construção da memória e identidade culturais locais, ao mesmo tempo em que propõe uma reflexão sobre as complexas relações entre a produção cultural, a história social e os processos de representação e reconhecimento na sociedade piauiense.


    MARIA EDUARDA SOUSA DA SILVA Nas trilhas de Otaku: História, Cultura e Mídias Japonesas no Brasil ( 2000-2015) Data: 13/03/2025

    A pesquisa se propõe a estudar como as mídias e a cultura japonesa estão presentes no contexto brasileiro a partir dos anos 2000 até os anos 2015, anos em que se tem maior frequência de animações japonesas nas mídias televisivas. Com ajuda das animações japonesas (os animes) outras mídias, como os mangás, se popularizaram no Ocidente e chegaram no Brasil na década de 90. Uma geração depois, nos anos 2000, essas mídias se tornaram cada vez mais presentes culturalmente. Os jovens são o público leitor mais atingido por essa cultura formadora de novas identidades, devido a esses produtos serem direcionados aos mesmos. O Brasil não é diferente dos outros países do Ocidente, esse fenômeno também se faz presente no país. Os eventos, as comidas, o consumo dos mangás, animes e moda são prova disso. As mídias japonesas: mangás, animes, culinária, moda, música bem como eventos serão utilizados como fonte, juntamente com revistas, dados estatísticos etc. Alguns autores que elucidaram este trabalho são Bauman e seus conceitos de globalização e sociedade de consumo, Bhaba e as identidades, Chartier e sua obra “A aventura dos livros” para analisar os mangás, Certeau e sua obra “Cultura no Plural”, Gravett para analisar as mídias japonesas no contexto ocidental, Sato e a cultura japonesa no Brasil- Japop, Patrick Charaudeau e sua obra “Discurso das mídias” e a dissertação da Marcela Maria da Silva Leite com o conceito de “transculturalidade”


    ANA ESTER DE MATOS SILVA “CIDADE DO BARULHO”: ANÁLISE HISTÓRICA DAS SONORIDADES URBANAS DA CIDADE DE PICOS-PI (DÉCADA DE 1990). Data: 07/03/2025

    A partir da compreensão de que a cidade se compõe de materialidade, mas também, de
    sensibilidades e sociabilidades, o objetivo da pesquisa é analisar as sonoridades urbanas da
    cidade de Picos-PI, tendo como recorte temporal a década de 1990, dando ênfase ao estudo
    histórico desta urbe, no estado do Piauí, e sua interlocução com o contexto urbano nacional.
    A pesquisa será guiada a partir da análise de fontes hemerográficas (Jornal Tribuna de Picos,
    Jornal de Picos e, O Dia), orais e audiovisuais, registradas em vídeos, que foram capturados
    e preservados pelos citadinos, através de equipamentos tecnológicos. Os autores que
    embasam esta propositura são: Sandra Pesavento (2007), Michel de Certeau (2008), Alain
    Corbin (1987), Peter Burke (2005), Ecléa Bosi (1994), Verena Alberti (2004; 2005), Roger
    Chartier (1990), José Miguel Wisnik (2017), Murray Schafer (2011) e Marcos Napolitano
    (2005). A pesquisa aponta as representações auditivas, na cidade de Picos, veiculadas nos
    periódicos supracitados, destacando um perfil de “cidade do barulho”, bem como os
    “legisladores do barulho” e os “perturbadores do sossego público” que desrespeitavam o
    regramento municipal. Entre os sons da cidade analisados, estão os ruídos dos carros de
    propaganda volante e as músicas reverberadas pelos shows em espaços públicos da urbe.


    ESDRAS FELIPE COUTINHO TORRES CONTROLES DO COTIDIANO: diamba, drogas, repressão e desviantes em tempos de ditadura no Meio-Norte do Brasil (1967-1978) Data: 10/02/2025

    Este trabalho objetiva estudar historicamente as tentativas de controle social exercidos sobre a diamba e outras drogas na região Meio Norte do Brasil durante a ditadura militar, sobretudo entre os anos de 1967 e 1978, período contemplado pela documentação que sustenta a pesquisa. Compreendendo Piauí e Maranhão como uma região em que houve um processo de circulação da diamba, caberá, no trabalho, perceber os modos com os quais se constituiu, no período em estudo, um conjunto de discursos que associavam as drogas a sujeitos tais como hippies e povos indígenas, bem como sua relação tanto com as experiências contraculturais quanto com conflitos sociais urbanos e rurais no período. Sustentando-se, em termos documentais, em materiais hemerográficos do Piauí e do Maranhão e em documentos obtidos junto à Comissão Nacional da Verdade, o trabalho observa de que maneira as drogas afetavam regiões urbanas e rurais do recorte espacial em estudo. Do ponto de vista teórico e historiográfico, o trabalho é amparado pelas reflexões de Michel Foucault, bem como por David Le Breton, Leon Frederico Kaminski, Carlos Fico, Eduardo Viveiros de Castro, Eduardo McRae, Jorge Emanuel Luz de Souza e Lilian da Rosa.


    RODRIGO THADEU PAIVA DIAS Estado, progresso e civilidade na atuação intelectual de Abdias Neves Data: 01/02/2025

    Abdias Neves foi um dos intelectuais piauienses de maior destaque durante a Primeira República. Como polígrafo, contribuiu com a cultura escrita através de visitas aos mais variados gêneros: foi da exegese religiosa à historiografia, de estudos jurídicos a textos jornalísticos, da poesia à prosa nas belas letras, sempre alinhado a um conjunto de ideias materialista-cientificista. No tocante às ocupações, foi magistrado, professor, diretor de escolas, político, jornalista, maçom e escritor. Sua trajetória profissional, excetuando-se as experiências na educação privada, foi inteira como funcionário público. Do lugar de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, formado na Faculdade de Direito do Recife, foi procurador da Fazenda do Piauí, lente do Liceu Piauiense, juiz de Direito em comarcas do interior do Piauí, juiz substituto federal, secretário de governo e diretor da secretaria da Câmara Legislativa. Neste trabalho, busca-se analisar a atuação intelectual de Abdias Neves a partir da articulação entre Estado, progresso e civilidade. Compreende-se que o intelectual adotou uma postura profundamente utilitária ao longo de sua trajetória, no sentido de tentar interferir no mundo que o rodeava através da prática escriturística e das prerrogativas institucionais dos cargos que ocupou. Essa postura se deu ombreada às teorias que mediavam suas interações com a realidade na qual estava inserido. Com o objetivo de potencializar as análises realizadas, são estabelecidos diálogos com pesquisadores como Norbert Elias, Michel de Certeau, Nicolau Sevcenko, Teresinha Queiroz e Áurea da Paz Pinheiro.