• UFPI

  • COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS E SAÚDE/CCS

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

  • EM CIÊNCIAS E SAÚDE






  • Dissertações/Teses - 2026

    DIEGO BATISTA DE MONTALVÃO CUNHA RELAÇÃO ENTRE TSH E CARACTERÍSTICAS ULTRASSONOGRÁFICAS NA PREDIÇÃO DE MALIGNIDADE TIREOIDIANA: UMA ANÁLISE DIAGNÓSTICA Data: 27/10/2026

    INTRODUÇÃO: Dados atuais mostram que até 60% dos adultos na população apresentam um ou mais nódulos tireoidianos, embora aproximadamente 5% destes sejam malignos. Embora o sistema ACR TI-RADS seja o padrão morfológico, limitações em sua sensibilidade justificam a busca por ferramentas que auxiliem na estratificação diagnóstica destes pacientes. OBJETIVO: Investigar o papel do TSH sérico na otimização da escala ACR TI-RADS para a predição de malignidade tireoidiana em Teresina-PI. METODOLOGIA: Um estudo retrospectivo analítico foi realizado com 172 pacientes submetidos à tireoidectomia entre 2021 e 2024. O ponto de corte do TSH foi definido via curva ROC e avaliaram-se dois modelos de integração entre TSH e ACR TI-RADS: Aditivo (Modelo 1) e Reclassificação (Modelo 2). RESULTADOS: A prevalência de malignidade foi de 47,1%. O grupo maligno apresentou mediana de TSH significativamente superior (1,74 vs. 1,31 mUI/L; p=0,0006). A AUC foi de 0,652, com ponto de corte ótimo de 1,545 mUI/L. A análise multivariada confirmou o TSH (≥1,545) como preditor independente (OR=3,41; p=0,0269). A integração do TSH ao ACR TI-RADS otimizou o desempenho diagnóstico: o Modelo 1 (Aditivo) elevou a sensibilidade de 71,6% para 90,1%, resgatando 15 carcinomas negligenciados pela imagem isolada; o Modelo 2 (Reclassificação) atingiu sensibilidade de 84,0%, recuperando 10 casos malignos. Esta estratégia apresentou o acréscimo de uma PAAF desnecessária para cada 2,5 (Modelo 1) e 2 (Modelo 2) carcinomas recuperados. Não houve associação entre TSH e agressividade tumoral (p=0,680). DISCUSSÃO: O ponto de corte local (1,545) apresentou-se em posição intermediária entre os limiares internacionais, reforçando a necessidade de calibração regional para evitar subestimar o risco. Tanto o ACR TI-RADS quanto o TSH apresentaram acurácia moderada, e a combinação de ambos melhorou a sensibilidade, ainda que os Modelos Aditivo e de Reclassificação (este último, inédito) tenham aumentado o número de procedimentos em nódulos benignos. CONCLUSÃO: A incorporação do TSH ao processo de estratificação ultrassonográfica aumentou a sensibilidade diagnóstica para identificação de malignidade. O TSH, em virtude do seu baixo custo e ampla disponibilidade, tem potencial como marcador complementar no manejo diagnóstico de pacientes com nódulos tireoidianos.


    ANA FLORISE MORAIS OLIVEIRA Estudo in silico e avaliação hemolítica de derivados naftoimidazóis com potencial antileishmania. Data: 17/09/2026

    RESUMO

     

    Leishmaniose se caracteriza por ser um grupo de doenças parasitárias negligenciadas, causadas por protozoários do gênero Leishmania, transmitidas por fêmeas do flebotomíneo durante o repasto sanguíneo. Embora haja fármacos disponíveis para o tratamento da leishmaniose, suas limitações terapêuticas tornam necessário desenvolver compostos alternativos. Nesse contexto, a química medicinal desempenha papel crucial, permitindo a síntese e otimização de moléculas com potencial terapêutico. Este estudo avaliou as propriedades biológicas de dois derivados naftoimidazóis com potencial leishmanicida (V1 e V6) por meio de teste de hemólise em ágar sangue e análises in silico, incluindo cálculo de descritores moleculares, determinação do potencial eletrostático molecular, predição de propriedades farmacocinéticas e toxicológicas, e estudos de docagem molecular. O teste de hemólise foi realizado em triplicata e repetido seis vezes. Os resultados não indicaram atividade hemolítica na concentração de 1000 μg/mL. As análises in silico demonstraram que V1 e V6 estão de acordo com os critérios de similaridade a fármacos orais. Além disso, ambos apresentaram boa absorção intestinal prevista, distribuição compatível com compostos de uso sistêmico e baixo potencial hepatotóxico, imunotóxico ou genotóxico. O estudo de HOMO-LUMO e do mapa eletrostático apontou maior reatividade para V1 e regiões mais eletronegativas em V6. A docagem molecular indicou interações favoráveis para ambos os complexos, destacando a interação V1/4IX8 (ΔGbind: –12,3751 kcal·mol⁻¹), que apresentou maior afinidade pelo sítio ativo da tirosina aminotransferase, superando o ligante nativo. Portanto, os resultados obtidos ampliam o entendimento sobre os derivados naftoimidazóis e evidenciam seu potencial farmacológico, sustentando a importância da continuidade de pesquisas direcionadas ao desenvolvimento de novas terapias contra a leishmaniose.

     

     


    LAIANE OLIVEIRA LIMA SOARES DOENÇA DE CHAGAS: PERFIL CLÍNICO E EPIDEMIOLÓGICO DAS INTERNAÇÕES EM TERESINA, PIAUÍ, BRASIL Data: 31/08/2026

    A Doença de Chagas (DCh) constitui um importante problema de saúde pública na América Latina, sendo considerada uma doença tropical negligenciada associada a elevados índices de morbimortalidade, especialmente em sua fase crônica. O presente estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico, clínico e os custos hospitalares das internações por Doença de Chagas no estado do Piauí, no período de 2012 a 2022, com ênfase em dois hospitais de referência. Trata-se de um estudo epidemiológico, retrospectivo, descritivo e de abordagem quantitativa, realizado a partir de dados secundários obtidos no Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS – DATASUS) e de dados institucionais do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI). Foram analisadas variáveis sociodemográficas, clínicas e relacionadas às internações hospitalares, incluindo município de atendimento, estabelecimento de saúde, sexo, faixa etária, caráter de atendimento, forma clínica, comorbidades, tratamento realizado e desfecho clínico. No período analisado, foram registradas 74 internações hospitalares por Doença de Chagas no estado do Piauí segundo dados do DATASUS, com maior concentração no município de Teresina. Observou-se predominância do sexo masculino e maior frequência de internações em indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos. A maioria das internações ocorreu em caráter de urgência, evidenciando o agravamento clínico dos pacientes no momento da admissão hospitalar. A análise dos dados do HU-UFPI identificou 109 internações no período estudado, com predominância da forma crônica sintomática da doença e maior ocorrência de manifestações digestivas, seguidas de manifestações cardíacas. O desfecho hospitalar mais frequente foi a alta médica, embora tenha sido observado percentual relevante de óbitos. Os resultados evidenciam a persistência da Doença de Chagas como importante causa de hospitalização e destacam a necessidade de fortalecimento das estratégias de vigilância, diagnóstico precoce e acompanhamento clínico dos pacientes.


    FLÁVIO MURILO RAMOS BEZERRA “HIPOZINCEMIA EM PACIENTES COM RETINOPATIA DIABÉTICA: Uma Revisão Sistemática e Metanálise” Data: 27/08/2026

    RESUMO

     

    Introdução: O diabetes mellitus (DM) está associado a complicações microvasculares, entre elas a retinopatia diabética (RD), uma das principais causas de cegueira evitável. O zinco desempenha funções importantes no metabolismo da glicose, na secreção de insulina e na defesa antioxidante, sendo a hipozincemia frequentemente observada em indivíduos com diabetes. Este estudo avaliou as concentrações séricas de zinco em indivíduos com DM e RD por meio de revisão sistemática e metanálise em rede.

     


    NATHANY NIRLEY UCHÔA BARRADAS FERRO Internações por infarto agudo do miocárdio no Brasil: tendência temporal e impacto hospitalar Data: 26/08/2026

    RESUMO Introdução: O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) permanece entre as principais causas de morbimortalidade no Brasil e no mundo, representando um importante problema de saúde pública devido à elevada frequência de internações, mortalidade e custos assistenciais. O monitoramento desses indicadores é essencial para compreender o impacto da doença sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e subsidiar o planejamento de ações voltadas à prevenção e à qualificação da assistência. Objetivo: Analisar a tendência temporal das internações por Infarto Agudo do Miocárdio no Brasil e avaliar seu impacto hospitalar no período de 2015 a 2025. Método: Estudo ecológico, de abordagem quantitativa e série temporal, realizado com dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), disponíveis no DATASUS. Foram analisadas as internações por IAM segundo sexo, faixa etária, região de atendimento, mortalidade hospitalar, tempo médio de permanência e custos das hospitalizações. Os dados foram organizados em planilhas eletrônicas e submetidos à análise estatística descritiva. Resultados e Discussão: Entre 2015 e 2025, foram registradas 1.549.910 internações por IAM no Brasil, com crescimento de 85,19% no período. A Região Sudeste concentrou a maior proporção das hospitalizações, seguida pelas regiões Nordeste e Sul. Observou-se predominância de internações entre homens e indivíduos de 60 a 69 anos. Embora o número absoluto de óbitos tenha aumentado, verificou-se redução da taxa de mortalidade hospitalar e do tempo médio de permanência, sugerindo avanços na assistência. Em contrapartida, o crescimento das internações elevou os custos hospitalares, que ultrapassaram R$ 1 bilhão ao longo da série histórica, evidenciando o impacto econômico da doença sobre o SUS. Considerações Finais: O IAM permanece como um importante desafio para a saúde pública brasileira, em razão do aumento das internações e do elevado impacto assistencial e econômico. Os resultados reforçam a necessidade de fortalecer ações de prevenção cardiovascular, ampliar o acesso ao diagnóstico e tratamento oportunos e subsidiar políticas públicas voltadas à redução da morbimortalidade e dos custos relacionados à doença. 


    ANA MARIA NASCIMENTO BARROS RECONHECIMENTO PRECOCE DA SEPSE POR ENFERMEIROS EM UM HOSPITAL PÚBLICO: CONHECIMENTOS, PRÁTICAS E DESAFIOS. Data: 21/08/2026

     Introdução: A identificação precoce da sepse constitui um dos principais desafios da assistência hospitalar, uma vez que o atraso no reconhecimento dessa condição está diretamente relacionado ao aumento da morbimortalidade. Nesse contexto, o enfermeiro desempenha papel fundamental na suspeição clínica durante a admissão hospitalar. Objetivo: compreender as práticas e os desafios enfrentados pelos enfermeiros no reconhecimento precoce da sepse durante a admissão de pacientes em um hospital público. Método: trata-se de um estudo de abordagem predominantemente quantitativa, descritivo, exploratório e transversal, realizado com 42 enfermeiros de um hospital público de referência do estado do Piauí. Os dados foram coletados por meio de questionário estruturado e submetidos à análise estatística descritiva e inferencial, adotando-se nível de significância de 5%, sendo as questões discursivas organizadas por categorização temática descritiva. Resultados: observou-se predomínio de enfermeiros que relataram possuir conhecimento apenas parcial sobre o reconhecimento precoce da sepse, associado a lacunas na atualização conceitual da doença e na identificação de manifestações clínicas compatíveis com os critérios atuais. Entre os principais desafios destacaram-se a insuficiência de capacitação profissional, o desconhecimento ou a ausência de protocolos institucionais, o elevado fluxo de pacientes e limitações organizacionais relacionadas às condições de trabalho. Verificou-se associação estatisticamente significativa entre maior tempo de atuação no hospital e maior percepção de conhecimento suficiente para o reconhecimento precoce da sepse, enquanto não houve associação significativa entre a periodicidade dos treinamentos e o conhecimento conceitual atualizado. Conclusão: o reconhecimento precoce da sepse depende da integração entre conhecimento técnico-científico atualizado, experiência profissional e suporte institucional, reforçando a necessidade de fortalecer a educação permanente, ampliar a divulgação dos protocolos assistenciais e aperfeiçoar as condições organizacionais para qualificar a atuação do enfermeiro e promover maior segurança ao paciente. 


    BRUNA WANDSCHER “Evidências De Validade De Um Chatbot Educativo Sobre Saúde Menstrual Para Adolescentes”. Data: 18/08/2026

    A saúde menstrual constitui um componente essencial da saúde e do bem-estar de adolescentes, porém o acesso a informações confiáveis sobre o tema ainda é limitado e frequentemente influenciado por tabus socioculturais, mitos e desinformação. Nesse contexto, tecnologias digitais educativas apresentam potencial para ampliar o acesso ao conhecimento em saúde de forma acessível, acolhedora e compatível com as necessidades do público adolescente. Objetivo: Desenvolver e validar um Chatbot educativo sobre saúde menstrual para adolescentes do sexo feminino. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa aplicada de desenvolvimento tecnológico, realizada em cinco etapas: revisão de escopo para identificação do conhecimento de adolescentes sobre saúde menstrual; construção e validação do conteúdo do roteiro educativo; desenvolvimento do Chatbot; validação tecnológica da ferramenta por especialistas; e elaboração da versão final do sistema. A revisão de escopo foi conduzida conforme as recomendações do PRISMA-ScR, resultando na inclusão de 41 estudos. A validação do conteúdo foi realizada por 11 especialistas da área da saúde por meio do Instrumento de Validade de Conteúdo Educativo em Saúde (IVCES). A validação tecnológica foi realizada por 11 especialistas em tecnologias em saúde, utilizando instrumento validado para avaliação de satisfação, eficiência, eficácia, percepção de emoção e percepção hedônica. Resultados: A revisão evidenciou que o conhecimento das adolescentes sobre saúde menstrual é limitado e influenciado por fatores socioculturais. O roteiro educativo foi organizado em dez categorias temáticas e apresentou Índice de Validade de Conteúdo global de 0,94. O Chatbot foi desenvolvido na plataforma Telegram, utilizando linguagem acessível, interface interativa e conteúdos fundamentados em evidências científicas. Na avaliação tecnológica, os maiores índices de validade foram observados nos domínios satisfação do usuário (0,90), eficiência (0,89) e afeto/emoção (0,86). Como produto tecnológico, o software foi registrado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Conclusão: O Chatbot educativo sobre saúde menstrual apresentou evidências satisfatórias de validade de conteúdo e potencial para utilização como tecnologia educativa voltada à promoção da saúde menstrual entre adolescentes, constituindo uma estratégia inovadora para ampliação do acesso a informações seguras e cientificamente embasadas.

     

     

     


    AMANDA MENDONÇA MARQUES DE OLIVEIRA Fatores associados a tempo de internação prolongado em pacientes cirúrgicos de um hospital terciário do Piauí Data: 18/03/2026

    Introdução: O tempo de permanência hospitalar (TPH) é um importante indicador de qualidade assistencial, diretamente relacionado à eficiência da gestão hospitalar e aos desfechos clínicos dos pacientes. Em cirurgias eletivas, diversos fatores podem influenciar a duração da internação, incluindo aspectos clínicos, operatórios e organizacionais. No estado do Piauí, há escassez de estudos que abordem esses determinantes no contexto da rede pública de saúde. Objetivo: Analisar os fatores associados ao tempo de internação prolongado em pacientes cirúrgicos internados no Hospital Getúlio Vargas (HGV), unidade de alta complexidade, localizado em Teresina, Piauí. Métodos: Estudo quantitativo, transversal, descritivo e observacional, realizado com 286 pacientes, entre 18 e 90 anos, submetidos a cirurgias eletivas no HGV durante o segundo semestre de 2023. Foram coletados dados sociodemográficos, clínicos, nutricionais e cirúrgicos. O tempo de internação foi o desfecho principal. A análise estatística utilizou testes não paramétricos, com nível de significância de p<0,05. Resultados: A mediana do tempo de internação foi significativamente maior entre pacientes encaminhados para UTI (12 dias), submetidos a cirurgias de grande porte (16,5 dias), com classificação ASA III e presença de comorbidades. Observou-se que o tempo de jejum pré e pós-operatório apresentou associação com maior tempo de internação, inclusive em pacientes ASA I e II, não encaminhados à UTI e submetidos a cirurgias de pequeno porte, sugerindo efeito independente. A hidratação venosa também esteve associada à internação prolongada em subgrupos de menor risco. A avaliação pré-anestésica foi realizada em apenas 3,5% dos casos. Conclusão: O tempo de internação prolongado esteve associado a fatores clássicos de gravidade, como classificação ASA elevada, presença de comorbidades e porte cirúrgico, mas também a aspectos assistenciais potencialmente modificáveis, como o tempo de jejum e o uso de hidratação venosa. A identificação desses fatores pode subsidiar intervenções de baixo custo voltadas à racionalização da permanência hospitalar e à melhoria da qualidade do cuidado cirúrgico. Reforça-se a necessidade de implementação de protocolos perioperatórios baseados em evidências, como o Enhanced Recovery After Surgery (ERAS) e o Aceleração da Recuperação Operatória (ACERTO), além da institucionalização da avaliação pré-anestésica.     

     

     


    ANA LOURDES DOS REIS SILVA Consumo alimentar, estado nutricional e letramento em saúde da pessoa idosa com hipertensão na atenção primária à saúde: estudo observacional” Local: Sala do Conselho- CCS UFPI, Frei Serafim, 2280- Centro(Sul), Teresina-PI. Data: 05/03/2026

    INTRODUÇÃO: O envelhecimento populacional brasileiro tem ocorrido de forma acelerada, acompanhado pelo aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), em especial a hipertensão arterial sistêmica (HAS). Essa condição está diretamente associada a fatores modificáveis, como alimentação inadequada, excesso de peso e sedentarismo, configurando um importante desafio para a Atenção Primária à Saúde (APS). MÉTODOS: Trata-se de um estudo observacional do tipo transversal. O estudo foi realizado em duas unidades de atenção primária à saúde, no período de dezembro de 2024 a março de 2025, no município de São Félix do Piauí. A amostra do estudo foi calculada em 212 participantes, cuja amostragem deu-se de forma aleatória simples. Considerando os critérios de elegibilidade para o estudo, a amostra final foi composta por 158 pessoas idosas hipertensas cadastrados no e-SUS Atenção Primária. Foram coletados dados socioeconômicos, clínicos e antropométricos, além da avaliação do consumo alimentar por meio de inquérito dietético e do letramento em saúde. Os aspectos éticos da resolução 466/12 foram respeitados em todas as fases dos estudos. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Piauí(UFPI), conforme o Parecer n. 7.218.998. RESULTADOS: As pessoas idosas entrevistadas apresentaram a média de idade de 69,66 (DP = 6,99) anos, sendo a maioria (53,2 %) na faixa de 60-69 anos. Evidenciaram predominância do sexo feminino, 85 (53,8%), casados 111(70,3%), com renda até 1 salário mínimo 115 (72,8%), e com ensino fundamental 131(82,9%). Em relação ao estado nutricional, observou-se alta prevalência de excesso de peso, Em relação às variáveis antropométricas observa-se que a amostra apresentou predominância de excesso de peso, com IMC médio de 27,23 kg/m² (IC 95 % 26,55-27,90), mediana de 27,14 kg/m² e desvio-padrão de 4,28 kg/m², situando-se na faixa de eutrofia 64 (41,6 %; 34,0-49,4). Dentre os idosos avaliados, 41 (26,6 %; 20,1-34,0) estavam obesos e 22 (14,3 %; 9,4-20,5) com sobrepeso, totalizando mais de 40% com excesso de peso, associada a valores elevados de circunferência da cintura, indicando risco aumentado para doenças cardiovasculares. Quanto ao consumo alimentar, identificou-se ingestão insuficiente de frutas, verduras e legumes em 81,5% dos idosos, enquanto apenas 18,5% atingiram as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, o que pode contribuir para o descontrole pressórico. Quanto ao letramento em saúde(LS), na dimensão funcional, 17,1 % dos idosos concordam muito que encontram palavras que não conseguem ler, 39,9 % ficam neutros e 23,4 % discordam; 12,7 % concordam muito que a letra é muito pequena, 39,2 % são neutros e 25,3 % discordam; e 10,1 % concordam muito que o conteúdo é muito difícil, 39,2 % neutros e 25,3 % discordam. Na dimensão comunicativa, 51,3 % discordam muito de não procurar informações e 46,8 % apenas discordam, enquanto 50 % afirmam encontrar a informação que precisam e 52,5 % entendem o que encontram. A dimensão crítica está fragilizada, com mais de 95 % dos participantes relatando dificuldade para avaliar a veracidade ou a aplicabilidade pessoal das informações de saúde. CONCLUSÃO: Conclui-se que pessoas idosas hipertensas acompanhadas na APS apresentam excesso de peso e risco nutricional, além de práticas alimentares marcadas pela coexistência de escolhas adequadas e inadequadas. O letramento em saúde mostrou-se um fator central no manejo da condição, influenciando diretamente a compreensão das orientações, o autocuidado e a adesão ao tratamento.


    ANDREYA FERREIRA RODRIGUES BEZERRA “Manifestações oculares em pacientes sob cuidados intensivos: Incidência e perfil clínico” Data: 05/03/2026

    Introdução: Pacientes internados em unidades de terapia intensiva apresentam risco elevado de complicações oftalmológicas devido a fatores como ventilação mecânica, sedação e tempo prolongado de internação. O monitoramento ocular nesse contexto é essencial para prevenir lesões e preservar a integridade visual


    YASMIN EMANUELLY LEAL ARAÚJO RELAÇÃO ENTRE O ESTADO NUTRICIONAL DO ZINCO, CONSUMO ALIMENTAR, ÂNGULO DE FASE E MARCADORES INFLAMATÓRIOS NA DOENÇA DE CROHN Data: 27/02/2026

    RESUMO

     

    Introdução: O zinco (Zn) é um micronutriente com papel fundamental na modulação imunológica e na integridade das membranas celulares, sendo frequentemente comprometido em pacientes com Doença de Crohn (DC). A deficiência do mineral pode agravar o processo inflamatório e contribuir para a deterioração do estado nutricional. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, realizado com 32 pacientes com diagnóstico de DC atendidos no ambulatório do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU/UFPI). Foram avaliados: consumo alimentar (através do recordatório de 24h); as concentrações plasmáticas de Zn; marcadores inflamatórios (PCR e VHS) e indicadores funcionais de composição corporal, incluindo o ângulo de fase (AF). As análises estatísticas contemplaram testes de comparação e correlação entre variáveis e o nível de significância adotado foi de 5% (α = 0,05). Resultados e discussão: Observou-se elevada prevalência de inadequação no consumo dietético de Zn e energia, especialmente entre mulheres. Apesar disso, as concentrações plasmáticas do mineral não diferiram significativamente entre os sexos, sugerindo influência da inflamação sobre sua distribuição tecidual. O AF foi maior entre os homens, refletindo melhor integridade celular, enquanto o VHS apresentou valores mais altos entre as mulheres. As correlações entre Zn, AF e marcadores inflamatórios reforçam o papel multifatorial do micronutriente no equilíbrio celular e na resposta inflamatória. Conclusão: O estudo confirma a importância do Zn na fisiopatologia e no manejo nutricional da DC, destacando que sua avaliação isolada não é suficiente para refletir o estado nutricional real. A integração entre  parâmetros dietéticos, bioquímicos e funcionais é essencial para o acompanhamento clínico e para estratégias nutricionais personalizadas.


    SHAMYA GABRIELLA CORRÊA COÊLHO AVALIAÇÃO NANOTOXICOGENÉTICA DA CITRININA EM LIPOSSOMAS EM ESTUDOS PRÉ-CLÍNICOS PARA MELANOMA METASTÁTICO Data: 26/02/2026

    O melanoma é uma neoplasia cutânea altamente agressiva, associada a elevada taxa de mortalidade, especialmente nos casos metastáticos. Embora avanços significativos tenham sido alcançados com o uso de terapias-alvo e imunoterapias, os desafios relacionados à resistência tumoral, toxicidade sistêmica e heterogeneidade molecular impulsionam a busca por estratégias terapêuticas alternativas. Nesse contexto, destaca-se o uso de produtos naturais com potencial antitumoral, como a citrinina (CIT), um metabólito secundário produzido por fungos dos gêneros Penicillium, Aspergillus e Monascus. Apesar de sua reconhecida toxicidade, a citrinina (CIT) apresenta atividades citotóxicas e genotóxicas relevantes tanto em células tumorais quanto em células normais, evidenciando seu potencial antitumoral, mas também limitações associadas à toxicidade sistêmica, o que justifica a adoção de estratégias de nanoencapsulação, como os sistemas lipossomais, visando à modulação de seus efeitos biológicos. Dessa forma, esta dissertação teve como objetivo a avaliação citotóxica e genotóxica de formulações lipossomais contendo citrinina (LIP-CIT), com aplicação pré-clínica no tratamento do melanoma metastático. O Capítulo 1 apresenta uma revisão sistemática sobre o uso da nanotecnologia no tratamento do melanoma, com destaque para os lipossomas, nanopartículas, hidrogéis e sistemas transdérmicos. Os estudos analisados indicam que o uso de sistemas nanotecnológicos no tratamento do melanoma contribui para o aumento da seletividade tumoral, a redução de efeitos adversos e o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais direcionadas, incluindo abordagens teranósticas. Esses achados reforçam a relevância da proposta experimental com a citrinina nanoencapsulada, uma vez que a maior especificidade ao tecido tumoral conferida por sistemas nanotecnológicos pode contribuir para a redução da toxicidade sistêmica. No Capítulo 2, foram conduzidos ensaios in vitro com células de melanoma murino (B16F10), expostas a diferentes concentrações de citrinina livre (CIT), citrinina lipossomal (LIP-CIT), controle negativo e cisplatina como controle positivo. Foram realizados os ensaios de viabilidade celular (MTT), tipo de morte celular (laranja de acridina/iodeto de propídeo), potencial de membrana mitocondrial (JC-1) e genotoxicidade (ensaio cometa). Os ensaios de viabilidade celular foram conduzidos após 68 horas de exposição, e os resultados demonstraram que a formulação lipossomal da citrinina (LIP-CIT), avaliada em concentrações nominais da formulação, apresentou maior eficácia citotóxica em comparação à citrinina livre (CIT), evidenciada por um valor de CI₅₀ menor e pela indução predominante de apoptose tardia em células B16F10, mesmo considerando o perfil de liberação gradual característico dos sistemas lipossomais. Esse efeito ocorreu mesmo considerando o perfil de liberação gradual da formulação lipossomal, enquanto a citrinina livre apresentou maior indução de apoptose inicial em concentrações intermediárias, característica de efeitos citotóxicos mais agudos. Ambas as formulações promoveram despolarização mitocondrial, com destaque para LIP-CIT 0,17 μg/mL, que apresentou o maior comprometimento do potencial de membrana. No ensaio cometa, tanto CIT quanto LIP-CIT induziram danos genéticos significativos; no entanto, os grupos tratados com LIP-CIT apresentaram índices de dano significativamente menores em comparação à citrinina livre, sugerindo um perfil genotóxico mais brando da formulação lipossomal. Esse comportamento pode estar associado à liberação gradual da citrinina a partir dos lipossomas, o que reduz picos intracelulares agudos e pode permitir a ativação de mecanismos de reparo do DNA, em contraste com o efeito mais abrupto observado para a citrinina livre. Complementarmente, foram realizados estudos in silico de docking molecular da citrinina com alvos relacionados ao melanoma metastático (BRAF, NRAS, MYC, ERK1/2, BCL2). A CIT demonstrou afinidade relevante por alvos envolvidos em proliferação celular e sobrevivência tumoral, corroborando os achados dos ensaios biológicos. Em conjunto, os dados demonstraram que a citrinina e sua formulação lipossomal (LIP-CIT) possuem potencial citotóxico e genotóxico contra células de melanoma, sendo promissoras para o desenvolvimento de terapias alternativas no contexto oncológico. A encapsulação em lipossomas mostrou-se uma estratégia eficaz para modular os efeitos citotóxicos da citrinina, favorecendo sua entrega às células tumorais por mecanismos de direcionamento passivo, sem evidências de alteração direta do seu mecanismo molecular de ação.

     


    LUANA BASTOS ARAÚJO CONHECIMENTO DOS ENFERMEIROS SOBRE ESCALA DE AVALIAÇÃO DE RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO DE LESÕES DECORRENTES DO POSICIONAMENTO CIRÚRGICO Data: 29/01/2026

     

     

    Introdução: Durante a realização dos cuidados cirúrgicos, o paciente está exposto a fatores de risco que podem proporcionar o desenvolvimento de agravos de saúde, dentre esses, encontram-se as lesões decorrentes de posicionamento cirúrgico, seu tratamento representa um elevado custo para o Sistema Único de Saúde. O enfermeiro, que desempenha papel gerencial e assistencial dentro do centro cirúrgico, deve adotar medidas com a finalidade de reduzir o risco do desenvolvimento desse agravo, o uso da Escala de Avaliação de Risco para o Desenvolvimento de Lesões Decorrentes do Posicionamento Cirúrgico do Paciente (ELPO) viabiliza tais medidas, contudo, o conhecimento e a capacitação para a utilização da escala ELPO são limitados entre os enfermeiros. Portanto, é essencial fornecer capacitação adequada aos enfermeiros. O presente trabalho tem como objeto de estudo o nível de conhecimentos sobre a Escala ELPO por enfermeiros do Centro Cirúrgico. Objetivo: Descrever o conhecimento de enfermeiros perioperatórios sobre posicionamento cirúrgico e escala ELPO. Método: Trata-se de um estudo descritivo de abordagem qualitativa, realizado em dois hospitais públicos, no período de junho a agosto de 2025. Os participantes foram enfermeiros. Foi utilizado um formulário de pesquisa sociodemográfica e um roteiro para as entrevistas individuais, as quais foram gravadas. Os dados foram transcritos e processados por meio do software IRaMuTeQ e aplicou-se a técnica de Classificação Hierárquica Descendente. A análise temática foi segundo Bardin paa organização das categorias. Pesquisa aprovada pelo CEP da UFPI, sob o número de parecer nº 7.622.570. Resultados: Observou-se que o conhecimento formal da escala ELPO ainda é restrito. A maioria dos participantes era do sexo feminino; 16 graduaram-se antes do ano em que a escala ELPO foi desenvolvida e validada, 2014. Nos dois hospitais, mais da metade (N=13) da população do estudo relatou dispor de tempo para a realização de capacitações em suas rotinas, e todos afirmaram que suas instituições fornecem treinamentos; 19 participantes manifestaram necessidade de maior oferta de treinamentos, além dos que já são ofertados, destacando a importância de que sejam realizados in loco. A partir da análise do IRaMuTeQ dos dados textuais foi possível identificar seis classes: Rotina e protagonismo da enfermagem; Segurança do Paciente; Riscos de lesão e fatores relacionados; Posicionamento Cirúrgico; Capacitação e Treinamento; Saberes e aplicação da escala ELPO, os quais podem ser sintetizados em três grandes eixos essenciais obtidos a partir da análise de conteúdo de acordo com Bardin, os quais envolvem a Prática assistencial da enfermagem; Percepção de riscos e saberes da escala ELPO; e Necessidade de capacitação contínua. Discussão: Verificou-se que os enfermeiros valorizam a prática assistencial no centro cirúrgico, utilizando protocolos e checklists como medidas de segurança, embora enfrentem sobrecarga de trabalho e limitações estruturais. Observou-se que percebem os riscos relacionados ao posicionamento cirúrgico de forma empírica, mas o conhecimento formal da escala ELPO ainda é limitado. Destacou-se, ainda, a necessidade de capacitação contínua, capazes de aproximar teoria e prática e de favorecer a adesão a protocolos institucionais. Considerações Finais: Os achados indicaram que, embora os enfermeiros reconheçam a importância do posicionamento cirúrgico seguro, o conhecimento formal sobre a escala ELPO ainda é limitado e pouco sistematizado na prática. Observou-se que os saberes utilizados são majoritariamente empíricos, reforçando a necessidade de capacitação contínua, especialmente por meio de treinamentos in loco.

     

     


    CONCEIÇÃO DE MARIA COSTA Efeitos das mudanças climáticas na nutrição infantil: mapa de evidências” Data: 27/01/2026

    INTRODUÇÃO: As mudanças climáticas ocasionadas pela exploração de recursos naturais, poluição ambiental e perda de biodiversidade trazem consequências como a diminuição da produtividade agrícola, aumento da temperatura e calor excessivo e, consequentemente, problemas de saúde para a população. Os impactos negativos dessas mudanças climáticas sobre os componentes da segurança alimentar global representam uma das principais ameaças, na atualidade, aumentando a subnutrição e a má nutrição. OBJETIVO GERAL: Avaliar os efeitos das mudanças climáticas na nutrição infantil. MÉTODO: Trata- se da construção de um Mapa de Evidências de acordo com as orientações de construção de mapa de evidências do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências e Saúde (BIREME/OPAS). O grupo de trabalho foi composto por mestrandos e profissionais de saúde e uma representante da BIREME. A questão de pesquisa foi desenvolvida seguindo a estratégia "PICO" (P “infantil”; I “Mudanças climáticas”; C “Regiões ou períodos com exposição direta ou com maior impacto climático”; e O “Efeitos sobre a nutrição infantil”). Desse modo, foi possível formular a seguinte questão de pesquisa: “Quais evidências científicas descrevem os efeitos das mudanças climáticas sobre a nutrição infantil em diferentes contextos globais?”. Foram incluídos os estudos de revisão sistemática que fizeram referência às alterações climáticas e nutrição em crianças, com restrição de tempo de publicação entre os anos de 2014 a 2024, nas bases de dados EMBASE, Medline via Pubmed via portal CAPES. Os artigos selecionados foram transferidos para a plataforma Rayyan® e analisados de forma independente. Os dados obtidos foram processados utilizando o software Tableau®. O mapa de evidências foi construído no formato “bubble plot” ou gráfico de bolhas. Trata-se de um mapa interativo que apresenta a visão geral por nível de confiança e por efeito de intervenção. RESULTADOS: As buscas nas bases de dados recuperaram 221 artigos e, ao final, 16 artigos foram considerados elegíveis para a construção do mapa de evidências. Predominaram estudos conduzidos em países de baixa e média renda, sobretudo África e Sul da Ásia, onde a carga de desnutrição e a exposição a eventos climáticos extremos são mais intensas. No eixo vertical, as intervenções estão organizadas em três grupos: calor e extremos de temperatura, eventos hidroclimáticos: exposição ao frio, variabilidade climática e intervenção estrutural. No eixo horizontal, os desfechos foram descritos em três grupos: Água e alimentos, alterações epigenéticas, morbidade e mortalidade. Destaca-se o calor e extremos de temperatura como intervenção relacionada a desfechos de todas as categorias. DISCUSSÃO: A caracterização das evidências indica que ocorrem associações adversas entre estressores climáticos, desfechos materno-infantis (prematuridade, morbimortalidade por causas respiratórias e infecciosas) e agravos nutricionais (baixo peso, baixa estatura, desnutrição, anemia), assim como há efeitos benéficos de intervenções nutricionais como alimentos terapêuticos prontos para uso (ATPU), suplementação  de alimentos e cobenefícios de medidas de mitigação (via redução de poluição do ar). CONCLUSÃO: O mapa de evidências demonstra que as mudanças climáticas agravam de maneira significativa a vulnerabilidade nutricional infantil, especialmente em países de baixa e média renda, e que respostas intersetoriais combinando saúde, nutrição, ambiente, saneamento e proteção social são essenciais para reduzir tais riscos.

     

     




    Dissertações/Teses - 2025

    KALINE FEITOSA ALVES TEIXEIRA AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA E FUNCIONALIDADE DE PACIENTES SUBMETIDOS À CIRURGIA DE REVASCULARIZAÇÃO DO MIOCARDIO. Data: 30/10/2025

    RESUMO

     

    Introdução: A Doença Arterial Coronariana permanece uma das principais causas de morbimortalidade e impacto funcional. A cirurgia de revascularização do miocárdio é uma das principais estratégias terapêuticas, mas seus efeitos precoces sobre a funcionalidade e a qualidade de vida dos pacientes ainda são pouco estudados no contexto nacional. Objetivo: Analisar a qualidade de vida e o nível de funcionalidade de pacientes com doença arterial coronariana crônica submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio. Método: Estudo longitudinal, observacional e prospectivo realizado em um hospital universitário de referência, no período de abril a setembro de 2024, envolvendo pacientes adultos submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio eletiva. Foram coletadas variáveis sociodemográficas (idade, sexo, escolaridade, renda), clínicas (antecedentes pessoais, fatores de risco cardiovasculares) e antropométricas (peso, altura e cálculo do índice de massa corporal). A avaliação da qualidade de vida foi realizada por meio do Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36), e a funcionalidade mensurada pela Medida de Independência Funcional (MIF). As avaliações foram aplicadas em dois momentos: antes da cirurgia (linha de base) e após 60 dias da alta hospitalar durante retorno ambulatorial. Os dados foram analisados utilizando métodos descritivos (médias, frequências e desvios-padrão) e testes comparativos adequados para amostras pareadas, visando verificar diferenças entre os dois momentos. Resultados: Foram incluídos 22 pacientes, majoritariamente homens (72,7%) e idosos; baixa escolaridade e renda predominante de 1–3 salários-mínimos. Observou-se alta prevalência de hipertensão (81,8%) e excesso de peso (sobrepeso 40,9%; obesidade 27,3%). Aos 60 dias, a MIF total caiu de 121,73 ± 5,16 para 101,32 ± 14,76 (p < 0,001), com reduções em cuidados pessoais (p < 0,001), mobilidade (p = 0,001), locomoção (p < 0,001) e cognição social (p = 0,004); controle esfincteriano e comunicação mantiveram-se estáveis. O SF-36 apresentou melhora significativa apenas em saúde mental (p = 0,044), sem diferenças nos demais domínios. Na correlação, no pré-operatório a MIF associou-se à saúde mental (r = 0,487; p = 0,022), enquanto no pós-operatório a dor correlacionou-se com a MIF (r= -0,508; p=0,016). Conclusão: Os achados indicam que, no período precoce após a cirurgia de revascularização do miocárdio, há comprometimento funcional significativo e limitada melhora da QV. Esses resultados reforçam a importância da reabilitação precoce, do acompanhamento multiprofissional e do suporte psicossocial contínuo para favorecer a recuperação desses pacientes.

     

     


    SUHELEN MARIA BRASIL DA CUNHA GAMA CONSUMO ALIMENTAR E ESTADO NUTRICIONAL EM ACADÊMICOS DE NUTRIÇÃO PÓS-PANDEMIA DA COVID 19 Data: 01/09/2025

     

    RESUMO

     

    Introdução: A pandemia de COVID-19 intensificou mudanças no padrão alimentar dos brasileiros, com maior consumo de refeições prontas, ultraprocessados, sódio e gorduras, associado à redução de hábitos saudáveis. Esse cenário tem impacto direto no estado nutricional e no aumento do risco para DCNT, especialmente entre universitários, grupo mais suscetível devido à rotina acadêmica. O estudo busca avaliar consumo alimentar e estado nutricional no período pós-pandemia. Objetivos: Esta pesquisa foi realizada com o objetivo de avaliar o consumo alimentar e o Estado Nutricional (EN) de acadêmicos do curso de Nutrição de instituições pública e privadas no período da PÓS COVID 19. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, recorte de um macroprojeto intitulado “Depressão, consumo de alimentos e transtornos alimentares pós-pandemia em universitários do curso de Nutrição de instituições de ensino”. A amostra foi composta por 409 estudantes de Nutrição, com idades entre 20 e 59 anos, de ambos os sexos, matriculados em instituições pública e privadas da cidade de Teresina-PI. A seleção dos participantes ocorreu de forma randomizada, proporcional ao número de alunos matriculados em cada instituição. O cálculo amostral foi realizado por meio do programa EPI-INFO (versão 6.0b), com intervalo de confiança de 95%. A coleta de dados foi realizada em 2023, por meio de um formulário socioeconômico adaptado e de um Questionário de Frequência Alimentar (QFCA) validado. Os dados foram coletados por uma nutricionista e um(a) acadêmico(a) de Nutrição. A análise estatística foi realizada com o software SPSS (versão 21), utilizando o teste qui- quadrado (χ²) para variáveis nominais e o teste t de Student para comparação de médias, com nível de significância de p≤0,05. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFPI (parecer nº 5.914.613). Resultados: A amostra foi predominantemente feminina (91,5%), com maior proporção nas instituições privadas (51,4%). Observou-se diferença estatisticamente significativa entre sexo, idade média e tipo de instituição. A maioria dos estudantes era solteiro(a), com renda familiar de até dois salários mínimos e a cor parda mais autorreferida. Em relação ao vínculo empregatício, estudantes da rede privada apresentaram maior porcentual de emprego formal e informal, enquanto o desemprego foi mais prevalente na rede pública. O estado nutricional da maioria dos estudantes foi classificado como eutrófico (65,6% na pública e 58,9% na privada), com igual prevalência de sobrepeso (21%) e menor ocorrência de obesidade (6,2%). Mais da metade dos estudantes da rede privada não referiram mudanças recentes nos hábitos alimentares, enquanto 47,2% dos estudantes da rede pública relataram alterações. A maioria dos estudantes (76,7% da instituição pública e 74,7% das instituições privadas) não utilizava suplementos alimentares, tendo sido mais citada a creatina. Entre os alimentos mais consumidos, destacou-se o arroz branco em ambas as redes, enquanto a rede pública teve maior consumo de frutas e feijão, e a privada de pizza e pão francês. A presença dos Restaurantes Universitários na rede pública favoreceu escolhas alimentares mais equilibradas. A análise reforça a influência de fatores socioeconômicos, institucionais e demográficos nos padrões alimentares dos universitários. Conclusões: Conclui-se que o padrão alimentar dos acadêmicos segue a tradição brasileira, com predominância de arroz, feijão e proteínas. Contudo, estudantes da rede privada apresentaram menor qualidade da dieta, associada ao maior consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas, embora o estado nutricional geral tenha se mantido eutrófico.  

     

     


    LIANA ARAÚJO SILVA ANÁLISE DA ADESÃO À TERAPIA ANTINEOPLÁSICA ORAL DE PACIENTES ATENDIDOS EM SERVIÇO DE ONCOLOGIA DO ESTADO DO PIAUÍ. Data: 28/08/2025

    Introdução: O câncer é uma doença caracterizada pelo crescimento descontrolado de células anormais e representa um importante problema de saúde pública mundial. O uso de agentes antineoplásicos orais (AAOs) tem crescido pela praticidade e maior autonomia ao paciente, embora a adesão ao tratamento ainda seja um desafio. Objetivo: Avaliar a adesão ao tratamento com AAOs e analisar os perfis clínico e sociodemográfico de pacientes atendidos em serviço oncológico no estado do Piauí. Metodologia: O primeiro artigo consistiu em uma revisão integrativa da literatura nacional e internacional com busca nas bases LILACS, MEDLINE e Google Acadêmico. Foram incluídos artigos originais publicados entre 2020e 2025. O segundo artigo, quantitativo, descritivo e transversal, envolveu 60 pacientes oncológicos, com aplicação da Escala EXPAD-ANEO e entrevistas estruturadas paraavaliação da adesão. Os dados coletados são inéditos e representam uma contribuição relevante para o conhecimento sobre adesão aos AAOs em contextos regionais A análise utilizou estatística descritiva, com auxílio dos softwares Excel e SPSS, adotando nível de significância de 5% Resultados: Observou-se elevada taxa de adesão (85,0%), predominância do sexo feminino e alta prevalência de câncer de mama. As principais barreiras para adesão foram crenças equivocadas sobre a eficácia do tratamento intravenoso e abandono de doses em situações de mal-estar. Conclusão: A adesão aos AAOs é favorecida pelo suporte multiprofissional, mas demanda estratégias educativas contínuas para superar barreiras e garantir a efetividade terapêutica. 


    CLEBER SALES PEREIRA Religiosidade, Saúde Mental e Fragilidades: Enfoque na Avaliação Multidimensional de Idosos. Data: 24/06/2025

    RESUMO

     

    Introdução: A relação entre religião, espiritualidade e saúde tem sido amplamente debatida no cenário mundial, com evidências crescentes de seus efeitos positivos. Compreender como esses elementos se associam à saúde mental contribui para refletir sobre a importância do cuidado religioso e espiritual no contexto da atenção integral à saúde, especialmente da população idosa — foco deste estudo. Objetivo: Avaliar a religião e espiritualidade de idosos atendidos pela atenção primária em Teresina (PI), identificando possíveis relações com a fragilidade sociofamiliar e a saúde mental. Método: Trata-se de uma pesquisa quantitativa, de delineamento transversal. Foi realizada triagem cognitiva dos participantes por meio do Mini Exame do Estado Mental (MEEM). A fragilidade sociofamiliar foi avaliada com a Escala de Avaliação da Fragilidade Sociofamiliar do Ministério da Saúde. Para investigar a saúde mental, utilizou-se o Self Reporting Questionnaire (SRQ-20), e para avaliar a religiosidade, o Índice de Religiosidade de Duke (DUREL), que abrange três dimensões: Religiosidade Organizada, Religiosidade Não Organizada e Religiosidade Intrínseca. Resultados: A Religiosidade Organizada apresentou associações significativas com gênero (maior prevalência entre mulheres: 77,9%) e idade (maior ausência entre idosos de 70–74 anos: 26,8%) (p<0,001). A Religiosidade Não Organizada também se associou ao gênero (presente em 73,4% das mulheres) e à situação conjugal (maior presença entre viúvos: 23,3%; menor entre separados/divorciados: 8,4%). A Religiosidade Intrínseca foi prevalente em 96,3% dos participantes, com associação significativa ao gênero (p=0,048), predominando entre mulheres (67,5%). Quanto à fragilidade sociofamiliar, idosos com fragilidade familiar grave apresentaram maior presença de Religiosidade Organizada (82,4%) do que aqueles sem fragilidade (43,9%) (p=0,032). No que se refere ao suporte social, 69,6% dos idosos com fragilidade grave não possuíam Religiosidade Organizada (p=0,002). A Religiosidade Não Organizada também se associou à fragilidade: foi mais presente entre idosos com suporte familiar frágil (70,6%) e menos prevalente entre aqueles com fragilidade social (63,0%) em comparação aos sem fragilidade (83,0%). A Religiosidade Intrínseca permaneceu elevada em todos os níveis de fragilidade, variando entre 88,2% e 100%. Na análise com sofrimento mental, nenhuma dimensão da religiosidade apresentou associação estatisticamente significativa. No entanto, observou-se variação percentual na Religiosidade Não Organizada entre os grupos com e sem sofrimento, sugerindo uma possível tendência. Conclusão: A religiosidade, especialmente em suas formas não organizadas e intrínsecas, configura-se como recurso psicossocial relevante na velhice. Apesar disso, não apresentou associação estatisticamente significativa com sofrimento mental. Em relação à fragilidade sociofamiliar, Religiosidade Organizada e Religiosidade Não Organizada mostraram-se influenciadas pelo contexto externo, enquanto a Religiosidade Intrínseca demonstrou independência, indicando seu papel como traço culturalmente consolidado entre idosos.

     

     

     

     

     

     


    FRANCELLY CARVALHO DOS SANTOS AVALIAÇÃO DA MOBILIDADE E DA MORFOMETRIA DO MÚSCULO QUADRÍCEPS POR MEIO DE ULTRASSONOGRAFIA EM IDOSOS INTERNADOS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA Data: 05/06/2025

     RESUMO

     

    Introdução: O aumento da longevidade é uma grande conquista dos tempos modernos, mas também apresenta desafios importantes, especialmente na preservação da autonomia dos idosos. Após internações em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), esses desafios se intensificam, pois a imobilidade prolongada pode acelerar a perda de massa muscular, levando à atrofia muscular e à redução da mobilidade. Essa condição prejudica a recuperação, dificultando a realização de atividades diárias e impactando negativamente a qualidade de vida dos idosos. Por isso é fundamental ampliar o entendimento sobre as alterações morfométricas musculares e o estado funcional de mobilidade nesse grupo de idosos críticos, que ainda é pouco explorado na literatura e merece maior atenção para fundamentar melhores cuidados e resultados clínicos. Objetivo: Avaliar alterações na mobilidade e na morfometria muscular de idosos internados em unidades de terapia intensiva, além de identificar fatores relacionados a essas modificações. Métodos: Trata- se de um estudo quantitativo, analítico e transversal, realizado na UTI de um hospital público em Teresina-PI, entre junho e novembro de 2024. Foram incluídos 32 pacientes idosos. Os dados foram coletados em até 48 horas após a admissão e até 48 horas após a alta da UTI, utilizando a escala IMS (ICU Mobility Scale) para avaliar a mobilidade e ultrassonografia muscular para mensurar a espessura do músculo quadríceps (EMQ) e área de secção transversa do reto femoral (ASTRF). Além disso, foram coletadas variáveis dos prontuários, como idade, sexo, início da mobilização, tempo de internação, uso de sedação, bloqueadores neuromusculares (BNM), drogas vasoativas (DVAs) e ventilação mecânica invasiva (VMI). Foram realizados os testes de correlação de Pearson de regressão linear e para comparação entre variáveis, foi aplicado o teste t, considerando estatisticamente significante o p ≤ 0,05. Resultados: Houve uma redução de 77% entre a mobilidade prévia à internação e a alta da UTI (p < 0,0001). Já entre a admissão e a alta, constatou-se uma elevação de 20% do IMS, porém sem significância (p = 0,4251). Verificou-se uma redução significativa de -23% na EMQ (p = 0,0003) e de -30% na ASTRF (p < 0,0001) entre a admissão e a alta da UTI. A diminuição na ASTRF se correlacionou significativamente à queda do IMS (r = -0,4051; p = 0,0215). A redução da EMQ se correlacionou com um maior tempo de internação (r = 0,5922; p = 0,0004), uso de sedativos e BNM (r = 0,4293; p = 0,0142), maior tempo de VMI (r = 0,6533; p < 0,0001) e início tardio da mobilização (r = 0,5279; p = 0,0019), sendo esses os principais preditores de sua redução: maior tempo de VMI (t = 2,714, p = 0,012) e uso de DVA(t = 0,933, p = 0,040). Conclusão: Este estudo concluiu que os idosos internados na UTI sofreram uma redução significativa tanto do tecido muscular quanto da mobilidade funcional. Essa perda foi influenciada por fatores como maior tempo de internação, uso de sedativos, BNMs, VMI e atraso no início da mobilização. Dentre esses, os principais preditores da atrofia muscular foram o tempo em VMI e o uso DVAs. Os resultados fornecem evidências quantitativas da relação entre a perda de massa muscular e o declínio funcional, reforçando a importância da mobilização precoce e da limitação do uso prolongado de sedativos, BNMs, DVAs e VMI. Além disso, o estudo oferece base para futuras pesquisas intervencionistas que visem mitigar a atrofia muscular e promover uma melhor recuperação funcional em idosos críticos.

     

     

     


    HAFRA KELLY PESSOAS MARTINS MULHERES COM CEGUEIRA E A PRÁTICA SEXUAL SEGURA: TECNOLOGIA ASSISTIVA Data: 03/06/2025

    RESUMO

     

    Introdução:     Este estudo investiga a orientação sexual de mulheres com deficiência visual nas unidades básicas de saúde de Floriano-PI, com foco na utilização de tecnologias assistivas para promover a educação sexual. A pesquisa é motivada pelo aumento da deficiência visual global e pela necessidade de políticas públicas mais inclusivas, especialmente no que diz respeito à saúde sexual das mulheres com cegueira. As mulheres com deficiência visual enfrentam barreiras graves ao acesso a informações sobre práticas sexuais seguras, exacerbadas pela falta de adaptação das campanhas de saúde e pela ausência de materiais acessíveis, como conteúdo em braille ou áudio. A metodologia utilizada foi quantitativa e descritiva, com coleta de dados em duas etapas: a, por meio de busca ativa dos participantes, a primeira, e a segunda, através da aplicação de um questionário validado sobre o uso de tecnologias assistivas. A amostra foi composta por 73 mulheres com cegueira, atendidas em unidades básicas de saúde entre fevereiro e junho de 2024. A análise dos dados foi realizada com o software SPSS, utilizando estatísticas descritivas e testes de associação. Os resultados indicaram que as mulheres com cegueira tiveram uma média de 2 filhos, e que a maioria delas tinham doenças crônicas, como hipertensão. Em relação às tecnologias assistivas, 58,1% dos participantes consideraram práticas os instrumentos utilizados, embora apenas 8,1% acreditassem que as tecnologias atendiam plenamente às suas necessidades. A análise revelou que a eficácia percebida das tecnologias assistivas estava associada à maior autonomia funcional das mulheres e à sua faixa etária. Mulheres mais jovens e com maior autonomia deram melhores avaliações. Conclui-se que, embora as políticas públicas para inclusão de pessoas com deficiência estejam em andamento, ainda existem barreiras significativas, como a falta de capacitação de profissionais de saúde e a ausência de materiais educativos acessíveis. A pesquisa destaca a importância de adaptar as tecnologias assistivas às necessidades individuais e de investir em capacitação para garantir que as mulheres com deficiência visual tenham acesso a informações precisas sobre saúde sexual, prevenindo infecções sexualmente transmissíveis e promovendo maior qualidade de vida.

     

     


    ALYNE FERREIRA DE ALMENDRA FREITAS RELAÇÃO ENTRE HEPCIDINA, METABOLISMO DO FERRO, INFLAMAÇÃO E ESPLENOMEGALIA NA ANEMIA DO CALAZAR Data: 30/05/2025

    RESUMO

     

    Introdução:     O calazar, também conhecido como leishmaniose visceral (LV), é uma grave doença infecciosa de grande relevância epidemiológica, causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos principalmente por flebotomíneos (ABONGOMERA et al., 2020; BELO et al., 2014; OLIVEIRA et al., 2018). Em âmbito global, a LV representa um grande problema de saúde pública, afetando diversas regiões tropicais e subtropicais, com elevada incidência em países em desenvolvimento. Nesses locais, as condições socioeconômicas precárias e a infraestrutura de saúde insuficiente favorecem a propagação do parasita (AKHOUNDI et al., 2016; BRAGA et al., 2013; LAINSON et al., 2005; POSTIGO et al., 2010). As manifestações clínicas da LV incluem febre prolongada, esplenomegalia, palidez e perda de peso, que podem levar à desnutrição e ao comprometimento do estado geral dos pacientes, resultando em alta morbidade e mortalidade, caso não sejam diagnosticados e tratados adequadamente (ABONGOMERA et al., 2020; ADEME et al., 2023).

    A anemia é uma complicação comum em pacientes com leishmaniose visceral, e sua etiologia é multifatorial, envolvendo uma complexa interação entre infecção, esplenomegalia, resposta imunológica e alterações no metabolismo do ferro (BOGDAN et al., 2024; COSTA et al., 2010; VARMA et al., 2010). A inflamação crônica, desencadeada pela infecção, resulta na produção de citocinas pró-inflamatórias, como a interleucina-6 (IL-6) e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), que desempenham um papel crucial na regulação da hepcidina, uma proteína-chave na homeostase do ferro (COSTA et al., 2009; COSTA et al., 2013; LODI et al., 2024). O aumento da hepcidina, por sua vez, leva à inibição da absorção intestinal de ferro e à diminuição da sua mobilização dos depósitos, dificultando a produção de glóbulos vermelhos e exacerbando a anemia (CASTRO-MOLLO et al., 2021; SANGKHAE et al., 2017).

    Assim, a anemia de doença crônica, frequentemente observada em infecçõespersistentes, como o calazar, caracteriza-se por alterações no metabolismo do ferro mediadas pela resposta inflamatória. Nesse contexto, a anemia não se configura apenas como um marcador de gravidade da doença, mas também como um fator que pode influenciar o prognóstico e a resposta ao tratamento (ADEME et al., 2023; THEURL et al., 2009; TICHIL et al., 2024).

    A compreensão da interação entre a atividade inflamatória e o metabolismo doferro é fundamental para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas eficazes na gestão da leishmaniose visceral. Identificar biomarcadores inflamatórios e suas correlações com parâmetros hematológicos e do metabolismo do ferro pode oferecer insights valiosos para o manejo clínico e o direcionamento de intervenções terapêuticas.

    Neste estudo, buscou-se investigar a relação entre a hepcidina, a esplenomegalia, a atividade inflamatória e as alterações no metabolismo do ferro em pacientes diagnosticados com leishmaniose visceral. Por meio da avaliação da correlação entre esses marcadores, pretende-se contribuir para um entendimento mais aprofundado da fisiopatologia da LV. Ademais, a identificação de fatores que influenciam a gravidade da anemia pode aprimorar o manejo clínico da doença, além de abrir novas possibilidades para intervenções terapêuticas que visem melhorar os desfechos clínicos e a qualidade de vida dos pacientes afetados pelo calazar. 

     

     


    PAULO VICENTE DOURADO USO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS E PERFIL CLÍNICO DE IDOSOS: estudo transversal Data: 28/04/2025

    RESUMO

    Introdução: Os idosos constituem como um dos grupos de maior consumo de medicamentos, até mesmo se comparado com jovens adulto, entretanto, parte desse consumo pode ser considerado inadequado e é o principal responsável por reações adversas, internações e em casos mais graves óbito. O acesso facilitado, o baixo custo para aquisição e a falta de controle com relação à prescrição de medicamentos em geral, destacando o aumento no consumo de substâncias psicoativas, são apresentados como os principais fatores ligados à alta prevalência de eventos toxicológicos propositais ou não. Esse contexto revela nuances acerca das vulnerabilidades a qual a  pessoa idosa pode estar exposta e que podem contribuir para adoecimento e potencializar complicações a saúde. Objetivo: Avaliar a relação entre o uso de substâncias psicoativas e o perfil clínico dos idosos atendidos pela Atenção Primária do município de Teresina-Piauí. Método: Trata-se de estudo observacional descritivo, de delineamento transversal, realizado com idosos, nas Unidades Básicas de Saúde componentes da Rede de Atenção Básica de Saúde da zona urbana da cidade de Teresina, foram utilizados os instrumentos para coleta de dados Teste para Identificação de Transtorno pelo uso de Álcool, Non-Student Drugs Use Questionnaire, e o formulário sobre a caracterização sociodemográfica e de saúde e utilizados critérios de inclusão e exclusão preestabelecidos. Resultados: A amostra foi composta por 298 idosos, no que tange ao perfil clínico a maioria dos participantes da pesquisa eram mulheres, na faixa etária de 60-64 anos, com baixo nível de escolaridade e baixa renda, aposentados, em união estável vivendo com cônjuge ou filho. Apresentavam de 1 a 4 comorbidades, sendo as mais prevalentes hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus, e uso contínuo de 1 a 4 fármacos. Em relação ao consumo de bebida alcoólica, o estudo evidenciou consumo leve. Eram em sua maioria homens, aposentados, casados, baixa escolaridade, com comorbidades e fazendo uso de 2 a 4 medicamentos. O uso de substâncias psicoativas foi considerado de baixo risco. Diante dos achados, o uso de substâncias psicoativas e o perfil clínico dos idosos não mostraram relação significativa, o que sugere que no ambiente específico de investigação, a Atenção Primária à Saúde, o perfil clínico dos idosos não difere dos dados encontrados na literatura. Conclusão: A partir dos resultados encontrados, nota-se a necessidade de aprimoramento no manejo clínico de idosos, com ênfase aos cuidados e riscos associados à polifarmácia e outras substâncias. Os achados deste estudo podem colaborar na compreensão do fenômeno em questão e na construção de planos de intervenção e políticas de saúde voltadas para a prevenção e controle do uso de substâncias psicoativas e da polifarmácia, possibilitando uma maior qualidade de vida aos idosos e à longevidade.

     

     

     

     


    SAMARA MARTINS SOUZA VERÍSSIMO PREDITORES DE PIORA DA FUNCIONALIDADE DE PACIENTES CRÍTICOS PORTADORES DO VÍRUS HIV/AIDS Data: 04/04/2025

    RESUMO

    Introdução: Pacientes com o vírus da imunodeficiência humana (HIV-1) internados em unidades de terapia intensiva (UTI) enfrentam maior risco de piora funcional, decorrente de fatores como imobilidade, uso de ventilação mecânica (VM), sedativos e drogas vasoativas (DVAS). Essas condições não apenas prolongam o tempo de internação, mas também comprometem a recuperação funcional e a qualidade de vida, destacando a importância de identificar preditores de declínio funcional e de implementar estratégias para sua prevenção. Objetivo: Verificar quais os fatores preditores de piora da funcionalidade ao final da internação de pacientes críticos adultos portadores do vírus HIV-1/AIDS internados na UTI do Instituto de Doenças Tropicais Natan Portela (IDTNP). Métodos: Trata-se de um estudo de campo, prospectivo e observacional, realizado na UTI de um hospital público em Teresina-PI, entre março e outubro de 2024. Foram incluídos 30 pacientes diagnosticados com HIV-1. Os dados foram coletados na admissão e alta da UTI, utilizando a ICU Mobility Scale (IMS) para medir a funcionalidade. Variáveis clínicas e socioeconômicas, dentre elas, idade, sexo, hábitos de vida, uso de sedativos e tipo de ventilação. Foram realizados teste de correlação Pearson, de regressão logística (com teste de Hosmer-Lemeshow e regressão linear conforme adequado a variáveis categóricas ou contínuas. Resultados: A amostra foi composta por 30 pacientes, majoritariamente homens (67%), com idade média de 42,8±11,2 anos. A funcionalidade dos pacientes, indicou uma perda média de 43% entre a admissão e a alta, com queda significativa no escore de mobilidade (9,93±0,365 na admissão para 5,4±3,9 ao final da internacionalização, p<0,001). O tempo de VM (r=0,5999; p=0,0005), tempo de sedação (r=0,5278; p=0,0027), tempo de DVA (r=0,5405; p=0,0020) e tempo de internação (r=0,5190; p=0,0033) se correlacionou com a perda de funcionalidade. Na análise de regressão, avaliou-se a relação entre a perda de funcionalidade com o tipo de ventilação, uso de DVAS e sedação. Conclusão: O estudo revelou uma perda acentuada na funcionalidade de pacientes críticos com HIV-1 internados em UTI, o declínio foi associado ao tempo de ventilação mecânica, sedação, uso de DVAS e internação. A análise de regressão destacou o tipo de ventilação, sedação e drogas vasoativas como preditores independentes de piora funcional. Esses achados reforçam a importância de estratégias como manejo criterioso de sedação, otimização da ventilação e mobilização precoce para minimizar a perda de funcionalidade.

     

     


    IARA NADINE VIEIRA DA PAZ SILVA ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DE TUBERCULOSE NA POPULAÇÃO PRIVADA DE LIBERDADE NO ESTADO DO PIAUÍ Data: 28/03/2025

    RESUMO

    Introdução: A TB caracteriza-se por ser uma doença infecciosa cujo agente infeccioso é o Mycobacterium Tuberculosis, conhecido também como bacilo de Koch. Entre os grupos de pessoas em situação de vulnerabilidade e com risco aumentado para adquirir TB, destacam-se as pessoas privadas de liberdade, com 28 vezes mais chance de adoecer pela doença. Objetivo: Analisar os principais fatores epidemiológicos relacionados à tuberculose na população privada de liberdade no estado do Piauí, no período de 2013 a 2023. Métodos: Estudo epidemiológico, com coleta de dados retrospectivos e públicos de Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), referentes aos dados da PPL de casos de TB. O estudo foi realizado no estado do Piauí, com dados no intervalo de 2013 a 2023. foram organizados em planilhas do Microsoft Excel®, conforme as variáveis sociodemográficas, clínico-epidemiológicas e diagnósticos e laboratoriais. Os dados foram reorganizados no software IBM® SPSS®, versão 30.0, para cálculo de estatísticas descritivas do tipo frequência, a variação percentual anual (VPA) e os intervalos de confiança de 95% (IC de 95%).  Resultados e Discussão: A frequência dos casos confirmado apresentou uma tendência geral de crescimento, com oscilações pontuais ao longo dos anos. Teresina se destaca como o município com o maior número de notificações, totalizando 125 casos. O Perfil epidemiológico predominantemente masculino, com 220 casos (91,29%), de raça/cor parda (68,03%). Além disso, foram identificados 26 casos (10,79%) decorrentes de transferência entre unidades prisionais e observou-se que, de um total de casos analisados, 27,39% (66 casos) não possuem informação registrada de TDO ou foram classificados como "Ignorado/Branco". Conclusão: A análise evidencia que, embora existam avanços no controle da tuberculose, ainda há desafios significativos a serem enfrentados. O contexto prisional exige intervenções direcionadas e sustentáveis, que garantam não apenas o diagnóstico e o tratamento oportunos, mas também a prevenção e o suporte contínuo aos pacientes. Somente por meio de uma abordagem integrada, que envolva diferentes setores da saúde e da gestão prisional, será possível avançar na eliminação da tuberculose entre a população privada de liberdade.

     

    Introdução:       

    A tuberculose (TB), foi conhecida, no século XIX, como peste branca, ao dizimar centenas de milhares de pessoas em todo o mundo. A partir da metade do século XX, houve acentuada redução da incidência e da mortalidade relacionadas à TB, já observada àquela ocasião em países desenvolvidos, sobretudo pela melhoria das condições de vida das populações. A TB caracteriza-se por ser uma doença infecciosa cujo agente infeccioso é o Mycobacterium Tuberculosis (Mtb), conhecido também como bacilo de Koch (Araújo et al., 2015).

    A transmissão do Mtb se dá por via aérea, de uma pessoa com TB pulmonar ou laríngea, que elimina bacilos no ambiente (caso fonte), a outra pessoa, por exalação de aerossóis oriundos da tosse, fala ou espirro. O termo “bacilífero” refere-se a pessoas com TB pulmonar ou laríngea que tem baciloscopia positiva no escarro. Esses casos têm maior capacidade de transmissão, entretanto pessoas com outros exames bacteriológicos como cultura e/ou Teste Rápido Molecular da tuberculose (TRM-TB) positivos também podem transmitir. A TB também acomete, prioritariamente, o pulmão que é a porta de entrada da maioria dos casos (Brasil, 2019).

    A TB é uma das doenças mais emblemáticas relacionadas à pobreza e fortemente atravessada pelos determinantes sociais. Paralelamente, é considerada perpetuadora de ciclos de miserabilidade devido aos impactos sociais e econômicos gerados pelo adoecimento (Ferreira et al., 2025).

    Nos últimos anos, muito foi feito, no Brasil, para combater a TB, porém ainda existem desafios a serem superados, para que se alcance o objetivo de tirar a doença dessa lista de problemas de saúde pública. Como exemplos desses desafios, tem-se, entre outros, a manutenção do enfrentamento da TB na agenda política, o fortalecimento das ações de controle da TB nas populações mais vulneráveis, a abordagem da doença na perspectiva dos determinantes sociais e a melhoria dos indicadores de desfecho do tratamento (Silva et al., 2022).

    É interessante ressaltar que, no Brasil, a TB teve um total de 877.509 casos confirmados no período de 2010 a 2019, permanecendo insatisfatórios os indicadores epidemiológicos, pois, em muitas regiões, houve aumento dos casos. Isso pode ser justificado pela piora no quadro sanitário nos últimos anos ou mesmo por uma melhora na capacidade de diagnóstico (Brasil, 2020).

    Entre os grupos de pessoas em situação de vulnerabilidade e com risco aumentado para adquirir TB, destacam-se as pessoas privadas de liberdade (PPL), com 28 vezes mais chance de adoecer pela doença (AGUIAR et al., 2021). No Brasil, as PPL compõem uma população crescente que em 1990 era constituída por 90 mil pessoas, enquanto em 2016 somava mais de 700 mil indivíduos (Caetano, 2018).

    No estudo realizado por Kinner et al. (2018), não foi encontrada diferença estatística na prevalência de TB por faixa etária em PPL, levantando como provável causa que a maioria das infecções por TB nessa população ocorrem após o encarceramento. Isso expõe o indivíduo aos riscos ambientais e estruturais do sistema carcerário, marcado por ausência de ventilação e superlotação, o tornando propenso à infecção independentemente da idade.

    No que se refere às comorbidades, destacam-se, o elevado índice de alcoolismo e uso de drogas ilícitas. Nas PPL, o uso dessas substâncias pode advir de um contexto prévio ao encarceramento ou ser influenciado por ele (Alves et al., 2017).

    O tabagismo, outra comorbidade com elevada notificação frequente entre os casos de TB nas PPL, está associado com a infecção, mortalidade e recidiva da TB, além de aumentar o risco de progressão da doença latente para ativa, dificultar a negativação do exame de escarro e propiciar falhas na adesão ao tratamento e aparecimento de formas resistentes de TB (Novotny et al., 2017).

    Neste sentido, as unidades de saúde prisionais devem ser responsáveis pela oferta de ações voltadas para o rastreamento, diagnóstico precoce e para o tratamento oportuno do HIV e da TB, a fim de minimizar desfechos desfavoráveis, a exemplo do óbito (Naves et al., 2024).

    Assim, torna-se imprescindível conhecer o perfil da doença para um alinhamento das ações de controle que caminhem junto com a realidade situacional desta população. Com o intuito de contribuir no desenvolvimento de estratégias em saúde, e partindo da premissa de que se faz necessário conhecer a epidemiologia especialmente com um enfoque temporal, para, a partir de então, desenvolver planos eficazes no combate e/ou controle à tuberculose entre a população privada de liberdade, bem como a criação de ações efetivas no âmbito da atenção primária.

     

     


    FRANCISCO GAUNIÉ DE SOUSA PESSÔA Sintomas Depressivos e Ideação Suicida em Idosos atendidos na Atenção Primária Data: 26/03/2025

     

    RESUMO

     

    No Brasil, nos últimos anos, tem-se observado declínio nas taxas de fertilidade e aumento na expectativa de vida, resultando no envelhecimento da população, no aumento da prevalência de doenças crônicas, desencadeamento de sintomas depressivos, além de ideação suicida. O presente estudo tem como objetivo geral: analisar a relação dos sintomas depressivos em idosos assistidos na Estratégia Saúde da Família com a ideação suicida. Trata-se de pesquisa analítica e transversal, realizada em 27 Unidades Básicas de Saúde de Teresina-PI, com amostra de 298 idosos. Para a coleta de dados, utilizou-se a técnica de entrevista e três instrumentos: formulário contendo dados sociodemográficos, econômicos e educacionais, Escala de Depressão Geriátrica – versão reduzida (GDS - 15) e o Índice Nurses Global Assessment of Risk Suicide (NGARS). Para a análise dos dados foram utilizadas frequências absolutas e relativas nas variáveis qualitativas e as associações foram verificadas por meio dos testes Qui-quadrado de Pearson e Exato de Fisher. Nesse estudo, a maioria dos participantes era do sexo feminino, na faixa etária de 60 a 64 anos, casados/união estável, com escolaridade baixa, vivendo com até um salário-mínimo, residindo com cônjuges e/ou filhos e possuindo cuidador. A maioria dos participantes referiu ter comorbidades, sendo as mais presentes hipertensão e diabetes, além de fazerem uso de medicações, em especial, anti-hipertensivos, antidiabéticos e psicotrópicos. A prevalência de sintomas depressivos foi de 30,20% e a maioria dos idosos possuía risco baixo de suicídio. No presente estudo, observou-se associação significativa entre a Escala de Depressão Geriátrica (GDS-15) e as variáveis: situação conjugal, ter diabetes mellitus, uma comorbidade e fazer uso de fármacos continuamente. Identificou-se associação entre o risco de suicídio e: situação conjugal (solteira), residir sozinho, ter cuidador, ter glaucoma, depressão, uma comorbidade e fazer uso de psicotrópicos. Assim, no presente estudo, observou-se associação entre o risco de ideação suicida e a presença de sintomas depressivos entre os idosos. Conclui-se a necessidade e importância da capacitação dos profissionais de saúde para o rastreamento precoce de sintomas depressivos e risco ideação suicida, bem como a implementação de estratégias específicas de cuidado aos idosos, na Atenção Primária à Saúde.

     

     


    FRANCISCA MICHELLE DUARTE DA SILVA Síndrome da Fragilidade, vulnerabilidade clínico-funcional e sua interface com o comportamento suicida de pessoas idosas Data: 19/03/2025

    RESUMO

     

    Introdução: O envelhecimento populacional no Brasil eleva a prevalência de doenças crônicas, perda funcional e fragilidade em pessoas idosas, aumentando riscos como hospitalizações, dependência e óbito. A Síndrome da Fragilidade é uma condição complexa que exige cuidados multidimensionais, com planejamento que integre práticas preventivas e cuidados continuados, a fim de mitigar o impacto de doenças crônicas, perdas funcionais e outros desfechos negativos. Paralelamente, o suicídio em pessoas idosas é um problema de saúde pública, influenciado por fatores como isolamento, luto, depressão e perda de funcionalidade. Objetivo: Analisar a relação entre a síndrome da fragilidade, a vulnerabilidade clínico-funcional e o comportamento suicida das pessoas idosas atendidas na Estratégia de Saúde da Família. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo, transversal e quantitativo, realizado com pessoas idosas atendidas na Estratégia Saúde da Família, realizado de novembro de 2023 a novembro de 2024. A amostra foi composta por 298 participantes, selecionados por conveniência, que atenderam aos critérios de inclusão: idade ≥ 60 anos, cadastrados nas Unidades Básicas de Saúde e em condições cognitivas de responder os questionários. Foram utilizados três instrumentos principais para a coleta de dados: Formulário sociodemográfico e clínico, Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional-20 e Nurses Global Assessment Risk of Suicide. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e inferencial, utilizando testes de associação entre fragilidade, condições clínicas e risco suicida. O presente estudo teve parecer de aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa sob o número 7.155.742 e CAAE: 83406424.3.0000.5214. Resultados: Entre as 298 pessoas idosas, 31,2% foram classificadas como frágeis, 31,9% em risco de fragilização e 36,9% como robustas. A maioria apresentava comorbidades (88,3%), principalmente hipertensão (66,8%) e diabetes (35,6%). Cerca de 85% faziam uso de medicação contínua, e 18,5% usavam psicotrópicos, sendo esses os mais associados à fragilidade e ao risco suicida. O risco de suicídio revelou que 54,7% tinham baixo risco, 24,2% risco intermediário, 11,4% risco elevado e 9,7% muito elevado. O risco foi maior entre viúvos, pessoas idosas com baixa escolaridade, aquelas que moravam sozinhas e as que apresentavam 5 ou mais comorbidades. A depressão foi o principal fator associado ao risco suicida, seguido por glaucoma e uso de psicotrópicos. Pessoas idosas classificadas como frágeis apresentaram maior prevalência de risco muito elevado de suicídio (51,7%). Conclusão: O estudo revelou forte relação entre a síndrome da fragilidade, vulnerabilidade clínico-funcional e comportamento suicida das pessoas idosas atendidas na Estratégia Saúde da Família. Pessoas idosas frágeis, com baixa escolaridade, renda limitada, múltiplas comorbidades e uso de psicotrópicos apresentaram maior risco suicida. Fatores como isolamento social e viuvez intensificam esse risco. Os achados reforçam a importância de avaliações clínicas e funcionais para identificação precoce de pessoas idosas vulneráveis e implementação de estratégias preventivas. O estudo destaca a necessidade de políticas públicas e intervenções específicas que priorizem a redução da fragilidade e a promoção da saúde mental nessa população.

     

     

     


    SAMYRA LIMA FERREIRA AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS DE FARMÁCIA CLÍNICA EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO Data: 14/03/2025

    RESUMO Introdução: Nos serviços de saúde, problemas relacionados a medicamentos (PRMs) podem causar prejuízos significativos, exigindo atenção médica adequada. Assim, a atuação do farmacêutico clínico é essencial para evitar tais PRMs por meio das intervenções farmacêuticas. Objetivo: O objetivo dessa pesquisa foi avaliar os PRMs mais comuns, suas intervenções e resoluções evidenciados em um hospital universitário. Metodologia: Trata-se de um estudo com parte retrospectiva e parte prospectiva com abordagem quantitativa, realizado no Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí. Foram incluídas todas as intervenções registradas em planilha online, excetuando as intervenções com dados incompletos como por exemplo a falta do número do prontuário e identificação do PRM, as quais não puderam ser contabilizadas no estudo retrospectivo e sendo excluídos 11 registros incompletos no trabalho prospectivo. Observou-se as intervenções classificando-as PRMs de significância clínica encontradas. No estudo retrospectivo, a coleta ocorreu nos meses de dezembro de 2023 e janeiro de 2024, sendo um trabalho observacional, enquanto a pesquisa prospectiva ocorreu com uma dupla-checagem dos registros contidos na planilha, para melhor obtenção dos resultados. Resultados: Considerando o período de janeiro de 2021 a dezembro de 2023 foram realizadas 14.673 intervenções farmacêuticas, com nível de aceitabilidade de 59%. Os principais PRMs envolviam a ‘seleção do medicamento’ (43%), ‘prescrição médica’ (16%), ‘seleção da dosagem’ (13%) e ‘problemas logísticos’ (7%). Em relação aos principais medicamentos atrelados aos PRMs prevaleceu os antibióticos, seguidos dos analgésicos. Já no estudo de janeiro a julho de 2024, foram realizadas 2.172 intervenções farmacêuticas com 75% de “aceitabilidade médica”. Em relação à não aceitabilidade médica, 23% dos casos tratou-se de ausência de manifestação do profissional sinalizado. Os PRMs classificados corresponderam a “seleção do medicamento” (54%), incluindo ‘término de tratamento de antibióticos’ (42%), além de ‘prescrição médica’ (21%), ‘problemas com logística’ (14%) e ‘seleção da dosagem’ (10%). Os antibióticos destacaram-se como a classe de fármacos que mais demandaram intervenções. Esse padrão pode estar relacionado à implementação do programa de stewardship no hospital. Problemas com os antimicrobianos como tratamento encerrado e sem justificativa, foram as principais causas das intervenções atreladas aos medicamentos. Considerações Finais: A identificação, quantificação e classificação dos PRMs, sendo evidenciado uma falha no processo de preenchimento da planilha, o que pode ter comprometido os resultados do primeiro estudo. Em compensação, na segunda pesquisa com a dupla checagem do preenchimento da planilha, comprovou-se a falha no processo de registro do primeiro trabalho, sendo portanto evidenciado a relevância da atuação do farmacêutico clínico no HU-UFPI, com uma aceitabilidade significativa de 75% de adesão médica, e efetividade das intervenções no cuidado e segurança do uso racional de medicamentos neste hospital. 


    CLARA FERNANDA BESERRA SANTOS Evidências de validade de cartilha educativa sobre cuidados de enfermagem com cateter central de inserção periférica Data: 12/03/2025

    RESUMO

     

    Introdução: O acesso central de inserção periférica (PICC) é um dispositivo intravenoso inserido em vasos periféricos, com ponta posicionada em veias de grande calibre, permitindo a infusão de diversos fármacos. Seu manejo requer habilidades especializadas para manter seu bom funcionamento e perviedade. Por isso, a enfermagem é crucial no cuidado adequado com o PICC. Objetivo: Verificar as evidências de validade de uma cartilha educativa para profissionais de enfermagem sobre manutenção da terapia intravenosa com o cateter central de inserção periférica - PICC.  Métodos: pesquisa do tipo metodológica de desenvolvimento e validação de cartilha educativa, realizada durante os meses de agosto de 2023 a março de 2024. A primeira etapa foi a realização de uma revisão integrativa para identificar e avaliar os materiais educativos desenvolvidos para o cuidado e assistência ao PICC no Brasil e demais países. Em seguida, elaborou-se a cartilha educativa, com conteúdo baseado nos resultados encontrados na revisão integrativa. O material foi diagramado e ilustrado por um profissional de designer gráfico. Na terceira etapa, utilizou-se um formulário on-line com dois instrumentos de avaliação. Todos os juízes, de conteúdo e técnicos, responderam aos instrumentos de caracterização da amostra e o Suitability Assemment of Materials. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Campus Senador Helvídio Nunes de Barros, da Universidade Federal do Piauí, com número de parecer 6.531.966. Resultados: A cartilha foi intitulada “Cateter Central de Inserção Periférica (PICC): manuseio e cuidado seguros na assistência de enfermagem”, e tem como objetivo contribuir para uma assistência de qualidade e um cuidado seguro por parte da equipe de enfermagem. Ela foi avaliada por 24 juízes. Seu conteúdo foi segmentado em seções sobre as características do dispositivo, indicações, vantagens e manutenção do PICC, abrangendo 17 páginas, e sua aparência e conteúdo também foram avaliados. Na análise dos juízes sobre linguagem, conteúdo e aparência, o material atingiu um Índice de Validade de Conteúdo superior a 0,87 em todos os domínios, com confiabilidade (Alpha de Cronbach > 0,790) sendo considerado adequado. Conclusão: os juízes consideraram a cartilha adequada e com conteúdo confiável e validado, podendo ser utilizada pela equipe de enfermagem para a promoção de uma assistência de qualidade e segura.       

     

     


    LÁISA REBECCA SOUSA CARVALHO Hesitação vacinal em crianças nascidas entre 2017 e 2018 residentes na área urbana de Teresina, Piauí, Brasil. Data: 10/02/2025

    RESUMO

     

    Introdução: A hesitação vacinal é um dos maiores riscos mundiais de saúde. No Brasil, a cobertura vacinal infantil diminuiu de forma preocupante, exigindo políticas eficazes baseadas em inquéritos populacionais. Objetivo: Analisar a hesitação vacinal em crianças nascidas em 2017 e 2018 residentes na área urbana de Teresina, Piauí. Método: Trata-se de um estudo analítico e transversal, avaliando a cobertura vacinal em crianças nascidas em 2017 e 2018 em Teresina, Piauí, a partir de um inquérito populacional. Com amostra de 899 crianças, os dados foram coletados entre dezembro de 2020 e junho de 2021, por meio de visitas domiciliares, e analisados no programa estatístico STATA versão 15.0. As variáveis dependentes foram atraso vacinal e as independentes incluíram hesitação vacinal, fatores socioeconômicos e uso de serviços privados e, posteriormente associados aos cinco determinantes de hesitação vacinal de confiança, complacência, conveniência, comunicação e contexto. Foi realizada análise descritiva das variáveis categóricas e associações foram verificadas pelo teste Qui-Quadrado de Pearson. A magnitude das associações foi avaliada pelo Odds Ratio com Intervalo de Confiança de 95% usando regressão logística binária, com nível de significância de 5%. Resultados: A maioria utilizou o serviço público de vacinação, enquanto o serviço privado foi predominante no estrato socioeconômico mais elevado (40,65%); e 99,44% das crianças receberam vacinas, com hesitação maior no estrato socioeconômico intermediário e no mais baixo. Foi observado atraso vacinal nos intervalos de vacinas, em períodos que terminam esquemas e iniciam os reforços, aumentando à medida que os meses avançam, com variação significativa entre os estratos. Os motivos para hesitação incluíram desconfiança nas vacinas, medo de reações adversas e barreiras logísticas como falta de materiais e horários inadequados. Ademais, foram encontradas associações significativas entre a hesitação vacinal e os determinantes de conveniência e comunicação. Conclusão: O estudo indica que barreiras logísticas e desinformação aumentam a hesitação vacinal, destacando a necessidade de campanhas educativas e políticas públicas que melhorem o acesso e a confiança na vacinação, visando reduzir desigualdades e aumentar a cobertura vacinal.