• UFPI

  • COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM POLÍTICAS PÚBLICAS/CCHL

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

  • EM POLÍTICAS PÚBLICAS






  • Dissertações/Teses - 2026

    ESTELYTA HANNA GUEDES RODRIGUES MORAIS MULHERES “SOBRE-VIVENTES” DO FEMINICÍDIO NO PIAUÍ: análise crítica dos (des)caminhos percorridos na busca pela superação e reparação da violência Data: 09/09/2026

    A presente tese insere-se no campo de estudos da violência contra mulheres, mais notadamente
    na perspectiva do feminicídio tentado. Estabelece um diálogo entre as bases teóricas que
    circundam as categorias "mulheres", "violência contra mulheres", "feminicídio" e "rota crítica"
    — ou "(des)caminhos", conceito adotado para se referir a essas trajetórias — e as narrativas de
    vida de mulheres sobre-viventes das tentativas de feminicídio no Piauí. O escopo central
    consiste em analisar como se configuram os (des)caminhos percorridos por essas mulheres na
    busca por superação e reparação da violência no estado. Para tanto, adota como aporte teórico
    o materialismo histórico-dialético na perspectiva decolonial, entendendo ser necessário analisar
    a realidade para além de sua aparência fenomênica, apreendendo-a em sua totalidade e,
    simultaneamente, questionando as hierarquias de poder, saberes e culturas impostas pelo
    colonialismo. Como ferramenta teórico-metodológica, utiliza a interseccionalidade,
    considerando imprescindível articular de forma indissociável gênero, raça/etnia, classe social e
    outros eixos de opressão. A investigação justifica-se pela relevância de aprofundar, no âmbito
    estadual, os estudos sobre rotas críticas vivenciadas por mulheres sobre-viventes do
    feminicídio, a fim de apreender se as redes de apoio, a comunidade e os serviços que compõem
    a Rede de Enfrentamento à Violência contra Mulheres atuam de maneira efetiva e articulada na
    reparação, proteção e cuidado dessas mulheres no estado. O estudo é de caráter exploratório e
    natureza qualitativa, utilizando o método Narrativas de Vida para conferir maior liberdade às
    participantes no relato de suas vivências, percepções e experiências. Também são empregadas
    fontes secundárias provenientes de pesquisas bibliográficas e documentais, além de dados
    institucionais, como registros e boletins da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP/PI),
    estatísticas oficiais do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), levantamentos do
    Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE/PI) e pesquisas de opinião do DataSenado. Na
    pesquisa de campo, cinco mulheres de diferentes municípios piauienses foram convidadas a
    participar de entrevistas narrativas não estruturadas, com foco na compreensão aprofundada das
    dinâmicas do feminicídio tentado, dos esforços da revivência e das rotas críticas na luta pela
    superação e reparação da violência. Espera-se que a materialização deste estudo suscite
    reflexões e debates na comunidade acadêmico-científica, na sociedade civil e nos órgãos
    públicos responsáveis pela formulação, execução e implementação de políticas de proteção às
    mulheres. Destaca-se, sobretudo, a necessidade de capacitação da Rede de Enfrentamento, da
    transversalidade de gênero e da criação de políticas específicas de cuidado às sobre-viventes do
    feminicídio, mulheres que, mesmo resistindo à violência extrema, enfrentam a falta de meios
    para superar o trauma e seguir adiante. É preciso que gestores em todas as esferas de poder
    ampliem o olhar sobre o feminicídio para além do consumado, reconhecendo a relevância de
    atuar também no âmbito do tentado, por meio de políticas mais humanizadas, protetivas,
    preventivas e reparatórias.


    CÍNTIA DE LIMA BUENO PARENTALIDADE EM DISPUTA: AS RELAÇÕES SOCIAIS DE CLASSE, RAÇA/ETNIA E GÊNERO EM PROCESSOS DE DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR EM TERESINA-PI Data: 28/08/2026

    O presente estudo voltou-se para a percepção das práticas e dos discursos do
    sistema jurídico nos processos de destituição do poder familiar, considerando as
    desigualdades e as relações sociais de raça/etnia, gênero e classe, no contexto do
    capitalismo neoliberal e patriarcal. Partiu-se do pressuposto de que a ação do
    Estado no capitalismo neoliberal tem como base a responsabilização das famílias
    pelas múltiplas expressões da questão social que estas vivenciam, desconsiderando
    os determinantes estruturais das desigualdades sociais, o que impacta diretamente
    as famílias negras e pobres em situação de desproteção social. A pesquisa
    evidenciou que, historicamente, a precarização das condições sociais e a
    desarticulação das políticas públicas contribuíram para a manutenção do racismo, do
    empobrecimento estrutural e das desigualdades de gênero, os quais se refletem nas
    práticas do sistema de justiça, especialmente no campo da infância e da juventude.
    Nesse âmbito, observou-se a recorrente associação entre precariedade
    socioeconômica e negligência parental, resultando em decisões que reforçam a
    seletividade institucional e a violação de direitos. A metodologia adotada teve como
    base o estudo bibliográfico, fundamentado em autores e autoras que abordam a
    temática, bem como o estudo documental, compreendendo a análise de processos
    judiciais e relatórios técnicos. O campo empírico concentrou-se na I Vara da Infância
    e Juventude de Teresina, com análise de casos julgados entre 2023 e 2025,
    envolvendo famílias negras residentes em territórios periféricos. A investigação
    seguiu procedimentos metodológicos de ordenação, classificação e análise dos
    dados, conforme referenciais da pesquisa qualitativa. Os resultados contribuíram
    para uma compreensão crítica das práticas institucionais e para o fortalecimento de
    políticas públicas, visando à efetivação do direito à convivência familiar e
    comunitária, considerando os marcadores sociais que atravessam o exercício da
    parentalidade.


    BRENNA GALTIERREZ FORTES PESSOA FEMINICÍDIO NO BRASIL E NO MÉXICO: EXPERIÊNCIAS DAS COLONIZAÇÕES VIOLENTASSOBRE CORPOS RACIALIZADOS E A PERSPECTIVA DAS FAMÍLIAS DAS VÍTIMAS DE FEMINICÍDIO Data: 27/08/2026

    Este estudo centra-se na análise das relações sociais de famílias de vítimas de
    feminicídio sob a perspectiva racializada, no Brasil e no México, tendo como recorte
    temporal o período posterior a 2014, considerando o cenário marcado pela última crise
    econômica de 2014 e a ascensão da direita em 2016, com a organização do
    narcotráfico. Parte-se do pressuposto de que o sistema capitalista é um modelo de
    dominação masculina e de opressão-dominação das mulheres, cuja manifestação
    ocorre inicialmente no âmbito da família, com sua força de trabalho, poder e
    acumulação privada, concentrada continuamente nas mãos de poucos. Nesse
    processo, paralelamente a isso, além de situações vistas como naturais, como a
    pobreza de muitos, em razão da dificuldade de acumular grandes capitais, há
    violências de todos os tipos, como o próprio feminicídio que faz com que muitas vidas
    culminem em morte apenas por serem mulheres. Nesse sentido, tem-se como
    pergunta de pesquisa: como se apresentam as vivências das famílias de vítimas de
    feminicídio e a ação do Estado nas políticas públicas de enfrentamento ao feminicídio
    no Brasil e no México, a partir de uma perspectiva racial, de classe e de gênero? Com
    base nessa questão de pesquisa, objetiva-se, de modo geral, analisar as vivências
    das famílias de vítimas de feminicídio e a ação do Estado nas políticas públicas de
    enfrentamento ao feminicídio no Brasil e no México, a partir de uma perspectiva racial,
    de classe e de gênero. Conclui-se que o feminicídio, no Brasil e no México, é
    expressão de estruturas sociais profundas, articuladas pelo patriarcado, pelo racismo
    e pelo capitalismo dependente. Avanços legais, como a Lei Maria da Penha e
    mecanismos de Alerta de Gênero, mostram limites diante de desigualdades
    socioeconômicas, racismo estrutural e violência institucional. A perspectiva do
    feminismo marxista, combinada à análise interseccional, revela que raça, gênero e
    classe são consubstanciais, afetando especialmente mulheres negras, indígenas e
    periféricas. O feminicídio expõe falhas do sistema que disciplina e mata mulheres que
    desafiam o reconhecimento patriarcal, reforçando a necessidade de mudanças
    estruturais, avaliação contínua e políticas públicas intersetoriais capazes de intervir
    concretamente na desigualdade e na violência de gênero.


    KÉZIA MAGNA MARTINS COSTA O PROCESSO DE DESOSPITALIZAÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM CONDIÇÕES CRÔNICAS COMPLEXAS EM TERESINA-PI Data: 17/08/2026

    A dissertação analisa o processo de desospitalização de crianças e adolescentes com condições crônicas complexas no município de Teresina/PI, compreendendo-o como um fenômeno que ultrapassa a alta hospitalar e envolve a articulação entre múltiplos serviços, instituições e profissionais no âmbito das redes de atenção à saúde. O estudo parte da problematização dos fluxos institucionais, das responsabilidades administrativas e das estratégias de continuidade do cuidado no domicílio, evidenciando que a efetivação da desospitalização depende da integração entre hospitais, atenção domiciliar, rede socioassistencial e instâncias de gestão. O estudo adota abordagem voltada às dimensões institucionais do processo, buscando preencher lacuna identificada na literatura, frequentemente centrada nas experiências subjetivas dos envolvidos. Os resultados indicam que a desospitalização se configura como expressão das relações entre políticas públicas, desigualdades sociais e organização dos serviços de saúde, sendo marcada por entraves como ausência de fluxos estruturados, fragmentação institucional e dificuldades na contrarreferência. As permanências hospitalares prolongadas revelam tanto limitações da rede de proteção social quanto esforços das equipes profissionais na construção de estratégias para continuidade do cuidado. Destaca-se, nesse contexto, a atuação do Serviço Social como elemento mediador fundamental entre usuários, famílias e serviços, contribuindo para a identificação de demandas sociais e para a articulação interinstitucional. O estudo conclui ao evidenciar a necessidade de fortalecimento da governança da rede e de maior integração entre políticas públicas, reafirmando a desospitalização como processo complexo, que exige planejamento, coordenação e ampliação da capacidade de resposta do sistema de saúde.


    PAULA MARIA DO NASCIMENTO MAZULLO PACTOS COLETIVOS EM CONTEXTOS DE CRESCENTE FLEXIBILIZAÇÃO DE DIREITOS TRABALHISTAS: Trajetória do processo de negociação coletiva de trabalho no agronegócio da soja, no Piauí, entre sindicatos laborais e patronais rurais de 1994 a 2025 Data: 31/07/2026

    O objeto de estudo desta tese de doutorado é o processo de negociação coletiva de trabalho e
    das decorrentes convenções coletivas de trabalho firmadas no agronegócio da soja no estado do
    Piauí, do ano de 1994 a 2025. Nesse setor produtivo que é um dos principais indutores do
    desenvolvimento econômico agrícola do Piauí, insere-se a trajetória de trabalhadores e
    trabalhadoras rurais assalariados/as, que antes ocupavam a terra como agricultores/as
    familiares, meeiros/as e outras categorias correlatas. Com seu ingresso no agronegócio como
    assalariados/as, vivenciaram e vivenciam as metamorfoses do mundo do trabalho, inclusive
    com as configurações havidas nas últimas décadas, quais sejam, as regras da flexibilização do
    direito do trabalho. No atual cenário de regras trabalhistas que são flexibilizantes e
    desprotetivas, resta a esta fração da classe trabalhadora buscar novos mecanismos de proteção
    à manutenção da melhoria das suas condições de trabalho e dignidades, mormente de salários,
    saúde e segurança, pela via da negociação coletiva de trabalho. A negociação coletiva de
    trabalho é um processo social coletivo, que pode ser concebido como um dispositivo da política
    pública do trabalho, adotada pelo Estado Brasileiro, nos termos da Constituição Federal, e que
    se materializa em consonância com o campo jurídico do Direito Coletivo do Trabalho. Com tal,
    tem como atores e atrizes sociais trabalhadores e trabalhadoras, e o patronato e, no caso em
    estudo, o patronato rural do agronegócio da produção de soja que não se desvincula dos cenários
    dessa produção econômica em todo o país. Nesse estudo de caso, com pesquisa de cunho
    qualitativo, foram utilizadas fontes bibliográficas e documentais escritas, no caso os textos das
    convenções realizadas no período estudado, submetidas a uma hermenêutica, com ênfase na
    mudança de cláusulas.Como resultados da pesquisa, a constatação de que de 1994 a 2025,
    assalariados/as piauienses do agronegócio da soja participaram ativamente de negociações que
    resultaram em convenções coletivas de trabalho, cujas cláusulas registram avanços na
    implementação da legislação trabalhista brasileira, no que diz respeito ao assalariamento rural
    e ao processo jurídico da negociação coletiva, em sua proteção jurídico constitucional. Dessas
    relações de trabalho no meio rural, os/as sujeitos/as desse labor, no Piauí, estão inseridos/as nos
    contextos de uma trajetória na qual suas lutas ocorrem de forma coletiva e devidamente
    amparadas pela sustentação política de suas entidades sindicais classistas, quais sejam o
    Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais, vinculado à
    Contag e mais recentemente à Contar.


    ELAINE NAIRA LOPES NASCIMENTO SERVIÇO SOCIAL NA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA: inserção no processo de trabalho nas Unidades de Pronto Atendimento em Teresina-PI. Data: 08/07/2026

    A pesquisa investigou o processo de trabalho e as particularidades do trabalho profissional do Serviço Social nas Unidades de Pronto Atendimento de Teresina, focando nas particularidades regionais e nas especificidades do Sistema Único de Saúde no município. O estudo examinou as dinâmicas institucionais das UPAs, incluindo fluxos organizacionais, políticas internas e articulação com outros serviços de saúde, e como esses aspectos impactam o trabalhoprofissional cotidiano. Além disso, analisou as condições de trabalho enfrentadas pelas assistentes sociais, visando entender os desafios e as demandas desse contexto. A pesquisa se insere no contexto da saúde pública, reconhecendo a saúde como um direito universal, conforme estabelecido pela Constituição Federal de 1988. Entendemos que o trabalho do/a assistente social é essencial para enfrentar as desigualdades sociais que afetam o acesso à saúde, com ênfase na integralidade e na intersetorialidade. Metodologicamente o estudo se baseou em uma abordagem qualitativa, com pesquisa bibliográfica e documental e com aplicação de questionários fechados e entrevistas semiestruturadas com as 11 assistentes sociais das UPAs de Teresina. A análise dos dados revelou resultados importantes sobre as condições de trabalho, as demandas sociais atendidas, funcionamento institucional, além do referencial teórico- metodológico utilizado pelas assistentes sociais. Nesta investigação, foi possível identificar os principais desafios enfrentados pelas assistentes sociais, como as condições de trabalho precárias e a sobrecarga de demandas, ficando destacado como as dinâmicas institucionais, a fragmentação da rede de serviços e os fluxos organizacionais rígidos impactam a atuação profissional, dificultando a implementação de um atendimento integral e humanizado. Além disso, evidenciou a importância da atuação intersetorial e da articulação com outros serviços públicos, essenciais para garantir o acesso aos direitos sociais. Os resultados contribuem para a construção de um novo olhar sobre a categoria, sugerindo melhorias nas condições de trabalho e na qualificação das intervenções das assistentes sociais, sempre alinhadas aos princípios do SUS e ao projeto ético-político da profissão. Destarte, a pesquisa corrobora para o preenchimento da lacuna existente na literatura sobre o Serviço Social nas UPAs, tanto a nível local, como a nível federal, oferecendo subsídios para a formulação de políticas públicas que visem melhorar a qualidade dos atendimentos e as condições de trabalho dessas profissionais. Ao final, reforça a importância do trabalho das assistentes sociais no SUS, destacando sua função essencial na promoção de uma saúde integral e equitativa, e no fortalecimento da cidadania e da justiça social.


    JUSCILENE MARIA DA SILVA ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL E DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR EM TERESINA: características, desafios e possibilidades para reintegração familiar Data: 30/06/2026

    Esta dissertação analisa a convivência familiar como direito fundamental da criança e do adolescente,
    com foco nos desafios impostos pelo acolhimento institucional no município de Teresina, à luz do
    Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O acolhimento institucional, embora previsto como
    medida protetiva excepcional e provisória, tem se caracterizado, em muitos casos, pela permanência
    prolongada de crianças e adolescentes afastados de suas famílias, o que compromete a efetivação do
    direito à convivência familiar e comunitária. O estudo teve como objetivo identificar e analisar como
    as mudanças normativas impactaram no direito à convivência familiar das crianças e adolescentes em
    acolhimento institucional na cidade de Teresina. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem
    qualitativa e quantitativa, baseada na análise de dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento
    (SNA), referentes ao período de 2019 a 2024, com recorte específico para o contexto local de
    Teresina. Para fins identificar e analisar os impactos das mudanças normativas sobre o direito à
    convivência familiar de crianças e adolescentes em acolhimento institucional no município de
    Teresina, foi traçado o perfil dos acolhidos no período investigado, bem como identificados os
    principais motivos que ensejaram o afastamento do convívio familiar, os tempos de permanência nas
    instituições de acolhimento e as condições que possibilitaram o retorno à convivência familiar. O
    estudo busca contribuir para o aprimoramento das ações voltadas à proteção integral de crianças e
    adolescentes no âmbito local.


    RODRIGO ITALO RODRIGUES ALMEIDA ENTRE O SILÊNCIO E A DENÚNCIA: UMA ANÁLISE INTERSECCIONAL DAS VIOLÊNCIAS E DOS OBSTÁCULOS ÀS DENÚNCIAS INSTAURADAS POR TRAVESTIS E MULHERES TRANS* Data: 25/06/2026

    Travestis e mulheres trans* sofrem o maior número de violências dentro da comunidade trans*
    no Brasil, e mesmo que os dados sejam alarmantes, o que se constata é uma elevada
    subnotificação das violências transfóbicas. Entre outros diversos fatores, esse cenário está
    associado principalmente à reduzida formalização de denúncias. Por isso, esta pesquisa propôs
    como objetivo geral analisar os fatores que constroem obstáculos às denúncias dos diversos
    tipos de violências sofridas por travestis e mulheres trans* de Teresina – PI. Estabeleceu-se um
    amplo debate teórico tomando como base as epistemologias transfeministas, nomeando a
    cisgeneridade e usando uma perspectiva interseccional para analisar o cenário brasileiro de
    gestão da vida e da morte de pessoas trans* e travestis. Baseado no exercício conjunto da
    biopolítica e da Necropolítica, propôs-se a categoria da Transnecrobiopolítica para
    compreender as ações repressivas e as omissões deliberadas do Estado brasileiro. Também se
    indicou a metáfora dos cruzamentos perigosos sem semáforos a fim de provocar reflexões sobre
    caminhos para além desse cenário de omissão. Ademais, foi utilizada a Política Nacional de
    Enfrentamento à Violência contra as Mulheres (PNEVM) para a compreensão dos diversos
    tipos de violência que impactam as corporalidades transfemininas. Sob o ponto de vista
    metodológico, foi proposta uma pesquisa de campo, de cunho qualitativa-exploratória,
    utilizando uma abordagem colaborativa crítica, com a realização de grupos focais. Para a
    produção dos dados, criou-se estratégias metodológicas relacionadas ao globo espelhado, que
    interligou as colaboradoras do grupo focal com a seleção das participantes, usando a técnica da
    bola de neve (snowball sampling), o que resultou em três bolas de neve concomitantes e
    independentes entre si. O corpus do estudo considerou as falas de nove transfeminilidades (três
    do grupo focal e seis das bolas de neve). No plano empírico, foi possível obter os diversos
    espaços de ocorrência da violência transfóbica, além da percepção dos obstáculos que afetam a
    manifestação da vontade para a denúncia e os demais obstáculos institucionais e investigativos
    enfrentados. Para a análise, a interseccionalidade também foi utilizada como ferramenta.
    Concluiu-se que a violência perpassa todos os espaços de vida do grupo pesquisado, podendo
    ocorrer de diversas formas, dentre as quais se destaca a violência institucional, que obstaculiza
    o processo de denúncia, reflexo de uma tipificação da vítima no processo investigativo,
    fomentando a descrença no trabalho da polícia, a subnotificação, o arquivamento das denúncias
    e a impunidade. Este estudo enfatiza como as políticas públicas do estado do Piauí estão em
    avanço, mas que existem diversos pontos que precisam avançar ainda mais, principalmente na

    conscientização de alguns profissionais e da sociedade, para que haja um compromisso ético-
    político com a não violência.


    ANTONIO SOARES ROCHA NETO AS EXPRESSÕES JURÍDICAS DA EXPROPRIAÇÃO CAPITALISTA NA SUPEREXPLORAÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO BRASILEIRA: RUPTURAS E CONTINUIDADES DE UM PROCESSO ENDÊMICO Data: 23/06/2026

    Esta dissertação tem como objeto mais geral a mediação do Direito do Trabalho na relação
    capital-trabalho no Brasil contemporâneo. Seu objetivo central é desvelar a lógica
    expropriatória que perpassa o Direito do Trabalho no Brasil a partir da superexploração da força
    de trabalho, forma particular de subsunção do trabalho ao capital na formação social brasileira,
    conferindo destaque às rupturas e continuidades históricas na configuração da mediação
    jurídica entre capital e trabalho, consagrada nas Leis 13.467/17 e Lei 13.429/17, bem como nas
    legislações subsequentes, todas justificadas a partir do discurso de “modernização” das relações
    de trabalho. Nesse sentido, a problemática central da pesquisa foi destacar não apenas a ruptura,
    mas a continuidade estrutural na formatação do Direito do Trabalho no Brasil enquanto

    mediação da superexploração da força de trabalho no capitalismo dependente brasileiro. Trata-
    se de uma pesquisa teórica, de cunho bibliográfico e qualitativa, com o materialismo histórico-
    dialético como concepção teórico-metodológica de análise e pesquisa documental. Para

    alcançar o cerne do problema, a pesquisa traçou como objetivos específicos a reflexão sobre os
    fundamentos ontológicos e histórico-sociais do trabalho no capitalismo e suas conexões com
    processos de exploração e expropriação capitalista, incluindo as mediações jurídicas no seio da
    relação capital-trabalho, particularizando tais determinações no capitalismo dependente
    brasileiro e na superexploração, que põe a expropriação como norma no uso da força de trabalho
    no Brasil, estrutura que impõe restrições objetivas à efetividade da proteção normativa do
    Direito do Trabalho desde sua gênese, marcada pela inefetividade prática. Em seguida, ao tratar
    do capitalismo contemporâneo e as novas dinâmicas que engendra, demonstrou-se como, na
    dinâmica de um capitalismo dependente e subordinado financeiramente ao mercado mundial,
    as demandas do capital produziram tendências que imprimiram uma nova forma específica da
    subsunção do trabalho real ao capital e da unidade entre exploração e expropriação, cuja
    expressão jurídica se deu nas alterações sistemáticas no Direito do Trabalho que tem ocorrido
    nessa quadra histórica. Observou-se que a desregulamentação e flexibilização trabalhista,
    efetivadas de forma mais ampla pelas Leis no 13.429/2017 e 13.467/2017 e que tornaram lícito
    o que antes era ilícito, constituíram-se como mediações jurídicas para o barateamento dos custos
    da força de trabalho no Brasil. A partir desses múltiplos fatores, concluiu-se que, no Brasil,
    onde o arcaico e o novo se plasmam na reprodução de iniquidades sociais do capitalismo
    dependente, as “modernizações” legais da legislação trabalhista, representadas principalmente
    nas Leis 13.467/17 e 13.429/17, de fato trouxeram algo novo e consolidaram o que se entende
    por uma nova morfologia legal do trabalho. Porém, em sua essência, suas determinações
    reiteram e reproduzem, por meio da legalização do ilícito, velhas tendências estruturais de
    esgarçamento da força de trabalho brasileira presentes em toda a história do capitalismo no país.


    GEYSA ELANE RODRIGUES DE CARVALHO SA PROMOÇÃO DA SAÚDE E VACINAÇÃO: CONCEPÇÃO, TEMPORALIDADES, INTERSETORIALIDADE E PRODUÇÃO DO CUIDADO NA PRIMEIRA INFÂNCIA Data: 17/06/2026

    A tese tem como objetivo compreender e analisar o processo de vacinação na Primeira
    Infância em Teresina, Piauí, a partir de uma perspectiva histórica que abrange desde
    a década de 1970 até dezembro de 2025. O estudo parte da análise de um período
    anterior às quedas dos índices de cobertura vacinal, buscando compreender as
    transformações ocorridas ao longo do tempo no âmbito da política pública de
    imunização. A investigação fundamenta-se na compreensão da vacinação como parte
    da Promoção da Saúde, configurando-se como estratégia essencial para a prevenção
    de doenças infecciosas na infância. Nesse sentido, são mobilizadas as categorias de
    temporalidades, intersetorialidade e produção do cuidado entendida como prática
    relacional e histórica que articula sujeitos, saberes e vínculos como dimensões
    analíticas centrais. Trata-se de estudo de natureza qualiquantitativa, que articula fonte
    de dados primários e secundários, incluindo sistemas de informação em Saúde e
    entrevistas com gestores, profissionais de Saúde, Auditores de Controle Externo e
    Agentes Comunitários de Saúde além do diálogo com o sujeito histórico protagonista
    do trabalho na política de imunização no município. Os resultados evidenciam que o
    processo de vacinação na Primeira Infância em Teresina é marcado por avanços
    históricos significativos, especialmente no período de consolidação do Programa
    Nacional de Imunizações, PNI seguido por um contexto recente de redução das
    coberturas vacinais, intensificado no pós-pandemia da Covid-19. Observa-se que a
    vacinação, embora amplamente reconhecida como estratégia preventiva, passa a ser
    atravessada por desafios contemporâneos, como a hesitação vacinal conceito
    introduzido pela OMS há cerca de uma década para designar atraso ou recusa em
    aceitar vacinas apesar da disponibilidade e a disseminação de desinformação,
    entendida como circulação intencional de informações falsas ou distorcidas que
    fragilizam a confiança pública. Ademais, os resultados indicam que os efeitos da
    vacinação sobre os indicadores de Saúde ocorrem de forma indireta e ao longo do
    tempo, especialmente na redução das internações, o que reforça seu caráter
    preventivo e a necessidade de análises que considerem as dinâmicas temporais. No
    plano qualitativo, destaca-se o papel dos Agentes Comunitários de Saúde na
    mediação entre serviços e famílias, bem como na construção de estratégias de busca
    ativa e fortalecimento do vínculo no território. Conclui-se que a compreensão da
    vacinação na Primeira Infância exige considerar múltiplas dimensões históricas,
    sociais, culturais, políticas, institucionais e territoriais incluindo os Determinantes
    Sociais da Saúde, que evidenciam como condições econômicas e culturais
    influenciam o processo Saúde-doença, sendo fundamental o fortalecimento de
    políticas públicas que articulem Promoção da Saúde, governança e práticas de
    cuidado, com vistas à ampliação da cobertura vacinal e à proteção integral da criança.


    CARLA GABRIELA NOBRE DA SILVEIRA SERVIÇO SOCIAL E MERCADO DE TRABALHO: aproximações à inserção profissional e às condições de trabalho de assistentes sociais em municípios de grande  porte populacional do Piauí Data: 14/05/2026

    A presente dissertação teve como objetivo geral analisar a inserção profissional das/os
    assistentes sociais do estado do Piauí, considerando o perfil, a formação, as condições de
    trabalho e as possibilidades e limites de exercício do Projeto Ético-Político, a fim de
    compreender particularidades, desafios e potencialidades da categoria. Para isso, definiu-se
    como objetivos específicos: traçar o perfil dessas/es assistentes sociais; investigar aspectos
    sobre a formação acadêmica e continuada das/os assistentes sociais piauienses e a sua relação
    com o exercício profissional; verificar como se dá a inserção das/os assistentes sociais no
    mercado de trabalho, com enfoque nas formas de vínculos contratuais, carga horária de
    trabalho, salário, quantidade e/ou ausência de vínculos; e avaliar como as condições de
    trabalho incidem sobre o exercício profissional das/os assistentes sociais piauienses, com
    ênfase na autonomia relativa e nas possibilidades de materialização do Projeto Ético-Político
    do Serviço Social. O estudo compreende o trabalho a partir de uma concepção marxista, cuja
    forma assalariada, historicamente determinada no capitalismo, é atravessada por exploração e
    precarização, especialmente em países de economia dependente como o Brasil. No Serviço
    Social, enquanto profissão inscrita na divisão social, racial, sexual e técnica do trabalho, essas
    transformações incidem diretamente sobre a inserção, permanência e exercício profissional.
    No que tange ao tipo de pesquisa, realizou-se pesquisa bibliográfica e documental, ancorada
    no método crítico-dialético, bem como pesquisa de campo de abordagem qualitativa, junto a
    assistentes sociais dos municípios de Teresina, Parnaíba, Picos, Piripiri e Floriano,
    selecionados com base em critério populacional. A coleta de dados foi realizada por meio de
    questionário on-line. A inserção profissional das/os assistentes sociais piauienses
    configura-se de forma contraditória, sendo marcada pela divisão racial e sexual do trabalho,
    pela precarização e pela superexploração. Os resultados evidenciam que o perfil da categoria
    é composto majoritariamente por mulheres negras, muitas delas mães, o que incide na
    intensificação das jornadas e na dificuldade da participação sociopolítica. No que se refere à
    formação, observa-se a consolidação de trajetórias com elevados níveis de qualificação,
    tensionadas pela expansão de modalidades precarizadas, como o ensino a distância e
    semipresencial. As condições de trabalho são caracterizadas pela predominância do setor
    público, com coexistência de vínculos estáveis e precários, impactando em direitos,
    remuneração, autonomia e saúde das/os profissionais. A materialização do Projeto
    Ético-Político ocorre sob limites e contradições, especialmente diante da baixa participação
    em espaços de participação e organização política, embora se evidenciem estratégias de
    resistência no interior da categoria. Nesse contexto, a inserção profissional revela
    particularidades regionais, desafios estruturais e potencialidades vinculadas à organização e à
    resistência coletiva. Este estudo contribui para o preenchimento de uma lacuna na produção
    de conhecimento regional, sistematizando dados inéditos sobre perfil, formação, inserção
    profissional, condições de trabalho, direitos trabalhistas e participação sociopolítica das/os
    assistentes sociais piauienses. Além de avançar ao articular essas dimensões à divisão racial e
    sexual do trabalho e ao evidenciar impactos na profissão, problematizando temas pouco
    explorados, como a não efetivação de direitos trabalhistas e a questão da insalubridade. Por
    fim, cabe salientar que a presente pesquisa oferece subsídios para fortalecer o debate junto ao
    CRESS-PI e à categoria, contribuindo para a construção coletiva de estratégias de
    enfrentamento à precarização do trabalho no estado do Piauí.


    DEBORAH CHRISTINA MOREIRA SANTOS JAIME Mediação e conciliação judiciais como política pública: a experiência dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (2021-2025). Data: 23/04/2026

    A presente tese investiga a implementação e a efetividade da política pública de mediação e conciliação judicial no Estado do Piauí, materializada nos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSCs), situando-a na tensão dialética entre a busca por eficiência administrativa gerencial e a promoção de um acesso à justiça democrático e qualificado. O objetivo central consiste em analisar se a atuação dos CEJUSCs no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí (TJ/PI), no recorte temporal de 2021 a 2025, consolidou-se efetivamente como um instrumento de cidadania, capaz de realizar uma aproximação social e "justiça de proximidade", ou se restringiu a um mecanismo técnico-burocrático de gestão de acervo para descongestionamento judiciário. O referencial teórico articula a clássica teoria do Acesso à Justiça de Cappelletti e Garth e o conceito de Tribunal Multiportas com a crítica à razão gerencial neoliberal e a proposta de uma "Revolução Democrática da Justiça" de Boaventura de Sousa Santos.
    Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa aplicada, de natureza descritiva e explicativa, que adota o método dialético para confrontar a normatividade idealizada na Resolução n. 125/2010 do CNJ com a realidade operacional. Procedeu-se à análise bibliográfica, documental e estatística, examinando os relatórios analíticos "Justiça em Números" do Conselho Nacional de Justiça, através dos quais foi elaborado o Índice de Cidadania e Confiança na Autocomposição (ICCA). Os resultados da análise de dados apontam para a existência de um "Paradoxo da Estrutura": a significativa ampliação da rede física e capilaridade dos CEJUSCs não gerou um crescimento proporcional na resolução pré-processual de conflitos. Os dados do TJ/PI revelam que o índice de conciliação total estagnou na faixa de 10% a 11%, sendo consistentemente inferior aos índices da fase processual de conhecimento, o que comprova estatisticamente a incapacidade atual do sistema de atuar como filtro preventivo de litígios. Identificou-se, ainda, uma assimetria temática profunda, aqui denominado de Delta de Cidadania, onde a autocomposição apresenta alta eficácia e confiança social em demandas de Direito de Família com índices superiores a 26%, validando a mediação em vínculos continuados, mas permanece inexpressiva e residual em litígios patrimoniais de consumo e contra a Fazenda Pública (abaixo de 1%).
    Conclui-se que, embora a mediação tenha avançado institucionalmente, sua aplicação prática no período analisado desviou-se de sua função transformadora e emancipatória, consolidando o CEJUSC no Piauí mais como uma etapa burocrática de homologação tardia em processos já ajuizados do que como uma porta preferencial de justiça cidadã. O estudo adverte para o risco concreto de configuração de uma "justiça de segunda classe" voltada à população vulnerável, caso a lógica produtivista de metas quantitativas e a precarização do trabalho dos mediadores continuem a se sobrepor à qualidade da escuta e à autonomia real das partes na fase pré- processual.


    INDIRA ALVES ARAGÃO MOTA A ASSISTÊNCIA E O CUIDADO DESTINADOS ÀS MULHERES USUÁRIAS DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS: uma análise a partir da intersetorialidade no município de Teresina/PI. Data: 10/04/2026

    A complexidade que envolve o uso prejudicial de substâncias psicoativas por mulheres
    demonstra a necessidade de compreensão desse fenômeno considerando as intersecções entre
    gênero, classe e raça, bem como a atuação intersetorial de diversas políticas públicas como
    estratégia essencial para a efetivação da assistência e do cuidado de maneira integral,
    equitativa e comprometida com a defesa dos direitos humanos e os princípios da Reforma
    Psiquiátrica. A partir da lacuna de compreensão sobre o tema, o presente trabalho objetivou
    analisar como se configuram a assistência e o cuidado direcionado às mulheres que fazem uso
    prejudicial de substâncias psicoativas no município de Teresina – PI, a partir da
    intersetorialidade entre as Políticas de Saúde Mental, Assistência Social, Sociojurídico e
    Políticas Públicas para as Mulheres. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, pautado no
    método dialético, que teve como cenário 11 (onze) serviços que compõem as políticas
    públicas objeto desse estudo. A investigação contou com a participação de 11 (onze)
    profissionais, 04 (quatro) gestores, e 06 (seis) mulheres usuárias do Centro de Atenção
    Psicossocial - CAPS AD de Teresina/PI. Os instrumentos privilegiados para construção das
    informações foram análise de prontuários, entrevista semiestruturada e grupo focal. Os
    resultados obtidos apontam, através do perfil das usuárias, que elas são, em maioria, mulheres
    negras, moradoras de territórios periféricos, pobres, mães solo, que enfrentam o estigma, a
    desigualdade e múltiplas expressões da questão social. O cuidado e a assistência direcionados
    às mulheres usuárias a partir das ações intersetoriais ocorrem para atender a cada caso, “no
    calor da emoção”, sem um maior planejamento de ações e definição de fluxos, não havendo
    um olhar unívoco quanto às demandas dessas usuárias para as políticas públicas estudadas.
    Fica evidente a necessidade de aprimoramento e fortalecimento das ações com foco na
    intersetorialidade e equidade, com vistas a garantir o acesso, a assistência e o cuidado de
    maneira integral.


    ANA KARLA SOUSA DE OLIVEIRA O TRABALHO EM SAÚDE E SEUS SENTIDOS AUTOCONSTITUINTES NO CONTEXTO PANDÊMICO: reflexões sob o prisma da integralidade em saúde. Data: 27/03/2026

    O presente estudo tem como objeto o trabalho em saúde desenvolvido pelos atores que
    protagonizaram a assistência à população no âmbito dos serviços públicos de atenção à saúde
    em um contexto sócio-histórico singular, qual seja: a crise sanitária gerada pela pandemia de
    Covid-19. Tem como objetivo geral compreender os sentidos auto constituintes do trabalho em
    saúde no contexto de crise sanitária gerada pela pandemia de Covid-19 a partir da perspectiva
    de trabalhadores da assistência em saúde do Hospital Regional Justino Luz, localizado no
    município de Picos-PI. Trata-se de uma proposta de análise à luz do materialismo histórico e
    dialético, à qual subjaz uma crítica ontológica à ordem social universalizada pelo capital como
    forma de constituir os subsídios necessários à reconstrução de coordenadas ideológicas contra
    hegemônicas em direção à transformação radical da sociabilidade posta pelo capital, mais
    precisamente, a Ontologia do ser social, conforme Lukács. Os resultados evidenciaram que a
    possibilidade de “falar mesma língua”, integrando saberes e fazeres, permite considerar que o
    formato organizativo do trabalho em equipe, nesse contexto e nessas condições, produziu as
    possibilidades necessárias à expressão de um sentido auto constituinte no trabalho em saúde na
    pandemia. Ademais, entende-se que é precisamente a possibilidade de constituir um processo
    de trabalho orientado ao cuidado integral que dá viabilidade à constituição seu caráter auto
    constituinte, considerando que, estando abertos a esse encontro, os membros revelam a
    capacidade autopoiética da equipe, ou seja, a capacidade de produzirem a si próprios,
    produzindo vida digna e resistência a partir de sua atuação. Acredita-se que os sentidos
    constituintes, para além de conferir dignidade e proteção aos trabalhadores na pandemia, sendo
    emancipatório, alinha-se primordialmente a uma perspectiva revolucionária, orientada à
    transformação social e superação do capitalismo na medida em que confere ao trabalho uma
    saída frente ao poderoso sistema de metabolismo antissocial do capital.


    GLÊNIA ROUSE DA COSTA PROTEÇÃO SOCIAL E O CUIDADO COM AS VELHICES SEMIDEPENDENTES SOB O CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO: superação ou reprodução do neofamilismo nos Centros-Dia no Brasil e em Portugal? Data: 10/03/2026

    Esta tese de doutorado, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal do Piauí, intitulada Proteção social e o cuidado com as velhices semidependentes sob o capitalismo contemporâneo: superação ou reprodução do neofamilismo nos Centros-Dia no Brasil e em Portugal, tem como objetivo central analisar os determinantes das velhices com dependências parciais e os serviços de cuidado ofertados pelos Centros-Dia nos referidos países, a fim de averiguar se tais serviços conseguem superar o familismo historicamente presente nas políticas sociais, garantindo o direito à convivência familiar e comunitária, ou se configuram uma nova expressão do familismo sob bases neofamilistas. Como orientação teórico-metodológica, adotou-se o método materialista histórico-dialético, mobilizado pela tríade singularidade–particularidade–universalidade, o que possibilitou ultrapassar a aparência imediata da singularidade, marcada por sua pseudoconcreticidade, para apreender as particularidades determinantes que a vinculam, de forma dialética, à totalidade social em um dado momento histórico e a um modo específico de produção e reprodução da vida social. A pesquisa possui natureza qualitativa e foi desenvolvida a partir de três frentes investigativas: pesquisa bibliográfica, documental e análise de dados secundários, conduzidas por uma intencionalidade teórico-crítica na seleção de referências, normativas e bases de dados. A escolha da comparação entre Brasil e Portugal decorre de elementos estruturais compartilhados, como a língua comum, a constituição tardia dos sistemas de proteção social e a incidência das contrarreformas neoliberais e da ascensão da extrema direita sobre seus arranjos institucionais, portanto não se insere nas comparações clássicas. As conclusões parciais indicam que as velhices da classe trabalhadora apresentam maior incidência de situações de dependência, parcial ou total, em razão das condições materiais e imateriais de existência. Ademais, embora o serviço de Centro-Dia proponha, do ponto de vista normativo, cuidados compartilhados, diurnos e comunitários, ofertados por equipes interdisciplinares, observa-se seu redimensionamento sob o ultraneoliberalismo e o gerencialismo das gestões públicas, fortemente orientados por indicadores quantitativos e por novas formas de responsabilização social, mediante o apelo à caridade, às parcerias com o Estado e à centralidade da família. Nesse contexto, constatou-se a predominância das unidades ofertantes é composta por organizações não governamentais de matriz filantrópica e caritativa; em Portugal, a oferta é integralmente realizada por entidades do terceiro setor ou pelo mercado, cenário semelhante ao brasileiro. Trata-se de uma oferta insuficiente frente à demanda, marcada pela redução do financiamento público e por um Estado que atua prioritariamente como regulador e cofinanciador, sem assumir a provisão direta dos serviços socioassistenciais, abrindo espaço para a mercantilização do cuidado como uma suposta terceira via de atendimento às velhices semidependentes.


    JANAINA MARIA DA SILVA LINHARES INTERFACES ENTRE A ACADEMIA E AS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INOVAÇÃO: UM ESTUDO DE CASO DO IFPI E O SETOR PRODUTIVO Data: 27/02/2026

    O estudo investiga a interação entre o Instituto Federal do Piauí (IFPI) por meio do Programa de Pós-
    Graduação em Engenharia de Materiais e Processos Industriais (PPGEM) e o setor produtivo local

    no contexto das políticas públicas de inovação. O objetivo é analisar a interação a partir do primeiro
    ciclo de parceria formalizado em 2021 com o Centro das Indústrias do Estado do Piauí (CIEPI),
    identificando contribuições, desafios e condições institucionais que favorecem ou restringem a
    interação. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, de natureza
    exploratória e descritiva, ancorada na técnica de estudo de caso múltiplo com procedimentos de
    coletas de dados que envolveram revisão documental, entrevistas semiestruturadas com bolsistas,
    docentes, empresários e gestores e aplicação de questionário e tratamento dos dados mediante Análise
    de Conteúdo (Bardin, 1977). O referencial teórico estrutura-se em torno de reflexões sobre o
    arcabouço jurídico do tema e autores que discutem o papel do Estado como mediador das políticas
    de ciência, tecnologia e inovação, articulados às teorias das Hélices Tríplice, Quádrupla e Quíntupla
    que fundamentam a compreensão da inovação como processo colaborativo que envolve universidade,
    empresa, governo, sociedade e meio ambiente. Além disso, apresenta o papel dos Institutos Federais
    como políticas públicas de educação e inovação voltadas à descentralização de oportunidades, à
    formação científica e tecnológica e ao desenvolvimento regional. Os resultados revelam inovações
    incrementais com encaminhamento para solicitação de futuras patentes e potencial de mercado. Entre
    as constatações, destacam-se percepções positivas que reconhecem o retorno das parcerias, a
    contribuição ao desenvolvimento regional e associam as interações à geração de novos produtos,
    processos e serviços. No plano institucional, observa-se que a Política de Inovação do IFPI
    (Resolução 82/2021) e sua atualização (Resolução 171/2023) representam avanços recentes, ainda
    em fase de consolidação, principalmente no quesito fomento à cultura de inovação. No plano
    Estadual, as estruturas, sejam administrativas ou legais, revelam um ecossistema em
    amadurecimento. Dessa forma, o estudo contribui ao documentar um modelo inovador de interação
    entre academia e setor produtivo no Estado, com potencial replicável em outras instituições de ensino
    superior no Piauí. Entretanto, a pesquisa também evidencia entraves institucionais nos procedimentos
    internos com morosidade nos processos, falta de documentos e fluxos padronizados, bem como
    limitações estruturais nos laboratórios e equipamentos para contemplar demandas mais complexas.
    Foram ainda delineadas limitações da pesquisa e apontadas possibilidades de investigações futuras.
    Por fim, conclui-se que os arranjos de interação tanto institucionais quanto estaduais estão em fase
    de consolidação, com relevância do IFPI no Ecossistema local, demonstrando um modelo de parceria
    inovador.


    KELLEN CARVALHO DE SOUSA BRITO OS FEMINISMOS E ANTIFEMINISMOS NA CÂMARA DOS DEPUTADOS Data: 26/02/2026

    A literatura tem documentado e analisado as manifestações dos movimentos pró e antigênero destacando que eles não se expressam apenas em debates públicos, mas também em arenas institucionais. No Brasil, a Câmara dos Deputados é espaço de disputas dessas pautas. Embora existam estudos que abordam a presença de movimentos pró e antigênero em parlamentos de diferentes países, ainda há lacunas importantes sobre suas especificidades no contexto brasileiro. Pouco se sabe, por exemplo, sobre o perfil sociodemográfico e partidário dos parlamentares que impulsionam projetos de lei (PLs) pró-gênero e antigênero, suas agendas, narrativas, bem como sobre a forma como parlamentares jovens se posicionam. Esta pesquisa busca preencher parte dessa lacuna examinando a 56ª Legislatura da Câmara dos Deputados, ocorrida entre 2019 e 2022, a partir da seguinte pergunta: de que forma as agendas pró e antigênero se materializaram nas propostas legislativas de parlamentares na Câmara dos Deputados do Brasil, e quais foram as características distintivas dos seus perfis sociopolíticos e de suas manifestações narrativas? Objetiva-se, assim, analisar a manifestação dessas agendas pelos deputados e deputadas brasileiros. Metodologicamente, a pesquisa combina abordagens quantitativas e qualitativas. Primeiramente, os PLs foram coletados e categorizados como pró-gênero e antigênero utilizando como base a literatura sobre o tema; posteriormente, traçou-se o perfil de quem protocolou PLs pró e antigênero, a partir de variáveis sociodemográficas; em seguida, os PLs foram analisados a partir de seus conteúdos, traçando paralelos com os achados de perfil e a literatura. Na dimensão quantitativa, o perfil dos proponentes foi traçado a partir dos dados sociodemográficos e ideológicos dos 613 parlamentares que tiveram posse confirmada entre 2019 e 2022 por meio de regressão logística. Na dimensão qualitativa, foi realizada análise documental com técnica de análise de conteúdo de 334 PLs do período que continham a palavra gênero nos seus conteúdos. Os resultados revelam: parlamentares de direita (OR=16,25), com menor idade (OR=0.966) e deputadas (OR=3,65) têm maior probabilidade de propor PLs antigênero; do outro lado, deputados de direita possuem 98,5% menos chance de protocolar projetos pró-gênero, seguidos dos deputados de esquerda, com 93,3% e das deputadas de direita, com 88% menos chance, quando comparados com deputadas de esquerda. A partir deste perfil, analisou-se a atividade parlamentar via PLs: enquanto a atuação pró-gênero das deputadas concentrou-se em demandas mais reformistas e com reduzida inclusão de pautas LGBTQIAPN+; a atuação antigênero priorizou o bloqueio de direitos da comunidade LGBTQIAPN+; o mesmo padrão ocorre entre jovens parlamentares. Esses resultados contribuem com a literatura ao apontar que deputadas apresentam maior probabilidade de protocolar projetos de lei antigênero, contestando parte da literatura que as compreende apenas como legitimadoras secundárias dessas pautas, e não como protagonistas. Ademais, os resultados corroboram com a literatura que rejeita a associação entre juventude e progressismo. Por fim, a tese propõe as categorias movimentos pró-gênero parlamentares e movimentos antigênero parlamentares para descrever padrões institucionais de atuação, nos quais as agendas pró-gênero tendem a se moderar e as agendas antigênero a se radicalizar no processo de institucionalização legislativa.


    HILZIANE LAYZA DE BRITO PEREIRA LIMA JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA E DISPUTA DE DIREITOS: ASSOCIAÇÕES LGBTQIAPN+ E ENTIDADES RELIGIOSAS COMO AMICUS CURIAE NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL Data: 10/02/2026

    O presente estudo teve como objeto de investigação a judicialização da política pública e
    de direitos por meio da atuação de associações representativas da população
    LGBTQIAPN+ e entidades religiosas no Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo
    central foi analisar o papel desempenhado por essas organizações ao ingressarem como
    amicus curiae em ações constitucionais, bem como a atuação de entidades religiosas
    que utilizam o mesmo instrumento jurídico para contestar os direitos dessa população
    LGBTQIAPN+ no Supremo Tribunal Federal (STF). Como objetivos específicos, a
    pesquisa buscou: a) mapear, de forma comparativa, a atuação de associações e
    entidades representativas da população LGBTQIAPN+ e de entidades religiosas no
    Supremo Tribunal Federal, a partir do uso do instrumento jurídico do amicus curiae,
    identificando os principais temas, demandas e ações em que estiveram presentes; b)
    analisar a participação dessas entidades nos julgamentos do STF, observando o
    modo como se inserem nos processos, os tipos de contribuições oferecidas e os
    momentos em que atuam, comparando o comportamento institucional de ambos os
    grupos; c) examinar as estratégias argumentativas e os fundamentos jurídicos
    mobilizados por essas, destacando como constroem juridicamente suas posições
    diante dos temas envolvendo direitos da população LGBTQIAPN+; d) comparar os
    argumentos jurídicos e políticos apresentados por ambos os grupos no contexto das
    ações constitucionais analisadas, a fim de compreender em que medida disputam a
    prevalência de suas visões de mundo por meio do STF. A investigação partiu da
    seguinte questão norteadora: qual o papel desempenhado pelas associações e
    entidades representativas da população LGBTQIAPN+ e pelas entidades religiosas
    no Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da figura do amicus curiae e quais as
    consequências dessa atuação na judicialização dos direitos LGBTQIAPN+? Para
    responder a esse problema, a pesquisa se desenvolveu de natureza qualitativa com
    análise de conteúdo, analisando discursos e argumentos jurídicos utilizados das
    ações no STF. Além disso, apresentou um caráter exploratório e descritivo, uma vez
    que mapeou e descreveu a atuação dessas entidades na judicialização dos direitos
    LGBTQIAPN+. Por meio de um levantamento jurisprudencial, foram analisadas ações
    constitucionais no STF em que entidades LGBTQIAPN+ e religiosas atuaram como
    amicus curiae, identificando os temas, argumentos e decisões. Foi realizada também
    uma entrevista qualitativa realizada com um representante da associação com ativa
    participação nos processos encontrados. A pesquisa analisou 18 processos
    selecionados, com foco na atuação de movimentos sociais e associações como
    amicus curiae, considerando tanto os procedimentos de admissão quanto os períodos
    de ingresso, pautas debatidas e consequências dessa intervenção nos desfechos das
    ações. Com isso, pretendeu-se compreender como essas organizações participam do
    debate jurídico e político no STF, bem como os desdobramentos da judicialização na
    garantia e contestação dos direitos LGBTQIAPN+ no país. A tese permitiu
    compreender de forma inédita e sistemática a disputa judicial sobre direitos
    LGBTQIAPN+ como um fenômeno estruturado de litigância estratégica, onde o
    amicus curiae é utilizado não apenas como ferramenta de qualificação técnica do
    processo, mas como instrumento de mobilização institucional e disputa simbólica.


    ROGÉRIO DE OLIVEIRA ARAÚJO JUVENTUDES CONSERVADORAS NA POLÍTICA INSTITUCIONAL: Análise da atuação dos deputados (as) jovens na 56ª legislatura. Data: 03/02/2026

    Esta pesquisa analisa como o conservadorismo incide sobre a atuação parlamentar dos jovens
    congressistas a partir dos seus Projetos de Leis submetidos ou apoiados. Tomamos como
    sujeitos os congressistas jovens considerando como esses jovens ocupam espaços de poder
    que são alcançados mediante a busca pela conexão com o eleitorado, desse modo, mesmo
    constituindo-se número reduzido de indivíduos, esses jovens representam as percepções
    políticas e ideológicas de uma parcela significativa da população brasileira. Os objetivos
    específicos do estudo foram: conceituar jovens conservadores; avaliar como os jovens se
    posicionam ideologicamente; mapear as candidaturas de jovens ao congresso nacional nos
    pleitos desse início do século; analisar os projetos de leis (PLs) propostos ou apoiadas pelos
    congressistas jovens eleitos em 2018, compondo legislatura encerrada em 2022. Para alcançar
    os objetivos propostos a pesquisa adotou duas abordagens metodológicas. Inicialmente
    utilizamos métodos quantitativos para avaliar a distribuição ideológica dos jovens, a partir do
    Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB) de 2022. Esse banco de dados foi escolhido na medida em
    que é especialmente desenvolvido para o contexto brasileiro e possui questões que permitem
    aferir a ideologia tanto na perspectiva esquerda-direita quanto na conservador-progressista.
    Ainda numa abordagem quantitativa utilizamos os dados públicos do Tribunal Superior
    eleitoral de modo a criar uma linha do tempo com as candidaturas de jovens e sua vinculação
    ideológica. Por fim utilizamos dados da Câmara de Deputados, especialmente os Pls de modo
    a realizar uma abordagem qualitativa para avaliar como o conservadorismo tem se
    manifestado na atuação parlamentar dos jovens (especialmente se do tipo reativo ou
    propositivo). Os resultados indicam que o jovem conservador é definido por uma radicalidade
    nos posicionamentos conservadores pautada na centralidade da família, religião e do poder do
    Estado, procurando pautar as mudanças sociais e políticas em vista de proteger ou retornar a
    um passado idealizado. Além disso, constatamos que os jovens são mais propensos ao
    conservadorismo e à direita, além de uma atuação mais radical na pauta dos costumes por
    parte dos jovens congressistas conservadores, evidenciando como o conservadorismo não se
    constitui em mera reação ao campo progressista, mas se antecipa e procura controlar os
    processos de mudança social e política.


    DAFNE DIAS LAGES MONTEIRO A Trajetória Histórica do Estágio Supervisionado em Serviço Social na Universidade Federal do Piauí (1976–2012)” Data: 20/01/2026

    Esta dissertação reconstrói a trajetória do estágio supervisionado no Curso de Serviço Social
    da Universidade Federal do Piauí (UFPI), no período de 1976 a 2012, buscando compreender
    suas transformações históricas, curriculares e institucionais, bem como os significados
    atribuídos à supervisão ao longo desse percurso. A investigação fundamenta-se no método
    materialista histórico-dialético, cuja perspectiva permite apreender o estágio e a formação
    profissional como construções históricas inscritas nas contradições sociais, políticas e
    ideológicas do seu tempo. Tal método orienta a análise das mudanças estruturais do curso, das
    determinações postas pelo trabalho profissional no Piauí e das condições objetivas que
    configuraram o processo formativo. Destaca-se que a pesquisa adotou uma abordagem
    qualitativa, articulando procedimentos de natureza documental e de campo. A análise
    documental envolveu a análise dos planos de curso, currículos, atas, resoluções institucionais,
    relatórios e demais materiais produzidos pela universidade ao longo do período de 1976 a
    2012. A etapa de campo contemplou entrevistas semiestruturadas com docentes que atuaram
    na coordenação de estágio e que foram supervisoras acadêmicas, assistentes sociais
    supervisoras de campo e estagiárias, consideradas participantes centrais para a reconstrução
    dessa trajetória. O objetivo geral consistiu em reconstruir essa trajetória histórica, enquanto os
    objetivos específicos compreenderam: analisar os marcos institucionais do curso; examinar as
    transformações curriculares e pedagógicas, com destaque para o papel do estágio como
    mediação entre teoria e prática; investigar os significados atribuídos à supervisão por
    professores(as) e supervisores(as); e identificar como políticas educacionais nacionais, como
    o Currículo Mínimo de 1982 e as Diretrizes Curriculares da ABEPSS de 1996, incidiram na
    organização do estágio na UFPI. Os resultados evidenciaram que o estágio supervisionado foi
    se redefinindo à medida que o curso se institucionalizava, expandia suas relações com o
    campo profissional e incorporava debates nacionais da categoria. As mudanças curriculares
    expressaram a disputa entre projetos formativos, ora reforçando práticas tecnicistas, ora
    avançando na direção de uma formação crítica vinculada ao Projeto Ético-Político do Serviço
    Social. A supervisão emergiu como um espaço estratégico de síntese entre formação e
    trabalho, mas permaneceu tensionada por limites institucionais, precarização das políticas
    sociais, aumento das exigências colocadas aos estudantes e desigualdades nas condições de
    supervisão em campo e na universidade. Conclui-se que a trajetória do estágio supervisionado
    no Curso de Serviço Social da UFPI revela tanto os avanços construídos coletivamente quanto
    as permanências de desafios que atravessam a formação e o exercício profissional no país. A
    análise reafirma a centralidade da supervisão como instrumento pedagógico e como dimensão
    política da formação, cuja defesa se integra à luta pelo fortalecimento do projeto profissional
    crítico e pela garantia de condições dignas para ensinar, aprender e exercer o Serviço Social.




    Dissertações/Teses - 2025

    JULIANA LIMA DE CARVALHO TRABALHO SOCIAL COM FAMÍLIAS NA PROTEÇÃO SOCIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE: reestruturação ou manutenção pela falta de novos investimentos -PI Data: 17/12/2025

    O objeto de pesquisa desta tese foi o Trabalho Social com Famílias (TSF) nos Centros
    de Referência Especializada da Assistência Social (CREAS) de Teresina-PI. Emerge da
    problematização posta pela propaganda governamental atual de reestruturação do país e
    consequentemente do SUAS com o retorno do Ministério do Desenvolvimento Social e
    Combate à Fome (MDS), e os questionamentos sobre os investimentos reais nos
    serviços socioassistenciais, especialmente no Serviço de Atendimento Especializado a
    famílias e indivíduos (PAEFI). A partir de 2016 a política de assistência social entra
    num ciclo de retrocessos, posto pelo projeto ideopolítico dos governos de Michel Temer
    e Jair Bolsonaro, ancorado no ultaneoliberalismo, com retorno da política de austeridade
    fiscal e redução de gasto público nas políticas sociais. Em 2023 com a mudança no
    governo federal renovou-se as expectativas após a retomada do Partido dos
    Trabalhadores à presidência do país. A reorganização ministerial trouxe as propostas de
    reestruturação do SUAS, ao trazer reabertura de serviços que atendem a diversidade, os
    direitos humanos e a retomada dos serviços socioassistenciais pressupondo mudanças
    na inclusão social e de reconhecimento das diferenças e enfrentamento das
    desigualdades sociais, raciais e de gênero. O objetivo deste trabalho foi analisar o TSF
    nos CREAS de Teresina-PI, visando identificar se de fato as expectativas de
    reestruturação são visibilizadas, com investimentos diversos nos CREAS ou a
    manutenção dos velhos problemas metodológicos, estruturais e de operacionalização do
    TSF observando as desigualdades sociais, raciais e de gênero cujos imbricamentos
    tornam determinados grupos sociais mais vulneráveis às consequências destas
    desigualdades sociais. A tese confirmada pela pesquisa é que o contexto de reconstrução
    do SUAS ainda não tem impactos claros sobre o TSF na proteção social especializada,
    por falta de investimentos diversos em novas unidades, falta de ampliação das equipes e
    de orientações técnicas quanto aos aspectos metodológicos e técnicos deste trabalho
    social com famílias. O método adotado foi o do materialismo histórico-dialético que
    permite superar o imediato, a pseudoconcreticidade e atingir a essência, por meio das
    particularidades determinantes que os liga a universalidade, numa perspectiva da
    totalidade social, da realidade como síntese de múltiplas determinações. A metodologia
    foi a qualitativa, com uso das entrevistas semiestruturadas à equipe dos PAEFI no
    município de Teresina. Além da pesquisa de campo conjugou-se a pesquisa
    bibliográfica e a documental. A técnica de análise dos dados foi o núcleo de
    significação, a aplicação da técnica consiste em três etapas 1) Levantamento de pré-
    indicadores; 2) Sistematização de indicadores; 3) Sistematização dos núcleos de
    significação. Os resultados apontam dificuldades pela equipe técnica de fundamentação
    teórica sobre violência, família e equidade, de operacionalização por falta de orientação
    técnica, dificuldades materiais, estruturais, recursos humanos, dentre outros. O trabalho
    social com famílias na proteção social especializada, ainda não extrapolou a dimensão
    da violência restrita as relações interpessoais, com falta de orientação específica para as
    vítimas, restrições do trabalho com famílias a encaminhamento para outros serviços e a
    rede de políticas sociais.


    ELIS REJANE OLIVEIRA VASCONCELOS Avaliação dos resultados da implementação da política de ingresso nas Universidades Federais estabelecida pela Lei 12.711/2012 Data: 15/12/2025

    A presente tese analisa os resultados da implementação da política de ingresso nas
    universidades federais brasileiras, instituída pela Lei no 12.711/2012, conhecida
    como Lei de Cotas. O estudo investiga como a política foi desenhada, implementada
    e como as vagas reservadas foram utilizadas, avaliando seus efeitos sobre o
    ingresso, matrícula, conclusão e escolarização de estudantes oriundos da rede
    pública de ensino, com renda per capita familiar de até um salário-mínimo e meio,
    além de estudantes pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência. O trabalho
    articula análise documental e bibliográfica com análise estatística de dados
    secundários oficiais. A investigação se concentra em duas frentes principais: a
    avaliação institucional da implementação da política em oito universidades federais
    (UFAL, UFC, UFPE, UFPI, UFG, UFSC, UFRJ e UNIFESP) no período de 2017 a
    2023, considerando a distribuição e a utilização das vagas reservadas; e a
    mensuração dos efeitos da política com base em séries temporais construídas a
    partir de bases como o Censo da Educação Superior, a PNAD Contínua e os
    Censos Demográficos do IBGE, abrangendo o período de 2009 a 2023. Foi adotado
    um modelo de avaliação não experimental do tipo “antes e depois”, aplicado a séries
    temporais, com o objetivo de identificar variações nos percentuais de ingresso,
    matrícula e conclusão entre os períodos anterior e posterior à implementação da Lei
    de Cotas. Complementarmente, empregou-se o método de Diferença em Diferença
    (DiD), com o intuito de refinar a análise dos efeitos observados, ao comparar as
    variações absolutas entre períodos distintos, permitindo uma estimativa mais robusta
    das mudanças associadas à política, ainda que sem a constituição de grupo de
    controle. Os resultados indicam que, embora a maioria das universidades
    pesquisadas tenha cumprido os dispositivos legais, com algumas superando o
    mínimo exigido, a efetividade da política variou entre os subgrupos beneficiados.
    Observou-se maior utilização das vagas nas cotas étnico-raciais e socioeconômicas,
    enquanto aquelas destinadas a pessoas com deficiência apresentaram menor
    preenchimento. Houve crescimento na participação desses grupos no ingresso,
    matrícula e conclusão do ensino superior, com alterações no perfil discente
    associadas à vigência da política, além de aumento na escolaridade de pretos e
    pardos com 25 anos ou mais. Conclui-se que a política de cotas instituída pela Lei no
    12.711/2012 gerou efeitos mensuráveis sobre essas etapas acadêmicas, com
    ampliação na presença de estudantes de baixa renda, pretos, pardos e indígenas.
    Para pessoas com deficiência, a participação também aumentou, mas permanece
    em níveis baixos. Os resultados apontam avanços no acesso ao ensino superior, ao
    mesmo tempo em que evidenciam a necessidade de aprimoramento da política para
    garantir maior equidade entre os grupos beneficiados.


    DEUZILENE PEREIRA DA CUNHA GESTÃO ESCOLAR AGREGADORA: APOIANDO E FORTALECENDO A AUTONOMIA DOS ALUNOS POR MEIO DAS OLIMPÍADAS, CONCURSOS E ENEM, EM ESCOLAS PÚBLICAS ESTADUAIS DO PIAUÍ (2020-2024) Data: 11/12/2025

    Esta pesquisa analisou as implicações da Gestão Escolar Agregadora na melhoria da
    aprendizagem e no desenvolvimento integral dos estudantes de escolas públicas estaduais do
    Piauí, no período de 2020 a 2024. A seleção das instituições considerou a participação
    consistente em iniciativas como olimpíadas do conhecimento, concursos escolares e o
    ENEM, abrangendo realidades urbanas, intermediárias e rurais nos municípios de Teresina,
    Amarante, Regeneração, Piripiri e Cocal dos Alves. O estudo adotou abordagem mista
    (qualitativa e quantitativa), de natureza descritiva, analítica, exploratória e explicativa. Foram
    realizadas entrevistas semiestruturadas, aplicação de questionários com escala Likert,
    observações in loco e análise documental, envolvendo 150 participantes entre gestores,
    docentes, agentes da SEDUC/PI, alunos e familiares. Os dados qualitativos foram tratados
    pela análise de conteúdo e os quantitativos por estatísticas descritivas e Análise de
    Correspondência (simples e múltipla), permitindo a interpretação integrada e contextualizada
    dos resultados. Os achados confirmam que a Gestão Escolar Agregadora fortalece a
    autonomia discente, estimula habilidades de tomada de decisão e autogestão do aprendizado,
    promove ambientes democráticos e sensíveis, e potencializa o protagonismo estudantil. A
    participação em competições acadêmicas, incentivada pela gestão, mostrou-se capaz de
    desenvolver pensamento crítico-reflexivo, ampliar o repertório cultural e favorecer
    transformações acadêmicas e pessoais. Apesar do predomínio de percepções positivas,
    identificaram-se discrepâncias entre alunos, professores e pais quanto à efetividade da gestão
    democrática e da sensibilidade institucional, sugerindo a necessidade de aprimorar a
    comunicação e o alinhamento entre atores escolares. Verificou-se ainda que a gestão
    agregadora contribui para a redução da evasão escolar por meio de estratégias como busca
    ativa, acompanhamento individualizado e oferta de atividades pedagógicas, culturais e
    esportivas que reforçam o vínculo com a escola. Conclui-se que a Gestão Escolar
    Agregadora, ao articular liderança democrática, práticas pedagógicas inovadoras e
    valorização do mérito, constitui um modelo promissor para o fortalecimento da educação
    pública, a promoção da inclusão e a consolidação de trajetórias educacionais de sucesso.
    Ressalta-se, contudo, que os resultados estão circunscritos a um recorte geográfico e
    institucional específico, e que limitações como o tempo de acompanhamento, o número de
    escolas envolvidas e a ausência de grupos comparativos devem ser considerados na
    interpretação e na generalização dos achados da pesquisa empírica.


    MARIA RAIMUNDA BELCHIOR DOS SANTOS Produção de sentidos de experiências e expectativas por jovens rurais de famílias assentadas pelo PNCF em Caxias - MA: o caso do Assentamento São Jerônimo Data: 05/12/2025

    Esta dissertação analisa os sentidos produzidos por jovens assentados/as da comunidade de São
    Jerônimo, em Caxias (MA), acerca da condição de serem de famílias usuárias do Programa
    Nacional de Crédito Fundiário (PNCF). A pesquisa parte da compreensão de que as juventudes
    rurais constituem segmentos sociais fundamentais para o entendimento das transformações no
    campo, especialmente no que diz respeito às disputas por território, identidades e políticas
    públicas. O estudo foi desenvolvido com abordagem qualitativa, por meio de pesquisa
    bibliográfica, documental, de campo e estudo de caso, com destaque para entrevistas individuais
    semiestruturadas, e entrevista com grupo focal. A escolha da comunidade para realização do
    trabalho de campo considerou fatores como acessibilidade, atuação da associação local de
    assentados/as e presença de jovens. Os dados empíricos foram analisados à luz da literatura sobre
    juventudes, questão agrária, políticas de crédito fundiário. Os resultados revelam que os sentidos
    atribuídos pelos/as jovens às suas vivências no assentamento estão atravessados por marcadores
    sociais como gênero e geração, evidenciando tensões entre permanência e migração, desafios
    estruturais e expectativas quanto ao futuro no campo. A pesquisa aponta limites e
    potencialidades do PNCF na promoção da autonomia juvenil e na construção de pertencimento e
    identidade como jovem rural. Ao focar nas percepções e trajetórias juvenis, o trabalho contribui
    para o fortalecimento do debate sobre juventudes rurais e para a reflexão crítica sobre políticas
    de acesso à terra no Brasil.


    LUCILE DE SOUZA MOURA NOVO DESENVOLVIMENTISMO DE MATRIZ KEYNESIANA: IMPACTO DOS INVESTIMENTOS EM REGIÕES NÃO PRODUTORAS. Data: 31/10/2025

    Esta tese analisa a relação entre as políticas novo desenvolvimentistas implementadas pelos
    governadores do Estado do Piauí, no período de 2010 a 2020, e o desenvolvimento
    socioeconômico dos municípios que integram o Território de Desenvolvimento do Alto
    Parnaíba Piauiense (TDAP/PI). E como objetivos específicos: identificar a evolução do PIB e
    do IDHM dos municípios que participam do TDAP/PI, compreender o papel do Estado como
    provedor e regulador das condições de mudança social, relacionar a aplicação do modelo de
    intervenção estatal na economia piauiense e as políticas públicas daí derivadas com a situação
    social dos 12 municípios do TDAP/PI e analisar as causas e as consequências da adoção de uma
    política econômica novo desenvolvimentista na região do Cerrado do Piauí. Adotando uma
    abordagem mista, que combina métodos quantitativos e qualitativos, o estudo revela avanços
    econômicos significativos, com crescimento de 428% no Produto Interno Bruto (PIB) e
    melhorias em indicadores sociais, como o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal
    (IDHM) e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Contudo, esses avanços
    concentram-se predominantemente em municípios produtores de grãos, evidenciando uma
    distribuição desigual dos benefícios do modelo econômico adotado. O crescimento de 323,7%
    no Valor Adicionado Bruto (VAB) agropecuário destaca a centralidade do setor primário na
    economia regional. No entanto, a limitada industrialização e a escassa produção de alimentos
    para consumo local apontam para uma dependência de atividades extrativas, revelando
    fragilidades estruturais no TDAP/PI. A metodologia empregada envolveu a análise quantitativa
    de investimentos públicos em municípios produtores e seus impactos em municípios não
    produtores, utilizando estatísticas descritivas e testes estatísticos não paramétricos para
    comparar o desempenho entre esses grupos. Complementarmente, a abordagem qualitativa
    examinou os indicadores utilizados pelo Governo do Piauí na execução das políticas novo
    desenvolvimentistas. Os resultados indicam a existência de um ciclo vicioso, impulsionado pelo
    setor privado monopolista, que promove crescimento econômico por meio de um modelo
    produtivo intensivo em tecnologia, mas que diverge do círculo virtuoso proposto por John
    Maynard Keynes, não se consolidando como sustentável. A pesquisa também identifica uma
    transformação estrutural na produção de grãos, caracterizada pela monocultura intensiva e pelo
    uso de tecnologias avançadas, que substitui a mais-valia oriunda da exploração direta da mão
    de obra por fontes como o fundo público e a exploração ambiental. Adicionalmente, o estudo
    explora a percepção da população local sobre os investimentos públicos e privados, destacando
    sua influência na dedicação à formação educacional e nas dinâmicas socioeconômicas da
    região.



    ALISSON DE ABREU ALMEIDA A REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA ENQUANTO POLÍTICA PÚBLICA DE EFETIVAÇÃO DO DIREITO FUNDAMENTAL À MORADIA REGULARIZADA SOB A ÓTICA DO GÊNERO FEMININO Data: 26/09/2025

    Esta dissertação tem como objeto de estudo a regularização fundiária enquanto política pública
    de efetivação do direito fundamental à moradia, com especial atenção à perspectiva de gênero
    feminino. O trabalho parte da constatação de que a moradia, reconhecida constitucionalmente
    como direito social, ainda é um dos campos mais marcados por desigualdades no Brasil,
    reproduzindo exclusões históricas, sobretudo entre as mulheres chefes de família em áreas
    urbanas precárias. Ao longo da pesquisa, buscou-se analisar a evolução do direito à moradia
    no cenário internacional e nacional, a trajetória legislativa brasileira na construção dos
    instrumentos de regularização fundiária, os impactos sociais, jurídicos e econômicos dessa
    política e as especificidades do recorte de gênero na formulação e execução das ações
    públicas. Metodologicamente, foi realizada uma abordagem qualitativa, ancorada em ampla
    revisão bibliográfica e documental de 28 obras entre livros, dissertações, artigos científicos e
    legislações pertinentes, além do estudo de caso centrado na cidade de Teresina (PI). A análise
    foi estruturada em três eixos: fundamentos teóricos do direito à moradia, desenvolvimento
    normativo da regularização fundiária no Brasil e a interface entre gênero e regularização
    fundiária, destacando experiências locais e nacionais. Essa abordagem permitiu cruzar a leitura
    histórica da legislação com dados empíricos recentes, levantamentos de órgãos oficiais e
    pesquisas acadêmicas voltadas às transformações urbanas. Os resultados demonstram que a
    regularização fundiária, quando compreendida de forma integrada e voltada para a função
    social da propriedade, tem potencial para transformar o território urbano em espaço de
    cidadania, e não apenas de habitação. No caso de Teresina, constatou-se que os programas
    implementados nas últimas duas décadas, como o Vila-Bairro e o Lagoas do Norte, associados
    a políticas de urbanização, conseguiram reduzir a informalidade, elevar indicadores sociais e
    garantir a titularidade prioritária para mulheres, fortalecendo sua autonomia e rompendo ciclos
    de vulnerabilidade. A pesquisa também evidenciou que experiências semelhantes no Brasil e
    no exterior corroboram a centralidade das mulheres na gestão comunitária e na defesa do
    direito à cidade, razão pela qual a política pública precisa ser desenhada com sensibilidade de
    gênero. Do ponto de vista normativo, a análise destacou que os avanços mais significativos
    ocorreram a partir da Constituição de 1988, do Estatuto da Cidade de 2001 e, mais
    recentemente, da Lei no 13.465/2017 e seu Decreto regulamentador no 9.310/2018. Esses
    instrumentos, ao consolidarem a preferência da titularidade em nome das mulheres, criaram
    condições para uma abordagem mais inclusiva. Contudo, a pesquisa confirma que persistem
    desafios relacionados à efetividade das políticas públicas, à burocracia administrativa e à
    fragilidade institucional em diversas cidades brasileiras, o que compromete o alcance pleno dos
    direitos previstos em lei. As conclusões indicam que a regularização fundiária sob a ótica do
    gênero feminino não deve ser tratada apenas como política de ordenamento urbano, mas como
    um projeto estruturante de justiça social e equidade, capaz de gerar impacto direto na renda
    familiar, na proteção contra a violência doméstica, na melhoria da educação e da saúde e no
    fortalecimento da cidadania. Este estudo contribui, assim, para a compreensão de que a
    política de regularização, quando sensível às desigualdades históricas, se apresenta como uma
    das mais promissoras ferramentas para construir cidades mais justas e democráticas, tanto em
    Teresina e no Brasil, quanto no contexto global.


    CONCEIÇÃO DE MARIA DOS SANTOS MOURA ANÁLISE DOS DESAFIOS E PERSPECTIVAS DA IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA DE PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO TERRITORIAL NO PIAUÍ (2007-2023). Data: 25/09/2025

    A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, o Brasil passou a incorporar de
    forma mais explícita a abordagem territorial no campo das políticas públicas, estimulando
    a descentralização das ações estatais e a institucionalização de mecanismos participativos.
    Esse processo foi intensificado a partir dos anos 2000, especialmente com programas
    federais como o Territórios da Cidadania, que adotaram uma lógica de intervenção
    orientada por recortes espaciais, priorizando áreas marcadas por vulnerabilidades
    socioeconômicas e valorizando instâncias coletivas de deliberação. Apesar desses avanços,
    a consolidação da perspectiva territorial como fundamento das ações estatais continua
    enfrentando entraves significativos, sobretudo no que se refere à fragilidade institucional,
    à ausência de dispositivos legais vinculantes e à baixa capacidade de integração entre
    planejamento e orçamento. Nesse contexto, destaca-se a experiência do estado do Piauí
    com a criação do Sistema de Planejamento Participativo Territorial (SPPT), instituído pela
    Lei Complementar no 87/2007, que propôs uma reconfiguração da lógica de planejamento
    estadual por meio de Territórios de Desenvolvimento articulados a conselhos deliberativos
    e à estrutura orçamentária. Esta tese tem como objetivo analisar os limites e as
    possibilidades da consolidação do SPPT enquanto política pública regional no período de
    2007 a 2023, à luz do contexto de austeridade fiscal, da dinâmica federativa brasileira e
    das capacidades estatais disponíveis. A investigação adota abordagem qualitativa e
    quantitativa de natureza descritivo-exploratória, baseada em análise documental de
    instrumentos legais e de planejamento e relatórios orçamentários, além da construção de
    um banco de dados com os valores previstos e executados das ações territorializadas. As
    principais hipóteses que orientaram a pesquisa indicam que a institucionalização do SPPT
    esteve condicionada à estabilidade normativa e à atuação da Secretaria de Planejamento;
    que a efetividade da participação social nos conselhos esteve atrelada ao suporte técnico e
    à mobilização local; e que a limitação orçamentária, agravada pelo Novo Regime Fiscal a
    partir de 2017, comprometeu a realização das prioridades pactuadas nos territórios. Os
    resultados revelam importantes contradições entre a retórica institucional e a prática
    governamental. Embora o SPPT represente um marco normativo relevante, sua
    implementação foi fragilizada por lacunas operacionais, pela descontinuidade das
    estruturas de coordenação e pelo baixo grau de institucionalização de muitos conselhos. A
    ausência de mecanismos legais que assegurem a vinculação entre os planos territoriais e o
    orçamento estadual comprometeu a efetividade da política, tornando a participação social
    um mecanismo formal com baixa capacidade de influência real sobre a alocação de
    recursos. Observou-se ainda uma concentração significativa da despesa pública em
    programas estruturantes pouco sensíveis à lógica territorial, além de uma execução
    orçamentária aquém das previsões estabelecidas nos instrumentos participativos. Apesar
    dessas limitações, a experiência do SPPT oferece aprendizados valiosos, sugerindo a
    necessidade de fortalecimento das capacidades estatais, da institucionalização de vínculos
    orçamentários e da valorização da participação social como dimensão estratégica da
    política territorial. A tese contribui tanto para o debate teórico sobre o papel dos estados
    subnacionais na formulação de políticas regionais quanto para a construção de
    instrumentos práticos voltados ao aprimoramento da gestão territorial. Ao revelar os
    dilemas da implementação de políticas públicas participativas em contextos periféricos,
    este estudo reforça a importância de transformar iniciativas inovadoras em políticas de
    Estado com estabilidade, recursos e articulação federativa. Assim, destaca-se a necessidade
    de um novo ciclo de planejamento público que reconheça a diversidade territorial como
    princípio estruturante da ação estatal e que integre efetivamente planejamento, orçamento
    e participação cidadã como pilares de um desenvolvimento mais equânime, sustentável e
    democrático.


    VOLGANE OLIVEIRA CARVALHO POLÍTICAS PÚBLICAS E DIREITOS POLÍTICOS NO BRASIL: ANÁLISE DO PROTAGONISMO DA JUSTIÇA ELEITORAL Data: 23/09/2025

    A presente tese realiza uma ampla análise sobre as políticas públicas relacionadas com direitos
    políticos no Brasil, apresentando os fatores sociais que justificaram a sua criação, apontando os órgãos
    responsáveis pelo seu desenvolvimento e implementação e mensurando resultados alcançados por
    essas medidas. Para tanto, o trabalho inicialmente realiza uma análise da formação da sociedade
    brasileira com olhos voltados para os grupos sociais que foram excluídos do acesso pleno aos direitos
    fundamentais. Nesse cenário, é possível verificar o uso discursivo e simbólico de argumentos
    fundamentados na religião, na lei, na ciência e no imaginário popular para legitimar processos
    excludentes. Adiante, é realizado um retrospecto histórico do exercício dos direitos relacionados com
    a participação política, sendo possível verificar três fases do exercício da cidadania, em que se
    identificam um eleitor idealista, que está preocupado com os interesses comunitários e disposto a
    abdicar das próprias necessidades em nome disso; um eleitor egoísta, que busca a realização de seus
    próprios interesses, independentemente, das necessidades coletivas e um eleitor narcisista, que
    desistiu de ouvir o outro e coloca-se como peça central em todo o processo político. O modelo de
    cidadania narcisista combinado com a pós-modernidade, passam a exigir uma compreensão mais
    fluida dos direitos políticos, uma nova visão acerca da participação política, o que exige, ao mesmo
    tempo, um aumento do rol de direitos e um acréscimo dos grupos sociais que conseguem exercer tais
    direitos em toda a sua potência. O alcance desse novo status depende do reconhecimento de que
    algumas categorias sociais foram excluídas da plenitude do gozo dos direitos políticos, seja por
    expresso comando legal, seja por outros caminhos. Essa política estatal resultou na formação de uma
    massa de pessoas indesejáveis no cenário político composta por mulheres, pessoas indígenas,
    pessoas negras, pessoas judias, pessoas com hanseníase, pessoas LGBTQIAP+ dentre outras. A via
    mais produtiva para o atendimento dessas demandas é o desenvolvimento de políticas públicas, pois
    elas são engenhos por excelência destinados a buscar a concretização de direitos fundamentais. No
    caso dos direitos políticos a tipologia mais adequada para o alcance do objetivo são as ações
    afirmativas, sejam regulatórias, sejam compensações de natureza político-eleitoral. Analisando as
    políticas públicas de tal matriz, com olhos para os marcadores de gênero, raça e classe, foi possível
    concluir que há um protagonismo da Justiça Eleitoral em sua criação. Tais políticas se caracterizam
    por atender igualmente a pessoas eleitoras e candidatas, por buscarem, principalmente, levar à
    igualdade formal de oportunidades e produzir apoios compensatórios e que, em regra, não exigem os
    investimentos extraordinários de recursos para a sua implementação. Os dados empiricamente
    levantados apontam para o êxito dessas medidas. Tal protagonismo da Justiça Eleitoral deve-se, em
    grande medida, a atuação de seu corpo funcional que age como verdadeira burocracia na forma como
    designada por Max Weber. O sucesso dessa atuação, entretanto, não pode ser desvirtuado por ações
    abusivas ou contrárias aos interesses públicas realizadas pelos servidores. Além disso, ainda persistem
    entraves para o exercício completo dos direitos políticos no Brasil que seguem exigindo a gênese ou
    incremento de políticas públicas. A pesquisa valeu-se do método do materialismo histórico-dialético.


    ADRIANA LIMA BARROS O TRABALHO DO(A) ASSISTENTE SOCIAL NOS SERVIÇOS DA REDE DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA EM SAÚDE (RUE) NO TERRITÓRIO DA PLANÍCIE LITORÂNEA-PIAUÍ/BRASIL Data: 02/09/2025

    A Rede de Urgência e Emergência (RUE) integra um sistema de redes de atenção em
    saúde que objetivam organizar a assistência à saúde em situações de urgência e
    emergência no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Como as demais redes de
    atenção, é composta por dispositivos de básica, média e alta complexidade que, em
    articulação, possam garantir o cuidado em saúde orientados pelos princípios do SUS de
    universalidade, equidade, integralidade, descentralização, regionalização,
    hierarquização e participação popular. Nesse contexto, estão inseridos os (as)
    Assistentes Sociais, a partir da compreensão da saúde em sua perspectiva ampliada e
    atuando frente aos seus determinantes sociais, contribuir no acesso à saúde como
    direitos de todos e dever do Estado. Foi a partir dessa compreensão inicial que essa tese
    tem como objetivo geral analisar as contribuições e desafios do trabalho dos (as)
    Assistentes Sociais na articulação da RUE da Planície Litorânea. Este é um território de
    saúde que integra umas das doze (12) macrorregiões do estado do Piauí, composto por
    XX municípios, distinto da região que abrange a capital piauiense, onde as pesquisas e
    análises costumam se concentrar. É uma investigação de abordagem qualitativa,
    realizada a partir de intensa revisão bibliográfica, pesquisa de campo e documental. A
    pesquisa de campo envolveu os dispositivos de saúde do território inseridos na RUE,
    com uma amostra de 10 municípios, e tendo como participantes 29 assistentes sociais,
    entre profissionais da atenção básica, dos hospitais de referência e de retaguarda,
    secretaria municipal de saúde e demais dispositivos da rede. A coleta de dados ocorreu
    através realização grupos focais com 07 participantes no total, observação, com registro
    em diário de campo – tendo em vista que a pesquisadora está inserida como
    trabalhadora no hospital de referência do território há 11 anos – e aplicação de
    questionário na modalidade online com 29 profissionais. Os achados do estudo mostram
    que o território reflete características como a presença de relações clientelistas e
    colonialistas que impactam no trabalho dos (as) profissionais e são fruto das relações
    sociais históricas de formação do Piauí. Os (as) assistentes sociais apresentam
    fragilidades no seu processo de inserção na RUE, sobretudo nas condições de trabalho,
    com baixos salários e vínculos precários, o que se intensifica com a mudança da gestão
    pelas Organizações Sociais de Saúde. Essas questões impactam nos desafios para a
    articulação da rede que, muitas vezes, adquire caraterísticas pessoais, do que
    necessariamente um fluxo estabelecido entre os serviços. Conclui-se que os (as)
    profissionais têm dificuldades para garantir o continuo cuidado na RUE, porque há
    vazios assistenciais e fragilidades regionais que impactam no trabalho, seja pelas
    próprias características do território, seja reflexo das mudanças no mundo trabalho, ou
    consequência da ofensiva privatizante na política de saúde.


    ANANDRA VITÓRIO VASCONCELOS MULHERES DO PROGRAMA DE EXTENSÃO PARA PESSOAS IDOSAS DA UFPI: questões de gênero, raça e classe na ocupação de espaços universitários Data: 29/08/2025

    A Política Nacional do Idoso e o Estatuto da Pessoa Idosa formam importantes pilares para o
    reconhecimento de vários direitos e de suas garantias no contexto das políticas sociais
    setoriais. Dentre estes direitos está o da educação para a vida e não para o mercado de
    trabalho. Neste contexto surgem as Universidades Abertas da Terceira Idade (UNATIs)
    enquanto extensão universitária que oferta serviços a essa população, embora o público
    mobilizado seja majoritariamente de mulheres. O objetivo desta pesquisa foi analisar o perfil
    e trajetórias de mulheres idosas que participam do Programa de Extensão Universitária para
    Pessoa Idosa da Universidade Federal do Piauí (PTIA/UFPI) a partir dos indicadores de
    gênero, classe e raça e seus imbricamentos, como eles interferem na inserção delas na
    universidade. Desse modo, o problema de pesquisa estabelecido foi quem são as idosas
    mobilizadas e que aderem a este serviço extensionista na UFPI? Qual o perfil destas mulheres
    idosas? Como as desigualdades de gênero marcam suas trajetórias de vida e a velhice? Quais
    as contribuições do PTIA/UFPI no processo de ressignificação da velhice? A pesquisa teve
    três fontes: a bibliográfica, documental e de campo. Uma pesquisa explicativa/analítica, com
    abordagem metodológica qualitativa mediante instrumento da entrevista semiestruturada com
    roteiro. Para tanto, a pesquisa de campo, que foi submetida ao comitê de ética e aprovada, se
    desenvolveu a partir dos depoimentos de 15 mulheres idosas que participam do PTIA. A
    amostragem foi não probabilística e a princípio, o critério de seleção seria o de idade maior, e
    que aceitassem participar do estudo, entretanto, em virtude de uma greve de motoristas de
    ônibus que ocorreu na cidade de Teresina-PI, as atividades da universidade passassem a
    acontecer de forma on-line, o que impossibilitou o encontro com uma maior quantidade de
    público, utilizando-se a técnica de bola de neve, a partir da indicação da primeira entrevistada.
    Além disso, houve um registro de inclusão das participantes de maneira sigilosa, contendo
    códigos e nomes fantasias para uso na análise de dados, respeitando o padrão ético da
    pesquisa. Ressalta-se que os formulários do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
    foram assinados pelas participantes. O método norteador desta pesquisa foi o Materialismo
    Histórico-Dialético que busca superar a imediaticidade da realidade apreendendo sua essência
    histórica e social. Concluiu-se que os espaços de extensão universitária atingem
    majoritariamente mulheres que ao longo da vida tiveram empregos formais ou vínculos
    estatutários e hoje têm direito à aposentadoria e facilidade em acessar o espaço das
    universidades.


    MARTA BRAMUCI DE FREITAS ENCARCERAMENTO DE MULHERES SOB A PERSPECTIVA DE RAÇA/COR/ETNIA, GÊNERO E CLASSE NO BRASIL E NO PERU: A COLONIALIDADE DO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO NA AMÉRICA LATINA Data: 29/08/2025

    Esta tese analisa criticamente a formação, estrutura e função do Estado moderno, com ênfase nas
    suas implicações na construção da ordem social, nos mecanismos de controle penal na América
    Latina e nas desigualdades interseccionais que permeiam o encarceramento feminino. A reflexão
    percorre três grandes eixos: a gênese do Estado e das políticas públicas; as especificidades do
    Estado-nação latino-americano e seu aparato penal; e a interseccionalidade no encarceramento de
    mulheres em contexto de neoliberalismo associado à colonialidade do poder. O Capítulo 1 traça
    as origens históricas e filosóficas do Estado-nação, destacando seu surgimento como estrutura
    político-jurídica destinada a organizar e controlar a sociedade. Inicialmente, o Estado é
    compreendido como um ente voltado à proteção da ordem, da propriedade e da segurança
    coletiva. Estado e Direito são analisados em sua relação em que o poder político se legitima por
    meio das normas jurídicas, e o direito se configura como instrumento de manutenção das relações
    sociais vigentes. A partir da teoria do contrato social — com pensadores como Hobbes, Locke e
    Rousseau — o Estado moderno é concebido como um pacto entre indivíduos para a constituição
    de uma autoridade legítima que garanta direitos e deveres. Contudo, essa legitimidade é
    frequentemente questionada quando se observa a atuação do Estado diante das populações
    subalternizadas. Ao final do capítulo, problematiza-se o ideal do Estado moderno à luz de suas
    práticas excludentes e seletivas, revelando as tensões entre o discurso de cidadania universal e a
    realidade das desigualdades sociais. No Capítulo 2, o foco está sobre a formação dos Estados
    latino-americanos, com destaque para Brasil e Peru, marcados por processos históricos de
    colonização, dependência econômica e reprodução de estruturas de dominação. A construção
    desses Estados revela a persistência de modelos autoritários, excludentes e racializados. Neste
    contexto, o sistema penal surge como um dos principais instrumentos de controle social sobre as
    populações pobres. As prisões, inicialmente justificadas como espaços de reabilitação, tornam-se
    verdadeiros aparatos de contenção das populações marginalizadas, sobretudo das classes pobres
    e racializadas. O capítulo examina os diferentes sistemas penitenciários e traça um panorama das
    prisões na América Latina, evidenciando a superlotação, a violação de direitos humanos e a
    ausência de políticas ressocializadoras. As análises dos sistemas prisionais do Peru e do Brasil
    revelam um padrão comum de encarceramento massivo, seletividade penal e racismo estrutural.
    O Capítulo 3 aprofunda a discussão a partir da lente da interseccionalidade, demonstrando como
    gênero, raça, classe e outros marcadores sociais se entrelaçam nas trajetórias de mulheres
    encarceradas. O capítulo questiona os discursos neutros e universalizantes da política penal,
    evidenciando que as mulheres presas na América Latina são, majoritariamente, negras, pobres,
    com baixa escolaridade e submetidas a um ciclo de fragilidades históricas. A interseccionalidade
    é apresentada como ferramenta teórica potente para compreender como a criminalização da
    pobreza e o racismo institucional operam sobre os corpos femininos. A partir da análise das
    condições prisionais no Brasil e no Peru, identifica-se um cenário marcado pela precariedade
    estrutural, abandono institucional e violação de direitos. Por fim, destaca-se como o
    encarceramento feminino é atravessado por determinações do capitalismo neoliberal, que não
    apenas precariza as condições de vida, mas transforma a punição em estratégia de gestão da
    desigualdade social. O sistema penal, longe de promover justiça, age como mecanismo de
    manutenção da ordem excludente e racista, legitimando a marginalização das mulheres
    pretas/indígenas e pobres.


    FRANCISCO MANOEL DE MOURA POLÍTICAS PÚBLICAS E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: UMA ANÁLISE SOBRE A GESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NA CIDADE DE TERESINA/PI Data: 27/08/2025

    A questão dos resíduos sólidos nos centros urbanos do Brasil, apresenta-se como um
    problema, cada vez mais sério, o que se torna um grande desafio para o Poder
    Público, porém, a gestão dos resíduos requer a colaboração de todos. Nesse
    contexto, a temática da pesquisa foi a gestão dos resíduos sólidos na cidade de
    Teresina/PI, cujo a problemática concentrou-se em investigar: quais as políticas
    públicas e práticas de gestão de resíduos, com ênfase em resíduos domiciliares,
    foram implementados em Teresina, fundamentada na Política Nacional dos Resíduos
    Sólidos (PNRS), Lei Federal 12.305/2010? O estudo decorreu da necessidade de
    Estados, DF e Municípios de todo o país, adequarem-se às novas responsabilidades,
    impostas pela PNRS e outras legislações, dentre elas, a disposição final
    ambientalmente adequada dos resíduos. O objetivo geral consistiu em analisar a
    efetividade das políticas públicas implementadas pela cidade de Teresina/PI, a fim de
    identificar avanços, desafios e lacunas em relação às diretrizes da PNRS. Quanto aos
    procedimentos metodológicos, foi realizada pesquisa bibliográfica em livros, artigos
    científicos e análise documental, além de consulta a sites oficiais da Prefeitura
    Municipal de Teresina. Para a obtenção dos dados, foi solicitado relatório de
    documentos oficiais da PMT, por meio da Empresa Teresinense de Desenvolvimento
    Urbano (ETURB), em que se realizou a análise das informações; aplicou-se
    questionários para o gestor da Coordenadoria Especial de Limpeza Pública (CELIP)
    e do Programa Lixo Zero da ETURB; realizou-se observação in loco com registros
    fotográficos de áreas contempladas com as políticas públicas efetivadas. Foi uma
    pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva. Os resultados demonstram, que em
    2010, ano da publicação da PNRS, a gestão dos resíduos sólidos em Teresina era
    realizada de forma precária, existiam poucas políticas, no que diz respeito à gestão
    dos resíduos domiciliares. Logo após a instituição da PNRS no Brasil, o município teve
    um maior comprometimento em implantar políticas, que tivessem de acordo com a
    PNRS, criou programas como Disk Lixo, Lixo Zero, implantação dos Pontos de
    Recolhimentos de Resíduos (PRR) e Pontos de Entrega Voluntária (PEV), Drive Thru
    da Coleta Seletiva, Programa Coleta Seletiva nos Condomínios, entre outros. Dessa
    forma incentiva a população a descartar os resíduos de forma correta e destinar para
    a reciclagem. Percebeu-se que houve um avanço no município, em relação a gestão
    dos resíduos domiciliares; no ano de 2000 a cidade tinha uma cobertura de 90% de
    coleta domiciliar, logo, atingiu 99% em 2020; em 2010 foram 69.000 toneladas de
    resíduos removidos de pontos inadequados, enquanto em 2020 foram 118.000
    toneladas. Em 2014 foram removidas 229,6 toneladas por meio da coleta seletiva, e
    em 2020, 1.041 toneladas. No entanto, notou-se que falta a Prefeitura de Teresina
    divulgar mais esses projetos pelas comunidades, e ter uma fiscalização mais eficiente
    no que diz respeito à disposição irregular de resíduos, bem como, precisa haver um
    maior comprometimento da sociedade em colaborar para a melhor gestão dos
    resíduos sólidos e atender as diretrizes da PNRS.


    GILVANIA DOS SANTOS MATOS O SERVIÇO DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS PARA PESSOAS IDOSAS EM CASTELO DO PIAUÍ: OS IMBRICAMENTOS DE CLASSE, GÊNERO E RAÇA/ETNIA NA POPULAÇÃO USUÁRIA Data: 26/08/2025

    A presente dissertação tem como objetivo analisar o Serviço de Convivência e
    Fortalecimento de Vínculos (SCFV) para pessoas idosas no município de
    Castelo do Piauí, com ênfase nos imbricamentos de classe, gênero e raça/etnia
    no perfil da população usuária. Fundamentada na Gerontologia Social Crítica, a
    pesquisa adota uma abordagem qualitativa, ancorada no método materialista
    histórico-dialético. Além da revisão bibliográfica e análise documental das
    normativas da assistência social, a investigação também incluiu a pesquisa de
    campo, por meio de entrevistas com pessoas idosas e profissionais do CRAS,
    com o intuito de compreender como o SCFV reconhece, ou invisibiliza, as
    especificidades das mulheres negras idosas em situação de vulnerabilidade. A
    análise parte da concepção de que o envelhecimento é uma produção
    histórico-social, atravessada por desigualdades estruturais, e busca
    compreender como essas desigualdades impactam a participação dos usuários
    no serviço. Serão ouvidas 10 pessoas idosas atendidas pelo Centro de
    Referência de Assistência Social (CRAS) de Castelo do Piauí, participantes do
    Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV). A pesquisa
    também abrangerá 03 profissionais da equipe técnica da unidade (01
    psicólogo(a), 01 assistente social, 01 orientador(a) social) diretamente
    envolvidos na implementação de ações voltadas à pessoa idosa. Por meio da
    análise de conteúdo segundo Bardin (2016), foram construídas categorias
    analíticas capazes de revelar as manifestações do racismo, sexismo e das
    hierarquias de classe na prática cotidiana do SCFV. Concluindo que apesar da
    política de assistência social ser uma expressão do trato dos problemas sociais
    com equidade, a questão étnico/racial ainda é invisibilizada. O estudo contribui,
    crê-se, para o fortalecimento de uma perspectiva interseccional nas políticas
    públicas voltadas à população idosa.


    THAIZ SUELEM SOARES DE SOUSA CONDIÇÕES ESTRUTURAIS DE MULHERES-MÃES NO ACESSO E PERMANÊNCIA EM PÓS-GRADUAÇÃO NA UFPI Data: 25/08/2025

    O presente estudo objetiva investigar as condições estruturais que mulheres-mães enfrentam
    para garantir o acesso e a permanência em cursos de pós-graduação, discutindo a
    emergência de ações afirmativas e políticas públicas como o direito à educação e o dever do
    Estado na constituição de uma rede apoio às mulheres-mães pesquisadoras. A luta pela
    inclusão da mulher na educação e na ciência tem sido desafiadora ao longo do tempo. Essa
    luta fica ainda maior quando envolve a maternidade. Na pós-graduação, desafios como falta
    de rede de apoio, prazos e políticas de assistência a estudante-mãe tornam difícil a
    conciliação da maternidade e da ciência, levando as discentes que se tornam mães, muitas
    vezes, a procrastinar o acesso e até a abandonarem seus estudos, sonhos e aspirações
    profissionais e acadêmicas. Problematizamos sobre as barreiras geradas pelas estruturas
    patriarcais, que tendem a marginalizar e excluir as mulheres-mães do ambiente acadêmico.
    A pesquisa envolveu mulheres-mães que são estudantes de pós-graduação da Universidade
    Federal do Piauí (UFPI) com recorte nos programa de Políticas Públicas, Educação e
    Sociologia. Optou-se por uma abordagem qualitativa, fundamentada nos princípios da
    pesquisa participante, orientada por autores (as) como: Quijano (2005); Badinter (1985); Fals
    Borda (1985), Saffioti (2004); Carneiro (2019); Brandão e Streck (2006); dentre outros (as). A
    pesquisa prioriza a construção coletiva do conhecimento a partir das experiências
    compartilhadas pelas mulheres-mães no contexto da pós-graduação. Para assegurar a
    consistência e a profundidade da análise, adotamos o método dialético para compreender os
    dilemas existentes na tentativa de conciliar a vida acadêmica e a maternidade, no qual
    procuramos situar as categorias: mulher-mãe; rede de apoio familiar; rede de apoio
    institucional; políticas públicas, acesso e permanência. Inicialmente, apontamos que a
    narrativa patriarcal contribui para a exclusão de mulheres, determinando os lugares de
    inserção e participação das estudantes-mães afetando seu direito à educação, discutimos a
    importância do feminismo matricêntrico como uma política centrada nas mães que
    compartilham a luta pelo direito à formação continuada na pós-graduação; refletimos as
    narrativas que as mulheres-mães enfrentam no processo de acesso e permanência de suas
    trajetórias educativas na pós-graduação. A análise dos dados evidencia que mulheres-mães
    na pós-graduação da UFPI enfrentam múltiplas barreiras estruturais, enraizadas em uma
    lógica patriarcal que naturaliza a sobrecarga da maternidade e impede suas demandas no
    ambiente acadêmico. A ausência de políticas institucionais eficazes e de apoio do Estado
    induz essas mulheres a recorrerem a redes informais de suporte, majoritariamente femininas,
    para garantir sua permanência. Embora resistam por meio de estratégias próprias, muitas
    vezes às custas de sua saúde e produção acadêmica, suas trajetórias escancaram a omissão
    das instituições frente a desigualdade de gênero. A pesquisa aponta a urgência de políticas
    públicas no âmbito das instituições de ensino e na rede do Estado promovendo ações
    afirmativas específicas, como cotas no acesso e ampliação de prazos, para garantir a
    equidade no acesso e na permanência dessas mulheres nos espaços de formação
    continuada. Por fim, apontamos algumas alternativas de políticas públicas na garantia do
    direito de acesso e permanência na pós-graduação.


    ALINE BEATRIZ RODRIGUES DA SILVA SOBRAM VAGAS, FALTAM ALUNOS? O DESALINHAMENTO ENTRE OFERTA E DEMANDA NA GRADUAÇÃO BRASILEIRA (2014-2023) Data: 01/08/2025

    Neste estudo da dissertação de Mestrado, aborda-se o não preenchimento de vagas ofertadas
    na educação superior brasileira entre 2014 e 2023, período de vigência do Plano Nacional de
    Educação (PNE), cuja Meta 12 previa o aumento da taxa bruta de matrículas da população de
    18 a 24 anos, com ampliação da participação do segmento público na educação superior. A
    intenção é compreender o problema das vagas não preenchidas, verificando se o que é
    ofertado corresponde ao que os discentes buscam, em que graus acadêmicos, áreas do
    conhecimento e cursos (rótulos). A hipótese é que há um descompasso entre a oferta de vagas
    e o interesse dos discentes, o que resulta no não preenchimento de vagas. Tem-se como
    procedimentos metodológicos a pesquisa bibliográfica, documentos e estatística descritiva
    com a utilização de média, relação percentual, participação, variação e correlação de Pearson.
    Os resultados confirmam a hipótese. Embora tenha ocorrido ampliação da oferta, sobretudo,
    na rede privada do ensino à distância, as vagas não preenchidas cresceram, alcançando no ano
    de 2023, 13.903.923 vagas excedentes, isto é, 288 vezes maior que as 48.147 registradas em
    1980. A maior média de vagas não preenchidas foi identificada no grau Tecnólogo
    (3.007.935), sobretudo, na rede privada da modalidade à distância. No entanto, a preferência
    dos estudantes se concentrou na rede pública da modalidade presencial. As áreas gerais com
    maior quantidade de vagas não preenchidas foram: Negócios, Administração e Direito;
    Educação; e Saúde e Bem-estar. Pelos rótulos que compõem essa área, constatou-se que existe
    atratividade diferente entre eles, sendo expressas pela relação entre as vagas ofertadas e as
    vagas não preenchidas. Ao tempo em que a relação entre as variáveis expressam a
    manifestação da procura, a correlação evidenciam se há influências entre si. Conclui-se que,
    mesmo em cursos (rótulos) atrativos, a oferta de vagas sem planejamento, gera vagas não
    preenchidas, mostrando concluindo que, sozinha, não garante a ocupação. É necessário o
    planejamento, com o aumento proporcional entre o que se oferta e o que se busca, com fins de
    que não haja um descompasso entre a oferta e a demanda.


    TÂNIA VALÉRIA LUZ DE SOUSA ORGULHO E INVISIBILIDADE: A maternidade de mulheres quilombolas e suas vivências de racismo nos serviços de saúde Data: 22/07/2025

    O racismo brasileiro está presente e institucionalizado na nossa sociedade como herança
    do sistema escravista. Os quilombos foram e são resistência a essa forma de opressão. As
    mulheres quilombolas enfrentam formas específicas de opressão devido às questões
    interseccionais de raça, de gênero, entre outras. Muitas vezes a saúde dessa mulher é
    invisibilizada, ainda mais quando elas se tornam mães. Por isso, este estudo tem como
    objetivo principal compreender a natureza do racismo nos serviços de saúde e a forma como
    ele pode afetar a identidade e a maternidade de mães quilombolas. Foi realizado um estudo
    exploratório e descritivo, com abordagem qualitativa, que utilizou o quadro conceitual da
    interseccionalidade de gênero, raça e classe, bem como o método participativo na produção
    dos dados, que fez a triangulação de técnicas de entrevistas individuais, Photovoice
    (Fotovoz) e grupo focal. A pesquisa foi realizada com sete mães quilombolas na comunidade
    Monteiro, remanescente de quilombos, que se localiza na zona rural de Timon no Maranhão.
    A coleta de dados foi realizada em cinco etapas: aproximação com a comunidade para a
    formação de vínculo; convite às mães quilombolas e preenchimento do questionário
    sociocultural de caracterização; condução das entrevistas individuais; método Fotovoz, que
    envolveu a produção das fotografias pelas participantes; e a discussão em grupos focais e
    entrevistas individuais. A análise temática indutiva foi realizada e fotografias foram
    selecionadas como representação visual para ilustrar os dados assim como trechos dos
    discursos das participantes para evidenciar os temas descritivos. Está pesquisa foi
    submetida e aprovada pelo comitê de ética em pesquisa com seres humanos da
    Universidade Federal do Piauí. A pesquisa revela que as mães quilombolas do Quilombo
    Monteiro constroem sua identidade na tensão entre o orgulho de sua negritude e a dor da
    invisibilidade imposta pelo racismo estrutural. Dois temas analíticos foram construídos: (1)
    “identidade da mulher quilombola marcada por orgulho e resistência”, que descreve como
    as mulheres assumem papel de guardiãs da família e da comunidade, guardiã dos saberes
    ancestrais e tradicionais e sentem na pele a dor e o orgulho por ser negra; e (2) “maternidade
    quilombola atravessada por desafios estruturais”, que descreve a sobrecarga materna, a
    invisibilidade e racismo nos serviços de saúde e o anseio por direitos fundamentais. Embora
    nem sempre as mulheres nomeiem explicitamente as discriminações sofridas, suas
    experiências cotidianas as revelam. Elas mantêm vivos os saberes ancestrais, mesmo sem
    discurso político formal, comprovando sua resistência silenciosa. Diante da negligência
    estatal, especialmente na saúde, essas mulheres transformam o cuidado em ato de
    sobrevivência, enquanto continuam clamando por dignidade e pelos direitos básicos que
    lhes são negados. Políticas públicas podem ser delineadas com foco na equidade racial na
    saúde, na melhoria da infraestrutura dos quilombos e acesso aos serviços de saúde, na
    valorização dos saberes tradicionais e na promoção da educação e conscientização sobre
    racismo.


    MARIANA ROCHA MENEZES A FORMAÇÃO ACADÊMICO-PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL NO PIAUÍ: UMA ANÁLISE DOS CURSOS PRESENCIAIS SOB A LÓGICA DO CAPITAL Data: 10/07/2025

    A educação superior brasileira é uma das esferas atingidas pelas medidas neoliberais noBrasil, implementadas segundo orientações de países imperialistas. Desse modo, várias
    tendências circundam o campo educacional, dentre elas: o incentivo do Estado à iniciativa
    privada, o subfinanciamento à educação superior pública, a flexibilização dos processos
    formativos e o crescimento acelerado da oferta de cursos de graduação na modalidade de
    Ensino à Distância (EAD). Esse contexto atravessa cada área profissional e região brasileira
    de maneira particular e, no caso do Serviço Social no Piauí, influi tanto na construção
    histórica, como na presente realidade da formação e do exercício profissional no estado. O
    Piauí é o último estado do Nordeste a fundar seu primeiro curso de Serviço Social, o que
    acontece em 1976, logo após ser implantada a Fundação Universidade Federal do Piauí
    (FUFPI). No ano de 2024, esse permanece sendo o único em uma instituição pública no
    estado, o qual somado ao curso existente no interior do Piauí, em uma instituição privada de
    ensino, corresponde aos únicos cursos de Serviço Social presenciais, existentes na atualidade,
    em todo território piauiense. Assim, o estudo em tela tem como objetivo geral: analisar as
    concepções de formação acadêmico-profissional nos cursos de graduação em Serviço Social
    presenciais no Piauí, em funcionamento em 2024, à luz das Diretrizes Curriculares da
    ABEPSS de 1996 e os projetos de educação, profissão e sociedade em disputa. É uma
    pesquisa empírica, de abordagem qualitativa, com coleta de dados realizada de maneira
    presencial nas duas instituições investigadas, e tem como método o materialismo histórico-
    dialético, com base em Marx e Engels. Assim, foi possível observar contextos e concepções
    distintas de formação profissional no cenário piauiense, o que se relaciona com a realidade da
    cada local, natureza da instituição, condições objetivas de trabalho docente, recursos
    institucionais disponíveis e perspectiva assumida por cada curso, próxima ou deslocada das
    Diretrizes Curriculares da ABEPSS. O curso da universidade federal se apresenta consolidado
    no Piauí, realiza ensino, pesquisa e extensão de forma transversal, ainda que com alguns
    limites; possui um processo formativo com profunda densidade teórico-crítica, a partir da
    adoção da teoria social crítica; e incita a organização política de estudantes e docentes, com o
    Movimento Estudantil como um espaço potente de formação. Já no curso denominado de
    “Guaribas”, em uma instituição privada do interior do estado, notou-se que se realiza a
    formação que é possível, considerando os limites da realidade institucional e da localidade. O
    processo formativo acontece com ênfase no ensino, sem condições concretas para realizar
    pesquisa e extensão; e busca-se a adoção da teoria social crítica, ainda que com fragilidades.
    Nesse contexto, observou-se uma disputa mais acirrada no que diz respeito a projetos
    societários, de educação e formação profissional, de modo que as docentes se inserem nessa
    dinâmica e tentam atuar em direção contrária à lógica do modo de produção capitalista. O que
    tem se desenhado no estado é o declínio dos cursos de Serviço Social presenciais, em
    detrimento da crescente oferta de cursos na modalidade EAD. Isso leva à precarização da
    formação e do exercício profissional, em um cenário que se intensifica a espoliação da classe
    trabalhadora pelo capital e se recrudesce o conservadorismo. Faz-se necessário compreender o
    contexto piauiense e fortalecer os âmbitos de organização política da categoria, a fim de que
    não se perca a direção por uma educação de qualidade, socialmente referenciada e
    emancipatória.


    MARCILENE IBIAPINA COELHO DE CARVALHO ACESSO À JUSTIÇA E O EXERCÍCIO DA CIDADANIA: UMA ANÁLISE NO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ (2018 A 2022), Data: 27/06/2025

    O acesso à justiça é um direito constitucional garantido a todo cidadão e não deve sofrer
    limitações, pois é um direito fundamental, importante para a efetivação dos demais direitos e,
    portanto, imprescindível para a promoção da cidadania no contexto do Estado Democrático de
    Direito. Ocorre que a concretização do acesso à justiça, em regra, perpassa pelo ajuizamento
    processual o qual necessita do recolhimento de custas cuja fixação dos valores no âmbito do
    Poder Judiciário estadual é de competência do respectivo estado; doutra parte, como ação
    pública, há previsão legal de gratuidade da justiça às pessoas com insuficiência de recursos para
    o pagamento. Nesse contexto, a pesquisa objetiva analisar o acesso à justiça no Poder Judiciário
    do Estado do Piauí com enfoque na imbricação entre a concessão de assistência judiciária
    gratuita e o exercício da cidadania, tendo como recorte histórico-temporal o período de 2018 a
    2022. Para tanto, trata-se de uma pesquisa descritiva-exploratória, com aspectos que a
    aproximam de uma pesquisa explicativa, delineada a partir do resgate teórico bibliográfico e
    documental, com abordagem quantitativa e qualitativa e orientada pelo método comparativo de
    dados primários e secundários. Constatou-se que o Piauí possuía baixos indicadores
    socioeconômicos, havia uma concentração de unidades judiciárias em poucos municípios,
    praticava elevados valores de custas judiciais, computou mediana quantidade de causas
    ajuizadas por habitantes e um ínfimo número de processos com assistência judiciária gratuita
    arquivados definitivamente, contudo, no recorte de procedimento comum cível, esteve entre os
    mais demandados e dentre os que mais causas tramitaram com gratuidade da justiça, e
    contabilizou um mediano tempo médio de tramitação processual, portanto, não se pode concluir
    pelo amplo, inclusivo e justo acesso à justiça no âmbito do Poder Judiciário estadual, ainda que
    em cenários comparativos com as demais justiças estaduais da região Nordeste ou com as
    categorizadas como de pequeno porte; desse modo, as desigualdades sociais são reproduzidas
    em desigualdades de acesso à justiça e desconstroem o exercício da cidadania. Espera-se, por
    fim, despertar uma visão crítico-reflexiva e uma discussão no âmbito das políticas públicas
    capazes de assegurar um amplo acesso à justiça como meio para consecução de uma sociedade
    mais justa e igualitária.


    NAYARA COSTA DOS SANTOS A POLÍTICA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NO CONTEXTO DE AJUSTE FISCAL DO ESTADO BRASILEIRO: UMA ANÁLISE DOS CASOS DO IFPI E DO IFRN (2016-2022) Data: 20/06/2025

    As políticas de educação especial desempenham um papel fundamental na
    implementação do compromisso mundial Educação para Todos (UNESCO, 1990).
    Essa modalidade de ensino busca assegurar a inclusão de pessoas com deficiência
    (PcDs) no sistema educacional regular, por meio da eliminação de barreiras de
    acessibilidade e aprendizagem, com recursos e serviços de apoio especializado
    (Ainscow, 2009). Partindo dessa perspectiva, esta pesquisa teve como objetivo geral
    analisar a implementação da Política de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva
    (PEEPI) no contexto do aprofundamento dos ajustes fiscais do Estado brasileiro entre
    2016 e 2022, considerando suas repercussões na realidade dos Institutos Federais.
    Para alcançar esse objetivo, foi descrito como se deu a incorporação do
    neoliberalismo pelo Estado a partir da década de 1990, enfatizando a promoção de
    ajustes fiscais e suas implicações nas políticas de educação. Em seguida, foi
    apontada e discutida a construção histórica da política de educação especial no Brasil
    e os efeitos dos ajustes fiscais na sua implementação nos anos de 2016-2022. E, para
    compreender de forma mais específica a realidade, foram identificadas e
    sistematizadas as medidas implementadas no IFPI e no IFRN referentes à política de
    educação especial. A estruturação dos objetivos buscou responder à seguinte
    problemática: como foi implementada a política de educação especial no IFPI e no
    IFRN, entre 2016 e 2022, em meio aos recentes ajustes fiscais do Estado brasileiro?
    A hipótese levantada é que os ajustes fiscais desse período foram prejudiciais à
    implementação da PEEPI nos Institutos Federais do Piauí e do Rio Grande do Norte.
    Metodologicamente, a pesquisa realizou estudos de natureza bibliográfica e
    documental, com abordagem quali-quantitativa dos dados e das informações obtidas.
    Os resultados da pesquisa validaram a hipótese ao demonstrar que a Emenda
    Constitucional no 95/2016, juntamente com outras medidas, reduziram os
    investimentos em educação pública, inclusive no IFPI e no IFRN, enquanto as
    matrículas na educação especial inclusiva cresceram no mesmo período, criando um
    descompasso entre a demanda e a oferta do serviço. Assim, a diminuição dos gastos
    públicos, as tentativas de reformulação da política e a precarização na contratação de
    alguns profissionais da área de educação especial comprometeram a inclusão plena
    dos estudantes com deficiência no IFPI e no IFRN no período de 2016 a 2022.


    STEPHANIE MARIA PEREIRA SANTOS A EVOLUÇÃO DOS PROGRAMAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA MÍNIMA NO BRASIL NO ENFRENTAMENTO A POBREZA: UMA ANÁLISE POLÍTICA E IDEOLÓGICA Data: 17/06/2025

    Este estudo analisou a evolução dos Programas de Transferência de Renda
    Mínima (PTRM) no Brasil, com ênfase nas dimensões políticas e ideológicas
    que orientaram sua formulação e implementação ao longo dos diferentes
    governos. A pesquisa, de natureza bibliográfica e documental, apoiou-se em
    autores como Silva, Yazbek, Di Giovanni, Potyara Pereira, Behring, entre
    outros, para compreender os princípios ideológicos subjacentes aos PTRM.
    Observou-se que esses programas, embora fundamentais para a mitigação da
    pobreza e a ampliação do acesso a bens de consumo básicos, assumem
    diferentes sentidos a depender da orientação político-ideológica dos governos.
    Nos governos FHC e Bolsonaro, prevaleceu uma perspectiva liberal/neoliberal
    e focalizada, enquanto nos governos Lula e Dilma houve avanços na
    integração com políticas universais, ainda que mantida a lógica compensatória.
    A análise demonstrou que os PTRM, em sua maioria, têm limitado potencial
    transformador, por não enfrentarem as causas estruturais da pobreza e da
    desigualdade social. Reforça-se a necessidade de políticas públicas pautadas
    na universalização dos direitos sociais, como propõe a Política Nacional de
    Assistência Social (PNAS), e no ideal da Renda Básica de Cidadania,
    defendido por Eduardo Suplicy e Philippe Van Parijs, que propõe uma
    abordagem desburocratizada, transparente e de alcance universal. Conclui-se
    que os PTRM devem ser concebidos como parte de uma estratégia mais ampla
    de garantia de direitos e cidadania plena, superando a lógica focalizada e
    assistencialista, e contribuindo efetivamente para a construção de uma
    sociedade mais justa e igualitária.


    TAMIRES NOGUEIRA SANTOS REPRESENTATIVIDADE DA SOCIEDADE CIVIL NOS CONSELHOS MUNICIPAIS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DOS MUNICÍPIOS DE GRANDE PORTE DO ESTADO DO PIAUÍ Data: 05/06/2025

    A presente dissertação de mestrado trata da representatividade da sociedade civilnos Conselhos Municipais de Assistência Social dos municípios de grande porte do
    Estado do Piauí. A pesquisa problematiza a relação existente entre representantes
    eleitos nestes conselhos e os segmentos representados. O objetivo geral do estudo
    é analisar a representatividade da sociedade civil nos Conselhos Municipais de
    Assistência Social dos municípios de grande porte do Estado do Piauí entre 2021 e
    2024. Busca também identificar os projetos em disputa no significado de
    representatividade dos representantes da sociedade; examinar se as pautas
    discutidas pelos conselheiros estão interligadas ao conjunto de questões das suas
    respectivas bases; discutir as estratégias das/os representantes da sociedade civil
    para incorporar as pautas das suas bases e avançar no controle da política de
    Assistência Social no contexto de capitalismo em crise; investigar como os
    segmentos representados têm acompanhado as ações dos seus representantes;
    analisar as ações desenvolvidas pelos conselhos municipais para viabilizar a
    participação dos representantes da sociedade civil. Para o desenvolvimento da
    pesquisa e alcance dos referidos objetivos, buscou a abordagem analítica,
    qualitativa e o método crítico dialético.


    WILLAME CARVALHO E SILVA A política de expansão da educação superior pública no Piauí (1995 – 2020) Data: 08/05/2025

    A tese sobre a expansão da educação superior pública, desenvolvida no Programa de
    Pós-graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal do Piauí, consistiu em uma
    análise acadêmica e científica das mudanças educacionais e profissionais impulsionadas
    por intervenções estatais significativas em instituições de formação profissional do
    ensino superior público no Estado do Piauí, com impacto na interiorização e criação de
    unidades, diversificação na oferta de cursos e a expansão de vagas. Teve como objetivo
    geral analisar a expansão da educação superior pública no Piauí no período de 1995–
    2020, no contexto da Universidade Federal do Piauí (UFPI), da Universidade Estadual do
    Piauí (UESPI) e do Instituto Federal do Piauí (IFPI), sendo seus objetivos específicos:
    identificar as iniciativas de expansão da educação superior e seus impactos na ampliação
    de vagas e cursos; compreender as estratégias que as IES públicas utilizaram para
    ampliação do acesso à educação e mapear a estrutura da educação superior pública no
    Piauí. O trabalho pretendeu responder à seguinte indagação: quais os impactos da
    expansão da Educação Superior Pública no Piauí entre os anos de 1995 e 2020? A
    pesquisa foi desenvolvida por meio de referencial teórico e metodológico com ênfase em
    levantamento bibliográfico, documental e de legislação da educação superior brasileira,
    complementado por coleta de dados em relatórios e documentos publicados por
    instituições internacionais e nacionais; realização de entrevistas semiestruturadas com
    ex-dirigentes e, culminado com a elaboração de discussões e conclusões. O programa de
    expansão da educação superior pública, a partir de iniciativa do governo federal (REUNI e
    EXPANDIR), deixou sua marca nos estados periféricos, como é o caso do Piauí, por se
    constituir numa oportunidade de crescimento de forma significativa. A interiorização da
    educação superior mostrou-se um projeto viável e exequível, capaz de oportunizar o
    acesso à educação a milhares de pessoas interessadas em um diploma acadêmico.


    ANA KELMA CUNHA GALLAS O ATIVISMO ANTIGÊNERO DO OBSERVATÓRIO INTERAMERICANO DE BIOPOLÍTICA Data: 29/04/2025

    Esta pesquisa investiga o ativismo antigênero do Observatório Interamericano de Biopolítica
    (OIB), uma organização criada em 2014 por membros da Renovação Carismática Católica, que
    atua no movimento antigênero brasileiro. O objetivo do estudo é investigar os repertórios,
    discursos e estratégias utilizados pela organização para sustentar a negação do gênero como

    construção social, destacando, nesse processo, a sua atuação na esfera política brasileira. Têm-
    se como hipótese que o OIB atua como um think tank do movimento antigênero, se utilizando

    de repertórios discursivos sofisticados, táticas de mobilização e coalizões com grupos
    conservadores. Como ator político, o OIB tem se dedicado a aumentar sua influência no debate
    sobre educação, políticas de igualdade de gênero e direitos reprodutivos no Brasil. A pesquisa
    adota metodologias qualitativas para analisar materiais produzidos pelo grupo, entre os quais,
    documentos, textos e audiovisuais disseminados na internet. A Advocacy Coalition Framework
    (ACF) é usada como base teórica e metodológica para entender a dinâmica de ação de atores
    políticos motivados por suas crenças em contextos religiosos e laicos. A análise de eventos,
    seminários e alianças políticas realizadas pelo OIB revela um padrão de atuação que se adapta
    às oportunidades políticas. Suas propostas encontraram ressonância institucional e apoio
    governamental, configurando um ciclo de retroalimentação entre o OIB e o poder político
    conservador no período analisado. Os resultados revelam como o OIB passou a exercer um papel
    central no movimento antigênero no Brasil, especialmente, entre 2014 e 2018, o que interferiu
    nas políticas públicas do país no período estudado.




    DAVÍ MAGALHÃES CARVALHO Gestão Democrática na Política de Assistência Social: uma análise do SUAS em municípios da Serra da Ibiapaba/Ce Data: 25/04/2025

    O estudo aqui apresentado surgiu a partir da necessidade de melhor compreensão sobre o
    nível municipal da gestão do Sistema Único de Assistência Social no Brasil numa perspectiva
    democrática a partir da realidade de municípios da Região da Serra da Ibiapaba, interior do
    Estado do Ceará. A escolha pelo objeto e a importância do estudo justificam-se pela lacuna
    que ainda existe na literatura sobre o nível local de gestão da política de Assistência Social,
    mesmo sendo nesse âmbito onde os parâmetros gerais da política encontram a realidade
    territórios, dos sujeitos, das famílias e dos grupos sociais. É nesse nível de gestão onde a
    política alcança sua última formatação, ganha os últimos ajustes para chegar diretamente no
    seu público-alvo e, portanto, os processos de gestão democrática tem significativa
    importância. A pesquisa então traz como objetivo primário analisar a gestão municipal da
    política de Assistência Social em municípios do Ceará, seus desafios e potencialidades para o
    fortalecimento de um modelo de gestão democrática à luz das diretrizes do SUAS. Para
    alcançar essa compreensão o estudo foi feito em três municípios da Região da Serra da
    Ibiapaba, noroeste do Ceará, onde foram entrevistados três atores da política em cada
    município: o secretário e dois membros dos conselhos locais, utilizando como instrumento de
    coleta de dados um roteiro de Entrevista Aberta. O processamento dos dados foi realizado
    com o software IRAMUTEQ (Interface de R pourles Analyses Multidimensionnelles de
    Textes et de Questionnaires) 0.7, versão alpha 2 e com o software estatístico R versão 4.1.3.
    Os resultados demonstram que a realidade da gestão do SUAS nos municípios é atravessada
    por fatores que ainda tensionam fortemente uma efetiva gestão democrática. Fatores
    históricos da relação Estado-sociedade como o patrimonialismo e o primeiro-damismo
    marcam esse campo, mas também a pesquisa identificou elementos e amarras culturais e
    institucionais que minimizam a atuação dos conselhos municipais ao cumprimento de meros
    trãmites burocráticos/processuais, além do fator da violência objetiva e simbólica exercida por
    grupos criminosos nos territórios que desafiam a política e a participação da sociedade.
    Conclui-se que tais elementos são de grande importância analítica, sobretudo no cenário atual
    onde o mundo e o Brasil tem enfrentado ataques sistêmicos à democracia e a participação dos
    cidadãos na vida pública tem gerado cada vez menos envolvimento pelos setores da
    sociedade.


    LAISLA SHIRLEY RODRIGUES MARANHÃO Atores e processos de resistência aos desmontes/reconfigurações na política de saúde mental brasileira antimanicomial: entre 2016 e 2022 Data: 07/04/2025

    A presente tese tem como objetivo analisar os atores e suas estratégias de resistência aos
    desmontes/reconfiguração na Política de Saúde Mental Antimanicomial brasileira, no período
    de 2016 a 2022. Sabe-se que, com a Reforma Psiquiátrica, principalmente após a Lei no
    10.2016/2001, muitos foram os avanços e conquistas no campo da saúde mental. Passa-se a
    questionar o modelo asilar de supressão da liberdade e de violação dos direitos humanos e
    defende-se uma nova forma de assistência à pessoa com transtorno mental, pautado no cuidado
    comunitário, defesa dos direitos e cidadania desse segmento através da sua inserção na
    sociedade e ampliação dos serviços substitutivos. No entanto, principalmente no contexto pós
    golpe de 2016, em especial nos (des) governos de Temer e Bolsonaro, há o aceleramento da
    contrarreforma psiquiátrica e das medidas neoliberais e neoconservadoras, que revigoram o
    desfinanciamento do SUS, a remanicomialização e a mercantilização da saúde, aprofundados
    com a pandemia da Covid-19 e a gestão de enfrentamento negacionista e genocida. Nesse
    contexto, o presente estudo descreveu os avanços e impasses que ocorreram antes e após a
    Constituição de 1988, principalmente para a trajetória da Política Nacional de Saúde Mental
    brasileira, no contexto capitalista de grande avanço da ofensiva neoliberal; analisou os
    desmontes/reconfiguração instituídos a essa política, e suas implicações nos direitos e na
    proteção da pessoa com transtorno mental, pós 2016 e mapeou os atores e processos de
    resistência que estiveram em curso/ação para consolidação do legado da Reforma Psiquiátrica
    Antimanicomial. Para atingir os objetivos do presente estudo, realizou-se uma pesquisa
    qualitativa com base na análise bibliográfica e documental: artigos, livros, dissertações, teses,
    dentre outros. Para estudar o contexto histórico de cada ator, sua missão, trajetória, relação com
    a Luta Antimanicomial e processos de resistência implementados, examinou-se suas redes
    sociais, site, acervos e documentos produzidos como: relatórios de eventos, cartas de repúdio,
    audiências, moções, nota pública, dossiê, cursos de formação, lives, petição pública, etc.


    LIBNI MILHOMEM SOUSA SÃO DIREITOS QUE QUEREMOS: REPERTÓRIO DOS MOVIMENTOS LGBTQIA+ E O PODER JUDICIÁRIO Data: 10/03/2025

    Esta tese insere-se no campo das discussões sobre o reconhecimento legal e judicial dos direitos da população LGBTQIA+ no Brasil. Apoiada neste debate, tem como objetivo principal analisar como as demandas por direitos dessa população estão sendo recebidas pelos Três Poderes da República e de que forma os movimentos LGBTQIA+ têm contribuído para a conquista desses direitos, especificamente por meio do Poder Judiciário. De forma geral, a pesquisa examina a recepção dos Poderes Executivo e Legislativo às demandas trazidas pelos movimentos LGBTQIA+ desde o início da (re)democratização brasileira, com a Constituição Federal de 1988, até o término do governo Bolsonaro, em 1.º de janeiro de 2023. Simultaneamente, analisa a estratégia dos movimentos LGBTQIA+ de levar algumas de suas demandas ao Poder Judiciário. A pesquisa, de abordagem quantitativa e qualitativa, utilizou como metodologia o modelo ex post facto, caracterizando-se como um estudo exploratório e descritivo. Inicialmente, buscamos analisar os direitos da população LGBTQIA+ no Poder Executivo, por meio do levantamento das principais ações estatais voltadas para essa população, bem como das diretrizes aprovadas nas três edições das Conferências Nacionais LGBT.


    GERSIANNE MARTINS VIANA DOS SANTOS AS POLÍTICAS DE FORMAÇÃO CONTINUADA PARA PROFESSORES DE SALAS REGULARES NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA COM FOCO NA EDUCAÇÃO ESPECIAL: O QUE TEMOS E ONDE PRETENDEMOS ESTAR? Data: 14/01/2025

    A educação inclusiva vem ganhando espaço nos aspectos epistemológicos que viabilizam a
    educação como direito de aprendizagem, dando a todos os alunos com deficiência as condições
    de acesso e permanência na educação formal. Neste contexto, fomenta–se as definições legais
    nos aspectos políticos garantidos por leis que determinam todos os direitos desse aluno na
    escola. Mediante o exposto, delimitamos como objeto de estudo: discutir como as políticas de
    formação continuada para professores das salas de regulares na perspectiva da educação
    inclusiva com foco na educação especial, na educação infantil, têm contribuído para as práticas
    pedagógicas de modo que haja o direito de aprendizagens por parte dos alunos com deficiências
    que frequentam a rede municipal de ensino de Teresina, Piauí. Considerando o objeto proposto
    para essa investigação, elencamos o seguinte problema de pesquisa: Têm as políticas de
    formação continuada para professores de sala regulares implementadas em Teresina contribuído
    para a educação inclusiva dos alunos e no avanço das práticas didático-pedagógicas no âmbito
    da educação especial? O objetivo geral da pesquisa é analisar as políticas de formação
    continuada para professores de salas regulares na ótica da educação inclusiva, destacando os
    desafios, as complexidades e as possibilidades que descrevem os professores que atuam na
    educação infantil na perspectiva da educação especial, visando às suas contribuições na
    inclusão escolar dos estudantes concernente ao seu agir didático–pedagógico. Para dar
    substância e consistência ao objetivo geral, foram definidos alguns objetivos específicos:
    Identificar quais as políticas de formação continuada voltada para a educação especial
    conhecida pelos docentes; descrever as políticas de formação continuada e suas contribuições
    para a prática docente; citar as políticas de formação continuada de professores que são
    desenvolvidas na rede municipal de Teresina (PI), com foco na educação inclusiva que os
    professores conhecem; identificar e discutir as contribuições das políticas de formação
    continuada de professores na prática pedagógica para a educação inclusiva na Educação
    Especial; indagar como a formação continuada possibilita a construção de saberes para a prática
    pedagógica de educação inclusiva na Educação Especial e elencar os desafios e as
    complexidades relatados pelos professores que atuam na educação infantil no contexto da
    educação especial. O percurso metodológico seguido a fim de conferir cientificidade ao
    trabalho passou por duas fases. A primeira fase consistiu na revisão da literatura, constituído
    por materiais nacionais, extraídos de artigos científicos e livros, como também pesquisas
    documentais baseadas em fontes legislativas, dados do Censo-Instituto Nacional
    de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP, 2024) e Instituto Brasileiro de
    Geografia e Estatística (IBGE, 2023). A segunda fase do estudo além do caráter descritivo, a
    pesquisa possui uma abordagem quali-quantitativa, realizada através de uma pesquisa de
    campo, nesse contexto, reporta-se as análises e discussões através de entrevistas
    semiestruturadas, realizada com 20 professoras que atuam em sala de aula da educação infantil
    no contexto da educação especial e seu agir pedagógico, reportando suas dificuldades e
    desafios. No entanto, o problema que foi levantado na pesquisa, foi respondido, não de forma
    positiva, ao analisar os problemas levantados pelas professoras, observou-se que as políticas de
    formação continuada para professores de sala regulares implementadas em Teresina não têm
    contribuído de forma satisfatória para a educação inclusiva, dificultando o avanço dos alunos
    com deficiências e desafiando as professoras nas práticas didático-pedagógicas. Por tanto,
    consistem no processo de inserção dos alunos e não de inclusão.


    CRISTIANE OSÓRIO DOS SANTOS A PARTICIPAÇÃO, A REPRESENTAÇÃO NÃO-ELEITORAL E A INSTITUCIONALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS NO ORÇAMENTO POPULAR DE TERESINA (PI): A DEMOCRACIA SE SUSTENTA? Data: 14/01/2025
    A pesquisa trata temas que, por duas décadas (1991-2010), permaneceram em campos de análise opostos na literatura brasileira: os efeitos que as instituições participativas (IPs) provocaram para o aprofundamento da democracia e o que a institucionalização dos movimentos sociais provocou nas relações socioestatais. Contribui com a agenda de Almeida e Dowbor (2021), e a sugestão de estudos amparados na mútua fertilização entre: (i) as categorias em evidência na literatura brasileira dos anos 2000, como a representação não-eleitoral nas IPs; e, (ii) as categorias que analisam a institucionalização dos movimentos sociais, os contornos de sua atuação e os efeitos sobre os seus repertórios de interação com o Estado, tônica na literatura brasileira a partir dos anos de 2010, como a categoria encaixe institucional. Estudou o Orçamento Popular (OP) da cidade de Teresina (PI), analisando a representação não-eleitoral na IP a partir do trabalho de Fossheim (2022), e analisou também o encaixe institucional (Gurza Lavalle et al., 2018) nas relações socioestatais daquela IP. A pesquisa investigou as dinâmicas da representação não-eleitoral para identificar mecanismos que envolveriam autorização e accountability consubstanciando as ações dos atores sociais a fim de analisar o cumprimento das promessas das teorias democráticas acerca das IPs e os efeitos que elas proporcionam para qualificar a representação não-eleitoral como legítima e democrática; mas, também, para identificar quais mecanismos no repertório de interação permitiram o acesso permanente à IP e alongaram no tempo a capacidade dos atores sociais de influenciar as decisões públicas na distribuição dos recursos orçamentários, classificando a pesquisa como descritiva e explicativa. Coletou dados em leis, registros administrativos e entrevistas semiestruturadas a presidentes de entidades civis e delegados do OP escolhidos entre aqueles atores sociais mais relevantes. Observou-se que a autorização e accountability não-eleitoral na representação dos atores sociais é apreendida através da pactuação pública, do diálogo face a face e comunicação bidirecional entre representantes e representados; entretanto, não se pode qualificar a representação não eleitoral no OP de Teresina como democrática; posto que a distribuição dos recursos orçamentários não foi igualitária nas regiões da cidade, observando-se a concentração de recursos em determinadas regiões. Por sua vez, nas relações socioestatais analisadas, estão configurados alguns mecanismos que permitiram aos representantes a capacidade de ação e de influência; a saber: a rede de apoio e coalizões que os atores sociais formaram entre si, a permeabilidade do Estado em não proibir a reeleição para os mandatos de delegado durante a maior parte da existência da IP, e a gênese relacional dos atores nos movimentos sociais que permitiu o aprendizado necessário para que pudessem interagir e operar políticas. Estas configurações causaram efeitos na própria organização dos atores sociais em busca do atendimento de seus interesses e reivindicações; bem como efeitos discursivos no padrão de ação coletiva, percebendo-se, neste estudo, a mudança do padrão contestatório dos movimentos sociais, característico das décadas de 60/70 conforme a literatura brasileira, para o padrão cooperativo-dependente nas relações socioestatais construídas no OP de Teresina.