• UFPI

  • PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIAS APLICADAS A ANIMAIS DE INTERESSE REGIONAL/CCA

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

  • EM TECNOLOGIAS APLICADAS A ANIMAIS DE INTERESSE REGIONAL






  • Dissertações/Teses - 2026

    NATHÁLIA BATISTA DE ANDRADE PESQUISA DE PARASITOS GASTROINTESTINAIS EM GATOS ATENDIDOS EM CLÍNICA VETERINÁRIA DO MUNICÍPIO DE TERESINA, PIAUÍ Data: 04/09/2026

    A população de gatos domésticos tem crescido significativamente no Brasil, destacando-se o estado do Piauí como o detentor do maior percentual de domicílios com gatos no país. Nesse contexto, estudos sobre parasitoses gastrointestinais em felinos são relevantes para a medicina veterinária e para a saúde pública, especialmente diante do potencial zoonótico de alguns agentes. Esta dissertação foi estruturada em dois capítulos, apresentados no formato de artigos científicos. O primeiro capítulo teve como objetivo investigar a ocorrência de parasitos gastrointestinais em gatos domiciliados atendidos em uma clínica veterinária do município de Teresina, Piauí, durante o ano de 2025. Foram avaliadas 50 amostras fecais, das quais 25 (50%) foram positivas para pelo menos um parasito. Ancylostoma sp. foi o endoparasito mais frequentemente identificado, sendo observado em 14 dos 25 animais positivos (56%), e os filhotes
    apresentaram maior ocorrência de parasitismo. Foram identificados diferentes helmintos e protozoários intestinais, com ocorrência de monoinfecções e coinfecções. O segundo capítulo consistiu em um relato de caso de multiparasitismo por Ancylostoma sp., Toxocara sp. e Platynosomum sp. em um gato domiciliado atendido em uma clínica veterinária de Teresina, Piauí. O animal apresentava sinais clínicos, alterações laboratoriais e ultrassonográficas compatíveis com comprometimento respiratório e hepático. O exame coproparasitológico permitiu a identificação dos três helmintos, e o felino apresentou evolução clínica satisfatória após tratamento anti-helmíntico e terapia específica para platinosomose. Dessa forma, os resultados demonstraram a ocorrência de parasitos gastrointestinais em gatos domiciliados em Teresina, incluindo infecções por agentes de importância clínica e zoonótica, além da possibilidade de
    multiparasitismo. Ressalta-se, ainda, a importância do diagnóstico coproparasitológico na rotina clínica, da adoção de medidas adequadas de prevenção e controle e da atenção aos agentes parasitários com potencial zoonótico.


    CAIO FARIAS CABRAL DESENVOLVIMENTO DE UM SIMULADOR GAMIFICADO DE CUIDADOS CRÍTICOS EM DISTÚRBIOS ÁCIDOS BÁSICOS PARA CÃES E GATOS Data: 31/08/2026

    Os distúrbios do equilíbrio ácido-base constituem conteúdo de elevada complexidade na Medicina Veterinária, por exigirem a integração de múltiplas variáveis fisiológicas e laboratoriais e a tomada de decisões terapêuticas diante de situações clínicas dinâmicas. Nesse contexto, recursos digitais, simuladores e estratégias de gamificação podem ampliar as oportunidades de prática e interação dos estudantes com situações clínicas controladas. Este trabalho teve como objetivo desenvolver uma solução de software educacional gamificada, disponibilizada como aplicação web responsiva, para o ensino da interpretação e do manejo dos distúrbios do equilíbrio ácido-base em cães e gatos, destinada a estudantes e profissionais de Medicina Veterinária. O desenvolvimento compreendeu a construção de um banco de casos clínicos com respectivas condutas terapêuticas, a implementação de um modelo dinâmico de parâmetros fisiológicos e de evolução clínica, mecanismos de gamificação, feedback imediato, recursos de inteligência artificial, controle de acesso e armazenamento das interações. A verificação técnica foi realizada por testes automatizados e métricas de desempenho, complementada por teste piloto com estudantes de Medicina Veterinária e avaliação preliminar da usabilidade por meio da avaliação subjetiva da usabilidade. O software apresentou funcionamento dos componentes previstos, permitindo a execução de simulações, aplicação de condutas terapêuticas, acompanhamento de parâmetros fisiológicos, registro das sessões e obtenção de diferentes desfechos clínicos. No teste piloto, 18 estudantes realizaram 66 atendimentos simulados. Doze atendimentos alcançaram desfecho, sendo sete estabilizações e cinco óbitos, e foram registradas 135 aplicações de condutas terapêuticas em 21 atendimentos com tratamento. O monitoramento fisiológico gerou 38.140 registros em 38 atendimentos. A avaliação de usabilidade, realizada por quatro participantes, apresentou escore SUS médio de 60,6 pontos e média geral ajustada de 3,80 nos 15 itens avaliados. Conclui-se que o desenvolvimento resultou em um ambiente web funcional capaz de integrar simulação clínica, dinâmica fisiológica, intervenções terapêuticas, evolução clínica, desfechos e mecanismos de gamificação. O teste piloto demonstrou a operacionalidade dos principais recursos e forneceu informações preliminares sobre a experiência de uso e aspectos passíveis de aperfeiçoamento. A eficácia pedagógica do software requer investigação específica em estudos posteriores.


    IANAHANNA DUARTE SANTOS SOARES POTENCIAL REGENERATIVO DO TRANSPLANTE XENOGÊNICO DE CÉLULAS-TRONCO MESENQUIMAIS ASSOCIADO E COMPARADO AO HIDROGEL DE GELATINA METACRILATADA EM MODELO DE DEFEITOS ÓSSEOS Data: 31/08/2026

    O reparo de defeitos ósseos extensos permanece um desafio clínico, estimulando o desenvolvimento de estratégias regenerativas que associem terapias celulares e biomateriais. Este estudo avaliou e comparou o potencial regenerativo do transplante xenogênico de células-tronco mesenquimais derivadas da medula óssea (BMMSCs), do hidrogel de gelatina metacrilatada (GelMA) a 1% e da associação BMMSCs–GelMA em defeitos ósseos tibiais de coelhos. Foram confeccionados dois defeitos circulares de 4 mm de diâmetro e 4 mm de profundidade em cada tíbia, distribuídos entre quatro tratamentos: controle negativo com
    solução fisiológica (GC), BMMSCs xenogênicas (GMSC), GelMA (GGel) e GelMA associado às BMMSCs (GGelMSC). Os animais foram avaliados aos 15 e 45 dias por histopatologia semiquantitativa, histomorfometria quantitativa do osso neoformado e microscopia de força atômica (AFM). O tratamento exerceu efeito significativo sobre o percentual de osso neoformado (p < 0,001), enquanto o tempo experimental (p = 0,548) e a interação tratamento × tempo (p = 0,391) não apresentaram efeito significativo. Considerando conjuntamente os períodos, o GC apresentou os menores percentuais de neoformação óssea, o GGel apresentou resposta intermediária e GMSC e GGelMSC apresentaram os maiores valores, sem diferença significativa entre estes últimos. Os escores histopatológicos de ossificação endocondral, ossificação intramembranosa e espículas ósseas não diferiram significativamente entre os tratamentos, e não foram observadas alterações histopatológicas sugestivas de rejeição tecidual nos grupos que receberam BMMSCs. A AFM revelou variações nanotopográficas entre grupos e períodos, porém sem relação direta entre maior rugosidade e maior formação óssea. Conclui-se que o transplante xenogênico de BMMSCs favoreceu a neoformação óssea, enquanto sua associação ao GelMA a 1% não proporcionou benefício regenerativo adicional em comparação às células administradas isoladamente.


    SAMUEL DA SILVA SOUSA Potencial biotecnológico e antifúngico de hidrogel à base de goma de mandioca funcionalizado com o complexo cobre(II)-1,10-fenantrolina-5,6-diona frente a espécies de Candida Data: 28/08/2026

    A crescente resistência aos antifúngicos e as limitações do tratamento das candidíases reforçam a necessidade de novas estratégias terapêuticas. Embora o composto de coordenação de íons cobre(II) complexado ao ligante 1,10-fenantrolina-5,6-diona, [Cu(fendiona) 3 ] (ClO4) 2·4H2O, denominado cobre-fendiona, apresente atividade frente a espécies de Candida e o hidrogel de goma de mandioca (HGM) possa atuar como matriz para incorporação de compostos bioativos, o comportamento da associação entre esses componentes ainda necessita ser investigado. Este estudo teve como objetivo desenvolver, caracterizar e avaliar in vitro um HGM funcionalizado com cobre-fendiona frente a espécies de Candida. A incorporação do complexo ao HGM foi realizada por absorção, originando as formulações HGM-Cpx1, HGM-Cpx2 e HGM-Cpx3, com cargas nominais de 1, 10 e 50 mg de cobre-fendiona por grama de hidrogel, respectivamente. As formulações foram avaliadas por análise macroscópica, espectroscopia no infravermelho com transformada de Fourier por refletância total atenuada (FTIR-ATR), ensaio de intumescimento, liberação por espectrofotometria no ultravioleta-visível (UV-Vis) e atividade antifúngica por difusão em ágar. Na análise macroscópica, todas as formulações apresentaram aumento visual de volume após a hidratação. Além disso, a coloração amarelada a âmbar foi mais evidente nas  formulações HGM-Cpx2 e HGM-Cpx3, possivelmente relacionada às maiores cargas nominais de  cobre-fendiona. A análise por FTIR-ATR demonstrou preservação das principais características espectrais da matriz, com alterações mais evidentes no HGM-Cpx3. No ensaio de intumescimento, o HGM, HGM-Cpx1, HGM-Cpx2 e HGM-Cpx3 apresentaram capacidades máximas de 136,79 ± 0,32, 112,08 ± 1,83, 63,86 ± 1,02 e 57,06 ± 0,25 g g−1, respectivamente, demonstrando redução do intumescimento com o aumento da quantidade nominal de cobre-fendiona incorporada. Na avaliação da liberação por UV-Vis, somente o HGM-Cpx3 apresentou cobre-fendiona detectável e quantificável em solução salina tamponada com fosfato (PBS), pH 4,5, alcançando 0,9758 ± 0,2315 mg g−1 após 72 h, correspondente a 1,9515 ± 0,4629% da carga nominal da amostra. No ensaio de difusão em ágar, após 24 h, o HGM-Cpx3 apresentou halos de 25,00 ± 1,73, 19,00 ± 1,73, 18,67 ± 2,08 e 23,00 ± 1,73 mm frente a C. albicans, C. dubliniensis, C. krusei e C. parapsilosis, respectivamente, enquanto o HGM-Cpx2 apresentou halos de 13,41 ± 2,56, 2,86 ± 4,95, 5,89 ± 5,12 e 3,68 ± 6,38 mm, respectivamente. HGM-Cpx1, HGM e HGM contendo 2% de dimetilsulfóxido (HGM-DMSO 2%) não produziram halos mensuráveis. Os resultados demonstram que a funcionalização do HGM com cobre-fendiona manteve a capacidade de intumescimento da matriz, embora em menor magnitude nas formulações com maior carga nominal. O HGM-Cpx3 apresentou a maior atividade antifúngica no ensaio de difusão em ágar e foi a única formulação em que a liberação do complexo pôde ser quantificada por UV-Vis. Esses achados sustentam o potencial do HGM como matriz para incorporação de cobre-fendiona. No entanto, a baixa liberação observada indica a necessidade de compreender melhor as interações entre a matriz e o complexo, bem como os fatores que influenciam sua disponibilização.


    FRANCISCO MICHAEL JUNIOR COSTA Diagnóstico de Dirofilaria immitis em cães de um abrigo do município de Teresina, Piauí Data: 28/05/2026

    A dirofilariose canina é uma doença parasitária causada pelo helminto Dirofilaria immitis, sendo considerada uma importante zoonose em regiões tropicais. A doença afeta principalmente o sistema cardiovascular de cães domésticos, embora gatos, canídeos e felídeos selvagens, e humanos também possam ser infectados. A transmissão ocorre principalmente pela picada de mosquitos culicídeos, especialmente aqueles pertencentes aos gêneros Culex, Aedes, Ochlerotatus e Anopheles. Essa pesquisa
    investigou a prevalência de dirofilariose em cães de um abrigo do município de Teresina, Piauí, analisando as alterações hematológicas e coinfecções associadas. Cinquenta cães sem raça definida, com mais de um ano de idade, de ambos os sexos, foram avaliados clinicamente e laboratorialmente. Foi utilizado o teste rápido imunocromatográfico da Alere (Dirofilariose Ag Test Kit) para a detecção de antígeno
    de fêmeas adultas de Dirofilaria immitis, além de esfregaço sanguíneo, técnica da capa leucocitária e hemograma. Os animais reativos foram submetidos a testes complementares, incluindo a reação em cadeia da polimerase (PCR) e ecocardiografia (ECO). A prevalência foi de 2% (1/50), e o cão positivo foi classificado como portador de dirofilariose oculta, uma vez que os testes parasitológicos, moleculares e de imagem foram negativos. O animal tinha histórico de uso de doxiciclina e lactona macrocíclica,
    o que pode ter suprimido a microfilaremia. Os achados hematológicos incluíram anemia normocítica normocrômica, trombocitopenia grave, leucocitose neutrofílica com desvio à esquerda e eosinofilia. O cão também apresentou resultado reagente para leishmaniose visceral pelo teste sorológico ELISA. Esses achados destacam a necessidade da vigilância e monitoramento em abrigos de animais. Além disso, métodos diagnósticos combinados devem ser priorizados para a confirmação da dirofilariose em populações caninas vulneráveis.


    LÍVIA FALCÃO PINHEIRO APROVEITAMENTO DO EXOESQUELETO RESIDUAL DA FILETAGEM DO CAMARÃO CINZA (PENAEUS VANNAMEI) PARA A OBTENÇÃO DE ASTAXANTINA UTILIZANDO TÉCNICA DE EXTRAÇÃO COM ÓLEO DE GIRASSOL (HELIANTHUS ANNUS) Data: 04/03/2026

    Os camarões, quando não é comercializado in natura, sofre o processo de
    beneficiamento em que durante o seu processamento geralmente são removidas o
    cefalotórax, a carapaça e o telso. O resíduo gerado durante o processamento do camarão
    corresponde cerca de 40-50% do seu peso total. A atual pesquisa tem como objetivo
    otimizar a extração da astaxantina a partir de resíduos de camarão cinza (Penaeus
    vannamei), utilizando óleo de girassol como solvente verde, para determinar as
    condições ideais de tempo, temperatura e proporção solvente:resíduo que maximizem o
    rendimento do carotenóide. Foi avaliado a influência da proporção óleo:resíduo (1,5:1;
    2:1; 2,5:1) combinada a três condições de extração (variando simultaneamente tempo e
    temperatura: 60 min/40 °C, 120 min/70 °C e 180 min/100 °C) sobre o rendimento da
    extração de astaxantina. Para cada combinação de fatores foram realizadas três réplicas
    experimentais (n = 3), totalizando 27 unidades experimentais. Os resultados indicam
    que a combinação de 60 °C por 120 minutos foi a condição mais eficiente, apresentando
    consistentemente o maior rendimento de extração em todas as proporções avaliadas.
    Entre as proporções testadas, a proporção 1,5:1 destacou-se por proporcionar os maiores
    rendimentos, alcançando valores de até 25,5 µg/g. Os resultados obtidos do presente
    estudo concluíram que a extração de astaxantina a partir de resíduos de camarão cinza
    (Penaeus vannamei) utilizando óleo de girassol como solvente verde é tecnicamente


    YCARO KYLLDARY MACÊDO Intervalos de referência específicos para a raça para massa e índice ventricular esquerdo em cães Shih Tzu: impacto do dimorfismo sexual, geometria ventricular e confiabilidade interobservador Data: 27/02/2026

    A massa ventricular esquerda (MVE) é um biomarcador prognóstico crítico para o remodelamento miocárdico. Apesar da alta prevalência de cães da raça Shih Tzu e sua predisposição à doença degenerativa mixomatosa da valva mitral, faltam intervalos de referência (IRs) específicos da raça para a MVE e o índice de massa ventricular esquerda (IMVE). Este estudo objetivou estabelecer IRs ecocardiográficos para MVE e IMVE em Shih Tzus saudáveis e avaliar a influência do sexo, idade e confiabilidade interobservador. Trinta e quatro Shih Tzus saudáveis foram incluídos neste estudo transversal. Dimensões lineares do ventrículo esquerdo foram obtidas via modo-M guiado por 2D, seguindo os critérios da American Society of Echocardiography. A MVE foi calculada pela fórmula de Devereux corrigida e indexada à área de superfície corporal por escalonamento alométrico. Os IRs foram determinados por métodos percentis não-paramétricos (2,5º–97,5º) com intervalos de confiança de 95% estimados por bootstrapping. O escalonamento alométrico foi validado com sucesso (ρ = 0,11; P = 0,51 entre IMVE e peso). O IR estabelecido para o IMVE foi de 55,24–83,12 g/m². Observou-se dimorfismo sexual significativo (P = 0,038), com machos apresentando mediana de IMVE superior (72,15 g/m²) à das fêmeas (66,20 g/m²). A espessura relativa da parede (ERP) média foi de 0,45 ± 0,08, com 61% da população excedendo o limite de 0,42. A confiabilidade interobservador foi excelente (ICC = 0,94; IC 95%: 0,89–0,97). Em conclusão, este estudo fornece os primeiros IRs específicos para MVE em Shih Tzus, estabelecendo um limite superior de 83,12 g/m² para o IMVE. A identificação do dimorfismo sexual e de uma geometria ventricular naturalmente robusta (ERP > 0,42) sugere que uma abordagem personalizada e estratificada por sexo é necessária para otimizar a sensibilidade diagnóstica e o estadiamento clínico nesta raça.


    MARINA PINTO SANCHES Avaliação da Duração da Onda P Eletrocardiográfica e sua Relação com Parâmetros Ecocardiográficos de Remodelamento Cardíaco em Cães da Raça Shih Tzu Data: 06/02/2026

    A doença valvar mitral degenerativa (DMVD) é a cardiopatia mais prevalente em cães de pequeno porte, e seu remodelamento cardíaco, especialmente a dilatação atrial esquerda (LAE), é um preditor crucial de progressão da doença, insuficiência cardíaca congestiva (ICC) e arritmias. Este estudo explorou a relação da duração da onda P eletrocardiográfica (ECG) com parâmetros ecocardiográficos de remodelamento atrial (relação átrio esquerdo/aorta - AE/Ao; volume atrial esquerdo indexado à superfície de área corporal - LAESV IDX) e ventricular (diâmetro interno do ventrículo esquerdo na diástole normalizado - DIVEDn) em uma coorte filtrada de 22 cães da raça Shih Tzu. Esta coorte foi rigorosamente selecionada por exclusão de outliers, doenças cardíacas congênitas e adquiridas significativas, e arritmias clinicamente relevantes, visando representar um grupo saudável (Estágio A da DMVD do ACVIM). A duração média da onda P foi de 39.55±3.63 ms (Mediana: 38.00 ms). Foram observadas correlações positivas e significativas entre a duração da onda P e AE/Ao (r=0.49; p=0.022), LAESV IDX (r=0.61; p=0.002) e DIVEDn (r=0.45; p=0.038). O LAESV IDX foi o preditor mais forte na regressão linear, explicando 34.2% da variabilidade da duração da onda P (R² ajustado = 0.342; p=0.002). Com base nos critérios de normalidade do ACVIM para AE/Ao (≤1.6) e DIVEDn (1.25 cm/kg^0.33), e no P95 do LAESV IDX (11.05 ml/m²) da amostra filtrada como limite superior de normalidade para a pesquisa, foram sugeridos os seguintes valores de referência descritivos para a duração da onda P: Duração P (AE/Ao≤1.6): 39.95±4.54 ms (P95: 49 ms). Duração P (LAESV IDX≤11.05): 39.14 ±3.83 ms (P95: 44 ms). Duração P (DIVEDn≤1.25): 37.86±2.41 ms (P95: 41 ms). Uma zona de transição para a duração da onda P, sugerindo aumento atrial esquerdo, é proposta entre 44 ms e 49 ms. Os índices da duração da onda P foram recalculados para a amostra filtrada. O índice Duração P/LAESV IDX apresentou a menor variabilidade (DP=0.75) e continua sendo o mais informativo, sugerindo valores de referência descritivos de 3.66 a 5.73 ms/(ml/m²) (P5-P95) para a amostra filtrada. Conclui-se que a duração da onda P é um biomarcador sensível do remodelamento cardíaco em Shih Tzus, com LAESV IDX sendo o preditor mais robusto. Os valores de referência sugeridos, a zona de transição e os índices ajustados fornecem ferramentas aprimoradas para o diagnóstico e a estratificação de risco nesta raça.


    PAULLINE PAIVA MENDES DE SOUZA LEAL AVALIAÇÃO MULTIDIMENSIONAL DO MÉTODO DE ACELERAÇÃO CICATRICIAL (MAC) ® NO TRATAMENTO DA LEISHMANIOSE TEGUMENTAR: ABORDAGENS CLÍNICAS, HISTOPATOLÓGICAS E IMUNOLÓGICAS Data: 06/02/2026

    As leishmanioses são zoonoses causadas por protozoários do gênero Leishmania, com manifestações clínicas variadas, onde o tratamento convencional enfrenta limitações como elevada toxicidade, custo alto, necessidade de administração parenteral prolongada e baixa adesão por parte do paciente. Diante da necessidade de terapias mais seguras, acessíveis e de aplicação simplificada, o Método de Aceleração Cicatricial (MAC ® ) surge como uma abordagem de terapia fotodinâmica não invasiva, que combina um agente fotossensibilizador (FS) com irradiação por Luz Emitida por Diodo (LED) para promover estimulação tecidual. O objetivo da presente pesquisa foi avaliar a atividade antileishmania, a citotoxicidade e parâmetros de ativação de macrófagos do MAC ® e seus efeitos terapêuticos no tratamento da Leishmaniose Tegumentar (LT) em camundongos BALB/c. A metodologia do presente
    trabalho compreendeu abordagens in vitro e in vivo para avaliação da atividade biológica e da segurança do tratamento proposto. In vitro, foram realizados ensaios de atividade contra formas promastigotas, testes de citotoxicidade em macrófagos peritoneais e em eritrócitos de carneiro, bem como a avaliação contra amastigotas internalizadas em macrófagos. Adicionalmente, investigou-se a ativação de macrófagos por meio da análise da atividade lisossomal, da capacidade fagocítica e da produção de óxido nítrico. Também foram conduzidos ensaios de toxicidade aguda, pigmentação e dosagem de nitrito utilizando larvas de Zophobas morio. In vivo, a metodologia incluiu a avaliação clínica das lesões, a determinação da carga parasitária, a quantificação de nitrito e citocinas, além de análises laboratoriais e
    histopatológicas, visando à caracterização da eficácia terapêutica e dos possíveis efeitos sistêmicos do tratamento. Os resultados in vitro demonstraram que os tratamentos inibiram formas promastigotas do parasito dependente da concentração e do tempo de exposição a luz. O MAC ® apresentou alta eficácia contra amastigotas internalizadas em macrófagos, com uma concentração inibitória média (CI₅₀) de 10,92 segundos, além de índice de seletividade contra o parasito (>54) e capacidade de ativar a fagocitose em macrófagos, sem toxicidade observada para eritrócitos de carneiro. Em relação à segurança, o MAC ® reduziu a viabilidade em apenas 20% das larvas de Zophobas morio. Nos ensaios in vivo, os camundongos BALB/c tratados com MAC ® apresentaram uma redução significativa das lesões ulcerativas e da carga parasitária em 83%. Na análise histológica foi possível observar a promoção da cicatrização da lesão nos grupos tratados com Anf B, azul de metileno (AM), MAC ® e MAC ® +Anf B por meio da proliferação de fibroblastos e intensificação da síntese de matriz extracelular, especialmente fibras de colágenos. Já na quantificação das citocinas, observou-se elevação dos níveis de IL-10 nos grupos azul de metileno (AM), LED, MAC ® e MAC ® + Anfotericina B (Anf B), sugerindo modulação imunológica anti-inflamatória. Em relação a quantificação de enzimas séricas, foi observado que apenas o grupo tratado com Anfotericina B 3%, exibiu sinais de nefrotoxicidade. Conclui-se, portanto, que o MAC ® atua nas diferentes formas evolutivas do parasito, além de ativar macrófagos, configurando-se como uma abordagem terapêutica promissora para a Leishmaniose Tegumentar, por sua acessibilidade econômica e praticidade de aplicação, quando comparado ao tratamento medicamentoso. Sua aplicação é restrita a profissionais habilitados sendo capaz de acelerar a cicatrização, reduzir a carga parasitária e apresentar menor toxicidade em comparação ao tratamento convencional.


    CLARA CECÍLIA AZEVEDO SANTANA AVALIAÇÃO LABORATORIAL, CLÍNICA, EPIDEMIOLÓGICA E MOLECULAR DA ESPOROTRICOSE FELINA EM TERESINA-PI Data: 05/02/2026

    A esporotricose felina é uma micose subcutânea de caráter zoonótico emergente no Brasil,
    associada principalmente à espécie Sporothrix brasiliensis, com importante impacto na saúde
    pública. O presente estudo teve como objetivo investigar os aspectos laboratoriais, clínicos,
    epidemiológicos e moleculares de gatos domésticos com suspeita clínica de esporotricose no
    município de Teresina, Piauí. Foram avaliados 74 felinos atendidos entre abril de 2024 e novembro
    de 2025 por meio de exames clínicos, citologia e cultura micológica. Os isolados confirmados para
    esporotricose foram submetidos à caracterização molecular, incluindo PCR espécie-específico e
    determinação do mating-type. Do total de animais avaliados, 40,5% foram confirmados para
    esporotricose. A citologia apresentou positividade em 100% dos casos confirmados, enquanto a
    cultura micológica demonstrou taxa de positividade de 83,3%. Quanto à avaliação epidemiológica,
    observou-se predominância de felinos adultos (93,3%), machos não castrados (53,3%), sem raça
    definida (100%) e com acesso à rua (100%). A forma clínica mais frequente foi a cutânea fixa
    (53,3%), seguida da forma disseminada (43,7%), com lesões predominantes em membros, cabeça e
    região cervical. A distribuição espacial revelou concentração absoluta dos casos na zona leste de
    Teresina-PI, caracterizando um foco urbano delimitado. A identificação molecular confirmou que
    todos os isolados pertenciam à espécie Sporothrix brasiliensis, com detecção exclusiva do mating-
    type MAT1-2, indicando baixa variabilidade genética e padrão de dispersão clonal. Os resultados
    demonstram que a esporotricose felina em Teresina apresenta perfil epidemiológico, clínico e
    molecular semelhante ao observado em outras áreas endêmicas do Brasil, configurando um
    problema emergente de saúde animal e pública, que demanda estratégias integradas de vigilância,
    controle e prevenção.


    JOSÉ LUÍS DE SOUSA SANTANA AVALIAÇÃO ELETROCARDIOGRÁFICA DA SOBRECARGA ATRIAL ESQUERDA EM CÃES COM DOENÇA MIXOMATOSA DA VÁLVULA MITRAL: DERIVAÇÃO E VALIDAÇÃO INTERNA DE UM ALGORITMO DE TRIAGEM MULTIFATORIAL CALIBRADO PARA ALTA SENSIBILIDADE Data: 05/02/2026

    A Doença Mixomatosa da Válvula Mitral (MMVD) exige a identificação precisa da dilatação atrial esquerda (DAE) para a estratificação no Estágio B2 da ACVIM e o início da terapia com Pimobendan. O eletrocardiograma (ECG) é uma ferramenta de baixo custo e alta disponibilidade, mas sua acurácia isolada é historicamente modesta. O objetivo deste trabalho foi derivar e realizar a validação interna de um algoritmo multifatorial baseado em parâmetros da onda P, calibrado para maximizar a Sensibilidade na detecção de DAE, visando otimizar a triagem clínica. Este foi um estudo observacional retrospectivo envolvendo 150 cães (Estágios ACVIM A a C). O padrão-ouro para DAE foi a razão Átrio Esquerdo/Aorta (LA/Ao ≥ 1,6), um limiar alinhado com o Estágio B2 da ACVIM (embora reconheçamos que o Volume Atrial Esquerdo Indexado, LAVi, é o marcador estrutural de maior acurácia). Os parâmetros-chave do ECG foram a Duração da Onda P em DII e o Índice de Morris (força terminal da onda P em V1). A reprodutibilidade das medições foi avaliada pelo Coeficiente de Correlação Intraclasse (VIO: ICC = 0.88 para P-Dur e ICC = 0.75 para Morris). O algoritmo foi validado internamente usando validação cruzada de 5 dobras, com limiares (P70/P90) otimizados para Sensibilidade, minimizando Falsos Negativos. O Benefício Líquido do algoritmo foi avaliado pelo Diagrama de Decisão Clínica (DCA). O algoritmo multifatorial, que combina Duração de P e Índice de Morris em zonas de Risco Baixo, Médio e Alto, demonstrou um poder discriminatório global de AUC = 0.729. Sua utilidade clínica superior para a estratificação de risco e a gestão otimizada de recursos foi robustamente confirmada pelo Diagrama de Decisão Clínica (DCA), superando o benefício de marcadores isolados na tomada de decisão. Para o critério de triagem (Risco Alto + Médio), o algoritmo alcançou Sensibilidade de 88.5% (IC 95%: 71.0-96.3%) e, criticamente, um Valor Preditivo Negativo (VPN) de 96.6% (IC 95%: 90.0-99.0%) para a exclusão de DAE clinicamente relevante (LA/Ao ≥ 1,6). A proporção de Falsos Negativos nos pacientes em Estágio B2 foi de 15.4%. A análise da Variabilidade Interobservador utilizando Bland-Altman confirmou limites de concordância estreitos e viés insignificante para o Índice de Morris, validando a robustez de sua medição técnica na prática clínica. Conclusão: O algoritmo de triagem eletrocardiográfica, derivado e validado internamente, alcançou alta segurança clínica (VPN elevado), justificando a exclusão confiável de DAE clinicamente relevante na prática geral e a priorização do encaminhamento para ecocardiografia dos casos de Risco Médio e Alto. O DCA valida a utilidade clínica dessa abordagem estratificada. No entanto, é fundamental que o desempenho reportado seja interpretado com cautela devido ao potencial viés de otimismo da validação interna. A adoção generalizada do algoritmo requer validação externa prospectiva e multicêntrica.


    VITÓRIA DE CÁSSIA COELHO RODRIGUES Síntese, caracterização e aplicação in vitro do hidrogel da goma de mandioca associado a anfotericina B em Leishmania infantum. Data: 30/01/2026

    A leishmaniose permanece como uma doença negligenciada de elevada relevância em saúde pública, e a anfotericina B (AmB), embora eficaz, apresenta limitações relacionadas à toxicidade e à necessidade de
    formulações mais seguras. Nesse contexto, biomateriais naturais têm sido investigados como matrizes para sistemas de liberação controlada. O presente estudo teve como objetivo desenvolver um hidrogel à base de goma de mandioca (HGM), incorporar AmB por absorção (HGMAmB) e avaliar suas propriedades físico-químicas, comportamento de intumescimento, perfil cinético de liberação, biocompatibilidade e
    atividade anti-Leishmania in vitro. A caracterização macroscópica evidenciou aumento volumétrico e maior translucidez dos hidrogéis após hidratação, mantendo integridade estrutural. A análise por espectroscopia no infravermelho com transformada de Fourier (FTIR) revelou alterações no perfil espectral do sistema HGMAmB em comparação aos componentes isolados, com modificações na intensidade de bandas associadas a grupos hidroxila e na região de impressão digital, sugerindo interações físico-químicas entre a AmB e a matriz polimérica. Os ensaios de intumescimento em meio aquoso demonstraram comportamento superabsorvente para ambas as formulações, com aumento progressivo da absorção de água e valores máximos em torno de 90 minutos, sem diferença estatisticamente significativa entre HGM e HGMAmB. O ensaio de liberação in vitro evidenciou difusão gradual da AmB a partir do sistema HGMAmB ao longo de 48 h, com fase inicial de liberação mais rápida
    seguida de redução da taxa e tendência a platô, comportamento desejável em sistemas de liberação controlada, favorecendo a manutenção de níveis terapêuticos locais. A avaliação biológica in vitro, por meio dos ensaios de MTT (3-(4,5-dimetiltiazol-2-il)-2,5-di-fenil brometo de tetrazólio) conduzido
    com células fibroblásticas murinas da linhagem L929 e de toxicidade in vivo usando Artemia salina, demonstrou elevada citocompatibilidade do hidrogel e do sistema funcionalizado, com atenuação significativa dos efeitos citotóxicos observados para a AmB livre. Nos ensaios de atividade antileishmania frente a promastigotas de Leishmania infantum, o HGM isolado não apresentou efeito antiparasitário, enquanto o HGMAmB exibiu atividade com IC₅₀ superior ao da AmB livre, compatível com um perfil de
    liberação controlada, mas capaz de promover inibição quase completa do crescimento parasitário em concentrações mais elevadas. Em conjunto, os resultados indicam que o hidrogel de goma de mandioca incorporado à anfotericina B constitui uma matriz polimérica promissora para aplicações
    em sistemas de liberação controlada para leishmaniose, aliando biocompatibilidade e manutenção da atividade anti-Leishmania, embora estudos adicionais in vivo sejam necessários para aprofundar sua avaliação terapêutica.


    SAYONARA MARIA SANTOS LEAL Soroprevalência da leishmaniose visceral em cães de Timon e Caxias – Maranhão-Brasil, submetidos ao uso de coleiras impregnadas com deltametrina 4%: comparação entre os ensaios imunoenzimáticos (EIE-LVC Bio-Manguinhos/Fiocruz) e utilizando o antígeno recombinante K28 Data: 30/01/2026

    A leishmaniose visceral permanece um agravo zoonótico relevante, e estimativas sorológicas em cães podem variar conforme o desempenho dos ensaios diagnósticos. Este estudo teve como objetivo estimar a soroprevalência por ELISA para Leishmania infantum em cães domiciliados incluídos no programa de encoleiramento com deltametrina 4% em Timon e Caxias (Maranhão, Brasil) e comparar os resultados
    entre municípios e entre os ensaios (EIE-LVC Bio-Manguinhos/Fiocruz vs ELISA rK28). Para isso, foi conduzido um estudo transversal com cães domiciliados inscritos no programa de encoleiramento com deltametrina 4% em Timon (n = 194) e Caxias (n =211), no qual as amostras de soro foram analisadas pelo ELISA padrão (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e por ELISA utilizando a proteína recombinante K28; a soroprevalência foi expressa em n/N (%) e as comparações entre municípios dentro de cada ensaio e entre ensaios dentro de cada município foram realizadas por qui-quadrado (α = 0,05). No ELISA padrão, a soropositividade foi de 19/194 (9,8%) em Timon e 14/211 (6,6%) em Caxias, não havendo diferença entre municípios (χ² = 1,35; p = 0,246); de modo semelhante, no ELISA rK28, a soropositividade foi de 5/194 (2,6%) em Timon e 9/211 (4,3%) em Caxias, também sem diferença entre municípios (χ² =
    0,86; p = 0,353). Além disso, na comparação entre ensaios dentro de cada município, observou-se diferença significativa apenas em Timon, com maior positividade no Bio-Manguinhos em relação ao rK28 (χ² = 8,71; p = 0,003), enquanto em Caxias não houve diferença significativa (χ² = 1,15; p = 0,284). Conclui-se, portanto, que não foram detectadas diferenças entre Timon e Caxias em nenhum dos ELISAs; entretanto, em Timon observou-se maior positividade no ELISA padrão em relação ao ELISA rK28, o que sugere uma possibilidade de reação cruzada com outras enfermidades, uma vez que
    a proteína recombinante K28 apresenta maior especificidade em relação ao antígeno
    bruto utilizado no ELISA padrão.


    NAYLA MARIA DA SILVA REZENDE AMORIM MODULAÇÃO DO REPARO EM DEFEITOS ÓSSEOS: EFEITO COMPARATIVO E ASSOCIADO DA BIOTINTA A BASE DE LAPONITA® E DE CÉLULAS SINALIZADORAS MEDICINAIS Data: 29/01/2026

    A engenharia tecidual óssea vem avançando no desenvolvimento de biomateriais capazes de superar limitações estruturais e biológicas dos enxertos tradicionais em defeitos críticos. Nanossilicatos como a Laponita® têm despertado interesse, tanto pelo seu uso como biotinta para impressão 3D, quanto ao potencial osteocondutor e à capacidade de modular o microambiente inflamatório. Paralelamente, as células sinalizadoras medicinais derivadas da medula óssea (BMMSC) apresentam efeito parácrino relevante na reparação óssea e na organização lamelar. Este estudo avaliou as respostas regenerativas desencadeadas pela biotinta contendo Laponita® 6%, isoladamente, ou associada a BMMSC em defeitos ósseos na tíbia de coelhos (Oryctolagus cuniculus). Foram realizadas análises de viabilidade celular, histopatologia, histomorfometria, microscopia de força atômica e modelagens estatísticas. Os resultados evidenciaram que a Laponita® atuou como um arcabouço osteocondutor seguindo o padrão de ossificação endocondral, com formação cartilaginosa e posterior mineralização. O tratamento com BMMSCs, por outro lado, induziu a organização lamelar típica da via intramembranosa, com formação mais organizada. No entanto, a associação entre Laponita® e BMMSCs resultou em um comportamento biológico intermediário, apresentando áreas com características de ossificação endocondral concomitantes a áreas com início de organização lamelar. Os dados reforçam um paradigma desafiador da bioengenharia de tecidos, representado pelo conflito entre o suporte físico e o componente biológico. É possível que as propriedades físicas do nanossilicato de Laponita® tenham criado barreiras difusionais que dificultaram o aporte de nutrientes nos defeitos ósseas. Tal condição poderia limitar a modulação parácrina induzida pelas BMMSCs no período inicial, provavelmente atenuando o potencial regenerativo da associação entre ambas. Em conjunto, os achados fortaleceram as evidências anteriores do efeito positivo da Laponita® e das BMMSCs para reparação de defeitos ósseos. Contudo, também indicam que as propriedades reológicas da Laponita® devem ser atenuadas para uma associação satisfatória com BMMSCs.




    Dissertações/Teses - 2025

    MARINA SILVA CARVALHO NOVO HIDROGEL DE GOMA DE MANDIOCA (Manihot esculenta) INCORPORADO COM CRISINA: UMA ABORDAGEM SUSTENTÁVEL PARA CARACTERIZAÇÃO E BIOCOMPATIBILIDADE Data: 31/10/2025
     A associação entre polímeros naturais e compostos bioativos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias tem sido uma abordagem de interesse para o desenvolvimento de alternativas terapêuticas sustentáveis. Este estudo tem como objetivo caracterizar e avaliar a biocompatibilidade de um novo hidrogel à base de goma de mandioca associado ao flavonoide natural, a crisina. Foi realizado inicialmente um teste in silico por meio de docking molecular da crisina com resíduos do sítio ativo de superóxido dismutase (SOD), catalase (CAT) e uma isoforma de óxido nítrico sintase (iNOs) para investigação da interação da crisina com alvos proteicos relacionados ao estresse oxidativo. Para a caracterização do hidrogel, foi utilizado espectroscopia infravermelho transformada de Fourier (FTIR), difração de raio-X (DRX), ensaio de liberação com UV-Vis e microtomografia computadorizada. Para a avaliação da biocompatibilidade in vitro do hidrogel incorporado com crisina, foram realizados os ensaios de MTT e Live Dead. Os resultados demonstraram que a crisina tem afinidade moderada a alta com resíduos de sítios ativos de enzimas antioxidantes, que indicam potencial para interação e modulação das suas funções proteicas. O hidrogel incorporado com crisina foi capaz de liberar a crisina com eficiência, em um perfil bifásico e biocompatível, com efeito dose-dependente não linear. Nas concentrações utilizadas nesse estudo, não foi encontrado atividade antimicrobiana. Está sendo finalizado uma etapa posterior de avaliação do efeito antioxidante in vitro do hidrogel incorporado com crisina e será acrescido ao trabalho final para publicação.
     
     
     
     
     

    ISADORA DE OLIVEIRA GOMES DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE TAQUICARDIAS DE QRS LARGO EM CÃES: UMA ANÁLISE ENTRE OS CRITÉRIOS EMPREGADOS NA MEDICINA VETERINÁRIA E MEDICINA HUMANA Data: 24/10/2025

    As taquicardias de complexo QRS largo (T-QRS-L) em cães podem corresponder tanto a taquicardia ventricular (TV) quanto a taquicardia supraventricular com aberrância (TSV-A), tornando seu diagnóstico desafiador. O presente estudo retrospectivo avaliou o desempenho de dois algoritmos eletrocardiográficos — D12V16, de origem humana, e Santilli, desenvolvido para cães — além de propor um modelo híbrido. Foram analisados 25 eletrocardiogramas de 12 derivações obtidos de cães atendidos no NUDIVE/UFPI entre 2023 e 2024, com diagnóstico definido por consenso de especialistas. O algoritmo D12V16 apresentou melhor desempenho, com acurácia de 92% e sensibilidade absoluta para TV. O algoritmo de Santilli obteve acurácia de 72%, com desempenho inferior quando aplicado em formato binário. O modelo híbrido alcançou acurácia intermediária de 84% e também sensibilidade absoluta para TV, embora com menor especificidade. Conclui-se que o algoritmo D12V16 pode ser utilizado com sucesso em cães, demonstrando aplicabilidade translacional relevante. Apesar das limitações do estudo, os resultados indicam que a adaptação de algoritmos humanos representa uma ferramenta útil para o diagnóstico diferencial das T-QRS-L em cardiologia veterinária.


    DANIELLE CLÍMACO MARQUES AVALIAÇÃO ECOCARDIOGRÁFICA DO VENTRÍCULO ESQUERDO EM CÃES DA RAÇA SHIH TZU HÍGIDOS: VALORES DE REFERÊNCIA VOLUMÉTRICOS E COMPARAÇÃO DAS RAZÕES VE/Ao Data: 03/10/2025

    Os Shih Tzu destacam-se como uma das raças de cães de pequeno porte mais populares mundialmente. No entanto, parâmetros ecocardiográficos específicos para essa raça ainda não estão bem estabelecidos na medicina veterinária. O objetivo deste estudo foi estabelecer parâmetros ecocardiográficos volumétricos e lineares de referência para o ventrículo esquerdo em cães hígidos da raça Shih Tzu. Foram avaliados 30 cães, sendo 17 fêmeas e 13 machos, com idades variando entre 0,33 e 7 anos, e peso entre 1,7 e 11,6 kg. Os animais foram contidos fisicamente e submetidos a ecocardiografia para a mensuração dos diâmetros do VE (em eixo longo e eixo curto), diâmetro da aorta, fração de ejeção (FE), volume diastólico final do ventrículo esquerdo (LVEDV), volume sistólico final do ventrículo esquerdo (LVESV) e suas indexações ao peso (LVEDV.I.P e LVESV.I.P) e área de superfície corporal (LVEDV.I.B e LVESV.I.B) em cães hígidos da raça Shih Tzu. As aquisições dos dados volumétricos foram realizadas pelo método de Simpson Biplanar. O valor médio para FE foi 63,19 ± 6,41%. O LVEDV médio foi 10,35 ± 3,25 mL, enquanto o LVEDV.I.B foi  29,23 ± 12,03 mL/m², e o LVEDV.I.P foi 1,85 ± 0,41 mL/kg. O valor médio para LVESV foi 4,1 ± 1,31 mL, enquanto o LVESV.I.B foi 11,01 ± 1,34 mL/m², e LVESV.I.P foi 0,67 ± 0,15 mL/kg. Não foram observadas diferenças significativas entre machos e fêmeas. O peso foi identificado como a principal covariável associada aos volumes do ventrículo esquerdo. Os valores obtidos são inéditos para a raça Shih Tzu. A média do diâmetro interno do ventrículo esquerdo no eixo curto foi de 2,26 ± 0,31 cm, enquanto no eixo longo foi de 2,08 ± 0,28 cm. A média da razão VE/Ao no eixo longo foi de 2,27 ± 0,29, e no eixo curto, 2,47 ± 0,34. Apesar de ser encontrado diferença estatística significativa, as análises Bland-Altman demonstram que o viés é pequeno e que a diferenças entre os métodos  de diâmetro do VE e suas indexações a aorta são pequenas em cães da raça Shih Tzu saudáveis.

     

    JOSEFRAN SANTOS DO VALE ATIVIDADE ANTIMICROBIANA, ANTIOXIDANTE E TOXICIDADE DO ÓLEO ESSENCIAL DE PSIDIUM GUAJAVA, EM ORGANISMOS NÃO-ALVOS DA AQUICULTURA. Data: 12/09/2025

    A aquicultura tem se consolidado como um importante setor para a segurança alimentar, mas enfrenta sérios desafios devido à ocorrência de doenças infecciosas, em especial as bacterianas, que comprometem a produção e a sustentabilidade do cultivo de peixes. O uso indiscriminado de antibióticos tem agravado o problema da resistência bacteriana, tornando urgente a busca por alternativas naturais e sustentáveis. Nesse contexto, os óleos essenciais surgem como compostos promissores pela sua atividade antimicrobiana, antioxidante e relativa segurança ambiental. O presente estudo teve como objetivo avaliar a toxicidade, a atividade antioxidante e o potencial antimicrobiano do óleo essencial de
    Psidium guajava, uma espécie da família Myrtaceae amplamente utilizada na medicina tradicional e com reconhecidas propriedades bioativas. Foram conduzidos ensaios de toxicidade aguda com os microcrustáceos Daphnia magna e Artemia salina, testes antioxidantes pelos métodos ABTS e DPPH, e ensaios antimicrobianos in vitro frente a cepas Gram-positivas (Streptococcus agalactiae, Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus) e Gram-negativas (Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa e Klebsiella pneumoniae). O óleo essencial foi obtido por destilação por arraste a vapor e caracterizado por
    cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas, revelando composição majoritariamente sesquiterpênica, com destaque para β-cariofileno, β-selineno e γ-selineno. Os testes de toxicidade demonstraram que o óleo apresenta efeito moderado sobre D. magna e A. salina, sendo classificado como categoria aguda 2 pelo GHS. Na atividade antioxidante, o óleo apresentou menor efeito comparado ao Trolox e ao ácido ascórbico, mas mostrou ação dose-dependente e significativa capacidade de neutralização de radicais livres. Em relação à atividade antimicrobiana, observou-se maior eficácia contra bactérias Gram-positivas, especialmente S. agalactiae, patógeno de elevada relevância para a piscicultura, enquanto não foi registrada ação significativa contra Gram-negativas, possivelmente devido à barreira estrutural da membrana externa desses microrganismos. Os resultados obtidos reforçam o potencial biotecnológico do óleo essencial de P. guajava como alternativa natural para a aquicultura, conciliando atividade antimicrobiana seletiva, efeito antioxidante moderado e toxicidade ecologicamente aceitável. Conclui-se que este óleo representa uma estratégia promissora para o manejo sanitário aquícola e recomenda-se a continuidade das pesquisas, incluindo estudos in vivo, avaliação de sinergias com outros compostos e testes frente a microrganismos resistentes.


    RANIERE MADEIROS DE CARVALHO Fauna entomológica de Triatomineos coletados em comunidades da zona rural de Dom Inocêncio - Piauí em 2022. Data: 02/09/2025

    A Doença de Chagas(DC) continua sendo um relevante problema de saúde pública nas Américas, afetando milhões de pessoas e representando um desafio médico e social. O município de Dom Inocêncio, localizado na região semiárida piauiense, é considerada uma área comprovadamente endêmica para a DC que é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida principalmente por triatomíneos (barbeiros). Este estudo tem o objetivo de identificar, quantificar e caracterizar a fauna triatomínica levando em consideração índices entomológicos além da verificação parasitológica das fezes dos insetos para o T. cruzi. O estudo foi conduzido julho de 2022 em 11 localidades rurais de Dom Inocêncio – PI. Foram investigadas 40 Unidades Domiciliares (UDs) por meio de busca ativa, considerando critérios epidemiológicos e com consentimento dos moradores. A coleta dos triatomíneos foi feita em ecótopos intra e peridomiciliares, totalizando 728 indivíduos coletados. O exame parasitológico a fresco foi realizado em ninfas N4, N5 e adultos, por meio da compressão abdominal para extração de fezes, que eram analisadas ao microscópio. A identificação taxonômica foi realizada apenas em adultos, utilizando a chave dicotômica de Dale et al. (2013) e o aplicativo VetorDex (2021) como apoio. Foram identificadas cinco espécies: Triatoma brasiliensis (190), T. b. macromelasoma (121), T. pseudomaculata (158), T. juazeirensis (69) e Panstrongylus lutzi (10). A espécie mais distribuída foi T. brasiliensis, presente em 92,3% das localidades. O estudo identificou alta taxa de infestação (85,10%), índice de colonização em 60% das unidades domiciliares e potencial reprodutivo com 24,8% de ninfas, revelando focos ativos em comunidades como Pedra Branca e Inácio Pinto. A densidade média de triatomíneos (18,2 insetos/casa) foi superior a estudos anteriores, com variações significativas entre localidades. A taxa de infecção natural foi de 2,36%, superior à média estadual, com destaque para a localidade de Cágados, onde T. brasiliensis e T. juazeirensis testaram positivo para tripanossomatídeos, evidenciando associação estatisticamente significativa entre infecção e localidade. O estudo sobre a fauna triatomínica em Dom Inocêncio – PI destaca a relevância da vigilância entomológica contínua em áreas endêmicas para a dC, especialmente diante da presença de espécies com potencial de colonização domiciliar. Além disso, o enfrentamento da doença exige o engajamento comunitário por meio de educação em saúde, promovendo o reconhecimento dos vetores, compreensão dos modos de transmissão e práticas preventivas. 


    CAMILE BENÍCIO CAMPÊLO CARACTERIZAÇÃO, BIOCOMPATIBILIDADE E ATIVIDADE ANTIMICROBIANA DE HIDROGEL DE MANDIOCA INCORPORADO COM TIMOL PARA REGENERAÇÃO TECIDUAL Data: 30/07/2025

    O desenvolvimento de biomateriais funcionais para tratamento de feridas tem recebido atenção significativa tanto na medicina humana quanto veterinária. O presente estudo tem como objetivo desenvolver e caracterizar um hidrogel à base de goma de mandioca incorporado com timol, avaliando suas propriedades físico-químicas, perfil de biodegradação, compatibilidade biológica e atividade antimicrobiana. A toxicidade aguda do timol foi avaliada utilizando larvas de *Zophobas morio*, resultando em uma DL₅₀ de 2990,87 mg/kg, sem mortalidade observada em concentrações inferiores a 300 mg/kg. As concentrações inibitórias mínimas (CIMs) contra cepas bacterianas de referência variaram de 128 a 512 µg/mL, confirmando a eficácia antimicrobiana do timol, especialmente contra *Streptococcus pyogenes*. Hidrogéis contendo timol nas concentrações de 512, 1024 e 2048 mg/mL foram preparados por absorção pós-síntese, garantindo estabilidade e distribuição uniforme do composto. A caracterização físico-química por espectroscopia FTIR e Raman confirmou a incorporação bem-sucedida do timol e indicou modificações estruturais dependentes da dose. A espectrofotometria UV-Vis revelou um perfil de liberação bifásico, com pico de liberação do timol em 24 horas e liberação residual sustentada até 72 horas. Testes de intumescimento indicaram que a incorporação do timol não comprometeu a capacidade de hidratação, enquanto hidrogéis carregados com clorexidina apresentaram redução no intumescimento. Ensaios antimicrobianos demonstraram atividade significativa dos hidrogéis com timol contra *Staphylococcus aureus*, *Pseudomonas aeruginosa* e *Candida albicans*, sendo que a maior concentração (CGHT3) alcançou inibição fúngica total. A biocompatibilidade foi avaliada utilizando o ensaio da membrana corioalantóide (CAM) de embriões de galinha, revelando hiperemia dose-dependente, mas sem danos vasculares severos ou interrupção da angiogênese. Esses achados destacam o potencial do hidrogel de goma de mandioca contendo timol como um candidato seguro e eficaz para terapia tópica de feridas, oferecendo proteção antimicrobiana com irritabilidade controlada e desempenho físico-químico favorável.


    WANDERSON GABRIEL GOMES DE MELO Integração de métodos computacionais e biológicos para avaliação de hidrogel de goma de mandioca funcionalizado com crisina na regeneração óssea Data: 03/07/2025

    A busca por biomateriais que otimizem a reparação óssea é uma demanda crescente na medicina moderna, exigindo materiais que mimetizem a matriz extracelular, promovam neoformação óssea e modulem a resposta inflamatória. Hidrogéis baseados em polissacarídeos naturais, como o de goma de mandioca (HGM), emergem como plataformas promissoras devido às propriedades de biocompatibilidade, biodegradabilidade, modulabilidade estrutural in vitro e disponibilidade na flora regional. A crisina, um flavonoide natural encontrado em plantas, mel e própolis, possui propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e osteoprotetoras in vitro possivelmente relevantes para o reparo ósseo. Contudo, estudos com a interação entre HGM e crisina na reparação óssea ainda são escassos. Diante disso, este estudo teve como objetivo investigar a interação entre a molécula de crisina e o HGM, bem como a funcionalização de suas propriedades físicos-químicas para as características fisiopatológicas de interesse à reparação óssea, num modelo in silico, como etapa preditora para um futuro estudo in vitro. Para tal, utilizou-se uma abordagem multifacetada, combinando validações experimentais preliminares in vitro e predições computacionais in silico. Os ensaios in vitro confirmaram a biocompatibilidade do HGM puro, demonstrando ser não-hemolítico (<5% de hemólise), não citotóxico para células sinalizadoras medicinais (MSCs), e induzir uma resposta inflamatória inicial moderada em macrófagos, compatível com as descrições prévias de reparação óssea. Complementarmente, as investigações in silico predisseram o potencial bioativo da crisina e a viabilidade da funcionalização HGM-Cr, identificando alvos chave em vias osteoimunológicas (PPARG, GSK-3Β, ESR1, PTGS2, PARP1), interações favoráveis com proteínas relevantes por docking molecular, um perfil ADMET predito compatível com aplicação local, e a viabilidade termodinâmica da formação do complexo HGM-crisina por DFT. Embora a validação experimental direta in vitro da formulação funcionalizada (HGM-Cr) seja uma limitação do estudo, a combinação da biocompatibilidade experimental comprovada da matriz HGM com as fortes predições in silico sobre a crisina e sua interação justificam racionalmente a proposta da formulação HGM-Cr como um biomaterial funcional biointerativo para estudos in vitro de osteocondução e osteointegração. Além disso, etapas in silico podem contribuir para a prospecção de baixo custo de biomateriais funcionalizados, com perspectiva de uso na medicina regenerativa.


    IZA HOZANA DE MARIA DA SILVA GOMES IDENTIFICAÇÃO DAS FONTES ALIMENTARES E INFECÇÃO NATURAL POR Trypanosoma cruzi EM TRIATOMÍNEOS CAPTURADOS NO MUNICÍPIO DE DOM INOCÊNCIO, PIAUÍ Data: 14/05/2025

    A Doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, é uma enfermidade tropical negligenciada com significativa relevância epidemiológica na América Latina. O Piauí, especialmente a região sudeste, apresenta alta prevalência da infecção, associada à presença de triatomíneos vetores. Os ciclos de transmissão envolvem ambientes silvestres, peridomésticos e domiciliares, com participação de diversos reservatórios mamíferos, como cães, gatos e gambás. A ação antrópica, por meio do desmatamento e urbanização, favorece a aproximação dos vetores às habitações humanas, ampliando o risco de transmissão. O presente estudo teve como objetivo identificar os hospedeiros que atuam como fontes alimentares dos triatomíneos coletados no município de Dom Inocêncio – Piauí. Usando primers específicos para vetebrados e DNA extraído de 64 amostras de conteúdo intestinal de cinco espécies de triatomíneos (Triatoma brasiliensis, Triatoma macromelasoma, Triatoma juazeirensis, Triatoma pseudomaculata e Panstrongylus lutzi) coletados no período de 24 a 27 de julho de 2022, amplificamos o fragmento do gene mitocondrial cytb. Após o sequenciamento, foram identificadas as fontes alimentares oriundas do repasto sanguíneo em 62 amostras com alcance de ≥ 95% de identidade com as sequências do GenBank (NCBI- BLAST). Os resultados mostraram que os cães e as galinhas foram as principais fontes de alimento para os triatomíneos, no entanto, devido à refratariedade das galinhas à infecção, os cães emergem como potenciais reservatórios do T. cruzi. Ao investigar as fontes alimentares, identificamos ecótopos artificiais que favorecem a formação de densas infestações de triatomíneos, que favorecem o aumento das taxas de infecção natural pelo parasito. Esses ecótopos podem ser utilizados para identificar áreas com risco contínuo de transmissão da doença de Chagas, além disso, o conhecimento dessas relações ecológicas e parasitológicas é fundamental para o monitoramento e controle da doença em áreas endêmicas


    IANETE LIMA BATISTA Leishmaniose em gatos (Felis catus domesticus) em dois municípios da região meio norte do Brasil: Aspectos epidemiológicos, clínicos e patológicos. Data: 31/03/2025

    A leishmaniose felina (LFe) é uma doença parasitária emergente causada por protozoários do gênero Leishmania spp., de distribuição global, transmitidos a vertebrados por meio do repasto sanguíneo de fêmeas de flebotomíneos, com destaque para Lutzomyia longipalpis como principal vetor. No Brasil, os felinos têm sido identificados como potenciais reservatórios da leishmaniose, conforme evidenciado por estudos de xenodiagnóstico. O objetivo deste estudo foi avaliar a epidemiologia clínica e os aspectos histopatológicos da leishmaniose em felinos domésticos (Felis catus domesticus) nos municípios de Teresina, Piauí, e Timon, Maranhão. Foram analisados 327 felinos, submetidos à anamnese para identificação de sinais clínicos, coleta de sangue para exames sorológicos, aspirado de linfonodo poplíteo, medula óssea e biópsia de lesões cutâneas para confirmação da infecção por Leishmania spp. Os resultados demonstraram que os felinos em Teresina apresentaram infecção por Leishmania spp., com prevalência de 3,65%, soroprevalência de 14,63% no teste ELISA e 6,09% no teste TR DPP®. Em Timon, a prevalência foi de 1,22%, com soroprevalência de 9,81% no teste ELISA e 4,90% no TR DPP®. Felinos infectados foram identificados em todas as zonas demográficas das cidades. As principais alterações clínicas observadas incluíram lesões cutâneas, aumento de linfonodos poplíteos, alopecia, emagrecimento, anemia, lesões ulcerativas e nódulos cutâneos. Os achados histopatológicos na derme dos felinos infectados, em ordem crescente de frequência, foram: acantose, espongiose, exocitose e paraqueratose. Conclui-se que os felinos estudados apresentaram sinais clínicos evidentes da infecção, o que indica que a leishmaniose pode causar manifestações clínicas significativas nesses animais. A histopatologia da pele também confirmou a presença de alterações compatíveis com a infecção por Leishmania spp., reforçando que os felinos podem ser afetados de forma relevante pela doença.

     

    MICHAEL ANDERSON TENEU COSTA Fauna parasitária de morcegos (Mammalia: Chiroptera) capturados em alguns municípios do Piauí e Timon-Maranhão Data: 31/03/2025

    A ordem Chiroptera constitui o segundo maior grupo dentre os mamíferos, a maior diversidade desses animais ocorre na região Neotropical e o Brasil possui uma das mais amplas quiropterofaunas. São oficialmente registradas 186 espécies, distribuídas em nove famílias e 68 gêneros, e essa pluralidade também se reflete nas associações entre morcegos e parasitos, onde muitas espécies de helmintos apresentam registros no Brasil, dentre os quais nematoides, platelmintos e acantocéfalos. Essa pesquisa teve como objetivo conhecer a quiropterofauna, bem como sua diversidade parasitária em alguns
    municípios do estado do Piauí e Maranhão. As coletas foram realizadas de agosto de 2023 a agosto de 2024, nos municípios de Altos, Milton Brandão, Palmeirais, Pedro II, União e Teresina no estado do Piauí e na zona rural de Timon, no estado do Maranhão. Os morcegos foram capturados usando redes de neblina, colocadas durante o horário crepuscular e noturno de 18 a 00 horas. Foram capturados um total de 102 morcegos, pertencentes a quatro famílias (Phyllostomidae, Molossidae, Emballonuridae e Mormoopidae) e 18 espécies. Destes, 19,6% (20/102) encontravam-se positivos para helmintos. O hospedeiro com maiores taxas de infecção e diversidade parasitária foi a espécie Carollia perspicillata, que apesar de serem frugívoros, podem consumir ocasionalmente insetos na complementação de sua dieta. O parasitismo nas fêmeas foi maior do que nos machos - 70% (14/20) e 100% dos hospedeiros parasitados eram adultos. Foram coletados um total de 50 espécimes de parasitos: Nematoides - 6
    Histiostrongylus coronatus (Molineidae) e 4 Tricholeiperia sp. (Molineidae). Trematódeos - 11 Urotrema sp. (Urotrematidae); 17 Prosthodendrium conturbatum (Lecithodendriidae) e 12 Anenterotrema liliputianum (Anenterotrematidae). O parasito mais prevalente foi P. conturbatum, com 17 espécimes nos hospedeiros capturados em Timon-MA. A infecção por mais de uma espécie de parasito foi verificada em oito hospedeiros. Este estudo contribui para a ampliação e distribuição geográfica desses
    endoparasitos em morcegos no Nordeste brasileiro.


    KELVIN RAMON DA SILVA LEITÃO PADRONIZAÇÃO DOS VALORES DE STRAIN ATRIAL NAS FASES DE BOMBA, RESERVATORIO E CONDUITE EM CÃES DA RAÇA SHIH TZU Data: 20/03/2025

    O átrio esquerdo (AE) desempenha um papel essencial na hemodinâmica cardíaca, sendo responsável pelo adequado enchimento do ventrículo esquerdo por meio de três mecanismos interligados: reservatório atrial, conduto e função contrátil. A avaliação de seu volume tem se mostrado um marcador prognóstico valioso na medicina humana em diversas condições clínicas, como insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio e fibrilação atrial. Os índices de volume do AE são amplamente reconhecidos como um indicador importante para a previsão do prognóstico e a evolução de doenças cardiovasculares. As funções do AE estão diretamente relacionadas com a avaliação da função diastólica, podendo ser utilizado como marcador precoce para casos de insuficiência cardíaca. Com o avanço na avaliação da função do AE, ele tem o potencial de se tornar um componente crucial na investigação de diversas doenças, incluindo arritmias atriais, insuficiência cardíaca e doenças da válvula mitral. Com isso, esse estudo tem por objetivo fornecer valores de referência de strain do AE, nas suas diferentes fases para cães hígidos da raça shih tzu. Esse estudo conta com 26 cães da raça shih tzu, sem alterações cardiológicas, com idade entre 1 a 7 anos e peso médio de 5,73 ± 1,9 kg. Após a escolha da amostra, foi realizado ecocardiograma completo e para a aquisição do strain atrial foi captura vídeos no corte apical 2,3 e 4 câmaras. Com auxílio do software EchoPac, foram selecionados os pontos de rastreamento para realização do strain atrial, assim foram obtidos os valores de a média de 39,42 ± 10,58; 24,42 ± 9,67 e 14,96 ± 7,28 para os períodos de reservatório, conduíte e bomba respectivamente.  Esses valores são dados importantes que podem servir como valores de referência para a avaliação da função atrial. A média e o desvio padrão obtidos para cada fase da função do AE oferecem uma base sólida para o entendimento das variações normais do strain, essenciais para a interpretação de patologias que afetam a hemodinâmica cardíaca. Além disso, esses dados poderão ser utilizados para monitoramento de tratamentos e acompanhamento de cães com doenças cardiovasculares, oferecendo uma ferramenta diagnóstica mais precisa. Em conclusão, os valores de strain do AE obtidos para cães saudáveis fornecem uma base importante para a avaliação da função atrial. Estes dados podem ser utilizados como referência para o diagnóstico e monitoramento de diversas doenças cardíacas, além de contribuir para futuras investigações sobre as patologias cardíacas em cães. A adoção desses valores de referência poderá aprimorar a precisão diagnóstica e facilitar o manejo de condições cardiovasculares na medicina veterinária.


    VICTÓRIA HANNAH ARAÚJO DE ALMEIDA PASSOS USO DE FORMULAÇÃO TÓPICA NANOESTRUTURADA DE OSELTAMIVIR NO TRATAMENTO DA LEISHMANIOSE TEGUMENTAR EM CAMUNDONGOS BALB/c INFECTADOS COM Leishmania major Data: 14/03/2025

    : A leishmaniose é uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Leishmania, estando entre as cinco doenças negligenciadas mais importantes. Estudos recentes indicam que a gravidade da leishmaniose em diferentes espécies pode ser influenciada pela presença do Leishmania RNA Virus (LRV 1 e LRV 2). Ambos os vírus de RNA aumentam a replicação do parasita, sua patologia e a gravidade das lesões. Os medicamentos utilizados no tratamento da leishmaniose são limitados, onerosos, de administração parenteral, tratamento longo, com relatos de resistência parasitária. A pesquisa e desenvolvimento de medicamentos pode levar décadas, nesse contexto, o reposicionamento de fármacos se apresenta como opção para reduzir tempo e custos financeiros, pois consiste em abordar uma nova atividade farmacológica para uma substância já utilizada. O objetivo do estudo foi investigar o potencial terapêutico in vivo do antiviral Oseltamivir (OSV) em microemulsão de uso tópico para o tratamento da leishmaniose cutânea em camundongos BALB/c infectados com Leishmania major, tanto como monoterapia quanto em combinação com a Anfotericina B convencional. As formulações foram preparadas e testadas quanto às características estruturais e organolépticas, além da cinética de liberação. Os camundongos BALB/c (CEUA/UFPI 750/2022) foram infectados na região da base da cauda com 1 x 106 promastigotas metacíclicas de L. major. Após 40 dias, os animais foram divididos em cinco grupos (n = 8): controle (tratado com microemulsão vazia), OSV 0,5%, OSV 1%, e OSV 1% + Anf B 1,5%. Os animais foram tratados duas vezes ao dia, por 21 dias, com 50 µl da formulação, e foram avaliados clinicamente quanto ao peso e ao tamanho das lesões. A eutanásia para coleta de material biológico e ensaios ex vivo foi realizada ao final do tratamento. A carga parasitária foi avaliada utilizando a técnica de diluição limitante, e após 5 dias de cultura, foi observada a presença ou ausência das formas promastigotas. O sangue coletado foi utilizado para ensaios de hematócrito e bioquímicos. Os tamanhos médios das lesões dos grupos ao final do tratamento foram 6,85 mm, 4,52 mm, 4,40 mm, 5,05 mm e 4,82 mm para os grupos Controle, Anf B 3%, OSV 0,5%, OSV 1% e OSV 1% + Anf B 1,5%, respectivamente. Quanto à carga parasitária nos camundongos, observou-se uma redução significativa nos parasitas recuperados do local da lesão, especialmente nos grupos Anf B 3%, OSV 0,5%, OSV 1% e OSV 1% + Anf B 1,5%, quando analisados em escala logarítmica, com respectivos percentuais de 70%, 76,5%, 72,5% e 70%. O grupo tratado com Anf B 3% exibiu toxicidade, conforme indicado pelo aumento nos níveis das enzimas bioquímicas correspondentes às funções renal e hepática, ao contrário dos grupos tratados com Oseltamivir, tanto como monoterapia quanto em combinação com Anfotericina B, que apresentaram níveis normais de enzimas séricas. Todos os grupos de tratamento mostraram redução no hematócrito, no entanto, os grupos tratados com Oseltamivir demonstraram uma diminuição menos pronunciada. Todos os grupos mantiveram o peso corporal total dentro dos intervalos normais. Os grupos tratados com Oseltamivir, tanto como monoterapia quanto em combinação com Anfotericina B, mostraram resultados terapêuticos semelhantes ao grupo tratado com Anfotericina B convencional. Em contraste com a Anfotericina B, esses grupos não apresentaram qualquer toxicidade. Portanto, o uso de Oseltamivir, tanto como monoterapia quanto em combinação com anfotericina B, é promissor para o tratamento da Leishmaniose Tegumentar. Palavras-chave: Leishmaniose; antiviral; reposicionamento de fármaco, microemulsão.


    RAFAEL BARBOSA DA SILVA INVESTIGAÇÃO DA CIRCULAÇÃO DE HERPESVÍRUS EM AVES DE VIDA LIVRE NO ESTADO DO PIAUÍ, NORDESTE DO BRASIL Data: 12/02/2025

    Os herpesvírus (família Orthoherpesviridae) são vírus altamente adaptados, capazes de causar infecções latentes, podendo ser sintomáticas ou assintomáticas. Infecções pela subfamília Alphaherpesvirinae foram identificadas em mais de 100 diferentes espécies de aves. O Brasil é o país com a terceira maior biodiversidade de aves no mundo, com cerca de 1.971 espécies de aves em todo território, das quais 293 são endêmicas. Na região nordeste do Brasil, até o presente momento, são escassas as informações sobre a ocorrência deste patógeno em aves de vida livre. Neste contexto, o presente trabalho investigou a presença de herpesvírus em aves silvestres de vida livre no estado do Piauí, no nordeste brasileiro nos municípios de: Água Branca, Amarante, Lagoa Alegre, Parnaíba, Piripiri e Teresina. Foram capturadas 228 aves de vida livre, pertencentes a 79 espécies distintas utilizando redes de neblina. Para a coleta do material biológico foram utilizados swabs estéreis, inseridos na cavidade orotraqueal dos animais, e o material foi armazenado em nitrogênio líquido. Foram realizadas provas moleculares através de nested PCR, seguido de sequenciamento nucleotídico das amostras positivas no PCR. Do total de aves capturadas, a ave migratória Charadrius Wilsonia (Batuíra-bicuda), apresentou banda específica para herpesvírus e, após sequenciamento foi possível identificar um genoma ainda não documentado em literatura. A sequência de herpesvírus identificada na amostra de swab orotraqueal da Batuíra-bicuda apresentou a maior identidade nucleotídica (68%) com uma sequência de alphaherpesvírus encontrada em uma Lontra-neotropical (Lontra longicaudis, OQ980217) do Brasil, seguida por 66,7% de identidade nucleotídica com o alphaherpesvírus encontrado em uma Gaivota-prateada (Larus argentatus, MW533138) da Eslovênia. Em relação à identidade da sequência de aminoácidos deduzida, a maior similaridade (69,5%) foi com as sequências de herpesvírus descritas em um Pombo-torcaz (Columba palumbus, MW656272) e em uma Gaivota-argêntea (Larus argentatus MW533138), ambos da Eslovênia. A alta divergência observada quando comparado com as sequências de herpesvírus mais próximas para um gene bem preservado, como é o caso da DNA polimerase, e a identificação em um novo hospedeiro sugerem que o herpesvírus identificado neste estudo pode representar uma nova espécie, e foi denominado Charadrius herpesvirus 1. Sob o nosso melhor conhecimento, este é o primeiro herpesvírus identificado na família de aves Charadriidae. O presente estudo enfatiza a importância das aves migratórias como sentinelas de circulação de herpesvírus.


    PASTORA PEREIRA LIMA NETA Avaliação da atividade antileishmania in vitro do Oseltamivir e Aciclovir e seus efeitos em larvas de Tenebrio molitor infectadas com Leishmania amazonensis Data: 31/01/2025

    As leishmanioses são doenças causadas por protozoários do gênero Leishmania. O tratamento disponível atualmente, apresenta alta toxicidade, elevado custo, resistência do parasito, além de dificuldades de adesão dos pacientes devido serem de administração parenteral e de longa duração. Devido a isso, a procura por novos fármacos e/ou alternativas terapêuticas é de extrema importância neste sentido o reposicionamento de fármacos torna-se promissor por possuir vantagens devido já terem passado por diversos estudos de segurança e eficácia. O objetivo deste estudo foi avaliar as atividades antileishmania, citotóxica, imunomoduladora dos fármacos Oseltamivir (OSV) e Aciclovir (ACV). Para tanto, foram realizados protocolos de atividade antileishmania sobre formas promastigotas de Leishmania (L.) amazonensis, Leishmania (V.) brasiliensis, Leishmania (L.) infantum e Leishmania (L.) major, citotoxicidade sobre macrófagos murinos e eritrócitos de carneiro, bem como avaliação da atividade contra formas amastigotas internalizadas em macrófagos. Foram realizados ensaios de ativação de macrófagos como atividade lisossomal, capacidade fagocítica e avaliação da indução na produção de óxido nítrico em macrófagos, bem como avaliação da toxicidade aguda com os protocolocos de melanização, mieloroxidade e nitrito, diferencial hemocitário, alterações celulares, plasmatócitos infectados e carga parasitária sobre as larvas de Tenebrio molitor. As substâncias demonstraram potencial antileishmania; os valores de concentração inibitória média (CI50) do OSV contra as diferentes espécies: L. amazonensis, L. braziliensis, L. infantum e L. major foram: 252,321; 268,161; 29,207 e 143,859 μg/mL respectivamente e do ACV foram: 25,726; 45,552; 580,741 e 608,981μg/mL, respectivamente. As concentrações citotóxicas médias (CC50) do OSV e ACV foram 512,17 e 2568,75 μg/mL, respectivamente. OSV e ACV reduziram significativamente o percentual de macrófagos infectados, com índice de seletividade (IS) >20. OSV e o ACV ,causaram aumento da capacidade fagocítica, contudo não exibiram aumento da atividade lisossomal e nem da indução significativa da síntese de óxido nítrico. Quanto à toxicidade aguda, as taxas de sobrevivência das larvas de T. molitor foram de 71,43% para o Oseltamivir e 92,86% para o Aciclovir. As taxas de melanização, mieloperoxidade e nitrito apresentaram baixos valores para OSV e ACV. Para o diferencial hemocitário e as alterações celulares a predominância foi granulócitos e plasmatócitos além de aumento com as substâncias, os plasmatócitos ativados apresentaram maiores valores e a carga parasitária diminuiu na presença de OSV e ACV, sendo 5% para o Oseltamivir e 15% para o Aciclovir comparados com a Anfotericina B que foi 16,6%. Os resultados deste estudo são promissores e servem como ponto de partida para a realização de pesquisas posteriores que visem novos fármacos para a terapêutica das leishmanioses.

     

    BIANCA DE CARVALHO SOUSA OCORRÊNCIA E DIVERSIDADE DE Candida spp. ISOLADAS DE CATETOS (Pecari tajacu Linnaeus, 1758) MANTIDOS ex situ Data: 31/01/2025

    Leveduras do gênero Candida são amplamente conhecidas por sua capacidade de colonizar diferentes hospedeiros e causar infecções oportunistas, especialmente em condições de desequilíbrio microbiológico. Apesar de sua importância clínica, estudos sobre a ocorrência e diversidade dessas leveduras em animais silvestres ainda são escassos, limitando o entendimento de seu potencial zoonótico e ecológico. No Brasil, a caça de animais silvestres é proibida por lei, mas a criação comercial para fins alimentares é regulamentada e permitida pela legislação. O cateto (Pecari tajacu) destaca-se como uma das espécies utilizadas em criadouros comerciais devido à alta aceitação de sua carne na culinária moderna, bem como suas características zootécnicas, tornando-se uma espécie ideal para sistemas de produção sustentável. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo identificar
    espécies de Candida isoladas de catetos, contribuindo para o conhecimento da microbiota comensal desses animais. Foi realizada uma revisão sistemática para determinar a frequência e a diversidade de Candida spp. em amostras de microbiota e processos infecciosos provenientes de mamíferos silvestres. C. albicans, C. parapsilosis, C. tropicalis e C. krusei foram as principais cepas identificadas nas 40 espécies diferentes de mamíferos silvestres reportadas nos artigos selecionados na revisão sistemática, que incluiu 33 publicações. Para a pesquisa sobre a microbiota dos catetos, foram coletados swabs orais, anais e vaginais de 33 indivíduos mantidos no Núcleo de Estudos, Pesquisas e Preservação de Animais Silvestres (NEPPAS/UFPI). No total, 204 colônias foram isoladas utilizando Ágar Candida Cromogênico e 123 cepas foram submetidas a técnicas avançadas de identificação, incluindo MALDI-TOF, PCR e sequenciamento Sanger das regiões ITS1 e ITS4. Entre as espécies identificadas nos diferentes sítios destacaram-se C. tropicalis, C. glabrata, C. krusei e C. parapsilosis. Esses achados destacam a importância de métodos moleculares para a identificação precisa de microrganismos, além de contribuir para estudos da microbiota comensal dos catetos e seu potencial papel na saúde animal, humana e em sistemas de
    produção sustentável.