30 de Outubro de 2026 às 11:17
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.A pulpotomia busca amputar a polpa coronária inflamada para preservar a vitalidade do tecido radicular, mediada pela aplicação de agentes terapêuticos. Contudo, os materiais tradicionais apresentam limitações como toxicidade, descoloração dentinária, falhas na manutenção da vitalidade e alto custo. Para avaliar a manutenção da vitalidade e a indução da cicatrização pulpar, o efeito da manteiga das sementes de Platonia insignis Mart. (MB) foi testado pura ou associada a outros agentes in vivo (34 ratos Wistar, primeiros molares superiores) divididos em: G1 (TheraCal PT®), G2 (TheraCal PT® + MB), G3 (Óxido de Zinco e Eugenol - OZE) e G4 (Óxido de Zinco + MB). Aos 30 dias, a avaliação radiográfica indicou maiores taxas de sucesso nos grupos com MB: G2 (91,7%) e G4 (87,5%), seguidos por G1 (79,2%) e G3 (66,7%). Histologicamente, às 48 horas, G1, G2 e G4 apresentaram infiltrado inflamatório leve em 75% das amostras, enquanto G3 teve inflamação moderada em 62,5%. Aos 30 dias, G1, G2 e G4 mantiveram inflamação leve em 50% dos casos, com G2 e G4 registrando as menores médias de inflamação tecidual (postos médios de 10,38 e 12,75). Na organização tecidual, G1, G2 e G4 foram equivalentes. Quanto à ponte de dentina, G1 e G2 promoveram mineralização em 62,5% das amostras e G4 em 37,5%, enquanto G3 foi incapaz de induzi-la em 100% dos casos. No estudo in silico de atracamento molecular (molecular docking), avaliou-se a afinidade dos compostos da MB com citocinas inflamatórias (IL-1β, IL-6 e TNF-α). Para a IL-1β, o T9C apresentou a menor energia livre de ligação (Δ𝐺 de -10,98 kcal/mol). Na IL-6, a 𝛾- mangostina demonstrou alta afinidade (Δ𝐺 de -7,128 kcal/mol), superando os ligantes de referência. Para o TNF-α, os compostos 𝛼-mangostina, 𝛾-mangostina e garcinielliptona FC exibiram energias de ligação favoráveis (Δ𝐺 entre -8,40 e -8,53 kcal/mol), superiores à dexametasona controle. Na avaliação integrada, a incorporação da MB ao TheraCal PT® (G2) demonstrou o perfil biológico mais favorável, reunindo menores índices inflamatórios, superioridade na organização tecidual e elevada neoformação de ponte de dentina. O cimento OZE exibiu o pior desempenho geral, associado a inflamação persistente, necrose, lesões periapicais e incapacidade cicatricial. A substituição do eugenol pela MB (G4) modulou a resposta tecidual ao reduzir a inflamação na interface e as lesões periapicais, embora a formação de ponte dentinária tenha permanecido histologicamente limitada. A associação dos achados in vivo e in silico sustenta que a MB atua por imunomodulação seletiva e regenerativa. O composto T9C atenua a fase aguda da inflamação ao inibir a IL-1β, reduzindo o recrutamento leucocitário. Simultaneamente, a alta afinidade da 𝛼-mangostina e da garcinielliptona FC pela IL-6 alivia o estresse metabólico sobre fibroblastos e odontoblastos, bloqueando a transição para a cronicidade e preservando a arquitetura tecidual. Por fim, o menor acoplamento ao TNF-α preserva a sinalização basal indispensável e contribui para a diferenciação de células mesenquimais em odontoblastos para promover a cicatrização pulpar.