26 de Outubro de 2026 às 16:46
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.Esta dissertação investiga as narrativas historicamente construídas sobre o autismo a partir da
filosofia neopragmatista de Richard Rorty, com ênfase nos conceitos de linguagem,
contingência, redescrição e solidariedade. Parte-se da compreensão de que, embora as
experiências atualmente associadas ao espectro autista não tenham surgido com a criação de
uma categoria diagnóstica, os vocabulários utilizados para nomeá-las e interpretá-las sofreram
importantes transformações históricas. A pesquisa, de natureza bibliográfica e abordagem
filosófica, analisa essas mudanças e suas consequências para o reconhecimento e a participação
social das pessoas autistas. Inicialmente, reconstrói-se o desenvolvimento histórico do conceito
de autismo e examinam-se diferentes perspectivas produzidas pela medicina, psicologia e
ciências sociais. Em seguida, apresentam-se os fundamentos do neopragmatismo rortyano e sua
crítica às descrições essencialistas e definitivas da realidade. Por fim, esses conceitos são
aproximados das discussões contemporâneas sobre neurodiversidade, diferença, participação e
produção de conhecimento por pessoas autistas. Sustenta-se que redescrever o autismo não
significa negar sua realidade enquanto condição do neurodesenvolvimento nem rejeitar o
conhecimento científico, mas reconhecer os limites de qualquer vocabulário que pretenda
esgotar a complexidade da experiência autista. Conclui-se que a filosofia de Rorty oferece
instrumentos para compreender a transformação dos vocabulários como um processo também
ético, capaz de ampliar o reconhecimento, reduzir formas de humilhação e favorecer formas
mais plurais de convivência e pertencimento.