23 de Outubro de 2026 às 15:38
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.A fístula arteriovenosa (FAV) constitui um importante acesso vascular para pacientes com doença renal crônica em tratamento hemodialítico, cuja preservação depende de cuidados contínuos e da participação ativa do paciente. Nesse contexto, os chatbots podem complementar as ações educativas em saúde, ampliar o acesso às orientações e apoiar o autocuidado. O objetivo deste estudo foi desenvolver um chatbot educativo para apoiar o autocuidado com a FAV em pacientes adultos em hemodiálise. Trata-se de uma pesquisa de desenvolvimento tecnológico aplicada à saúde, estruturada conforme o modelo de Design Instrucional ADDIE, que compreende as fases de análise, design, desenvolvimento, implementação e avaliação. Na fase de análise, realizou-se benchmarking de quatro chatbots relacionados à saúde renal, com aplicação da técnica SCAMPER para definição de requisitos preliminares. Paralelamente, iniciou-se a caracterização dos pacientes e a avaliação do letramento digital em saúde em uma clínica nefrológica vinculada a um hospital público de Teresina, Piauí, utilizando questionário de caracterização e escala eHEALS-Br, com análise estatística descritiva. As etapas subsequentes compreenderão a organização dos conteúdos educativos, a construção do protótipo, a validação por especialistas e a avaliação da usabilidade com o público-alvo. O benchmarking identificou diferenças entre as tecnologias quanto ao conteúdo, à arquitetura conversacional, às funcionalidades, à usabilidade e à segurança, subsidiando requisitos relacionados à linguagem acessível, à organização temática, à interação e à confiabilidade das orientações. Até o momento, participaram da coleta 30 pacientes, dos quais 19 (63,3%) utilizavam FAV. A maioria possuía smartphone e acesso à internet (86,7%), utilizava a internet diariamente (76,7%) e buscava informações sobre saúde em ambientes digitais (66,7%). Entretanto, apenas 26,7% relataram experiência prévia com chatbots ou ferramentas de inteligência artificial. O escore médio da eHEALS-Br foi de 24,0 pontos (DP = 13,3), sendo 40,0% dos participantes classificados com alto letramento digital em saúde e 36,7% com baixo letramento. Embora 93,3% tenham recebido orientações profissionais sobre o acesso vascular, apenas 43,3% relataram acesso a materiais educativos específicos. Os resultados parciais demonstram que a disponibilidade de dispositivos e o uso frequente da internet não garantem níveis elevados de letramento digital em saúde. A heterogeneidade das habilidades percebidas e a limitada familiaridade com tecnologias conversacionais reforçam a necessidade de desenvolver uma ferramenta com linguagem clara, navegação intuitiva e conteúdos confiáveis. A articulação entre os requisitos identificados no benchmarking e as características do público-alvo orientará as próximas etapas do desenvolvimento, visando à construção de um chatbot acessível e adequado às necessidades de autocuidado com a FAV.