• UFPI

  • COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE - EM REDE

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Banca de QUALIFICAÇÃO: JOSÉ AUGUSTO ARAGÃO SILVA

1 de Outubro de 2026 às 16:03

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: JOSÉ AUGUSTO ARAGÃO SILVA
DATA: 30/10/2026
HORA: 14:00
LOCAL: DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA, SALA A DEFINIR. Google Meet (banca híbrida)
TÍTULO: CAÇA E USOS DA FAUNA SILVESTRE NO SUL DO PIAUÍ: PADRÕES DE EXPLORAÇÃO, PERCEPÇÕES INSTITUCIONAIS E IMPLICAÇÕES PARA A CONSERVAÇÃO
PALAVRAS-CHAVES: Atividade cinegética; Vertebrados Silvestres; Gradiente Socioambiental; Áreas Protegidas; Conservação da Biodiversidade
PÁGINAS: 272
GRANDE ÁREA: Outra(s)
ÁREA: Multidisciplinar
RESUMO:

A caça é uma das práticas mais difundidas de exploração da fauna silvestre, desempenhando importantes funções para comunidades ao redor do mundo, em especial nas regiões tropicais e neotropicais. Esta pesquisa teve como objetivo geral compreender os padrões de caça e usos da fauna silvestre, identificando suas variações e os fatores associados à exploração em diferentes contextos socioambientais e áreas protegidas, com ênfase no Sul do Piauí, Nordeste do Brasil. A pesquisa está estruturada em cinco capítulos. O primeiro capítulo apresentou uma revisão sistemática das publicações sobre caça e usos da fauna silvestre em áreas protegidas do Brasil entre 2000 e 2024, na qual foram incluídos 37 artigos científicos organizados em cinco categorias temáticas. Registramos um total de 290 espécies caçadas, com predominância de aves (n=144 spp.; 49,6%) e mamíferos (n=112; 38,6%).  A categoria consumo (n=240; 82,7%) foi o principal tipo de uso registrado. O segundo capítulo investigou as dinâmicas contemporâneas da caça em áreas ecotonais Caatinga-Cerrado, no qual registramos a influência de fatores socioculturais, econômicos, tecnológicos e conectividade territorial. Registramos 32 espécies de vertebrados silvestres, das quais 26 eram utilizadas como carne de caça e 11 como recursos zooterapêuticos. No terceiro capítulo registramos a partir de entrevistas semiestruturadas com 453 caçadores de áreas urbanas e rurais no Sul do Piauí um total 145 espécies de vertebrados silvestres caçadas, sendo majoritariamente aves (n=110; 75,7%), mamíferos (n=30; 20,8%) e répteis (n=5; 3,5%). Essas espécies foram capturadas para consumo da carne (bushmeat) e de criação como pets com diferenças entre esses sistemas de captura, especialmente quanto ao perfil dos caçadores e às práticas de caça. As análises entre as regiões socioambientais evidenciaram heterogeneidade em relação a renda, escolaridade, frequência, período, deslocamento e comercialização da atividade, além de diferenças na composição das espécies exploradas. O quarto capítulo apresentou uma análise da percepção de 17 agentes de fiscalização e gestores ambientais a cerca das práticas de caça e suas implicações conservacionistas em áreas protegidas no sul do Piauí. Identificamos 18 espécies de vertebrados caçados, sendo os mamíferos o grupo mais representativo (n = 12; 66,7%). Os mamíferos da ordem Cingulata, apresentaram maior saliência cultural. Registramos o predomínio de motivações comerciais e culturais para a permanência da caça na região, com destaque para limitações de infraestrutura, efetivo e capacitação para a fiscalização. No quinto capítulo registramos que o gradiente socioambiental esteve associado à riqueza e à composição das espécies exploradas, com respostas distintas entre os sistemas de bushmeat e pets. De modo geral, os padrões de caça e de usos faunísticos identificados em áreas protegidas no Brasil e regiões socioambientais no Sul do Piauí reforçam a necessidade de estratégias integradas de fiscalização, educação ambiental e de gestão das UCs que considerem a diversidade de motivações e o contexto socioambiental local. Além disso, a implementação de ações educativas e participação comunitária, aliadas a maior fiscalização ambiental podem ajudar a diminuir as pressões de caça a fauna nativa e promover o uso sustentável dos recursos naturais.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2217228 - WEDSON DE MEDEIROS SILVA SOUTO
Interno - 1046342 - ELAINE APARECIDA DA SILVA
Interno - 423289 - JOAO BATISTA LOPES
Externo à Instituição - 123.***.***-79 - ALEXANDRE SCHIAVETTI - UESC-BA
Externo à Instituição - 018.***.***-13 - JUAREZ CARLOS BRITO PEZZUTI - UFPA
Externo à Instituição - 873.***.***-87 - Rômulo Romeu da Nóbrega Alves - UEPB
Externo à Instituição - 938.***.***-15 - CECÍLIA IRENE PEREZ CALABUIG - UFERSA