17 de Setembro de 2026 às 22:04
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.As vivencias de mulheres trans travestis remontam de diferentes fases da história,
e da constituição social de gênero delas, evidenciando assim estudos dentro da
psicologia que abordam como isso impacta na formação e na relação que estas
estabelecem em suas vidas, dentre estas destacamos as relações familiares que são
a base dos primeiros momentos relacionais da vida humana. Nessa perspectiva se
faz importante conhecer como as famílias vivenciam junto as mulheres trans
travestis o processo de auto declaração e transição de gênero e como essas
mulheres lidam com a dinâmica familiar. Assim, e o objetivos da dissertação está
estruturada em um capítulo teórico e dois estudos com metodologias distintas. O
capítulo teórico tem como finalidade apresentar uma revisão da literatura sobre o
tema das mulheres trans no contexto histórico mundial, o estudo I consiste em uma
revisão integrativa transcultural, que teve como objetivo responder como a
literatura empírica recente descreve as relações entre mulheres transgênero e suas
famílias de origem antes, durante e depois da transição de gênero ou da afirmação
de gênero,quais padrões de rejeição, reconhecimento parcial e específico por
função, aceitação condicional e parentesco escolhido se repetem nos contextos
representados no corpus, e quais padrões são modulados por religião, raça, classe,
geografia, posição no mercado de trabalho e sistemas de saúde e como a teoria do
estresse de minorias e a teoria da família podem ser integradas para explicar esses
achados. Este estudo utiliza um desenho de revisão integrativa para sintetizar a
literatura empírica sobre processos familiares, transição de gênero, estresse de
minorias e parentesco escolhido entre mulheres transgênero em diferentes
contextos culturais. As buscas foram realizadas no PubMed, Scopus, Web of
Science, SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS Regional) e Google Scholar.
A síntese mostra respostas familiares como arranjos relacionais multidimensionais
nos quais reconhecimento identitário, pertencimento emocional, segurança
material, assistência relacionada à saúde, coerção e exclusão simbólica podem ser
combinados de maneira desigual; as categorias padrão de apoio e rejeição são
amplas demais para registrar esses arranjos. Já o estudo II é um estudo empíricos
de natureza mista que tem como finalidade analisar as vivências de mulheres trans
no contexto familiar durante o processo de transição de gênero, e os específicos
examinar as percepções das mulheres trans sobre o apoio familiar antes, durante e
após a transição de gênero; avaliar como a experiência de transição de gênero
afetou as relações das mulheres trans com suas famílias; investigar como a
aceitação ou rejeição familiar impacta a saúde mental e emocional das mulheres
trans; identificar estratégias utilizadas por mulheres trans para lidar com a
resistência ou falta de compreensão familiar. A pesquisa se caracteriza como
qualitativa, de campo, e do tipo exploratória, envolvendo 43 participantes que se
autodeclaram mulheres trans, com idade a partir de 18 anos. A coleta dos dados
foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas (online pelo Google Forms, e presencial em casos atípicos). Os dados foram analisados por meio da Análise de Conteúdo de Bardin e pelo software IRAMUTEQ Classificação Hierárquica Descendente (CHD) complementados com a estatística descritiva do SPSS e um diário descritivo.