Ação de extensão
Título: A ponta do iceberg: Arqueologia, Antropologia e Conservação Antártica Ano: 2022
Nº de Bolsas Concedidas: 0 Nº de Discentes Envolvidos: 7
Público Estimado: 130 Área Principal: OUTRAS
Área do CNPq: Ciências Humanas Unidade Proponente: COORDENAÇÃO DO CURSO DE ARQUEOLOGIA E CONSERVAÇÃO DE ARTE RUPESTRE/CCN
Unidades Envolvidas: Tipo: EXTENSÃO
Município de realização: Espaço de realização:
Resumo

A Antártica foi o último continente a ser ocupado pelos seres humanos, fato ocorrido em fins do século XVIII e início do século XIX. As adversidades ambientais e localização contribuíram para seu isolamento, porém, provavelmente, não foram os únicos motivos. Situado na região mais austral do planeta, rodeado pelos Oceanos Pacífico, Atlântico e Índico, é considerado o continente mais frio, mais seco, mais desértico, mais elevado e mais ventoso de todos (MEC, 2006). Sua incorporação na economia mundial ocorreu de forma tardia e possivelmente, se relaciona a essa condição. O projeto “Paisagens em Branco: Arqueologia e Antropologia Antártica”, que vem sendo desenvolvido pela equipe LEACH-UFMG desde 2009, tem por objetivo compreender as estratégias humanas de ocupação da Antártica ao longo do tempo (ZARANKIN e SENATORE, 2007). Nessa tarefa, somam-se arqueólogos, historiadores, antropólogos e conservadores de diferentes instituições e nacionalidades (brasileiros, argentinos, chilenos, norte-americanos e australianos), tratando-se, portanto, de uma pesquisa interdisciplinar e internacional. De acordo com a história oficial, os primeiros humanos a chegarem ao continente austral foram “grandes” descobridores, exploradores e/ou cientistas, que possuíam um espírito de liderança e aventura (MADDISON, 2014). Segundo essa perspectiva, a “descoberta” da Antártica foi um evento pontual, datado em 19 de janeiro de 1819, fruto de uma ação casual, segundo a qual o Capitão William Smith, de nacionalidade inglesa, ao desviar de ventos fortes durante a viagem comercial entre Buenos Aires (Argentina) e Valparaíso (Chile), teria avistado, pela primeira vez, as Ilhas Shetland do Sul (BUSCH, 1985 e STACKPOLE, 1953). De modo geral, trata-se de uma narrativa positivista, factual e que exalta grandes “homens” e eventos. Opondo-se a isso, a pesquisa arqueológica vem colocando em evidência personagens comuns que foram agentes desse processo de incorporação da Antártica ao mundo moderno. Tais personagens foram grupos de caçadores de mamíferos marinhos (foqueiros, lobeiros e baleeiros) que se dirigiam para a Antártica com a finalidade de caçar estes animais para aproveitar a pele a gordura como matéria-prima para indústria do vestuário em expansão, como combustível para a iluminação pública e como lubrificantes para as máquinas. Baseando-se na micro-história, tratando do cotidiano e de personagens ordinários, a narrativa arqueológica vem contando histórias alternativas sobre a ocupação humana da Antártica, trazendo à tona o dia-a-dia dessas pessoas, bem como os vínculos da ocupação do continente com o processo econômico mundial de expansão do capital, do qual estes foram trabalhadores explorados e invisibilizados (ZARANKIN et al. 2011). O estudo arqueológico da Antártica permite acessar o cotidiano desses operários, entendendo como o processo histórico de mundialização do capital foi experenciado por aqueles que eram explorados e deixaram raros testemunhos escritos sobre suas vidas. Para além de contar histórias alternativas sobre as primeiras ocupações humanas da Antártica, o projeto “Paisagens em Branco” pretende, também, as narrar de uma forma alternativa. Tendo isso em mente, foi criado o Programa de Arqueologia Pública e Digital do LEACH-UFMG que buscou desenvolver ações de mediação entre arqueólogos e não-arqueólogos, de uma forma imersiva e divertida. A proposta materializa-se em um conjunto de ações nas quais se pretende construir conhecimentos colaborativos sobre Arqueologia Antártica, partindo de conceitos como corporalidade e sensorialidade. As atividades realizadas pelo LEACH-UFMG foram: a) Domo Sensorial da Antártica O domo sensorial da Antártica trata-se de uma cápsula inflável, aclimatada, que possui no seu interior uma réplica, em tamanho real, de um sítio arqueológico foqueiro antártico oitocentista. Essa réplica foi elaborada por um carnavalesco, contratado pelo projeto, a partir de uma parceria com o Museu Ponto da UFMG. O sítio simulado no interior do domo foi construído em tamanho real, quer dizer, nas mesmas dimensões que um sítio arqueológico encontrado na Antártica. Além disso, todo o domo foi adaptado no sentido de simular a sensação de estar na Antártica, sendo instalado, na sua parte interna, um ventilador para simular os ventos antárticos; ares condicionados para diminuir a temperatura interna, simulando o frio polar; um sistema de som que reproduz o barulho dos animais e do mar antártico; um sistema de iluminação que simula as fogueiras encontradas nas escavações no interior dos sítios; imagens em 180º que ajudam na sensação de imersão na paisagem antártica e réplicas 3D de vestígios arqueológico reproduzidas com a impressora 3D do LEACH-UFMG, que podem ser manuseadas pelos visitantes (SOARES, NOLASCO e MOTA, 2016). b) Performance teatral Os integrantes dessa equipe também elaboraram (e executaram) uma performance teatral na qual se realiza uma conversa imaginária e atemporal entre um foqueiro do século XIX e um arqueóloga do século XXI. Nesse diálogo, a arqueóloga questiona ao foqueiro tudo que os integrantes do projeto perguntariam caso tivessem a oportunidade de conhecer um foqueiro do século XIX. A roupa do foqueiro foi feita por uma designer de moda contratada pelo projeto, que a elaborou a partir dos vestígios arqueológicos têxteis recuperados em sítios antárticos (especialmente restos de vestimenta, calçados, luvas e tocas). A arqueóloga utilizava roupas que as pesquisadoras do projeto utilizam quando estão em trabalho de campo no continente polar. E o diálogo, em si, foi baseado tanto em literatura marinha, quanto na análise de vestígios arqueológicos, sendo que os materiais arqueológicos e suas práticas sociais correlatas os fios condutores dessa conversa. c) Exposição sensorial Foi realizado ainda uma exposição sensorial sobre a Antártica no Espaço do Conhecimento da UFMG, na qual os 3 projetos de Antártica da UFMG (“Paisagens em Branco”, “Mycrobiologia Polar” e “Mediantar”) apresentaram os principais resultados de suas pesquisas e buscaram, junto com a equipe de museologia do espaço do conhecimento da UFMG, estimular os sentidos e experiências dos visitantes da exposição. Nessa exposição, além de textos, imagens, vídeos e sons, foram criadas cápsulas sensoriais que simulavam o andar na neve, a sensação de vento e a escuridão de estar na Antártica. No planetário do Espaço do Conhecimento foi apresentado um vídeo 360º sobre a Antártica e foi realizada uma série de atividades educativas para o público infantil visitante da exposição (SOARES e ZARANKIN, 2020). d) Álbum de figurinhas e História em quadrinhos O projeto possui ainda um álbum de figurinhas e uma história em quadrinhos sobre Arqueologia Antártica que são utilizadas em atividades didáticas realizadas em escolas, amostras, feiras e outras ações. e) Novas Tecnologias O LEACH-UFMG elaborou uma Base Dados Digital georreferenciada e online, presente no website do projeto, que vem auxiliando no registro das informações produzidas durante os 13 anos de desenvolvimento da investigação. O mesmo configura-se como um instrumento de pesquisa e de divulgação acadêmica dos resultados do projeto. A base de dados foi desenvolvida em plataforma digital georeferenciada e está disponível para interfaces móveis (tablets e smarthfones) voltada para a coleta e acesso de dados em campo e em laboratório, bem como apresentação dos mesmo para o público interessado. As informações sobre os materiais e os sítios podem ser visualizadas espacialmente no website através de um mapa interativo Arqueológico da Península Byers e de modelos tridimensionais dos sítios arqueológicos, assim como por meio de fotos dos materiais e dos sítios. Espera-se que, à futuro, o sistema permita facilitar e aprofundar os trabalhos de campo e laboratório, bem como incentivar uma maior proximidade entre a pesquisa científica e a comunidade em geral. Em última instância, a proposta pretende que o visitante tenha experiências alternativas “de contato” com histórias não-oficiais sobre a ocupação humana da Antártica partindo das informações ali existentes, além disso, é previsto que pesquisadores de outras nacionalidades também acessem, preencham e utilizem a base de dados sobre Arqueologia Antártica e que esta esteja disponível para uso nas campanhas antárticas (ZARANKIN e SOARES, 2021; ZARANKIN, SOARES e MARTIRE, 2021). f. Videogame O jogo digital que vem sendo desenvolvido pelo LEACH em parceria com o Grupo de Pesquisa CNPq Arqueologia Interativa e Simulações Eletrônicas (ARISE-MAE/USP), denominado Aventura Antártica – Arqueologia no continente congelado, se enquadra na área de pesquisa denominada Archaeogaming (ou seja, o estudo de jogos arqueológicos), justamente por juntar dois vieses principais: é um jogo que retrata a vida dos foqueiros e baleeiros na Antártica do século XIXI, bem como, as escavações contemporâneas ali acontecidas; ou seja, é uma arqueologia em um jogo digital. Assim sendo, a proposta oferece ao jogador a possibilidade de cumprir missões no passado e presente antárticos a fim de estabelecer correlações entre o cotidiano dos antigos caçadores com os artefatos encontrados nos sítios. O produto do jogo lida com o acervo de muitos anos de pesquisa pertencente ao LEACH-UFMG, abarcando os mais diversos campos da vida cotidiana na Antártica. Para o desenvolvimento do jogo, estão sendo utilizados três tipos de materiais que auxiliam na modelagem 3D e programação de interatividade: A) Bibliográfico: referente à arqueologia antártica, principalmente centrado nas produções internas do LEACH disponibilizadas em seu perfil no Academia (https://ufmg.academia.edu/LEACHUFMG); B) Imagético: fotos e vídeos disponibilizados no site do LEACH, em seu canal no YouTube, além de compartilhamento direto pelos demais pesquisadores do laboratório; 3) Digital 3D: escaneamentos tridimensionais prévios realizados pela equipe do LEACH e disponibilizados internamente e também na plataforma Sketchfab (https://sketchfab.com/leach.ufmg). Uma demonstração do jogo que pode ser acessada em: http://www.arise.mae.usp.br/antartica. Nesse projeto de extensão serão oferecidos cursos teóricos associados ao trabalho realizado pelo LEACH-UFMG, onde serão discutidos os avanços científicos nas áreas de Arqueologia, Antropologia, História e Conservação da Antártica (vinculado as primeiras ocupações humanas do continente), através de palestras ministradas pelos integrantes do LEACH-UFMG; bem como outras atividades (de cunho teórico e prático) relacionadas ao envolvimento público e acadêmico associado ao Programa de Arqueologia Pública e Digital promovido pelo projeto “Paisagens em Branco”. As atividades práticas pretendem desenvolver, em Teresina, algumas das ações previstas no Programa de Arqueologia Pública do LEACH-UFMG anteriormente descritas. Reforça-se que nas atividades realizadas de modo presencial serão adotados os protocolos de biossegurança contra COVID-19, conforme Resolução CONSUN/ UFPI N.º 56, de 20.01.2022, a qual estabelece com pontos principais: o uso de máscara em todas as dependências da UFPI, apresentação de comprovante vacinal atualizado e, em caso de teste positivo para COVID-19, será exigido isolamento de até 10 dias do contaminado.

Membros da Equipe
imagem do professor
ELAINE APARECIDA DA SILVA
Categoria: DOCENTE
Função: CONSULTOR / TUTOR
imagem do professor
VIRGINIA MARQUES DA SILVA NETA
Categoria: EXTERNO
Função: INSTRUTOR / SUPERVISOR
imagem do professor
MARIA DO AMPARO ALVES DE CARVALHO
Categoria: DOCENTE
Função: CONSULTOR / TUTOR
imagem do professor
FLAVIO RIZZI CALIPPO
Categoria: DOCENTE
Função: CONSULTOR / TUTOR
imagem do professor
RENATA LARISSA SALES QUARESMA LAGE
Categoria: SERVIDOR
Função: CONSULTOR / TUTOR
imagem do professor
WALLYSON VALES MORAES
Categoria: DISCENTE
Função: MONITOR(A)
imagem do professor
BRUNA NAYARA MARTINS SOUSA
Categoria: DISCENTE
Função: MONITOR(A)
imagem do professor
BIANCA DA SILVA ALVES
Categoria: DISCENTE
Função: MONITOR(A)
imagem do professor
FERNANDA CODEVILLA SOARES
Categoria: DOCENTE
Função: COORDENADOR(A)
imagem do professor
EVLEM LORENA SILVA DE OLIVEIRA
Categoria: DISCENTE
Função: MONITOR(A)
imagem do professor
ISABEL CRISTINA LIRA DE SOUSA
Categoria: DISCENTE
Função: MONITOR(A)
imagem do professor
VITOR HUGO LOPES DOS SANTOS
Categoria: DISCENTE
Função: MONITOR(A)
imagem do professor
KAMILA CARVALHO FEITOZA
Categoria: DISCENTE
Função: MONITOR(A)
imagem do professor
ANA KAROLINA DE AMORIM SANTOS
Categoria: DISCENTE
Função: MONITOR(A)
imagem do professor
CARLA TESSIANE DE SOUSA BARBOSA
Categoria: DISCENTE
Função: MONITOR(A)
imagem do professor
MATEUS DE OLIVEIRA PORTELA SERVIO
Categoria: DISCENTE
Função: MONITOR(A)
imagem do professor
CAMILLY SANTANA NASCIMENTO
Categoria: DISCENTE
Função: MONITOR(A)
imagem do professor
JOAO VITOR SILVA SOARES
Categoria: DISCENTE
Função: MONITOR(A)
imagem do professor
NYSKALINE NASCIMENTO DA FONSECA
Categoria: DISCENTE
Função: MONITOR(A)
imagem do professor
MARIA VICTORIA COSTA SILVA
Categoria: DISCENTE
Função: MONITOR(A)
imagem do professor
ALEX DA SILVA MARTIRE
Categoria: EXTERNO
Função: MINISTRANTE
imagem do professor
ANDRES ZARANKIN
Categoria: EXTERNO
Função: MINISTRANTE
imagem do professor
GERUSA DE ALKMIM RADICCHI
Categoria: EXTERNO
Função: MINISTRANTE
imagem do professor
MARIA JIMENA CRUZ
Categoria: EXTERNO
Função: MINISTRANTE
imagem do professor
MARIA XIMENA SENATORE
Categoria: EXTERNO
Função: MINISTRANTE
imagem do professor
MARLON VENICIUS CARNEIRO DE FREITAS
Categoria: EXTERNO
Função: MONITOR(A)